Real King
21 Capítulo 21
Jin estava saindo do apartamento com a maleta prateada quando uma equipe de segurança o cerca na entrada do prédio.
— Sr. Kim, peço que o senhor entregue essa maleta. – Jin olhou para o desconhecido desacreditado.
— E por que eu faria isso? – O homem suspirou e se aproximou dele.
— Tenho ordens de não o deixar tirar nada de dentro da casa do Presidente Kim. – Jin entendeu quem o mandara ali e deu um sorriso de escárnio.
— Bom, então traga aqui a polícia com um mandado, porque eu faço o que eu quiser dentro da minha casa. – O homem o olhou desacreditado.
— O senhor não pode tirar nada de dentro da casa do Mestre Namjoon, ordens de seu avô. O lugar pertence a ele, Sr. Kim, e com ele inconsciente o Presidente Kim assumiu suas propriedades em caráter de urgência. – Jin abriu um sorriso amargo.
— Então diga para aquele velho maldito que a escritura desse lugar está no meu nome. – O segurança arregalou os olhos espantado. – Se alguém que não for do meu pessoal entrar nesse lugar eu vou acionar a polícia e acusá-lo de invasão de propriedade, agora que sei de suas intenções. Esteja avisado. – Olhou para uma figura atrás de si e o grupo de seguranças deu de cara com Hwasa e Kai com armas nas mãos. – Seu chefe não é o único ricaço com seguranças. – E entrou no carro sem olhar pra trás.
Já no trânsito de Seul, Jin estava com algumas lágrimas teimosas o rosto, apenas Kai e Hwasa de companhia. Yoongi desceu no caminho com Jimin e Tae e os levou para o hospital. Tinham combinado de darem informações a Jin quando as cirurgias terminassem.
— Para onde, senhor? – Jin, que estava distraído, olhou para Kai pelo retrovisor.
— Casa do Yoongi. Preciso checar algumas coisas antes de procurarmos outro lugar. – Kai concordou com a cabeça e seguiu em direção à casa do Min.
Alguns minutos depois, na cozinha da mansão de Suga, enquanto Hwasa cozinhava ele abria a maleta e se deparou com os itens que vira da última vez: dinheiro, passaportes, documentos e uma arma. Pegou os envelopes e fechou novamente a pasta. Percebera que mais alguns bens tinham sido acrescentados e a partilha dos bens de Namjoon tina sido alterada, ele tinha um pouco mais de ações que o cunhado. Ainda mexendo no envelope, percebeu um cartão de memória caindo em seu colo. Rapidamente, retirou seu notebook da mala e o ligou. Olhou para os lados e vendo que só a secretaria se encontrava em casa, abriu a mídia e encontrou uma série de documentos e três vídeos. Um estava com seu nome, e ele o abriu.
— Oi amor... Se você está vendo esse vídeo é porque alguma coisa no meu plano não deu certo. Mas como o bom paranoico que sou, resolvi me precaver. Espero que seja você vendo isso em um lugar seguro. – Namjoon estava em seu escritório na empresa, terno e gravata impecáveis, o pôr do sol atrás de si deixava a sua feição um pouco mais melancólica. – Tenho algumas coisas pra te falar e se for a primeira vez que você as escuta, eu te peço desculpas por não dizer pessoalmente. Mas primeiro de tudo: eu te amo. Os últimos cinco anos têm sido os mais incríveis da minha vida. – Hwasa parou o que estava fazendo e virou para Jin que assistia ao vídeo com os olhos cheios d’água. – Vamos ao primeiro tópico que diz respeito do porquê eu fazer esse vídeo. – Ele mexeu em alguns papéis em cima da mesa e suspirou, um pouco cansado.
