Real King
3 Capítulo 3
— Vai comigo pra agência, Tae? – perguntou Jin enquanto se arrumava. Tinha alguns contratos pra finalizar e terminar de fotografar uma campanha pra uma marca esportiva americana.
— Vou sim, Minho Hyung me pediu pra passar lá, ele tinha um assunto sério pra discutir comigo. – Jin concordou e deu um sorriso fraco. Lee Minho era agente de Jimin e Taehyung, um dos poucos humanizados no mercado. Tinha esposa e estava esperando seu primeiro filho, o que o deixava ainda mais cuidadoso com seus modelos. O grande arrependimento de Jin era não ter assinado com aquele novato na época de seu grande primeiro contrato; recebeu sua lição de forma muito amarga. Mas pelo menos conseguiu encaminhar seus dois protegidos para um dos únicos agentes decentes da indústria da moda.
— Vamos juntos então, tenho que fotografar. – Tae assentiu com a cabeça e pegou seu casaco.
Depois de muito conversarem sobre as fofocas do trabalho no trânsito, Jin estacionou seu carro na garagem do grandioso prédio da agência e enquanto estava travando o veículo, sentiu um aperto forte em seu braço. Nem precisava olhar para saber quem era.
— Se apertar forte demais vai ficar a marca, e eu tenho uma sessão daqui há uma hora. – disse em tom entediado. Taehyung se aproximou para defender o amigo, mas Jin o dispensou com um movimento de mãos.
— Não acredito que mesmo sabendo que toda a sua vida vai pelo ralo você vai continuar com essa pose de quem está por cima. – O Kim não acreditava como há pouco tempo atras achava estar apaixonado por aquele crápula. Sentiu a mão forte apertando sua mandíbula em direção à boca, obrigando seus lábios a se fecharem em um bico. Doía, mas morreria antes de dar o braço a torcer. – Ponha-se no seu lugar, Jinzinho. Lembre-se que você é a vagabunda com quem a gente trai as nossas esposas, nunca é quem vai ter o anel no dedo, ok?! — Sentiu os dois tapinhas fracos no rosto, pra humilhar, mas jamais deixaria aquele verme vê-lo chorar. – Você é só um rostinho bonito Jin, e um buraco ocasional que alguém usa pra se satisfazer. – Quando Tehyung ameaçou dar mais um passo, Jin levantou a mão para o amigo, o impedindo. – Isso mesmo, pare seu amiguinho antes que a minha paciência acabe, vagabunda, e por falar em paciência... Você vai assinar a transferência de porcentagem quando?
— Eu já disse, Jihoon, não posso fazer isso do dia pra noite senão meu advogado vai desconfiar. Ele está trabalhando sobre alguns direitos de imagem que eu tenho e está focado na minha vida financeira por hora. – O Kim mais novo se impressionava com a postura fria e imutável do amigo. Mesmo humilhado do jeito que estava sendo, nada o abalava.
— Certo, então me avise quando tudo estiver pronto. Mas não demore, hein, senão eu canso e libero aquele e-mail. – Finalizou apertando a bunda do modelo e se afastando dele. – se vire hoje, tenho mais o que fazer do que ser babá de um viadinho como você. – Jin sequer piscou, juntou sua bolsa que caíra no chão e rumou para o elevador.
— Hyung – Tae tentou falar com o amigo, mas foi imediatamente interrompido.
— Lido com isso todo dia há três meses, Tae, esqueça o que viu, porque é o que eu vou fazer. – E se calou quando aporta abriu e entrou por ela um homem da altura dos dois modelos, mas musculoso demais para ser colega de profissão. Ele usava preto da cabeça aos pés, estava de boné e óculos e tinha piercings nos lábios e em uma das sobrancelhas.
— Bom dia – cumprimentou formalmente o desconhecido, se encolhendo no elevador e abaixando a cabeça. Jin gostara do tom de voz macio do rapaz, mas se sentia um pouco incerto a respeito do mesmo. Podia ver pela gola da camisa as pontas de tinta que imaginava serem tatuagens, e aquilo o impressionou. Apesar de crescer a quantidade de pessoas tatuadas no país, ainda era incomum. Ele e Tae fizeram uma reverência ao rapaz e continuaram a subida em silêncio. Quando chegaram um andar antes do seu destino, o elevador parou. Quando as portas se abriram, o desconhecido apenas fez outra reverência e saiu rapidamente de lá.
