Real King
12 Capítulo 12
Jin estava surpreso com o quanto se divertia. Ele acompanhava Jimin e IU em sua corrida frenética para apresentar o maior número de pessoas influentes possível à protegida de Suga. Às vezes paravam para fofocar alguma coisa no caminho ou ensinar uma ou outra coisa sobre como se comportar naquele ambiente à novata. Em uma dessas paradas, Jimin percebe o celular tocando e o atende.
— Hey, soulmate! – atende alegre enquanto os outros dois o olhavam. – Calma Tae. – Jin olhou preocupado a cara de confusão do mais baixo e aguardou. – Ele tá aqui comigo, melhor você falar isso diretamente a ele. – E ainda meio espantado, Jimin estende seu celular para o mais velho. Jin atendeu e aguardou.
— Jin Hyung, eu sei que eu vou parecer meio doido falando isso, mas você ta perto do Namjoon?
— Não, ele ta do outro lado do salão com o Suga. – Ouviu um gemido sofrido e uma voz que parecia a de Jungkook ao fundo.
— Certo... acho melhor você ir até o seu marido, hyung. — Ouviu mais uma vez a voz de fundo do Jeon e bufou impaciente.
— O que ta acontecendo, Taehyung? – agora a linha ficou muda e um farfalhar indicou que o aparelho estava sendo movido, até ouvir outra voz falar consigo.
— Jin hyung? É o Jungkook. – Jin sorriu com a polidez dele.
— Eu sei que é você. Pode me explicar essa sangria desatada? – ouviu o mais novo bufar e respirar fundo.
— Não vou entrar em detalhes porque isso não é assunto meu, mas o Namjoon Hyung se envolveu com um cara anos atrás e o relacionamento era bem tóxico. Ele demorou muito pra se recuperar disso. O cara era até meio inofensivo, mas ele tem uma irmã assustadora que quer a todo custo casar com o hyung pra ter acesso ao dinheiro dele e prostitui o irmão pra isso. – Ouviu ao fundo Tae brigar com ele. – O que? Precisava ser suscinto, Tae, sinto muito se foi direto demais.
— Não se preocupe com isso, kook. – disse Jin um pouco divertido com a discussão que rolava do outro lado da linha. – mas o que essa história tem a ver com eu deixar Namjoon sozinho com o Suga?
— Bom... os irmãos metralha tão aí na festa, Hyung, Suga hyung mandou um SOS pra mim agorinha. – Jin arregalou os olhos e começou a prescrutar o salão atrás do marido. – Jin, é bem sério, a coisa toda terminou de uma forma bem escrota, eu acho que o Namjoon Hyung fica bem triste quando vê o Min ho e a maluca da Ji Su. Acho que ele não vai saber como reagir ao reencontro. — E antes que Jungkook pudesse continuar, Jin estendeu o celular a Jimin e saiu a passos decididos em direção ao quarteto que acabara de identificar.
Suga estava preocupado com o rumo que aquela noite estava tomando. Namjoon estava calado com uma taça de vinho na mão ouvindo Ji Su tagarelar há minutos, olhando para o chão sem saber como encarar o homem a sua frente. Ele nunca soubera ao certo como aquele relacionamento terminou, e Namjoon nunca contara a ninguém sobre isso, como se algo o machucasse demais na história. E pelo visto o machucava muito, ele estava em estado de choque.
Ji Su, por outro lado, estava se sentindo em casa. Ela sempre foi a mulher que faz tudo de caso pensado para atrair atenção. A cada minuto que aquela conversa se estendia, ela se aproximava mais do Kim e quando eles menos esperavam, ela estava apoiada no tronco do empresário com os seios apertados contra o braço do moreno, mostrando uma intimidade que não tinham. Olhou ao redor de todo o salão esperando algum milagre acontecer ou pelo menos que Jungkook visse sua mensagem e chamasse a cavalaria, mas até agora nada.
Uma movimentação no outro lado do salão chamou a sua atenção. Jin caminhava sozinho em direção a eles, seu andar determinado, como se estivesse desfilando. Algo nele estava diferente, ele chamava atenção e virava a cabeça de todos quando passava, e sua expressão estava totalmente incomum do Jin que conhecia. Se fosse Jimin com aquela cara ele acharia normal, mas o doce e polido Jin não usava aquela expressão predatória. Ok, aquilo seria interessante.
