Notas iniciais
Hello, como vamos? Tô aqui entregando essa fic que já posto em outro site, só pra deixar claro é a minha primeira vez escrevendo sobre BTS, espero não irritar ninguém. Enjoy

Namjoon sentia-se exausto.

Era novo demais pra sentir tamanho cansaço da vida.

Mas nos altos dos seus vinte e poucos anos não tinha a menor condição de aparentar ter a alegria dos seus pares de idade próxima.

O porquê disso?

Simples, ele era o herdeiro de um dos maiores e mais proeminentes conglomerados da Ásia, e a pressão sobre si era diretamente proporcional à fortuna de sua família.

Ele atendia a 99% dos requisitos necessários para sua posição, e sendo o único filho e neto da muy nobre família Kim, era a única opção que os restava. A pressão em cima de si era por causa do 1% que não agradava.

Namjoon é assumidamente homossexual, e isso nunca foi um problema ou causa de alguma confusão. Sabia de seus sentimentos e desejos desde a puberdade, e fez sua família saber disso desde então. Sendo o gênio de QI absurdo que era, entendia desde criança que apesar de todas as cobranças em torno de si, ele tinha o privilégio de ser a ÚNICA opção de sua família, e soube como negociar o futuro do clã Kim. Ele faria o que a família exigisse dele: formou-se cedo no ensino médio para começar cedo a faculdade, largou todos os amigos que tinha na Coréia para estudar no exterior e tornar-se o melhor administrador que poderia, e com seus completos 23 anos estava decidido a voltar para sua terra natal e enfim assumir seu lugar na empresa, uma vez que seu avô estava velho demais e queria focar em cuidar de sua saúde; em troca, ninguém se metia em sua vida íntima.

Pelo menos era o que ele achava.

Sua tão querida paz foi perturbada no exato momento em que desceu do jatinho em terras coreanas e deu de cara com um rosto muito conhecido. Hoseok, um dos seus melhores amigos de infância, e pelo que acabara de saber, seu secretário, lhe informara ainda no aeroporto que ele tinha uma agenda de encontros às cegas com candidatas pré-selecionadas por sua família.

— Eu não acredito nisso. – disse entrando no carro ao lado do Jung.

— Com todo o respeito senhor, mas acho que não deveria estar tão surpreso assim. Toda família rica casa seus filhos por conveniência. – O Kim o encarou sério. – Eu mesmo só escapei disso porque a minha família faliu. – E então Namjoon entendeu como seu querido amigo havia parado ali. Hobi, como o chamava, era um dos administradores mais capazes que ele conhecia, secretário geral de um CEO era uma posição muito aquém de suas capacidades e da educação privilegiada que teve. Mas esse não era o foco. Depois chamaria o amigo para beber e conversarem sobre isso.

— Primeiro: enquanto estivermos a sós, você me trata pelo meu nome, tratamento informal, ou eu mando você embora. – Hoseok assentiu em concordância. – Segundo; o que me choca não é a enxurrada de encontros às cegas, e sim que todos eles são com mulheres. – disse batendo a unha do indicador na tela do tablet do secretário. Hoseok olhou novamente a lista que o avô de Namjoon lhe mandara e percebeu enfim o erro.

— Sua família não o aceita...? – o Kim resolveu esclarecer de uma vez por todas.

— Minha família me tolera. Sou inteligente demais, bom demais no que faço e o único com o sangue deles. Sou um mal necessário. Minha única exigência era respeitarem a minha sexualidade. – O Jung concordou com a cabeça, encarando mais uma vez a lista. – Mas pelo visto eles querem mesmo me testar. – Já pensando em como tiraria seu nome do registro da família ouviu o mais baixo pigarrear. – Desde quando você faz esses sons discretos? Seja quem sempre foi e seja franco comigo, J. – Hobi esboçou um sorriso com o seu apelido de adolescência, quando eles sonhavam em se rebelar e tornarem-se rappers. Ambos tinham talento, mas eram ricos demais para a família suportar esse caminho. O Kim foi conhecido no mudo underground de Seul como RM e ele era J-Hope, mas isso foi há tempo demais... pareciam décadas.

— Bom, acho que sua família quer você casado. Essa é a única exigência. – ainda não entendendo o raciocínio do amigo, Namjoon o incentivou a continuar. – Se não quer se casar com uma mulher, encontre um homem para casar. – O Kim olhou o amigo como se o visse pela primeira vez.

— Você não se importa?! – Tirando seu circulo mais íntimo de amigos que são LGBTQIA+, ele não se sentia tão confortável de falar sobre isso, a não ser que o perguntassem. Com Hoseok era tudo nas entrelinhas, ele nunca disse claramente e o Jung não sentia necessidade de perguntar.

