Notas iniciais
Yo! Desculpem o sumiço! Estava escrevendo outras fics minhas em andamento, mas já voltei ^^ e com um capítulo grande para recompensar a minha demora hehehe Bem vindos novos acompanhamentos ^^ Muito obrigada aos que comentaram e aos que favoritaram a história! Espero continuar agradando vocês ^^ Divirtam-se...

"A solidão é a mãe da sabedoria"

(Laurence Sterne)

– Ei você – chamei um pouco ansioso pela loira que encontrei na cozinha da casa dos meus pais. Todos os empregados robóticos olharam para mim sem entender – Iro... Ito... – tentava me lembrar do nome da loira de olhos azuis que me encarava confusa – Imo?

– Não é mais fácil acessar o banco de dados, senhor? – Perguntou se aproximando lentamente.

Fechei a cara.

Não queria ser lembrado que eu era quase um robô, tentava evitar utilizar minhas "habilidades" para assim tentar ser um pouco normal, no entanto, as vezes era inevitável...

– Se eu quisesse usar, já teria usado, não achas? – Rebati sendo grosseiro.

– Desculpe-me, senhor – abaixou a cabeça como uma serva esperando ser punida.

Bufei para a reação dela.

– Dá para olhar para mim loirinha? – Ela levantou o olhar confuso pela minha colocação. – Qual é o seu nome?

– Ino.

– Beleza, preciso que você venha comigo – apontei para que me seguisse.

– Claro, senhor.

Revirei os olhos para toda aquela programação de servidão. Era ótimo ter robôs para fazerem tudo o que você quisesse, mas às vezes o excesso me irritava por achar artificial demais aquela reação deles.

Entramos no elevador e seguimos para a garagem do prédio. Assim que chegamos ao local e caminhamos para a minha moto, a robô loira inclinou levemente a cabeça para a direita em dúvida, observando-me enquanto eu colocava o capacete e subia na moto.

– O que foi? – Perguntei.

– O que o senhor quer que eu faça exatamente?

– Não está na cara? – Perguntei incrédulo e ela negou com a cabeça. – Sobe logo aí – murmurei e ela obedeceu ainda com o semblante confuso.

Ela não tocou em mim. Diferente de Sakura, Ino sabia que existia apoio para se segurar, mas eu que não iria contar isso para a rosada...

Dirigi pelas ruas de Pasárgada em silêncio, logo alcançando os limites com a Segunda Zona.

– Senhor, não é muito indicado pelos seus pais que o senhor saia de Pasárgada – informou de maneira robótica.

– Tsc. E o que você vai fazer? Sair correndo para contar para os meus pais? – grunhi aumentando a velocidade.

– Se o senhor quiser que eu faça isso...

– Eu não quero que você faça isso.

Tsc. Preciso voltar a falar com humanos!

– Então o que o senhor quer que eu faça? – Perguntou olhando para o grande shopping cor de creme assim que estacionei na vaga.

– Quero que experimente roupas que garotas da sua idade usariam na Segunda Zona – ordenei entrando no estabelecimento com a loira no meu encalço.

– Tudo bem.

Não pude evitar o revirar de olhos. Humanos normais simplesmente revidariam e perguntariam o porquê do meu pedido e diriam que eu não mando nelas ou talvez as mulheres interesseiras simplesmente tirassem as roupas sem pestanejar, mas Ino não era humana, não tinha sentimentos e muito menos liberdade de escolha. Ela era apenas um robô programada para obedecer e seguir ordens sem retrucar.

Pergunto-me: Se eu sou em grande parte um robô... eu perco minha liberdade de escolha?

Trinquei o meu maxilar entrando na primeira loja feminina que eu encontrei.

Talvez sim, já que é isso que meus pais tentam fazer comigo. Tentam privar a minha liberdade e até do Nisuke.

Kami! Quando foi que os humanos começaram a tratar outros iguais a si de maneira tão desumana?

– O senhor Uchiha vai querer alguma coisa? – Perguntou uma atendente morena. Não me surpreendi ao fato da robô saber meu sobrenome, já que com o acesso à internet, ela saberia o nome de qualquer um.

– Quero que pegue roupas femininas típicas da Segunda Zona e dê para Ino experimentar. Não importa o preço.

– O que o senhor desejar – se curvou a morena antes de desaparecer atrás das roupas.

Entrei no vestiário circular, aproveitando que não havia nenhuma cliente naquela boutique, e sentei-me em uma poltrona vermelha de frente a uma cabine.

