Real King
15 Capítulo 15
O fim de ano estava chegando e com ele um estresse sem igual para Hoseok. Tinha que planejar toda a agenda de Namjoon e isso exigia demais dele, pois desde que tomou seu posto, cinco anos atrás, sempre aos natais o amigo fugia dos compromissos da família. O avô de Namjoon, por sua vez, lhe exigia uma cópia de toda a sua agenda do mês para que assim conseguisse controla-lo. E o resultado era sempre o mesmo: Hoseok fazendo duas agendas diferentes e levando esporro do velho Kim por enganá-lo. Já perdeu as contas de quantas vezes fora demitido do cargo e readmitido pelo amigo.
— Deixa eu adivinhar: fazendo a agenda do Namjoon hyung. – Jungkook sentara ao seu lado no sofá com um pote de sorvete no colo. Só aquele moleque maluco pra tomar sorvete naquele frio desgraçado.
— Eu tô de saco cheio. Cinco demissões do mesmo cargo em cinco anos. – Jungkook deu uma risada se divertindo da sua situação. – Só queria que o Sr. Kim parasse de ser esse tirano. Tá na cara que o RM não vai dar o braço a torcer, e ele só ta se queimando com o neto. – O mais novo concordou com a cabeça, a boca cheia de sorvete. – Cadê o Tae?
— Tá no banho, vou levar ele pra fazer compras de natal. – O Jung concordou com a cabeça.
— Ele sempre faz as compras em cima da hora. – E ao ver o mais novo concordar um pouco acanhado, Hoseok ficou curioso. – Qual o problema?
— Não sei o que dar a ele de natal. – O mais velho riu e largou seu inseparável tablet.
— Taehyung é um garoto que ama coisas caras, mas não se engane: Ele gosta de comprar as próprias coisas caras. – Jungkook concordou concentrado. – dê a ele algo que signifique muito, e que só quem o conhece de verdade pode dar. – O Jeon franziu o cenho.
— Eu o conheço bastante, mas estamos juntos há pouco tempo; não acho que temos toda essa intimidade. – Hope sorriu para ele e se ajeitou no sofá.
— No dia que Bogun foi preso, encontrei o Tae deitado aqui nesse mesmo sofá, o rosto inchado de tanto chorar. Quando ficou mais calmo ele me perguntou se um dia ele seria amado como merece. – Jungkook arregalou os olhos. Não imaginava que o namorado ficara tão triste daquele jeito. – Ele estava consciente que merecia sê-lo, mas não sabia se ou quando esse cara incrível apareceria na vida dele. Bom, você já estava na vida dele, Kook, então eu o tranquilizei e disse que tudo ficaria bem, era só ele se atentar aos sinais. – O mais novo deu uma risada da explicação genérica.
— Que sinais?
— Bom, eu disse a ele que ninguém mudava do dia pra noite, então se ele quisesse ser bem tratado, que se envolvesse com alguém que o tratasse bem desde o começo. – O mais novo teve que concordar com o argumento lógico.
— Então você está querendo dizer que eu o trato bem desde o começo? – Hoseok acenou em concordância.
— Você o trata bem desde antes do começo, não é?! – os dois riram da época em que o Jeon quase beirou o Stalker. – Então acho que não conseguiria dar um presente melhor àquele garoto esse ano. Só cuide dele, não o deixe ficar só nas festas, porque ele rompeu com a família, e seja bom pra ele. – um pouco emocionado, o outro só concordou. Sem saber o que dizer, Hoseok checou o celular para se deparar com uma mensagem de Namjoon:
~Namjooon
" Cancele a agenda oculta, libere a minha para o vovô."
Aquilo não estava cheirando bem.
~Hope
"Posso perguntar por quê?
Você sabe que seu avô vai fazer da sua vida um inferno".
