Real King
7 Capítulo 7
Min Yoongi não era uma criatura propensa a acordar cedo. Exceto pelos últimos dois anos de sua vida, ele nunca precisou. Mas ser acordado por aquele barulho insuportável de campainha mesmo sendo tão tarde era bem pior que acordar cedo.
— Se você não for aquela coisinha linda que dormiu na minha cama ontem acho bom dar o fora, porque eu vou arrancar a sua cabeça assim que abrir a porta. – disse num tom de voz tão grave que quase não foi ouvido por Namjoon, que estava do outro lado da porta.
— Bom dia, Hyung, que recepção calorosa! – disse o Kim rindo enquanto seguia o amigo pra dentro da suíte enquanto ouvia a porta batendo. – Que humor radiante! – e vendo amigo nu se encaminhar para o banheiro, resolveu espera-lo na mesa de jantar.
— Vai se foder, Kim! – o mais novo soltou outra risadinha, relaxando os ombros, pela primeira vez naquela semana. Amava Jungkook com todo o seu coração, mas só o Min tirava dele, mesmo que momentaneamente, aquela responsabilidade de liderar, de tomar as decisões difíceis. Para o Jeon, ele era o irmão mais velho, mas para Suga, ele era só o Namjoon, seu melhor amigo nerd e desajeitado. E pensando no quanto sentia falta dele que esperou Yoongi voltar do banheiro.
Outra coisa que amava no melhor amigo era o quanto eles se sentiam confortáveis na presença um do outro. O Hyung trocava de roupas na sua frente e nunca se importou com sua nudez ou com qualquer outro tipo de intimidade com o amigo, mesmo sabendo que o Kim é gay. Namjoon acreditava que o amigo, juntamente com Hoseok eram os heteros mais legais da face da terra.
— Ouvi você resmungando sobre alguém que tinha dormido na sua cama, hyung. Mal chegou e já aprontou das suas? – se desfazendo da toalha para vestir uma cueca limpa, o moreno pálido deu de ombros.
— Passei dois anos no exército, randa, não pode me culpar pela pressa.
— Então quer dizer que ao invés de beber com seu melhor amigo, você simplesmente caçou naquela boate? – perguntou vendo o amigo vestir um roupão e atender a porta. O serviço de quarto que tinha pedido para ele chegara. – Se divertiu, pelo menos? – vendo o mais baixo empurrando o carrinho de comida em sua direção com um raro sorriso malicioso no rosto quase sempre impassível, teve sua resposta.
— Eu lamento por não ter conhecido seu noivo e os amigos dele, mas eu simplesmente fui caçado pela criatura mais bonita que já pisou em solo inglês. – Já sabendo que seu Hyung, como o artista que era, era obcecado por tudo que era belo, imaginava que beldade estava com ele ontem.
— Bom, você deve estar enganado, porque a criatura mais bonita que já pisou na terra da rainha passou a noite toda do meu lado ontem. – A xícara parou a poucos centímetros da boca de Yoongi.
— Pensei que seu casamento fosse de conveniência, Nam.
— E é. – respondeu o mais novo relaxado. Com Yoongi ele podia ser ele mesmo, enfim. – Mas você não pode me julgar por ter olhos na cara.
— De fato, dei uma espiada onde você estava e... casando por conveniência ou não, você tem bom gosto. – Eles se encararam e deram uma risadinha que compartilhavam só entre eles, porque para todo o resto do mundo Kim Namjoon era um homem sério e Min Yoongi era o grande carrasco da indústria do entretenimento.
— Vim me arrumar aqui com você, tem problema? – o moreno mais velho acenou que não. – Queria deixá-lo mais à vontade com os amigos.
— Fez bem. Mas me conte mais dos amigos do seu futuro marido... alguma madrinha interessante? – o Kim rolou os olhos e deu uma risadinha.
— Não, todos homens nesse casamento. Os amigos dele são modelos também. Os três são embaixadores de marcas famosas. – O Min baixou sua xícara, intrigado.
— Não diga?!
— Sim, o Jin é embaixador global da Louis Vuitton, o Tae é o garoto da Gucci e o Jimin é da Chanel.
