Real King

16 Capítulo 16


— Você pode pelo menos me escutar? — Namjoon achava que era alto, mas as pernas compridas de Jin estavam o desafiando. Praticamente corria atrás do marido enquanto entravam no apartamento.

— Você não tem nada para dizer que eu queira escutar, Namjoon. – Quando sentiu a mão segurando seu braço, ele parou. – Por favor Nam, eu não quero conversar.

— Por quê? – Jin sentiu a voz do outro embargada e respirou fundo.

— Não quero dizer coisas no calor da raiva das quais vou me arrepender depois. Você me magoou muito hoje, mas eu não vou retribuir o favor. – Se soltou do aperto de Namjoon e fechou a porta na sua cara.

Namjoon sentou-se no corredor exausto; não sabia realmente o que estava fazendo. Justamente quando estava se acertando com Jin aqueles dois surgiram das profundezas do seu inferno particular. Principalmente Ji Su; sentia ânsia quando se lembrava que tinha passado a noite junto a ela, tocando-a. A bile subiu e ele imediatamente levantou-se e correu para o próprio quarto, fechando a porta em um baque.

Seu desespero, porém, fora interpretado como raiva por Jin, que de dentro de seu próprio quarto deixou as lágrimas de raiva verterem livremente. Ele sabia o que o marido estava fazendo, tinha segurança sobre os sentimentos de Namjoon, ele só não aguentava ser mais uma vez colocado como alguém que não pertencia àquela relação. Nenhum de seus namorados o havia assumido; em seu ultimo relacionamento fora até chantageado; e com Namjoon, pela primeira vez na vida sentiu que pertencia a algum lugar.

Bom, pensara Jin enquanto tirava a roupa, não poderia esperar muito da vida, não é?! Cada vez mais pensava que o senso de justiça divina distorcido do pai estava certo, afinal. Foi para o banheiro e tomou um banho frio pensando em todas as coisas que não se permitia pensar fora de sua própria privacidade. A sombras de insegurança que o acompanhavam desde quando era uma criança não saiam de si quando tinha companhia. Com a água congelante, o verniz de coragem e confiança saia de sua pele e sumia pelo ralo; e Jin saia do banho como o garoto indefeso e assustado com a vastidão e a maldade do mundo mais uma vez. Deitou-se nu mesmo na cama, cobriu-se e fechou os olhos, pesando em suas memórias nem um pouco agradáveis e riu da ironia que sua vida se tornou. Tornar-se a celebridade mais poderosa do país para sentir-se impotente dentro da própria casa. Resolveu dormir e no sono reconstruir sua armadura para voltar a lutar suas batalhas no dia seguinte. Estava exausto, mas também fazia parte da sua natureza não desistir.

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— O que vocês conversaram, Kook? – Tae estava um pouco acanhado dentro do carro, a mão esfregando a marca roxa que ficara em seu braço.

— Nada de mais, Taehyung. Só disse pra ele ficar longe de você. – Tae encarou a figura que olhava vidrado para a rua e suspirou.

— Eu sei que você o ameaçou, Kook. Só quero que você tome cuidado. Não arranje problemas por minha causa. – O mais novo o olhou e respirou fundo.

— Você sabe que eu não sou um cara bonzinho, né?! – Tae acenou com a cabeça. – Não vou me encrencar por causa de uma cosa tão boba, Tehyung. – O mais velho suspirou e encostou a cabeça no assento do carro.

— Mesmo assim, baby, você tem essa pose que pode resolver os problemas de todo mundo, mas eu fico com receio que se meta com algo que não possa lidar. – Jungkook abriu um grande sorriso e puxou uma das mãos de Tae de seu colo para cruzar com a sua.

— Eu fico todo bobo quando vejo você se preocupando assim comigo. – Beijou o dorso da mão do namorado. – Eu sou uma boa pessoa Tae, mas não sou exatamente um cara correto. Você sabe disso, não é?! – o namorado concordou. – O que eu quero que você saiba é que apesar de ser uma pessoa boa, eu já fiz e sou capaz de coisas que não são necessariamente legais. – Tae ficou mais sério. – Isso te incomoda?

— Você vai me fazer mal? – Jungkook riu e beijou sua mão mais uma vez.

