Re/Desconfigurado
14 Rosa Negra
Notas iniciais
"E numa estação / Como a primavera / Sentimentos são / Como uma canção / Para a Bela e a Fera"
(Sentimentos São, canção de A Bela e a Fera)
No dia seguinte, Sakura foi a primeira a acordar, o que nos proporcionou uma situação constrangedora.
Como eu supunha, ela não se lembrou de nada da noite anterior. Eu, por outro lado, mesmo que também tenha sentido os efeitos do álcool com as minhas lembranças, eu conseguia me lembrar da maior parte.
Digamos que... eu me lembrava das principais partes...
Mesmo com amnesia temporária e com a cabeça latejando, Sakura conseguiu supor o que havia ocorrido.
Estávamos seminus e abraçados, dormindo em um prostíbulo de Boca, tendo como despertador, não os sons dos pássaros cantando como nos contos de fadas, mas sim, os gemidos e batidas do encosto da cama na parede, no quarto ao nosso lado.
Sakura ficou vermelha assim que eu acordei, já que ainda não havia conseguido fugir do meu abraço.
Eu a soltei e disse "Nós não transamos!". Ela ficou aliviada e eu não pude deixar de ficar magoado por saber que ela não queria transar comigo.
Contamos para Karin sobre o que escutamos sobre o Hozuki e decidimos que por hora não poderíamos fazer nada.
Fomos embora de Boca escondidos, já que estavam procurando o culpado pela morte de Deidara.
Sempre que olhava para Sakura, eu me lembrava da nossa noite anterior, quando ela iniciou nossos beijos e estava favorável que tivéssemos algo mais íntimo, mas como eu supus, não era algo que ela queria verdadeiramente, foi apenas efeito do álcool e das drogas.
Fui embora mais cedo com a desculpa de que eu tinha que me desintoxicar, mas na verdade, eu só queria ficar sozinho e pensar em tudo.
Entrei em silêncio em casa. O crepúsculo já se fazia presente na paisagem além da parede de vidro.
Meus olhos caíram sobre o piano negro, tirando-me um suspiro alto enquanto subia para o meu quarto.
O apartamento parecia vazio e eu agradecia internamente por esse fato, já que não queria dar satisfação para ninguém por hora.
Conectei-me ao aparelho, assim que sentei na minha cama e fiquei olhando para um canto qualquer do quarto pensando na minha vida.
– Estou atrapalhando? – Perguntou com um sorriso gentil, meu irmão Itachi, que estava no vão da porta.
Neguei com a cabeça, cedendo a entrada.
Itachi sentou-se na minha frente e me encarou com uma face preocupada.
– Mamãe e papai ficaram preocupados pelo seu sumiço, quiseram até te rastrear, mas eu conseguir convencê-los de que você estava bem e que provavelmente estava com Sakura – não disse nada, apenas cruzei os braços, suspirando ao olhar para a paisagem. – Essa cara não me engana nii-san – falou um pouco mais baixo com tom preocupado. – Aconteceu alguma coisa?
Eu simplesmente assenti de acordo, não conseguia fazer nada além de olhar para o horizonte.
– Vo...
– Teme? – A voz do loiro animado chamou a nossa atenção para o homem que entrava sorridente.
– Dobe? – Perguntei em um sussurro confuso. – O que você está fazendo aqui?
– Agora preciso de desculpas para visitar o meu melhor amigo? – Debochou sentando-se na cama, de frente para mim, do lado direito da cama, enquanto Itachi estava no esquerdo.
Suspirei cansado para aqueles dois que sempre me apoiavam e tentavam me compreender.
– Como está a Sakura-chan? – Perguntou baixo o loiro.
– Bem – sussurrei desviando o olhar.
– Então essa cara tem a ver com a Sakura?
– Pera lá. Teme, ela disse que não corresponde aos seus sentimentos? – Perguntou preocupado e alto.
– Não! – Falei alto. – Quer dizer – suspirei com os olhos fechados para me acalmar. Quando reabri foquei nos dois – tem a ver com a Sakura, mas ela não negou meus sentimentos. Bom, ainda não – falei a última frase abaixando o olhar.
