Real King
17 Capítulo 17
— Soei desesperado? Confiante demais? – Hwasa tentava não sucumbir ao desespero de Jin enquanto dirigia para o chefe. Ele tinha uma sessão para a Vogue UK do outro lado da cidade e não tinha tempo de parar para acalmá-lo, afinal, se atrasar com britânicos era um pecado, e a equipe estava em Seul só por causa dele. Olhou pelo retrovisor e viu o modelo calar-se e olhar pela janela.
— Tem água no porta-copos e lenço demaquilante na bolsa – disse apenas. Ela já conhecia há anos a rotina do chefe, sabia que ele gostava de entrar nas sessões como uma tela em branco, pronto para todas as alterações que fizessem em seu rosto. Tomou um gole da água para se acalmar e começou a trabalhar com o lenço. Alguns minutos depois, de cara limpa, encarou a secretária e fiel escudeira pelo retrovisor.
— Você foi perfeito Jin, seguro na medida certa, descontraído na medida certa. Não se preocupe.
— E sobre o casamento...?
— Já confirmei sua participação no desfile, os Song jamais vão deixar vazar que você não foi convidado; vão no mínimo considerar graciosa a forma com você os salvou desse desconforto.
— Eu quero mais é que eles vão pro inferno! – disse pegando novamente a garrafinha. – Mas por que tenho que ir tão cedo pra sessão? Vão pintar meu cabelo? – e ao ver a secretaria confirmar ele rolou os olhos. – Ocidentais e a sua mais nova fixação por K-pop. Desde que aqueles sete garotos ganharam o mundo meu cabelo tem sofrido o estigma da descoloração. Aqueles moleques vão me pagar se meu cabelo cair! – Hwasa ria enquanto manobrava para entrar em uma rodovia.
Após mais alguns minutos, ele lembrou de um assunto que o inquietava.
— Hwasa, gostaria de organizar uma ceia de Natal na minha casa. Você se importa de me ajudar?
— Claro que não, vai ser um prazer. Onde você passou nos últimos anos?
— Na casa do Jungkook, ele me disse esse ano que não vai poder. — A secretaria confirmou com a cabeça. – Tenho quase certeza que o Namjoon vai para a casa do avô, mas quero um lugar para o Tae e o Jimin irem caso precisem. Você e o Hoseok estão convidados também. – Vendo a mulher corar, ele deu uma risada. – Você é discreta, mas nada passa despercebido pelo Jungkook, você sabe. – Hwasa negou com a cabeça inconformada, e seguiu resto do caminho sendo alvo das piadinhas infames do chefe sobre seu relacionamento com o secretário de Namjoon.
Já no estúdio, Jin estava quieto enquanto a maquiadora trabalhava em seu rosto e alguém secava seu cabelo roxo. Francamente, ele achava bonito, mas seu cabelo fazia parte do seu ganha pão, não ia aguentar mais tanta descoloração.
— Hwasa, por favor, acrescente nos próximos contratos uma cláusula para não descolorir os cabelos. – A secretária assentiu, anotando algo em seu celular. – Tenho medo que da próxima vez eu venha a ser surpreendido com um corte químico. – O cabelereiro atrás de si deu uma risadinha, divertido.
— Seu cabelo continua incrível, Sr. Kim. – Jin deu um sorrisinho simpático e fechou os olhos para a maquiadora aplicar sua sombra. – Mas fico bem impressionado, não conheço muitos top modelos que permitem mexer tanto no cabelo. – Jin deu de ombros ainda com o rosto paralisado.
— Quem é modelo tem que entender que a sua aparência é um produto. Lógico, a gente tem que ser tratado com humanidade, mas na questão das modificações, eu sempre me adequei ao que a marca queria. O problema é que eu não sou mais jovem. Sou um veterano nessa indústria e já faço essas estripulias no cabelo há mais de 15 anos, uma hora meu corpo vai cobrar o preço. – A maquiadora mesmo que silenciosamente concordou com a cabeça. – Todo mundo com quem eu já trabalhei é muito bom no que faz, eu confio em toda a equipe com quem eu trabalho, mas cada um reconhece o limite do próprio corpo, e quem é sábio aprende a respeitar esses limites. – Ele abriu os olhos para encarar a maquiadora e deu sua piscadinha que é a marca registrada de Jin. Os dois profissionais ali parados riram e quando Seokjin voltou a fechar os olhos eles se concentraram no que faziam novamente.
