A chegada em Seul foi caótica; muitos repórteres os esperavam na saída do aeroporto, o que os obrigou a irem em carros separados. E por achar mais prático, Namjoon resolveu ir direto para a sede da empresa, apesar de ser ainda cedo, ele precisava se articular antes da hora do almoço.

— Você contatou os advogados? – perguntou o Kim no banco de trás do carro. Hoseok, na frente, sentado no banco do carona estava todo enrolado dividido entre o tablet e o celular.

— Sim, Félix já está lhe esperando – disse o secretário sobre o advogado de confiança do presidente do grupo.

— ótimo, e a coletiva de imprensa?

— Marcada. Começará assim que sair da reunião. – O Kim assentiu e encostou-se no assento do carro, suspirando. Mesmo com sua mente funcionando em sua capacidade total, focada na crise que se estendia sobre si, ele não parava de pensar no olhar ferido de Jin e no tratamento frio e distante que recebeu depois. Não estava surpreso, ficaria se o marido tivesse o tratado bem depois daquilo. Tudo saíra do controle; sabia que se sentiria atraído por ele, afinal quem não se sentiria? Mas achava que ia conseguir se controlar. Aquele fogo, aquela intimidade instantânea não estavam no seu planejamento... esperava do fundo do coração que o mais velho o perdoasse e que conseguissem seguir esse casamento ao menos em paz.

Horas depois, quebrando cabeça em seu escritório, ele recebe a ligação que estava esperando a manhã toda.

— Conte-me tudo Jungkook.

— É exatamente o que pensávamos, hyung. Seu pai, sua madrasta e o pai dela estão arquitetando tudo por baixo dos panos. Desde que a notícia vazou eles estão ligando e visitando os acionistas, está uma confusão geral por essa empresa.

— Meu avô?

— Se mantêm calado desde que soube da cerimônia. Seu pai passou a noite inteira tentando falar com ele ontem, mas estava irredutível. – O mais velho passou a mão na nuca, cansado.

— E Jackson?

— Seu meio-irmão continua em Harvard, alheio a tudo. – Pelo menos alguém naquela história era inocente, pensou.

— Certo. Obrigado por fazer isso em tão pouco tempo, Kook.

— Eu estava preparado pra isso hyung, não deu tanto trabalho assim. – os dois deram um riso fraco, em cumplicidade. – Precisa de mais alguma coisa?

— Não, só que você esteja atento. Não sei o que vai sair da cartola do meu avô.

— Pode deixar. – disse o mais novo desligando. Deixando o celular de lado, ele olhou atentamente para a porta, onde seu secretário estava prostado.

— Vai começar. – disse apenas.

— Todos já estão lá? – Hoseok afirmou com a cabeça. — ótimo, vamos acabar logo com essa merda. – disse levantando e indo até o cabide para pegar seu paletó. Vestindo-se olhou para o amigo de longa data e uma ideia surgiu em sua cabeça. – Quando Jackson se forma? – o Jung o olhou confuso e checou algo em seu celular.

— Daqui a quatro anos, talvez?! – respondeu incerto.

— Com 24? Nada mal. Quando contornarmos isso, preciso que você foque um pouco do seu tempo nele. Vamos investir em sua educação e lhe apresentar a algumas pessoas enquanto ainda estiver em Cambridge. – Hoseok andava o seguindo e anotando tudo o que o chefe falava.

O burburinho cessou no momento em que Namjoon entrou na sala. Ao ver todos os acionistas do grupo juntos, ficou impressionado com o esforço do pai.

— Boa tarde a todos, espero que essa reunião valha a interrupção da minha viagem. – falou de forma mau humorada, arrancando alguns risos e algumas reclamações. A figura rígida e furiosa do seu pai levantou-se de supetão e se dirigiu aos homens e mulheres ao redor, ignorando a presença do filho.

— Esta reunião extraordinária foi convocada para votarmos sobre a deposição do cargo de presidente do Sr. Kim Namjoon. – O Kim citado olhou seu progenitor dos pés a cabeça, com total aversão na expressão e reparou no sorriso triunfante do velho chinês ao seu lado, o sogro ambicioso do pai.

