Real King

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Legendas no final

Ao final de fevereiro, Ji Su estava em estado de desespero. Depois do fiasco com a Dispatch, perdeu seu maior aliado para difamar Jin; a publicação teve que soltar uma nota pedindo desculpas pelo equívoco, e como se não fosse humilhação o suficiente, estava no centro do maior processo por difamação da história da Coréia, com grupo Bangtan indo para cima dela com tudo o que tinha. Não conseguiria mais publicar nem uma nota de falecimento naquele site, maldita hora que confiou em seus informantes que garantiram que Namjoon não saíra de casa naquele dia!

Ao se perguntar como o Kim conseguira burlar sua fonte, apenas um nome vinha a sua mente: Jeon Jungkook. Aquele pirralho estava no seu caminho, e ela o tiraria de lá. Pegou seu celular e ligou para o único possível aliado que poderia ter nesta hora.

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Em Milão, Jin estava a ponto de enlouquecer: Taehyung choramingando de saudade do namorado de um lado e Jimin do outro, suspirando pelos cantos; aparentemente o loirinho era mais focado do que aparentava, pois apesar de seu namorado estar há poucas horas de chegar para vê-lo ele ainda conseguia trabalhar como nunca, seja dando entrevistas, seja fotografando com as modelos da marca a qual era embaixador.

O problema é que uma dessas modelos cismou que Jimin se parecia muito com seu futuro namorado e agora o perseguia por toda a cidade. No começo da semana ele achou fofo, e uma grande coincidência se sentarem em lugares próximos nos desfiles, almoçarem nos mesmos restaurantes, depois de dois dias começou a ficar sufocado com a perseguição; até nas baladas ela dava um jeito de ficar perto dele e tentar tirá-lo pra dançar.

Agora, na sexta feira, Jin e Taehyung se revezavam para não deixar Jimin sozinho, porque a modelo alemã partiu para o tudo ou nada, e começou a se insinuar fisicamente. Os Kims não aguentavam a risada pelo desespero do amigo, mas sabiam que sua reputação estava por um fio e ele não poderia mais vacilar com escândalo algum.

— Jimin, você chegou ao fundo do poço! Ficar apavorado com os avanços de uma mulher é o fim da picada! – Disse Taehyung numa roda de amigos modelos, todos veteranos da indústria, se davam muito bem e costumavam curtir as festas juntos. Apenas os três coreanos falando em sua língua nativa, o que deixava os demais confusos.

— Você ri porque não é com você! – Disse o loiro bicudo enquanto observava a multidão na boate completamente paranoico. – Não posso ter esse escândalo na ficha. Sabe o que é pior que uma celebridade Gay? – os dois esperaram a resposta calados. – Uma celebridade Bi! Ninguém respeita bissexuais, eles são mais taxados de promíscuos que o resto, e como eu não sou Bi, me recuso a levar essa fama! – os dois continuaram rindo, e Jimin olhou feio para o melhor amigo. – Além do que, eu tenho namorado, meu deus! – disse jogando as mãos teatralmente pra cima, fazendo Jin soltar um gargalhada nada discreta. – Tae, o que o Jungkook faria se visse uma loira daquelas pendurada no seu pescoço? – O Kim mais novo franziu o cenho em dúvida.

— Ele daria um sumiço nela – disse Jin tranquilamente enquanto bebia sua água. Os dois mais novos o encararam espantados. – O que?! Não é como se fosse impossível, haja vista o que ele fez com o Bogun... – deu de ombros e só percebeu que falou demais quando dois pares de olhos arregalados ficaram maiores ainda. – Aish... eu não devia ter falado. Mas já que abri essa boca grande... Sim, Tae, o Jungkook é o responsável pela prisão do Bogun. Ouvi uma vez o Hoseok e o Nam falando sobre isso em casa e liguei os pontos. – Taehyung ficou alguns segundos olhando chocado para o amigo, e como se levasse um choque, simplesmente piscou, deu de ombros e voltou para a sua cara blasé de sempre.

— Não é como se o Bogun não tivesse cometido um crime... – Jimin não aguentou e se engasgou com a bebida por não controlar a risada, mas todos os pelos do seu corpo se arrepiaram quando uma voz feminina se aproximou deles.

