Real King

19 Capítulo 19


Jimin desembarcara de madrugada em Seul, Namjoon lhe oferecera carona, mas ele recusou, dizendo que tinha alguém a sua espera no aeroporto. Ao sair no portão principal, deu de cara com Jungkook sorrindo o aguardando em frente ao seu carro.

— Tem certeza que quer fazer isso, Mochi? – mesmo soando divertido, ele queria oferecer uma saída a Jimin.

— Vamos logo Bunny Boy, essa história se enrolou por muito tempo.

Entraram no carro e Jungkook dirigia divertido pelas ruas, tentando espantar todo o nervosismo que o colega de apartamento sentia. Depois de alguns quilômetros, Jimin foi estranhando o caminho que o amigo estava pegando.

— Kook, a casa dele não é por aqui. – O amigo concordou virando uma esquina.

— Eu sei, mas ele não está em casa, mochi. Você não deu notícias desde que ele lançou a música, ele ficou mais sombrio do que geralmente é. – Jimin encarou o amigo espantado. – Se trancou no estúdio desde a hora do almoço, ninguém o viu saindo.

— E você sabe disso como? – o moreno deu de ombros, como se não fosse importante.

— Foque no que importa, Chim. – disse parando em frente a gravadora. – Boa sorte. – disse piscando.

Jimin se sentiu subitamente inseguro. Saiu no impulso de Nova York, com apenas uma bagagem de mão e nem sabia o que diria quando visse Yoongi.

— Como vou entrar? – Jungkook o encarou os seus grandes olhos inocentes.

— Do que você está falando? Eu cuido da segurança desse prédio, você tem credenciais cadastradas.

— Eu tenho?

— Desde o dia em que veio gravar. Eles não coletaram a sua biometria? – Jimin concordou com um aceno. – Não precisa fazer mais nada. Visitantes esporádicos tem seus dados armazenados e suas permissões deletadas no momento em que saem do prédio, mas seu cadastro teve uma alteração de acesso. – disse olhando no celular e confirmando. – Sim, você tem acesso – ele sorriu surpreso. – Acesso platina, Mochi, está com tudo hein?!

— O que isso quer dizer?

— Sua digital abre qualquer porta naquela gravadora. Qualquer. Porta. – Jimin arregalou os olhos assustado. – Nem o CEO dessa empresa tem o mesmo acesso que você, e acredito que ele nem sabe disso. – Jimin estava atordoado. – Você sabe que Suga é o único herdeiro do grupo Min, não sabe?! – ao ver os olhos de Jimin se arregalarem mais, ele sorriu sem graça. – Acho que vocês precisam mesmo conversar. Vá. – disse apontando para a porta e deu mais um sorriso encorajador quando viu o amigo tremendo que nem vara verde ao entrar sem problemas no hall de entrada do imenso prédio.

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Jin e Te estavam almoçando quando o mais velho recebe uma mensagem da secretária para abrir no canal da Vogue UK no youtube.

Quando entrou, percebeu que um dos vídeos mais bombados da plataforma era o makin-off do photoshoot que fez para a revista, e abriu o vídeo antes de clicar nos comentários.

A primeira cena é dele chegando e cumprimentando a todos com apertos de mão e fazendo algumas reverências às senhorinhas da limpeza que eram coreanas. Quanto mais velha a pessoa, maior a inclinação da coluna. Ele estava todo animado e simpático com todos e quando foi enviado para o cabelereiro sentou-se animado na cadeira.

— Qual vai ser a cor hoje? Perguntou ao profissional que já estava de sorriso aberto o esperando

— Roxo, Sr. Kim, foi o que me pediram. – Jin abriu um sorriso caloroso e o encarou pelo espelho.

— Já lhe disseram que roxo é a minha cor? — E algumas risadas foram ouvidas pelo staff.

Depois viu sua conversa descontraída sobre a descoloração no cabelo e a opinião do cabelereiro sobre o fato dele fazer tantas mudanças e o quão prejudicial isso era.

Chegou na parte em que ele começou a fotografar, e todas as indicações e a parte em que eles orientavam o modelo para suas poses eram expostas. Jin viu o quão rápido eles trabalhavam e ficou surpreso.