– Ora, Teme! Anime-se, tenho certeza que ela dirá sim.
– Tem mesmo, Dobe? Mesmo depois dela ter ficado aliviada ao saber que não transamos ontem?
– O QUÊ? – Gritaram ao mesmo tempo.
Suspirei pesado.
– Ontem fomos em uma festa e acabamos bebendo um pouco – não iria acrescentar o fato das drogas, para que eles não desconfiassem que eu estava em Boca – Sakura não é acostumada e acabamos passando da dose. Ela me beijou e me chamou de ciumento, quando eu percebi já estava em uma cama tirando a roupa dela, mas eu parei ao perceber a idiotice que eu estava fazendo. Sakura só estava deixando que aquilo ocorresse porque estava alterada – suspirei cansado. – Hoje quando acordamos, estávamos seminus e ela ficou assustada, mas quando eu disse que não rolou nada, ela ficou aliviada.
– Sasuke – começou o meu irmão pondo uma mão sobre o meu ombro, depois de um momento em silêncio – não é só porque a Sakura ficou aliviada com o fato de nada ter ocorrido, que isso signifique que você não tem chances com ela. Qualquer mulher ficaria preocupada pelo fato de ter transado com um homem e nem ao menos se lembrar disso, irmãozinho tolo.
– Itachi tem razão – continuou Naruto. – E se ela se entregou, quer dizer que no fundo ela sente algo por você. Quando ficamos bêbados, fazemos as coisas antes de pensar e se ela te agarrou... é porque ela queria. Sasuke, bebida não tem consciência, Sakura sim. É ela quem controla e faz escolhas!
Sorri minimamente para os dois em sinal de agradecimento, mas havia outra coisa me perturbava.
– Eu não posso transar.
– NANI? – Disseram em uníssono com faces confusas.
– É que... – pigarreei constrangido, por mais que eu não ficasse ruborizado, minha voz era afetada e aquele assunto era constrangedor. – É que meu pênis não é natural – admitir de uma vez. – Ele é mecânico se esqueceram? Eu sou feito de metal!
– E daí se o seu pênis é de ferro, Sasuke? – Perguntou sem entender o loiro com uma sobrancelha erguida.
– Você quer o quê? Que eu enfie uma barra de ferro dentro da Sakura! – Exclamei alto indignado por eles não pensarem naquele detalhe.
– Pera lá. Seu pênis parece humano? – Fuzilei Itachi com o olhar porque me negava a responder tal pergunta. Ele achava o quê? Que eu tinha um pênis marciano? – Vou encarar seu silêncio como um "sim" – bufei. – Ele fica ereto?
– Claro.
– Então, você pode transar – concluiu Naruto dando de ombros.
– Não é só pelo fato de ter um pênis e ereção, que eu posso sair transando com todo mundo! – Esfreguei meu rosto para tentar explicar de uma maneira que eles entendessem. – Olha, eu não sou humano. Tenho uma força que não consigo controlar quando estou tomado por emoções. E-Eu simplesmente me descontrolo e quebro tudo o que toco. Eu sou muito pesado, se eu caio em cima de alguém, eu posso matar por esse detalhe. Quando estava na reabilitação, tentaram me falar sobre vida sexual, mas... – abaixei o olhar – eu não quis escutar porque eu sabia que não poderia mais ser normal.
O silêncio se instaurou no ambiente que era abraçado pela escuridão do entardecer.
– Não seja por isso, vamos escutar juntos agora – falou convencido Itachi digitando rápido em seu celular.
– O que você...
– Shhh... – me calou com a mão erguida. – Alô, Doutor Orochimaru? Aqui é o Uchiha Itachi. Eu preciso que o senhor me explique algo. Espere um momento que colocarei no viva-voz.
– Aconteceu algo, senhor Uchiha? – Engoli em seco ao ouvir a voz serpentina do outro lado da linha.
– Gostaríamos de saber sobre a vida sexual de Sasuke – comentou calmamente Naruto.