— Sobre qual argumento o senhor está sugerindo a deposição, Sr Kim? – perguntou um dos acionistas. Namjoon quase riu ao lembrar que era o segundo homem da família Kim a casar-se com outro Kim. Curioso.

— Namjoon sujou a honra do grupo. Há dois dias ele casou-se com outro homem. – os burburinhos estouraram na sala, e abafaram qualquer outro som presente. Quando o volume das conversas diminuiu, o homem continuou. – Assim que esta notícia se espalhar, as ações do grupo vão despencar, seremos boicotados em toda a Ásia, e nosso nome vai parar na lama! Precisamos nos antecipar a crise! – complementou triunfante.

Todos os olhos estavam em Namjoon, que assistia o espetáculo do pai com um tom de deboche na expressão.

— Tem algo a nos dizer, presidente Kim? – perguntou uma das acionistas mais jovens dali. Namjoon a observou melhor, gostava daquela mulher. Era uma executiva inteligente, séria e muito competente, além de sempre sugerir e apoiar ideias inovadoras dentro da empresa. Ele olhou para o secretário, que entendeu seu raciocínio e fez algumas anotações no tablet.

— Tenho algumas coisas a dizer, Srta. Song, mas por respeito a maioria de vocês não vou dizer tudo. – Ouviu o riso disfarçado de tosse do amigo e se segurou para não rir também. – Vou apenas dizer-lhes duas coisas: Sim, casei-me há dois dias e sim, foi com outro homem. – O barulho recomeçou, e os mais velhos da sala levantaram-se indignados e o presidente observava a reação dos mais novos. Alguns aborrecidos, outros contidos. As reações que mais lhe agradaram foram as de tédio, afinal, a vida dele não era da conta de ninguém.

— Senhores – ele chamou em um tom de voz alto, calando o burburinho. – Tempo é dinheiro, e o meu vale mais que o de vocês. – disse arrogante, arrancando bufos indignados pelo salão. – Se os senhores acharem que eu não tenho mais capacidade de estar a frente deste grupo, então que seja, vamos votar. – Terminou, fazendo pouco caso.

— Essa sua arrogância não vai durar muito Namjoon, está muito confiante que seu avô vai apoiá-lo. – disse o pai olhando de soslaio para o velho senhor que estava calado do outro lado da mesa.

Namjoon se recusou a olhar para o avô, ele tinha que confiar que conhecia o velho como ninguém, afinal, foi criado por ele.

— O senhor realmente acha que meu avô vai preferir apoiá-lo do que a mim, que sou sangue do seu sangue? – seu sorriso arrogante irritou o mais velho.

— Seu moleque! Além de mal educado é um depravado, humilhando a família com esse casamento falso só para nos irritar e trazer a decadência para essa empresa! – aí estava, o ponto de quebra que o mais novo tanto esperava. Levantou-se lentamente, e num tom firme e furioso, encarou o pai.

— Primeiro: devo lembra-lo que além das numerosas ações desse grupo, eu herdei também a cidadania britânica da minha mãe, e como meu enlace se deu na Inglaterra, onde a união homoafetiva é legal, meu casamento é mais legítimo que o seu filho caçula, senhor. – E quando o mais velho se levantou em fúria para gritar consigo, ele bateu na mesa, assustando-o. – Em segundo lugar, dentro dessa empresa, eu não sou o seu moleque, sou o Presidente Kim; o único herdeiro desse conglomerado, e exijo o tratamento devido. – Sibilou tão concentrado no pai que não viu o sorriso orgulhoso do avô. – Vamos parar de enrolar, comecem a votação.

Saindo daquela sala e respirando fundo pela milésima vez no dia, ele rumava pelo corredor a passos apressados com um Hoseok silencioso atrás de si. Ao entrar na sala de imprensa, os numerosos repórteres estavam o aguardando impacientes. Ele pegou uma garrafa da mão do secretario de deu um generoso gole, indo pra trás do púlpito onde ia discursar.

