Notas iniciais
Yo o/ Voltei! Uau esse capítulo ficou imenso, por isso quebrei esse jantar em dois capítulos ^^ O capítulo 10 já está pronto, mas eu o postarei só mais tarde ;D Algumas pessoas me pediram para descrever um pouco mais sobre esse mundo futurístico em que a fic está inserida. Vou acrescentar as descrições aos poucos nos capítulos subsequentes, mas já iniciamos por esse ^^ Divirtam-se...

"Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: 'Calma, eu estou com você'."

(Caio Fernando Abreu)

– Assim está bom – afirmei confiante analisando minhas vestes para o jantar. Uma camisa de botões azul escuro com as mangas levantadas até os cotovelos, uma calça jeans desbotada e tênis branco.

– Então é para colocar o restante das roupas de volta em seu closet, senhor? – Ino perguntou analisando a pilha de roupas que estava jogada sobre a minha cama.

Olhei um pouco constrangido por dentro pela minha atitude de adolescente tentando encontrar a roupa perfeita para um encontro.

Suspirei colocando minhas mãos no bolso fingindo nem notar a bagunça.

– Hn. Pode ser – dei de ombros sendo alvo do olhar celeste da loira que me analisava.

– O senhor está ansioso – disse calmamente. – Seus níveis hormonais estão alterados.

– Tsc – praguejei. – Impressão sua.

– Meus cálculos indicam que...

– Ino – repreendi a loira assim que ouvi o meu celular tocar vindo do meio da bagunça. – Ajude-me a procura-lo – falei apressado revirando várias peças à procura do aparelho.

– O senhor pode usar a sua visão e audição aguçada – informou.

Olhei incrédulo para a loira. Bati na minha testa e segui o seu conselho, para logo encontrar o celular embaixo de um casaco negro.

– Alô! – Atendi em um rompante.

– Ah oi Sasuke ­– ouvi a rosada do outro lado da linha. Ino que estava na minha frente franziu o cenho e fez uma pose pensativa. – Você disse que era para eu ligar assim que estivesse pronta – riu sem graça. – Está ocupado? Se quiser, eu posso pegar um táxi...

– Não. Não estou não. Na verdade, eu já estou indo te buscar. Logo, logo, já estarei chegando aí – falei apressadamente devolvendo o olhar de dúvida para a loira com comportamento estranho.

– Tudo bem então. Estarei te esperando – riu sem humor. – Até logo, Falcão.

– Até logo, Algodão Doce – brinquei antes dela desligar o celular que eu havia lhe dado.

Suspirei fundo antes de voltar a encarar a loira que ainda me observava.

– O que foi?

– Seus batimentos cardíacos aumentaram enquanto o senhor atendia o celular. Níveis de...

– Ok, ok. Já entendi – interrompi a loira em sinal de rendição. – Não precisa ficar falando de como o meu corpo reage – falei cruzando os braços voltando a falar em um múrmuro. – Já não basta a kurenai?

– Chamaste-me, senhor? – Indagou o sistema operacional em meus pensamentos.

– Não, não – falei apressado em voz alta o que deixou a loira confusa.

– Mas eu não disse nada...

– Não estava falando com você – bati na minha testa antes de suspirar cansado. – Quer saber... vou indo – falei para Ino que assentiu de acordo começando a arrumar a minha bagunça.

Até que é útil ter uma robô especialista na moda, pensei relembrando que tinha pedido ajuda a ela para escolher a roupa da noite.

Passei apressadamente pela sala com os dois capacetes e o casaco negro em meu antebraço, girando as chaves em minhas mãos.

Franzi o cenho vendo a grande movimentação dos robôs em direção à sala de jantar.

Argh, minha mãe já exagerou de novo, pensei vendo o farto banquete sendo movimentado pelo local impecavelmente arrumado.

Como se a Sakura fosse se importar com algo tão superficial como isso, revirei os olhos entrando no elevador.

