Notas iniciais
Yooooo! Demorei, mas voltei! Tudo culpa da faculdade heheheh Hoje eu to tão feliz publicando mais esse capítulo! Tudo graças aos leitores incríveis que sempre dedicam seu tempinho para essa humilde escritora que ainda está engatinhando nessa arte que é a escrita ^^ Outra coisa também me deixou feliz!!!! Sim! Acertou quem disse recomendação *-* A incrível Elizabeth-san (Elizabeth) que não faz muito tempo que voltou ao Nyah e esbarrou por acaso na minha fic, recomendou Re/Desconfigurado *o* Sério, gente, to com lágrimas nos olhos pelas palavras dela! hahaha Realmente Elizabeth-san, esse título de fic é um pouco diferente e eu vou admitir, quando tive essa ideia de título, não pude negar colocá-lo, porque tem tudo haver com a fic e quando vocês menos esperarem eu vou explicar o por quê de Re/Desconfigurado! "Isso com certeza foi o maior erro e a maior felicidade ao mesmo tempo." Ownnn... eu não sabia se eu chorava, ria, me sentia mal ou se eu pulava de alegria ao ler essa sua frase querida! Elizabeth-chan! Muito obrigada pela sua linda recomendação! Sério! Você diz que as palavras te alcançaram, mas tenho que dizer que as suas me alcançaram! Fico muito agradecida com todo o carinho e elogios para comigo e para com essa fic que já tem um grande carinho meu desde o primeiro capítulo ^^ Espero sempre continuar a agradando! Esse capítulo é dedicado inteiramente a você! Divirtam-se... OBS: Eu acho linda essa frase do capítulo. Sempre a achei a cara de SasuSaku falando de primavera e inverno! *-*

"Claro que te farei mal. Claro que me farás mal. Claro que podemos, mas essa é a condição da existência. Receber a Primavera significa correr os riscos do Inverno. Se desistir agora será correr o risco do desaparecimento. Amo-te."

(Antoine de Saint-Exupéry)

Os raios solares transpassados pela parede de vidro, acordaram-me.

Resmunguei baixo sentindo o resultado do sono mal dormido. Por mais que eu fosse de metal, meus órgãos humanos ainda necessitavam de descanso e nutrição adequada.

Cocei meus olhos e sentei na minha cama quando me lembrei do que havia acontecido na madrugada anterior.

– Tsc. Eu não deveria ter escutado o Itachi – bati na minha testa. – Onde eu estava com a cabeça quando decidi me declarar? – Resmunguei baixo olhando para as minhas mãos artificiais.

Desistindo de persistir com aqueles pensamentos, fui trocar meu moletom por uma roupa mais adequada.

Meu coração batia mais forte pelo nervosismo enquanto descia a escada encaracolada rumo à sala de jantar onde seria servido o café da manhã.

Não sabia como seria nosso reencontro depois dos últimos acontecimentos, mas não poderia fugir, precisava encará-la.

Meus pais e Nisuke já estavam na mesa. Posicionei-me no mesmo local que na noite anterior me pertencera. Itachi e sua família logo chegaram felizes, comentando trivialidades, enquanto permanecia em silêncio.

O café já havia começado a ser servido, deixando-me angustiado para a cadeira vazia ao meu lado.

Logo, todos os presentes perceberam o que ocorreria e também se perguntaram onde estava a rosada.

– Ino, onde está a Sakura-chan? – Perguntou, finalmente, a minha mãe, para a loira prostrada em um canto.

– A senhorita Haruno saiu logo cedo – respondeu mecanicamente a loira, fazendo-me paralisar para a sua sentença.

– E-Ela foi embora? – Gaguejou a minha mãe sem acreditar.

– Sim, minha senhora.

Os talheres de prata tilintaram contra o meu prato de porcelana assim que os soltei.

Todos me olharam petrificados, mas eu sabia que por trás daqueles olhares, havia pena.

Não. Não. Ela não iria embora.

Gritava em pensamentos, levantando-me em um rompante.

A cadeira fez um barulho estridente ao ser arrastada.

Ouvi minha mãe me chamar, mas somente a rosada e o desespero era alvo de minha preocupação enquanto corria para o quarto que ela ocupara na noite anterior.

– SAKURA! – Chamei desesperado entrando no cômodo.

Olhei para os lados, mas não havia ninguém.