— Esse homem é o sonho de todo fotógrafo – disse o diretor de fotografia do ensaio. — Agora eu entendo por que ele é o maior. Não importa que tenhamos vindo do outro lado do mundo para fotografá-lo, ele vale cada centavo.

E o vídeo terminava com algumas prévias do ensaio e com a foto de capa a edição que sairia no dia seguinte.

— Bom, isso vai desmentir completamente o rumor de que você é temperamental, Hyung. – Tae não podia estar mais feliz, e Jin deu um sorrisinho aliviado.

— Bom agora só faltam 49 problemas pra resolver. — Os dois riram da desgraça do mais velho e voltaram a se concentrar na comida. Tae ainda olhando a tela, riu com algo que viu no aparelho.

— Veja só, seus fãs agora formularam uma teoria de que você está sendo perseguido. – Ele clicou em um link que encaminhou para uma thread no twitter. – Minha nossa! A pessoa fez um dossiê! – os dois Kim’s riram divertidos com aquela teoria que estava tão próxima da verdade. – Seus fãs me assustam às vezes, hyung. – Jin concordou com ele e continuaram lendo as outras teorias que encontraram.

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Yoongi estava distraído com uma composição que não estava saindo como esperado. Estava faminto, não saía há quase um dia inteiro do seu estúdio e comera apenas porcarias que encontrara ali. O fato era que estava frustrado. Ele se expôs para Jimin e não recebera nenhuma resposta. Uma mensagem, telefonema, sinal de fumaça... nada.

Tudo bem que não esperava que Jimin cairia em seus braços instantaneamente depois daquilo, sabia que o modelo tinha ainda seus problemas de autoconfiança, seus complexos, mas poxa... uma conversa, pelo menos?!

Sentindo que sua ansiedade, controlada há anos à base de muita terapia, estava querendo voltar, foi ao bar modesto que mantinha ali e se serviu de um copo de uísque. Não costumava beber quando estava chateado, isso era costume de quem não tinha controle sobre si mesmo, e ele tinha muito orgulho do controle que construiu. Mas faziam anos que não andava com seus ansiolíticos consigo, e aquela era uma emergência.

No segundo gole da bebida ouviu a porta do estúdio abrir. Ele só dera a senha daquela tranca a uma pessoa. Não sabia que aqueles dois goles o tiraram de si ou se Jimin viajara meio mundo para falar consigo, mas se a última teoria estivesse certa, ele não saberia como reagir.

— Não é a data do casamento dos Kim’s. – disse a voz suave e melodiosa. O Min fechou os olhos e respirou fundo.

— O que disse? – perguntou ainda sentado, virando de frente para ele.

— Sua senha. – disse Jimin se aproximando. Estava sério e acanhado. – Não é a data de casamento dos Kim’s. É o dia em que nos conhecemos. – Não sabia como, mas sabia que os olhos de Jimin sorriam. Como, se perguntava, conseguia ler tão bem uma pessoa assim?

Jimin estava com um sobretudo verde, os cabelos impecáveis e aquele rosto de anjo que o deixava fascinado há cinco anos. Ele andava cauteloso em sua direção, deixou a pequena bolsa de mão em cima de uma mesa e parou a sua frente. Yoongi piscou, tentando não parecer tão hipnotizado e pigarreou, percebendo eu devia uma resposta a ele.

— E do nosso primeiro beijo. – Viu os olhos de Jimin brilharem. – E da nossa primeira vez. – E as pequenas orbes começaram a marejar.

— Por que você nunca...? – sua voz falhou e ele se calou. Enfiou as mãos nos bolsos do sobretudo pra disfarçar a ansiedade.

Mas nada passava despercebido por Yoongi.

— Você tinha tantas questões, Jimin... Sua autoestima, suas inseguranças com relação ao seu corpo e todas as porcarias que te aconteceram nos seus relacionamentos anteriores... — ele deu de ombros, bebendo outro gole, e se assustou quando o loiro tomou o copo da sua mão, e virou o drink.

— Você sabia o que eu sentia? – Yoongi apenas acenou com a cabeça. – Então porque demorou tudo isso?