***

Meu dia anterior, não foi dos melhores.

Sakura não teve uma reação muito boa assim que escutou o meu pedido.

Uma mulher normal ao escutar um pedido desses vindo de alguém como eu, se jogaria nos meus braços e diria "sim" umas mil vezes, mas Sakura definitivamente não é uma mulher normal...

Na verdade, ela deu um sonoro e audível "QUÊ?", que fez todos os seres que trafegavam ao nosso redor pararem para nos observar. Até as crianças pararam de brincar curiosas pela nossa conversa.

A pior parte de se ter uma audição sensível, foi escutar os cochichos de duas senhoras que indagavam que eu havia pedido a moça em casamento e estava sendo rejeitado.

Tsc, de onde essas pessoas tiram essas coisas? Se bem que... o cenário estava bem romântico para tal...

Ela ficou paralisada e levei um bom tempo para fazê-la voltar ao normal para poder começar a explicar.

Sakura dizia veementemente que meus pais não deveriam perder seu tempo com alguém como ela, mas o pior aconteceu quando eu expliquei que era um Uchiha, aí sim ela ficou assustada e implorou para não a arrastar para um jantar com os Uchihas.

Por um lado, fiquei feliz.

Fiquei feliz por saber que dinheiro não a importava, mas triste ao constatar que ela se assustara ao reconhecer o poderoso sobrenome da minha família.

Levei horas para convencê-la a aceitar o pedido.

Nunca fiz tanta jura de que tudo daria certo em toda a minha vida.

Ainda desanimada, Sakura cedeu e como recompensa acabei a arrastando para o shopping – local que a deixou de queixo caído – para comprar um secador igual ao que tínhamos quebrado.

Assistimos um filme, comemos pizza e voltamos para o hotel, na qual fiquei até altas horas da noite explicando, a pedido dela, como se portar em um jantar.

Combinamos que não nos veríamos durante o dia, só quando eu fosse busca-la e é exatamente o que eu vim fazer...

Era a primeira vez que levava uma mulher para conhecer os meus pais e não foi uma situação dessas que eu havia idealizado quando era um pré-adolescente.

Imaginava levar minha namorada e futura mãe dos meus filhos e não uma mulher que eu salvei de um estupro e que agora estava protegendo do chefe do tráfico.

Como a vida dá voltas, murmurei em pensamentos enquanto dava três batidas na porta de madeira.

– Já vai – ouvi a voz de Sakura antes de passos apressados direcionarem-se na minha direção.

Não pude deixar de encarar a mulher de cima a baixo, assim que a porta aberta me deu uma visão completa dela.

Sakura usava uma blusa de cetim vermelha de alças com um pequeno decote, juntamente com uma saia secretária de couro e cintura alta, porém só ia até o meio de suas coxas, dando-me a visão de seus membros inferiores torneados. Quebrando qualquer paradigma que a roupa ou a maquiagem que realçava os olhos com tom preto e boca nude, transmitiam para mim, a mulher calçava all stars vermelhos.

Não aguentei, acabei rindo de canto encarando os sapatos.

– Não ria – pediu constrangida. – Eu tentei usar saltos, mas eu não consegui me equilibrar – admitiu envergonhada abaixando o olhar.

– Ei. Você está ótima! Está linda – admiti encarando a face de anjo desconfiada, mas modelada pelo cabelo liso e bem comportado para o lado.

Aposto que foi obra do secador, acrescentei em pensamentos.

– Seus familiares vão me julgar – murmurou. – Não tem como cancelar esse jantar e marcar para outro dia? – Falou esperançosa.

– Minha mãe fez os empregados prepararem um banquete de baile de gala para hoje e também convidou alguns amigos próximos a mim – falei coçando a minha nuca.

Assim que eu vi a palidez tomar conta da face antes corada, eu tive certeza...

Talvez eu não deveria ter dito aquilo.