— Cara estranho... parecia que estava se escondendo da gente – disse Jin divertido.
— Pode até ser, mas aquele perfume foi a melhor coisa que já cheirei na vida. – disse Tae impressionado.
— Já ficou de olho no boy, Tae? Pensei que passaria mais algumas semanas sofrendo pelo Bogun... – Tae o olhou indignado e bufou.
— Só gostei do cheiro dele hyung, me erra, vai. — E como se fosse sua deixa, a porta do elevador se abre e eles dão de cara com a terceira peça daquele triângulo.
— Taetae! Jin Hyung! Pensei que vocês fossem chegar mais tarde, vi que ficaram online até de madrugada ontem. – E o Kim mais novo fez uma careta imaginando o trabalho que seria atualizar Jimim de tudo o que tinha acontecido. Mas aí se lembrou que tinha assinado aquele maldito acordo.
— Fiquei afogando minhas mágoas com o Jin hyung até tarde. – Desconversou o mais novo. – O loiro a sua frente não pareceu acreditar muito naquilo, e começou a fechar seus já pequenos olhos, desconfiado. Jimin naja estava chegando.
— Pensei que ia pra casa afogar as mágoas com o gostoso do Hoseok, Tae, por que foi pra casa do Hyung? – Jin amava o Park, mas ele era insuportável quando Jimin naja surgia.
— Primeiro: não é porque eu divido o apê com o Hobi que somos melhores amigos da vida e contamos tudo um pro outro. Segundo, apesar de sermos mesmo muito amigos, ele não está 24h por dia disponível pra mim, e terceiro: Só você acha o Hoseok gostoso, vai me dizer que ainda tem uma queda por ele?! – O loiro arregalou os olhos, desconcertado.
— Não tenho uma queda por ele, Tae, só o acho bonito. Não tenho interesse por homens heteros. – disse num bico indignado. Jin achou aquilo ridículo e resolveu se meter.
— Porque você não precisa, Jimin, é um processo automático: você fica interessado no cara e BAM! – fez um grande gesto com os braços — Ele começa a gostar de homens. – Jimim olhou surpreso para seu hyung, que tentava lhe explicar essa teoria.
— Do que você está falando Jin?
— Você não sabe?! A sua fama cresce a cada dia Park Jimin: o cara que deixa qualquer hetero confuso. – Taehyung estava gargalhando no final do corredor quando decidiram que estavam a tempo demais na frente do elevador e começaram a caminhar para a última porta.
— Claro que não, hyung! Isso nunca aconteceu! – disse o Park fazendo birra. Se não fosse tão fofo, Jin lhe daria um cascudo pela atitude infantil.
— Não, só aconteceu com os último 4 caras com quem você ficou, Jimin-naja! – provocou o Kim mais novo, fazendo o amigo loiro correr atrás de si.
— Me chamou do quê, Kim?! – e foi assim que Jin enfim conseguiu respirar aliviado depois da cena do estacionamento. Seus dois Dongsaengs curtindo a amizade entre eles, e ele indo fazer o que mais amava, ficar frente a frente com uma câmera.
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— Você realmente entregou o dossiê às seis, Kookie. – disse Namjoon impressionado quando entrou em sua sala e o seu amigo mais jovem estava nela esperando.
— Eu disse que entregaria, hyung. – respondeu o Jeon, suscinto.
— Aliás, como entrou na minha sala? – Jungkook revirou os olhos, como se aquela pergunta o matasse de tédio. E o Kim resolveu deixar pra lá. Ele pegou o pendrive das mãos do amigo e espetou no notebook em sua mesa. – O que eu vou encontrar aqui? – o mais novo o encarou com queles olhos enormes, pingando franqueza.
— Depende Hyung, o que pretende com Seokjin?
— Vou me casar com ele. – E com as sobrancelhas arqueadas em surpresa, o amigo lhe respondeu.
— Então eu sinto te dizer Hyung, que o que tem aí vai arruinar a sua noite.
E arruinou. O mais velho ainda se impressionou com a quantidade de informação que Jungkook conseguiu reunir em menos de um dia, e aquilo já estava lhe embrulhando o estômago, mas quando chegou ao vídeo que a equipe dele gravou na garagem da agência naquela mesma manhã, ele perdeu um pouco o equilíbrio.