— Félix me ligou há alguns dias relatando ter sido roubado. Houve um ataque hacker na empresa e muitos documentos importantes e muito bem protegidos foram apagados do sistema, e um deles foi o meu testamento. – Jin arregalou os olhos assustado. – Como o bom paranoico que Felix também é, ele tem a cópia do meu testamento bem guardada em outro lugar fora da empresa, mas a cópia digital que foi roubada é antiga, só tem Jackson como meu herdeiro, o que pode ser usado para contestar o testamento atual. Bom, só se preocupe com isso se eu estiver morto, caso contrário, apenas se informe para poder saber seus direitos. — Ele se remexeu inquieto e olhou para seus dedos cruzados em cima da mesa, brincando com sua aliança. – Seu eu estiver inconsciente ou desaparecido, a coisa vai ficar mais complicada. Meu avô vai ter que nomear alguém como presidente interino até que eu assuma novamente, e é aí que mora o perigo. Ele possui muitas ações do grupo, mas não são a maioria. Você vai ter que se articular para conseguir maioria no conselho e nomear Jackson como presidente interino, e Hoseok assumirá como CEO, uma vez que meu atual CEO é suspeito de espionagem industrial. – Ele coçou a testa rindo. – Ninguém pode saber que você está por trás da articulação, tente se preservar o máximo possível, vovô vai para cima de você com tudo, mas não há nada que ele possa fazer. Felix e Hoseok o ajudarão com tudo, e na hora oportuna, alguns acionistas se apresentarão para você prestando o apoio que eu garanti até agora. Nunca contate Jackson diretamente, agora que sabem que ele é meu herdeiro quero que fiquem até o ultimo minuto pensando que o fiz por falta de opção. Se precisar falar com meu irmão contate Mark, é o chefe de segurança e melhor amigo do Jackson, Hwasa tem o número dele.
Jin viu a figura do marido levantar-se e passar por trás da câmera. Alguns segundos depois ele volta com um copo de uísque na mão.
— Vou precisar de uma bebida pro que vem agora. – disse com um sorriso triste. – É um assunto privado, então gostaria que você ouvisse isso sozinho. – E com a deixa, Hwasa saiu da cozinha e deu privacidade ao chefe. Jin para se precaver, pegou seus fones de ouvido e os conectou ao notebook – Bom, acabei de sair da terapia, e me sinto pronto pra conversar. Como minha paranoia não me deixa em paz, resolvi te contar por aqui porque pode ser que não consiga pessoalmente. – Ele respirou fundo e olhou para a câmera. – Sobre o meu passado com os Choi...
.
.
.
.
.
.
.
Hwasa entrou desesperada no saguão do prédio com Jin e Kai em seu encalço. Yoongi ligara há pouco avisando que Hoseok tinha saído da cirurgia e estava tudo bem com ele. Ela nem cumprimentou ninguém, passou direto pelo balcão de informações e foi atrás da enfermeira. Se identificou como a noiva de Hoseok e foi encaminhada para o quarto em que o Jung estava. O médico que o atendeu estava saindo, deu de cara com o grupo que o encontrara na porta e quando perguntado pelo estado de saúde do paciente, sorriu reconfortante.
— O Sr. Jung está bem. Sua cirurgia não foi de risco, ele sofreu lesões pequenas, nenhum órgão interno foi atingido. Ele só fraturou o braço esquerdo e três costelas. Vai ficar alguns dias no hospital por observação porque chegou em estado de choque na emergência, mas ele não corre perigo. – Todos ali se aliviaram com a notícia e Hwasa entrou no quarto com Jin.
Hoseok estava pálido, a feição ainda grogue da anestesia e imobilizado da cintura pra cima. Hwasa chegou na beira da sua cama e deu um beijo suave em sua testa.
— Você me assustou, Hope. – Hobi respirou fundo e a encarou.
— Me desculpe, vou tentar não repetir a dose. – Os dois sorriram contidos. O secretario encarou Jin que estava o observando quieto. – Seok. – disse com um cumprimento de cabeça.
— Hobi, que bom que está bem. – Mesmo angustiado, abriu um sorriso sincero para o amigo.
— Como eles estão? – Hwasa abaixou a cabeça e ele olhou para Jin.
— Até agora nenhuma notícia, eles ainda estão em cirurgia. – Hoseok concordou com a cabeça.
— É de se imaginar, o caminhão atingiu a gente do lado deles, eu seria mesmo o menos machucado. – Passou a mão que não estava imobilizada no rosto em desespero. – Onde está o Kai? E o Yoongi? Preciso falar com eles. – disse olhando a noiva, que prontamente saiu pra buscar os dois. – Seok, você sabe que corre perigo, não é? – Jin concordou com a cabeça. – RM sabia que isso aconteceria com ele, então se preparou pra qualquer eventualidade. – Jin sentou na cadeira ao lado da cama do amigo e apertou sua mão.
— Por dois segundos, Hoseok, preocupe-se com você primeiro. Sei que leva suas responsabilidades como secretario e amigo a sério demais, mas esse acidente foi feio, você poderia ter se machucado muito. – Hoseok suspirou e apetou a mão do amigo.
