Notas iniciais
Oieeee ^^ Esse capítulo está pequeno, mas é porque eu queria deixar essa parte isolada. Ela precisa de uma atenção especial, já que a Sakura irá descobrir a verdade O.o Hoje queria destacar uma pessoa maravilhosa e sim, acertaram se pensaram em recomendação *-* Tive a felicidade de encontrar e me esbaldar em risadas com a linda recomendação da Carolina-san (UchihaKarolina)! Sim, sim, sim gente, eu não me canso de lê-la! Essa garota é diva nas recomendações! Até Star Wars entrou no meio hahahaha sendo que eu sempre acho essa história mais para Robocop ;P Muito obrigada Carolina-chan! Me deixaste muito feliz e foi um presente de aniversário adiantado muito lindo! Muito obrigada pela consideração e cara... eu amo essa parte: "Você simplesmente não poderá viver em paz sem ler essa fanfic!" Até eu me senti intimidada por essa frase hahahahaha Muito, muito, muito obrigada novamente e espero que goste deste capítulo dedicado à você! *---* Espero que gostem! ^^

"Amo com tamanha ferocidade que morro quando o objeto de meu amor mostra por uma só frase que pode escapar."

(Virginia Woolf)

– Sakura, por favor, me escuta – implorei dando um passo na direção dela.

– Não se aproxime de mim! – Gritou entre soluços, enquanto se arrastava pelo chão segurando com força a fina toalha branca que escondia a sua nudez.

– Sakura, por favor! – Implorei sentindo o desespero inundar meu ser.

– NÃO! – Berrou com as lágrimas inundando com mais força a pele avermelhada de seu rosto. – Não, não, não – murmurou encolhendo-se em posição fetal.

– Eu posso explicar! – Gritei.

– Vo-você é um robô – murmurou me olhando com receio pelo canto do olho, fazendo-me ficar mais desesperado, sentindo a tênue sustentação para suportar aquela vida ruir aos poucos.

– Não, eu não sou, eu...

– NÃO MINTA PARA MIM! – Gritou levantando-se do chão me olhando com raiva e... medo?

Minha boca secou.

Minhas mãos ergueram-se na tentativa de alcançar o inalcançável.

Alcançar o tempo, o carinho, as risadas, as brincadeiras, e principalmente, a Sakura.

– Níveis elevados de adrenalina – comunicou Kurenai.

Eu queria chorar, eu queria ter lágrimas, eu queria correr, eu queria ser cego para não ver aquele olhar.

Eu queria tantas coisas, mas como um inútil permaneci encarando a rosada chorar na minha frente, trêmula pelo medo que eu sabia que ela sentia.

Eu queria ser humano para ela.

Para que ela não sentisse medo de mim.

Eu sabia que um dia ela poderia descobrir a verdade, mas eu esconderia a verdade até não conseguir mais, pois sabia que poderia perdê-la como estava acontecendo nesse exato momento...

Sakura fez o impulso de sair correndo, mas no desespero de vê-la se afastar, eu fui mais rápido...

Segurei pelo seu cotovelo direito e joguei-a na cama.

Subi na cama e tampei a sua boca antes que ela gritasse.

Com a mão esquerda segurava ambos os pulsos acima de sua cabeça, enquanto seu quadril era imobilizado pelos meus joelhos e seu corpo, pelo meu peso.

Ela se debatia embaixo de mim e eu me odiava por simplesmente não poder deixá-la partir.

Os grunhidos baixos chegavam aos meus ouvidos assim como as batidas de seu coração acelerado e retumbante como um tambor.

Os verdes estavam arregalados e desesperados.

– Por favor – murmurei implorando – eu só quero explicar – meu rosto se contorcia pela dor que sentia em meu peito – eu posso explicar, por isso, me dê só uma chance.

Ela parou de se debater um pouco, mas seus olhos embargados ainda me olhavam com desconfiança.

– Eu nunca te machucaria – falei desesperado. – Eu só quero explicar!

– Senhorita Sakura. Algum problema? Ouvimos o seu grito lá debaixo – a voz de uma das funcionárias do hotel reverberou pelo quarto atrás da porta de madeira após batidas insistentes. – Senhorita Sakura?