— Prefiro morrer do que fazer mal a você. Não seria capaz. – Tae puxou a sua mão atada à dele e retribuiu o beijo em seu dorso.

— Então eu não me incomodo nem um pouco. Só não quero que você se machuque.

— Uma hora isso pode acontecer.

— Eu sei, mas faça de tudo para evitar. – O Jeon concordou olhando para frente. Não diria isso para Tae, mas vê-lo preocupado consigo foi a melhor coisa que já lhe aconteceu. Deu um pigarro para disfarçar a garganta embargada e continuou de olho na direção quando seu telefone toca. Ele aciona o comando no carro e a ligação é atendida no viva-voz.

— Jeon falando. – Tae adorava quando ele ficava sério e atendia as ligações todo profissional daquele jeito.

— Senhor? Han Seo Jun, do monitoramento virtual. – Jungkook suspirou e se preparou para a bomba. Quando o monitoramento ligava pra ele fora do horário de trabalho é porque coisa pesada viria por aí.

— Estou no viva voz do carro, meu namorado comigo. Cuidado com o que diz. – Ouviu o homem do outro lado da linha se engasgar e pigarrear, desconsertado.

— Certo... me desculpe, senhor Kim, mas é urgente. Houve um alerta 17 sobre um dos seus alvos de interesse. – Jungkook se endureceu no volante e sua expressão fechou.

— Quem? – perguntou o Jeon sombrio, ligando a seta do carro para dar a volta.

— Park Jimin. – Jungkook repentinamente fechou os olhos e suspirou.

— Qual a gravidade? – ele ouviu alguém cochichar algo para o homem do outro lado da linha.

— Catastrófico. Vou mandar os detalhes para seu e-mail. Estamos colhendo informações e nossos agentes estão buscando os responsáveis. – Jungkook acenou com a cabeça, mesmo seu subordinado não enxergando.

— Estou indo pra casa. – disse e desligou. Apertou o pé no acelerador quando chegou à via que dava em seu prédio. – Amor, preciso que você pegue meu celular e mande uma mensagem para Yoongi Hyung. – Tae nem questionou, ao ouvir a conversa do namorado com o subordinado ele ficara muito assustado.

— O que eu escrevo? – perguntou desbloqueando o celular de Jungkook e procurando o contato do Min.

— "Alerta 17 sobre Jimin." – Tae franziu o cenho.

— Só isso? – perguntou enviando a mensagem.

— Ele vai entender. — Tae deu de ombros e não aguentou a curiosidade.

— O que é um alerta 17? – O namorado se mexeu desconfortável ao volante.

— É o código que usamos na empresa para invasão de privacidade ou difamação grave.

— E por que aquele homem disse que Jimin é um "alvo"?

— Eu monitoro tudo a respeito das pessoas próximas a mim, mas Jimin, como mora comigo, recebe uma atenção extra. É de praxe pra empresa; eles precisam garantir a segurança de Jimin para ele não comprometer a minha. – E Tae concordou com a cabeça quando o celular do namorado vibra em sua mão. – Oh, deve ser a resposta do Yoongi hyung. Leia pro favor. – Tae desbloqueou o aparelho novamente e leu.

— "Voltando para o aeroporto". Aeroporto? Onde ele tá? – Jungkook inclinou um pouco a cabeça pensativo.

— Osaka, eu acho. – Taehyung arregalou os olhos, surpreso.

— Ele vai voltar do Japão por causa disso?

— Tae, eu acho que você não entendeu a gravidade disso, minha equipe de monitoramento não me ligaria em um dia de folga por uma coisa pequena. – O celular de Tae começou a tocar interrompendo a conversa. Era o seu empresário.

— Sr. Lee – E antes de falar qualquer outra coisa, o homem do outro lado da linha o interrompeu.

— Kim, cadê o Park? Ele está com você?

— Não, mas to indo pra casa dele. – ouviu um suspiro de alívio do mais velho.

— Graças... me avisa quando chegar lá. A família dele tá louca me ligando, porque ele não atende ninguém. – Taehyung começou enfim a ficar nervoso.

— Qual o problema, afinal?

— Você não olhou a internet nos últimos 30 minutos? Só se fala dele pela Coreia inteira, é um desastre.

— Jimin vive metido em fofocas, Sr. Lee, o que tem de diferente agora?

— Agora estão acusando o Park de prostituição.