— Boa tarde a todos, me desculpem por fazê-los esperar. – Os jornalistas começaram a digitar, fotografar e filma-lo. – Me chamo Kim Namjoon, sou o herdeiro da família Kim e presidente do grupo Bangtan. Estou aqui hoje diante de vocês pela primeira vez desde a minha posse para comunicá-los de que há dois dias atrás em Londres, eu me casei com o modelo e ator Kim Seokjin, em uma cerimônia pequena e privada. – Os flashes pipocaram freneticamente em seu rosto, e ele deixou os repórteres terem seu momento. – Seokjin e eu nos conhecemos há pouco mais de um ano, em suas idas a Inglaterra à trabalho, e nos envolvemos. Poucos meses depois estávamos apaixonados e quando retornei à Coreia decidimos que oficializaríamos nosso relacionamento. Relação homoafetiva neste país é um tabu, e ainda não é legalizada, por isso nos casamos na Inglaterra. Tenho nacionalidade britânica, também, o que me dá esse direito. – Os repórteres começaram a levantar a mão, mas ele ignorou. – Acabei de sair de uma reunião de urgência do conselho do grupo Bangtan, onde os acionistas, por uma margem considerada de votos decidiram confiar na minha direção, e por isto sou muito grato. Vamos avançar em nossos negócios e continuar nosso progresso, não gostaria que as pessoas interpretassem minha vida pessoal como sendo parte da empresa; um erro desses é grosseiro demais para pessoas de um país tão avançado em pleno séc. XXI. O Grupo Bangtan continua a ser exatamente o mesmo, com as suas qualidades e excelência. Não espero que vocês apoiem a minha decisão, apenas respeitem minha relação e a forma com a qual eu decidi proteger o meu amor. Obrigado. – Saiu de trás do púlpito e fez uma grande reverência.

Entrando novamente em sua sala, ele tinha Hoseok e Kai em seu encalço. Primeiro se virou para o segurança.

— Seokjin?

— Chegou em casa em segurança, senhor. Hwasa disse que ele passou o dia na companhia dos amigos e arrumando suas coisas. – Com um suspiro aliviado ele encarou o secretário.

— Manda ver, Hobi.

— As ações caíram menos do que esperávamos, aparentemente seu marido tem mais influência nesse continente do que esperávamos. – O Kim arregalou os olhos surpresos. – As manchetes sensacionalistas de sempre, muita fofoca nos bastidores da empresa, e a Europa está em festa. Os ativos internacionais da Bangtam estão crescendo muito rápido no ocidente, e estamos correndo o risco de sermos boicotados no Oriente Médio.

— Não tem problema, nossa fatia no mercado deles era mínima mesmo, não vai fazer diferença se crescermos nas Américas. – Hoseok concordou mexendo no tablet.

— Você tem algumas reuniões de emergência para hoje, vamos começar? – o empresário assentiu e se debruçou na mesa para ler o material que lhe foi entregue.

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Hwasa observava os três modelos andarem de um lado para o outro na cobertura luxuosa dos Kim e estava a ponto de ficar tonta com aquela movimentação. Fazia quase dois meses que chegaram a Seul, e seu patrão só saía de casa para trabalhar. Ela acertava tudo com a agência que decidiu dar-lhe uma folga de alguns dias, que ele aproveitou para redecorar seu quarto com a ajuda de seus melhores amigos. A assistente achava que o casamento do chefe com o Presidente da Bangtan ia acabar com a sua carreira, mas aparentemente aquilo não se aplicava aos muito ricos. Não tinha nada contra o casal, achava até bom que pessoas poderosas como eles estavam fazendo aquilo às vistas de toda a sociedade, quem sabe assim alguma coisa mudava.

— Hwasa, Jungkook está subindo, recepcione-o e veja o que ele quer! – pediu Jin de dentro de seu quarto. Ela assentiu e desceu para atender a porta.

Chegando lá, deu de cara com o antigo chefe entrando. Todo de preto como sempre, calça cargo e jaqueta esportiva, ele estava de óculos de grau e boné. Carregava consigo uma mala esportiva que depositou assim que fechou a porta. Tirou os sapatos e a olhou.

— Sr, Jeon. – Fez uma mesura polida. – O Sr. Kim está no andar de cima. – Jungkook sorriu animado para ela e tirou o boné, tentando organizar seu cabelo que já estava cobrindo a testa.

— Hwasa Noona, já disse que não precisa ser formal comigo. – disse fazendo um bico involuntário. Quem visse aquilo, pensou a morena, jamais imaginaria que aquela coisa fofa fosse o treinador mais carrasco da Jeon's.

