Notas iniciais
Oi gente ^^ Eu disse que só faltava dois capítulo né? Pois é, esse penúltimo capítulo ficou grandinho e por isso vai ser quebrado em dois ^^ Muito obrigada pelos vários comentários e eu responderei assim que puder ^^ Obrigada também pelos que favoritaram a história :D Bem vindo novos e antigos leitores! Espero que gostem de mais esse capítulo de Re/Desconfigurado... Divirtam-se...

"Penso em ti e dentro de mim estou completa. [...] Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz."

(Fernando Pessoa)

Alguma vez na vida você já acordou sorrindo?

Pois eu, acabei de acordar assim.

Em toda a minha vida, sempre senti que faltava algo em mim, como se eu fosse um erro, algo incompleto...

Ao ter meu corpo desconfigurado, pensei que nunca mais me sentiria humano, muito menos, completo. Que mero engano meu...

Haruno Sakura era e é, sem sombra de dúvidas, o que faltava em mim.

Aquela que despertava o melhor em mim...

Abrir os olhos e ter como visão o rosto de porcelana adormecido à centímetros do meu, proporcionou-me a melhor das sensações.

O dia estava claro. O sol, já imponente naquela manhã fria, banhava com seus raios, o rosto de boneca.

Uma pequena mecha rosada estava caída no rosto da mulher.

O sorriso de canto não desgrudava do meu rosto.

E foi com delicadeza que eu coloquei a mecha atrás de sua orelha.

Com o toque, Sakura se remexeu até abrir preguiçosamente, as imensas bagas verdes.

Os cílios longos piscaram três vezes até, enfim, focalizar a visão em mim.

– Por que você está sorrindo tanto? – Perguntou com a voz sonolenta, em meio a um bocejo.

– Preciso de um motivo melhor do que esse que está na minha frente? – Indaguei alisando a cintura nua por debaixo do edredom branco.

Minha mão desceu pela costa da mulher até repousar sobre a sua nádega.

Apertei de leve quando me aproximei para beijá-la, mas estranhamente, Sakura desviou o rosto, fugindo do meu beijo.

Franzi o cenho confuso.

– Se tem uma coisa que eu acho nojento, é beijar alguém depois de acordar – comentou baixo.

Por mais que o rosto dela, estivesse virado para o outro lado, eu podia ver a ponta da orelha esquerda corada.

– Nossa, que comentário perfeitamente romântico para um despertar depois da nossa primeira noite de amor – debochei caindo na gargalhada logo em seguida.

A orelha ficou vermelha e não me aguentei, mordi a ponta deixando a pele deslizar pelos meus dentes até ser completamente liberta.

– Gosto de tomates – ronronei em sua orelha, enquanto ficava de quatro sobre ela. Senti o tecido do edredom, descer até a minha cintura – e você está parecendo um belo e suculento tomatinho, ficando corada desse jeito.

Se era possível, Sakura ficou mais vermelha.

– Não adianta tentar. Eu não vou te beijar antes de escovar os dentes.

– Minha mulher é tão romântica – debochei. Sakura arregalou os olhos e me olhou de canto quando escutou "minha mulher". – Não se preocupe – apoiei as minhas mãos nos travesseiros, ao redor do rosto da moça, enquanto me inclinava – tem muito local para se beijar – sussurrei dando um beijo estalado no pescoço alvo a mostra.

Sakura suspirou quando dei outros beijos na região roxa. A marca que havia deixado nela na noite anterior.

– Hmmm... – gemeu baixo, fazendo-me sorrir.

Orgulhosa como era, Sakura reprimiu os gemidos subsequentes com um morder forte do lábio inferior, mas o que ela não sabia, é que sua atitude só me fazia ter mais vontade de fazê-la gemer para mim.

Minha mão direita, repousou sobre o ombro esquerdo dela e de lá, traçou um caminho lento sobre a pele quente que se arrepiava ao meu toque.

Seu tórax subia e descia cada vez mais fortemente de maneira singela.

A minha audição aguçada capturava a essência de seus suspiros e de seu coração retumbante para o meu deleite.

Os seios endureceram ainda mais quando deslizei meus dedos rapidamente pelas partes sensíveis.

Minha mão continuou o caminho pela pele macia, porém marcada por cicatrizes, no abdome da mulher.

Sakura mordeu mais forte o lábio fechando os olhos quando sentiu meus dedos longos alisarem sua região molhada.

– Não vai conseguir aguentar por muito tempo, senhorita Haruno – deleitei-me ao sussurrar com a minha voz rouca em sua orelha, ao mesmo tempo em que a penetrei com dois dedos.

– Aaaaahhh... – ela soltou o ar e a voz que reprimia em um gemido alto, ao mesmo tempo que seus olhos se arregalaram surpresos.

Um sorriso maldoso e satisfeito se fez presente no meu rosto, quando os verdes me encararam com fúria pelo canto dos olhos.