Hwasa olhou para o lado e viu um câmera filmando toda aquela interação, ela havia se esquecido que nesse photoshoot tinha um making off que a revista liberaria dias antes da publicação circular. Bom, pelo menos nesse aspecto ela tinha zero preocupações com Seokjin; ele era o sonho de todo relações públicas.
Quando a sessão se iniciou, Jin relaxou completamente. A equipe britânica se surpreendeu com a facilidade com que o coreano entregava as poses e os ângulos que eles queriam; ele entendeu rapidamente a proposta do ensaio, e entrou completamente no personagem. A sessão terminou uma hora e meia antes do esperado, e por conta disso a entrevista seria mais proveitosa.
O repórter foi super cordial. As perguntas variavam sobre o mundo da moda, com sua confirmação na semana da moda de Paris; e questões sobre xenofobia que ele e outras celebridades Asiáticas sofriam constantemente no ocidente, além, é claro, do projeto de lei coreano sobre a legalização do casamento homoafetivo.
Jin foi um deleite para todos ali; esbanjou simpatia e humor, apesar de ter ficado cinco horas preparando cabelo e maquiagem, mais três horas e meia fotografando sem intervalo. O fato é que a equipe britânica da Vogue saiu de lá completamente apaixonada pelo Kim, que assim que botou os pés dentro do seu carro, desabou, exausto.
— Pra casa, Hwasa, pelo amor de tudo que é mais sagrado.
Ao chegar em casa, deu de cara com Namjoon na sala, apenas com a calça do pijama e assistindo televisão.
— Seokjin? – o modelo passou direto e resmungou.
— Para o seu bem, espero que tenha sido uma pergunta retórica. – E olhando para as escadas, gemeu sofrido.
— O que houve? – o empresário levantou preocupado, e ao se deparar com o marido encarando a escada triste, ficou ainda mais confuso. – Por que você está encarando as escadas? – ficou ainda mais confuso ao ver o agora arroxeado subir o primeiro degrau para em seguida se desequilibrar, caindo sobre si.
Assustado, Namjoon o amparou e o carregou em seu colo, subindo as escadas rumo ao quarto do mais velho. Quando entrou no aposento, notou que Jin tinha adormecido, simples assim.
— O que você fez hoje pra estar tão cansado? – ele sentou Jin na cama e se ajoelhou para lhe tirar as meias. Depois tentou deitar o mais velho na cama, mas Jin não permitiu.
— Eu preciso de um banho Nam. – disse de olhos fechados.
— Você não tem energia nem para manter os olhos abertos, Seokjin, durma. – Vendo o modelo negar veementemente com a cabeça, ele suspirou. – Ok, mas você não vai tomar banho sozinho. – E levou Jin em seus braços até o banheiro.
O banho ocorreu em um silêncio confortável, com um Jin quase desmaiado e um Nmjoon pensativo, cada um fechado demais em seu próprio mundo. Ao deitar Seokjin seco e vestido na cama, outra coisa preocupou Namjoon:
— Qual foi a sua última refeição? – Jin suspirou e ajeitou-se sentado à cabeceira da cama.
— Café da manhã. – A surpresa no rosto do marido o divertiu. – Chocado? Eu chamo isso de "quarta-feira".
— Isso é desumano, Seokjin. – O mais velho deu de ombros e sorriu pequeno.
— A indústria da moda é desumana. Não é sobre ser bonito e fotografar bem. É sobre aguentar o tranco.
— Vou trazer um pouco da sopa que a Sra. Honda deixou pronta. – Ao ouvir o nome da governanta com mãos de fadas, ele sorriu mais uma vez.
— Não vou negar, Namjoon. Mas se você demorar muito eu vou acabar dormindo.
o Kim desceu e subiu as escadas preocupado, a tigela morna de sopa nas mãos. Quando chegou Jin estava pescando na cabeceira, a TV ligada em um programa qualquer.
Assistindo o marido se alimentar e a forma como tratava aquele esgotamento como uma coisa banal, se perguntou o quanto negligenciou o mais velho nesses últimos anos. Ele sabia que a carreira de Jin era badalada, mas não sabia que o comum para ele era trabalhar 16 horas ininterruptas, mesmo que fosse só porque estava em uma época do ano atribulada.
— Você precisa se prestar a isso, Seokjin? – o mais velho o encarou confuso. – Dezesseis horas trabalhando sem nem se alimentar? – o modelo sorriu com a ingenuidade do marido.