A cama estava perfeitamente arrumada e todos os objetos estavam em seu devido lugar, como se aquele ambiente nunca tivesse sido usado.

– Kurenai, ache a Sakura – gritei para o meu sistema operacional, puxando meus fios de cabelo em frustração.

– Sem sinais vitais da senhorita Sakura, senhor. A senhorita Haruno não está no apartamento...

– NÃO! – Berrei sabendo que poderia ser ouvido de qualquer lugar daquele apartamento.

– Sasuke... – uma voz falha e chorosa chamou a minha atenção para a porta do quarto. Era minha mãe preocupada.

Um nó se formou em minha garganta percebendo que Sakura havia ido embora sem ao menos se despedir.

Ela fugiu de mim logo depois de ter me declarado.

Aquela era sua forma de dizer que não queria ou sentia nada por mim? Pensei sentindo a raiva e a dor inundarem minhas veias. Claro! Até parece que ela iria querer ficar perto de uma aberração como eu, muito menos me amar...

Trinquei meus dentes, sentindo à vontade imensa de chorar, mas como sempre, eu sou inútil até para chorar...

Saí correndo daquele quarto, sem me importar pela minha mãe ter gritado meu nome diversas vezes ou com o fato dos meus outros familiares estarem correndo para nos alcançar.

Eu sou o mais rápido, o mais forte. Eu não sou humano e eles não são capazes de me deter.

Entrei como um furacão no meu quarto e o tranquei, antes de me jogar na minha cama.

A força que eu impunha em meus punhos fechados, faziam com que meus dedos perfurassem minha pele e expusessem os fios mecânicos, das quais eu era formado.

Levantei meu rosto do travesseiro soluçando, sem nenhum pingo de lágrimas em meu rosto, e encarei de forma inútil minhas mãos machucadas.

Gritei socando de maneira frustrada o colchão macio sob mim.

Saí da cama assim que ela cedeu quebrando-se ao meio.

Fortes batidas reverberavam pela madeira da porta enquanto olhava inútil para a cama partida ao meio.

– Sasuke, Sasuke, por favor abra a porta querido – gritava minha mãe entre soluços, enquanto meu pai continuava a socar a madeira alva.

Com meus passos descompassados, caminhei trôpego para dentro do meu closet.

Uma estante de roupas caiu quando me esbarrei nela.

Caminhando entre os destroços, cheguei até o imenso espelho de parede inteira ao fundo do meu closet.

Um homem bonito, porém com a face desesperada, era refletido.

Bonito, ri sem humor com esse pensamento.

Como eu posso ser bonito... comecei penetrando a pele abaixo de meu olho direito com meus dedos, rasgando a pele até o meu maxilar... se eu sou feito de metal?

Um sorriso de canto triste permaneceu fixo em meu rosto, enquanto jogava minha camisa para longe e penetrava diversas partes de meu corpo com meus dedos e rasgava a minha pele artificial.

Só quando fiquei ofegante e soquei o espelho rachando-o por inteiro, eu parei de me rasgar.

A imagem que se mostrava no espelho, dava-me nojo e repulsa.

Onde está o homem bonito? Uma risada sem humor saiu pelos meus lábios enquanto me apoiava no vidro quebradiço, vendo meu corpo com diversas fendas abertas, mostrando meu verdadeiro eu sob a pele artificial.

Mostrando um homem desconfigurado.

Bonito? Onde?

– Sou um monstro – sussurrei de maneira cruel – uma aberração – meu perfil se contorceu de dor. – Sou uma Fera! – Gritei.

– Você não é um monstro – sussurrou meu irmão aparecendo atrás de mim.

Fechei meus olhos e balancei a cabeça em negação.

– Como você conseguiu entrar aqui, Itachi?

– Assim que você saiu correndo da mesa, eu sabia que você se trancaria em seu quarto. Afinal, sempre foi assim, seu quarto sempre foi o seu refúgio particular – vi o seu sorriso triste com a lembrança, assim que reabri os meus olhos. – Invadi o seu quarto antes que você o trancasse.

Voltei a encarar minha aparência sendo reconstruída.

– O que aconteceu?

– Eu segui o seu conselho – admiti surpreendendo o homem. – Eu me declarei – sussurrei de maneira inútil vendo meus orbes tristes.

– Sasuke...