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Jin acabara de chegar na casa de Jungkook com Hwasa muito preocupado. Estava terminando um trabalho quando viu em seu celular várias chamadas perdidas de Tae, e quando sua secretária o avisou sobre o escândalo e as acusações feitas ao amigo, foi imediatamente pra lá.

Assim que entrou, um Tae choroso o abraçou desolado.

— Como ele está? – perguntou o mais velho para Jungkook.

— Ele está trancado no quarto desde que chegamos, se recusa a falar com qualquer pessoa. Eu achava que ele ficaria isolado assim por pouco tempo, mas já fazem três horas, Hyung, tô começando a ficar preocupado. – Jin largou Tae e foi para a porta do quarto do amigo. Bateu algumas vezes e se identificou, mas nenhum som vinha de lá.

— Jimin, é o Jin Hyung, por favor, abra a porta, estou preocupado com você. – Suspirou pesado, porque de nada adiantou. O som da tranca eletrônica da porta da frente foi ouvido e todos se viraram pra ver Yoongi entrando com uma bolsa de mão e deixando-a no sofá ao lado de Jungkook.

— Como ele está? – o Jeon o olhou triste e lhe pôs a par da situação. Yoongi suspirou fundo, e sem nem mesmo cumprimentar ninguém ali chegou na porta do quarto de Jimin e deu uma leve batida.

— Jiminie, sou eu. – E foi só o que bastou pra ouvirem a tranca da porta girar e um Jimin de pijama e rosto inchado de choro surgir.

Ele foi imediatamente na direção do produtor, que abriu os braços e sustentou o modelo que se jogou sobre si e se segurou nele como um coala.

— Yoon... – sua voz quebrada cortou o coração de todos, e Yoongi apertou ainda mais seu braço ao redor dele. – Não acredito que você veio. – Yoongi respirou fundo e separou o tronco do seu para olhá-lo nos olhos.

— Onde caralhos eu estaria se não fosse aqui? — Para desespero de todos, Jimin se deitou sobre seu ombro e se derrubou em lágrimas. O Min nem pensou, apenas segurou aquela trouxinha triste de gente e entrou novamente no quarto do loiro fechando a porta na cara de todos sem dar a menor satisfação.

— Ok... o que eu perdi? – Um Jin chocado encarava seus dongsaengs atrás de respostas.

— Eles nunca falaram nada hyung, mas um dorme na casa do outro de vez em quando – Jin achou fofo a tentativa do Jeon de ser sutil.

— Há quanto tempo? – dessa vez encarou Taehyung, porque sabia com certeza que o Kim saberia responder.

— Desde seu casamento, hyung. – disse Tae cabisbaixo.

— E você nem pra me dar uma dica, hein?! – os dois mais novos o olhando com caras de culpado. – Eu e Namjoon por anos fazendo piada com a fama de hetero comedor do Yoongi e esse tempo todo... quer saber?! Isso não importa agora, pelo menos o Jimin abriu a porta e tem alguém lá com ele. – Os dois concordaram e Jungkook o olhou com aqueles olhinhos de filhote abandonado. – Desembucha, Jungkook.

— É que eu acho que eles nem tão mais juntos, Hyung, faz semanas que nenhum dos dois se veem. Mas você ta certo, isso agora é irrelevante. – Ao ver o mais velho concordar, ele volta para o computador. – Vou continuar procurando algumas pistas e se vocês quiserem ajudar seria bom falar com a agência de vocês pra saber o que vão fazer.

— Pode deixar que eu ligo pra lá. – disse Tae pegando seu celular.

— Vou fazer algo para o Jimin comer – disse Jin indo para a cozinha com Hwasa atrás.

Cerca de uma hora depois, Yoongi sai do quarto de cabelo molhado vestido em um pijama de Jimin com uma tigela suja nas mãos e encara os amigos na sala.

— Ele tomou um calmante e dormiu depois do banho. Consegui fazê-lo comer tudo. – disse o Min devolvendo a tigela para Jin. – Obrigado. – Jin deu a ele um sorriso fraco que Yoongi não conseguiu retribuir. – Algum de vocês tem o número da terapeuta dele? – os dois modelos o olharam assustado, mas Jungkook sem se tocar disso apontou para um aparador na sala.