— Trabalhei dezesseis horas sem me alimentar para não ter que trabalhar vinte alimentado. Tô acostumado, Namjoon, não se preocupe com isso.
— Meu ponto é que você não precisa. – Jin sorriu com a boca cheia de sopa. – Você tem mais dinheiro do que pode gastar, e mesmo que não tivesse, você tem a mim.
— Eu tenho? – Namjoon se assustou com a pergunta. – De manhã eu respondi uma pergunta na entrevista com uma confiança que sinceramente, Nam, eu não tenho mais. – Ele deixou a tigela vazia na mesinha ao seu lado. – Vou deixar as coisas às claras aqui com você, porque estou cansado demais até pra fazer joguinhos. – Ele suspirou pesado e pegou a mão do maior. – Eu sei o que se passa no seu coração, mas não sei o que se passa na sua cabeça. Eu te fiz uma promessa há cinco anos que não pretendo quebrar, mas nas últimas semanas tenho me sentido só como nunca antes, nem quando saí fugido de casa pra correr atrás dessa carreira que me mato pra manter eu me senti tão solitário. – RM sentiu seu peito se apertar. – E sabe por que a minha solidão é maior do que há dezesseis anos atrás? – ao ver o outro negar, ele abriu um sorriso singelo. – Porque agora eu te amo, e estar sozinho quando se ama alguém é de uma tristeza que assola a alma. – Ao ver que o mais novo tinha lágrimas nos olhos, ele pegou seu rosto com ambas as mãos. – Não falo isso para você se sentir culpado, Nam, falo isso porque eu quero que entenda que eu não vou a lugar nenhum, mas o fato de eu ficar só vai te dar mais poder pra me machucar. – Ele limpou as lágrimas do rosto do marido e deu um beijo delicado em sua bochecha.
— Eu também amo você, Seokjin. – O mais velho deu um sorriso triste, os olhos também marejados. – Existem coisas que eu ainda não consigo te falar, mas eu não quero te perder por causa disso.
— Esse é o ponto, Nam. Eu trabalho que nem um maluco para não depender de você mais do que já dependo, e também para não perder a minha mente. Você não vai me perder, Namjoon, porque eu prometi não sair do seu lado, e essa promessa pode me destruir.
— O que eu faço, Seokjin? Eu não quero te machucar mais. – A voz embargada de Namjoon o emocionou também. O modelo pegou as duas mãos do marido e as beijou.
— Você precisa de ajuda profissional. Se não consegue me falar o que aconteceu no seu passado e isso tá te machucando, você precisa de ajuda pra superar isso. – O mais novo assentiu, enxugando as lágrimas. – Mas por enquanto o que você pode fazer é desligar a luz e vir deitar aqui do meu lado, não tenho energia nem pra ficar com raiva de você hoje. – Namjoon riu e fez o que Jin mandou, deitando-se na cama do mais velho e se deixando abraçar pelo parceiro.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Na véspera de natal Jin estava em um corre desenfreado para terminar a ceia a tempo. Namjoon arrumava a gravata devagar enquanto observava o marido na cozinha, divertido. Tinham passado a tarde na cama, como há tempos não faziam, e Jin levantou-se desesperado dizendo que tinha esquecido da ceia. Agora estava prestes a ir pra a casa do avô e queria apreciar mais de seu tempo com ele.
Sabia que aquela calmaria entre eles ia durar pouco, afinal, Ji Su estava aprontando algo, só não sabia o que. Esperava que conseguisse pará-la antes que algo mais grave aconteça; Seokjin não o esperaria tanto tempo assim.
— Eu to saindo, meu bem, o velho come cedo agora. – Jin se assustou com o outro chegando por trás de si e o abraçando pela cintura. – Você sabe que por mim passávamos esse natal juntos, não é?! – o mais velho concordou com um sorriso. – Prometo que vou tentar voltar cedo. – Beijou os lábios de Jin num selinho calmo e demorado e fez um carinho em sua cintura antes de sair.
Mais tarde naquela casa reinava o caos; Hoseok e Taehyung estavam disputando um jogo de cartas sangrento enquanto Hwasa apenas ria daquele desespero, um Jimin muito quieto observava Jin tirando o grande e suculento peru do forno e respondia as perguntas que o amigo fazia.
— Então quer dizer que a Chanel não cancelou o contrato? – o ex-loiro, agora moreno, negou com a cabeça.
