Real King

31 Capítulo 31


Silêncio.

Os gritos, o terror barulhento que precedia qualquer violência não vinham, o que apenas aumentava seu pavor. Depois de muito se cansar de não ouvir nada, vinha a culpa. Por se descuidar, por dispensar o segurança, por sair naquele momento, e todos os outros arrependimentos que cercavam a culpa de quem na verdade é a vítima.

Engolia a agonia a seco, desde que acordou estava parado no mesmo lugar, sentado, com pés e mãos amarrados nos pés e braços da cadeira, com venda e mordaça. Era curioso, pensava, os filmes não nos preparavam para a dor na mandíbula que aquele pedaço de pano na boca causava, nem na enxaqueca que uma venda muito apertada ocasionava. Ele nem ia pensar em seus membros, porque além da clara marca, aquela imobilidade lhe daria problemas musculares. Tentava controlar a respiração pelo nariz, mas sua ansiedade aumentava a cada segundo naquele silêncio mórbido.

— Por que ele ainda não acordou? – Depois do que parecia muito tempo, Jin conseguira enfim algum sinal de vida naquele lugar. Como fora ensinado há alguns anos por Hwasa, se um dia isso acontecesse, ele deveria fingir inconsciência o maior tempo que conseguisse, para coletar o máximo de informações que pudesse, e era exatamente isso que estava fazendo. Só não sabia o quão difícil seria se concentrar naquilo. – Você o matou? – aquela voz não era estranha a si. – Do que ele vai me servir morto?! – ele conseguiu ouvir mais um par de sapatos se aproximando de onde ele estava e parar um pouco atrás de si.

— Já falei que não precisa se preocupar. – Se Jin não estivesse alarmado antes, aquela voz lhe trouxe o verdadeiro pavor à tona. – Eu conheço esse bonitinho aqui como ninguém, já bati vezes o suficiente pra não fazer nenhum estrago permanente. Não é, Seokjin?! – antes mesmo de poder prever, ele sentiu o tapa. Seco, bruto e pesado. Não conseguiu se manter apático e gemeu de dor. Sentiu o gosto metálico de sangue e respirou fundo pra não ter uma crise de pânico no meio daquela situação já surreal. Ele respirou forte indicando eu havia acordado e manteve a cabeça reta. – Ora se não é a bela adormecida que acabou de acordar. – Jin sentiu a venda de seus olhos sendo retirada. Fechou-os imediatamente por conta da claridade, e depois os abriu para acostumar-se. Suas suspeitas confirmaram-se ao ver o rosto do sogro e da sua esposa, e ao lado deles Jihoo, seu ex-agente.

Eles conversaram algumas coisas bem baixinho, e depois o seu agressor foi até si e tirou sua mordaça.

— Seu querido sogro quer conversar com você. Eu já disse que sou contra deixar você falar, mas quem manda é o dinheiro dele. – Jin lhe dirigiu um olhar mortal que o fez rir. – Ainda vai manter a pose de abelha rainha? Você está amarrado e amordaçado, sua vadia! – Jin nada falou, apenas encarou o sogro que o olhava de volta com uma ponta de receio no olhar.

— Deixe-o quieto, Jihoo. – O homem enfim se pronunciou. – Jin, você está aqui apenas por precaução, ok?! não quero nada de você, preciso apenas que Namjoon transfira suas ações para o meu nome. – Jin institivamente soltou uma gargalhada debochada. Estava sem acreditar naquilo. Ainda se lembrando do treinamento que recebeu da secretária, tentou soar o mais convincente possível:

— Vocês são estúpidos? Olha Sr. Kim, que o senhor é um baita covarde, eu nunca duvidei, mas não sabia que além disso é um completo idiota. – O soco que o atingiu o fez ver estrelas. – Falando em covardes... – cuspiu o sangue que se acumulou em sua boca e abriu um sorriso de escárnio. – Seja mais criativo Jihoo, eu sei que você estava com saudades, mas eu sou um homem casado agora, seus carinhos não me seduzem mais.

Se possível, o ex agente estava mais irritado. Tinha esquecido que quanto mais acuado, mais Jin se tornava uma serpente.