Suspirei assim que vi Ino me seguir e permanecer em pé como se não houvesse nada de errado.

– Aqui, Ino – disse a robô entregando diversas peças de roupas para a loira, que apenas assentiu antes de entrar na cabine.

Entre os robôs havia o fato de poderem se chamar pelo nome, enquanto que dependendo do dono, o robô só poderia chamar humanos por senhor ou senhora, sendo que acontecia isso em quase 100% das vezes.

A loira de olhos azuis sendo prática, logo trocou o vestido roxo por uma saia jeans preta e uma blusa de alça de cetim vermelha.

Não deu para resistir, acabei me perguntando como Sakura ficaria usando aquela roupa simples, já que sempre a via com calças largas e sua inseparável blusa com capuz.

– Se o senhor quiser, eu posso mostrar a imagem. Com o biótipo já gravado da senhorita Haruno posso formar uma imagem idêntica à realidade – ofereceu Kurenai na minha mente.

Não. Eu não quero algo artificial.

– É uma peça da nossa última coleção... – começou a tagarelar a atendente sobre coisas de moda que eu não entendia e não fazia questão de escutar.

Ino experimentou outras peças de roupa que foram valorizadas pelo seu corpo avantajado.

Afinal, por que uma robô tem corpo avantajado e trabalha como doméstica na minha casa?

Estava divagando nos meus pensamentos até que uma sentença de Ino me chamou a atenção...

– Florido é coleção passada de acordo com os padrões de Pasárgada. O mais atual utilizado é cores quentes – disse com precisão de quem sabe, a loira.

– Como você sabe tanto sobre moda? – Perguntei antes de controlar a minha boca. – Acabou de pesquisar isso na internet?

– Não, senhor – murmurou.

– Então, como você sabe? – Repetir. – Robôs domésticos não têm programação para moda – estreitei os olhos.

O olhar da loira percorreu o ambiente como se procurasse uma saída. Com certeza ela havia recebido alguma ordem de sigilo.

Dispensei a morena para que ficássemos a sós.

– Ino, eu sou um de seus donos e ordeno que me responda – disse baixo e frio.

– Eu era uma robô de moda. Era modelo, mas minha programação foi refeita para ser uma robô doméstica deixando a anterior, senhor.

Kurenai. Registro histórico de Ino!

– Ino era uma modelo criada no ano de 2226, há quatro anos atrás – imagens de Ino nas passarelas e em capas de revista apareciam no meu campo de visão. Tinha que admitir, ela era bonita e muito famosa, mas, então, por que ela estava na minha casa como empregada? – Aparência de 25 anos, viajou pelo mundo fazendo diversos trabalhos e tem registrado em sua programação todas as línguas usadas atualmente no mundo...

Ok, ok. É o suficiente, Kurenai.

– Sim, senhor!

– Por que drogas uma modelo internacional e conhecida estava lavando pratos na minha casa? – Esbravejei.

– Não tenho autorização para dar essa informação, senhor – disse mecanicamente.

– Fale agora, eu estou ordenando – ameacei me levantando da poltrona para fuzilá-la.

– Para servir o senhor – admitiu depois de alguns segundos ponderando se deveria me obedecer – em tudo o que o senhor quisesse – acrescentou e tudo se esclareceu.

– MALDITOS! – Esbravejei chutando a poltrona que quebrou o imenso espelho de parede inteira assim que o acertou. – Eu não acredito que eles foram capazes de fazer isso – murmurava enquanto andava em círculos passando as mãos no rosto em frustração.

Meus pais tinham passado de todos os limites.

Simplesmente compraram a melhor modelo para que eu fizesse o que eu quisesse com ela, até me satisfazer.

Olhei para a loira que ainda estava estática analisando o estrago.

Nunca senti tanto nojo pelo que as pessoas eram capazes de fazer.

Não era novidade robôs serem "escravas sexuais" ou garotas de propaganda, mas o fato dos meus pais simplesmente arrumarem uma modelo para mim sem meu consentimento ou que eu soubesse, era um ultraje e só assim eu percebi como a humanidade estava perdida.

Era a mesma coisa que meus pais dissessem que eu não era capaz de ter uma vida normal com uma mulher de verdade e que Ino estava ali para me "consolar".

Eu sabia que era verdade, mas saber daquilo era pior do que divagar solitariamente sobre a existência vazia e sem significado que eu tinha e teria dali para frente devido a um dos muitos caprichos de meus pais.