— Boa noite a todos. – disse o modelo chegando na roda de conversa e de cara cumprimentando o ex de seu marido. – Sou Seokjin, e você é...? – o rapaz, um pouco retraído, baixou a cabeça e aceitou a mão em cumprimento.
— Choi Min Ho. – disse apenas. Jin abriu um sorriso de comercial de pasta de dente e olhou em direção onde o marido estava.
— E a Srta. é...?
— Choi Ji Su, sou irmã dele. – disse a loira com o nariz empinado. Jin, esbanjando simpatia, fez uma mesura para ela e continuou em seu tom super simpático.
— É um prazer conhece-la. A Srta. precisa que eu chame uma ambulância? – todo mundo ali encarou o Kim com cara de confusão.
— Por que eu precisaria de uma ambulância? – e como se ilustrasse o fim de sua atuação, o sorriso de Jin desapareceu.
— Porque o único motivo para uma senhorita estar apoiada e se esfregando no corpo de um homem casado é estar passando mal. – disse cortante. Suga quase cospe o vinho com a surpresa, Min Ho arregalou os olhos, nunca falaram com a sua irmã desse jeito. Namjoon olhava surpreso para o marido e Ji Su fechou seus olhos em fenda, analisando Jin.
— Quem você pensa que é pra falar desse jeito comigo? Você sabe quem eu sou? – Jin abriu um sorriso cruel que fez gelar a espinha de Yoongi.
— Caguei pra quem é você, Srta., mas já que estamos dando carteiradas aqui, vou me apresentar formalmente. Sou Kim Seokjin, único genro da família Kim e marido do homem em que a Srta. está enrolada como uma serpente. – O Min não conseguiu controlar a gargalhada, o que chamou a atenção de mais pessoas ao redor dali.
Jimin estava chegando a passos apressados com IU quando percebeu que Jin estava discutindo com alguém, e chegou a tempo de ver o show que a perua loira estava fazendo.
— Namjoon Oppa, você vai deixá-lo falar assim comigo? – Jin olhou para o Kim que não regira em momento algum, e agora olhava para o chão, com os ombros baixos. Seu coração apertou vendo aquilo, o que aqueles dois fizeram ao seu marido? Decidiu que não ia aturar aquele showzinho por mais tempo.
— Amor? – chamou a atenção do mais novo com uma voz calma. Seu coração partiu de novo ao ver a expressão surpresa ante o vocativo carinhoso. – Estamos indo embora. – Determinou, estendendo a mão para o maior pegar. Namjoon agarrou-se ao marido e se deixou ser arrastado para fora do salão.
Ao ver o casal saindo a ignorando completamente, Ji Su decidiu ir atrás, mas parou repentinamente ao ver um homem loiro fechando o seu caminho.
— Acho que não ofereceram carona pra você, meu bem. – A loira o olhou dos pés a cabeça com seu jeito esnobe e levantou uma sobrancelha.
— Quem é você? – Jimin riu e devolveu o olhar de cima a baixo, dez vezes mais debochado.
— Não é da sua maldita conta. – E riu quando a perua abriu a boca em choque. – Sabe o que mais não é da sua maldita conta? – e respondendo a própria pergunta, apontou o casal que saia pela porta principal do salão. – Abre o olho, Barbie Coreia, porque a gente ta de olho em vocês. – disse apontando para ela e para o gêmeo de cabeça baixa.
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Jimin estava no banco do carona do carro de Yoongi olhando as ruas desertas da periferia de Seul enquanto pensava na própria vida. O que fizera pra merecer aquele tratamento por parte daqueles homens no banheiro? Com quem ele transava não era da conta de ninguém, e apesar de ser sempre muito desapegado, Jimin não era do tipo que ia pra cama com qualquer um. O homem ao seu lado era um exemplo claro disso; nos últimos cinco anos, se deitou apenas com Yoongi e com seu ex namorado, que terminou com ele por ser um idol que estava ganhando fama no país e não podia ser pego. A verdade Jimin sabia, ele não queria assumi-lo. Afinal, quem assumiria Jimin?
Quando menos percebeu, IU estava se despedindo da dupla com um aceno e um sorriso animado no rosto. Yoongi seguiu calado por mais alguns minutos até quebrar o silêncio.
— Obrigado pelo que fez por ela hoje, Park. – Jimin olhou para o motorista e sorriu com os olhos.