– É melhor eu não ir – falou apressada.

– Ora, ora, ora, a Algodão Doce está com medo? – Provoquei tirando uma carranca dela.

– Não é isso – abaixou a voz e o olhar – é só que...

– Eu já te disse que eu vou estar lá do seu lado e se alguém se meter com você terá que se meter comigo também – a confortei erguendo o rosto dela com dois dedos meus.

– Não quero que discuta com a sua família por minha causa – falou sincera. – Só acho que eles não vão gostar de alguém como eu – abraçou seu próprio corpo. – Aposto que seu filho espera encontrar uma mulher de classe andando com o pai e não uma ex-moradora de Boca – entortou a boca.

– Já te disse. Nisuke não é assim – cruzei os braços.

Sakura desistiu e decidiu me seguir pelo corredor estreito de paredes amarelas, rumo as escadas de madeira bem encerada.

– Urgh, que frio – reclamou abraçando o próprio corpo enquanto nos aproximávamos da moto.

– Toma. Vista isso – estiquei o casaco negro que tinha guardado dentro do banco.

Sakura assentiu e vestiu meu casaco deixando apenas as pernas expostas.

– Quentinho – sorriu satisfeita abraçando o próprio corpo como uma criança, enquanto colocava o capacete nela.

Sorri de canto antes de subir na moto seguido por ela.

– Segura – avisei arrancando em alta velocidade.

Como sempre ela deu um gritinho e bateu em meu tórax de leve.

Devido aos meios de transportes usarem as leis do campo magnético ao invés de rodas, a potência e velocidades que eu poderia alcançar eram muito altas.

Não havia carros voadores ou coisas do tipo como há muito havia se imaginado que seria no século XXIII, apenas a leve flutuação magnética que me permitia fazer ultrapassagens nada saudáveis para um coração principiante como o de Sakura.

Ri mais alto ao ver um guarda de trânsito robótico no limite da Segunda Zona para a impecável e tecnológica Pasárgada.

Ele me olhou confuso.

Eu sabia que chegaria mais multas em casa, mas como quando eu tinha 20 anos, eu me indaguei:

Se não é para andar em alta velocidade, então pra quê eles inventam transportes cada vez mais velozes?

Revirei os olhos diminuindo a velocidade enquanto trafegava pelas largas avenidas rodeada de arranha-céus, iluminados em seus contornos com feixes de luzes LED brancas.

– Uau – ouvi Sakura soltar um suspiro baixo.

Assim que parei em um sinal, olhei por cima do ombro e sorri abertamente vendo o olhar admirado que Sakura lançava para o ambiente ao redor.

Sua cabeça se inclinava ao máximo tentando ver o limite dos arranha-céus.

Sua boca entreabria-se soltando exclamações inaudíveis.

– Você nunca veio a Pasárgada? – Indaguei já suspeitando a resposta.

Ela negou com a cabeça.

Sorri de canto vendo o brilho curioso nos olhos dela, mesmo por detrás da viseira.

A intensidade das luzes fazia com que o local parecesse ser iluminado pela luz do dia.

– Olha – apontei para os arranha-céus. – Esses prédios são todos feitos de um vidro especial que capta a luz solar e transforma em energia, é um padrão a ser seguido em toda Pasárgada ou locais como esse em outras cidades pelo mundo.

– Por que é um padrão?

– Os homens já destruíram a muito tempo fontes não-renováveis de energia, o que nos restou foi nos adaptar para continuarmos com energia – dei de ombros. – É tanta energia que se produz, que acabamos vendendo para outras Zonas que não tem autossuficiência nesse campo.

– Por preços absurdos – completou e eu assenti.

– É mais uma das maneiras da Zona principal se manter soberana entre as demais – disse frio observando o intenso vai e vem de robôs, cães mecanizados e poucos humanos que atravessavam a larga avenida rodeada de árvores muito bem aparadas. – Vamos dá uma volta – informei saindo da rota do Edifício Uchiha.

