Dois meses passavam voando. Jin não cansava de repetir isso na cabeça, com as malas prontas e dando a chave do seu pequeno e aconchegante apartamento para sua assistente pessoal (sua mais nova e estranha aquisição) Hwasa que ficou responsável de fazer toda a sua mudança e cuidar dos trâmites da venda do imóvel.

Já no carro, a caminho o aeroporto com Jimin, uma vez que Tae ia com Hoseok, ele estava pensando sobre o rumo que sua vida estava tomando. Isso não era brincar de casinha. Teria a partir daquela semana obrigações para com o grupo Kim que jamais pensou que teria. Era quase como entrar na família real. Hoseok lhe entregou há um mês uma espécie de cartilha com normas de conduta, datas importantes e todos os negócios relacionados da sua futura família. Nunca precisou estudar tão pesado na vida, mas tinha que admitir, aquilo era a 1ª divisão, e se jogasse conforme as regras, ele conseguiria ter muita influência em Seul.

Ele só encontrou Namjoon dentro do avião, afinal queriam evitar todo e qualquer escândalo.

Assim que sentou em sua poltrona, percebeu que só estavam Namjoon e Hoseok com Tae.

— Cadê o Jungkook? – perguntou o novamente moreno, ajeitando seu cinto. Namjoon que estava olhando para a tela do celular, mudou seu foco para o noivo.

— Ele disse que não poderia vir, algo sobre ser proibido de sair do país até ano que vem. – E Jin bateu com a mão na testa.

— eu não vou querer saber disso. – disse o mais velho e seu noivo assentiu como se fosse um comentário muito sábio. – Mas então vai faltar uma testemunha para você.

— Não se preocupe com isso, Suga estará lá. – disse o mais novo se encostando na poltrona e fechando os olhos e colocando seus fones de ouvido. Jin voltou sua cabeça para o outro lado do corredor onde estava um Hoseok de olhos já fechados.

— Suga é o melhor amigo dele. Você nunca o conheceu porque ele estava no exército, foi dispensado essa semana. – E com um arquear de sobrancelhas ele aceitou a informação.

— E como ele é?

— Um cruzamento de Grinch com a Hello Kitty. Sinceramente?! De todos esses paspalhos, ele é o meu favorito, mas leva um tempo pra se acostumar com ele.

— Como assim?

— Ele odeia pessoas.

— Pessoas? Que tipo?

— Qualquer tipo, Seok, ele odeia todo mundo indiscriminadamente. – disse o secretário dando de ombros e voltando a fechar seus olhos.

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Já estavam todos instalados no hotel de luxo em Londres, Namjoon e Jin dividiam a suíte, cada qual com seu quarto, mas compartilhavam os outros ambientes de forma bem a vontade. Estavam tomando um café da manhã farto em seu segundo dia, e no dia seguinte seria sua cerimônia. O mais velho não escondia o quanto estava nervoso e Namjoon agia como se casar-se fosse rotineiro, e se divertia com as trapalhadas do noivo.

— O que você acha de uma despedida de solteiro, Seokjin?! – perguntou um Namjoon divertido. E ao receber nenhuma resposta, resolveu insistir. – Você está muito nervoso, e acho que seus amigos vão gostar. – O mais velho olhava um pouco melancólico pela janela e achou uma boa ideia.

— Tudo bem; onde vamos?

— Uma boate bem badalada por aqui, a segurança é ótima, e o público é misto. – Quando Jin franziu os olhos confuso, ele esclareceu. – Hoseok se recusa a ir pra uma boate LGBTQIA+ estando em solo estrangeiro e na sua folga. – Os dois riram e continuaram com o desjejum.

Naquela mesma noite, Jin terminava de arrumar seus cabelos para cima deixando a testa exposta, e se olhava no espelho, tentando entender o que estava sentindo exatamente. ansiedade era normal, mas aquela insegurança não. Ele podia ter passado por tudo nessa vida, mas uma coisa sempre foi certa: ele era, a todo instante, a melhor versão de si. Ninguém abalava a confiança de Kim Seokjin e isso era um fato; então por que ele estava daquele jeito?

— Hyung...? UAU! – Taehyung, de preto dos pés a cabeça, olhava embasbacado para o amigo. – Quer seduzir seu noivo na véspera do casamento? – Jin riu da besteira que o amigo falava e colocou seu celular e carteira no bolso. – Sério Jin, eu nunca te vi tão bonito antes.

— Eu só queria me sentir bonito hoje, Tae, é minha última noite solteiro. — Alisou a camisa de seda azul e dourada e viu o amigo encarar sua choker. – Presente dele – disse alisando a joia. – Achei que seria indelicado não usar.

— São...?

— Diamantes. Ridículo, ne?! Acho que vou ter que acostumar com isso. – disse com um riso sem graça. Vendo o amigo rindo também e checando sua própria aparência no espelho, resolveu pôr pra fora sua angústia. – Eu tô fazendo a coisa certa, não tô?! – Tae o olhou pelo reflexo do espelho e se assustou com a insegurança do amigo. Resolveu então ser franco.