— Me disseram que tinham plena confiança em mim, e que me ajudariam nesse caso de difamação. Só achei estranho o Kookie não encontrar nada até agora. – Isso também afligia o mais velho; Jungkook sempre completava suas investigações em tempo recorde, mas até agora não encontrara o culpado daquele escândalo envolvendo Jimin.
— E o Yoongi? – Jimin deu de ombros, fingindo desinteresse.
— Não sei. Só me deixou aqui e disse que voltaria mais tarde. – Jin se divertia. Desde que soube do envolvimento dos dois se perguntava como não tinha descoberto antes; Yoongi era óbvio demais, orbitava ao redor de Jimin, e a pequena besta quadrada não fazia ideia, inseguro como Jin jamais vira.
— Acho que foi ver a família antes de vir. – O semblante de Jimin caiu na hora. – Não fica assim, Chim, você logo vai poder ver sua família também. – O menor suspirou e tentou sorrir.
— Eu sei, Hyung, mas eu nunca apreciei antes a companhia deles quanto eu aprecio agora, que não posso vê-los. – Jin concordou. – Mas você está certo, logo a poeira abaixa e eu os verei de novo pessoalmente. – Colocou um sorriso otimista o rosto bem quando uma notificação chegou em seu celular.
— Uma mensagem? – perguntou o Kim curioso. Jimin arregalou os olhos e abriu um grande sorriso.
— Não, é a primeira música do projeto paralelo do Agust D. – Mexeu em algumas coisas do celular e aumentou o volume.
A música começou com uma voz conhecida por todos ali. Enquanto prestavam atenção na letra bonita, não deixaram de se impressionar.
— Uau, o maior grupo do país pra primeira música do projeto? Tô impressionado. – Disse Jin sorrindo. Jimin estava hipnotizado tentando não perder nada daquela letra que, mais uma vez, falava tanto consigo. – Qual o nome da música?
— "Blue and Grey" – respondeu o baixinho, suscinto. Quando a música acabou, Jimin deu um pequeno suspiro. – Não sabia que ele é tão solitário. – Jin o encarou curioso. – Ele salva tantas pessoas com as suas letras, não merecia ser tão solitário assim. – o mais velho concordou e o abraçou, surpreendendo o baixinho.
— Tudo nessa vida é passageio, Chim, talvez ele não demore a encontrar alguém. – Jimin concordou o apertando contra si.
— Opa! Senti o cheiro de traição de longe! – Os dois riram da voz escandalosa de Tae, que chegou no cômodo e se juntou ao abraço. – Tô carente também, quero abraço.
— Vamos comer, porque daqui a pouco o programa do Jin hyung vai passar! — Disse Jimin inesperadamente animado.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Na casa do Avô, Namjoon estava perplexo com a ousadia de Jin na entrevista que acabara de ver. Ji Su e Min Ho, como bem esperava, vieram com seus pais para cear com a família Kim, e o jantar foi regado a conversas corporativas e algumas insinuações sobre ele e a loira. Estava de saco cheio daquilo, mas queria saber até onde chegariam com aquele teatro, o que o levou para a sala de estar, onde Ji Su sutilmente sugeriu que ligassem a TV porque queria assistir a entrevista do “amigo” de Namjoon. Não tinha mais paciência para corrigi-la, então apenas rolou os olhos e ficou quieto assistindo.
Ao final da entrevista, ele não sabia se buscava algum remédio para o avô ou ria da cara dos presentes ali. Todos estavam perplexos com a forma com que o apresentador e Jin falaram tão abertamente sobre o seu casamento, e ainda por cima debateram de forma lógica e concisa sobre os direitos LGBTQIA+ no país.
— Que absurdo é esse? – o avô encarava Namjoon como se quisesse mata-lo.
— A entrevista foi bem esclarecedora, vovô, não preciso explicar nada para o senhor.
— Seu moleque! Como deixou isso acontecer? – O mais novo o olhou confuso.
— O senhor acha que eu mando nele?
— Claro, ele é seu marido! – o velho ficou mais enfurecido com o sorriso irônico do neto.
— Olha só que conveniente, agora ele é meu marido!
— Eu não vou bater boca com um moleque feito você, trate de arrumar essa bagunça! – Namjoon olhava debochado o chilique do avô, quando percebeu Ji Su chegar de mansinho no velho segurando em seu braço e tentando acalmá-lo.