— Sobre o que vocês riem tanto? – perguntou em um inglês de sotaque carregado. Os três amigos encararam Anelise como se vissem um fantasma, e o sorriso doce que ela deu assustou Jimin como nada nunca antes.

— Só estamos relembrando memórias boas da Coreia – disse Jin simpático — estamos sentido falta de casa. – A loira sorriu e se aproximou mais de Jimin, invadindo seu espaço pessoal.

— Entendi. Deve ser difícil pra vocês por causa do choque cultural, não é?! Um país tão tradicional quanto a Coreia... vocês devem se chocar com muita coisa. – Os três sorriram amarelo e concordaram educadamente com ela – Aliás, Jimin, você não deveria estar com tanta saudade assim. Eu soube que você foi pra Seul há poucos dias. – Jimin ficou super embaraçado. Não gostava de cortar nem de ser descortês com mulheres, mas aquela alemã estava passando dos limites.

— Nicht, dass er eine Erklärung schuldig wäre, aber er ist nach Hause gefahren, um mich zu sehen.* – Jimin virou de repente para a voz grave e conhecida que falava atrás de si. Aaron, um modelo que era conterrâneo de Anelise deu uma risadinha debochada para a loira e voltou à conversa que estava antes. Yoongi surgiu vestindo um terno todo preto sem gravata, os cabelos platinados como os do namorado, e um sorriso muito debochado.

— Entschuldigung, wer sind Sie?** – perguntou a loira assustada encarando o rapaz que lhe chamou atenção. Ele sutilmente parou atrás de Jimin, que ainda não lhe encarava.

— Verstehen Sie immer noch nicht?*** – se possível, o sorriso do Min ficou ainda mais venenoso. Ele passou um dos braços pela cintura do Park, pegou o copo de uísque que estava na mão do namorado e tomou um gole, devolvendo ao mesmo. — Baby, er mag dasselbe wie du.**** – e ao ver a cara de assustada da alemã, Jimin ficou apreensivo sobre o que o namorado dissera. Ela fechou a cara, pediu desculpas, bem baixo e saiu dali apressada. Jimin olhou de soslaio para Yoongi, um pouco ressabiado.

— Min Yoongi, o que diabos você falou para ela? – o produtor deu de ombros e roubou um pouco mais da bebida dele. – pare de roubar minha bebida e me conte! Aliás, desde quando você fala alemão?

— Desde os quinze, eu acho. – disse o Min descontraído. Jimin reprimiu o xingamento quando percebeu Aaron se aproximando.

— Olá. – disse o Germânico em inglês. — Eu sou o Aaron, é um prazer conhecer você, namorado do Jimin. – disse apertando a mão de Suga que se apresentou também. – Eu não aguentava mais a Anelise forçando essa aproximação com ele, todos estavam desconfortáveis. – Yoongi sorriu pequeno e apertou a mão do modelo.

— Aaron você sabe o que ele falou para a Anelise? – Jin não era fofoqueiro, mas não estava aguentando a curiosidade.

— Bom, foi o “Não toque no meu homem” mais condescendente que eu já vi! – disse o moreno divertido. – Jimin, se ela não conhecesse minha esposa, eu bancaria o namorado ciumento pra você, mas infelizmente não deu. – O Park sorriu com todos os dentes e deu um aperto no ombro do alemão.

— Não se preocupe, meu próximo passo era conversar francamente com ela, mas ao que parece, alguém tinha outros planos. – Yoongi teve que rir com o olhar assassino que o namorado lançou pra ele.

— Ei, você não pode me julgar por ter ciúmes. – Ele sorriu aberto, mostrando seus dentes e fechando os olhos, o que desarmou Jimin.

— Foda-se, ela merecia. – Disse Jimin rendido. Todos riram e Aaron se afastou cm outro cumprimento. – Chegou faz tempo? – o novo loiro negou com a cabeça e fez um carinho discreto em sua cintura.

— Foi só o tempo de tomar um banho e vir pra cá. – Um garçom passou por ele e ele teve uma breve conversa em italiano com o homem.

— Quantas línguas você fala? – perguntou Taehyung entre o curioso e o divertido.