Ficou aguardando a resposta que não chegara. Enquanto isso, ia apagando os itens de metade da agenda de dezembro lotada de informações falsas e abrindo seu e-mail. O que Namjoon estava aprontando? Pelo que havia contado, o avô estava planejando mostrar Ji Su como a parceira ideal para si, humilhando Jin no processo; não sabia como ele conseguiria se livrar daquilo dando de bandeja suas informações ao velho. Ficou mais confuso ainda com a resposta que chegou.
~Namjoon
"Exatamente."
Previa grandes tempestades chegando, ele mesmo estava muito cansado daquela maluca rondando o chefe onde quer que fosse; não sabia como Jin estava reagindo a tudo isso, porque a alta sociedade de Seul estava começando a falar.
Bom, se Namjoon havia decidido, quem era ele para contestar?
Abriu o e-mail e encaminhou ao secretário do Sr. Kim a agenda com a última quinzena de dezembro de Namjoon e encaminhou outro e-mail de mesmo conteúdo para Hwasa, bloqueando o aparelho e seguida. Sacou o celular e mandou mensagem para a secretária de Jin com suas preocupações e em seguida marcou um jantar para os dois para aquela mesma noite.
— E você hyung?! Tá tratando bem a Hwasa? – A feição não foi nem pelo susto, mas pelo fato do mais novo saber de seu romance com a secretária.
— Como...? – Jungkook rolou os olhos e deu de ombros.
— Vocês são muito óbvios. – Os dois riram sem graça. – Não respondeu minha pergunta, Hyung.
— Você acha mesmo que ela me deixaria viver se eu não a tratasse bem? – Jungkook enfim riu genuinamente e concordou com o mais velho.
— Estão falando do que? – Tae urge do quarto arrumado com óculos escuros e máscara.
— Sobre o Hobi Hyung e a Hwasa Noona. – disse o namorado levantando-se. Ao ver a cara de surpresa de Tae, ele ficou receoso. – Você não sabia?
— Eu nem sabia que ele tinha tempo pra namorar. Como você soube?
— Eu só percebi. Eles eram muito óbvios. – Taehyung franziu a testa.
— Não mesmo, você é o único que sabia. Baby, pare de pensar que todo mundo tem os mesmos instintos bizarros que você, sim?! – disse fazendo um carinho na cabeça do mais novo como se fosse um pet. Hoseok riu da cena. – Tchau Hoba, vou dormir no Kook hoje, ok?! – não esperou resposta e jogou um beijo no ar para o amigo enquanto expulsava o namorado do apartamento.
Já na rua, Taehyung estava parado no meio fio esperando o namorado voltar com o carro quando sente uma mão em seu ombro.
— Taehy?
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Jimin estava enrolado em uma manta quentinha no sofá de seu apartamento se distraindo com os anúncios que passavam na TV. Mais cedo, naquele mesmo canal, foi anunciada uma entrevista com o produtor Min Yoongi, o que prendeu a atenção do loiro a tarde inteira. Já dera a hora prometida e sua atenção estava inteiramente voltada para o aparelho, uma vez que era a única via de acesso à Yoongi, que o evitava desde que foram à sua gravadora. Jimin morreria antes de reconhecer, mas sentia muita fata daquele marrento...
— E a nossa principal atração da noite é ninguém menos que a jovem lenda do K-Pop, o produtor mais novo a se tornar membro da Comca* e o homem por trás do sucesso estrondoso do Rapper mais misterioso e badalado da Ásia, Min Yoongi!
Jimin sentiu seu peito cheio de orgulho e saudade da figura pálida e tímida entrando no palco e sentando-se no sofá ao lado do entrevistador. O rosto sério e sisudo era o mesmo, mas Jimin sentiu falta de vê-lo sem maquiagem.
— Obrigado por me receberem. – disse o Min com uma mesura educada.
— Nós que agradecemos, Sr. Min Yoongi. Dizem que o Sr. apesar de não ser performer tem um stage name. Está correto? – Yoongi deu um sorriso de boca fechada e acenou positivamente.