— O senhor não devia se exaltar tanto, Haraboji, precisa cuidar da sua saúde.
— Pelo menos alguém se preocupa com a minha saúde ainda! Diferente daquele ingrato que carrega o meu sobrenome, mas vai em rede nacional manchá-lo!
— Vovô, Seokjin é um Kim de nascença, nosso casamento não foi registrado aqui ainda, lembra-se disso? A única coisa com nosso nome que ele carrega é a minha aliança. E outra: — ele se aproximou do avô que já estava sentado novamente e o encarou. – Não tenho influência nenhuma sobre ele, mas vocês deveriam estar gratos; se ele dissesse que não foi convidado para o casamento Song pelo fato de as famílias dos noivos não considerarem nosso casamento legítimo, bem... Eu não quero nem imaginar a repercussão que isso daria nas mídias nacionais e internacionais. Ele foi o Lorde que sempre foi e fez esse favor a todos, porque se fosse por minha influência, ele tinha exposto todo mundo e queimado todos vocês.
— Namjoon Oppa, isso foi um mal entendido! A Hyori me disse que o convite dele se perdeu. – Disse Ji Su tentando amenizar a situação.
— Sei exatamente onde o convite dele se perdeu. – Neste momento um Yoongi sério entra pela porta da frente da mansão.
— Boa noite a todos. – disse apenas, fazendo uma mesura.
— Yoongi Oppa! – a loira abriu um sorriso que apenas o deixou mais mal humorado. – Você também não acredita que os Song ignoraram o Jin de propósito, não é?! – O homem pálido olhou entediado para a loira esbaforida que procurava apoio e olhava o amigo, visivelmente contrariado.
— Primeiro: eu não sou seu Oppa; me trate mais formalmente daqui em diante, não somos sequer amigos. Segundo; você tentar amenizar as coisas não vai mudar o fato de que os Song’s são uma família de babacas.
— Se veio pra essa casa insultar meus amigos, ponha-se daqui para fora! – gritou o patriarca Kim, fazendo o Min prestar atenção em si.
— Posso ofendê-los em qualquer outro lugar, senhor Kim, mas vim aqui para buscar Namjoon. Temos uma ceia de natal pra ir. – Quando o Kim mais novo assentiu e começou a andar em sua direção, a mãe dos gêmeos levantou-se e fez seu último esforço desesperado para manter a filha perto de Namjoon.
— Vocês vão a uma comemoração de jovens? Eu me sinto tão culpada em manter os gêmeos aqui... por que vocês não vão com eles, querida? – Ji Su abriu um sorriso enorme com a ideia da mãe e olhou Namjoon com expectativa, mas quem respondeu foi Yoongi.
— Excelente ideia, Sra. Choi, acredito que alguns dos nossos convidados vão se emocionar com a presença dos seus filhos, especialmente Ji Su. – A senhora soltou uma risada convencida e deu um tapinha amistoso no braço de Suga, que a olhou feio.
— Minha Ji Su sempre é muito querida onde quer que vá. – Estava tão deslumbrada que nem viu o sorriso sarcástico do Min.
— Acredito que sim, Sra. Choi. Inclusive, um fã dela vai estar lá, acho que ele vai ficar muito emocionado com a presença dela. – A loira o encarou desconfiada.
— Um fã? Quem? – sentiu um arrepio com a encarada que levou do produtor.
— Park Jimin, conhece? – e o arregalar de olhos dela só confirmara o que Jungkook havia lhe dito mais cedo. – Ele tá louco pra te encontrar.
— Esse não é o modelo que foi acusado de prostituição? – perguntou a mulher mais velha. – é com esse tipo de pessoa que vocês andam?
— Eu não ando com ele – disse Yoongi desinteressado – Já Namjoon... – os três mais velhos olharam novamente o Kim.
— Ele é um dos melhores amigos do meu marido, ando o tempo todo com ele. – explicou o empresário, despertando mais uma vez a fúria do avô.
— Você quer acabar de vez com o nome da nossa família? Primeiro esse circo de dizer que se casou com outro homem, e agora anda com garotos de programa? Foi pra isso que eu te dei o grupo Bangtan? – Yoongi riu da bronca que o amigo levou e se encaminhou para a porta, piscando para uma Ji Su em pânico só para deixa-la ainda mais amedrontada. Namjoon olhou feio para o amigo por ter abordado o assunto e encarou o avô com a feição cansada.