Dirigi por diversas avenidas e Sakura se encantava e se assustava com as imensas propagandas, que apareciam quando menos se esperava em forma de imensos telões pelas paredes espelhadas dos prédios.

– Essa é a Uzumaki's Company – apontei para o grande prédio, que mesmo com os padrões dos demais, mostrava a sua imponência e elegância com traços únicos. – É a empresa da família de um grande amigo, o Naruto.

– E por que paramos aqui? – Perguntou curiosa olhando para a dança que os chafarizes faziam em frente ao edifício.

– É uma empresa de materiais cosméticos muito famosa, mas também é conhecida pelo Kurama – informei.

– Kurama? – Perguntou confusa.

– Olha, aí vem ele! – Apontei para o prédio, os feixes brancos ficaram laranjas e com efeitos visuais, a imagem do contorno um filhote de raposa de nove caudas imensa apareceu nos encarando com a face inclinada para a esquerda.

– Que fofinho – falou encantada com o filhotinho que coçava a orelha.

– É o sistema operacional da empresa. Ele tem forma e interage.

– Interage?

– U-hum – assenti ligando a moto. – Se segura que eu vou com tudo dessa vez – gritei vendo a raposa se preparar para correr.

– O QUÊ? – Gritou se agarrando em mim. – Ficou louco? – Berrou.

– Olha na tua direita – gritei costurando alguns carros que buzinavam para mim.

– NANIIII?

Não aguentei e ri quando ela visualizou a raposa correndo ao nosso lado, transpassando a imagem dela pelos imensos prédios.

A raposa fingia pular de um prédio para o outro quando tinha que atravessar uma avenida.

– Isso é loucura – resmungava ainda encarando a raposa que deu um impulso fazendo a imagem desaparecer na nossa direita e aparecer deslizando pelos prédios na minha esquerda.

Fiz uma curva fechada para a esquerda, podendo enxergar o imenso Edifício Uchiha em frente ao Parque Central de Tóquio.

A raposa trocou de lado e tomou a dianteira chegando na minha frente.

– Ah qual é! – Resmunguei alto vendo a dancinha de vitória que Kurama fazia feliz pelas vidraças do prédio, onde eu morava.

– Parece que Kurama é mais rápida que você – falou risonha a rosada.

– Fica quieta – resmunguei vendo Kurama fazer um cumprimento de despedida japonesa. Eu e a rosada a correspondemos antes de vermos a imagem da imensa raposa voltar pelo mesmo caminho que havíamos percorrido.

– Como ela sabia que era para vim pra cá?

– Todos os sistemas operacionais estão conectados, por isso ela pode percorrer pelos prédios que funcionam como telas de computador – expliquei. – Quando eu era mais novo, eu e Naruto programávamos Kurama para corrida, mas como eu também tenho um sistema operacional chamado Kurenai – bati no meu capacete com o dedo. – Eu consigo me conectar facilmente com Kurama, para que apostássemos uma corrida e a linha de chegada fosse o Edifício Uchiha.

– Mas você perdeu – cantarolou.

Bufei e decidi entrar na garagem ao som das risadas dela.

– Ainda bem que ainda não comi nada – informou saindo da moto –, se não, já teria jogado tudo para fora com aquela sua corrida louca.

– Admita, você se divertiu – provoquei tirando o capacete.

– Claro que me divertir com a sua cara de derrota – riu alto tirando o capacete e o casaco.

– Tsc. Vamos logo – disse emburrado apoiando com o meu antebraço esquerdo os capacetes e o casaco, enquanto que com a minha mão direita puxava a mão da rosada.

Entramos no elevador, mas assim que começamos a subir, a rosada se agarrou no meu braço com medo.

Ri alto como vingança pelo que ela havia feito comigo antes.

Sakura me fuzilava com o olhar esmeralda, mas só me largou assim que paramos.