— Naquela agenda tem todos os números de emergência. – Yoongi agradeceu e foi até lá.

— Como assim terapeuta? – perguntou Tae para o namorado.

— Jimin sofre de depressão há anos, vocês não sabiam? – os dois Kim's negaram e Jungkook fez uma careta arrependido. – falei demais... esse tipo de coisa é a pessoa que tem que falar.

— Somos os melhores amigos dele, como não sabíamos disso? Até o Yoongi sabia! – Jin estava calmo, mas um pouco indignado com a falta de confiança do amigo.

— Durmo com ele há cinco anos e só descobri recentemente também, Hyung, não se martirize. Pessoas com distúrbios e doenças psicológicas têm sua própria lógica e seu próprio tempo. É claro que em algum momento ele ia contar a vocês, e vocês como os melhores amigos dele só precisam respeitar as suas escolhas. – disse Yoongi concentrado na tal agenda. O celular de Tae começou a tocar e ele saiu da sala para atender. Eles ouviram de longe a voz de Jimin chamando por Suga que entregou a agenda a Jin, pedindo que ele se encarregasse de marcar uma consulta o mais breve possível e foi para o quarto do loiro.

Assim que Jin consegue marcar a consulta Yoongi e Tae voltam juntos do corredor.

— Ele teve um pesadelo, mas estava grogue o suficiente pra dormir de novo. – No silêncio que se fez eles repararam no rosto furioso de Taehyung. – O que houve?

— MinHo hyung está quase se demitindo da empresa. A agência disse que não vai fazer nada a respeito, que ele trabalha para a agência, não para Jimin. Eu quero ir lá e quebrar o nariz de todo mundo! – Jungkook se levantou e abraçou o namorado.

—A situação dele só piora porque a empresa não lança uma nota sequer para desmentir os rumores. – Disse Hwasa chegando com o celular em mãos. – O Sr. Kim me pediu atualizações e já está a par sobre o problema na agência. Disse que Hoseok está a caminho de lá com Félix para resolver isso. – Todos estranharam Namjoon ter se intrometido, mas Jin deu uma risada debochada.

— Deve estar tentando ganhar minha confiança de novo... bom, não sou eu quem vai reclamar de qualquer ajuda.

— Temos que definir um plano de ação eficaz agora. – disse Jungkook prático. – Minha primeira sugestão é tirar o Jimin daqui. A imprensa ainda não sabe o endereço dele, mas não acho que isso vá demorar a acontecer. – Todos ali concordaram.

— Ele vai pra minha casa. – disse Yoongi da porta do quarto. – É isolada, segura, e ninguém imaginaria que ele está lá. – O Jeon concordou com a boa ideia. — A maior parte do meu trabalho agora pode ser feito de casa, então posso ficar de olho nele sempre, e vocês são bem vindos para ir quando quiserem. – disse olhando para Tae e Jin.

— Acho melhor não. Todos sabem que vocês são os melhores amigos dele. – disse Hwasa pensativa. – Podemos designar alguém de confiança para cuidar dele quando o Sr. Min não puder, mas acho que toda a atenção deve ser evitada. – Jungkook concordou com a cabeça.

— Então prepare uma mala dele para alguns dias, Yoongi Hyung, vou deslocar algum pessoal de confiança para reforçar a sua casa. Ainda não sei quanto tempo meu pessoal vai levar pra reverter essa situação, então vamos pecar pelo excesso. – Todos ali concordaram. – Jin hyung, fale com a família dele e os tranquilize; Tae, preciso que você fale com seus contatos e descubra como está a situação dele com relação ao trabalho. Precisamos saber o tamanho do estrago pra poder consertar. – Quase como e sincronia, todos começaram a se mexer.

Naquela madrugada, Yoongi estava deitado em sua cama com Jimin adormecido ao seu lado, depois de cancelar todos os seus compromissos da semana e inventar uma desculpa por ter fugido de Osaka. Sentia que sua energia tinha sido drenada; olhou para a figura apagada ao seu lado e ficou velando seu sono enquanto tentava imaginar quem poderia ser tão vil àquele ponto. E distraído como estava, se assustou quando uma mensagem chegou ao seu telefone.

~Jungkook

Hyung, ainda não consegui descobrir a identidade,

mas resgatei um arquivo que pode te interessar.