Fuzilei o loiro. Como é que ele se atrevia a perguntar sobre algo tão particular sobre mim para outra pessoa calmamente?
Naruto pôs as mãos em sinal de desculpa.
Bufei voltando a minha atenção para o celular no meio da nossa roda improvisada.
– Senhor Uchiha, sinto em lhe dizer, mas não posso quebrar sigilo com um paciente.
– Ele está conosco – meu irmão ergueu uma sobrancelha para mim.
Pigarreei antes de dizer com má vontade:
– É verdade, doutor.
– Se é assim então. Bom, o senhor Uchiha tem um órgão sexual sintético que é muito semelhante ao humano, principalmente em textura. Devo acrescentar que essa foi a parte mais complicada de se construir em seu novo corpo...
– Ele pode transar? – Foi direto, o loiro.
– Claro que sim!
– Com humanos? – Indaguei para cortar o fio de esperança no rosto dos dois.
A linha ficou muda por um tempo e eu já suspeitava da resposta.
– Sinto em lhe dizer, senhor Uchiha, mas não recomendamos que o senhor tenha relações sexuais com uma humana.
O clima ficou pesado e palpável.
Inspirei profundamente antes de desviar o olhar para a paisagem.
– Era tudo o que vocês queriam saber, agora me deixem sozinho, por favor – pedi em um sussurro.
– Por que? – Insistiu o loiro desesperado para o Orochimaru.
– O senhor Uchiha apresenta peso excessivo, além de seu sistema poder apresentar falhas quando colocado em situação de grande carga emocional. O órgão dele é compatível com humanos, mas se ele se descontrolasse e colocasse uma força excessiva, incapaz para um humano suportar, sua parceira poderia não sobreviver.
Engoli em seco ainda olhando para a paisagem.
Eu nunca colocaria Sakura em um perigo daquele tamanho.
– Mas isso não quer dizer que ele não possa transar com humanos – olhei incrédulo para o meu irmão.
– Ficou louco? O Orochimaru acabou de dizer que eu posso matar a Sakura e você diz que eu posso transar normalmente?
– Como você mesmo disse, você pode matá-la, mas eu sei que você faria o impossível para não machucar, até mesmo controlar seus instintos internos.
Calei-me. Meu irmão tinha razão.
Desviei o olhar para o colchão e pus-me a pensar...
Eu nunca faria algo para machucá-la. Tudo o que eu quero é protegê-la e fazê-la feliz!
– Doutor – voltou-se para o telefone – Sasuke tem capacidade reprodutiva normal? Como ele funciona?
– Bom, senhor Uchiha. O seu irmão mais novo não nos deixou que citássemos nada sobre o seu sistema reprodutor durante a reabilitação, mas pouca coisa conseguimos salvar de seu antigo corpo completamente destruído. Poucas glândulas importantes que secretam para compor a estrutura do sêmen foram salvas, as outras fizemos a partir de estrutura sintética. Quanto aos seus testículos, devo informar que o esquerdo sofreu pouco trauma, mas ainda está em funcionamento, enquanto que o direito, apenas metade foi salvo...
– Uchiha Sasuke só tem uma bola e meia? – Naruto não se aguentou e começou a rir sendo acompanhado pelo meu irmão.
Qual é? O testículo de um homem é questão de honra e eles riem por eu ter perdido metade de um? Que constrangedor!
– Isso quer dizer que eu posso engravidar e ejacular? – Tentei mudar de assunto, mesmo extremamente envergonhado pelas risadas dos meus amigos.
– Sim, senhor Uchiha. Porém, devido ao trauma, o senhor produz espermatozoides com estruturas anormais em sua maioria. Uma gravidez natural é quase impossível de acontecer, no entanto, uma in vitro é viável.
Suspirei aliviado. Eu não parecia mais tão estranho assim.
– Obrigado pelas informações, Doutor. Até! – Despediu-se Itachi, desligando após a despedida do cientista. – Pela sua cara suponho que você esteja pensando em possibilidades.
– Você pode fazer amor com a Sakura, Sasuke! Mesmo só tendo um testículo e meio! – Exclamou eufórico o Uzumaki.