— Eu vou fazer uma ligação para Namjoon, espero que você apele para o bom senso dele e o faça me dar o que quero. – Jin franziu o cenho.

— E o que o faz achar que ele vai? – os três sequestradores o encararam confusos. – Vocês nunca perceberam? Nosso casamento é de fachada, seus imbecis. Me casei com ele para me livrar desse infeliz – disse apontando com o queixo pra Jihoo – e para o avô de Namjoon parar de arranjar encontros para ele com mulheres. – O casal o encarava incrédulo e o seu ex virou-se para os cúmplices.

— Isso é uma mentira descarada. Dá pra notar o quanto o riquinho é louco por ele. Ele só quer que vocês não o usem contra o Kim. Consigo perceber uma atuação de longe. – O sorriso convencido de Jin o arrepiou de irritação.

— Tão bom que não percebe quando alguém finge um orgasmo com você, hein?! – Jin sentiu pela segunda vez o impacto do punho em sua face, mas esse tinha valido totalmente a pena.

— Seu viadinho de merda! – Jin sorriu maior ainda, os dentes manchados de sangue.

— Sim, o que te mata é que esse viadinho de merda aqui se deu bem sem você. – Ele encarou o Sr Kim e fechou a expressão. – Bom, a escolha é sua. Mas saiba duas coisas: a primeira é que Namjoon não vai mover uma palha pra me tirar daqui. Você conhece seu filho, ele tem um protocolo de contingência pra tudo, inclusive pra situações como essa; a segunda é: acho bom vocês se livrarem de mim bem rápido, porque se eu conseguir sair daqui eu vou matar os três! – gritou antes de sentir novamente um impacto na sua nuca e ficar desacordado.

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Yoongi estava com sua cara de tédio padrão quando vê seu celular tocando em cima da mesa interrompendo a reunião em que estava.

— Peço desculpas, podem continuar. – disse rejeitando a ligação, até desbloquear a tela e ver quem se tratava. Pediu desculpas novamente e uma pausa de cinco minutos. Ao sair da sala retornou a ligação – O que foi, Jeon?

— Hyung, preciso que você pegue Taehyng e Jimin em Gangnam e vá imediatamente pra casa. – O tom seco do mais novo não deixava margens pra questionamentos. – Assim que conseguir te ligo explicando tudo. — Sabendo que Jungkook não faria barulho por nada, entrou novamente na sala para pegar suas coisas.

— Houve um imprevisto, tenho que remarcar essa reunião. – Ao ver as pessoas ali reclamarem, ele bufou irritado. – Faço mais horas extras aqui que todos vocês, se quiserem resolver algo urgente comigo, daqui há uma hora estarei disponível para videoconferências. Agendem com minha secretária. – E sem dar quaisquer satisfações, juntou seu notebook e olhou pra sua secretária hiper eficiente que já sabia o que fazer. Ligou para a equipe de segurança e solicitou o carro do chefe, enquanto ia atras dele em uma corridinha graciosa até a sala da presidência.

— Lisa, quero que você organize as pautas que surgirem das solicitações desses idiotas. – Lisa deu um sorrisinho discreto acenando com a cabeça e anotando tudo o que o chefe dizia. Amava trabalhar para Min Yoongi, ele era um dos homens mais ricos que conhecia, mas não conhecia alguém que odiasse mais gente rica e esnobe na vida, e ele podia se dar ao luxo de ser grosso com essas pessoas; era catártico.

— E o resto dos seus compromissos pro dia? – ele suspirou pensando no que fazer enquanto mexia no celular.

— O que pode ser resolvido por videoconferência, o faça. As avaliações dos trainees, remarque para semana que vem, eles vão ficar aliviados por ter mais tempo. – A Tailandesa deu um sorriso discreto. – Mande-os jantar por conta da empresa para compensar. Carne. – Ela sorria com o coração grande do patrão. – Vou sumir por uma hora ou duas, mas te mando mensagem quando estiver disponível para as videochamadas. – Ele coçou a cabeça pensativo. — Até as 20h. pretendo jantar com Jimin hoje, não quero terminar nada tarde. — A secretária sorriu discretamente. Sentiu-se muito importante quando o chefe lhe confidenciou sua identidade secreta no mundo da música, e por consequência seu relacionamento com o modelo. E ela sentiu um alívio imenso ter um chefe que pertencia a mesma comunidade que ela. Depois de tantos chefes abusivos e tantos casos de assédio moral e sexual, além de xenofobia, ela enfim encontrou um trabalho que a respeitava exatamente como era e não exigia nada dela além de competência profissional. E por isso não reclamava das horas extras – muito bem pagas, por sinal – que fazia com o Min, e se sentia muito bem por alguém tão poderoso confiando tanto em si.