Olhando para Ino, eu senti...

Pena.

Pela primeira vez na vida, eu senti pena de um robô.

Desviei o olhar para os meus tênis brancos.

– Você não precisa fazer nada para mim – sussurrei. – Só quero sua ajuda para escolher roupas femininas que uma mulher de 24 anos usaria na Segunda Zona.

– Ajuda – ouvi ela murmurar e sua cabeça inclinar para o lado.

Suspirei.

Robôs não eram acostumados com pedidos de ajuda, apenas ordens.

– Escolha as roupas que você achar apropriadas.

– Posso escolher? – Perguntou surpresa arregalando os olhos.

Assenti.

– Preciso delas para uma amiga – disse antes de sair do vestiário.

Não demorou muito para que Ino escolhesse várias roupas de acordo com o que ela sabia sobre moda.

Fomos em várias outras lojas e compramos sapatos, produto de higiene feminina, comida e duas mochilas para guardar tudo o que foi comprado.

– Você sabe voltar para casa sozinha? – Perguntei colocando meu capacete.

– Sim, senhor.

– Ótimo, aqui está um cartão para que você pague seus gastos para ir para casa, eu não vou poder levá-la de volta agora.

Ela assentiu em acordo antes que eu ligasse a moto.

Estava com raiva enquanto dirigia pelas ruas da Segunda Zona e por isso o velocímetro ficava cada vez mais alto.

Não me importava com multas ou quebrar as regras.

Eu tinha dinheiro, infelizmente um dinheiro que vinha de uma família que no momento não me agradava, mas tinha.

Cheguei ao hotel simples e subi para o segundo andar pisando duro, sem me dar ao trabalho de ser anunciado.

Bati com força na porta do apartamento que logo foi aberta pela rosada.

– Nossa! Que mal humor hein Falcão – brincou rindo levemente enquanto me dava passagem.

Suspirei entrando no quarto, esperando relaxar.

– Pensei que não viria hoje – comentou sentando-se na cama e logo encolhendo as pernas em um abraço.

– Por que você pensou isso? – Perguntei colocando as duas mochilas em cima da escrivaninha.

– Ah... sei lá... pensei que você tivesse coisas melhores para fazer do que se ocupar com alguém como eu – admitiu virando o rosto para a janela aberta. Não pude deixar de notar seu rosto levemente corado, o que era estranho.

– Por que você está desviando o olhar de mim?

Ela voltou a me encarar com o cenho franzido como se me analisasse, mas desviou o olhar constrangida.

Ri de canto percebendo que essa era a primeira vez que ela me via à luz do dia sem sua visão está embaçada pelas lágrimas.

Fiquei me perguntando, qual era sua impressão ao me ver assim...

– O que é que tem dentro dessas mochilas? – Perguntou tirando-me dos meus pensamentos. Voltei a olhar a mulher, mas ela não corava mais, em seu rosto, apenas a curiosidade era estampada.

Para saciar sua curiosidade, joguei todo o conteúdo das mochilas sobre os lençóis brancos da cama.

Os orbes verdes surpreenderam-se ao ver tudo o que eu tinha comprado.

– Pra que tudo isso?

– Ué, é para você. Não se tem tudo em Hotel, é preciso comprar coisas fora, por isso eu comprei – dei de ombros guardando parte da comida na geladeira.

– E você comprou tudo isso só para mim? – Perguntou confusa analisando um shampoo à sua frente.

– Sim – respondi simplesmente. – As roupas eu preciso que você experimente e me diga se você gosta, já que eu não sei seu gosto e foi a Ino quem escolheu...

– Ino? – Murmurou.

Voltei-me para a mulher sem entender seu rosto vermelho como tomate.

– Algum problema?

– Kami! A sua mulher não se importa que você esteja comprando essas coisas para mim e ainda te ajuda a escolher?

– Mulher? – Indaguei confuso até que entendi o que ela queria dizer. Suspirei tentando me segurar para não rir – Sakura, eu não tenho mulher, namorada, noiva, ficante ou qualquer coisa do tipo. Não precisa se preocupar com isso.

– Então essa Ino não é a sua namorada? – Indagou receosa.

– Não. Ela só trabalha lá em casa, mas tem quase a sua idade e entende de moda, por isso eu pedi para que ela escolhesse as roupas e comprasse os produtos que ela achou que precisava.

– Ah sim – pensou alto até pegar um secador roxo. – Sua amiga acha que eu preciso de uma arma colorida?