– Por favor, me deixe sozinho – pedi ficando de frente para ele.

Não esperei a sua resposta, voltei para o meu quarto e me deitei em uma parte ainda intacta da minha cama.

– Olha eu sei o que você deve estar pensando, mas...

­– Itachi! – Cortei-o, erguendo meu tronco para olhá-lo nos olhos. – Eu quero ficar sozinho!

– Tudo bem – sussurrou após um suspiro alto. – Apenas repense em tudo com calma. Aposto que há uma justificativa para tudo...

– Ela não me ama, Itachi! – Berrei, mas logo a minha raiva foi substituída por dor. – Ela não me ama – murmurei afundando meu rosto no travesseiro.

Itachi não disse mais nada, apenas saiu de maneira silenciosa do meu quarto.

Passei horas afundado em minha própria dor.

Não comi, não me levantei, não me movi, não dormir.

Vi o sol movimentar-se pelo céu límpido.

Vi o sol se pôr e ser substituído pela lua pálida e algumas nuvens prateadas.

Vi a aurora resplandecer no horizonte, brincando com a mistura de cores primárias pelo céu.

Vi o sol subir a pino...

***

Ouvi a porta ser aberta de maneira delicada antes da voz suave chegar aos meus ouvidos.

– Meus cálculos me dizem que devo transferir uma lembrança para o senhor – comentou mecanicamente próxima à porta.

– Ino, eu quero ficar sozinho – minha voz saiu rouca e fraca. Meus olhos não se desviaram da paisagem à minha frente.

– Mas é sobre a senhorita Sakura – insistiu me surpreendendo. Um robô nunca insistia se não fosse necessário para o seu dono. O segundo motivo de minha surpresa é que era sobre a Sakura.

Pela primeira vez, desviei meu olhar para a loira que me observava com uma feição inalterada.

– E como você faria isso?

– Seu sistema operacional faria download do arquivo que eu irei transferir para o senhor – assenti de acordo.

Kurenai, você pode fazer isso?

– Sim, senhor. Deseja que eu faça download do arquivo que Ino está lhe transferindo?

Sim.

– Download em 5%... download em 10%... download em 20% – Kurenai me informava o progresso – download em 100%... download concluído e pronto para ser utilizado.

Mostre-me Kurenai, ordenei olhando para Ino.

– Sim, senhor.

De maneira estranha a imagem mudou.

Eu não estava mais vendo o meu quarto, mas sim as lembranças de Ino.

Uma porta alva típica dos quartos do apartamento de meus pais aparecia na minha frente.

Uma pequena mão alva bateu levemente na porta e eu soube que estava vendo pelos olhos de Ino.

– Senhorita Sakura, posso entrar? – Perguntou assim que uma Sakura surpresa abriu a porta.

Meu coração se apertou com a imagem dela.

– Ah, sim, claro – sorriu gentil para a loira, dando-lhe espaço para entrar.

– Não precisava ter arrumado a cama, senhora. É meu dever fazer as tarefas domésticas e tudo o que o senhor Uchiha mais novo deseja.

– Eu não gosto de incomodar e também já estou acostumada a fazer as minhas próprias tarefas domésticas – riu sem graça a rosada coçando a nuca. – Mas... eu posso pedir um favor? – Murmurou com as bochechas rosadas.

– Eu sirvo apenas aos meus patrões, mas principalmente ao senhor Uchiha Sasuke. No entanto, meus cálculos indicam que meu senhor tem uma grande estima pela senhora – Sakura ficou completamente vermelha com a sentença da loira, com certeza se lembrando o que realmente significava "estima" – e com certeza é de seu desejo que também sirva as ordens da senhora.

– Ordens? Não, não. Eu só quero pedir que pare de me chamar de senhora, senhorita e por todos esses modos. Chame-me só de Sakura, por favor – falou apressada.

Ino piscou várias vezes como se estivesse processando a informação.

– Pedido? Chamar pelo nome? Por favor? – Sussurrou. – Tem certeza senhorita? – Sakura assentiu sorridente. – Tudo bem... – fez uma longa pausa – Sakura – disse com dificuldades.

A rosada deu palminhas feliz.

– Obrigada, mas... qual o seu nome? – Perguntou sentando-se na borda da cama.

– Ino.

– INO? – Perguntou espantada.

– Algum problema, Sakura?

A moça riu sem graça lembrando-se de algo.