O Min conectou seus fones de ouvido ao aparelho e deu play no áudio que o amigo lhe mandara.

O que ouvira ali o deixou tão enojado que não conseguira nem terminar o arquivo.

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Era a terceira vez só naquela manhã que Namjoon tentava conversar com o marido, Jin andava de um lado para o outro no apartamento procurando chaves, joias, um lado perdido do sapato... e fingindo que o empresário não existia. Ele estava arrumado com esmero, roupas sociais pretas, cabelo penteado para trás e óculos de grau; enfim tinha aceitado dar uma entrevista sobre sua vida pessoal, e só aceitara porque o apresentador era um profissional muito respeitado no país.

— Por que tanto rancor contra mim? Me diz, o que eu fiz? – Jin teve que parar com a falta de noção do outro.

— Não é o que você fez, e sim o que não fez. Você simplesmente deixa seu avô fazer as vontades daquela dondoca e se curva às suas ordens. Há semanas tenho sido excluído das coisas e toda Seul tem notado!

— Você está sendo sensível demais. – Jin riu desacreditado.

— Sensível? Você foi chamado para ser padrinho do casamento dos Song com aquela víbora e eu sequer recebi um convite para a cerimônia! E sabe o que é pior? Se isso acontecesse antes dos Choi voltarem você não hesitaria em declinar do convite. – Namjoon colocou as duas mãos na cintura e respirou fundo.

— Você precisa entender – Mas antes de dizer o que Jin precisava entender foi cortado.

— Não preciso entender nada, Namjoon. Se quisesse ser mais um daqueles maridos babacas que sai com as amantes na rua e deixa a trouxa da esposa em casa, deveria ter se casado com uma mulher e ficado no século passado. – Jin sabia que aquilo era um tópico sensível para o mais novo, mas não conseguiu se arrepender de magoá-lo deliberadamente. E no som pesado de seu silêncio saiu de casa.

— Estamos na segunda e última parte da nossa entrevista e gostaria de começar o bloco agradecendo a você, Jin, por aceitar nosso convite; nossa produção ficou inteira ansiosa pra gravar esse programa. – Jin curvou-se respeitosamente e olhou para a câmera dando uma piscadinha, arrancando risos de todos.

— Eu que agradeço a todos pelo convite e pela forma com me receberam. Nunca fui tão mimado na vida, e olha que casei com um chaebol! – mais uma risada coletiva surgiu no estúdio e Jin por trás do sorriso analisava cada rosto e cada reação. Tinha os ganhado, sabia disso, então era hora de fazer seu trabalho. Na primeira parte do programa as perguntas foram tranquilas; coisas sobre sua infância e a forma como surgiu como modelo. Agora ele sabia que viriam as perguntas polêmicas. Ele já tinha enfeitiçado quase todo o estúdio, e sabia que precisaria de cada gota de simpatia daqueles que ali estavam.

— Por falar em chaebol... Você pode nos contar a respeito de sua história com seu marido? – Teatralmente, o Kim arregalou os olhos como em choque.

— Podemos falar sobre isso aqui? – ele sabia que aquele era um programa sério, que tinha credibilidade com a população coreana, coisas como um casamento entre dois homens não seria um tema tão comum assim.

— Claro, com a votação da lei Kim às portas precisamos tirar esse tema do armário, com todo o respeito. – brincou o apresentador, tirando talvez o primeiro sorriso genuíno de Jin naquele dia.

E o modelo não poupou o verbo; contou toda a história de amor que ele e Namjoon criaram para a mídia, enfeitando com alguns aspectos de sua realidade e acrescentando alguns casos engraçados entre eles.

— É uma história muito bonita Jin, mas imagino que nem tudo foi dessa forma. – Era hora, a brecha que Jin tanto esperava.

— Não mesmo. Eu já fui espancado até quase a morte por ser quem sou, por isso achamos que nosso casamento não deveria ser um segredo. – disse sério. – Muitas pessoas da comunidade sofrem todos os dias toda a sorte de consequências por serem quem são e por optarem por não esconder isso.

— Está falando de Kim Namjoon também?

— De certa forma sim. Hoje em dia ninguém o confronta sobre isso, nem a mim, afinal o sobrenome do meu marido me protege tanto quanto ele; mas alguns de nós não têm a sorte de ter uma família rica para nos proteger.