— Não foi um acidente, Jin, estávamos em fuga. O carro está em completo estado de desgraça mas uma perícia pode comprovar que ele foi baleado, e aquele caminhão... – o Jung estremeceu com a lembrança. – Não veio simplesmente do nada, Jungkook conseguiu aguentar uns bons metros sem nos deixar cair, o que deu a oportunidade de cairmos em um lugar menos acidentado, senão já estaríamos mortos. – Jin se arrepiou com aquilo. – Eu estou bem, Seok, não se preocupe comigo, tem que se preocupar com você agora. – Jin concordou com um aceno. — Vou deixar você acompanhar o estado de saúde do Nam, mas se ele não sobreviver ou permanecer inconsciente, vamos ter que tirá-lo daqui. – Jin franziu o cenho confuso.
— Do hospital?
— Da Coreia.
.
.
.
.
Já era noite e Taehyung estava emocionalmente esgotado. Ninguém dava notícias e cada vez que ele se identificava como namorado de Jungkook recebia olhares reprovadores e era totalmente ignorado. Apenas Yoongi conseguia informações sobre o andamento da cirurgia, mas o amigo agora estava trancado no quarto de Hoseok com Kai e Hwasa, sem comunicação.
Passados alguns minutos, ele viu uma movimentação na porta do centro cirúrgico, mas não pôde identificar quem tinha saído de lá. Se aproximou mais uma vez do balcão, e antes mesmo de abrir a boca, a enfermeira que estava atendendo rolou os olhos e o encarou com raiva.
— Escute aqui, querido, você não vai ficar sabendo de nada porque não é nada do Sr. Jeon, sugiro que vá pra casa e espere por noticias dos familiares dele. – Taehyung sentiu um arrepio de indignação desde a base de sua coluna e antes de retrucar escutou uma voz atrás de si.
— Não seja por isso, posso dar agora mesmo, é só você me dizer. – Taehyung olhou para trás e deu de cara com a mulher mais linda que já tinha visto na vida. Os olhos expressivos, que lembravam os de alguém estavam marcados com uma maquiagem preta muito pesada, o que dava um ar sexy, misterioso e perigoso à mulher. Ela tinha longos cabelos platinados se vestia inteiramente de preto. A enfermeira a olhou da cabeça aos pés com despeito, despertando um sorrisinho de deboche na loira.
— E a senhora é...?
— Lee Chaerin, sou mãe de Jeon Jungkook. – A enfermeira arregalou os olhos, petrificada.
— Me desculpe senhora...
— Não se desculpe comigo, peça desculpas ao meu genro. – Disse apontando para Taehyung que encarava a mais velha chocado.
— Senhor... – Taehyung estava além daquela porcaria toda.
— Não preciso das suas desculpas de merda, quero saber do meu namorado. – Chaerin abriu um pequeno sorriso satisfeito e encarou a enfermeira, que rapidamente olhou para o computador.
— Ele acabou de sair da cirurgia, quarto 3056 – a loira fez um sinal com a cabeça e olhou para Tae.
— Vamos, querido? – Taehyung fez uma pequena reverência para ela e a acompanhou. Se assustou quando ela virou de repente e olhou para trás. – Me esperem aqui. – disse séria e Tae olhou para quem ela estava falando, se assustando com a quantidade de homens engravatados naquele corredor.
Entraram no quarto quando o médico terminava de dar as ordens para a enfermeira. O homem de meia idade fez uma reverência polida para os dois e respirou fundo.
— São parentes de Jeon Jungkook? – Ambos acenaram com a cabeça e ele olhou para os papéis em suas mãos. – A cirurgia correu bem, o Sr. Jeon teve muitos traumas com o impacto. Tivemos que retirar o baço, seu fígado foi lacerado e ele fraturou a tíbia da perna esquerda. – Taehyung estava apavorado, eram traumas demais para uma pessoa suportar. – Mas o pior dano foi na coluna. Como o carro capotou, em algum momento ele sofreu um trauma na C4 e a cirurgia foi muito delicada. – Os dois se olharam aflitos.
— E como ele está agora? – Perguntou a mais velha com certo receio na voz.
