Read My Lips

2 Whatever Takes


Notas iniciais
Whatever Takes - Lifehouse
;*

Fechei a ultima mala com cuidado, chegando o relógio que marcava o começo das dez horas da noite.

- É a ultima. – avisei para a garota que pulou novamente a janela, a respiração ofegante de todas as subidas e descidas.

A mala foi pega de minha mão com uma simples assentida de sua parte quando pulou novamente a janela aberta para a noite.

Suspirei ainda amedrontada ao observar o quarto, completando o momento com um sorriso de saudade.

Fui até a escrivaninha, lacrando o envelope com um adesivo delicado e o depositando na cama perfeitamente arrumada.

Nunca tive essa imensa sensação te estar fazendo a coisa certa, mas algo me prendia aquela casa e me dizia para ficar por meus pais.

Mas seria a felicidade deles, ou a minha?

- Pronta? – perguntou a voz delicada.

- Completamente. – sorri aceitando sua ajuda ao pular a janela com cuidado, fechando o vidro sem omitir ruído algum.

Fui auxiliada por todo o pequeno percurso pela garota experiente a minhas costas, já que fazia isso quase todos os dias.

Sentei no banco do passageiro passando o cinto quando observei Demi fazer o mesmo.

- Para onde vamos? – perguntei.

- Para um lugar onde não há ninguém nos falando o que fazer. – sorriu. – Tenho tudo sob controle.

Mordi sua bochecha divertida.

- Se contenha, mulher canibal. – riu ligando o carro. – Pode dormir, a viagem é longa.

Conto de fadas não existem. Nem sempre a donzela cairá num sono profundo e mágico com a condição do beijo de amor verdadeiro, nem sempre o destino atua tão positivamente a seu favor a ponto de seu sapato ser único numa cidade, nem sempre uma velhinha de má aparência carrega uma maça envenenada, nem sempre o amor é mais forte que a força real de duas realidades diferentes e, o mais importante, nem sempre é um príncipe a salvar a moçinha.

O amor pode mudar tudo, essa frase não é verdade.

O amor pode mudar um pensamento, apenas fazer você perceber estar errada. O que realmente muda tudo, muda a realidade, é sua disposição para fazer a felicidade que vimos em filmes e livros tornar-se real.

E foi isso que fiz.

Admiti um sentimento forte pela pessoa certa, socialmente do sexo errado. Eu a amo, mas só meu amor não é o bastante para conquistarmos nosso “felizes para sempre” então agi fisicamente, ultrapassando o planejamento e fantasias mentais.

Nenhuma das famílias de ambos os lados aceitou nossa relação, então fugimos para um lugar onde não precisaríamos dar satisfações com nossa maior idade. Agora éramos apenas eu e ela.

- Selly. – chamou fazendo-me abrir os olhos com lentidão ao encarar a claridade. – Chegamos.

- Hm... – gemi ao perceber estar desconfortável no banco. – Já saímos de New York?

- Sim, bem vinda a New Jersey. – sorriu cansada pela noite em claro.

- Finalmente nós... – comecei mais logo pulei em seu colo num abraço animado pela lembrança. – Hoje é seu aniversário!

- Legalmente independente. – suspirou divertida entre meus beijos contínuos. – Dezoito aninhos.

- Parabéns, meu amor. – beijei seu sorriso de agradecimento.

- Agora seremos só eu, você e nosso apartamentinho. – alegou. – Sorte que abri essa poupança de emergência.

- Não acredito que fugi com você para outra cidade deixando um bilhetinho de cinco linhas de explicação. – sorri apoiando minha testa na sua.

- Não importa se eles não nos querem, só que eu te quero. – explicou. – E farei qualquer coisa por isso. Vai por mim, essa é só o começo de nossas aventuras.

- Leia meus lábios. – pedi brincalhona ao pronunciar as palavras sem som.

- Acho ser: eu te amo. – fingiu pensar.

- Te amo tanto. – repeti, agora totalmente audível.

- Eu também te amo, minha linda. – uma lagrima alegre cortou o rosto pálido terminando no sorriso sincero, sim, eu caso com essa garota.