— Algumas. – disse como se não fosse nada.

— Ah... então você ficou com a Europa? – Yoongi olhou surpreso para Jin e concordou.

— Você sabe disso? – vendo o marido do amigo concordar, ficou impressionado. – Uau, ele te conta tudo mesmo.

— Desculpe, mas o que a gente está perdendo aqui? – perguntou Jimin já impaciente. E antes de Yoongi responder, o garçom volta com um copo de uísque pra ele, que agradeceu também em italiano.

— Namjoon me contou há alguns anos que o trio ternura tinha um combinado quando achavam que seu único destino era herdar as empresas das suas respectivas famílias. Todos eles dominariam alguma área e ajudariam os outros que tivessem deficiência naquilo. Quando se viram frente a escolher quais línguas aprenderiam além do inglês e do japonês, dividiram-se em continentes. Namjoon ficou com a Ásia, e aparentemente Yoongi com a Europa, — explicou Jin.

— E quem é a terceira pessoa? Jungkook? – perguntou Tae, recebendo uma negativa de Yoongi.

— Jungkook sempre soube que não herdaria nada, e estávamos bem à frente dele no colégio, o outro é o Hoseok, que ficou com a América e África. – Tae o encarou impressionado. – Seu namorado nunca levou os estudos muito a sério, apesar de hoje em dia ser bem melhor em árabe que o Namjoon, mas ele é autodidata, o maldito nunca teve uma aula sequer. A gente não faz ideia de que línguas ele fala, mas já ouvi ele conversando bem em inglês, japonês, Mandarim, Cantonês e Italiano.

— Por que línguas tão diferentes? – perguntou Jin.

— Você ainda não cansou de tentar entender o pirralho? Vai por mim, não gaste essa energia. – disse o Min tomando mais um gole de sua bebida.

Ao final da festa, os quatro amigos saíram juntos da boate e Taehyung insistiu em ir andando para o hotel, pois queria ficar sóbrio. Enquanto caminhavam calmamente pelas ruas históricas, acabaram se perdendo e perceberam alguns homens os cercando por algumas vielas. Todos bem vestidos, mas nenhuma cara simpática. Alguns não se importavam em deixar a mostra suas armas na cintura e avançavam todos em sua direção.

Yoongi se assustou quando um homem que estava sentado em uma mesa dentro de um café modesto se levantou e caminhou até eles falando em um rápido italiano com os engravatados mau encarados que o olharam assustado e deram meia volta.

— Buona serata... Não lhes disseram que é perigoso andar por esse bairro a noite? – o exemplar belíssimo de homem sorria ladino com um cigarro na boca, encarando Taehyung como se o examinasse. O Inglês com sotaque carregado era um pouco difícil de compreender. — Vocês têm sorte de eu estar na cidade hoje e ser um grande fã de moda, signore Chanel, Louis Vuitton e Gucci. – O sorrisinho debochado deu um arrepio involuntário em Jin.

— Nos desculpe por isso, não temos o costume de andar por esse bairro. – disse Taehyung sem conseguir encarar o homem. Olhou para o terno Versace inconfundível e a blusa quase toda desabotoada, identificando uma tatuagem em seu peito e ficou mais pálido do que quando pensara que ia ser assaltado. Percebendo o que o modelo tinha visto, ele abriu anda mais o sorriso.

— Sigam seu caminho em paz, senhores, ninguém mais nessa cidade irá incomodá-los, têm a minha palavra. – disse com um gesto teatral pondo a mão no peito. Os quatro fizeram uma discreta mesura de cabeça e seguiram seu caminho. Ao passar pelo homem, Taehyung sentiu todos os pelos de seu corpo se arrepiarem.

— Arrivederci, signore. – Ele sorriu e piscou para Tae. – Foi um prazer, Sr. Kim.

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Em Seul, Namjoon estava inquieto. Ouviu alguns rumores sobre terem roubado documentos do escritório de advocacia em que Felix trabalhava, e estava preocupado com o vazamento de informações.