— Sim. Antes apenas meus amigos mais íntimos me chamavam assim, mas agora alguns artistas com quem tenho trabalhado se sentem mais à vontade com essa nomenclatura, então decidi manter. – E quando a entrevistadora ergueu as sobrancelhas ele percebeu que estavam esperando que ele revelasse o tal nome. — Ah sim, é SUGA.
— Então podemos chamá-lo assim também? – perguntou a repórter simpática.
— Claro, por que não?! – ambos riram e a plateia aplaudiu.
— Então, produtor Suga, você acabou de ser indicado à grandes categorias nas duas maiores premiações musicais na Ásia. – Aplausos foram ouvidos e a apresentadora esperou o silêncio para continuar. — O que podemos esperar em termos de produção para o ano que vem? Você vai continuar com os poucos artistas que tem ou vai voltar a trabalhar com Idols?
— Bom, tenho poucos artistas no momento, mas como você acabou de dizer, todos eles têm alguma expressividade. Tenho preferido trabalhar com cargas menores e focar na qualidade do meu trabalho. Não digo que não vou votar a trabalhar com Idols porque é a música quem escolhe o artista. – A apresentadora olhou confusa para ele.
— Como assim?
— Eu não crio uma música ou a produzo pensando em alguém. Quando a música está quase pronta eu vou à procura do artista que melhor se encaixe na proposta. Pode ser um rapper, um cantor de baladas ou um Idol. A graça da música é que ela não segrega, isso quem faz somos nós. – A apresentadora concordou e mudou a ficha em sua mão.
— Por falar em segregação, soubemos de rumores de que você tem trabalhado bastante com artistas de uma determinada comunidade... é verdade? – Jimin arregalou os olhos para a tela, aquela pergunta era capciosa, e poucas pessoas na indústria teriam coragem de respondê-la. Ele percebeu o semblante relaxado de Suga de repente ficar tenso.
— Se você se refere à comunidade LGBTQIA+ sim, eu tenho acolhido alguns artistas vítimas de ostracismo por conta de sua sexualidade. Eu sou um entusiasta da arte, e não dou a mínima para rótulos; a arte deveria ser uma linguagem universal, deveria transcender classificações de raças, credos, sexualidade, gênero e classe social. Infelizmente estamos inseridos em uma sociedade que liga muito para as aparências, e eu creio que esse seja um dos muitos motivos pelos quais nossa arte ainda é subestimada no ocidente.
O impacto daquela fala reverberou no silêncio absoluto feito no estúdio. Desconsertada, a apresentadora arrumou uma mexa do cabelo atrás da orelha e sorriu amarelo.
— Então não é um motivo pessoal? – Yoongi a encarou muito sério.
— Por que seria pessoal?
— Sabemos que o casal Kim é composto por um dos seus melhores amigos, o empresário Kim Namjoon. Algumas pessoas especulam que esse seja um dos motivos. – O Min sacudiu a cabeça descrente.
— Vocês inventam cada uma... tenho um motivo pessoal sim, mas não tem a ver com isso. Namjoon não precisa que ninguém lute suas batalhas.
— Você tem? Pode nos contar? – o produtor olhou para uma das mãos que descansava no seu colo e suspirou.
— Conheci uma pessoa que me contou sua história frustrada de trainee. Todos nós sabemos as lutas e os sacrifícios que um trainee passa pra chegar ao status de idol. Ele foi cortado poucas semanas antes do debut. – Um coro de "awn" foi ouvido da plateia. – No primeiro momento eu pensei que ele realmente não fosse bom o suficiente, porque pelo pouco que conhecia jamais pensaria que ele cantasse, mas aí pedi para que ele cantasse uma musica pra mim. – Ele fez uma pausa dramática e a apresentadora não resistiu.
— E o que aconteceu?
— A voz dele simplesmente partiu meu coração. Eu soube ali, naquele momento, que ele havia sido cortado porque tinha um aspecto delicado demais para um idol, não por falta de talento. Ele ficou tão mal que desistiu da indústria; e assim a Coréia perdeu o que seria, na minha opinião o Idol mais memorável da história desse país. – A apresentadora estava de olhos arregalados.