— Não vou mentir para vocês, Jungkook passou muito perto da morte. Ele tem diretrizes médicas muito específicas, e quando olhamos seu prontuário percebi que ele tem uma ONR e ao mesmo tempo, uma ordem muito inflexível de tratar qualquer trauma independente dos riscos. – Ele olhou para a loira a sua frente. – A senhora é mãe dele? – Ela concordou. – Não sei se seu filho é muito corajoso ou muito imprudente, mas o fato é que ele tem sorte. A cirurgia correu bem, conseguimos reparar o dano na coluna, mas a recuperação vai ser difícil, a notícia boa é que pelo metabolismo insano dele que nos deu tanto trabalho para anestesiar, posso considerar que ele estará totalmente recuperado mais rápido do que prevemos. – Ele deu um sorriso reconfortante para ambos. – Ele ainda vai dormir por algumas horas, então sugiro que comam alguma coisa e descansem. Quando ele acordar estranhará a falta de movimentos do pescoço pra baixo, mas será temporário, então tentem tranquilizá-lo. – Os dois concordaram com uma reverencia e deixaram o médico sair do quarto.
Tae virou para a mulher que olhava distraída o filho na cama.
— Senhora Lee, eu...
— Vá pra casa, tome um banho e coma alguma coisa. Eu vou ficar aqui com ele até você voltar. – Ela o encarou com os olhos negros iguais aos do filho e lhe deu um sorriso pequeno. – Eu sei que o primeiro rosto que ele vai querer ver é o seu, então trate de ficar apresentável. – Não aguentando a mistura de sentimentos e a carga de adrenalina que passou por todo o dia, ele desabou na frente da sogra. O choro sofrido a fez ir até ele e abraça-lo. — Eu sei, querido... não foi fácil ficar aqui sem notícias, não é?! – ele fez um som incompreensível no fundo da garganta e ela sorriu condescendente. – Mas agora eu peço que você aguente mais pouco, JK vai precisar de você duro como uma rocha, ok Kim? – ela sorriu quando ele respirou fundo, tentando controlar o pranto. – Nosso garoto está bem, então vá pra casa terminar esse choro no chuveiro, e volte aqui recomposto. – Ela saiu do abraço e o encarou, secando as lágrimas do moreno com seus dedos elegantes de unhas longas. – Ninguém vai fazer mal a ele neste hospital, pode ir tranquilo.
— Obrigado Sra. Lee. – A mais velha sorriu e deu dois tapinhas em seu ombro.
— Não tem de quê, querido. Você tem com quem ir pra casa? – Tae confirmou com um aceno e respirou fundo.
— Meu amigo está me esperando no corredor. – Ela fez uma feição de entendimento e sorriu.
— O Park? – Tae confirmou. – Certo... vou pedir pra um dos rapazes escolta-los até seu apartamento, tudo bem pra você? – Ao ver acara de confuso do modelo, ela sorriu. – Meu filho não sofreu um acidente, e ele se levantaria por conta própria dessa cama se imaginar que deixei vocês dois irem sozinhos pra casa. – O moreno preferiu não saber do que ela estava falando. Apenas concordou e saiu com ela do quarto.
Assim que saíram do quarto, deram de cara com um rapaz muito parecido com Jungkook que chegara esbaforido na porta.
— Como ele está? – Perguntou abraçando a mulher.
— A cirurgia foi bem. – O moreno respirou fundo, aliviado. – Ele ainda está sedado, vai demorar um pouco pra acordar.
— Alguma sequela? – Taehyung quase riu de como o rapaz ignorava completamente todo mundo a sua volta.
— Ele teve uma fratura na coluna. Foi consertada, mas ele vai ter uma recuperação demorada. – O homem fechou os olhos um pouco aflito.
— Vai ser um inferno de recuperação. – disse um pouco divertido. Foi aí que percebeu o homem ao lado de Chaerin. – Oh, me desculpe, fiquei tão aflito que não lhe cumprimentei. – Fez uma mesura grande pra Tae. – Sou Lee Dongmin, é um prazer conhece-lo, Jungkook fala muito de você. – Ainda perdido o Kim olha para a sogra.
— Meu filho caçula, Taehyung. – O modelo olhou mais uma vez aquela versão um pouco diferente do namorado. A Sra Lee tinha uns genes e tanto! – filho, já conversamos sobre usar seu nome. – O rapaz não gostou da reprimenda e olhou a mãe sério.
— Ohma, ele é o namorado do hyung. – Tae quase riu do bico, igual ao de Jungkook contrariado.
