Re/Desconfigurado
10 A verdade sobre os próprios sentimentos
Notas iniciais
"O essencial é invisível aos olhos. Quem ama vê além da aparência física e é isto que ama: a essência."
(Antoine de Saint-Exupéry)
Depois do jantar, fomos todos para a sala.
Nisuke de maneira eufórica buscou seu brinquedo de montar feito de hologramas.
Sakura como minha companhia? Tsc, ela parecia mais amiga de Nisuke do que minha.
Sakura reclamou que hologramas não tinham a consistência que os reais tinham, mas logo estava sentada no tapete Persa no centro dos sofás, montando os hologramas com Naruto, Akemi e Nisuke, enquanto Hinata e Konan os observava e conversava com eles.
Minha mãe logo se juntou à Kushina nos comentários sobre os jovens que discutiam onde a peça se encaixava melhor. Meu pai por outro lado, entrosou-se em uma conversa de negócios com Minato e Itachi. Este último me lançava olhares curiosos vez ou outra que eu não compreendia.
Eu fiquei calado observando como Sakura e meu filho estavam se divertindo com as idiotices de Naruto e até de suas histórias de quando era jovem ou com o filho mais velho, enquanto brincavam.
Em certo momento, eu decidi buscar um copo com uísque na cozinha. Assim que voltava para os amigos, encontrei meu pai encostado na parede de saída com os braços cruzados.
– Tenho que admitir, essa garota é bem interessante e diferente do que eu esperava, mas não ache que eu já a aceitei totalmente, Sasuke – suspirou profundamente. – Sei que você não gosta de minhas atitudes, mas eu e sua mãe fazemos isso pensando no melhor para nossos filhos e nunca permitiria que uma qualquer se envolvesse com você.
– Sakura pode não ser uma dessas mulheres fúteis de Pasárgada que vocês adorariam me ver casado para a boa imagem dos Uchiha. No entanto, acredite, Sakura pode surpreendê-lo, assim como me surpreendeu – dei um passo na direção da saída, mas parei me lembrando de algo. – E ela não é uma qualquer – abaixei meu tom de voz para completar, observando a rosada risonha inerte à nossa conversa – mas pode ficar tranquilo, pai. Somos só amigos.
– Amigos... sei.
Meu pai deixou-me para trás, voltando para a sala.
Depois de muitas horas, os Uzumaki tiveram que ir embora. Naruto e Hinata disseram que as crianças davam muito trabalho para dormirem e que com certeza estavam os aguardando para os colocar na cama.
Itachi levou Akemi, juntamente com Konan, para o quarto da menina desacordada na casa dos avós. Mesmo que o apartamento deles ficasse no Edifício Uchiha, assim como todos com esse sobrenome, minha mãe os convenceu de ficar.
Meu pai desaparecera para o escritório e minha mãe foi monitorar a limpeza dos funcionários robôs.
Apenas eu, Sakura e Nisuke ficamos na sala.
Eu estava em silêncio observando – com o copo seco depois de algumas doses – a mulher de cabelos rosas de costa para mim sorrindo terna enquanto acariciava as madeixas negras do garotinho que caíra no sono em seu colo.
Sakura sorriu para mim por cima do ombro e não pude deixar de sorrir para a imagem iluminada apenas pela lua daquelas duas pessoas próximas a mim.
– É melhor levá-lo para o quarto. Ele está exausto – sussurrou para não o acordar.
Assenti me levantando. Peguei-o com cuidado e fui seguido pela rosada, rumo ao quarto do garoto no segundo andar.
Empurrei a porta com o pé e logo o deitei na imensa cama de casal no centro da parede esquerda com um desenho de moto com fundo azulado.
Sakura tirou os sapatos dele e folgou as roupas antes de cobri-lo com delicadeza. Retirou os óculos, acomodando-os no criado-mudo antes de acariciar o rostinho infantil e sonhador.
Apoiei minha mão direita na costa de Sakura sem retirar o olhar daquela criança, que por mais absurdo que ainda me parecesse... era o meu filho.
A rosada depositou um beijo suave de boa noite na testa de Nisuke, antes de se levantar e me encarar ainda sorrindo.
– Vem – sussurrei conduzindo-a pelas nossas mãos dadas e quentes, para o terceiro andar que era uma ampla piscina com jogo de luzes no fundo, rodeada de cadeiras de sol e local coberto para reuniões familiares.
Conduzi-a para o canto direito daquele lugar, onde havia um pequeno sofá quadrado de estofado carmim. Em cada canto daquele sofá grande, havia pilastras de madeira com plantas florais trepadeiras que se esgueiravam na superfície fria até se encontrarem na união das pilastras.
– Esse lugar é lindo – comentou com um suspiro admirado enquanto se acomodava.