Jimin, por outro lado, estava em choque; Suga tinha acabado de dizer mesmo aquilo? Era sobre ele que o produtor falava, não era? Se perdeu em pensamentos sobre o quão mal interpretou o silêncio de Yoongi quando ele cantou para si, não imaginava o quanto o moreno tinha gostado.
—... e quais as notícias sobre Agust D? — Jimin rapidamente se concentrou na TV. – podemos esperar o que dele neste próximo ano?
— Bom, ele tem me dado um bocado de trabalho nesse fim de ano, então acho que vocês não vão precisar esperar muito. O que posso dizer é que ele vai lançar a sua mixtape no começo do ano que vem, mas vai deixar um presente para vocês no natal. – A plateia ficou em polvorosa e a apresentadora se animou.
— Ele vai soltar uma música nova pra gente?
— Não. Tudo referente à mixtpe será feito em um único lançamento, ele elaborou um projeto paralelo que iniciará no natal e encerrará no dia dos namorados. Ele está experimentando compor para outros artistas e pediu que eu produzisse. O que já está pronto está muito bom, acho que vocês vão se surpreender. – Os aplausos animados reverberaram no estúdio.
— Então teremos vários feats chegando?
— Não. Ele não vai gravar nada. São músicas dele pela voz de outras pessoas. O projeto se chama "A música fala por mim", e é uma espécie de manifesto. Ele é uma pessoa reclusa, tímida, mas tem algo a dizer. E como acha que não tem voz, vai emprestar algumas para falarem por ele. — A apresentadora abriu um sorriso enorme.
— Isso é muito tocante, Suga.
— Também achei. Gosto de trabalhar o Agust D porque eu sempre sou surpreendido com essas experiências artísticas. – Mais uma rodada de aplausos e ele resolveu mudar de assunto. – IU também me surpreende muito nesse quesito, e eu acredito muito que ela leva na categoria de artista solo esse ano. – Algumas pessoas no estúdio concordaram.
— Você produz majoritariamente artistas masculinos, porque resolveu produzir para a IU?
— Eu a descobri. A carreira dela toda tem sido acompanhada de perto por mim, é como se fosse a minha filha. – Algumas risadas ecoaram no palco. – E eu acredito muito no talento dela. IU é uma Ace, e o dia em que o público se permitir amá-la, ela nunca mais vai sair da mídia.
— Acredita tanto assim nela?
— IU é uma forte candidata a musa da Coreia. Daquelas artistas que daqui 10, 15 anos vai continuar no topo, sendo amada e aclamada por todos nós. – Algumas pessoas ficaram sem palavras, e algumas se arrepiaram, pois conheciam o faro de Yoongi naquela indústria.
— Que defesa apaixonada! – Suga notou um tom um pouco malicioso naquilo e resolveu cortar.
— Eu defendo o talento em quem quer que ele esteja. – disse dando de ombros.
— Ok. Vamos responder algumas perguntas da plateia enquanto ainda temos tempo.
E Jimin viu algumas perguntas muito bobas sendo respondidas por um afiado e aborrecido Yoongi, até que uma em específico lhe chamou a atenção.
— Yoongi Oppa, você e muito bonito, poderia ter sido idol. Você não é casado ainda? – muitas garotas soltaram gritinhos histéricos que certamente irritaram o moreno, mas ele manteve o rosto impassível.
— Vocês querem saber sobre meu estado civil? – algumas mulheres concordaram. – Bom... eu estou solteiro, ainda. – Um coro de mulheres histéricas gritou em resposta a sua declaração. Quando silenciaram, ele continuou. – Mas isso não quer dizer que eu esteja disponível. Por que eu não estou.
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— O que você está fazendo aqui, Bogun? – Taehyung estava aborrecido com o jeito invasivo que o ex chegara em si, querendo estar próximo demais e tocá-lo.