— Não quero saber. Você está em um lugar público, e em público, você é Cha Eunwoo. – O rapaz olhou sem graça para Tae e deu um sorriso amarelo.
— Desculpe por isso.
— Tudo bem — Disse Tae ainda meio amortecido. Não fazia ideia dessa outra família do namorado. Ele pensava que Jungkook só tinha irmãos mais velhos, e pensava que sua mãe havia morrido, mas agora percebeu que Chaerin era uma Lee, não uma Jeon. As coisas começaram a se encaixar.
— Filho, Taehyung vai pra casa tomar banho e voltar, você poderia escoltar ele e o amigo? Ainda não sabemos o que aconteceu. – O mais novo fez uma reverência apara a mãe e olhou o cunhado.
— Você está pronto, hyung?
— Vou só buscar meu amigo e podemos ir.
.
.
.
.
.
.
Assim que a médica saiu do centro cirúrgico, Jin correu ao seu encontro. Estava sozinho naquele corredor cheio de sujeitos estranhos de terno, mas estranhamente se sentia seguro. Jimin levou Tae pra casa para tomar banho há duas horas atrás; Yoongi, Hwasa e Kai estavam ainda no quarto de Hoseok.
— Doutora, como ele está? – Perguntou o modelo aflito. A cirurgiã o encarou e reconheceu o marido do seu paciente.
— O seu marido é um lutador, Sr. Kim, e dos bons. – Jin imediatamente sentiu o alívio tomar conta de seu corpo, a médica estava bem humorada.
— Seu degenerado! Como ousa achar que tem algum direito de saber sobre meu filho? – Jin olhou atordoado seu sogro caminhando até ele furioso, com a esposa em seu encalço.
— Senhor, por favor isso é um hospital. – disse a médica aborrecida.
— Doutora, eu a proíbo de dar qualquer informação de Namjoon para essa bixinha! – A médica olhou chocada para o senhor de meia idade.
— Com que autoridade o senhor exige isso? – Perguntou Jin fervendo de ódio.
— Eu sou o pai dele! O parente mais próximo que ele tem! – Uma multidão começou a se agrupar em volta da confusão e dois seguranças se aproximaram.
— Doutora, eu sou a mãe de Namjoon, como ele está? – A chinesa fez uma cara de choro olhando para a médica, mas lágrima nenhuma descia. Ok, aquilo era o limite de Jin.
— Doutora Chae. – disse Jin olhando para o crachá pendurado no pescoço da médica. – Eu me chamo Kim Seokjin, sou marido do seu paciente. – Disse com uma calma fria, cumprimentando a mulher com uma reverência polida. – Esses dois são o Sr. Kim, doador de esperma que gerou meu marido, e a sua amante chinesa. – disse pingando veneno na voz.
— SEU FILHO DA PUTA! – O mais velho avançou para agredir Jin, que segurou seu pulso, o trazendo para perto de si.
— Nem tente, Sr. Kim, porque se encostar a mão em mim, essa bichinha aqui vai arrebentar essa arte abstrata que o senhor chama de rosto. – Largou o mais velho com um empurrão e ajeitou a manga do blazer. Retirou seu passaporte do bolso e entregou para a médica, foi quando viu de soslaio os dois seguranças indo para cima dele. – Encostem um dedo em mim e os filhos dos seus filhos vão morrer de velhice pagando a indenização do processo que eu vou meter no rabo dos dois. – Rosnou Jin. Os dois homens se entreolharam e deram um passo pra trás. Ele encarou a médica que o olhava admirada e esperou a resposta dela.
— Sr. Kim, a cirurgia foi mais complicada do que eu fiz parecer, e apesar de seu marido ter resistido, não sabemos como ou quando ele vai acordar. – Disse devolvendo o documento ao modelo.
— Você é surda? – A Sra. Kim foi pra cima da médica. – Meu marido disse que não é pra divulgar o estado de saúde do Namjoon pra esse viado! – Jin ergueu uma sobrancelha com a audácia daquela mulher.
— Senhora, eu peço por favor que não grite, e que não ofenda o familiar do meu paciente; isso aqui é um hospital. – Jin observou surpreso a calma e a coragem da médica ao defendê-lo.
— Você só pode ser maluca, ELES NÃO SÃO CASADOS! – Esbravejou o pai de Namjoon novamente.