Ele guardou o boné no bolso de trás da calça e pegou novamente a mala.

— Vim atualizar todos os sistemas da cobertura. Vou começar pelo escritório do Nam e depois vou para os outros cômodos. Avise o Jin hyung que eu vou demorar. – Ela assentiu e ele se dirigiu para o cômodo citado.

Subindo as escadas, ela deu de cara com os rapazes finalizando sua tarefa. Jimin e Taehyung carregavam sacos de lixo porta afora e Jin tinha algumas camisas nas mãos.

— Essas camisas são do Namjoon. Você poderia guardar no guarda roupas dele, por favor? – ela pegou as roupas e assentiu. – Ah, precisamos começar a entrevistar as candidatas a governanta, Hwasa, você não pode acumular essa função pra sempre. — A secretária abriu um sorriso simples e entrou no quarto do Kim mais novo para guardar as camisas perdidas.

Ao descer, notou que Jin e seus amigos estavam na cozinha. O modelo preferia cozinhar a própria refeição, e ela tinha que admitir que ele cozinhava muito bem.

— Jin – o chefe lhe proibira de chamá-lo formalmente dentro de casa ou quando estivessem a sós. – O Sr. Jeon está no escritório do Sr Kim atualizando o sistema de segurança. – Ao vê-lo acenando em concordância, ela continuou. – Ele pediu para avisá-lo que vai demorar.

— ótimo, assim ele aproveita e almoça conosco. — Ela fez uma pequena mesura e saiu do cômodo.

— Quem é esse Jeon que vocês tanto falam? – Jin e Jimin se encaravam surpresos com a pergunta de Taehyung.

— Nessa loucura toda eu me esqueci completamente que você ainda não conhece Jungkook.

— O que tem eu? – perguntou o rapaz entrando na cozinha. Estava sem o casaco, apenas com a calça cargo e uma camiseta preta simples que grudava em seu corpo como uma segunda pele.

Jimin olhava aquele exemplar ridiculamente gostoso de homem ir até Jin e abraça-lo. Ele estava com o cabelo mais comprido e óculos de grau com armação fina, parafusada. Ele olhou para o lado e viu o amigo mais novo estático, absorvendo pela primeira vez a presença do Jeon. Não sabia o que se passava pela cabeça do Kim mais novo, mas ele certamente estava impressionado, porque seus olhos não saíam daqueles braços tatuados.

— Quanto tempo, Jungkook! – disse Jin aceitando o abraço do mais novo. – Eu estava dizendo que Taehyung ainda não conhece você. – E ao largar os braços do novo amigo se divertiu ao ver aqueles grandes olhos de cervo arregalados em pânico. Em dois segundos ele controlou sua expressão e virou de costas para encarar os dois modelos que estavam sentados no balcão da cozinha. – Jimin você já conhece – disse ao ver o loirinho acenar animado para Kook. – E este é Kim Taehyung, um dos meus melhores amigos. Tae, esse é Jeon Jungkook, um dos melhores amigos de Namjoon. – Tae estendeu a mão para cumprimenta-lo, mas recebeu em troca apenas um olhar sério e uma reverência.

— É um prazer conhece-lo, Sr. Kim. — Disse o mais novo, polido. Ele virou para o mais velho e soltou um sorrisinho fraco. – Só vim pegar uma água, hyung, tenho muito trabalho a fazer. Alguns equipamentos precisam ser trocados e outros remontados. – O Kim mais velho concordou e foi até a geladeira pegar uma garrafinha de água para o convidado.

— Você sabe que existem pessoas que podem ser contratadas para fazer esse serviço, não é?! – Provocou Jimin. Ele tinha ficado muito animado com a reação de Jungkook ao amigo; Tae merecia um gelo. O moreno pegou a garrafa que Jin oferecia e olhou para o Park, risonho.

— Eu jamais deixaria outra pessoa fazer esse serviço, Jimin-ssi. – respondeu piscando. Com um "com licença" fraco ele saiu da cozinha, fazendo os três que ficaram apreciarem a visão da sua bunda naquela calça.