— Eu pretendia conversar com você no dia da festa dos Kang, mas aí veio toda aquela confusão do banheiro e eu percebi o quanto você ficou mal quando eu presenciei aquilo. Entendi que você não queria que eu visse como as pessoas o tratavam, e quando eu te falei que nunca tinha ficado com nenhum homem antes de você, você ficou mais inseguro que nunca. – Jimin concordou com a cabeça. – Percebi que precisava fazer você entender o quanto eu te valorizo, o quanto eu te estimo. E o quão desesperadamente eu quero você na minha vida. – As lágrimas de Jimin caíam em seu rosto inexpressivo, e Yoongi ficou apreensivo.

— As minhas questões eu posso resolver, Yoongi, o problema é que em todos os meus relacionamentos anteriores eu nunca gostei tanto de alguém quanto eu gosto de você, sabe o quão exposto eu fico? – Suga o encarou sério, os olhos vermelhos segurando o choro que não queria que caísse

— Sei, porque somos dois expostos aqui, Anjo. – Ao ouvir o uso do apelido, Jimin fechou os olhos e lembrou-se da letra da música que o levou até ali. Respirou fundo, e desafivelou o cinto do sobretudo deixando o Min confuso. Ele desabotoou a peça e a retirou, ficando de calça e camiseta. Jogou os cabelos para trás com a mão e encarou o moreno novamente.

— Preciso te dar uma resposta para a sua música, não é?! – e sem nem esperar a resposta de Yoongi, sentou em seu colo no sofá, uma perna de cada lado do seu corpo. – Então peça, Yoongi. – disse sussurrando na boca do produtor. Yoongi respirou fundo e o segurou pelas coxas com as duas mãos. Sorriu quando os braços dele passaram por seu pescoço, e aqueles olhos pequenos o encararam com seriedade.

— “Just let me love you”, anjo. – Sussurrou um pouco rouco, pela voz embargada. Jimin abriu o maior sorriso que conseguiu, e Suga sentiu como sempre se sentia com aqueles sorrisos; fraco.

— Eu deixo, meu gatinho. – E antes de Yoongi reagir aquele apelido, sentiu os lábios de Jimin selarem os seus.

O beijo calmo era a transcrição da calmaria neles; ambos sentiam que estava exatamente onde pertenciam, e foi esse o sentimento que Yoogi buscou a vida inteira. Quando se separaram, Jimin encarou os olhos marejados de Suga e abriu um sorriso doce.

— Eu vim de Nova York por esse beijo. – Seu sorriso gengival favorito apareceu e ele lhe deu um selinho.

— Um beijo? Pensei que quisesse estrear meu estúdio. – Jimin arregalou os olhos quando sentiu sua bunda sendo apertada

— Mas que grande pervertido você é, Min Yoongi! Estávamos num momento super fofo e romântico e você do nada pensa em me comer?

— Eu penso em te comer toda hora, Minie. – Jimin se arrepiou com o sorriso cafajeste que ele deu. – Não quer dar uma sentada de dia dos namorados no seu homem não, Jimin? – sussurrou em seu ouvido, mordendo o pescoço do modelo no processo. Jimin deu um gemido tão alto que em seguida corou de vergonha. – Não se preocupe, anjo, não tem ninguém mais nesse prédio, e mesmo que tenha, isso é um estúdio, totalmente à prova de som. – Levantou as sobrancelhas sugestivo.

— O que você ta querendo dizer com isso, Yoon? – deu mais um gritinho de susto quando o mais velho se levantou com ele em seu colo.

— Que você vai sair daqui rouco, Park.

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No dia seguinte, Jin estava em Londres para o lançamento da edição comemorativa da Vogue cuja capa ele estampava. Sua chegada foi um frisson, Taehyung que o acompanhava ficou um pouco tonto com a quantidade de jornalistas que ali estavam e com o quanto que o amigo era querido no país.

Sua agenda estava lotada, participou de alguns programas de Tv, talkshows e programas de rádio que tinha pré-agendado, mas não conseguiu se manter para os compromissos que surgiram na hora.