Não me aguentei e gargalhei alto.

– Sakura, isso não é uma arma. É um secador!

– Lá em Boca, coisas que tem esse formato são armas e pra que drogas serve uma coisa desse formato?

– Serve para secar os cabelos.

– Sua amiga acha que eu preciso de algo que meus cabelos podem fazer sozinhos? – Ergueu uma sobrancelha.

Dei de ombros.

– Coisa de mulheres. Nunca vou entender.

– Sasuke, eu acho que você gastou muito. Não quero que você gaste comigo. Eu tenho roupas...

– Sakura – interrompi terminando de guardar a comida, voltando-me para ela de forma séria. – Você está se escondendo na Segunda Zona, se você agir e se vestir como as mulheres daqui será tudo mais fácil e quanto a dinheiro, não se preocupe, isso não é problema para mim.

– Tenho orgulho, sabia? – Fez bico cruzando os braços.

Kami! Que mulher é essa que não gosta de ser paparicada como as outras?

Ri de canto.

– E qual é a sua proposta então, senhora orgulho? – Entrei na brincadeira.

– Assim que eu arrumar um emprego, vou devolver todo o dinheiro que você gastou comigo, mesmo que eu demore a vida inteira para conseguir isso. É a minha única oferta!

– Eu não quero seu dinheiro – botei as mãos no bolso.

– Então eu não quero essas coisas e vou embora, pago o hotel assim que tiver dinheiro – disse convencida caminhando para a porta.

Assim que eu vi ela virar as costas e ir embora de forma séria, eu senti meu peito se fechar.

Será que sou tão desprezível que na primeira oportunidade ela vai fugir de mim?

– Não, espera – pedi desesperado segurando seu braço. Sakura olhou confusa para a minha reação, fazendo-me morder o lábio inferior me repreendendo por ser tão descuidado. Respirei fundo e só quando tinha certeza que minha voz sairia normal, arrisquei-me a falar: – Eu aceito o seu acordo.

– Tudo bem – murmurou olhando para a minha mão que ainda a segurava. Soltei imediatamente, afastando-me um passo.

– Experimente – joguei o primeiro conjunto de roupa que eu vi para ela.

Ela olhou para a saia e corou.

– Isso é uma saia?

– É. Por que?

– Admito que nunca usei. Digamos que sempre tentei esconder o máximo do meu corpo em Boca – riu sem graça entrando no banheiro.

Isso quer dizer que vou ser o primeiro a vê-la com uma roupa dessas?, pensei sorrindo de canto enquanto sentava na cadeira de frente para a porta.

Muitos minutos se passaram e já estava ficando preocupado com o que podia ter acontecido lá dentro.

– Sakura, você ainda está viva? – Chamei.

– E-eu estou s-sim.

– Já terminou de vestir?

– S-sim.

Kami, por que ela estava gaguejando?

– Então saia daí porque eu quero ver...

– NÃO! – Disse desesperada.

– Por que?

– E-eu não vou sair assim na frente de uma pessoa!

– Ah qual é Sakura, mostra logo para mim, vai! Eu tenho que saber se ficou grande ou não, qualquer coisa eu troco na loja!

– Você promete não rir? – Perguntou baixo, mas pude ouvir.

Fiquei confuso, mas decidir prometer.

Ouvi a tranca abrir. Lentamente a porta foi aberta e uma Sakura saiu completamente vermelha lá de dentro.

Não demorei muito olhando para o seu rosto, porque foi inevitável não olhar para o seu corpo.

Sakura usava a primeira roupa que Ino experimentou, mas diferente da loira, a rosada não tinha tanto seio, mas em contrapartida, tinha mais perna que a outra.

A roupa ficou perfeita e a cor vermelha pareceu combinar com a mulher.

A saia ia até o meio da coxa, mas as curvas do membro inferior, desenhavam e deixavam a saia mais bonita.

Kami! Essa mulher é bonita. Nada exagerado, mas mesmo assim bonita!

– Uau! – Murmurei.

– O que você disse?

– Ah nada não – pigarrei. – Essa roupa ficou bem em você.

– Estou me sentindo nua – abraçou-se ficando mais vermelha.

– As roupas das mulheres de Boca são piores – tentei relaxar.

– Verdade – riu um pouco.

– Vamos para a próxima!

– Ah! Não! – Disse como uma criança birrenta de cinco anos.

Joguei um vestido no rosto dela e mandei entrar novamente no banheiro.