— Senhor, antes de sair, gostaria de falar com o senhor. – Yoongi parou o que estava fazendo e a encarou. Outra coisa que ela admirava muito no chefe. Ele era um cavalo com todo mundo, passava a impressão de ser frio e alheio a tudo. Mas quando ele parava pra prestar atenção em você, ele estava ali por inteiro. – Eu gostaria de saber se posso mostrar algumas coisas para o senhor. – Yoongi franziu o cenho, ouvindo um apito de mensagem no celular, mas ignorando.

— Trabalho? – a morena a sua frente acenou confirmando. – Você compõe, Lalisa? – ela sorriu encabulada.

— Algumas coisas, nada demais. Mas como o senhor é muito experiente, queria sua opinião sobre estar no caminho certo ou desistir. – Ele passou alguns segundos a encarando, e ela sabia não ser fácil se manter passível quando o scanner Min passava por você, mas ela fez o seu melhor.

— Rap? – ela confirmou muda, novamente. – Você é sempre bem vinda pra me mostrar o que quiser sobre trabalho, Lisa, infelizmente não será hoje. Mas quero que saiba que eu quero ouvir o que você tem pra me mostrar, sim?! – ela acenou, acanhada. – Vamos marcar no estúdio assim que eu puder, infelizmente tenho uma emergência hoje. – Ela ficou boquiaberta com o convite, e ele percebendo, sorriu para si. – Lembre-se de filtrar tudo o que passar por mim hoje, e por favor, cuide dos meus trainees. – Ele piscou e saiu apressado da sala, confiando que sua assistente já tinha preparado seu carro.

Depois de alguns minutos, parou o carro na porta do salão que o namorado disse que estava e aguardou. Pela primeira vez em muito tempo não dispensara o motorista e estava acompanhado de outro carro cheio de seguranças, enviados por Jungkook aquela mesma manhã. Assim que viu a porta do carro abrir, ele se moveu para o lado para dar espaço pros dois modelos entrarem.

— Onde é o incêndio, Yoon? Pensei que só nos veríamos à noite. – O Min percebeu que apesar de tentar aparentar tranquilidade na voz, o loiro estava com o cenho franzido, claramente preocupado.

— Jungkook me ligou ainda há pouco pedindo para busca-los e leva-los para a minha casa. – Taehyung franziu o cenho sério. Em poucos meses já tinha se acostumado ao jeito do namorado.

— Então é sério. – disse Jimin pensativo. Ele olhou para o outro lado da rua e viu um dos seguranças descer de uma USV e entrar no carro de Jungkook, levando-o de lá.

— Só saberemos quando o pirralho ligar. – Fez um sinal de cabeça para o motorista e o carro seguiu.

Alguns minutos depois dentro da mansão de Yoongi o produtor falava ao telefone se dirigindo ao escritório enquanto Jimin guiava o amigo para a cozinha. Fazendo Tae sentar-se na ilha enquanto lhe dava um copo com água e começava a tirar as coisas da geladeira.

— O que está fazendo, Jiminie? – O loiro riu e começou a organizar alguns pacotes no balcão.

— Janta.

— Você é um péssimo cozinheiro, Ji, quem quer enganar? – com uma risadinha, o garoto Chanel começou a lavar algumas verduras.