– Não, não. É só que então é você a famosa Ino – riu mais abertamente. – Você é um robô. Eu pensei que fosse... – sua voz morreu sem graça. – Mesmo assim, você é muito bonita Ino – sorriu terna.

– Hn. Obrigada? – Perguntou incerta.

– Pelo visto você não é muito acostumada a receber elogios.

– Fui programada e reprogramada apenas para servir.

– Que triste.

Após um tempo em silêncio, a loira indagou:

– Está muito cedo para se levantar. Meus sensores me alertaram que você já havia despertado e por isso vim verificar. A senhorita... quer dizer... você vai para algum lugar?

A outra mulher suspirou com os olhos fechados antes de admitir:

– Eu estou indo embora, Ino.

– Mas e o senhor Uchiha?

– Eu entendo, mas... é melhor não nos vermos por hora depois de tudo – desviou o olhar para o chão. – É complicado, sabe. No entanto, nós nos vemos todo o dia e quem sabe mais tarde ele não vá me visitar ou amanhã. Vai ser melhor para ambos não nos vermos por hora.

– Meus cálculos me dizem que o senhor Sasuke não irá reagir bem à sua ausência repentina.

A feição da outra entristeceu para a loira.

– Então diga a ele o que eu lhe disse quando seus cálculos acharem que for necessário.

– Tudo bem, Sakura.

– Obrigada, Ino – agradeceu sorridente a Algodão Doce. – Você me parece ser uma ótima amiga.

A imagem desapareceu e eu voltei a focar na loira que me olhava de maneira impassível.

– Meus cálculos me dizem que o senhor deve ir atrás dela.

Minha boca entreabriu-se, mas nenhuma palavra saiu por entre meus lábios.

Levantei-me da cama de maneira torpe indo em direção ao meu banheiro.

Tomei um banho gelado e me arrumei rapidamente.

Uma das qualidades de não ter a pele humana é que eu não ficava com olheiras, porém o cansaço estava evidente em meu olhar e cabelo desalinhado.

Tudo efeito de uma noite mal dormida e do desespero pelo que eu mais temia se tornar-se realidade.

Quando voltei para o quarto, vi que Ino já havia começado a limpar a bagunça. Dois outros robôs a ajudavam no serviço de retirar a minha cama quebrada do meu quarto.

Ela direcionou um aceno simpático em despedida enquanto voltava a comandar Sai e Shino naquela tarefa.

Senti-me um pouco mal pela loira. Era sempre ela que acabava tendo que arrumar todas as minhas bagunças e ataques que eu tinha.

Entortei minha boca em desgosto para as minhas atitudes impulsivas.

Céus, eu preciso aprender a controlar isso!

Gritava em pensamentos enquanto dirigia para a Segunda Zona sobre a minha moto.

O trânsito estava tranquilo e quase inexistente na outra Zona.

Assim que estacionei naquela pequena viela de chão de paralelepípedos de concreto, rodeado de construções simpáticas, observei a janela do segundo andar do hotel amarelo desbotado.

Estava aberta, o que denunciava que ela estava lá.

Fechei meus olhos e concentrei-me em minha audição para poder ouvir o que ocorria lá dentro.

Eu não podia negar... eu estava nervoso.

Mas o que eu escutei, me surpreendeu.

– Então é por isso que o Falcão não está aqui em posição de guarda como um cachorrinho mandado? – Perguntou séria Karin.

– É – admitiu em um sussurro a rosada.

Arregalei meus olhos ao perceber que a ruiva estava com a Sakura. Eu deveria invadir o local, mas elas não pareciam prontas para se matarem com o tom de voz delas e mais... elas estavam falando de mim.

A curiosidade me fez ficar parado escutando a conversa alheia.

Um suspiro alto saiu pelos lábios da ruiva.

– Sakura, sinceramente, como é que você não percebeu que o moreno baba por você? Tsc. Vocês são uns lerdos mesmo. Só foi eu ver o Falcão saindo em disparada por Boca para te salvar que eu saquei qual era a dele.

– Eu pensava que era só amizade – defendeu-se.

– Amizade? Sério? Conta outra! – Debochou a ruiva.

A Sakura contou para Karin que eu me declarei para ela? Pensei surpreso. Aquelas duas não se bicam e agora contam confidências como melhores amigas?

