Notas iniciais
You and Me - Lifehouse
;*

Minhas mãos tremiam segurando aquela fotografia, um sorriso inconsciente em meus lábios fazendo-me perder a aposta feita para mim mesma. É, definitivamente não consigo focar uma imagem sua sem sorrir ou demonstrar algum tipo de sentimento mais... intenso, digamos.

Lagrimas de medo brotaram em meus olhos, escorrendo silenciosamente pela bochecha.

Lembro quando nos conhecemos e, Deus, como a odiei.

Tão arrogante e perigosamente confiante em si mesma. Uma skatista nojenta que mandava na escola as manhas e trabalhava numa loja de instrumentos musicais todas as tardes.

Não sei como nos aproximamos, mas acho que tudo começou quando briguei com meus pais sobre uma coisa tão fútil que nem me lembro e, com a rebeldia crescendo em meu peito, me meti numa briga feia com uns garotos pervertidos que me cercaram em um beco. Não tenho idéia de onde ela surgiu, mas só me lembro do quão bom foi a sensação de sua voz indignada batendo em mim depois de verificar os meninos jogados inconscientes no chão sujo: “O que pensa que faz aqui?” perguntou, aquela voz nojenta de sempre. Não ligava para quem era só precisava desabar e fiz, mas o que não esperava era que ela me apartasse. Foi naquela noite que percebi não ter amigos de verdade pois nada assim tinha acontecido comigo, nunca. Sentamos daquele beco lado a lado e, não me importando sobre esconder o choro, desabafei e ao final de tudo seu abraço fez com que percebesse o quanto queria fazer o contado, completando com uma voz doce: “Tudo bem, brigas acontecem nas melhores famílias. Vem, vou te levar para casa.”. Era o ultimo lugar que queria estar, mas de repente me pareceu uma boa idéia só pelo fato dela ter sugerido.

Suspirei cansada ao passar para a foto de trás, ampliando ainda mais o sorriso bobo com a imagem de seus lábios roçando em minha bochecha corada.

Tentei conversar com pessoas próximas ao descobrir meus verdadeiros sentimentos por ela. Sim, ela; uma mulher. E esse era o motivo de minha insegurança, mas chegou a um ponto tão explosivo que gritei para o mundo.

Foi com um peso no coração que vi a face de meu pai desfalecer a minha frente: nojo.

Nunca chorei tanto em uma noite e, a partir da mesma, nada mais foi igual. Meus pais me evitavam, minhas “amigas” me abandonaram e só tinha uma pessoa: ela. Embora tivéssemos que esconder de todos nós continuávamos a nos amar em silencio, mesmo depois de meus pais terem proibido sua presença em nossa casa e em qualquer lugar que fosse. Mas aquela escada de incêndio em minha janela ajudou muito e agora esperava impaciente para que ela fosse aberta.

Escutei uma batida conhecida na madeira que revestia o vidro liso ao lado de fora e corri sem hesitar para abrir a janela.

A garota de cabelos preto pendurada na escada de incêndio jogou-se para dentro de meu quarto, fazendo meus braços irem direto ao encontro de sua cintura num abraço apertado.

- O que aconteceu, minha linda? – perguntou Demi.

- Não vou conseguir Dem, não sou capaz de deixar tudo. – desabafei.

- É claro que vai, foi você que deu a idéia. – senti um beijo terno ser depositado em minha bochecha. – Vamos fazer juntas.

- Não sei... – fraquejei.

- Não estou te obrigando a nada. – acariciou minha bochecha quando me afastei minimamente de seu corpo, ainda prendendo-a com os braços. – Podemos continuar viver essa realidade, só precisamos ser mais cuidadosas e...

- Não. – cortei meu choro percebendo o que acabara de dizer. – Não posso viver sem você.

- Nem eu sem você. – sorriu fraco. – Mas se sente tanta insegurança...

Acariciei seus lábios com os meus, roubando um beijo leve e descobrindo uma ótima forma de interrompê-la.

Puxei-a para a cama, me aninhando em seus braços expostos quando tirou a jaqueta.

Sentir seus dedos fazendo o carinho habitual em minha cintura fez-me esquecer completamente a idéia anterior. Nada iria impedir nosso plano que levou meses para ficar pronto só por pensar demais na possível preocupação de meus pais nada cientes de nossos encontros.

- Me prometa que nunca vai me deixar? – pedi, encostando-me mais contra o corpo da outra.

- Que pedido estúpido. – brincou sussurrante em minha orelha. – Claro que prometo.

- E que dará tudo certo? – continuei.

- Selly... esta sentindo isso? – apertou firmemente minha cintura mostrando o contato. – Não importa a situação: boa ou ruim, feliz ou triste, preocupante ou memorável é isso que ira sentir. Não posso prometer banir a desgraça da sua ou até mesmo da minha vida, mas se uma coisa eu garanto é que estarei sempre pronta esperando o momento para te abraçar tão forte e firme, que todo o mal ajoelhará aos seus pés a pedir perdão. Se ira dar sento não sei, mas me culparia a vida inteira se não tentasse.

Não pude evitar que meus olhos de lagrimejarem novamente, mas não deixei a água escorrer ao fechar os olhos num longo beijo apaixonado.

Meu coração disparou ao sentir a retribuição imediata. Ela se movimentava contra mim, cada um num ritmo que fazia a musica.

Notas finais
Postarei o ultimo em breve, obrigada ;*
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