– É o meu lugar preferido na casa – deitei ao seu lado, apoiando minha cabeça em um dos inúmeros travesseiros que existia ali.
Os cabelos curtos e rosados voavam ferozes devido ao vento forte que acariciava seu rosto feliz de orbes fechadas.
Mais uma vez senti meu coração disparar enquanto observava a imagem perfeita de Sakura sobre a lua.
O que é isso que sempre cresce dentro de mim, quando estou perto dela?
– É uma pena que daqui não se possam ver as estrelas – comentou triste com o olhar perdido na paisagem.
Sentei-me ao seu lado. Nossos braços roçavam inocentemente no outro, mas aquilo era um incômodo para o meu coração descompassado ou minha respiração entrecortada.
– A iluminação em Pasárgada é muito intensa, por isso não conseguimos visualizar as estrelas daqui.
– Que triste – balbuciou acompanhando a subida de um reconstrutor da camada de ozônio, que consistia em um aparelho metálico em formato de octaedro.
– Dá para ver as outras zonas daqui, já que o Edifício Uchiha é um dos mais altos de Tóquio – comentei depois de muitos segundos em silêncio apreciando a paisagem.
– Como eu identifico?
– Pasárgada é muito iluminada – apontei – por isso que a partir do ponto em que a iluminação diminui exponencialmente, considere com Segunda Zona, que também abriga as indústrias, no qual a classe média trabalha. Ali! – Apontei para uma construção grande, quase não identificável na Segunda Zona à nossa direita. – Ali é a indústria Uzumaki.
– Os Uchiha também tem indústria na Segunda Zona? – Perguntou, encarando-me com curiosidade.
– Não – neguei com a cabeça. – Os Uchiha trabalham com tecnologia fina. A produção é toda feita na Companhia aqui em Pasárgada.
– Ah! – Exclamou surpresa desviando o olhar para a paisagem. – Segunda Zona, também chamada de Zona de Segunda Mão – murmurou pensativa.
– Odeio essas taxações e divisões.
– É fácil para você falar. Nasceu em um berço de ouro, com muitas oportunidades, eu por outro lado... senti na pele a diferença social.
– Não pense que Pasárgada é perfeita...
– Nada é perfeito, Sasuke – cortou me olhando nos olhos. Ficamos nos encarando por segundos, até ela desviar o olhar novamente. – Onde é Boca? – ainda não havia me movido quando ela mudou de assunto.
– Onde termina a iluminação – informei em um sussurro. – A iluminação de lá é tão precária que não dá para enxerga-la daqui.
– Hn – ficou pensativa.
Permanecemos assim por longos minutos, até sentir a cabeça de Sakura se apoiando em meu ombro sem desviar os orbes da paisagem noturna e silenciosa da imensa metrópole feita de arranha-céus.
Meus lábios repousaram em sua testa e vi quando ela fechou os olhos um pouco antes de que eu fizesse também.
Meu coração acelerou quando contornei sua cintura com o meu braço sem repreensão.
Iniciei um leve deslize dos meus lábios pela tez fria.
O único pensamento que tomava conta de meus sentidos e desejos, era a ansiedade insaciável em cobrir os lábios trêmulos da rosada com os meus.
– Sasuke? – Ouvi o grito de minha mãe me chamando.
Abri meus olhos rapidamente, amaldiçoando a minha mãe, já que ainda estava nas têmporas de Sakura a caminho de seus lábios.
A Algodão Doce afastou-se de mim sem graça, procurando pela mulher por cima dos meus ombros.
Suspirei desolado antes de me voltar para a minha genitora que apareceu no topo das escadas.
– Ah! Você está aí querido – minha face não deveria ser a das mais felizes porque ela sorriu sem graça quando se aproximou. – Pensei que você havia saído para levar a Sakura, mas quando vi os capacetes, vim procura-los para saber se a Sakura iria dormir aqui em casa – sorriu gentil.
– Ah... eu... não – gaguejou a mulher que se levantava desajeitadamente do meu lado. – Eu já estou indo, Senhora Uchiha.
– Mas está tão tarde – falou com preocupação a mais velha.
A única coisa que eu conseguia pensar era: "Eu estava tão perto!".
– Que horas são?
– Vai dar uma hora da manhã – comunicou a mais velha.
– KAMI! – Gritou exasperada botando as mãos sobre a boca. – Eu preciso ir!
– Por que você não dorme aqui em casa? – Ofereceu dando palminhas felizes a minha mãe.
– Aaa... Senhora Uchiha, eu não quero incomodar...
– Fica – pedi em um múrmuro chamando a atenção de ambas. – Mais tarde eu te levo para casa – completei mais animado, percebendo a possibilidade de dormir sobre o mesmo teto que o dela.
Sakura tentou argumentar sobre o fato de não ter roupa extra, mas tudo foi caído por terra quando eu tirei, sem pudores, minha camisa na frente das mulheres e estendi para que Sakura usasse como pijama.