— Com todo o respeito, Namjoon, não sendo a minha, pouco me importa a boca que você beija. – Agora o Kim via seu amigo. As piadinhas infames e o jeito despojado e desinteressado com a vida. – Mas voltado a falar sério, se você for proativo, eles não terão poder nenhum sobre você. – O Herdeiro do grupo Kim passou o resto do trajeto pesando nisso.

Quase chegando na mansão da família, o Kim virou-se para o amigo e resolveu ser prático.

— Como exatamente eu faço isso, Hope?! – Namjoon era muito inteligente, e era super seguro disso, mas ninguém superava a rapidez de raciocínio do homem ao seu lado.

— Pensei nisso enquanto estávamos em silêncio. Se sua família tocar no assunto casamento, você diz que voltou da Europa apaixonado. – Namjoon levantou as sobrancelhas em surpresa.

— E se me perguntarem quem é? Hobi, você sabe muito bem que só há uma coisa que supera a homofobia das grandes famílias chaebol, e é a xenofobia. – Hoseok gargalhou alto dentro do carro e vendo que atravessavam o portão, resolveu que não tinha tempo de explicar tudo.

— Eu sei perfeitamente. Só diga isso e faça mistério, posso cuidar do resto depois. Só preciso de tempo pra fazer pesquisa. – Confiava no Jung com a própria vida, sempre foi assim, sabia que ele ia resolver tudo.

— Ok, vou confiar em você. – Sorriu pequeno e se preparou para descer do carro. – Mas se eu tiver que me encontrar com uma mulher sequer eu te mato. – J-Hope deu uma risada trocista para o amigo e desceu do carro para abrir a porta oposta. – Aliás, esse motorista é de confiança?

— E você só se preocupa com isso agora? – mais uma vez ouviu a gargalhada do amigo. – Relaxa, recrutei Kai pessoalmente. Ele é meio debochado, mas é de inteira confiança, é um dos seus. – Namjoon olhou pelo retrovisor o olhar sério e perfurante do motorista – Além de ser um dos melhores seguranças da Coreia, tive que pagar o resgate de um rei pra roubar ele do grupo Jeong. – O mais alto saiu do carro rindo.

— Jungkook não deve ter gostado nada disso. – O secretário fez um aceno de descaso com as mãos.

— Ele era subutilizado. Jeon Jungkook sabe se cuidar perfeitamente sozinho. – RM riu lembrando da ultima ligação do amigo animado por ter nocauteado três caras que tentaram lhe sequestrar. O Dongsaeng era um cruzamento de um T800 com o coelhinho da páscoa.

— Entendi. Conto com você então, Kai. – O motorista fez uma reverência com a cabeça e começou o processo para abrir a mala e tirar a bagagem do chefe.

Ao entrarem na mansão, o Kim não encontrou sequer uma viva alma pra lhe dar as boas-vindas, e levando em consideração de que era da sua família de que falava, acha super normal. Subiu as escadas rumo ao seu quarto e pensou seriamente se estava começando do jeito certo.

— Hope, comece a procurar um apartamento pra mim, não acho uma boa ideia morar aqui. – O secretario apenas fez uma reverência entrando consigo no quarto.

— Considere feito, mando as opções hoje mesmo no e-mail pra você. – o mais novo concordou e sentou na cama de sua infância.

— Não suporto essa casa. – O amigo riu e sentou-se na cadeira de escritório próxima.

— É por pouco tempo. Você precisa reaprender o ritmo de Seul para ditá-lo. – e com essa frase, Namjoon entendeu o que o amigo queria.

— Você quer que eu mande nessa cidade?

— Senão você, quem mais?! O Kook? Ingênuo demais. Suga? Cá entre nós, ele tá pouco se fodendo pra qualquer coisa. E nós dois sabemos que essa cidade precisa de uma sacudida, chegar no século XX.

— Não seria o XXI, Hobi?! – e sarcástico como só seu Hyung poderia ser, Hoseok soltou uma gargalhada gotejando veneno.

— Eu não ousaria tanto, Nam. – Disse digitando no tablet. – Encontro você amanhã na garagem às 7h. É melhor andar com o Kai por enquanto, estamos estudando a sua segurança, — o Kim apenas acenou concordando, estava cansado demais pra isso. – Amanhã vamos resolver a questão do apartamento e do casamento. – A ver a cara desconfiada do chefe, ele riu. – Asseguro que amanhã terei um plano traçado pra você. – Rm apenas concordou e começou a tirar a roupa. — E essa é a minha deixa. Boa noite, Joonie, seja bem vindo e volta. – O mais novo apenas deu um sorriso sincero e continuou a sua tarefa enquanto o Jung saía de seu quarto.