As portas se abriram e eu pude logo visualizar meus pais, Itachi e sua família, os pais de Naruto e o loiro de braços dados com uma morena que eu não conhecia, olhando para nós dois.

Parei de rir assim que os vi, voltando a seriedade de sempre.

Peguei Sakura delicadamente pelo cotovelo e a guiei – já que havia ficado paralisada – para a ampla sala.

Eles estavam no nível mais baixo da sala, na qual haviam sofás e poltronas de frente para as paredes de vidro que envolviam o prédio.

À minha esquerda ficava a base da larga escadaria alva encaracolada que dava acesso aos dois outros andares.

Um piano negro ficava no canto próximo um pouco distante deles e de frente para a cidade iluminada.

– Sasuke! – Gritou Naruto.

Ele era sempre o primeiro a quebrar o silêncio.

O loiro me abraçou forte, mas logo voltou os azuis brilhantes para a minha companhia.

– E essa é?

– Naruto, essa é a Sakura – apresentei. – Sakura, esse é o Uzumaki Naruto.

– O Naruto da Kurama? – Perguntou baixo, mas o terceiro ouviu.

– Naruto da Kurama? – Perguntou confuso o loiro um pouco alto demais fazendo os outros se aproximarem interessados.

– Ora, Naruto. Quem não conhece nossa amada Kurama? – Perguntou a ruiva. – Aliás, eu sou Uzumaki Kushina e esse homem sorridente aqui é o meu marido, Namikaze Minato – brincou com o outro loiro tirando riso dos demais.

Sakura ficou constrangida.

Deslizei minha mão para a costa dela, em forma de conforto. Seus olhos rapidamente se voltaram para mim e se acalmaram vendo que não estava sozinha.

– Ah. Prazer em conhecê-los, Senhora Uzumaki e Senhor Namikaze – falou com um sorriso gentil. – Kurama é realmente muito fofa e sabe dá uma lição no convencido do Sasuke – acrescentou com um sorriso largo, tirando risadas altas de Itachi e Naruto.

– Sakura – repreendi. Se minha pele fosse humana, eu teria corado com certeza pelos olhares risonhos direcionados à mim.

– Já estou gostando de você, Sakura-chan! – Falou animado o loiro. Sakura-chan? Quem te deu intimidade, Dobe? – Ah! Essa é a minha esposa – sorriu para a morena tímida de olhos perolados – Uzumaki Hinata.

Hinata e Sakura sorriram uma para outra enquanto eu apenas assentia.

Antes que eu percebesse, minha mãe tomou ambas as mãos da rosada.

– Estou tão feliz em finalmente conhece-la, Sakura – falou com um sorriso largo, a morena, que devido as tecnologias da Uzumaki's Company, parecia ser minha irmã mais velha. – Eu me chamo Mikoto, sou a mãe de Sasuke. Esse é meu marido, Fugaku, aquele é Itachi, meu outro filho e sua família, Konan e Akemi – apresentou a todos.

– O prazer é todo meu em finalmente poder conhecê-los – retribuiu o sorriso.

Todos estavam sendo muito simpáticos, mas eu sabia que estavam avaliando o comportamento da rosada, para ver se não era uma interesseira.

O pior é que eu sabia que Sakura também percebia essa análise indiscreta.

O silêncio foi quebrado com as pisadas altas e rápidas que desciam as escadas.

– O papai finalmente chegou e ninguém me chamou – correu Nisuke até parar do lado de minha mãe, fazendo os outros rirem.

– Querido, isso não é jeito de receber visitas – repreendeu a avó.

Assim que o moreno encontrou Sakura, seu bico logo se transformou em um largo sorriso encantado.

– Oi – disse sorridente a rosada se inclinando para ele. – Você deve ser o Nisuke acertei? – Piscou um olho.

– Oi – a face se corou, mas logo ele se aproximou mais dela. – Como você sabe o meu nome?