Tive vontade de rir da expressão constrangida da rosada e faceira de minha mãe, mas me contive.
Minha mãe logo levou a rosada para um dos inúmeros quartos de hóspedes e eu fui para o meu quarto.
Usei o aparelho de desintoxicação para me distrair, mas não consegui dormir com meus pensamentos voando para as sensações cada vez mais fortes em relação à rosada.
Depois de mais ou menos uma hora, decidi sair da cama e caminhar pelo apartamento.
Como se eu não tivesse controle dos meus pés, acabei indo parar na frente do quarto onde a Haruno repousava.
Abri lentamente a porta e encarei pela pequena fresta, a mulher dormindo de lado na imensa cama de casal de lençóis de linho fino.
O lençol cobria seu corpo até a cintura, dando-me a visão da moça vestida com a minha folgada blusa em si. Dois botões estavam entreabertos mostrando-me o colo que subia e descia ritmicamente.
A boca entreaberta me fazia um convite silencioso que disparava e entorpecia a minha razão.
– Você está apaixonado por ela – ouvi a voz amorosa de meu irmão fazer-se presente às minhas costas.
Sorri triste sem desviar meu olhar da mulher.
– O pior é que eu não posso nem negar, nii-san.
– Por que não se declara? Vocês se dão tão bem...
– Nii-san – o cortei voltando-me para ele. – O que eu posso oferecer a ela? Casa, comida, uma vida boa? E daí? Posso dar o mundo se quiser, mas não posso ser um homem de verdade para ela – admiti em um tom de derrota o que eu me negava nos últimos dias, mas que eu sabia ser a mais pura verdade, e proferi-la em voz alta, era como se mais uma parte de mim morresse. – O pior de tudo é saber que eu amo uma mulher e nem ao menos posso tê-la porque não sou humano – sussurrei. – E não diga que eu sou uma pessoa de verdade, não tente me consolar, pois você sabe que eu não posso ser inteiramente um homem para ela. Sakura merece o melhor, merece ter um homem de verdade, mas eu não sou ele – concluí saindo daquele corredor antes que meu irmão pudesse responder.
Desci as escadas e apoiei-me no piano negro que ficava de frente a sua base.
Minha respiração estava entrecortada, mas as lágrimas que eu queria expelir não existiam em meu corpo mecanizado.
Sentei-me no piano e afundei meu rosto em minhas mãos.
Eu a amo.
Essa é a mais pura e irreverente verdade da qual não posso fugir.
– Sasuke? – Uma voz sonolenta e feminina me chamou.
Voltei-me para trás. Fazia algum tempo que estava sentado ali me lamentado.
– Algum problema Sakura? – Perguntei preocupado, mas não pude deixar de contempla-la usando minha blusa social azul marinho amassada que ia até o meio de suas coxas.
– Nenhum – coçou um dos olhos antes de bocejar e voltar a descer preguiçosamente o restante da escada. – Acordei com sede e vim procurar água – Assenti observando a mulher agora parada a minha frente com o cenho franzido para o instrumento musical. – Você toca?
– Faz muitos anos que eu não toco – murmurei baixo, voltando-me para o piano intocado. A verdade é que minha mãe havia me ensinado a tocar quando criança e sempre tocava com ela. Eram os nossos momentos felizes. Mas assim que eu cresci e entrei na adolescência revoltante, acabei parando de conviver com os meus pais. Mais brigávamos do que conversávamos.
– Toca para mim – pediu sentando-se ao meu lado.
Pensei em negar, mas assim que vi o sorriso largo em seu rosto e a dor no meu peito se acentuar, eu não resistir e resolvi abrir o teclado intocado há tantos anos.
Apertei algumas teclas de maneira incerta, como um drogado há muito tempo em abstinência reencontrando sua amada droga.
– Não vale puxar conhecimento da internet – brincou risonha ao meu lado.
Sorri fracamente e assim que encarei o ambiente escuro iluminado apenas com as luzes de Pasárgada projetada à nossa frente, meus dedos dedilharam com habilidade as teclas como se nunca tivessem parado com aquele ofício.
Em poucas notas, já era notável a melodia de Bella's Lullaby sendo reverberada pelo ambiente.
Fechei meus olhos e deixei que a melodia invadisse minhas veias enquanto que meus dedos deslizavam pelo teclado impecável.
Reabri meus olhos e encarei o rosto perplexo e encantado de Sakura, enquanto tocava as últimas notas encarando os verdes brilhantes que se tornaram o meu refúgio e minha alegria nas últimas semanas.
Assim que toquei a última nota permanecemos na mesma posição.
Um fungar baixo captado pela minha audição sensível, fez-me perceber que minha mãe estava acordada e chorando escondida no corredor do andar superior.