— Entendi... – Yoongi comia silenciosamente seu croissant pensando em como a vida era meio doida.
— Vou começar a me arrumar enquanto você termina de comer, hyung, sei que se arruma rápido. – O moreno de olhos pequenos assentiu ainda calado, imaginando a reação de um dos padrinhos ao vê-lo mais tarde.
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Jin estava no elevador a caminho do salão de festas onde se realizaria sua cerimônia. Como não iam casar no religioso – por motivos óbvios – eles não precisavam mudar a localização da festa. E não iriam a um cartório pra fazer tudo de forma simples porque primeiro: ele estava casando com a realeza da Coréia, e segundo: a marca em que ele era embaixador, fez para ele um terno de casamento icônico, que prometia abalar a indústria da moda, por todos os motivos possíveis: o casamento do seu embaixador global; a representatividade na causa da sua comunidade; e o escândalo que seria na Ásia. Era a única coisa certa da carreira do Kim: as grandes grifes ocidentais jamais iam abandoná-lo, porque a partir de hoje, ele sempre seria um ícone da subversão dos padrões e condutas tradicionais do oriente.
Mas nada daquilo importava no momento, porque Jin não tirava a noite anterior da cabeça.
Nada aconteceu, de fato, mas não pensou que seu parceiro com tão pouco fosse desestabilizar um equilíbrio pelo qual era tão orgulhoso de ter. A imagem daquela camisa branca suada grudada naquele peitoral imenso — quem diria! – do noivo ia lhe assombrar por um bom tempo, ele tinha certeza disso. Passaram a noite flertando, ele acreditava por causa do álcool, mas nenhum avanço foi feito porque Namjoon, aparentemente mais ajuizado, decidira que era hora de irem dormir.
— Hyung, chegamos. – disse Taehyung segurando a porta do elevador para si. Jimin estava na frente, por algum motivo que não entendia, parecendo um robô. Jin creditou o comportamento estranho à ressaca.
Entrou no salão de festas que estava decorado de forma simples, com flores brancas, velas e móveis de madeira, dando um toque rústico e inusitado, mas ao mesmo tempo muito elegante; obra de Tae, que tinha um olho clínico pra essas coisas. O lugar era pequeno, até porque não tinham muitos convidados. Apenas os noivos, seus quatro padrinhos e alguns amigos de Namjoon da universidade e amigos de trabalho europeus de Jin, uma vez que precisavam de algum volume naquela cerimônia.
Ao adentrar o espaço, notou que seu noivo já estava ali; de costas para si, conversando com um casal de pessoas próximas a idade dele. A mulher, que estava de frente para Jin não escondeu seu olhar impressionado quando avistou o noivo.
— As definições de príncipe da Disney foram atualizadas com sucesso! – Disse a moça em um inglês com sotaque americano e Namjoon virou-se para ver o que tanto deixara a amiga de faculdade tão surpresa.
Ele sentiu seu coração falhar uma batida. Não do jeito brega e sentimental das histórias românticas, mas literalmente. Seu corpo inteiro reagiu fisiologicamente à figura de Seokjin vestido de noivo. Imaginara que a marca francesa que ele representava fosse lhe mandar uma roupa apropriada para o casamento, afinal seria uma publicidade e tanto; mas o terno de Jin parecia coisa de museu.
O Terno estilo coreano – uma homenagem da marca à nacionalidade do noivo – era azul marinho, porém a gola estilo padre era totalmente bordada em fios prateados e onde fica a lapela (que neste estilo não possui dobras) estava bordado de preto, trazendo uma textura diferente para a roupa; o colete acompanhava tanto a cor quanto o bordado. A camisa branca era a única coisa simples do terno, seguido por uma gravata estilo vitoriano branca presa a um broche estilizado com a logo da marca. A calça, de um azul marinho e corte simples, parecia ter sido costurada no corpo do modelo, e sapatos sociais pretos que o empresário vira o noivo mesmo lançar na coleção deste ano. Como se não bastasse a roupa que com certeza absoluta quebraria a internet, Jin parecia um personagem de um conto de fadas: a pele perfeita, lábios corados e com um leve brilho, os olhos destacados com uma maquiagem sutil, o cabelo novamente penteado para trás, com alguns fios caindo descuidados pela testa e uma argola prateada com um pingente adornando a orelha esquerda.