— Primeiro: meu casamento é legítimo, e o fato de o senhor ficar o tempo todo tentando deslegitima-lo só fará Seokjin se cansar, pedir o divórcio e levar metade de tudo o que me pertence. – Todos na sala se espantaram com aquela nova descoberta. – Segundo: Park Jimin é um dos modelos mais bem sucedidos da história do país; porque raios ele se prostituiria? E terceiro: o senhor me colocou a frente do grupo Bangtan porque quis, eu nunca pedi por isso. Eu levo uma vida tranquila e discreta como o homem bem casado que sou, não sei como posso manchar o nome da nossa família mais do que o homem que o senhor escolheu para casar com a sua filha o fez; mas se está tão insatisfeito comigo, é só me substituir, vovô. – Ao ver a feição chocada do velho, ele fez uma mesura encerrando o assunto. – Eu já estou indo, feliz natal a todos. – E saiu porta afora atrás do amigo.
Quando entrou no carro do amigo, estranhou o mesmo ter ficado de janelas abertas e agora viu a caixa imensa no banco de trás.
— O que é isso? – Yoongi deu de ombros e sentou ao volante.
— Jungkook me encarregou de dar o presente de natal do Kim. – Namjoon sorriu com a surpresa; geralmente quem ajudava o mais novo nos gestos fofos era ele, não o ranzinza do Suga, aqui foi inusitado e engraçado. – Você ri porque não foi você quem ficou andando por Gangnam com esse laço enorme à vista. – disse apontando para o laço no topo da caixa.
— Deixa de ser assim, hyung, ele só quer compensar a ausência no natal. – Yoongi revirou os olhos e começou a acelerar o carro.
— Que pedisse pro Hobi, então. – RM deu outra risada e relaxou no banco.
— Você só fala assim porque não tem ninguém pra fazer uma surpresa dessas. – O mais velho bufou e o ignorou. – Aliás, que história é essa de “eu não ando com ele”? desde quando você não anda com o Jimin? – ainda sem olhar para o amigo, Yoongi fungou franzindo o nariz, que pra Namjoon significava que ele estava desconsertado.
— Eu não ando com ele, Randa. – O Kim bufou indignado. – É verdade, ué, eu não ando com Jimin, eu durmo com ele. – O virar de cabeça foi tão rápido que ele pensou que Namjoon tinha quebrado o pescoço.
— Como é?! – foi a vez de Yoongi rir, o amigo se achava tão esperto mas não fazia ideia do que acontecia debaixo do seu nariz.
— Você se lembra do dia do seu casamento que você entrou na minha suíte?
— Sim, você estava de ressaca e quase me matou. Mencionou que tinha passado a noite com a mulher mais linda de Londres. – O Min negou com a cabeça.
— Errado. Eu disse que tinha passado a noite com a coisinha mais linda que já tinha pisado em Londres... Nunca disse que era uma mulher, você interpretou assim. – Namjoon estava chocado.
— Vocês ainda...?
— Sim. – disse tranquilamente o mais velho. – Ainda nos vemos com frequência. As vezes eu durmo na casa dele, as vezes ele dorme na minha, mas nunca demos nome a isso. – O Kim estava chocado.
— E você quer dar nome a isso? – Suga deu de ombros.
— É complicado, ele é muito sensível a certas coisas, não posso simplesmente chegar propondo coisas. Ele precisa estar seguro sobre mim, sobre a gente. – Namjoon entendeu o que ele queria dizer e deu o assunto por encerrado.
Quando entraram no apartamento dos Kim, quase todo mundo já estava bêbado. Hwasa e Taehyung estavam em uma disputa de karaokê enquanto Jimin e Jin disputavam alguma competição de bebidas sob a supervisão de um Hoseok totalmente embriagado.
— Olha quem chegou! Que bom que vocês puderam vir! – Jin levantou-se e abraçou o marido.
— Eu moro aqui, Seokjin. – O modelo o encarou e abriu um sorriso ébrio.
— Não parece. – Jin fez uma feição birrenta e um biquinho, que Namjoon prontamente mordeu. – Ai, amor! – o empresário abriu um sorriso imenso com a forma carinhosa que foi tratado, e o abraçou novamente. Yoongi revirou os olhos e caminhou para o meio da sala com a caixa imensa. Quando viu os olhinhos de Jimin brilhando, sentiu-se péssimo por ter aceitado fazer o favor para Jungkook.