— Nada demais Taehy, só queria te ver. – ele tentou tirar uma mexa do cabelo do modelo que estava na frente de seu olho, mas Tae desviou de sua mão. – Qual o problema, gatinho? Você costumava gostar do meu toque. – Taehyung fez uma careta de desgosto
— Isso foi há cinco anos atrás, antes de eu ser trocado por uma garotinha e você ser preso por isso. – O ator arregalou os olhos espantado com o tom rude.
— Para com esse doce, Taehy, era fofo quando você era mais novo, agora que você está velho isso não é mais bonitinho. – Taehyung ergueu uma das sobrancelhas em total descrença.
— como eu consegui namorar um babaca como você? – e o sorriso de Bogun morreu na hora.
— Como EU namorei alguém como você? – o olhar de desdém de Bogum examinou o modelo da cabeça aos pés. – é modelo, mas sequer sabe se vestir. – disse apontando para as roupas grossas e largas que Tae vestira para sair. – Tem que se tocar que você não tem mais aquele rostinho bonitinho de cinco anos atrás, ficou arrogante que nem o Jin? Quer ser trocado por uma mulher como ele? – mesmo querendo chorar com aquele método que o ex tinha de sempre lhe botar pra baixo, lembrou-se do que seus amigos e Jungkook sempre lhe falavam e se muniu de coragem para se libertar:
— Caso não lembre, Bogun, eu já fui trocado por uma mulher, graças a você posso riscar esse item da lista. – A resposta acabou deixando a ator furioso, que o puxou violentamente pra perto dele pelo braço.
— Está ficando velho e insuportável. Ninguém mais vai te querer desse jeito, Taehyung. – O aperto estava mais forte, e o modelo sabia que ia ficar uma marca, mas não conseguia se livrar daquilo; alguma coisa o paralisava.
— Algum problema aqui? – Taehyung quase chorou de alívio ao ouvir a voz melodiosa do namorado. Bogun olhou o recém chegado dos pés à cabeça e decidiu que ele não valia a pena.
— Nada que seja da sua conta, cuide da sua vida. – Jungkook ergueu as sobrancelhas, incrédulo com a grosseria do outro.
— Pois é exatamente isso que eu estou fazendo. – respondeu o Jeon calmo. – Tudo bem aí, Tae? – encarou o namorado que estava a ponto de chorar de agonia e o viu olhar rapidamente para o braço que estava sendo apertado pelo seu ex. – eu acho bom você soltar o braço dele antes que eu queira fazer o mesmo no seu e por acidente acabe quebrando.
A risada de Bogun começou a irritar seriamente Jungkook, que trincou o maxilar.
— Vai arrumar o que fazer, moleque, não se mete. – disse dispensando o mais novo com um aceno de mão e ignorando um Taehyung que estava a todo custo tentando se salvar. Ao ouvir o gemido de dor do namorado, a paciência de Jungkook se esgotou.
Bogun não soube como, mas antes mesmo de perceber, uma mão tatuada estava em seu pescoço, cortando aos poucos seu fluxo de oxigênio.
— Eu sempre penso que as ameaças proporcionais funcionam, mas esqueço que estou lidando com gente da sua laia. Então vamos falar a sua língua, sim?! – os olhos de jabuticaba o encaravam com fúria. – Se você não largar o braço do eu namorado assim que eu terminar essa frase, eu vou quebrar o seu pescoço. – E imediatamente Tae sentiu o aperto em seu braço afrouxar. – Entra no carro, Taehyung. Vou bater um papo com o seu ex.
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Jin estava no limite da sua paciência. Já havia sido ignorado, rechaçado, expulso de casa, e até mesmo foi espancado pelo próprio pai no meio da rua, mas aquela humilhação era de longe uma das mais difíceis de engolir.