— Eu não cozinho Tete, eu apenas deixo tudo no ponto pro Yon, ele adora cozinhar pra gente, e eu amo a comida dele. – disse dando de ombros, ainda concentrado na tarefa. Seu sorriso morreu quando viu o namorado entrar no cômodo com uma feição assombrada. – O que houve, gatinho? – Yoongi se aproximou um pouco assustado e ao chegar ao lado do namorado, afastou a faca e outros objetos perigosos do Park, puxando um banquinho e fazendo o loiro sentar-se;

— Eu preciso que vocês mantem a calma, ok?! – Os dois modelos alarmados o encaravam atentos e obedientes. – Jungkook me ligou há pouco dizendo que Jin está desaparecido. – Ao ver os olhos do namorado imediatamente marejarem, ele o abraçou pelas costas. – Como ele não sabia ao certo o paradeiro de Jin, resolveu apenas se precaver, por isso pediu para busca-los. – Taehyung acenou com a cabeça em concordância. – Mas há pouco entraram em contato com o Namjoon, confirmando as suspeitas de Jungkook; é um sequestro. – Yoongi apertava o abraço em torno do loiro enquanto observava preocupado a reação de Tae. O Kim mais novo do grupo apenas desfocou sua atenção para longe deles, numa lágrima que nunca caíra. – Eu sei que é chocante para os dois, mas preciso da total colaboração de vocês. – Despertando do transe, Taehyung voltou a aprestar atenção em si. – Eu sei que vocês querem sair à procura do amigo de vocês, mas eu peço pra que não saiam dessa casa. – Ele pôde sentir a fúria de Jimin crescer naquele pequeno corpo.

— Você está fora de si, Min Yoongi, se acha que vou ficar aqui parado esperando por algo! – Taehyung olhou fascinado a feição transtornada do melhor amigo. Ele sabia o que o loiro sentia, ele se sentia da mesma forma. Mas convivia com Jungkook a tempo suficiente para aprender a conter a própria impulsividade.

— E você está fora de si se acha que vou deixar você se expor a qualquer tipo de perigo. – disse o Min comedido como sempre.

— VOCÊ NÃO É A PORRA DO MEU DONO! — Tae se chocou com o grito e a força que Jimin impunha para se soltar do abraço do namorado. Quando os dois se encararam, o Kim sabia que o tempo ia fechar.

— Nunca pretendi ser seu dono, Jimin, te esperei por cinco anos porque respeito a porra do seu espaço, da sua individualidade. O que você ainda não entendeu é que agora você namora o herdeiro do terceiro maior conglomerado da Coreia, e uma vez que sequestraram o marido do cara mais rico do país, quem você acha que pode ser a próxima vítima? – O loiro imediatamente fechou a boca e ficou atento ao que o namorado falava. – Entendo perfeitamente seu pânico Jimin, mas não aceito que gritem comigo como você fez há pouco; não tenho culpa pelos caras que vieram antes de mim, só posso contar que você seja maduro suficiente para entender que eu não sou nenhum deles. – Yoongi encarou Taehyung que estava mudo e deu um sorriso fraco. – Você sabe que é o que mais corre riscos, não é?! – O Kim concordou com a cabeça.

— Não se preocupe comigo, não conseguiria ajudar ninguém nesse estado – disse apontando para a perna engessada.

— Ótimo, ao menos alguém aqui ouve o próprio namorado. – Ele fez uma mesura rápida para o outro moreno e sentiu seu celular vibrar. – Preciso atender algumas ligações, se precisarem de algo, estarei no escritório, assim que tiver noticias eu aviso. – E antes de sair da cozinha, encarou o semblante do namorado de cabeça baixa, arrependido, e deu um sorriso triste. – Assim que me livrar dos meus compromissos venho fazer a janta.

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— Namjoon, ficar nessa pilha não vai ajudar. – Hoseok estava há pelo menos duas horas tentando acalmar um Namjoon transtornado. Hwasa voltara do corredor com uma enfermeira que o ajudou a deitar na maca e um médico chegou para aplicar um tranquilizante em si.

— Que porra, Hoseok! – o Kim ficou confuso ao ver o médico apertando o êmbolo da injeção e sentiu-se traído.

— É pro seu bem Nam, Jungkook está de olho em tudo, ele sabe exatamente o que fazer, você nervoso desse jeito só nos atrapalha. Esse remédio é fraco, daqui a pouco você acorda e vamos saber como agir enquanto isso, deixa por minha conta. – E Namjoon não pôde ouvir mais nada pois a inconsciência o alcançou.