Namjoon, mesmo anos depois sabia que se lembraria daquele momento como o instante em que Seokjin lhe arrebatara completamente.
Ainda sem reação, ele viu Jin cumprimentar seus amigos e postar-se ao seu lado, pondo a mão em seu braço em um sinal claro de intimidade.
Jin, por outro lado, pulou da fase "camisa branca molhada transparente do Namjoon" para "Terno perfeito do inferno do Namjoon", o que não aliviou em nada a sua situação. Já tinha se livrado do nervosismo do casamento, mas agora estava atormentado porque estava terrivelmente atraído por seu futuro marido.
Depois de mais alguns minutos fazendo sala, o celebrante do casamento chegou, e eles puderam começar a cerimônia. Jin estranhou Taehyung segurando o riso e um Jimin super pálido sem reação quando começaram a se dirigir ao pequeno altar improvisado que os decoradores montaram, mas não conseguiu registrar aquilo porque logo em seguida sentiu a mão grande e quente de Namjoon segurar a sua e conduzi-lo para onde o senhor de idade os aguardava.
A celebração foi um borrão para si, ele lembrava somente quando chegou ao altar e o mais novo soltara a sua mão, para ficar frente a frente consigo, e depois, quando o celebrante fazia as perguntas de praxe sobre o consentimento daquele casamento. Jin estava tão nervoso que respondeu o homem em coreano, o que rendeu uma rodada de risadas e alguns "owns" ouvidos dos convidados.
Na hora das alianças, ele se sentiu tocado pelo gesto de Namjoon que abriu um estojo entregue pelo seu amigo Suga – pra quem ele ainda não tinha sido apresentado – e viu um par simples de alianças prateadas.
— Seokjin, eu sei que você merece uma aliança mais elaborada e bonita, algo único como você, — começou o Kim mais novo, discursando em inglês. – Mas decidimos que tudo neste casamento seria como é a nossa relação: simples e significativa. – Jin riu com a capacidade dele com as palavras. Eles performavam um casamento apaixonado, mas mesmo sendo mentira, tudo o que saía da boca do noivo era verdade. – Então me decidi por essas alianças de platina. Sendo um metal raro, nobre e muito resistente, ele também tem a característica rara de nunca perder o brilho; exatamente como o que temos. – O mais velho abriu um sorriso enorme e ficou calado, tomado pela emoção. Ele sabia que era atuação, mas aquilo era realmente bonito.
Quando ele colocou a aliança no dedo do empresário, o encarou levando a mão que ainda segurava aos lábios, dando um beijo delicado na joia sem romper contato visual com o maior; o sentiu tremendo, mas achou que fosse impressão sua, e o clima foi cortado pelo celebrante que os declarava agora casados.
Tomado por um pânico por não terem combinado essa parte da farsa, Jin começou a hiperventilar com os olhares em expectativa que ele sentia em sua figura. Em seu resgate, Namjoon se aproximou dele, colando seus corpos e falando baixo, somente para ele ouvir.
— Eu espero muito que você não surte, mas eu tenho que te beijar agora. – E o mais velho levantou o olhar encarando o agora marido em dúvida. Ele sentiu a aproximação do mais novo e fechou os olhos, nervoso. Ouviu uma risada baixa e em seguida, duas mãos segurando seu rosto com delicadeza, e lábios tocando sua testa. Antes de abrir os olhos ele sentiu os flashes pipocando e entendeu que aquilo era para as revistas.
— Era esse beijo que você tinha que dar? — Perguntou o modelo divertido. O marido o encarou tão profundamente que ele ficou nervoso de novo.
— Sim. Esse aqui eu vou dar porque eu quero. – E sem dar tempo de Jin pensar, Namjoon avançou sobre seus lábios em um beijo de deixar muito ator de novela brasileira com inveja.
Eles só se separaram quando as palmas e assovios cessaram e os convidados começaram a rir. Jin tentou disfarçar o atordoamento e pensando rápido abraçou seu esposo.