A festa em si era uma grande porcaria, mas desde que Ji Su chegara com o Sr. Kim a tiracolo tudo se transformou em um grande circo; as pessoas logo a associaram a Namjoon e então o marido havia sido tirado de sua presença para circular no salão juntos como o casal do ano. O velho Kim o tempo todo o encarava como se quisesse ver o que Jin faria, mas assim como havia prometido a si mesmo, ele apenas continuou a sua noite com se nada houvesse.
Em determinada hora, ele voltava do banheiro quando ouvira uma conversa aleatória dizendo que seu casamento com Namjoon não era de fato legal e que o avô já estava tratado do contrato de casamento com a herdeira Choi, e aquilo foi a gota d'água para si. Saiu de perto da roda para dar de cara com Yoongi solitário olhando o céu por uma das sacadas.
— Fugindo das fofocas? – perguntou o produtor assim que o outro encostou-se na mureta.
— Fugindo de qualquer pessoa além de mim com o sobrenome Kim. – Suga o encarou confuso. – Quero dar uma surra no seu amigo por ser um grandessíssimo de um pau mandado.
— Não vou mentir pra você, fiquei bem incomodado com eles dois desfilando como se fossem um casal – Jin deu de ombros e suspirou.
— como você acha que me sinto, então? – Suga riu e se recostou de costas para a borda da varanda.
— Admiro muito você, eu não conseguiria lidar com tudo isso com a graça que você lida. – Jin sorriu pequeno, agradecido. – Randa tem que aprender a valorizar o parceiro que tem. – disse melancólico.
— Você está bem, Yoongi? – o produtor deu de ombros e abaixou a cabeça.
— Só estou frustrado. Vai passar. – Jin não quis forçar a conversa, ele sabia que quando Suga tinha algo a dizer ele dizia, e se não tinha nada a dizer, ninguém conseguia arrancar nada dele.
— Se precisar de alguém pra te escutar... – Yongi levantou a cabeça para ele e sorriu, agradecido.
— Até que enfim te achei, Seokjin, onde você estava? – perguntou Namjoon chegando na sacada e dando de cara com o amigo. – Suga hyung, não sabia que viria. – O amigo deu de ombros mais uma vez, antes de abraçar o amigo.
— Precisava ocupar a minha cabeça, só isso. – E assim como Jim, RM não quis se aprofundar.
— Vamos embora, Nam? Essa festa já deu o que tinha que dar. – E vendo a cara de culpado do marido, Jin já sabia a sua resposta.
— Me desculpe, prometi pro vovô que conversaria com dois empresários japoneses que chegarão daqui a pouco.
— Claro, imagino que Ji Su vá intermediar a sua conversa?! – Namjoon fechou os olhos frustrado. Aos olhos de todos, eles eram uma rocha, o casal que todo casal quer ser. Mas na intimidade deles, estava tudo complicado demais. Jin estava cada vez menos tolerante com a forma com que Namjoon resolvera encarar seu problema com os irmãos Choi; deixando-os entrar e tentando fazê-los se sentir à vontade para saber o que pretendem. Quase todo dia Jin o alfinetava ou havia uma discussão sobre como ele cedia aos caprichos da loira e de seu avô. Sua vida se tornara um inferno, e se ele não se cuidasse, sua relação com Jin estaria com os dias contados.
— Seokjin, pare com isso... – e a cereja no topo foi a voz estridente que o interrompeu:
— Joonie Oppa! Eu estava te procurando, onde você estava? — A loira estava com um vestido super provocante e logo chegou se apertando no braço do Kim mais novo, encarando Jin de forma debochada. – Vamos, tem algumas pessoas que querem falar conosco.
Jin por pouco não solta uma gargalhada debochada, estava beirado mesmo o limite naquela noite.
— Seokjin, eu... – Jin, o cortou sem dó.
— Faça o que quiser, só a tire da minha frente. – disse o modelo saindo de forma discreta do balcão e pegando uma bebida no caminho.
Namjoon encarou o melhor amigo que queria matá-lo com o olhar, e seguiu caminho com Ji Su rumo aos japoneses que o avô queria que ele conhecesse.
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