— É o suficiente. Quero esse cara fora, Jungkook. – O mais novo o encarou curioso.
— Da vida do Jin, de Seul, da Coréia ou do planeta? Precisa ser mais específico, hyung. – Aquilo chamou tanto a atenção de Namjoon que por alguns segundos esqueceu o que tinha que fazer ali.
— O que esteve fazendo nos anos em que eu estive fora? – O Jeon apenas deu de ombros, como se não fosse relevante. – Quero ele fora da vida do Jin. Preso, chantageado, ameaçado, não me interessa. – Jungkook agora com direcionamento mais claro, acenou concordando.
— Posso fazer um comentário pessoal?
— Claro, somos amigos.
— Boa escolha Hyung, Seokjin é osso duro, vou te dizer.
— Por que você diz isso?
— Além da cena na garagem, que eu garanto, ninguém além dele suportaria com tanta elegância, eu o vi trabalhando hoje. Juro, Nam, o cara é uma máquina. Foi o primeiro a chegar, e a sessão se estendeu pelo dia todo. Os outros modelos reclamavam do cansaço e da exaustão enquanto ele parecia que tinha acabado de acordar, radiante e com aquela pele ridícula. – O Kim não conseguiu ficar sério diante daquilo. – é sério, eu sondei por lá e todo o staff é louco por ele. Na moda coreana ninguém é mais amado que ele, e não é por causa da beleza. Ele é surreal de tão cativante. Vai me convidar pro casório?
— Vou pensar no seu caso. Vai cuidar disso pra mim, Kookie?! — Disse apontando para a tela a sua frente.
— Considere feito, Hyung.
—Ok, mais tarde te dou os detalhes do encontro com o Taehyng. – O mais novo deu um sorrisinho acanhado que bugou o amigo. – Juro por Deus, Jungkook, você mete medo em metade da bandidagem de Seul, me diz coisas tão absurdas que eu penso que é capaz de fazer, mas fica com essa cara de tacho toda vez que eu falo naquele Kim. – E o rubor que tomou o rosto do Jeon o chocou ainda mais.
— O que eu posso fazer, hyung?! Ele me deixa meio fora do ar. – disse com aqueles impressionantes olhos enormes brilhando. E antes que Namjoon pudesse fazer qualquer outro comentário, o telefone fixo em sua mesa toca.
— Pois não?
— Presidente Kim, tem um Sr Kim aqui embaixo querendo falar com o senhor. – O empresário rolou os olhos, impaciente.
— A empresa está abarrotada de gente com esse sobrenome, Srta., vai ter que ser mais específica.
— Kim Seokjin, senhor, ele disse que o senhor está esperando por ele. – Os dois amigos se encararam surpresos.
— Mande subir. – disse apenas desligando o telefone.
— Ele tem mais iniciativa do que esperávamos. – disse o mais novo.
— E você tem três minutos pra sair do meu escritório se não quiser que ele lhe veja. – E se tocando disso, o Jeon saiu dali apressado.
— Me liga, hyung! – gritou saindo pelo corredor. Namjoon pegou o celular e ligou pra o secretário.
— Chame o Kai aqui na sala e esvazie o andar pra mim. – Após alguns segundos ouvindo o que Hoseok respondia ele continuou. – Seokjin está subindo. – E teve a chamada rudemente encerrada.
Alguns minutos depois, Jin entra em sua sala. Estava com um terno azul bebê sem gravata e os cabelos agora estavam loiros, provavelmente para a sessão que Jungkook falou que ele trabalhou hoje. Os tênis brancos esportivos davam um ar descontraído ao look mas não tinha jeito, Seokjin era impecável. Não tinha um grama de maquiagem no rosto, o cabelo estava bagunçado provavelmente pelo vento e mesmo assim era a pessoa mais bonita que Namjoon vira na vida. Não estava preparado para o impacto que a presença dele causava. As fotos não faziam jus à Seokjin, agora sabia disso.
Ainda um pouco mexido, fez um gesto para o modelo sentar-se.
— Aceita um chá, Sr. Kim? – Jin sentou-se de forma relaxada na poltrona oferecida e cruzou as pernas. Namjoon ficou com inveja, nem com todas as suas aulas de etiqueta na adolescência conseguiria aquela postura, e nele parecia natural.