— Você precisa me avisar dessas coisas com antecedência pra eu não ser pego de surpresa! – ele sentiu Namjoon rir e lhe apertar no abraço, aproximando a boca de seu pescoço para sussurrar:
— Você precisa entender que arrumado desse jeito não há a menor possibilidade de eu não querer beijá-lo. – Seokjin suspirou nervoso com aquela provocação e se soltou do abraço.
— Você não vai facilitar pra mim hoje, não é?! – e o Kim mais novo sorrindo sacudiu a cabeça negando.
— Você não está facilitando pra mim desde que saiu daquele elevador. – disse segurando sua mão e o conduzindo para a mesa para assinar a documentação exigida pelo cartório.
Logo depois, novamente segurado sua mão, ele o arrastou pelo salão inteiro para juntos receberem os parabéns pela união, lhe apresentando aos seus conhecidos e sendo apresentado aos contatos de trabalho do modelo. Separou-se apenas para as fotos que Jin tinha que tirar para a LV e se aproximou de Suga e Hoseok, que olhavam os três modelos conversando com os fotógrafos que estavam próximos.
— Você convenceu até a mim, Nam. – disse hobi rindo com as mãos nos bolsos. Yoongi olhava para o loiro baixinho no meio daquela bagunça, mas desviou o olhar para encarar o amigo.
— Conveniência, é?! Você nunca me enganou, randa.
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Namjoon estava levemente embriagado e encarava o marido que dançava de forma desengonçada com os amigos próximos a sua mesa. Tanto ele quanto Jin não conseguiram comer nada nas duas horas que estavam ali, e de tantos brindes que fizeram, estavam ambos no mesmo calibre. A diferença era que os dois pés esquerdos do mais novo não lhe permitia queimar o álcool na pista de dança. Passadas mais duas músicas o marido sentou-se ao seu lado e tomou mais um gole da sua taça de champanhe.
— Você não vem dançar? – perguntou meigo, o que derreteu seu coração.
— Você viu ontem em primeira mão que nunca é uma boa ideia eu dançar. – Jin fechou os olhos e abriu um sorriso inocente.
— Desculpe, Namjoon, mas eu não tenho ideia do que está falando.
— Não? – o mais velho balançou a cabeça, quase num gesto infantil.
— Só tinha olhos para a sua camisa branca. Molhada. – O maior o encarou por alguns segundos em completo estupor. Quando enfim conseguiu piscar, agarrou a mão do modelo e o levantou.
— Nós vamos subir agora. – E Jin o seguiu mais do que satisfeito.
Ainda no elevador, Namjoon o beijava com fome, as duas mãos agarradas nas lapelas do terno chique do marido para não ir para qualquer outro lugar inapropriado. Ao chegarem no andar de sua suíte, ele o agarrou pela mão e se dirigiu com pressa para abrir a porta.
— Não acha que está com pressa demais, Nam?! – o apelido nublou de vez a sua cabeça. Abriu a porta, e assim que fechou agarrou Jin pelas pernas e o segurou em seu colo, sentado. O mais velho se assustou com o movimento repentino e se excitou com a atitude, passando as mãos pelo pescoço forte e segurando seus cabelos da nuca em um puxão, o beijando em seguida.
O gemido que recebeu em resposta fez Seokjin rebolar no colo do parceiro, e recebeu em troca um apertão em seu traseiro.
— Pelo amor de deus, você não tem pena de mim? – a voz rouca de Namjoon acrescentou mais lenha na fogueira e Jin puxou os lábios cheios para si, com mais vontade. O mais novo sentiu uma mordida mais forte e achou que não conseguiria chegar ao sofá daquele jeito. – Você tem roupas demais, Seokjin, precisamos começar a tirá-las agora. – O Kim riu daquilo e apenas concordou com a cabeça, arrancando o boche e desenrolando a gravata extravagante do pescoço. Ao ver o olhar hipnotizado do outro, teve uma ideia. Com um simples empurrão, sentou Namjoon no sofá e focou no paletó, escorregando-o pelos ombros largos e estendendo-o cuidadosamente na poltrona ao lado. Ao tocar no primeiro botão do colete, encarou o marido, que olhava tudo muito atento.