Balancei minha cabeça em derrota para os lados, sabendo que tinha que soltá-la e ouvir seus julgamentos.

Fechei os olhos e encostei nossas testas.

– Por favor – implorei em um murmuro enquanto retirava minha mão lentamente sobre a sua boca.

Bufadas de ar de sua boca arfante acertavam o interior da minha entreaberta e tão próxima da sua.

Eu não tinha coragem de olhar e o silêncio me corroía por dentro.

– E-Eu... – gaguejou baixo antes de pigarrear para limpar a garganta e disfarçar a voz embargada pelo choro anterior. – E-Eu estou bem, Nayume-san! Foi só um susto. Nada demais!

Abri meus olhos surpreso e encarei em expectativa as esmeraldas que se desviaram do meu olhar.

– Tem certeza senhorita?

Sakura voltou a me analisar com desconfiança, mas logo disse:

– Sim! – Um pequeno sorriso involuntário esboçou-se em minha face, por isso ela acrescentou. – Qualquer problema, eu lhe chamarei!

– Tudo bem.

– Obrigado – murmurei agradecido assim que os passos distantes da funcionária denunciaram que ela já estava longe.

– Não agradeça – disse ríspida se remexendo em baixo de mim. Soltei-a e ela me empurrou, para que eu ficasse em pé de frente para a cama, enquanto ela se encolhia abraçando o corpo enrolado apenas pela toalha. – Não agora. Você me deve uma boa explicação.

– Eu te conto tudo. Eu vou me explicar. Só por favor, me escute e só me julgue quando eu terminar – implorei me ajoelhando em frente da cama.

– Tudo bem – murmurou enxugando os traços molhados persistentes em seu rosto.

Respirei fundo antes de começar:

– Eu não sei bem como começar, mas você tem que saber que isso tem a ver com o Hozuki Suigetsu e o porquê de eu querer me vingar dele – ela me encarou confusa e ao mesmo tempo curiosa. – Uma vez você me contou a sua história e nada mais justo eu contar a minha. Eu te disse que eu te contaria meus reais motivos algum dia, mas a verdade era que eu não queria te contar, porque... – abaixei meu olhar para as minhas mãos inquietas sobre a cama antes de sussurrar: – eu tinha medo da sua reação e de te... perder – levantei meu olhar relutante e encarei a face surpresa da menina. – Eu tinha medo de perder a única amizade que eu conquistei depois de tudo o que me aconteceu e principalmente, tinha medo de perder a única coisa que me faz me sentir humano.

Ela permaneceu petrificada me encarando com a boca entreaberta.

– Eu tinha 20 anos quando tudo aconteceu. Era apenas um moleque que ia para Boca e lutava em lutas ilegais enquanto meu amigo apostava, fazendo com que nós ganhássemos muito dinheiro nas apostas.

– Você era humano? – Perguntou em um fio de voz franzindo o cenho curiosa.

Eu assenti.

– Sim, Sakura. Naquela época eu era 100% humano. Nenhum fio mecânico constituía o meu corpo, mas... após uma noite comum de mais uma vitória, eu resolvi comemorar satisfazendo os meus desejos com prostitutas, algo comum para mim na época – vi Sakura retorcendo a boca em desgosto, então tratei logo de me explicar. – Como eu disse, eu era apenas um moleque e não me orgulho do que fazia.

– Prossiga.

– Eu conheci uma ruiva prostituta que chamou a minha atenção aquela noite e acabei levando-a para o beco...

– Céus, Sasuke! Eu não quero escutar sobre os seus casos! – Disse exasperada.

– Sakura, apenas me escute, por favor. Eu preciso te contar isso ou então você não irá entender!

– Tudo bem – murmurou emburrada.

– O nome dela era Karin...

– A ex-preferida do Hozuki? – Perguntou incrédula.

– Se você ficar me interrompendo toda hora eu não vou conseguir te contar a minha história! – Murmurei.

A rosada bufou e resolveu ceder.