— Não precisa agradecer, eu realmente gostei dela. – O Min deu um sorrio de boca fechada e continuou prestando atenção na rua. – Você deve ter uma influência muito grande com Agust D pra fazê-lo gravar com uma novata. – Um pouco incomodado com o tom impressionado do mais novo, Yoongi deu de ombros pra disfarçar.
— Ele também a achou talentosa, quis dar uma força.
— Ah... – como ele podia ser tão fofo nessas reações espontâneas, pensava o produtor, que sabia como estava a expressão do menor sem nem mesmo vê-la. – Não vou perguntar a você quem é ele, porque acredito muito na ética profissional, mas se um dia você puder revelar quem é, pode me contar? — Yoongi teve que rir com aquela curiosidade infantil dele,
— Conto sim. – respondeu simples. Achava estranho Jimin, de todas as pessoas, não reconhecer sua voz. Namjoon matou na primeira vez que ouviu na rádio. – Você gosta tanto dele assim? – e ao ver o assentir tão rápido e seguro, riu do gesto. – Não me leve a mal, mas nunca imaginei você gostando de rap.
— Não é o meu gênero favorito, é só... ele, sabe?! – Yoongi desviou rapidamente seu olhar da via para o rosto envergonhado de Jimin. – As letras dele literalmente salvaram a minha vida. – Sem perceber, o carro de Yoongi entrava na garagem da mansão e então Jimin se tocou que o mais velho o levara para a sua própria casa.
Eles entraram em um silêncio; constrangido por parte de Jimin e pensativo por parte de Yoongi.
O mais velho o indicou o caminho da cozinha e Jimin estranhou aquilo.
— Vou fazer um jantar pra nós, a comida daquele lugar era abominável e eu juro que vou ter pesadelos com aquele vinho por semanas. – Jimin gargalhou com a expressão traumatizada do mais velho e o seguiu para perto do fogão.
— Quer ajuda? – o Min negou com a cabeça e o olhou enquanto tirava o paletó e dobrava as mangas da camisa.
— Quero que abra o vinho que está na geladeira e sirva uma taça pra mim e outra pra você. Depois sente-se o banco ali da ilha e termine de me contar a sua história. – Um pouco incomodado, mas já acostumado com o jeito mandão do mais velho, Jimin fez exatamente o que ele disse. Ficou surpreso quando, ao entregar a taça ao cozinheiro, recebeu um selinho como agradecimento. Voltou à ilha e ao sentar-se soltou um longo suspiro.
— Tome seu tempo, a comida ainda vai demorar. – Era incrível o quanto Yoongi conseguia fazê-lo se sentir bem na própria pele.
— Eu sou graduado em artes cênicas. Antes da faculdade eu era um aluno top em uma escola de artes de prestígio de Busan. Meus professores me incentivaram a fazer testes em empresas de entretenimento, então me mudei pra Seul. Comecei a faculdade enquanto tentava as audições, alguns diziam que eu era velho demais, outros que eu era feio, muito baixo, que a minha voz não era boa o suficiente... e por aí vai. Passei muito tempo tentando. Minha família toda veio pra cá me apoiar, meus pais trabalhavam dobrado pra pagar minha mensalidade e pra bancar outros cursos complementares de canto e danças que eu fazia. – Yoongi permaneceu de costas pra ele atento. – Quando eu estava no segundo ano da faculdade, consegui passar em um teste. Assinei como trainee e fiquei lá por um ano. Uma semana antes de anunciarem a data do debut do grupo, eu fui cortado do set line final. – Yoongi fechou os olhos, sentido. Ele sabia o quanto isso era difícil pra um trainee, morrer na praia.
— Sinto muito por isso. – disse o moreno apenas. – Jimin deu de ombros mesmo sem o mais velho poder ver e bicou novamente seu vinho.
— Na época foi o fim do mundo pra mim, agora eu vejo como um livramento. – Ao ver o Min virar para encara-lo ele explicou. – Era aquele grupo que deu disband três anos depois de debutar por causa dos escândalos sexuais. – A cara de espanto de Yoongi foi impagável. – Mas na época nada disso tinha vindo à tona, então eu estava decepcionado. Um dos produtores chegou a me consolar, mas o resto da equipe parecia estar aliviada por eu ter sido cortado. Algum tempo depois eu entendi que era por eu parecer delicado demais, em um grupo muito masculinizado, não daria certo. Algumas semanas depois voltei a fazer testes, mas aí já não aguentava da mesma forma as rejeições. Eu já sabia o que era estar prestes a debutar, eu cheguei a gravar uma música com eles, mas a cada teste eu me sentia mais inadequado e as empresas passavam a me tratar com mais rispidez.