– Tsc. Só falta saber se ela quer – resmunguei.
– Ela vai te corresponder. Tenho certeza, cara! – Animou-me Naruto dando um leve soco em meu ombro.
Sorri para ele.
– Infelizmente pessoal. O loirinho mais atraente de Tóquio, precisa deixá-los a sós. Só dei uma passada rápida, Hinata e as crianças estão me esperando para o jantar – sorriu gentil em despedida.
– Tudo bem, vá lá! Sua família te espera.
– Eu volto sempre que der, Teme!
– Arigato, Naruto – disse baixo sorrindo de canto e o loiro sorriu largo já saindo do meu quarto.
Voltei meu olhar para o meu irmão que me encarava com uma face que tranquilizava qualquer ser ao seu redor.
Itachi tinha esse poder de acalmar, enquanto eu, era o seu completo oposto.
– Convide a Sakura para a nossa Ceia de Natal, irmãozinho tolo – aconselhou tocando seu dedo indicador e médio no meio da minha testa.
Olhei-o sem reação.
Itachi fazia esse gesto quando eu era apenas uma criança procurando atenção de seu irmão mais velho. No entanto, os anos se passaram e eu também me afastei dele por ser racional demais para acompanhar a mim e a Naruto em nossas noites por Boca.
Sem dizer mais nada. O moreno levantou-se e saiu do meu quarto, deixando-me sozinho no escuro.
Olhei para a janela a tempo de ver o primeiro floco de neve cair preguiçosamente pelo céu de Tóquio.
***
Eu segui o conselho de meu irmão.
A semana que nos separava do Natal passou rapidamente.
Como de costume, eu passava os dias com Sakura. Quando ela estava no trabalho, eu a acompanhava, quando estava em seu quarto de hotel, passávamos o dia conversando como se nossa amizade nunca tivesse mudado...
Como se eu nunca tivesse me declarado...
A única coisa que entrou em nossa rotina, foram as aulas de tiro de Karin.
A ruiva aconselhou que Sakura começasse a andar armada ao invés de apenas usar a faca, que ela escondia dentro da calça, para se defender.
Íamos ao final da tarde para os bosques que rodeavam as fábricas abandonadas da Segunda Zona.
A neve já era espessa por toda Tóquio e por isso andávamos completamente cobertos de roupas quentes e pesadas.
Por não sentir frio extremo, eu não tinha essa necessidade, mas me vestia da mesma forma para que as outras pessoas não desconfiassem.
O som de tiro reverberava pelo ar e fazia os corvos voarem cantando assustados, sempre que a bala era expelida pela arma nas mãos delicadas de Sakura em direção à uma árvore.
Eu poderia apenas fazer um download, por isso não aprendia a atirar, mas ver o rosto determinado e corado pelo frio de Sakura me fazia ter um prelúdio do que Suigetsu queria torna-la, da mesma forma que ele transformou Karin que nos confessou ter aprendido a atirar com o azulado.
A ruiva matava os reféns do Hozuki sempre que ele queria. Aquilo era o prazer para ele.
Imaginar Sakura matando por prazer de outro ser, era surreal para mim.
Depois de muito insistir, Sakura, certa vez após o treinamento, aceitou passar o Natal com a minha família.
O clima era tenso devido ao nosso último jantar e principalmente por causa dos meus pais, mas haviam mais pessoas na mesa que a adoravam, em especial, Itachi e Nisuke, do que a olhavam com suspeita.
Sakura estava linda.
Usava um vestido rosa claro tomara-que-caia rodado, que ia até os seus joelhos, sendo que, até a cintura era colado.
Depois de muito treinar, Sakura conseguiu usar saltos pratas de estatura baixa.
Mesmo simples, aos meus olhos, ela estava simplesmente linda.
Vez ou outra, durante o jantar, eu admirava o largo sorriso que ela esbanjava para o meu filho.
Eles eram perfeitos juntos...
Após o jantar, houve a entrega de presentes para as crianças.
Eu e a rosada demos de presente para Nisuke, um jogo de montar com peças reais e não de hologramas como ele jogou com ela em nosso último jantar.