Passamos a tarde inteira assim. Com o tempo Sakura foi relaxando e se acostumando com as roupas, até chegamos a brincar de desfile de moda. Eu era o locutor e ela a modelo.

Riamos a cada comentário inusitado e eu nunca ri tanto na vida, como quando estava com a garota de cabelos rosas que há menos 48 horas estava roubando fatias de pão.

Eu me sentia leve, me sentia humano.

Eu me sentia o Sasuke novamente toda vez que estava com ela.

Sem que eu percebesse, Sakura estava aos poucos tornando-se o meu vício.

Sakura era a droga que eu procurava todos os dias quando saia cedo de casa e voltava só a noite já pensando no dia seguinte. A droga que eu precisava experimentar todos os dias para fugir da minha crua realidade.

A droga que eu precisava para ser humano...

Não era nada demais. Apenas passávamos o dia conversando ou discutindo.

Sempre trazia algo novo, um celular, um notebook e só depois dela reclamar muito – porque era mais uma dívida que ela estava tendo comigo – que eu a ensinava como usar.

Foda-se a dívida. Essa é mais uma razão para que ela fosse presa a mim para sempre...

Certo dia ela quis experimentar o tal secador de cabelo.

– Sasuke, me ensina a usar isso.

– Eu não sei usar isso. Sou homem, não necessito disso.

– Vi na internet que isso deixa os cabelos mais macios – disse pensativa na frente do espelho do banheiro.

Seus cabelos estavam úmidos pelo recente banho. O dedo indicador estava batendo levemente nos lábios vermelhos da menina. Ela usava uma camiseta branca e um short jeans.

– Vamos logo, sei que você sabe mais do que eu sobre secador.

Suspirei.

– Você não vai desistir mesmo, não é? – Perguntei me encostando no batente da porta do banheiro.

Através do espelho vi o bico que ela fazia quando tinha certeza que não desistiria de algo que queria.

Kurenai, download sobre como usar um secador de cabelo.

– Sim, senhor!

Em instantes eu tinha no meu registro tudo sobre secadores ou qualquer coisa que ela gostaria de saber.

– Me passa a "arma de ar" como você chama – pedi e ela me deu com um sorriso largo. – Olha é assim que se usa...

Expliquei o que os botões significavam e como usava. Assim que estendi o secador na direção dela...

– Seca o meu cabelo – pediu. – Você parece saber bastante do assunto – riu brincando. – E depois ainda diz que é homem e não usa isso – provocou com uma sobrancelha erguida.

– Tsc – emburrei, mas logo sorri de canto me aproximando de Sakura por trás, pegando um pouco de cabelo para secar.

Ela ficava observando atenta cada movimento meu como se quisesse aprender, tão atenta às minhas mãos que não percebia meus olhos percorrendo pela sua nuca alva, pelas mechas rosas e pela curva de seu pescoço.

Aquele era o contato mais próximo com uma mulher que eu estava tendo a muito tempo que não fosse persegui-la como na noite em que eu a conheci ou para guia-la, como quando ela estava em prantos assim que chegamos àquela hospedaria...

Em um momento de distração, o ar quente soprou no pescoço dela fazendo seus pelos se eriçarem e ela se contorcer rindo.

– Sasuke! – Repreendeu-me. – Não faça mais isso, por favor!

– O que? Isso? – Provoquei jogando ar quente no pescoço dela, percebendo que a mulher tinha cócegas. – Acabei de encontrar um ponto fraco na temida ladra de pães? É isso produção?

– Pa... Para! – Pedia rindo enquanto tentava pegar o secador que eu coloquei para o alto.

– Tampinha – provoquei dando passos para trás enquanto ela pulava para alcançar sem sucesso algum.

– Me dá! – Choramingou.

Eu ria dando voltas em círculo. Com a mão esquerda afastando ela, enquanto que minha mão direita erguia o secador sem fio, no alto.

– Tampinha – desdenhei o que a enfureceu.

– Ah, você vai ver quem é tampinha aqui – desafio partindo com tudo para cima de mim.

Tudo aconteceu rápido demais e não pude impedir que ela pulasse para o meu colo e cruzasse as pernas na minha cintura, com a mão direita contornando meu pescoço e a esquerda esticada tentando pegar o secador.

O choque foi tão forte que eu me desequilibrei e cair deitado na cama com ela sobre mim.

Fiquei paralisado olhando a mulher sobre mim se esticando para pegar o secador da minha mão sendo que eu não segurava mais com força.