Um silêncio de formou na cozinha e Yoongi o respeitou.
— Eu resolvi, já no terceiro ano de curso que ia parar com aquilo, não daria certo e eu estava só me iludindo. Comecei a acreditar no que as pessoas falavam sobre mim. Então só foquei em terminar minha faculdade. Pouco tempo depois, fui diagnosticado com depressão e síndrome de impostor. – Suga virou-se sério para ele, mas Jimin não conseguiu encará-lo. – eu recusei tratamento achando que não era doença, era só quem eu era, e que merecia aquilo, quase levei minha família à loucura e à falência. Tranquei a faculdade e fui atrás de um emprego. Me tornei o rei dos empregos de meio período. Enquanto isso só piorava e cheguei ao ponto da automutilação. – Yoongi largou o que estava fazendo no fogão e se apoiou na bancada, fechando os olhos.
— Você... – Jimin o interrompeu.
— Nunca tive pensamentos suicidas, mas acho que estava muito perto disso. Foi quando eu o ouvi a primeira vez. Eu tinha cursado três anos de artes cênicas e aquela foi a primeira vez que eu entendi o sentido da arte como expressão humana; nunca me senti tão conectado a alguém como naquele momento. Era alguém que não me conhecia, que eu nunca vi na vida, mas pra mim, com aquela música, era como se uma única pessoa na face da terra me entendesse. – O mais velho concordou, acenando. – Então eu soube que precisava buscar ajuda. E comecei a me tratar e fui melhorando gradativamente. Quanto mais eu o ouvia, mais eu fui entendendo que decisões eu tinha que tomar e por que. Por coincidência, em uma das muitas entregas que fiz, fui descoberto em uma sessão de fotos. Comecei a aceitar outros trabalhos e fui vendo que tinha jeito pra coisa. A terapia me ajudou com a autoestima e comecei a investir nisso. Quando nos conhecemos tinha acabado de retomar a faculdade e me equilibrava financeiramente, mas estava satisfeito com o rumo que eu tomava.
— Você ainda faz terapia? — Jimin sorriu com o jeito cuidadoso de Suga, ele se virara de costas novamente com medo de deixá-lo desconfortável.
— Faço. Hoje só faço uma vez ao mês, aumento quando acho que preciso, mas minha terapeuta diz que tenho tudo sob controle.
— Quando você diz que foi difícil equilibrar as contas...?
— Eu só ficava com o dinheiro que desse pra pagar o aluguel e comer. O resto eu dava pros meus pais. Comprei uma casa pra eles em Busan, onde eram felizes e hoje eles moram lá com a minha irmã mais nova.
— Por isso que mesmo sendo um modelo famoso você divide apartamento? – Jimin sorriu com o raciocínio.
— Sim, minha irmã tem um tipo raro de câncer e o tratamento é uma fortuna, eu vivo quebrado. Jungkook descobriu e na mesma hora mandou eu cancelar meu contrato de aluguel e me mudar pra casa dele. – Yoongi sorriu de costas para Jimin e suspirou.
— Jungkook sendo a caixinha de surpresas que sempre foi. – Virou-se de frente e foi em um dos armários pegar a louça para servir. – Como sua irmã está? – Jimin ficou particularmente tocado com a pergunta. Yoongi era um gatinho fofo escondido sob a capa de homem bruto.
— Está bem, o tratamento está progredindo. – O prato fumegante apareceu na sua frente. – Pensei que ia preparar comida coreana.
— Outro dia preparo comida coreana pra você, esse vinho pedia uma boa massa italiana. – Jimin sorriu e concordou, pegando seu garfo e enrolando a massa.
O modelo saiu do banho vestido em uma calça de moletom que Yoongi lhe emprestara, o dono da calça estava sentado à cabeceira da cama, mexendo no celular. Aquela era uma noite de primeiras vezes para os dois, Yoongi o convidou para dormir ali, e apenas isso. Ainda olhando para a tela do celular, ele deu duas batidinhas o colchão ao seu lado, indicando para o mais novo deitar ali. Jimin deu uma risadinha e sentou-se na mesma posição que ele.
— O que está fazendo?
— Só checando os e-mails. – E imediatamente bloqueou a tela do aparelho e o colocou na mesinha ao lado.