– Eu me satisfiz com essa mulher, só que eu não sabia que ela era propriedade privada do Hozuki na época – Sakura abriu a boca para fazer um comentário só que a interrompi erguendo uma mão para calá-la com o gesto. Ela praguejou e voltou a emburrar-se. Ri um pouco de canto percebendo que ela estava tensa com a situação, mas estava relaxando aos poucos. – Ele nos pegou no flagra e mandou a ruiva entrar. Ela riu em desdém de mim – disse com raiva apertando os punhos – minha vontade era de arrancar a cabeça dela – admiti tentando relaxar com as lembranças que inundavam meus pensamentos. – O Hozuki, por outro lado, após a fuga da ruiva, mandou Juugo e mais um robô segurança e lutador, darem um jeito em mim. Eu tentei revidar atacando o Suigetsu, mas como recompensa apenas conseguir um buraco de bala em mim e uma morte lenta e dolorosa regada de socos por aqueles dois seguranças – a rosada me encarava incrédula.

"Eu morri naquela noite Sakura. Sei que pode parecer surreal, mas a verdade é que só fui salvo porque a polícia chegou na hora para dar um jeito naquele ninho de ratos. Os homens que me espancaram até a inconsciência fugiram e a polícia me encontrou com o corpo irreconhecível.

"Minha família é dona de uma empresa robótica e financiaram um projeto totalmente inovador chamado Projeto Falcão. Eles construíram esse corpo mecânico e alojaram nele os poucos órgãos vitais que puderam salvar do meu antigo corpo. Sei que é assustador, mas... eu não sou nem homem, nem robô... sou uma mistura dos dois e depois de 12 anos desacordado, eu acordei nesse corpo formado por 70% de máquina."

– DOZE ANOS? – Gritou exasperada.

– Sim – sussurrei. – Sei que é confuso, mas eu tenho 32 anos terrestres, 26 anos de aparência e 20 anos de mentalidade.

– Isso sim é confuso – murmurou atordoada olhando ao redor como se tentasse absorver tudo o que eu disse.

Suspirei de olhos fechados antes de reabri-los e me levantar. Dei dois passos para trás e coloquei as mãos nos bolsos em derrota.

– Eu quero me vingar pelo que ele me fez me tornar – murmurei chamando a atenção da rosada. – Eu sou uma aberração, eu sei, por isso entendo o seu motivo para ter repulsa de mim. Se você quiser ir embora e nunca mais olhar na minha cara, eu... – respirei fundo – eu te entendo, Sakura.

Sakura me encarava profundamente em silêncio e de maneira séria.

Depois de alguns segundos ela se levantou da cama e caminhou até ficar a um passo de mim segurando com força a sua toalha.

– Eu não acho que você seja uma aberração – murmurou com o olhar baixo e o rosto corando envergonhada. – Só acho que você seja um deficiente físico muito dependente de uma prótese humana.

Olhei incrédulo para a garota e não me aguentei, caí na gargalhada, antes de puxá-la para um abraço apertado.

Ela soltou um gritinho baixo e surpreso, mas permitiu que eu a envolvesse.

– Obrigado – murmurei com o rosto enterrado nas madeixas rosas. – Isso quer dizer que você não vai me repudiar e me aceita como eu sou? – Perguntei esperançoso. Um sorriso largo já se encontrava em meu rosto fora do campo de visão da mulher.

– Você é um tolo por achar que alguém te repudiaria por algo desse tipo – sussurrou com o rosto escondido em meu peito.

Apertei mais ela contra o meu corpo e senti as mãos alvas se apoiarem incertas sobre a minha camisa.

– Você que é estranha. Pessoas normais não entenderiam isso tão facilmente. Elas ficariam com medo de mim...

– Então elas que são idiotas – disse com um tom de desgosto na voz que me fez rir. – E... admito que senti um pouco de medo no início – murmurou baixo.

– Tudo bem.

Permanecemos por alguns instantes daquela forma, com a minha mão esquerda rodeando a sua cintura, enquanto a minha direita acariciava os fios curtos e macios pela ação do secador agora quebrado e jogado no chão.

Senti o calor e o coração dela retumbando de encontro ao meu, isso fazia com que meu corpo entorpecesse e eu esquecesse dos meus problemas.

– Eu quero ver – murmurou.