– Mas vamos direto ao ponto – iniciou a ruiva. – O que você sente pelo Falcão?

Engoli em seco com a demora dela ao responder o que eu tanto queria saber.

– Eu... eu não sei – admitiu em um suspiro. – Eu tenho um carinho imenso pelo Falcão. Ele foi a única pessoa em toda a minha vida que fez algo para mim sem pedir nada em troca, mesmo que eu insista em pagar tudo o que eu lhe devo. Eu sei que eu sinto algo por ele, mas não sei se é amor ou com a mesma intensidade que ele diz sentir por mim, mas eu sei que não quero perdê-lo.

Eu também não quero te perder Algodão Doce.

– Você está bloqueando seus sentimentos, por isso não sabe a verdade – conseguia imaginar a ruiva massageando as têmporas enquanto falava com Sakura sobre aquele assunto.

– Karin, você sabe o porquê de tudo. Você e eu, por mais que tenhamos personalidades diferentes, vimos do mesmo buraco que é Boca. Aprendemos a sobreviver, a suportar aquela vida na marra. Você sabe o porquê!

Um suspiro cansado se fez presente.

– Você tem razão – Karin está admitindo que alguém tem razão? Fiquei surpreso. – Nós infelizmente nos entendemos – riu sem humor. – O amor não é uma opção para nós. Aprendemos desde cedo a não confiar em ninguém, muito menos amar alguém. Esse é o maior erro de uma pessoa de Boca e é justamente esse pensamento que você está colocando em relação ao Falcão.

– Exatamente. Quando eu era pequena, eu tinha um único amigo, ele se chamava Sasori. Brincávamos todos os dias depois que eu fugia de casa para não escutar minha mãe gemendo em seus programas. Ele era gentil e acabei me apaixonando por ele – engoli em seco sabendo que Sakura já se apaixonara por outro homem – era só uma paixonite infantil, mas que me rendeu meu primeiro relacionamento, meu primeiro beijo e o meu primeiro contato com um homem. Ele foi o homem que eu pensava em poder ter um futuro diferente, longe daquele lugar – disse envergonhada. – Mas... depois que eu perdi tudo, eu soube que Sasori se corrompeu e acabou virando um dos capangas de Suigetsu.

– Ah! Eu me lembro daquele ruivo. Ele era muito bonito e muito bom de cama. Como é que você permaneceu virgem se "namorou" com ele? – Perguntou incrédula.

Sakura tossiu engasgada pela mudança abrupta de assunto.

– Tsc, Karin. Por que você sempre tem que ir para esse assunto?

Karin riu alto pelo desconcerto de Sakura.

– Você ainda não me respondeu.

– Eu... quer dizer... nós até avançamos algumas vezes, mas eu sempre travava e ficava envergonhada quando estava só de lingerie – O QUÊ? Um homem já tocou na minha Sakura e ainda a viu de lingerie? Trinquei os dentes com raiva –, mas Sasori por mais que ficasse chateado e até mesmo com raiva, acabava aceitando a situação dizendo que estava tudo bem.

– Entendo...

– O pior aconteceu quando encontrei o corpo sem vida de Sasori em um dos becos de Boca.

– Era uma mensagem de alerta.

– Sim. O Hozuki queria dizer que ele mataria todos que eu amasse até me ter.

– Eu me lembro do dia em que ele descobriu a ligação entre vocês no passado. O torturou por dias e fez questão que você visse o resultado com os próprios olhos.

– Eu tenho medo de perder mais pessoas que eu amo e tenho medo de não corresponder ao Falcão verdadeiramente caso eu diga sim, mas principalmente tenho medo de sofrer.

– Eu também conheci Suigetsu quando era apenas uma criança de cinco anos – uma exclamação surpresa foi solta pela rosada. – É eu sei... ninguém sabe disso e ai de você se algum dia contar para alguém – ameaçou. – Começamos como você e Sasori, até um dia meu pai, um porco viciado em drogas, ter me vendido sem dó para um cafetão da área. Suigetsu ficou desesperado enquanto eu era arrastada pelos cabelos para aquele bordel. Ele gritava para que parassem. Tínhamos apenas 7 anos e estava sendo levada para aquele mundo. Ele gritou que um dia me tiraria daquele lugar, mas foi calado quando um dos capangas do cafetão bateu nele até que ficasse inconsciente.