— Senhor, se levantar a voz para mim mais uma vez eu terei que pedir para a segurança que o acompanhe para fora. – Ela disse mais calma ainda. – Se o senhor tem algum problema com a documentação do senhor Kim, sugiro que vá ao consulado Britânico, e faça uma denúncia formal de fraude nos documentos; mas até lá, este homem aqui é o responsável pelo meu paciente e é a ele que eu vou reportar. – Voltou-se mais uma vez para Jin e lhe fez uma mesura polida. – Como eu ia dizendo, Sr. Kim, seu marido sofreu um traumatismo craniano, não houve nenhum dano irreversível, mas devido ao inchaço, tivemos que fazer um procedimento para aliviar a parte inchada do cérebro e por causa disso fomos obrigados a induzi-lo a um coma. – Jin fechou os olhos, desacreditado. – Os outros danos que ele sofreu, apesar de severos não foram piores que o trauma na cabeça; os outros cirurgiões entrarão em contato com o senhor para mais detalhes, mas a questão é que ele teve duas paradas cardíacas na mesa, e isso nos deixa em estado de espera quanto a sua recuperação, pois com a interrupção de oxigênio para um cérebro já com trauma, as chances de ele acordar com uma sequela são grandes.
— Quais as suas estimativas? – Perguntou Jin rouco. Apresentava uma postura estoica, mas por dentro estava a ponto de desabar.
— Eu tenho grandes expectativa de que ele acorde, Sr. Kim, minha hesitação é sobre o que vamos encontrar quando ele acordar. Mas é uma questão de tempo. – Jin respirou fundo e ouviu alguns passos atrás de si.
— Sr. Kim, Sra. Kim. – Ele fechou os olhos ao reconhecer a voz chorosa atrás de si. O circo estava armado. Pegou seu celular e mandou uma mensagem para Kai. – Como o Joon Oppa está? – A médica olhou curiosa para a moça a sua frente. – Eu sou Choi Ji Su, sou... — fez uma pausa dissimulada, que o sogro de Jin fez questão de completar.
— ... A futura esposa do meu filho! – A recém chegada fez uma falsa cara de surpresa e encarou Jin em desafio.
— Podemos vê-lo doutora? – Aquela voz falsamente doce estava deixando Jin enjoado.
— Infelizmente o Sr. Kim está no CTI, ninguém pode entrar. – Disse ela com um olhar firme em direção a Seokjin. – Apenas parentes próximos ou pessoas autorizadas pelo responsável do paciente podem entrar na antessala, portanto sugiro que os que não forem dormir aqui se retirem, o hospital está muito cheio hoje.
— Então deixem que eu durma aqui essa noite – Disse Ji Su para o casal que a acolhia. Jin soltou uma risada alta, desacreditado. – Algum problema, Jin Oppa? – O Kim a encarou com sangue nos olhos e respirou fundo.
— Não sou seu Oppa, sua psicopata, não dirija a palavra pra mim a não ser que queira ser virada do avesso. – A loira arregalou os olhos, Jin nunca fora tão agressivo antes. – Sei exatamente o que você fez a Namjoon anos atrás, e se acha que eu vou deixar o meu marido inconsciente à sua mercê está mais louca do que eu pensei! – A médica ficou surpresa com o tom de raiva no modelo. Kai, Jimin e Taehyung chegaram bem na hora que a Choi ia retrucar, e a confusão se formou.
— CALEM-SE TODOS! – Ninguém nunca tinha ouvido Jin gritar, e o efeito de sua voz alta foi o suficiente para todos fazerem silêncio. Ele olhou para Kai que se indagava o que era aquela confusão ali. – Kai, eu vou à sala do administrador do hospital, gostaria que você fizesse guarda na porta do CTI, ninguém além de mim e do Presidente Executivo Kim pode entrar. — O segurança fez uma mesura entendendo o recado.
— Isso é um absurdo! Vocês vão deixar isso acontecer? – Ji Su estava chocada com a audácia de Jin. O modelo, no entanto, apenas a ignorou e pegou o celular, discou um número e aguardou.
— Alô? É da polícia? Gostaria de denunciar uma importunação na sala do CTI do hospital Universitário de Seul. – A médica sorriu incrédula com a coragem do Kim. – Sim, estão importunando um paciente em coma e ignorando as diretrizes de segurança do hospital. – Ji Su furiosa voou pra cima de Jin, sendo barrada por uma Hwasa com cara de poucos amigos. Ela imobilizou a loira, torceu seu braço para trás, que reagiu com um grito, e a empurrou pra fora do corredor.