Sakura fez birra nos dias anteriores para conseguirmos o tal brinquedo. Rodamos a Segunda Zona inteira atrás do presente e com muito esforço achamos.
Era uma peça de colecionador. Um brinquedo de montar a réplica de um avião de guerra.
Nisuke ficou fascinado. Nunca havia visto algo do tipo e logo puxou a rosada e Akemi para brincar com ele.
Passamos a noite assim, até Nisuke cair no sono.
Peguei o garotinho no colo com cuidado, mas assim que Sakura ia me acompanhar, Itachi a puxou para um canto.
Decidi que devia dar atenção para o meu filho que poucas vezes o via, mas quando estava cobrindo-o, Nisuke me surpreendeu.
– Papai – me chamou com a voz sonolenta, enquanto coçava um olho.
– Você acordou – ajoelhei-me ao lado de sua cama enquanto afagava os cabelos negros idênticos aos meus. – Está tarde, Nisuke. Volte a dormir!
– Eu só queria agradecer – falou de maneira meiga. Via o seu rosto corado, por mais que estivéssemos na penumbra. As pequenas mãos brancas do garoto, brincavam inquietas com a bora do lençol que o cobria. – Eu gostei muito do presente que o senhor me deu.
– Foi ideia da Sakura – sorri de canto ainda o acariciando.
O garotinho assentiu feliz.
– É, eu sei – ele desviou o olhar como se tivesse tomando coragem para dizer algo. – Sabe o que eu queria de verdade como presente, papai?
– O quê? – Franzi o cenho.
– Eu queria que a tia Sakura fosse a minha mãe – murmurou voltando os olhos inocentes para os meus.
Minha garganta se fechou.
Eu não sabia o que dizer.
Nisuke era uma criança que cresceu sem os pais e como era de se esperar, ele desejava uma mãe.
No entanto, sua mãe era uma desconhecida que doou um óvulo e seu pai, um robô em construção com a mente em coma.
Me ver com Sakura, era como se seus sonhos infantis virassem realidade.
– Seria bem legal mesmo – sorri um pouco. – Mas não sei quem seria a criança da casa, você ou ela.
O garoto me acompanhou nas risadas, concordando com o que eu havia dito.
– Hora de dormir – afaguei seus cabelos e depositei um beijo de boa noite em sua grande testa.
– Boa noite, papai – aconchegou-se como uma bola sob os cobertores.
– Boa noite, meu filho – consegui proferi sem hesitação o que a muito eu lutava para dizer.
Ainda via o sorriso largo de Nisuke enquanto fechava a porta de seu quarto.
Sozinho no corredor escuro, indo em direção ao meu quarto, eu agucei a minha audição e conseguir identificar as vozes de Itachi e Sakura.
– Sabe Sakura, eu tenho um apreço muito grande por você e apoio a sua amizade com o meu irmão. Eu nunca o vi se importar com alguém tanto como por você. Não se preocupe com os nossos pais, eles só estão sendo pais – riu levemente. – Apenas se preocupe em cuidar das pessoas que você ama no momento. Meus pais te aceitarão com o tempo. Mas depois de escutar o que você me disse, eu te aconselho, não deixe Sasuke se torturar psicologicamente pensando em sua resposta. Se você tiver uma, dê, pois a dele não se alterou em nada.
– Obrigada Itachi. Foi bom conversar com você – sabia que ela deveria estar sorrindo. – Preciso ir atrás de Sasuke. Com licença, Itachi!
Peguei a pequena embalagem de veludo azul marinho que estava sob o meu criado mudo e caminhei até a janela acariciando a textura.
Era o presente que eu havia pedido para fazer para Sakura.
Fiquei observando a paisagem noturna e iluminada da capital até ser retirado dos meus pensamentos quando mãos delicadas cobriram meus olhos.
– Advinha quem é! – Cantarolou em um sussurro perto da minha orelha esquerda.