— Peça desculpas Hwasa, mas eu estou completamente exausto. A gente tem Milão semana que vem e eu já to pedindo penico. E olha que eu nem desfilei! – Taehyung ria enquanto respondia uns e-mails e ambos olharam espantados quando a porta se abriu. Já era tarde da noite e Jimin chegara com sua malinha de mão e um sobretudo que claramente não era dele.

— Desde quando você usa LV, Jiminie? – o tom divertido de Tae chamou a atenção de Jin.

— É emprestado. – respondeu o loiro quase em um sussurro tirando a peça. Estava de jeans e uma camiseta larga que também não lhe pertencia, o que só os deixou mais intrigados. Quando o Park sentou e fez uma leve careta, os dois Kims caíram na gargalhada.

— É disso que eu to falando Park Jimin! Foi lá e pegou o homem! – Tae se divertia com o rosto corado do amigo e Jin não conseguia nem respirar de tanto que ria.

— Odeio vocês. – disse Jimin num fio de voz. O mais velho ficou intrigado com o quanto Park estava econômico com as palavras.

— Ji, por que você está tão calado? – e foram interrompidos com a campainha do quarto. Hwasa atendeu e pegou algo com um dos funcionários do hotel.

— Pra você, Jimin. – disse a morena entregando uma garrafa térmica na mão. – Vai precisar de mim pra mais alguma coisa, Jin?! – o modelo negou com a cabeça.

— Era só. Vai descansar, já te dei trabalho demais por hoje. – A secretaria deu um sorriso simpático e saiu. – Ok, Jimin, o que é isso? – o loiro abriu a garrafa e cheirou, fazendo uma careta. O seu celular tocou na mesma hora e Jimin aceitou a chamada de vídeo.

— Chegou bem, Minie? – Jin e Tae arregalaram os olhos ao reconhecer a voz e Yoongi. Jimin apenas concordou com a cabeça. – Que bom, mandei entregarem um chá de limão pra você aí no quarto pra ajudar com a rouquidão, você recebeu? – o bico de Jimin se armou na hora, e Taehyung estava vermelho tentando controlar a gargalhada.

— Você tá doido pra ficar solteiro de novo, Min Yoongi. – disse Jimin num fio de voz. A gargalhada do Kim mais novo estourou como uma represa e Jin não conseguiu se segurar também.

— Só estou cuidando de você. – disse o produtor fingindo seriedade. – Quando eu propus testar o isolamento acústico do estúdio você não negou. – A dupla atrás de si estava de olhos arregalados sem acreditar no rumo daquela conversa. Jimin fechou os olhos em fenda. Suga queria jogar o joguinho do constrangimento? Ele era expert nisso.

— Como eu negaria estando com o seu pau na minha boca? – Yoongi engasgou na mesma hora e Tae quase explodiu com aquilo.

— Ok, entendi. Não vou mais brincar. Falando sério agora, neném, como você tá? – Jimin desfez o modo naja na hora e fez um bico.

— Tô cansado, só preciso de um sono. – Yoongi deu uma leve risadinha.

— Então toma seu chá e vai dormir. Me liga quando puder, ok?! Você sabe que meus horários são bem doidos. – Jimin concordou com a cabeça. – Te vejo em uma semana, Anjo, durma bem.

— Tchau gatinho, bom trabalho – disse Jimin manhoso, desligando a chamada. – O que foi? – os dois amigos o encaravam curiosos.

— Pelo jeito o bate e volta eu certo. – disse Jin se levantando da cama.

— Copiei a ideia do seu maridinho na cara dura, e deu muito certo sim. – Jimin abriu um sorriso enorme e pulou em cima de Tae. – Nós estamos namorando e ele me deu total poder de decisão de tornar isso público ou não. – Tae ficou impressionado.

— Yoongi não brinca em serviço... – os dois sorriram um pro outro. – to feliz por você Jimin naja, você merece. – Jimin gargalhou para o nada e se jogou novamente em cima do amigo na cama.

— Vamos dormir gente, não temos mais idade pra amanhecer e ir pra eventos. – disse Jin voltando do banheiro meio sonolento. Os dois amigos mais novos sorriram um pro outro e foram se arrumar para dormir enquanto tentavam fofocar sobre a ida do Park a Seul.