— Jin, eu sei que a gente sempre fala sobre ser honesto e ganhar a vida com nosso próprio suor; mas eu quero que você saiba que não há nada de errado em ter alguém protegendo a gente. Você não está enganando-o, nem mentindo pra ele. São ambos homens adultos e donos das suas vidas. – Jin respirou fundo concordando. – Não há nada de errado em lutar pra sobreviver nesse mundo cruel, hyung. E o Namjoon nunca vai te julgar por isso também. Você mesmo disse que ele não tem sido nada além de decente com você – O Kim concordou. – Então... isso não é se aproveitar, é fechar uma parceria. Se você sente que está se aproveitando dele, arrume uma maneira de compensá-lo. – e quando o amigo arregalou os olhos, ele riu. – Não desse jeito, seu mente suja, tô falando de lealdade. Se ele precisar de você pra alguma coisa, seja o cara que estará lá incondicionalmente por ele.

Eles não sabiam, mas Jin levaria aquele conselho muito a sério e por muito tempo.

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Já estavam há muitas horas naquela festa, Tae e Hoseok dançavam como se não houvesse amanhã e Jin e Namjoon conversavam no sofá da área VIP entre uma bebida e outra. Jimin estava pela primeira vez em muito tempo com tempo livre pra curtir, solteiro e em terras gringas, onde poderia flertar com outros homens sem acanhamento.

Já tinha bebido mais que sua cota habitual, e sem Taehyung para lhe policiar, ele tinha quase certeza que ia dar pt se não parasse logo. Então voltou ao bar e pediu uma água. Enquanto esperava, uma música latina tinha começado, e olhando ao redor viu o Kim caçula dançando sozinho de uma forma bem ridícula e Hoseok grudado a uma mulher estonteante que tentava lhe ensinar alguma coisa próxima de uma salsa. Sua água chegou e ele sentou-se ao balcão para descansar, e desligou um pouco a mente; até uma pessoa sentar-se ao seu lado e pedir uma dose de uísque em um sotaque carregadíssimo e uma voz tão baixa que Jimin quase não ouviu, mas arrepiou todos os pelos de seu corpo.

Voltou-se rapidamente para o dono da voz, que olhava atentamente o barman e quando se percebeu observado, encarou Jimin de volta.

O Park não esperava encontrar outro coreano ali: a pele de porcelana e os olhos pequenos, menores que os seus. Sisudo, o rapaz encarava o modelo como se não gostasse de ser observado.

— Posso ajudar? – mais uma vez aquela voz baixa mexeu em algum lugar de Jimin que não deveria.

— Me desculpe, não esperava outro coreano aqui. – O moço pálido deu de ombros e procurou novamente o barman com o olhar. Nunca Park Jimin fora dispensado tão rápido.

Resoluto, tomou o resto da sua água calado e voltou para a pista de dança. Estava em Londres, por deus do céu, por que diabos estava dando tanta trela para um coreano?

Outro reggaetown se iniciou, com um ritmo um pouco mais lento, e o loirinho aproveitou para se soltar. Ainda estava bêbado, mas pelo menos estava mais hidratado.

Com o passar do tempo, ele começou a atrair olhares, como sempre fazia, e resolveu ser mais sensual e ousado, se aproximou de uma moça que estava a noite toda na mesma vibe que ele, só queria dançar e curtir a vida. Eles sincronizavam seus movimentos, faziam caras e bocas e sorriam um para o outro, mas nunca se tocavam.

Tempos depois, ainda com sede, o modelo resolve voltar para o balcão, decidido que água a esta altura já não adiantava.

— Uma Gin tônica, por favor – disse com seu inglês capenga. Olhou ao redor e deu de cara com o mesmo carinha de antes sentado no mesmo lugar.

— Gin tônica? Pensei que gostasse de bebidas doces... – falou o dono da voz grossa.

— Agora está falando comigo? Que curioso. – disse Jimin venenoso. Não costumava ser descortês, mas aquele cara lhe irritou.

— Não tenho o costume de jogar conversa fora com quem eu não conheço. – respondeu o outro suscinto.

— Tá fazendo o quê aqui então, meu anjo? Meditando? – e para sua surpresa, o rapaz lhe presenteou com um sorriso tímido, com dentes pequenos e gengivas salientes. Jimin não esperava por aquele golpe.

Se encostou no balcão mais relaxado e encarou o bebedor de uísque.

— Veio a trabalho ou diversão? – perguntou enquanto esperava sua bebida chegar.

— Nenhum dos dois, vim a pedido de um amigo. – respondeu o outro misterioso. – E você, senhor Chanel, veio a prazer ou a negócios? – Jimin ficou chocado. Tornou-se embaixador da Chanel havia poucas semanas, ainda não tinha um reconhecimento tão grande assim.

— Como você...?

— Sou um bom fisionomista. Mas você não respondeu a minha pergunta. – Jimin foi instruído a não contar para ninguém do casamento até o mesmo realizar-se, então tinha uma desculpa pronta para os curiosos:

— Trabalho; vim fotografar uma campanha. – O moreno de olhinhos de gato balançou a cabeça e rodou seu copo com o líquido âmbar. – E você faz o que da vida? – o moreno deu de ombros, desinteressado.