– Seu pai falou muito de você para mim – falou sincera enquanto se ajoelhava para ficar da altura da criança.

– Sério? – Os negros brilharam.

– U-hum. Disse que você era um garotinho muito esperto e amável.

Era visível o quanto Nisuke estava se derretendo pela mulher que o tratava bem.

– Você é a namorada do meu pai? – Perguntou inocentemente surpreendendo a todos, inclusive a rosada que o olhara com os olhos arregalados.

Um silêncio sepulcral se fez presente, até Sakura rir descontraída.

– Não. Eu não sou a namorada do seu pai. Sou apenas uma amiga dele – acariciou o rostinho do menino.

Forcei um mínimo sorriso quando ela me olhou de canto, mas minha tentativa não saiu tão convincente para os demais presentes que nos analisavam.

A atenção de todos, inclusive a minha fora chamada assim que Nisuke e Sakura riram de algo.

– Algum problema? – Perguntou minha mãe.

– Ah, eu só estava dizendo para o Nisuke, que Sasuke havia me dito que tinha um filho e não um clone mirim seu – provocou me olhando pelo canto.

Revirei os olhos, mas estendi minha mão vaga para ajudá-la a se levantar.

– Muito engraçado – resmunguei recebendo um dar de ombros convencido da rosada.

– Bom, já que as apresentações foram feitas. Vamos ao jantar – comunicou animada a matriarca.

Sem soltar a mão da rosada, a conduzi para a sala de jantar que ficava à nossa direita.

Sabia que os outros olhavam curiosos para as minhas atitudes, até Sakura parecia desconfortável pelos olhares que seus all stars receberam enquanto caminhávamos.

Dei meus pertences para um robô humanoide, antes de afastar uma das cadeiras para que a mulher se acomodasse.

Recebi um sorriso agradecido por ela, enquanto também me acomodava como os demais.

Nisuke logo se prontificou em se sentar ao lado de nossa convidada.

O jantar foi servido com brilhantismo. Uchihas de um lado e Uzumakis na outra ponta da ampla mesa de mogno sob o luxuoso lustre de cristal.

O silêncio reinava e Sakura, mesmo que as vezes visivelmente nervosa – como Kurenai me informara –, conseguia executar os ensinamentos que lhe dei na noite anterior. No entanto, meu pai destruiu a calmaria:

– Então Sakura. Sasuke nos disse que você mora na Segunda Zona – disse despreocupadamente, o que me fez lançar uma fuzilada de canto.

Tsc. Como assim eu informei? Qual é, o grande e poderoso Uchiha Fugaku não quer que os convidados saibam que anda vigiando o filho?

– Sim, senhor – concordou a rosada com um sorriso estampado no rosto, camuflando a sua tensão interna.

Os olhares surpresos dos demais não foram despercebidos por mim.

– Com os seus pais? – Insistiu o patriarca, o que tomou de surpresa a rosada.

Eu sabia que o assunto "pais" era complicado para a rosada, por isso não pude deixar de me comover com os olhos vidrados de Sakura em sua comida, enquanto os outros a olhavam em expectativa.

– Pai... – comecei.

– Tudo bem Sasuke – interrompeu-me a rosada com um sorriso fraco no rosto antes de desviar o olhar para o homem na ponta da mesa. – Meus pais morreram há muitos anos, senhor Fugaku.

Suspiros surpresos e faces chocadas espalharam-se pela mesa.

– Que triste – murmurou Nisuke.

Sakura sorriu para ele antes de fazer um carinho no nariz dele para animá-lo.

– Sentimos muito querida – exclamou minha mãe com uma mão sobre o seu peito ao meu lado direito.

– Tudo bem. Faz muito tempo.

– Mas você tem outros familiares, não tem? – Perguntou condescendente meu irmão que estava ao lado de meu pai.

– Não – negou com a cabeça para frisar. – Eles eram filhos únicos e nunca conheci nenhum parente além deles.