– Muito engraçadinha – retirei com facilidade as mãos da mulher risonha. Assim que estávamos um de frente para o outro, meu olhar caiu inseguro sobre o pequeno pacote em minhas mãos. – Eu tenho um presente para você, Sakura – mordi meu lábio inferior. – Eu sei que você me fez prometer não gastar nada com você, mas... por favor aceita esse meu presente. Eu desenhei o modelo para você – admiti a última frase em um sussurro.
– Vamos ver o que é né? – Comentou risonha, mesmo estando sem graça. – Depois eu dou a minha opinião.
Sorri um pouco mais aliviado.
– Feche os olhos – relutante ela cedeu.
Coloquei-a de frente para a parede de vidro antes de retirar a delicada gargantilha da embalagem.
Posicionado atrás dela, coloquei a joia fria sob a pele que se arrepiou com o contato.
Um suspiro baixo foi captado pela minha audição.
Sorri de canto quando configurei por meio de Kurenai, para que nosso reflexo aparecesse nitidamente no vidro, sem tirar a paisagem da visão.
Segurei na cintura fina, antes de sussurrar próximo a sua orelha:
– Agora você pode abrir os olhos.
Lentamente os verdes abriram-se deparando-se com a Rosa Negra, que era o pingente da gargantilha de prata e algumas pequenas pedras de diamantes que adornavam a corrente.
No entanto, o esplendor e centro da atenção dos olhos e dos toques delicados dos dedos dela, era a flor feita em relevo a partir de uma pedra de ônix.
Sakura arfou voltando a realidade.
– Sa-Sasuke – gaguejou. – Ela é linda – virou-se para ficar de frente para mim. Seus olhos brilhavam encantados. – De onde você tirou a ideia de uma Rosa Negra?
Peguei a delicada rosa entre os meus dedos e admirei a obra de arte do ourives contratado.
– Existe uma literatura há muito esquecida, mas que foi escrita no século XVIII, que conta a história de uma camponesa que foi obrigada a conviver com uma Fera devido ao fato de seu pai ter roubado uma rosa do jardim da Fera. E-eu... – minha voz morreu.
– Eu suponho que você relacionou essa história com a nossa – falou calmamente com um sorriso acolhedor em seu rosto enquanto recobria a minha mão que ainda segurava a Rosa Negra.
Assenti com a cabeça antes de encarar seu olhar brilhante.
– Digamos que eu sou a Fera e você é a Bela do século XXIII – rimos. – Devido a um roubo, você teve que conviver comigo, com a Fera. Não foi o seu pai, foi você mesma. Não foi uma rosa, foi um pedaço de pão. Como A Bela e a Fera nossos caminhos se cruzaram. O símbolo deles é a rosa e por isso a desenhei. Não ia colocar um pedaço de pão como pingente – debochei na última frase.
– Eu adoraria da mesma forma se fosse um pedaço de pão – sorriu largo e eu não pude deixar de corresponder. Nossos rostos estavam próximos e nossas mãos unidas. – E a cor, por que não vermelha? – Instigou em um sussurro.
– É uma pedra de ônix – devolvi no mesmo tom.
– Da mesma cor dos seus olhos.
Permanecemos em silêncio nos encarando pelo que pareceu uma eternidade, até Sakura desviar o olhar e remexer em sua bolsa de lado com a mão que antes envolvia a minha.
– Também tenho um presente para você – disse animada.
– Sério? – Tentei soar animado, mas estava desapontado com o afastamento. – Você não precisava gastar comigo, Sakura...
– E quem disse que eu gastei? – Sorriu faceira, entregando-me um pacote retangular com um papel de presente negro.
Rasguei o papel com o cenho franzido, mas assim que visualizei a capa desgastada, desaprendi a respirar.
Era um exemplar desgastado de A Bela e a Fera de Gabrielle-Suzanne Barbot, o primeiro escritor dessa história.
– Abre na página marcada – indicou o marcador de página em formato de uma moto vermelha. Ri um pouco lembrando da minha moto.
Assim que abri na página, meu mundo parou.
No meio da página encardida, havia uma frase escrita à mão. Era a letra de Sakura e dizia:
"Eu te amo, Sasuke-kun"
(Haruno Sakura)
Continua...
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