– Peguei! – Vibrou saindo de cima de mim, mas ficou pulando como uma criança em cima da cama.

Ainda estava em transe vendo ela feliz com os cabelos rebeldes voando ao redor do rosto de boneca agora totalmente curado dos machucados que outrora teve.

Ela caiu de joelhos ao meu lado ainda com um largo sorriso no rosto. Ela não teve infância e qualquer coisa era motivo de felicidade.

– Não vai fazer nenhum comentário, senhor sabichão! – Provocou cutucando minha bochecha. – Quem é tampinha agora, hein?

– Você sempre será uma tampinha, anão cor de rosa! – Murmurei me levantando da cama um pouco atordoado com o que aconteceu.

– Lá vem o mal-humorado! – Fez bico e cruzou os braços. Ignorei e decidi ir embora. – Ei, onde você vai? Você sempre vai embora bem mais tarde.

– Tenho umas coisas para fazer hoje, mas amanhã eu volto.

– Ok, então – murmurou.

Como todos os dias, eu cumpri a minha promessa, mas dessa vez eu não havia conseguido dormir durante a noite pensando no que ocorreu no dia anterior.

Suspirei batendo levemente na porta do apartamento, mas não fui atendido.

Pude escutar o barulho de chuveiro, por isso resolvi usar a minha chave reserva.

– Sakura, cheguei! – Gritei para o banheiro.

– Ah... oi! Estou um pouco ocupada agora. Vou demorar para sair! – Disse desligando o chuveiro.

– Tudo bem!

Sentei na cama esperando que ela terminasse de se arrumar para que voltássemos a discutir sobre o Hozuki.

Sakura sabia muita coisa sobre o esquema dele, mesmo assim haviam falhas na informação e precisávamos bolar um plano para conseguirmos elas.

Franzi o cenho ao escutar o secador ser ligado.

Sério que ela ainda não desistiu dessa porcaria? Não era ela que dizia que aquilo era desnecessário?

Pelo visto vai demorar para ela sair!

Pensei jogando-me na cama, mas assim que deitei me lembrei do dia anterior, na qual ela estava sobre mim, rastejando-se e com as pernas grossas ao redor do meu corpo...

– Tsc, Sasuke. Que droga que você está pensando? – Murmurei sentando-me na cama rapidamente. – Isso só pode ser falta de mulher em excesso – disse desanimado.

Um pequeno estalo metálico chegou aos meus ouvidos aguçados e chamaram a minha atenção, vindo do banheiro.

O que é isso?, perguntei para a Kurenai ativando meu poder ocular, podendo ver a rosada em tom azul através das paredes.

– Lá lá lá... – cantava Sakura apenas de toalha no banheiro enquanto secava o cabelo animada.

– Analisando dados...

– Mais rápido – pedi ouvindo o som novamente.

– Senhor, os parafusos do espelho do banheiro estão enferrujados.

– O que isso significa? – Murmurei olhando para o parafuso destacado na minha visão em tom laranja.

– O espelho cairá sobre a Sakura em 10 segundos...

– Sakura, sai desse banheiro agora – berrei ouvindo a contagem regressiva na minha cabeça.

– O que? Ficou louco? Estou ocupada aqui!

– 5... 4...

– Sai! – Bati na porta com força repetidas vezes.

– Não!

– 3... 2...

Não vi outra alternativa. O desespero tomou conta de mim.

Arranquei a porta e puxei a mulher assustada pelo cotovelo.

Vendo o espelho cair lentamente sobre nós, não tive outra escolha do que jogar ela para longe.

O som do vidro se quebrando sobre mim não foi o problema, mas sim o que aconteceu depois...

Os estilhaços cortaram o meu corpo em muitos pontos.

Olhei para os meus antebraços e o pânico tomou conta do meu corpo quando eu vi várias fendas abertas no meu corpo mostrando que eu era de metal por dentro, mas nada foi pior do que levantar meu olhar e ver os verdes chorosos assustados me encarando.

Eu queria gritar, eu queria correr, eu queria me explicar... mas não consegui fazer nada. Apenas escutar o grito de horror saindo da boca que eu já estava acostumado a ver sorrir...

Continua...

Notas finais
Woww... chegou a hora da verdade! Uma hora ela teria que saber o que ele era de verdade né gente >.< e a hora chegou! Como será essa conversa hein? O.o Quero saber a opinião de vocês hein! Beijinhos. E até a próxima!