— Se não sabe seu lugar, Srta. Choi, vai ser um prazer mostrá-lo. – Disse a secretária polida, a empurrando para dentro de um elevador.
Quando voltou, o casal Kim ainda brigava com o genro que estava dando instruções para um Kai muito contrariado. Assim que a viu, Jin caminhou até ela e sorriu pra a amiga.
— Agradeço o que acabou de fazer por mim, mas essa noite você é noiva de um paciente, não minha secretária. Vá ficar com Hoseok, amanhã faremos o que temos que fazer. – Disse dando dois tapinhas em seu ombro e saindo em direção à administração do hospital.
.
.
.
.
.
.
Jungkook sentia tudo rodar. Em uma fração de segundos se situou e respirou fundo reconhecendo os cheiros a sua volta antes de abrir os olhos.
— Nem drogado você baixa a guarda. – Disse Eunwoo sorrindo. – Como você está se sentindo, hyung? – O Jeon respirou fundo. Se o irmão estava ali, aquele perfume só podia significar uma coisa.
— JK, enfim acordou. – A voz suave o fez tensionar o maxilar, sua mãe ali só complicava as coisas em um cenário já caótico. Tentou mover os braços para erguer seu tronco, mas não conseguiu.
— Puta merda, fiquei tetraplégico? – Os olhos arregalados em pânico encaravam a progenitora.
— Não, é temporário. O médico disse que a compressão vai melhorar com o tempo. – Disse uma voz rouca atrás de Chaerin. Jungkook ficou emocionado quando viu os olhos marejados do namorado. – Oi amor. – Que saudade que estava daquele rosto perfeito.
— Vem aqui, Tae. – O modelo se aproximou da cama. – Como você está? – Sentiu o carinho do namorado em seu rosto e fechou os olhos, quase ronronando.
— Melhor que você, Bunny. – O Jeon soltou uma risada involuntária.
— Você é um cretino, Kim, não sei por que eu te amo. – Os dois sorriram um pro outro e Taehyung lhe deu um selinho delicado.
— Você quase morre e eu sou o cretino?
— Como quase morrer faz de mim um cretino?
— Você ia me deixar sozinho, Jeon. – Jungkook desfez o sorriso na mesma hora.
— Me desculpe. – O Kim sorriu pequeno e fez um carinho em seus cabelos.
— Tudo bem, o que importa é que seu rostinho bonito está aqui na minha frente de novo. – Jungkook deu seu sorrisinho de coelho que desarmou o namorado. – Por falar em rosto bonito... — Disse apontando para as duas pessoas atrás de si. – Por que eu não sabia sobre a sua mãe e seu irmão mais novo? – JK suspirou resignado e olhou para o namorado com culpa.
— Ainda não estava pronto para falar sobre essa parte da minha vida. Mas acredito que eles se apresentaram, não?! – Foram interrompidos com duas batidas na porta. Dois homens entraram no quarto dando boa noite e se apresentado. Eram dois detetives que já conheciam Jungkook e pediram pra fazer algumas perguntas. O Jeon contou brevemente como se deu o incidente, de uma perspectiva que Taehyung não acreditou nem um pouco.
— O senhor está querendo dizer que um caminhão arrastou seu carro por 150 metros acidentalmente?
— Se eu pudesse mexer meu corpo do pescoço pra baixo, detetive, eu estaria dando de ombros agora. – O deboche em nada combinava com a feição séria do Jeon.
— Tudo bem, temos algumas imagens de câmeras de segurança, vamos fazer nossa investigação sem a sua cooperação.
— Boa sorte pra vocês então. – Disse o acamado com um certo deboche.
— Boa noite a todos. – Disseram os dois saindo do quarto, e a pedido da mãe de Jungkook, Tae e Eunwoo saíram com os dois. Os policiais fizeram uma mesura para se despedir dos dois e encararam Taehyung.
— Sr. Kim, faremos de tudo para pegar os responsáveis por isso. – Tae apenas fez uma mesura de volta para os policiais e agradeceu.
— Então sugiro que façam isso antes de Jungkook voltar a andar, detetives. – Disse o mais novo ali, sério. Os dois policiais o encararam e o reconheceram. – Uma vez que eles se recuperem, vocês não terão mais chances.
Fale com o autor