— Aceito, obrigado. – Quando o mais novo acionou o interfone pedindo chá, o Kim mais velho pôde observá-lo. Jim era considerado alto, mas Namjoon conseguia ser mais alto que ele. E tinha um corpo muito estruturado, diferente do esguio que se espera de um asiático padrão. Pernas fortes, ombros largos, braços grandes... Ok, Kim Namjoon tinha sua curiosidade, agora tem a sua atenção.
Sem saber que era observado com tanto afinco, o empresário volta para onde o outro estava e se acomoda na poltrona em frente a si.
— Como posso ajuda-lo, Sr. Kim? – Até a voz do chaebol era agradável, naquele misto de grave e rouca. Decidiu que pensaria melhor sobre isso depois.
— Sei que deveria ter contatado seu secretário, Sr. Kim, mas resolvi dar minha resposta para a sua proposta pessoalmente. – Jin calou-se rapidamente quando ouviu um toque na porta. Assim que Namjoon autorizou a entrada, um homem de terno a abriu. Provavelmente segurança, a julgar pelos fones engatados ao redor do pescoço.
— Me chamou, senhor? – o Kim mais novo acenou positivamente.
— O escritório, Kai?
— Está limpo, senhor. O Sr. Jeon verificou também antes do senhor chegar. – O moreno aprovou com um aceno, dispensando o funcionário.
— Fique, Kai, vou precisar de você mais tarde. – E com uma mesura o rapaz saiu, sendo seguido por uma moça de terno também entrando na sala com uma bandeja e um aparelho de chá.
— Devo servir, presidente? – Namjoon fez um gesto com a mão para ela parar.
— Não precisa Jennie, eu mesmo o faço. Vá pra casa, seu expediente terminou há vinte minutos. – E com um sorrisinho tímido e uma mesura, a moça saiu da sala.
— É sempre atencioso com seus funcionários? – perguntou Jin em um tom divertido. Namjoon levantou-se e começou a servir o chá.
— Não, mas o mínimo que posso fazer é respeitar seus horários de trabalho, certo?! – Jin lhe deu um sorriso pequeno. – Gosta do seu chá como?
— Puro, por favor. – Ao ver o rosto curioso do mais novo ele completou. – As dores e delícias de ser modelo, tenho que controlar absolutamente tudo o que eu como. – Enfim entendendo, o empresário lhe estendeu uma xicara, que ele aceitou com graça.
— Dizia que queria me dar a minha resposta pessoalmente. Então...?
— Falamos a mesma língua pelo visto, somos ambos diretos. – O moreno concordou com a cabeça e tomou um gole de seu chá. – É muito claro que eu vou aceitar sua proposta, Sr. Kim, só gostaria de saber quais são as cláusulas do contrato. – Namjoon deixou a xícara na mesa e o encarou curioso.
— Contrato?
— Sim, o contrato onde eu vou ser obrigado a não contar pra ninguém sobre e real natureza disso tudo, entre as outras exigências estranhas que vocês milionários têm.
— Primeiro, Sr. Kim, o termo correto é bilionário. – Jin quase riu da arrogância do outro, mas estranhamente gostava daquela confiança tranquila que ele tinha. – Segundo; o único contrato que vai assinar é a certidão de casamento. – E ao ver o mais velho surpreso, resolveu esclarecer tudo. – Eu estou procurando um marido, não um funcionário. Quando nos casarmos, vai ter direito a metade de tudo o que eu tenho. Não estamos em um drama, não pretendo me divorciar de você daqui há um ano e lhe dar uma gorda compensação por isso. Exceto o contato íntimo cujo qual eu jamais vou lhe forçar, vai ser um casamento como qualquer outro.
Jin estava chocado. Aquele homem a sua frente estava lhe dando poder demais nas mãos.
— Como pode dizer isso, se nem me conhece direito?
— Conheço o que importa. Me desculpe pelo que eu vou dizer agora, mas já fiz uma verificação sobre o senhor, não tenho nenhuma objeção sobre o seu caráter.
— E a sua família? Além do óbvio, eu ser homem, eu sou um modelo, vim de uma família pobre e meio maluca.