Até Konan que ficava sempre séria, sentiu pena da rosada.

A tensão voltou a se impor com força sobre a mesa, mas Naruto era sempre a alegria das reuniões:

– Conte-me Sakura-chan – começou sorridente e sem um pingo de elegância. – Como você conheceu o Teme?

– Teme?

– Sim. Esse baka ao seu lado – apontou com o queixo para mim fazendo a rosada rir, enquanto que o loiro era repreendido por um olhar assassino da ruiva Uzumaki.

– Eu estava andando pela rua sozinha durante uma noite e acabei sendo perseguida por dois homens armados. Sasuke acabou aparecendo para a minha sorte – contou omitindo fatos que nos comprometeria.

– Papai é um herói? – Perguntou surpreso e com olhos brilhando para Sakura, o moreno mais novo.

– Own – a rosada se derreteu pelo garoto tirando risada dos outros. – Que fofinho – botou a mão sobre o peito. – Ele pode até não ser herói, mas é uma boa pessoa – sua voz estava melosa, mas não pude evitar sorri de canto com suas palavras que surpreenderam os outros, já que eu e boa pessoa não eram ditas em uma mesma frase por pessoas fora de nosso grupo social.

– Você mora sozinha, Sakura? – Chamou a sua atenção o mais velho.

Assim que encarei a face analítica dele, soube que ele queria chegar em algum lugar que não me felicitaria.

– Pai – repreendi em um sussurro voltando a seriedade Uchiha.

– Sim, senhor.

– Estranho. Uma moça bonita e jovem, sem família. Em geral, mulheres da sua idade estão casadas ou quase, já que escolhem dedicar-se aos estudos antes disso. Aposto que tem pretendentes – comentou fazendo Sakura corar e eu olhar impassível para o meu pai.

– O-Obrigada pelo elogio – gaguejou –, mas creio que não sou tão interessante assim para alguém – riu sem graça.

– Você sabe a verdade sobre o Sasuke? – Alfinetou, deixando-me com raiva que transparecia no talher de prata que se entortava em minha mão esquerda.

– Sim, senhor.

– Deve ter se assustado...

– Chega! – Esbravejei alto assustando a todos. – Afinal, onde você quer chegar? – gritei, mas paralisei assim que senti uma mão, desafiando todas as leis de "Não se aproxime de mim!", envolvendo a minha.

Olhei, assim como os demais, incrédulo para a mão de Sakura que me confortava com um olhar de alerta.

Os nós de meus dedos estavam brancos, mas como uma feiticeira, seu toque me acalmou e minha mão cedeu para ela, revelando a prataria retorcida.

Com um sorriso de pedido de desculpas para os demais, a rosada retirou o talher da minha palma e pôs sobre a mesa.

Os verdes me olharam de canto como um aviso.

Revirei os olhos suspirando.

– Desculpem-me – sussurrei com o olhar baixo.

Senti um chute na minha canela, fazendo-me olhar cansado para as esmeraldas que me fuzilavam.

– Não vou repetir – falei frio.

Ela suspirou relaxando a compostura, mas sem quebrar o olhar de reprovação para mim.

– Desculpem. Sasuke é um pouco impulsivo demais – falou sem graça olhando para todos – e também super protetor.

– Não coloque palavras na minha boca – murmurei baixo, mas ainda sentindo raiva. – Você não tem culpa de nada – falei encarando meu pai de maneira fria.

– Eu só queria conhecer melhor a mulher pela qual meu filho mais novo dedica os dias – falou simplesmente, mas subentendia-se "Quero saber quem é a mulher que tirou o meu filho da família".

Olhei com raiva para o meu pai, mas depois suspirei olhando com uma cara culpada para Sakura que me dava um sorriso torto.

– Entendo. Eu já disse várias vezes que ele não precisa perder tanto tempo comigo, mas ele nunca me escuta – desculpou-se com um olhar envergonhado.