– O que? – Perguntei sem entender, afastando-a um pouco do meu corpo para encarar as esmeraldas sérias.

– Como você é por dentro – falou envergonhada enquanto corava e desviava o olhar.

– Você é mesmo muito curiosa – desdenhei sorrindo um pouco fazendo ela inflar as bochechas vermelhas.

– Ah, qualquer um ficaria curioso – tentou se defender depois que eu ergui seu queixo para que ela me encarasse.

– Tudo bem. Só não se assuste, ok? – Pedi enquanto desfazia o abraço e tirava a minha camisa, jogando-a em seguida para um canto longe.

Sakura pigarreou alto e virou um tomate de tão vermelha desviando o olhar, abraçando o corpo, constrangida.

– Eu pedi para ver como você era e não para tirar a roupa – reclamou encolhendo-se.

– Como você quer que eu te mostre vestindo uma camisa? – Indaguei sorrindo para o constrangimento dela.

Pus as mãos na cintura esperando que ela cedesse e me olhasse.

– Isso é constrangedor – murmurou olhando para mim.

– Tem certeza que você quer fazer isso? – Ela apenas assentiu. – Tudo bem então.

Enfiei meus dedos em meu tórax e rasguei a pele.

– Isso é nojento – comentou retorcendo o rosto.

– Se quiser, eu paro.

– Não, não. Continue, por favor.

– Curiosa – murmurei continuando a abrir o tecido. Afastei alguns fios mecânicos que se modelavam de maneira parecida aos músculos humanos até deixar a mostra alguns órgãos em funcionamento, sendo que todos estavam envoltos de uma cápsula dura e transparente.

Olhei para Sakura esperando que ela desmaiasse, mas ela parecia em transe com a visão.

Sua mão direita desfez o abraço e se estendeu em direção ao meu corpo. Segurei seu pulso antes que ela se aproximasse mais.

– Qual é, Sasuke? – Reclamou. – Nunca deixou uma garota "tocar" o seu coração? – Brincou risonha me deixando desconfortável.

Se eu fosse humano, teria corado.

Desviei o olhar para sua mão, soltando-a ao mesmo tempo.

Talvez... uma esteja já tocando ele, pensei observando-a.

Sakura permaneceu parada por algum tempo, mas logo se aproximou mais do meu corpo e delicadamente dedilhou o contorno da cápsula de tamanho perfeito para acomodar o órgão pulsante, mesmo em seu estado expandido.

Ela olhava fixamente para o órgão de maneira encantada. O problema é que meu corpo reagiu e nós dois vimos o meu coração disparar com a sua proximidade.

– Está nervoso, Falcão? – Brincou risonha e eu rir sem humor tentando disfarçar meu constrangimento.

Desviei meu olhar para o chão, mas me surpreendi ao ouvir o sussurro proferido pelos lábios vermelhos da moça.

– É lindo.

– Lindo? – Perguntei rindo incrédulo para ela. Meu corpo começava a se reconstruir e ela teve que tirar a mão do meu interior, voltando a se abraçar. – Sakura, eu sou um monstro, uma aberração, um Frankenstein do século XXIII. Sou um homem Desconfigurado, Sakura. Como é que eu posso ser lindo dessa forma? – Falei com raiva.

– Tudo tem a sua beleza, Sasuke. É só saber enxergá-la com os olhos certos – falou séria me calando. – Com licença, preciso me trocar – murmurou depois de um longo silêncio.

Eu assenti entendendo que ela precisava ficar sozinha no quarto, já que o banheiro estava tomado pelos cactos do espelho do banheiro recém quebrado.

Despedi-me dizendo que tinha algumas coisas para fazer, mas apenas queria ficar sozinho e repensar em tudo o que ela havia me tido.

Há beleza em meio à feiura?

Continua...

Notas finais
Esse capítulo não teve tanta agitação como os anteriores hehehe mas a emoção volta no próximo capítulo! Espero poder ouvir as opiniões de vocês! Sejam bem vindos novos acompanhamentos! Obrigada aos que favoritaram e aos vários comentários! Vocês são lindos *-* Até a próxima pessoal! Tentarei não demorar tanto hehehe