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— Certo Hoseok, você fez o que tinha que fazer, se ele ficar puto manda ele vir falar comigo quando acordar. – Yoongi mexia na panela com o caldo que estava preparando há quase meia hora, enquanto a dupla dinâmica o observava por trás de si, calados. – Vou desligar agora, to cozinhando pros meus dois filhos. – Ouviu a gargalhada gostosa de Hobi e sorriu fraco. – Assim que souber de alguma coisa me liga. – Ele apertou o botão do fone de ouvido encerrando a ligação.

— Alguma notícia, Yoongi? – o mais velho provou o caldo e apagou o fogão.

— Sim, aparentemente Jungkook avisou que Jin está bem, apenas não é o momento de tirá-lo de lá. – Os dois franziram o cenho.

— Que coisa mais sem pé e sem cabeça... – Reclamou Jimin, mas foi interrompido.

— Então esse é o plano? – Perguntou Taehyung. Yoongi deu um sorrisinho de canto ao amigo e voltou sua atenção às panelas. – Jin aceitou ser uma isca?

— E você acha que seu amigo seria obrigado a alguma coisa? Ou seu namorado usaria a vida de uma pessoa de forma tão leviana? – Ele despejou óleo numa panela e começou a separar alguns pedaços de carne; — o jantar sairá em breve. – Taehyung sorriu aliviado e se levantou.

— Se é assim, vou tomar um banho rápido antes de comer. – O Min concordou com a cabeça e voltou sua atenção ao que estava fazendo.

— Precisa de ajuda, Tae? – o moreno acenou em negação para o melhor amigo e saiu do ambiente.

Alguns minutos tortuosos de silêncio se fizeram até Yoongi quebra-los.

— Fale o que tem pra me falar de uma vez, anjo, vai me deixar doido batucando esse balcão. – O loiro imediatamente cessou o barulho irritante e se ajeitou no banco.

— Eu queria te pedir desculpas por ter gritado com você mais cedo. – O moreno deu de ombros e o encarou.

— Só se me desculpar por ser tão grosso com você. – Jimin fez um bico para não chorar.

— Você só me disse a verdade. – O moreno negou com a cabeça.

— Nada me dá o direito de ser grosso com você amor, nem o fato de você me tratar mal; me promete que nunca mais vai deixar eu fazer isso. – Jimin acenou concordando. – Eu sei que está nervoso por conta do Jin, mas eu garanto que seu amigo está bem, Jungkook está de olho nele. – O mais velho voltou para a frigideira e virou os pedaços de carne. – Preciso discutir algo com você antes que Taehyung volte.

— O que é?

— Vocês ficaram muito empolgados com o bebê da Hwasa, mas esqueceram de um pequeno detalhe: Hoseok agora tem mulher e filho, e o Kim não vai poder ficar naquele Ap por muito mais tempo. – Como um balde de água fria, Jimin arregalou os olhos, enfim entendo onde o namorado queria chegar. – Eu conversei com o pirralho no hospital, e mesmo não me dizendo nada, percebi que ele quer levar o Kim pra morar com ele. E eu sei que vocês são melhores amigos e tudo mais, mas eu também sei que você se sentiria muito desconfortável morando com um casal que acabou de começar a morar junto.

— O que você quer com isso, Yoon?

— Vem morar comigo Jimin.

E foi exatamente assim. Seco e direto.

Ao ver que o Park ficara vermelho e sem reação, Yoongi imaginou o que se passava na cabeça dele.

— Não me leve a mal, amor, eu jamais te pediria em casamento dessa forma tosca, você terá a maior surpresa da sua vida, e essa surpresa não é hoje. Eu estou te fazendo um pedido prático e simples. Você já dorme aqui a maioria do tempo, conhece os empregados, metade das suas coisas já estão aqui; por que não vir morar de vez?

— Eu gosto de receber amigos na minha casa Yoon. – Foi a única coisa que Jimin conseguia falar.

— A única pessoa com vergonha do nosso relacionamento é você amor, não eu. A partir do momento em que morar aqui, essa casa passa a ser sua também, pode receber quem bem entender. – O loiro suspirou confuso e o Min resolveu parar de pressionar. – Quando essa crise com o Jin passar você me dá uma resposta. Até lá vai ficar aqui com o Kim mesmo, não há necessidade de me responder de imediato.