— Eu nunca vou me cansar desse homem, Hyung. – disse Jimin suspirando sonhador para o Kim que gargalhava na beira do fogão.

— Que cara mais babaca! Por que ele não me cumprimentou direito? – Taehyung estava indignado com a falta de traquejo do rapaz.

— Ele é muito seletivo sobre quem toca, Tae. – disse Jimin debochado.

— Tá pegando ele, Jimin-naja? – o loiro fez um bico triste e suspirou.

— Meu sonho de princesa Taetae, mas já levei um senhor fora dele, não pretendo tentar de novo.

O moreno arqueou as sobrancelhas, impressionado. Nunca conhecera alguém que tenha dado um fora no Park.

— Ele trabalha com informática, por acaso? – a curiosidade falava mais alto que seu ultraje.

— Não, ele é do grupo Jeon, trabalha como diretor de operações. – Ok, ele tinha que admitir que estava impressionado.

— Ele não é muito novo pra isso? – os outros dois concordaram com a cabeça.

— Sim, acho que ele tem uns 20 anos. – Tae arregalou os olhos, chocado. – Ele é como um irmão caçula para o Namjoon, por isso faz esses serviços bobos pra gente, não confia em outra pessoa pra isso.

A conversa rolava solta enquanto Jin finalizava e servia o almoço. Os modelos e Jungkook se encontravam na mesa da sala de jantar, conversando entre si quando o interfone toca. Jin viu a assistente se dirigir para o aparelho e relaxou, sentando-se com o outros três. Depois de alguns segundos, o telefone de Jungkook começa a apitar e ele paralisa olhando a tela. Hwasa surge correndo esbaforida e encara o mais novo.

— Sr. Jeon...

— Sabe o protocolo. – disse ele, curto e grosso. A morena saiu correndo do cômodo com o celular pendurado na orelha, dando ordens. Todos na mesa o encaravam confusos. – Jin hyung, há um pacote para você lá embaixo, que foi classificado pela segurança como potencialmente perigoso. – Jin sentiu todo o sangue de seu corpo gelar. – Nós temos um protocolo específico para esse tipo de situação, e a partir de agora eu quero que você e seus amigos sigam à risca o que eu e Hwasa dissermos para vocês fazerem. – Sua voz estava calma, quase robótica. Os três olhavam assombrados o mais novo levantar-se no momento em que a assistente surgia pela porta com sua bolsa de ginástica e jogou para ele, saindo novamente. – No cofre do escritório de Namjoon há uma maleta prateada. Sempre que surgirem situações de evacuação, vá até lá e pegue-a. não leve mais nada com você além disso. O hyung disse que você sabe a senha. – Jin confirmou aterrorizado. – Vá lá e pegue-a. – assim que o mais alto saiu correndo ele encarou os outros dois. – Daqui a alguns segundos, Hwasa vai voltar aqui para leva-los. Vocês vão descer pelo elevador de carga, não pelo social, direto para o térreo. Não importa o que aconteça, não permaneçam dentro do prédio e não saiam de perto dos seguranças. Jin é o alvo da ameaça, então protejam o amigo de vocês. – Vendo os dois concordarem calados, ele suspirou. Hwasa surgiu com mais dois homens engravatados e armados, na mesma hora que Jin surgia ofegante com uma grande maleta prateada na mão.

Sem nem se despedir, Jungkook saiu na frente de todos e sumiu pela porta da saída de emergência.

— Por que ele não vai no elevador com a gente? – perguntou um Jimin apavorado.

— O elevador demora muito. – comentou Hwasa baixinho. Eles entraram pela porta do elevador de carga e Jin aguardou o que considerara os segundos mais angustiantes de sua vida.

Assim que saíram pelo saguão, viu uma quantidade enorme de outros moradores evacuando também o prédio, sem saber qual o problema. Mais a frente, enquanto entravam no carro que um dos seguranças indicaram, Jin e os outros rapazes viram Jungkook com uma roupa estranha de proteção mexendo em um dispositivo cheio de fios.

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Namjoon chegara ao prédio em que morava desesperado. Assim que saiu do carro viu a figura de Seokjin encostado em um dos carros da sua equipe de segurança com os dois amigos ao redor. Não ligou se Jin estava furioso consigo, se ele queria manter distância ou qualquer outra coisa, ele sabia que era por sua culpa que o modelo corria aquele perigo, e jamais se perdoaria se algo acontecesse a ele. Quando chegou próximo ao marido, o abraçou, aliviado.