– E-Eu... não sabia – sussurrou a outra.

– Ninguém sabe – suspirou. – Perdi minha inocência entre lágrimas naquele dia por aquele homem sem dó. Programas e mais programas vieram um atrás do outro. Eu era castigada severamente sempre que eu chorava. As outras prostitutas riam de mim, humilhando-me cada vez mais. A vida jogou na minha cara que eu precisava crescer e foi o que eu fiz. Eu engoli minha dor e meu orgulho, deixando-os no passado. Minha adolescência foi limitada entre aquelas paredes mofadas e ratos mortos pelos cantos. Homens podres, bêbados e fedorentos procuravam-me todas as noites. Existia dias que eu ficava sem comer para atender a demanda que o cafetão me colocava. Era uma questão de dinheiro, quanto mais eu atendesse, melhor para ele. Eu era um objeto e não uma pessoa. Aprendi a ser respeitada e idolatrada em Boca. Minha fama aumentou exponencialmente até que um dia eu fui chamada no escritório do cafetão. Como sempre quando isso ocorria, eu esperava que fosse para que eu o satisfizesse, mas naquele dia foi diferente... naquele dia, quem estava sentado de frente para o cafetão desesperado, era o chefe do tráfico... era Suigetsu e uma mala cheia de dinheiro aberta para o meu carrasco. Eu fiquei sem reação, já tinha perdido as esperanças em revê-lo e muito menos de ser libertada daquele lugar, mas ele estava lá, alto, mais velho, com um sorriso de canto sombrio no rosto enquanto me analisava e dizia "Oi Karin". Ele me comprou por um valor muito alto e me fez sua naquela mesma noite. Eu não sabia o que eu sentia. Suigetsu não demonstrava nenhum afeto por mim, mas me sentia a melhor quando eu estava ao seu lado ou quando ele matava os homens que ousavam tocar em mim. Eu me apaixonei por um homem cruel, pois foi a única forma de "atenção" e "carinho" que conheci em toda a minha vida. Não pude evitar e ainda não posso deixar de amar o homem que anos depois se encantou por outra garota mais jovem e me dispensou para outro cafetão como se ele tivesse me comprando do anterior, só para saudar a sua dívida comigo.

– Eu sinto muito, Karin – disse sincera em um sussurro.

– Não sinta. Por mais que eu tenha me sentido novamente uma criança perdida e humilhada quando ele me deixou mostrando que eu não era correspondida, eu soube dar a volta por cima e irei me vingar dele metendo uma bala no meio dos seus olhos violeta – a ruiva riu depois que fez sonoplastia do tiro. Sakura também riu suavemente. – Eu só te contei isso, porque... se você amar o Falcão de verdade, será impossível trancar esse sentimento dentro de si. Diferente da minha má sorte, você tem um homem... – sua voz mudou para desgosto – mais ou menos bom – as duas riram. – Ele nunca te machucaria, posso ver isso nos olhos dele, quando ele te olha. Ele faria o impossível por você, Sakura, até mesmo desafiar o chefe do tráfico.

Eu nunca pensei que diria isso, mas...

Obrigado, Karin.

– Obrigada, Karin – falou gentil a rosada.

– Olha, é a primeira vez que alguém me agradece – falou com falso sentimentalismo a ruiva tirando gargalhadas da rosada.

– Até que você não é tão insuportável quanto eu imaginava que era em Boca.

– Pois eu não posso dizer o mesmo. Sempre te achei uma tapada e o fato de você não ter percebido os sentimentos do moreno delícia por você ou ainda se manter virgem ao lado de Sasori e de Sasuke, me fazem ter certeza que você é uma tapada de primeira.

– Vou tentar aceitar sua fala como elogio.

– Entenda como quiser!

Elas começaram a falar banalidades quando eu finalmente decidi sair da minha moto e entrar no local.

As duas pararam de falar assim que eu entrei no quarto.

– E aí Falcão? Você está com uma cara péssima – debochou Karin.

– Pior do que você, tenho certeza que não estou – fuzilei a ruiva com o olhar, antes de voltar a encarar a rosada inquieta e nervosa sobre a cama.

Um sorriso fraco estampou-se em seu rosto.

– Ah, oi Falcão – acenou para mim.

– Oi Sakura.

Vi Karin revirar os olhos para o nosso diálogo sem vida.