— De tudo um pouco, não tenho um interesse específico na vida. – Jimin riu e pegou o copo que o barman lhe entregou. – Vai tomar sua bebida aqui? – Jimin o encarou por alguns segundos e resolveu que seria tudo ou nada.

— Por quê? Quer que eu fique sentado aqui com você? – o moreno viu a mudança na feição e na expressão corporal. O loiro estava caçando.

— Você está flertando comigo, Park Jimin?

— E se eu estiver? – e ganhou com isso uma risadinha desacreditada do outro.

— E se eu for hetero?

— E se isso não for problema pra mim? – e a gargalhada ganhou a boca pequena e séria do rapaz, fazendo Jimin também sorrir.

— Isso vai ser divertido...

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Jimin acordara com a pior ressaca da sua vida. Estava em um quarto que não era o seu, mas reconheceu o logo do hotel, então suspirou aliviado. Rolou seu corpo para ficar de costas na cama, e se deparou com outro corpo deitado de bruços ao seu lado. A pele clara, imaculada o fez ter um flash de lembrança da noite anterior.

Jimin não fora discreto e não fora silencioso na noite anterior, e a vergonha subia a cada cena que revisava na sua mente. Levantou-se devagar da cama e foi imediatamente para o banheiro. Ao ver seu pescoço cheio de marcas, ele se virou para o espelho de corpo inteiro e quase soltou um grito assustado: seu quadril e coxas estavam cheios de marcas, e quando virou de costas, sua bunda estava vermelha, e uma delas tinha a clara marca de uma mão.

— Jimin, você só toma decisões de merda quando está bêbado! – respirou três vezes e resolveu que não adiantava mais se recriminar, já tinha acontecido. Usou um lencinho demaquilante da bancada para tirar o resto de maquiagem que tinha e ao jogar o lenço no cesto de lixo, encontrou camisinhas usadas. A parte boa é que se protegeram, a parte vergonhosa é que não era apenas uma ali.

Respirou fundo mais uma vez e repetiu na sua cabeça que era um homem adulto de 22 anos independente e solteiro, bonito pra caramba e outros homens tinham o direito de apreciá-lo; e pelo pouco que lembrara, foi muito bem apreciado.

Saiu do banheiro depois de uma higiene básica, e vendo que o moreno estava ainda desmaiado na cama, pegou sua roupa, vestiu-se e saiu o mais silenciosamente possível da suíte.

Ao chegar ao elevador, deu de cara com um Taehyung furioso vindo em sua direção.

— Onde caralhos você se meteu?! – Jimin apenas lhe tapou a boca e lhe enfiou no elevador.

— Pelo amor de deus, fica calado, vamos conversar no quarto. – E o moreno acatou e se manteve quieto até fecharem a porta do quarto que dividiam.

— E então? – Jimin jogou seu celular em qualquer lugar e se jogou na cama.

— Não faço a menor ideia, Tae, a última coisa que eu lembro é de conversar com um carinha no bar da boate, e acordei hoje de manhã nu na cama dele. – o amigo arregalou os olhos em espanto.

— Você é maluco? – e ao ver que o loiro nem conseguiria se defender, soltou uma risada. – Na verdade, você é mesmo. Foi bom, pelo menos? – Jimin colocou uma das mãos pra tapar os olhos, envergonhado.

— Vêm alguns flashbacks na minha cabeça e... foi bem doido. – Sem entender, o Kim pergunta.

— como doido?

— Doido tipo... o cara era uma máquina. – Tae soltou uma gargalhada, divertido. – é sério, foram algumas vezes, não consegui contar as camisinhas que eu achei. – O moreno se sentou reto prestando atenção naquilo. – E eu tô todo marcado. – disse tirando a blusa e mostrando pro amigo. – O mais surpreendente é que eu não tô sentindo nenhuma dor. Tipo, zero. E eu sei que eu fui o passivo, eu lembro de algumas partes, sabe, ele não era exatamente pequeno. – Taehyung olhava chocado pro amigo.

— Você foi pra Londres pra casar seu amigo, ficou porre em uma boate e acabou transando com o deus do sexo coreano!

— como você sabe que ele era coreano?

— Eu vi vocês saindo da boate, só relaxei quando percebi que o GPS do seu celular mostrou o endereço do hotel. Aliás, ele é lindo, Ji. Só não achei ele o seu tipo.

— Nem eu! – disse o loiro indignado fazendo Tae soltar mais uma gargalhada. — Ele é um cruzamento de monge budista com a porra do shikamaru! Nunca vi alguém mais preguiçoso na vida! Como, eu te pergunto, ele foi disso, praquilo?! – sem conter agora as lágrimas, Tae resolveu encerrar o assunto antes que passasse mal.

—Deu seu número pra ele? – Jimin fez uma careta típica dele que diz "vadia, do que você está falando?" e Tae entendeu.

— Espero nunca mais topar com esse cara de novo, ele me assusta até o ultimo fio de cabelo!

— Certo, certo... agora agiliza aí, que a gente precisa se arrumar. – disse o moreno cortando o papo e apontando pro banheiro indicando que o Park seria o primeiro a banhar.