— Você vai fazer um show pra mim, Seokjin? – sempre se arrepiava com a forma com que ele chamava seu nome inteiro, sem abreviações.
— Você quer um? – sorrindo com a provocação, O Kim mais novo se ajeitou no sofá, abrindo o próprio paletó e afastando mais as pernas, sugestivo.
— Quero o que você quiser me dar.
— Eu já estou excitado, Nam, não precisa me seduzir. – disse provocativo enquanto desabotoava vagarosamente o colete, sem cortar o contato visual que já tinha estabelecido. Em seguida ele começou a desabotoar a camisa, deixando seu expectador à beira de um colapso.
Com o peito exposto, a blusa apenas presa por estar dentro da calça, ele se aproximou lentamente do moreno que o encarava e quando parou entre suas pernas segurou o queixo do marido, que estava claramente enfeitiçado.
— Me conte algo que eu não sei. – pediu com a voz suave. Namjoon suspirou e olhou para o peito desnudo a sua frente.
— Desenvolvi uma obsessão pelo seu pescoço. – Jin abriu um sorriso divertido.
— Por isso me deu a choker. – O mais novo negou com a cabeça.
— Te dei a joia porque te respeito e te estimo. A minha vontade era te dar várias marcas nesse pescoço lindo. – E quase sem fôlego viu um Jin ofegante sentar em seu colo.
— Fique à vontade então. – disse inclinando a cabeça para o lado, fazendo sua oferta.
O empresário não pensou duas vezes: aproximou seu nariz da pele exposta, encostando levemente na superfície macia, sentindo- a arrepiar. Beijou, mordeu, lambeu, chupou. Mas não se demorou muito naquela região porque aquela boca carnuda era sua recém descoberta perdição.
Enquanto beijava o modelo, segurou-o pelo traseiro durinho e o carregou direto para seu quarto, resolveu que não aguentava mais a tortura. O deitou delicadamente na cama, e se manteve em pé enquanto tirava as trinta camadas de roupas em que se enfiara mais cedo. Percebeu um suspiro de Jin quando tirou sua camisa e lembrou do comentário que ele fez mais cedo no salão.
— Gostou da vista agora, sem nada para atrapalhar? – o Kim enfeitiçado, levantou rapidamente os olhos de seu peito para encará-lo e soltou um sorriso cínico.
— Minha visão é horrorosa, Namjooon, vai ter que se aproximar pra eu ver melhor. – E rindo, o mais novo tirou seus sapatos, os dele e deitou-se sobre o menor na cama. Voltaram a se beijar, Jin livrou-se de vez da camisa, e com um movimento ágil, virou-se e montou novamente no colo do marido. Estava a ponto de explodir, abriu sem cerimônias a sua calça e a dele, apalpando-o de forma desajeitada, porque não queria parar de beijá-lo. Namjoon mesmo tão desesperado quanto, não pôde deixar de rir da agonia dele.
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Ainda no salão, um Jimin chiliquento grudava em Taehyung como um carrapato. O moreno se divertia vendo a cena ridícula que o amigo fazia, mas resolveu apoiá-lo em sua tentativa de evitar o elefante branco no salão.
— Relaxa Ji, eu não vou sair de perto de você. – Dizia enquanto afagava a mão do amigo.
— Eu acho bom, porque senão no momento em que pousarmos em Seul eu vou sentar com gosto no terminator da páscoa. – O Kim franziu as sobrancelhas numa confusão total
— Você ainda está bêbado, Chim? – e o loiro o dispensou com um gesto blasé de mãos, vendo Hoseok sentar-se à mesa com eles.
— Perdi algo? – os dois negaram rapidamente com a cabeça. O mais velho deu de ombros e começou a mexer no celular. Tae ainda divertido com aquela situação, resolveu analisar melhor o (des)afeto de Jimin. No exato momento em que o encarou, o sujeito muito branco e sério passou uma das mãos nos cabelos, levantando a franja que quase lhe cobria os olhos.
— Eu conheço ele de algum lugar – disse o Kim mais para si mesmo do que pros outros. Tirando rapidamente sua atenção do celular para onde seu colega de quarto olhava, Hope percebeu que Tae estava falando do outro padrinho daquele quarteto.