Ficaram se encarando por um tempo, até Jimin quebrar o silêncio.
— Obrigado pelo jantar. E por não me deixar sozinho hoje, — Yoongi concordou com a cabeça, tímido. — E por me ouvir. – Dessa vez Jimin pôde ver o sorriso pequeno do mais velho.
— Se está tão agradecido, faça uma coisa pra mim. – Jimin o encarou, concentrado.
— O que?
— Cante alguma coisa pra mim. – O mais novo arregalou os olhos, chocado.
— Você está fora de si se acha que eu vou cantar na frente do produtor musical mais prestigiado do país. – Yoongi riu e empurrou o ombro do menor com o seu.
— Não cante pro produtor, cante pro Yoongi, seu parceiro de travesseiro. – A simplicidade do pedido o convenceu.
Yoongi observou fascinado quando o loiro fechou os olhos e respirou fundo. E ficou completamente encantado quando Jimin cantou as primeiras notas de uma balada bem conhecida. A voz era suave e delicada, e quando ele alcançou uma nota particularmente alta Yoongi ficou impressionado, e ele não se impressionava com frequência.
Quando terminou, Jimin abriu os olhos, tímido, e se enfiou debaixo das cobertas.
— Por que tá se escondendo? – o Min ria porque só conseguia enxergar aqueles olhos pequenos.
— To com vergonha! – e o modo manhoso entrou em ação, derretendo o mais velho.
— Não devia, sua voz é linda. – Suga ganhou a noite vendo aqueles olhinhos encantadores se abrirem como dois pratos em surpresa.
— Você só está falando isso pra me agradar. – E mesmo coberto pelo lençol Yoongi viu o bico se formando.
— Falo a sério, sua voz é tão linda quanto você. – E quando o Park rolou os olhos ele vincou a testa. – duvida por que?!
— Eu tenho plena noção de mim mesmo, Yoon; não sou bonito, sou exótico. – E a cara fechada de Yoongi quase o fez rir.
— Segundo quem? A beleza é subjetiva, Jimin, por isso a arte é subjetiva. – Jimin baixou o cobertor para baixo do pescoço.
— O padrão de beleza coreano existe por um motivo.
— O padrão de beleza, em geral, existe pra classificar pessoas e manter o status quo. Você sabe disso, estudou artes. O problema aqui é seu amor próprio, Jiminie. – Sabendo que acertara em cheio ele viu o menor ficar sério.
— Minha terapeuta diz isso, que eu não aceito o amor com facilidade, nem o meu. Eu não deixo ninguém chegar perto o suficiente pra me amar, inclusive eu mesmo. – Yoongi teve concordar com ela.
— É assim mesmo, anjo, nada na vida é tão simples, assim como a beleza. – Jimin deitou de lado o encarando.
— Você acredita mesmo que a beleza é subjetiva? – Yoongi encarou as duas orbes genuinamente curiosas e seu peito pesou por saber que aquela cabecinha tão talentosa era tão cheia de dúvidas. Deitou na cama, de lado também o encarando.
— Claro. Tanto acredito que, mesmo você não se achando bonito, eu acredito que você é a criatura mais linda que eu já vi. – Jimin corou tão graciosamente que o fez rir.
— Você deve falar isso pra todos os caras com quem dorme. – Disse Jimin em um bico e estranhou a risada anasalada que Yoongi deu.
— Então isso só corrobora com o meu argumento, anjo. Você foi e é o único homem com quem eu já dormi. – Jimin arregalou tanto os olhos que o Min pensou que eles iam saltar de seu rosto.
— Ta brincado, né?! – Yoongi negou com a cabeça. – Então quando a gente se conheceu na boate, e você me perguntou se tinha algum problema você ser hetero...?
— Foi uma pergunta honesta, eu não fazia ideia do que fazer em seguida.
— Não pareceu que você não sabia. – Yoongi riu lisonjeado.
— Vou tomar como um elogio. – Os dois sorriram e se encararam novamente em silêncio.
— Por que eu? – Yoongi deu de ombros e resolveu ser honesto.
— Eu já disse, sou um apreciador da beleza, e você dançando naquela boate... – Jimin franziu a sobrancelhas divertido. – Confesso que as vezes bato uma lembrando daquilo. – E a gargalhada de Jimin foi como um bálsamo para aquela noite tão estressante.
— As vezes você é um poeta, Yoon. — E naquele clima de camaradagem e alfinetando-se mutuamente, eles dormiram.
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