Ji Su estava muito quieta e o avô cada dia mais tentava forçar uma aproximação entre eles. Depois que o marido ligou contando da aventura bizarra em Milão, ele decidira que deveria se precaver. Começou uma série de reuniões a portas fechadas com Hoseok e alguns funcionários de sua confiança, além de viver no telefone com Jungkook, que desde que seu Hyung lhe contara suas inquietações decidira fazer pessoalmente sua segurança. Ele despachou Kai para Paris, a próxima e última parada do marido antes de voltar para Seul e se reuniu com Yoongi assim que o amigo chegou da Itália, e só então começou a desfrutar de alguma tranquilidade em seu ser.

No Início de março, Jin já estava completamente exausto. Foi a primeira vez que fez todas as semanas de moda em sequência, e já sabia que nunca mais repetiria aquela experiência ao mesmo tempo em que a distância fizera bem ao seu relacionamento com Namjoon. Esperava ansioso o avião pousar no aeroporto de Icheon, já na expectativa de ver o marido.

Andava um pouco apressado, tinha a sensação de que algo não estava certo. Teve a certeza quando viu Yoongi com os olhos cheios de lágrimas no portão de desembarque e tanto Hwasa quanto Kai recebendo telefonemas simultaneamente.

Assim que viu a secretaria desabar em um choro desesperado, ele correu até Yoongi determinado como nunca.

— O que houve? – O Min abriu a boca, mas não conseguiu falar nada. Quando Jin olhou para a televisão que tinha em uma cafeteria ali próxima, a manchete parou seu coração.

“Acidente de carro envolvendo o presidente do Grupo Bangtan”

Ainda chocado demais para reagir, olhou Kai se aproximando mais tenso que nunca.

— Sr. Kim, precisamos colocá-lo em um carro agora mesmo. – E sem precisar de permissão arrastou Jin para dentro da SUV preta que o aguardava na saída do aeroporto

Ainda em choque, ele olhou pra a secretária que ainda estava chorando, sendo consolada por Taehyung. Quando ela conseguiu se controlar, tentou agir com profissionalismo e pegou seu tablet.

— Temos protocolos de segurança que precisam ser postos em prática aqui senhor. – Vendo que ela tinha entrado no modo guarda costas, Jin resolveu que teria que ser prático. Não ter notícias de Namjoon só o deixava mais aflito, mas ele havia sido avisado que uma situação como essa poderia acontecer.

— Kai, alguma possibilidade de você estar me levando ao hospital? – E vendo o segurança negar com a cabeça, pesaroso, ele respirou fundo. — Vamos primeiro ao meu apartamento, preciso pegar a maleta que Namjoon me orientou pegar. – Kai que observava a interação nos bancos traseiros acenou em concordância. – De lá, vamos decidir o que fazer. – Yoongi permanecia calado ao lado de Kai no banco do carona e Jimin estava estranhando muito aquela atitude. – Alguém tem alguma notícia dele? – Kai se concentrou na estrada e deixou a notícia a cargo de Hwasa.

— Aconteceu há poucos minutos, ainda estávamos pousando. O carro caiu de uma ribanceira, todos estão em cirurgia, ninguém tem notícias ainda. – Jin tentava controlar a tremedeira, mas estava cada vez mais difícil. A realidade de que Namjoon estava em uma sala de cirurgia lutando pela vida chegou em sua cabeça como uma avalanche, e ele começou a sentir seu peito pesar.

— O que causou o acidente? – perguntou Taehyung, quietinho. Ele estava apreensivo, tentava ligar para o namorado, mas ninguém atendia.

— O Sr. Jeon estava dirigindo, Tae, não há a possibilidade de um piloto de fuga renomado como ele ter sofrido um acidente. – O mais novo sentiu todos os seus membros amolecerem.

— O que disse? – Hwasa mais uma vez estava com os olhos cheios d’água.

— Os três estavam no carro, Tae. Namjoon, Jungkook e Hoseok. Eles que estão em cirurgia agora.

Notas finais
Vou colocar aqui a parte traduzida do alemão, e a tradução pode conter erros, porque foi pesquisada, não sou fluente. * Não que ele deva uma explicação, mas ele foi para casa para me ver. ** Desculpe, quem é você? *** Ainda não entendeu? **** Querida, ele gosta das mesmas coisas que você. Não traduzi a parte em italiano porque não precisa, ne?!