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Hoseok chegara exausto em casa. Passara o dia esperando seu mais antigo amigo e agora chefe chegar e quando este aterrissara, o enchera de problemas pra resolver. Apesar de estar em uma situação financeira muito inferior que o Kim, não queria estar na pele dele. Sempre desconfiou que RM era gay, mas o assunto era tão não da sua conta que ele nunca chegou a confirmar isso. Agora tinha um desafio enorme nas mãos, e a dor de cabeça aumentou ao lembrar da mensagem que recebeu assim que chegou em casa:

~RM

Meu avô acabou de passar no meu quarto.

Não abri a boca, mas precisamos resolver isso o quanto antes.

~HOPE

Certo, mas você não cogitaria casar-se com uma mulher?

Já estamos pensando em casamento arranjado mesmo.

~RM

Fora de questão.

Você não queria que Seul se atualizasse?

Nada mais século XXI que um casamento Gay.

Se vira Hobi, vou almoçar com o velho amanhã.

~HOPE

Ok, vou pensar em algo até lá.

Sentou-se no sofá completamente estourado, pra dar de cara com o melhor amigo e colega de apartamento o encarando.

— O que foi, Tae? Brigou com seu namorado de novo? – e ao ver os olhos sérios do amigo marejarem, levantou-se num pulo, assustado.

— Nós terminamos, Hyung, ele disse que eu não sou bom o bastante – Hope revirou os olhos. Park Bo Gun era a definição de "não é boa bisca", mas quem disse que seu amigo o ouvia? Só conseguia abraçar e consolar Tae quando o projeto de ator o machucava daquela forma. Era sempre assim: ele magoava o amigo e quando o Kim caçula estava quase o superando ele ressurgia na sua vida pedindo desculpas e dizendo que ia mudar. Quando o amigo ia enxergar que era areia demais para aquele atorzinho de araque?? Taehyung era um dos modelos mais proeminentes da Coreia. Recentemente foi eleito como o rosto mais bonito do MUNDO, então por que diabos ele tinha que ter a autoestima tão baixa?

— Vem cá, Taetae – abriu os braços pro Dongsaeng que o agarrou já em prantos. Resolveu que falar não adiantava nada, então resolveu só ficar lá, por ele.

— Por que a gente é tão azarado?

— A gente? – Hoseok olhou o amigo curioso.

— O Jin Hyung também tá passando por uma situação muito difícil. Ele não sabe o que fazer, Hobi. – Intrigado pela história, ele incentivou o mais novo a continuar. – Lembra que ele namorava o agente dele? – o mais velho concordou. – Pois é, aparentemente o cara é hetero, casado, e tá chantageando o Jin hyung. – J-Hope arregalou os olhos surpreso. – disse que se ele não lhe der participação de 80% nos seus ganhos vai entregar um dossiê dele pra Dispatch. Ele tem fotos e vídeos íntimos dos dois, Hobi, é um desastre completo, vai enterrar a carreira do Jin. – Hoseok tentava digerir aquela informação. Kim Seokjin era o modelo mais popular do país. Era o queridinho de todas as grandes marcas europeias, e apesar de atuar de vez em quando, era mais conhecido pela modelagem. Seu rosto era o principal cartão postal da Coréia, e um escândalo desses iria enterrá-lo. Não apenas sua sexualidade, mas as fotos e vídeos íntimos... eles eram um país tradicional demais para isso.

— Sinto muito pelo Jin, Tae... sei que ele é como seu irmão. – O moreno acenou com a cabeça.

— Ele e você são meus irmãos mais velhos, quem me acolheram quando a minha família me expulsou e me deixou na rua da amargura. – Hope apenas concordou com a cabeça. – Nessas horas não queria que a sua família tivesse falido Hyung, aí você poderia dar uma de chaebol pra cima daquele imbecil e proteger o Jin hyung. – O mais velho riu e quase se engasgou quando a ideia surgiu de repente na sua cabeça.

— Tae, o Jin por acaso viajou muito pra Europa nos últimos anos? – o Kim o olhou confuso através das lágrimas.

— Claro, ele é Embaixador da Louis Vuitton, Hobi, sempre vai pra Paris e Londres a trabalho. Por que a pergunta? – Hoseok abriu um sorriso que deu medo no amigo e levantou-se rapidamente do sofá.

— Não posso te falar nada agora, mas se você quer ajudar seu amigo, me passe o número dele.

Notas finais
O que acharam? estou curiosa pra saber! vou atualizar todo dia, até parear com o outro site, então postarei simultaneamente, ok?!