— Esse não é seu, bebê. – disse baixinho pra o modelo que fez a cara triste mais fofa que o Min já viu. – Seu presente está em casa te esperando. – E perdeu tudo quando viu o sorriso enorme que Jimin abriu.
— Você vai me dar um presente? – o coração de Yoongi ficava apertado toda vez que via Jimin surpreso com qualquer gesto de carinho ou afeição. Não sabia se conseguiria falar, então apenas assentiu com a cabeça. – Então de quem é isso? – quando percebeu que chamou a atenção de todos ali, olhou para o cantor de araque que não queria desgrudar do microfone.
— Kim, larga esse microfone e vem aqui. – Quando o modelo o encarou curioso ele fechou a cara. – Seu namorado mandou te entregar seu presente. – E ao ver mais um sorriso infantil de orelha a orelha Suga pensou que ele e seus amigos só arranjaram crianças para cuidar.
— Jungkook mandou pra mim? – confirmando com a cabeça ele virou para Jimin.
— Minie, pega esse envelope que está no meu bolso, por favor. – o baixinho puxou o envelope da calça do outro e o olhou. – Entregue pra ele. – disse desgostoso. Tae não era seu namorado, então por que estava se dando ao trabalho?!
Taehyung pegou o envelope, e abriu, tirando um pequeno cartão de lá e lendo.
— “Tete, eu nunca vou me perdoar por perder nosso primeiro natal juntos, não queria deixa-lo só. Então adiantei também seu presente de aniversário para assim você nunca mais ficar sozinho. Feliz Natal meu amor, Kookie.” – os olhos do Kim mais novo estavam marejados e o sorriso quadrado não deixava a sua boca. O produtor enfim suspirou e empurrou a caixa grande cheia de furos para as mãos do seu dono.
— Me lembre de nunca mais aceitar fazer favores pra esse moleque. – Disse encarando Tae. – Feliz natal, Kim. – Tae deu uma risadinha e pôs a caixa nada pesada no chão, abrindo a tampa. Quando a caixa se abriu, pulou de lá um filhote de Lulu da Pomerânia preto e caramelo latindo para todo mundo. A maioria fez um coro de “awn” enquanto Taehyung só sabia chorar, não sabia que precisava tanto daquela coisinha peluda até o namorado o presentear com um
— Eu odeio o Jungkook, sinceramente – disse Hoseok olhando desanimado para a festa que Tae, Hwasa e Jimin faziam ao redor do cãozinho. Yoongi, Jin e Namjoon o olharam curiosos. – Eu dei um conselho pra esse pirralho dizendo que precisava apenas dar um presente simbólico pro Tae aí ele vai e me dá a porra de um cachorro pro namorado. Hwasa vai pegar o presente que eu dei a ela e jogar de volta na minha cara. – Jin gargalhou ainda bêbado e olhou de novo pro cachorrinho brincando com o dono.
— Realmente... as expetativas ficaram altas. Ninguém vai superar isso. – Namjoon o encarou revoltado.
— Eu te dei um Porsche de presente, seu ingrato! – Hoseok soltou uma gargalhada com o tom ofendido do amigo. Jin deu para o marido um olhar de desdém.
— Isso é ostentação Nam, o presente do Kook é romântico. – O empresário suspirou e olhou de novo a festa com o animalzinho.
— Então ninguém vai superar mesmo isso. – Disse RM inconformado.
— Fale por você – Todos olharam surpresos para um Yoongi que sustentava apenas um sorrisinho de canto, malicioso.
— Sexo não é presente, Suga, e também não é romântico. – Interveio Hoseok. Namjoon riu tão alto que engasgou.
— Vocês são dois idiotas. – disse o produtor colocando as mãos nos bolsos da calça. – Não tem ligado a rádio hoje não, Randa? – perguntou pro melhor amigo, com um sorriso trocista. Namjoon entendeu enfim do que o amigo estava falando e arregalou os olhos.
— Eu te odeio, hyung, você vai destruir meu casamento. – E todos ali se impressionaram com a rara gargalhada que o Min deu.
— Problema seu. – Ainda rindo, foi até onde Jimin estava e sentou-se no chão enfim se rendendo à bolinha de pelos que Jungkook o fizera carregar no carro.
— Do que ele estava falando? – Namjoon olhou para um Jin curioso e deu um sorrio sem graça.
— Desculpe, mas não tenho autorização pra dizer. Você saberá em breve.
Fale com o autor