— Eu tenho dinheiro suficiente por nós dois, não preciso do dinheiro, da influência nem das ações de ninguém. Preciso de um companheiro pra vida, Sr. Kim. Preciso de parceria, lealdade e companheirismo, e não vou exigir nada além disso de você.
— Você não é muito novo pra isso? –E o mais velho ficou momentaneamente bobo com o quão bonito foi o sorriso triste que Namjoon lhe direcionou.
— Sou. Mas a minha família não liga pra isso. Eles querem me empurrar pra primeira dondoca que conseguirem, e isso eu jamais vou permitir.
— Tem medo de mulheres, Sr. Kim? – Namjoon lhe sorriu com os olhos.
— Tenho medo de passar o resto da minha vida negando quem eu sou. Abro mão de qualquer coisa, menos disso. – E foi o que convenceu Jin.
— Certo, Sr. Kim, tem o seu noivo. – O mais novo abriu os olhos espantados com a rapidez daquilo.
— Isso foi surpreendente. – Ambos riram, um pouco mais confortáveis. – Nesse caso, me chame pelo meu nome. – O loiro sorriu de boca fechada e se ajeitou melhor no sofá.
— Então faça o mesmo, Namjoon, e sem honoríficos, por favor. – O moreno riu confortável. Jamais acharia que se sentiria confortável tão rápido perto dele. Dessa vez Hoseok estava certo.
— Ok, vamos marcar de nos encontrar no final de semana para combinarmos tudo, então?! Minha agenda está bem caótica essa semana, e sexta será a minha posse oficial. – O mais velho concordou com a cabeça.
— Devo vir para a cerimônia? – O empresário se surpreendeu com a pergunta.
— Você viria? – O modelo deu de ombros, descontraído.
— Ninguém faz uma social melhor que eu, Namjoon. – disse arrancando uma risada do homem a sua frente.
— Então eu vou querer, sim. Não posso simplesmente aparecer casado com você, temos que ter alguma história de fundo. – Jin concordou. – Mas isso é assunto para o final de semana.
— Certo. Então peça para o Hoseok me mandar os detalhes da sua cerimônia de posse, preciso encaixar na minha agenda. – disse levantando. Percebeu seu agora noivo teclando alguma coisa no celular e o encarando.
— Ok, você precisa encontrar um agente pra essas coisas, não pode ficar acertando sua agenda pessoalmente. – O Kim deu de ombros sem opção.
— Eu já tenho um agente, Namjoon, ele não trabalha na minha agenda. – disse se encaminhando para a porta, foi quando sentiu um toque suave na manga do terno.
— Não Seokjin, você não tem mais um agente, por isso estou dizendo para arrumar outro. – O loiro enfim entendeu sobre o que ele se referia.
— Quando...?
— Resolvi isso um pouco antes de você entrar aqui. Considere como um presente de noivado. – Jin estava perplexo com o quão fácil foi para ele resolver o pior e mais cascudo problema que já teve. – A partir de agora você está comigo, e ninguém vai tocá-lo sem que você permita. – disse deixando o outro arrepiado e sem palavras. Namjoon abriu a porta e deu de cara com Kai lhe esperando no corredor. – Leve o Sr. Kim para casa, por favor. Não precisa voltar para me pegar, vou voltar com Hoseok. – O segurança apenas fez uma reverência e aguardou o loiro ao lado do elevador.
— Como sabe que não vim de carro? – Namjoon pegou o celular do outro e digitou algumas coisas nele.
— A pessoa que resolveu seu problema também me deixou a par dos pneus furados do seu carro. Mandei resolver e ele vai amanhecer na sua garagem amanhã. – O modelo estava quase sem fôlego com a guinada que as coisas tomaram em menos de uma hora. – Esse é meu número pessoal, ligue ou mande mensagem a hora que quiser. Posso demorar pra responder e as vezes não conseguirei atender, mas farei o possível para não demorar a retornar. – Acenando ainda meio embasbacado, Jin se encaminhou para o elevador com um Namjoon meio divertido o acompanhando. – Vai ter que se acostumar a isso, Seokjin, esta é a sua vida a partir de hoje. – E com um sorrisinho irônico o Kim mais novo se despediu do noivo enquanto a porta do elevador fechava.
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— Como foi? — Perguntou Hoseok quando o chefe entrou no carro.