Aquela era a sua música preferida...
– Você... – arfou forte, tentando voltar a realidade desviando o olhar do meu – Você foi perfeito.
Minha mão direita caiu em meu colo para logo deslizar pelo tecido que recobria o seu braço pálido.
Os verdes me encararam surpresos, mas isso não me intimidou para continuar com o meu percurso.
Meus dedos longos e finos contornaram seu ombro, desenharam sua clavícula, escalaram seu pescoço, até repousarem em seu rosto.
Meu dedão acariciava em movimentos circulares a maçã rosada pelo frio de dezembro.
O dedo recaiu para os lábios entreabertos.
Desenhei o contorno deles como um pintor admirando sua obra de arte.
– Sasuk... – seu murmuro baixo foi desaparecendo até ser calado por completo pelos meus lábios em um toque inocente.
Vi os longos cílios fecharem preguiçosamente as esmeraldas, antes que a escuridão tomasse conta de mim e só a revoada de sensações reverberassem pelo meu corpo em caos.
Aprofundei levemente antes de repuxar lentamente o lábio inferior e trêmulo da menina.
A carne macia deslizou por entre meus dentes até ser completamente libertada.
Não reabri os meus olhos, apenas permaneci com a testa encostada na sua. A respiração entrecortada pelas emoções escapava dos meus lábios e me afirmavam o inevitável e cruel destino que Kami havia me colocado:
Eu a amo, mas não posso tê-la.
Em uma dose de coragem afastei o meu rosto do dela e encarei os verdes incrédulos e assustados.
O silêncio foi nosso pacto consagrado.
– É linda essa música. É uma pena que a cultura seja tão esquecida em nosso tempo – mudou de assunto assim que o silêncio se tornara insuportável.
– Uma pena mesmo – murmurei observando o teclado pálido.
Levantei o olhar assim que tive uma ideia.
Sakura se surpreendeu quando a ergui com facilidade pela cintura e a coloquei sentada em meu colo.
Meu peito nu foi acariciado pelo tecido fino que recobria a costa quente da menina.
– Sasuke?
– Shh... – chiei ao pé de seu ouvido. – Relaxa. Você vai tocar – sorri de canto assim que ela assentiu e suspirou relaxando os músculos tensos.
Segurei seus pulsos e os posicionei sobre o teclado. Deslizei minha mão sobre o dorso da mão fria e comecei a tocar usando a mão de Sakura.
Ela sorriu encantada quando meu dedo indicador fazia o seu tocar, assim ocorrendo com os demais dedos.
Lentamente a melodia de Yiruma se fez presente.
Sorri tristemente encostando minha testa na nuca descoberta pelo cabelo preso em um coque mal feito.
Ame-me.
Um pedido singelo e inocente sendo retratado pelas notas musicais naquele ambiente escuro e vazio.
Ergui minha cabeça soltando o ar preso em meus pulmões sofridos, fazendo a nuca da mulher se arrepiar pela carícia inesperada.
Encostei a ponta do meu nariz na pele desnuda sentindo os pelos eriçados.
Um arfar baixo saiu pelos lábios femininos enquanto fechava meus olhos, deixando apenas a minha audição aguçada escutar a melodia do piano em contraste com o coração ressoante como um tambor da mulher.
Deslizei meu nariz lentamente pela sua nuca até depositar um leve roçar dos meus lábios em sua lateral esquerda.
O som desafinou acordando-me para a mulher que puxara as mãos das minhas.
Suspirei desoladamente colocando minhas mãos sobre os teclados frios.
– Sakura – iniciei. Minha voz estava mais rouca do que o normal. – Eu sinto muito, mas eu não pude evitar. Eu... – suspirei baixo encarando a nuca alva. Não conseguia ver os verdes brilhantes e talvez esse fosse o motivo de minha coragem. – Eu te amo, Sakura.
Apenas a amplitude de sua respiração descompassada fora a minha resposta.
– Eu sei o que eu sou, entendo que isso não deveria acontecer e que você merece um homem de verdade, por isso não te exijo nada – admiti fechando meus olhos com força, encostando minha testa na pele desnuda. – Eu só precisava te dizer isso, mas... – arfei forte – se você não quiser nada, eu juro que mato esse sentimento, só para não ter a possibilidade de ter que me afastar de você.
– Eu não posso te responder agora, Sasuke-kun – sussurrou em um fio de voz quase inexistente.
– Eu espero sua resposta – admiti com um aperto no peito, notando que não era correspondido. – Apenas me prometa que irá me responder.
Ela assentiu antes de murmurar:
– Tudo bem.
Sem se despedi, a moça de cabelos rosas levantou-se do meu colo e seguiu para as escadarias. Nem a sede que ela dizia estar a fez desviar sua rota silenciosa ou ao menos olhar alguma vez para mim.
Continua...
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