— Graças a Deus você está bem. – Soltou-se ainda sem o menor constrangimento de tê-lo abraçado.

— Estou. Mas o que eu faço com isso? – disse o modelo sério com a maleta nas mãos.

— Guarde consigo, quando entrarmos em casa vamos conversar sobre o que tem dentro.

— Eu só quero saber o que preciso saber – disse Jin desconfortável.

— Por isso mesmo vamos conversar quando chegarmos em casa. Onde está Jungkook? – e como se tivesse sido convocado, o Jeon caminhava em sua direção, todo sujo e suado.

— Alarme falso, hyung. – disse sorridente.

— Então por que demorou tanto naquela porcaria? – perguntou Taehyung irritado. Sentiu todos os pelos da nuca arrepiarem com o olhar sério que recebeu do mais novo.

— Porque eu vou caçar. – Namjoon botou uma mão em seu ombro, fazendo o amigo encará-lo.

— Consegue chegar neles em quanto tempo? – o Jeon o encarou e fez um bico pensativo.

— 72 horas no máximo. – O Kim suspirou, estressado.

— Tudo bem, depois disso eu resolvo com a polícia. – Jungkook o encarou inocentemente confuso.

— Polícia? – perguntou e saiu caminhando rumo ao seu próprio carro. – Te mantenho informado, Hyung! – gritou antes de entrar no automóvel e partir.

— Que merda esse moleque vai fazer? – Namjoon encarou seu segurança, que o olhava sem graça.

— O fato aqui senhor, é que por mais que a ameaça fosse dirigida ao seu marido, havia um membro da família Jeon no prédio, e existe um protocolo para esse tipo de situação. – O empresário bufou irritado. As vezes a família do seu amigo parecia pertencer à máfia.

— Nem o presidente desse país tem tanto protocolo no seu dia a dia. – Kai deu de ombros e sorriu sem graça.

— Quem o senhor acha que treina o serviço secreto?

Ao entrar em casa, já tendo dispensado seus amigos, Jin segue Namjoon para a sala de estar. Eles sentam de frente para o outro no sofá.

— A senha da maleta é a mesma do cofre. Abra-a. – Jin confuso digitou o segredo da maleta e abriu-a se deparando com um grosso envelope, dois passaportes, cartões de crédito, dinheiro, dois celulares e uma arma. Assustado, olhou para o marido à procura d explicações. — É um plano de fuga, em caso de extrema urgência. Abra o passaporte. – Jin obedeceu e se deparou com sua foto em um passaporte britânico. – Tive que cobrar muitos favores pra preparar em tão pouco tempo, mas aí está. Dentro do envelope está a nossa certidão de casamento, meu testamento e uma procuração que diz que no caso de minha prisão, meu sumiço ou estado de inconsciência ou incapacidade física ou mental para tomar decisões, você é responsável por mim e por tudo o que me pertence. – Ao ver os olhos arregalado do marido, Namjoon se aproximou um pouco mais dele. – independentemente do que houve entre nós naquele dia, somos uma unidade. Eu entrei de cabeça nesse acordo, Seokjin, e confio em você como em nenhuma outra pessoa. – Jin acenou com a cabeça, sem palavras. – A arma é só para o caso de a fuga ser causada por uma perseguição. Eu já tenho naturalmente inimigos, mas semana que vem, quando dermos entrada no processo de registro do nosso casamento aqui na Coréia, vamos abarcar uma gama maior de gente que nos odeia. Eu quero que você esteja preparado pra isso, e que entenda o que de verdade, significa ser casado com um chaebol.

— Sabia que não seria fácil, só não imaginei que seria um filme de ação. – O Kim mais novo notou o tom de desgosto em sua voz. – E você, tem um plano de contingência desses? – perguntou apontando para a mala.

— Esse é o meu plano de contingência, Seokjin, não vou sair do país sem você. Só estou te mostrando caso algo aconteça comigo e você tenha que ir sozinho.