— Melhor do que eu pensava. Ele é uma pessoa muito agradável, acredito que vamos nos tornar amigos. – O mais velho sorriu satisfeito. – é seu segundo dia como meu secretário e já vai ganhar um bônus. – O sorriso de J-Hope se alargou.
— Fico feliz em agradar. — Disse saindo do estacionamento e entrando no trânsito da cidade. – Aliás, precisamos acertar os detalhes da cerimônia de posse. Você desmarcou essa reunião para atender o Jin. – O CEO concordou e pegou o tablet do secretário.
— A lista de convidados você pode deixar por conta do vovô. Só quero que reserve três assentos. Um para o Kook, e dois para o Seokjin.
— Ele vai?
— Sim, se ofereceu pra ir, eu achei uma boa ideia.
— As pessoas vão se acostumar mais cedo à imagem dele na empresa. – E Namjoon concordou compenetrado no Tablet.
— Exatamente. Você ligou pro vovô se desculpando pela minha ausência no almoço? – Hoseok riu divertido virando uma esquina.
— Vou te dizer, Nam, seu avô tem um pulmão muito bom. Eu quase fiquei surdo. – Os dois gargalharam divertidos no carro.
— Vou adicionar insalubridade ao seu pagamento. Esse ambiente de trabalho é muito hostil, Hobi.
— Não vou discordar de você. – Ele olhou o amigo e viu o quanto estava relaxado em comparação ao dia anterior. – Ele te deixou tão leve assim, RM? – e gargalhou ao ver o mais novo corar.
— Não é isso que você está pensando. Não vou mentir e te dizer que ele não é uma verdadeira miragem, mas foi a personalidade dele que me cativou. Fiquei mais tranquilo em saber que vou ter um aliado como ele agora. – E o Jung acreditou naquilo, ele sabia o quanto aquela vida que o amigo levava era estressante, metade da família torcia por sua queda, por um deslize seu, ele tinha mais inimigos do que poderia contar, não podia se dar ao luxo de confiar em qualquer um.
— Entendi. A mulher da cobertura que vimos no almoço me retornou. Ela topou vender com os móveis. Vou acertar o contrato amanhã. – E vendo os ombros de seu dongsaeng mais relaxados ainda, ele se sentiu satisfeito por um dia produtivo como aquele.
Quando chegaram na mansão dos Kim, Namjoon desceu do carro e olhou intrigado para o secretario que descia também.
— Vai pra onde, Hope? – o mais velho lhe encarou confuso lhe estendendo a chave do carro.
— Pra minha casa, ué. Vai precisar de mim pra algo mais?
— Não, só achei estranho você desligar o carro se só ia me deixar. – Hoseok o olhou como se ele tivesse um problema na cabeça.
— O carro é seu, ô infeliz, por que diabos eu o levaria pra casa?
— É meu? Não é o que o documento dele diz. – Se tocando do que o amigo falava, Hobi arregalou os olhos.
— Ele é uma edição limitada, Nam.
— E daí, eu disse que ia te dar um bônus não disse?! – e gargalhou ao ver o amigo correr pra dentro do carro como uma criança ridicularmente feliz e sair de lá acelerando a máquina que ganhara. – Nem se despediu, o cretino. – Resmungou o empresário entrado em casa.
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— De quem é aquela máquina que você estacionou na nossa vaga, Hoba? – perguntou Taehyung assim que o amigo entrou em casa. O moreno nem teve tempo de tirar os sapatos, encarou o modelo e deu de cara com Seokjin e Jimin ao lado dele no sofá.
— Ganhei de bônus no trabalho. Hoje é festa do pijama? – os dois outros modelos o cumprimentaram enquanto ele tirava seus sapatos e entrava na sala. – Boa noite.
— Viemos para comemorar o noivado do Jin hyung! – disse Jimin animado. Os outros dois arregalaram os olhos com medo da reação do Jung.
— Não se preocupem, aquele acordo valia só no caso de você não aceitar. Uma vez que é o noivo dele, seus amigos mais próximos têm o direito de saber, não é?! – os três concordaram. – E aliás, parabéns pelo noivado. – O mais velho abriu um sorriso discreto e agradeceu.
— Obrigado. E obrigado também por pensar em mim. Sei que poderia ter sido qualquer um, obrigado por me escolher. – Hope sacudiu as mãos sem graça, fazendo pouco caso.