– Bem, vamos ao que interessa. Haverá uma luta ilegal em Boca promovida pelo Hozuki nesta sexta-feira, precisamos colher informações na festa – nós dois assentimos para ela. – Encontrem-me no bordel onde eu trabalho às nove. Eu só vim dizer isso – informou arrumando a alça da bolsa no ombro, levantando-se da cadeira com o nariz empinado para mim. – Tchauzinho pombinhos – acenou piscando um olho enquanto saia do quarto.

Karin, nunca deixava de ser Karin. Tinha que esnobar as pessoas e deixa-las em situações constrangedoras.

Voltei a olhar Sakura que estava vermelha encarando a porta.

Um sorriso fraco e tímido esboçou em seu rosto ao me ver encarando-a.

– Sobre ontem...

– Tudo bem. Eu disse que eu iria esperar o tempo que fosse e é o que eu vou fazer – a cortei.

– Obrigada – sussurrou abaixando o olhar. – Sinto muito por ter fugido daquela forma, eu não devia...

– É, você não devia – disse frio surpreendendo-a, mas assim que os verdes voltaram espantados para mim, eu suspirei me acalmando –, mas isso não importa mais. É passado, apenas esqueça isso e pense com calma sobre tudo – peguei-me dando o mesmo conselho do meu irmão.

Sorri de canto me recordando.

Sakura retribuiu com um largo saindo da cama para alinhar a roupa de garçonete que ela usava.

– Que roupa é essa? – Perguntei confuso.

– Ah, eu ia te contar depois do jantar, mas aí tudo aconteceu e eu não consegui – riu sem graça. – Eu consegui um emprego de verdade! – Comentou empolgada.

– Mas você não tem nem documentos e decidimos que você ficaria assim para que eles não te encontrassem pelos seus dados.

– Eu sei, mas... na manhã antes do jantar eu fui até o bar e pizzaria que tem aqui na frente. Fui procurar alguma coisa para comer e acabei conhecendo a Tsunade, que é a dona do local. Ela é uma figura – riu da lembrança. – Mete medo em todos os homens que vão lá e até fez um correr quando um bêbado tentou me alisar na rua – gargalhou. – Foi hilário ver aquela mulher ameaçando-o com uma vassoura se bem que eu sempre ando com uma faca pela rua – deu de ombros. – Conversei com ela e conheci Shizune, sua garçonete robô. Perderam recentemente um funcionário e estavam procurando outro. Eu expliquei que não tinha documentos, mas ela me aceitou mesmo assim dizendo que tinha gostado de mim – sorriu satisfeita.

– Você está trabalhando como garçonete em um bar? – Perguntei incrédulo com a cena da Sakura rodeada de bêbados.

Sim, da história toda, essa foi a parte que mais me chamou a atenção.

– Bar e pizzaria – me corrigiu. – E não me olhe com essa cara torta porque eu preciso arrumar dinheiro para me bancar sozinha e claro, te pagar o que eu devo.

Fiquei sério, percebendo que ela estava tentando desfazer uma coisa que a deixava presa a mim.

– Faça como quiser – cruzei os braços.

Ela deu de ombros calçando as sapatilhas para ir trabalhar.

– Tchau – acenou para mim saindo pela porta.

– Quem disse que eu vou embora? – Estreitei os olhos com um sorriso de canto no rosto enquanto caminhava lentamente em sua direção.

– Hã?

– Vou ver você trabalhar – dei de ombros passando por ela de maneira confiante. – Ué, você não vem não? – Olhei por cima do ombro a mulher ainda paralisada em frente a porta do quarto. – Creio que Tsunade não tolera atrasos.

Bufando Sakura desistiu.

Ri abertamente o que a frustrou ainda mais.

Eu não estava afim de ir para um bar, mas não deixaria Sakura sozinha no meio daqueles homens alterados com cantadas baratas para ela.

Ah, isso eu não deixaria de jeito nenhum!

Continua...

Notas finais
hehehehehehehe Altas revelações nesse capítulo hehehe Ino e Karin estão se saindo belos cupidos desses dois! E aí gente o que vocês acharam? Quero saber a opinião de vocês hein! O próximo capítulo ainda não está pronto, mas o título provisório é Tentação hahahaha só para atiçar a imaginação de vocês hehehe Sou má! Beijinhos. Até a próxima pessoal o/