— Você se refere a Park Jimin? – Jin concordou com um aceno. – Mas as polêmicas que o envolvem não são sobre a sua sexualidade. – Jin deu um sorriso condescendente e cruzou as pernas, todo elegância.

— Meu caro, você acha mesmo que se Park Jimin fosse heterossexual ele teria sido acusado do que foi? – o estúdio caiu em um silêncio contemplativo. – Somos julgados pelo nicho em que nos colocam. Nossa comunidade é marginalizada neste país, o que torna muito fácil nos associar a toda a sorte de práticas criminosas e ilegais. Park Jimin é um top model internacional, uma pessoa multitalentosa, formado em Artes na Universidade de Seul, tem pai e mãe que são próximos dele e o sustentaram enquanto ainda era estudante; ele nunca precisou recorrer a isso.

— Você está dizendo que ele foi difamado?

— Sim, e quero aproveitar que tem uma câmera focando esse rostinho lindo aqui e dar um recado pra quem fez esse circo ao redor dele. – A câmera deu um zoom no rosto do Kim e ele a encarou seriamente. – Você vai ser pego, e não vai demorar. Você vai ser levado à justiça e vai aprender que nós não somos tão vulneráveis quanto parecemos. – Algumas pessoas atrás das câmeras pareciam assustadas e outras abriram um sorriso satisfeitas. Ouviu um pigarro sem jeito vindo do apresentador e direcionou sua atenção a ele.

— Mudando de assunto: Você vai participar do casamento do século? – Jin sabia que alguma hora essa pergunta viria. Todo mundo só falava nesse maldito casamento Song.

— Pensei que eu tivesse sido um dos noivos no casamento do século. – respondeu fingindo ofensa. A gargalhada do staff pôde ser ouvida dali e ele encarou o apresentador com uma feição cínica até sorrir. – Não vou. Semana da moda de Paris, e tudo mais.

— Mas é o casamento dos Song, Jin! Você vai perder esse acontecimento? – Jin sorriu dando dois tapinhas condescendentes no joelho do apresentador.

— Aigooo, fico triste por perder, mas o maior evento de moda do mundo precisa do modelo mais bem pago do mundo, não acha?! – O apresentador ficou um pouco desconsertado por ter tido o prestigio internacional de Jin esfregado na sua cara.

— Você está certo, você é um profissional.

— Claro, claro, preciso trabalhar duro pra sustentar os luxos do meu marido mimado. – brincou arrancando mais risos da produção.

— Ele vai?

— Pro casamento? Sim, ele é um dos padrinhos. – Estava pressentindo que o elefante branco da sua vida ia surgir a qualquer momento.

— Com a Srta. Choi? – E ali estava, o que toda Seul queria saber. Sua atuação teria que ser impecável. Precisava mostrar para a Coréia que seu casamento estava ótimo, para o avô de seu marido que ele não se intimidava fácil e para aquele arremedo de socialite que quem mandava naquele puteiro era ele.

— Eu acredito que sim. Ambos são amigos de infância do noivo, então acredito que tenha sido a escolha óbvia. – O apresentador o olhou um pouco sem graça e perguntou em um tom um pouco mais baixo.

— Você não se importa? Mesmo com todos os rumores que se espalham por aí. – Jin respirou fundo antes de responder. Abriu seu sorriso mais arrebatador e seu tom de voz mais condescendente.

— Me importar? Não sou dono do Namjoon. Somos parceiros. Ele toma suas próprias decisões e só toma o devido cuidado para não me magoar com elas, assim como eu faço. Não tenho problemas com a amizade dos dois, acho até bonitinho. – Ao ver as sobrancelhas do entrevistador erguidas, ele deu o tiro de misericórdia. – Acho fofo e saudável eles se fazerem companhia, relembrar uma infância e uma adolescência que foram tão importantes pro Nam. – Disse o apelido do marido de propósito, arrancando alguns suspiros entre as mulheres da produção. Ninguém notou sua ironia ao falar do passado do marido, só viam seu rosto brilhante e apaixonado. – Não tenho ciúmes das amizades dele, se é isso o que tanto falam por aí, eu apenas acho saudável termos espaço para curtirmos nossas amizades. Então zero preocupações, porque eu sou o presente e o futuro de Kim Namjoon.