— O Suga? Ele é meio famoso. – disse voltando a olhar pra tela.
— Famoso como? – percebendo que chamou a atenção dos dois amigos, ele apenas deu ombros, não querendo alongar o papo.
— Ele trabalha na indústria da música, é produtor. – E Taehyung somou dois mais dois.
— Você está me dizendo que aquele baixinho pálido é o terrível Min Yoongi? – o Park arregalou os olhos espantado.
— É. – respondeu o Jung sem ver o olhar que os dois mais novos trocaram.
— Eu simplesmente não acredito nisso. – disse Jimin, quase passando mal de novo. Ainda distraído com o celular, Hope riu debochado.
— Não me diga que se interessou nele, Jimin?! – perdendo a careta que o loiro fez, emendou. – Tire seu pônei da chuva, meu querido, o Yoon é hetero. – Taehyung pegou um guardanapo da mesa para abafar sua gargalhada que disfarçou com um acesso de tosse, mal contendo as lágrimas, e Jimin, indignado, fechou os olhinhos em fendas.
— 'Cê jura, Hoseok?!
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Os recém casados eram uma confusão de braços e pernas entrelaçados nus na cama.
— Não acredito que me acabei só me esfregando em você, como a porra de um adolescente. – disse Namjoon revoltado, arrancando uma gargalhada de Jin.
— Nós dois fizemos isso, Nam. – O mais novo o encarou e beijou a ponta de seu nariz.
— Queria sugerir uma segunda rodada, mas o álcool e o dia cheio estão me nocauteando. – O mais velho riu e concordou.
— Eu ia sugerir um banho e desmaiar na cama. – Os dos acenando em concordância levantaram para seguir para o chuveiro.
Ainda era muito cedo quando o telefone de Namjoon toca. Ele pensou seriamente em não atender, pois Jin dormia como um anjo em seu peito. Mas ao ver o nome de Hoseok na tela, sentiu que o assunto era urgente.
— O que houve? – perguntou baixo, para ver se poupava o sono do marido.
— Desculpe, mas a coisa é séria. Sua família soube do seu casamento. Seu pai convocou o conselho. — Chamando um palavrão que acordou o outro, ele passou a mão pelos olhos, estressado.
— Quanto tempo temos?
— Eles só souberam há pouco, já são três da tarde lá, respeitando o estatuto da empresa, só podem convocar para amanhã às 15h. – o empresário fechou os olhos e suspirou.
— Já conseguiu autorização para o voo? – ele sentia Jin o encarando, mas não tinha tempo pra isso.
— O jatinho já está pronto pra gente. – E foi a deixa para Namjoon desligar. O moreno de lábios grossos o encarava curioso.
— Deu meia noite, Cinderela. – E vendo Jin ainda mais confuso, ele se levantou, e sentou-o de frente para si. Segurou o queixo liso e o trouxe pra si, beijando aquela boca perfeita uma última vez. – Prometemos ser francos um com o outro, então vou ser bem direto, porque não temos tempo. – Jin se ajeitou desconfortável sobre os lençóis. – O tempo fechou em Seul, e precisamos voltar pra eu dar um jeito. – Achava a coisa mais linda a carinha do mais velho amarrotada concordando com ele, aqueles olhos sinceros lhe encarando, fascinado. Lhe doía muito fazer aquilo. – Minha vida é uma sucessão de sabotagens e coisas dando errado. Vou proteger nosso casamento, mas não acho sensato nos relacionarmos para além de nosso acordo inicial. Não vou ter tempo, energia ou bons sentimentos dentro de mim para dedicar a você. Você merece alguém que se dedique de corpo e alma, e não apenas quando tem um tempinho na agenda. Por isso acho mais sensato deixar o que aconteceu ontem no nosso passado, assim não nos machucamos. – E assistiu nervoso um Jin endurecer seu olhar, respirar fundo e encará-lo.
— Partimos quando?
— Daqui uma hora. – E espantou-se ao ver o marido levantar-se da cama em toda a sua glória, entrar no banheiro e ligar o chuveiro, como se nada houvesse.
No seu espanto, jamais imaginaria que na verdade Jin correu para o chuveiro para que não o visse chorar.
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