(...)

Um piano soava baixo vindo das pequenas caixas do radio compassado por uma bateria leve como som de fundo no ambiente de fim de tarde, onde os raios alaranjados do por do sol irradiavam as cortinas brancas.

Fechei os olhos sentindo o prazer de suas unhas roçando levemente em minha perna nua, a única parte exposta pelo lençol fino sendo nós duas embrulhadas juntas nele sob a cama.

Apoiei as costas viradas de lado na outra, que limpou meus cabelos em cachos ondulados de meu pescoço, depositando beijos doces desde seu pé até a linha da mandíbula.

Os celulares juntos no criado mudo piscavam sem parar, os nomes de nossos parentes gritando no silencioso pelo cansaço das lições repetitivas. Nada mais importava e sabíamos que depois de um tempo tudo seria esquecido; nós seriamos esquecidos em suas mentes atingindo nosso objetivo.

Sorri quando senti uma mordida leve e brincalhona em minha clavícula.

Observei o quarto simples. Era tudo o que desejava.

Um apartamento barato, uma cidade nova, uma realidade sem a diferença de certo e errado ditada por pais desgostosos em ver a filha feliz e ela comigo.

- Promete não ser apenas um sonho? – perguntei sussurrante.

- Você e suas condições de promessas inseguras. – seus lábios deixaram minha pele, apoiando o queixo em meu ombro com um suspiro. – Não é um sonho e, se for, não vou deixar você acordar. Prometo.

Suspirei aliviada.

Sabia que uma palavra não valia muito, afinal, alguém pode nos descobrir aqui em questão de minutos e separar-nos novamente. Mas era diferente quando ela falava, como se fosse impossível. Ela não controlava apenas meu coração, mas sim também meu pensamento, plantando a idéia de autoridade. Tudo e todos obedeciam suas ordens em minha cabeça. Não era não e sim era sim, no meu mundo. E agora vivia nele, meu mundo era meu lar. E se minha dona alegou ser permanente será, por isso toda a euforia de promessas e mais promessas. Ela controlava meu pensar sobre tudo e precisava de sua palavra que não deixaria nenhum mal tocar-me, sempre me protegendo.

- Acha que devemos atendê-los? – perguntou Demi tirando-me bruscamente da linha de pensamento.

- Não. – respondi. – Não devemos satisfações, somos maiores de idade.

- Eles podem estar preocupados.

- Não, não estão. – assegurei. – Deixamos uma explicação em bilhete e eles sabem que não atenderemos.

- Pois é, mas são persistentes. – as luzes brilharam pela enésima vez.

Sua mão encaixou sob meu fêmur confortavelmente enquanto os dentes começaram a mordiscas a cartilagem de minha orelha.

- Admita o fato de não conseguir manter a boca longe de mim nem por dois minutos. – sorri com as cócegas da risada pelo nariz.

- Sabe por quê? – perguntou-me.

- Por quê? – entrei no jogo, virando-me frente a frente para a garota de cabelos negros a meu lado na cama.

- Leia meus lábios. – repetiu as três palavras tão devagar que a sensação de serem sussurradas somente para mim encheu meu peito. – Eu te amo.

Beijei-a apaixonadamente, batendo suas costas na cama e sentando em seu abdômen.

Sabia não precisar responder, ela não era aquelas pessoas que fazem questão de ouvir; era possível sentir em cada movimento meu um sentimento tão forte quanto sentia nos seus.

Agarrei os cabelos lisos e sedosos bagunçando-os até os encontrar exatamente da maneira sexy que gostava, começando a primeira de muitas noites de amor em nossa nova casa, em nosso novo mundo. Mas secretamente em meu mundo, onde as coisas, embora saíssem de minha boca expressavam exatamente a idéia de Demi; a perfeita política.

The End

Notas finais
Gostaria de fazer uma continuação, mas infelizmente não tenho história, desculpem. Minha ideia inicial foi o fato delas fugirem justas; obrigada por tudo ;*
Review ?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!