— Quando você fala assim parece que tem uma arma apontada para a sua cabeça. – Jin esfregou suas mãos pelos braços, tentando se esquentar.

— Desculpe te assustar, mas eu tenho uma arma apontada na minha cabeça desde o momento em que nasci. Não é uma ideia confortável, mas você vai se acostumar a isso. – O mais novo viu o marido olhar os documentos que tirou do envelope e ler.

— Quem é Jackson? – Namjoon levantou-se e foi até o aparador ali próximo.

— Vamos precisar de uma bebida para ter essa conversa. – Serviu-se de uma dose de uísque e ofereceu ao outro, que aceitou. Serviu o segundo copo e sentou-se novamente. – Minha família apesar de ser tradicional tem uma ramificação inglesa. Meu avô tem cidadania inglesa e consequentemente minha mãe também tinha. Ela morou a vida inteira em Londres, se formou em composição clássica e queria seguir carreira. meu avô disse que ela poderia, desde que se casasse com algum homem que conseguisse carregar os negócios nas costas, uma vez que ela era filha única. Ela aceitou, disse que deixaria o pai escolher o homem com quem se casaria de bom grado, para ela pouco importava, contanto que continuasse a tocar.

— E ela se casou com seu pai. – Interrompeu Jin dedutivo.

— Sim. Ele era o filho mais novo de uma grande família de prestigio, mas sabia que não herdaria nada. No fim a família faliu, mas ele era um empresário competente, então meu avô o escolheu. Depois disso, começou um verdadeiro filme de terror. Ela só via o marido quando eles tentavam a concepção. Quando ela engravidou de mim, ele parou de vê-la. Ela não achou ruim, o problema eram as fofocas sobre a quantidade de amantes que ele tinha. Ele estava dentro da empresa, achava que era indispensável na estrutura do grupo, o futuro presidente. Meu avô, muito ofendido com as amantes do meu pai, começou a cortar seus privilégios, o que deixava meu pai furioso, que descontava na minha mãe grávida. – O modelo não acreditava naquilo. Largou seu copo e segurou na mão do parceiro.

— Não precisa continuar se não quiser. – O mais novo negou com a cabeça.

— Você precisa saber disso. As poucas lembranças que eu tenho da minha mãe, são sempre ela no piano, o rosto machucado e um copo de bebida na mão. Ela já estava morta muito antes do acidente que tirou sua vida. – Namjoon tentava controlar as lágrimas. – Eu tinha nove anos, e tudo o que eu lembro do funeral da minha mãe era meu pai ao lado da amante e do filho de seis anos deles. – Vendo o outro chocado ele soltou uma risadinha debochada. – A amante chinesa do meu pai era filha de um grande empresário, e criavam um filho juntos, mesmo sem serem casados. Nem preciso dizer o quanto meu avô ficou ultrajado. Expulsou meu pai de casa e ficou com a minha guarda, papai não era homem o suficiente para contrariá-lo.

— Jackson...

— É meu meio irmão. Quando meu pai se casou com a minha madrasta, ele foi mandado para um internato atrás do outro. Se duvidar, odeia mais nosso pai do que eu. – Riu desgostoso. – Passei a vida inteira visitando-o nas férias e nos feriados prolongados longe dos olhos de todos, criando vínculos. Ele tem a idade de Jungkook, e é um bom garoto. Está no segundo ano de Harvard, disse que quer ser advogado. – Inesperadamente, o Kim era pegado ao irmão. – Tornei-o meu herdeiro até que eu tenha algum filho. Então seu nome e o dele estão no meu testamento, porque se algo me acontecer você será dono de metade de tudo o que eu tenho, e ele da outra. – Se já estava assustado antes, agora Seokjin estava apavorado. — Mas te contei todo esse histórico para você saber como proceder com Jackson. No momento em que souberem que ele é meu herdeiro, a família dele vai com tudo pra cima, então eu conto com a minha família para protege-lo. – Namjoon olhou tão profundamente nos olhos de Jin que ele se sentiu um pouco fora de si.

— Compreendo. Só fico um pouco mal por você ter que recorrer a tudo isso ainda sendo tão jovem. – Viu o marido abrir um sorriso tão triste que partiu seu coração.

— Não vou cometer os mesmos erros que a minha mãe.