— Deixa disso, não precisa agradecer. E pra sua informação, qualquer um não serviria. Os padrões dele são absurdamente altos. Você era literalmente minha única opção. Quase caiu do céu. – Os dois riram e o secretário foi para o corredor. – Vou deixar vocês a vontade e tomar um banho, depois eu volto. – As três cabeças fizeram uma mesura educada para ele enquanto ele sumia por uma porta.
— Bom, voltando ao assunto que estávamos antes que o gostoso do Jung nos interrompesse... dê a real Jin hyung, como ele é?
— Nada de mais Ji, não sei por que você está insistindo nesse assunto.
— Sei... – disse o baixinho cerrando os olhos, o que não era um bom sinal para os amigos.
— Ah, nem vem, não começa cedo assim não! – reclamou o mais velho meio rindo, meio aborrecido.
Depois de minutos discutindo, Hoseok volta de moletom e camiseta, e senta ao lado do Kim caçula.
— O que eu perdi?
— Nada de mais, hyung, só o Jimin-naja tentando fazer o Jin hyung abrir o bico. – O Jung estava perdido naquela brincadeira, mas percebeu os olhos perfurantes do loirinho sobre o loirão.
— Eu já disse, não achei nada de mais.
— Fala logo hyung, senão ele não vai te deixar em paz – disse Tae cansado. E vendo que o amigo ao seu lado ainda estava perdido, ele resolveu esclarecer. – Jimin quer que o Jin hyung diga qual foi a sua impressão sobre o poderoso chefão.
— É assim que vocês o chamam? – os três modelos deram de ombros.
— Não temos mais nada criativo que isso no momento. – Aceitando o argumento, Hoseok se calou. Ao ver que Jimin não ia recuar, Jin desistiu.
— Ok, eu falo. Mas pelo amor de Deus, tira essa expressão da cara, Jimin. – vendo a mudança automática pra uma carinha anjo, Hoseok se perguntou por que aquele rapaz não era ator. – Ele é... impressionante, ok?! Tem um bom porte, é muito educado e simpático, diria até gentil.
— Gentil? – perguntou o Park decepcionado.
— Sim, gentil. O sorriso dele é gentil.
— Ah sim, — disse Hoseok abrindo uma lata de cerveja que estava na mesa de centro. – Todo muito se encanta com as covinhas dele. – e se assustou quando os dois mais novos olharam rapidamente pra ele como se o secretário tivesse contado um segredo de estado.
— Você disse "covinhas", Hobi? – perguntou Taehyung muito sério.
— Sim – sem entender nada, Hoseok começou a prestar atenção em cada palavra que saia de sua boca. – Ele tem covinhas bem evidentes. Mas como quase nunca sorri, não tem fotos na internet. – mais uma vez os dois modelos mais novos sincronizaram a virada de cabeça, dessa vez tendo como alvo o loiro mais velho.
— Foda-se – disse Jin abrindo uma lata de cerveja também. – ele tem covinhas, ok?! Querem que eu diga mais o que?
— Qual o problema em ter covinhas, gente?! – Hope achava quase absurda a forma como eles estavam discutindo algo tão bobo.
— O problema, hyung. – disse Tae sorridente. – é que o bonito aqui tem uma fraqueza. Ele não aguenta um homem com covinhas. – E o Jung enfim entendeu a loucura toda em torno daquilo.
— Vocês são muito emocionados, sinceramente. – Fez pouco caso enquanto os outros seguiam discutindo a gritos, mas sabia que poderia usar essa informação futuramente. — Por falar nisso, quase esqueço. Tenho um super favor pra te pedir, Tae. – O Kim moreno se virou totalmente pra ele.
— O que é?
— Preciso que você se encontre com alguém.
— Fora de cogitação, hyung. Não vou em encontros às cegas. – Hoseok suspirou e tomou mais um grande gole da sua bebida.
— É sério, Tae, não é um encontro. Um fã quer conhece-lo pessoalmente, só isso.
— Tô fora dessa gente doida Hyung, já tenho problemas o suficiente. – Sentindo a dor de cabeça vir, o mais velho apertou a ponte do nariz, consternado.
— Discutimos isso depois então. – E o amigo o ignorou, entrando na conversa dos dois loiros a sua frente.
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