Você é mais interessante que eles, tive vontade de dizer, mas reprimi.

A paz voltou a reinar por um tempo.

Voltamos a apreciar o fabuloso cardápio escolhido a dedo pela minha mãe, antes de Nisuke puxar papo com a rosada.

Por mais que ele fosse um garoto gentil, não era do feitio de Nisuke conversar, muito menos iniciar uma conversa com estranhos.

Sakura contou-lhe diversas histórias sobre o nosso tempo juntos. Contou sobre o secador e eu quis enterrar a minha cabeça ao ver Naruto e Itachi reprimindo sorrisos quando ela contou debochada como eu era "habilidoso" com coisas femininas.

– Ontem fomos ao shopping. Só que tinha um detector de metais na entrada e como o seu pai aqui – cutucou o meu ombro com o dedo – é quase um Robocop da vida, deu problema. Eu disse "Ei Sasuke, me dá o teu cérebro, se você tiver, pra passar no detector de metal. O resto a gente joga na caixinha e pega depois" – riu lembrando-se da cena e não pude deixar de sorri de canto lembrando-me da vergonha que ela me fazia passar. – Sasuke ficou morrendo de raiva e vergonha, mas no fim ele fez o gerente descer e desligar o detector – falou revirando os olhos. – Preferia ter passado com o cérebro, seria mais legal – falou mais animada e descontraída.

Depois de tantas histórias, as pessoas da mesa já se simpatizavam com a rosada, só meu pai ainda mantinha sua postura séria e austera.

– Aquelas patricinhas desmaiariam com a visão – resmunguei colocando uma porção da sobremesa em minha boca.

– Aquelas que estavam babando por você?

– Essas mesmas – falei confiante.

– Sério Nisuke, é um saco sair com o seu pai – falou com uma expressão cansada. – Eu morro de vergonha. As mulheres ficam nos encarando descaradamente. Sempre coloco o meu capuz pra não ter que ver a expressão de decepção delas ao me verem – rolou os olhos. – O pior é ter que escutar o seu pai debochando dizendo o quanto ele é lindo e blá blá blá.

– Admita, é verdade – sorri de canto provocando, mas só recebi um olhar de desprezo e uma boca torta.

– Seu pai é um convencido, isso sim – confessou ao garoto cada vez mais encantado com a rosada. Naruto não se aguentou e riu alto, engasgando-se com a porção do doce. – Hn. Ainda tem mais – comentou depois de mais uma colherada. – Sasuke ficou me perturbando dizendo que deveríamos assistir um filme. Eu inocentemente aceitei o pedido, já que ele jogou na minha cara que eu estava dependendo da carona dele para voltar para casa, então era melhor mesmo eu aproveitar e ir embora só quando ele decidisse – deu de ombros. – O problema é que o filme que ele escolheu falava de um super-herói que por acaso era feito de lata igual ele – riu lembrando-se. – Sasuke passou o filme inteiro resmungando "Sou muito mais eu", "Isso é só mentira", "Visão de raio laser? Está de sacanagem com a minha cara"... e por aí vai. Nós quase fomos expulsos do cinema porque ele não calava a boca e as outras pessoas queriam assistir. Eu ameacei seu pai dizendo que eu faria ele ter um curto circuito se eu fosse expulsa, afinal eu queria ver o gatíssimo ator que iria aparecer como vilão – falou com o ar sonhador.

Bufei assim que terminei meu doce.

– Aquele filme era só mentira.

– Foi você quem escolheu, não eu – defendeu-se me fuzilando.

Revirei os olhos voltando a escutar a tagarela rosada.

Continua...

Notas finais
Essa noite ainda não terminou minha gente hahahaha Mais tarde retorno com a continuação ^^ Mas e aí? O que vocês acharam desse iniciozinho? Muitas emoções ainda estão por vir! Até a próxima pessoal!