As bochechas inflaram-se indignadas.

Sakura parecia uma criança com aquela feição.

Mordi o maxilar da mulher, começando a mover meus dedos dentro da cavidade molhada.

Sakura tentou reprimir no início, mas depois de três estocadas, seu quadril já começava a se mover de encontro aos meus dedos pedindo por mais.

As pequenas mãos apoiaram-se em meu peitoral definido, enquanto seu corpo movimentava-se lentamente sob mim.

Nunca pensei que teria tanto prazer com a visão de uma mulher sentindo prazer.

Eu sempre procurava o meu prazer, não o dos outros, só que com Haruno Sakura, era diferente...

O meu prazer só era pleno com o dela.

Ela fechou os olhos deixando-se deleitar do prazer de ser tocada.

O vermelho sumiu, deixando apenas o rubor que o calor que emanava dela proporcionava.

A boca carnuda entreaberta gemendo me tentava de tal maneira que eu umedecia meus lábios e mordia o meu lábio inferior para não a atacar, pondo fim a melodia dos gemidos, suspiros e batidas de nossos corações que inundavam a minha audição.

Uma fina camada de suor se fez presente na tez alva, onde eu depositei um beijo calmo, tão diferente dos movimentos libidinosos que eu fazia contra o seu sexo.

Deslizei meus lábios até a sua orelha, enquanto acariciava com o dedão seu clitóris em movimentos circulares, sem interromper meus outros movimentos.

Só mais um pouco e ela terá um orgasmo, pensei sorridente sentindo sua cavidade apertar meus dedos em movimentos rítmicos.

– Você é tão linda desse jeito – ronronei em seu ouvido, segundos antes de Sakura ter seu orgasmo.

– Sasssuukeee – arrastou o meu nome em seu grunhido gutural, enquanto seu corpo sofria com os efeitos do orgasmo.

Sorri de canto, mas logo meu sorriso se desfez quando a porta foi aberta repentinamente.

– Bom dia meu filho. Você está melhor esta manhã? – Perguntou bondosa a minha mãe que estancou com os olhos arregalados quando se encontraram com os meus surpresos.

As mãos de Sakura caíram ao lado de seu rosto que ainda arfava devido ao recente orgasmo.

Só quando seu olhar desnublou e parte de sua racionalidade voltou à tona, que seu olhar esmeraldino recaiu sobre a minha mãe que nos encarava petrificada com a boca aberta.

Eu não sabia o que dizer.

Por sorte, da minha cintura para baixo, estava coberto pelo edredom e por isso ela não poderia ver parte da minha mão dentro de Sakura, enchendo-se com o gozo que se derramava ali, mas a nossa nudez do tronco para cima, era o suficiente para que ela soubesse o que fizemos e estávamos fazendo.

Sakura corou violentamente virando o rosto ao mesmo tempo que tampava os seios com os braços.

– Vovó, o papai já acordou? – A voz infantil de Nisuke, vinda do final do corredor, nos acordou e nos desesperou.

Puxei o edredom o máximo que eu pude, enquanto minha mãe corria para fora do quarto fechando a porta.

– Já, mas está se arrumando para ir tomar café conosco – falou sem graça e apressada, a voz abafada de minha mãe através da porta.

Sakura se encolheu em uma bola debaixo do edredom, assim que cair deitado ao seu lado, suspirando aliviado.

Olhei para a minha mão suja e sorrir satisfeito apesar da situação constrangedora.

– Eu nunca mais vou sair desse quarto – choramingou a elevação branca do edredom à minha direita.

Caí na gargalhada.

– Como se eu fosse reclamar disso – falei malicioso.

Sakura levantou um pouco do edredom para me dar a língua.

Ergui uma sobrancelha enquanto dobrava meu braço esquerdo sob a minha cabeça.

Sem desviar o olhar dos verdes raivosos, chupei meus dedos lentamente.

– Você é deliciosa – provoquei.

– Nojento – resmungou virando uma pimenta, voltando a se esconder.

Apenas ri da atitude dela.

A elevação se movimentou para sair da cama, mas antes que ela conseguisse pôr uma perna para fora, a segurei pela cintura com força, colando a costa dela ao meu peitoral.

– Onde pensa que você vai? Está achando que é fácil fugir de mim?

– Me solta, Sasuke – resmungou batendo nos meus braços que a rodeavam de maneira possessiva. – Eu tenho que tomar banho.

– Hn. Por que não me disse isso antes? – Falei com falsa inocência saindo da cama com a mulher nos meus braços.

– Sasuke – se constrangeu pela completa nudez que eu poderia admirar a luz do dia. – O que você pensa que está fazendo?

– Ué, nós vamos tomar banho.

– Nós? – Engasgou-se.

– É claro meu amor – depositei um beijo rápido em sua testa, enquanto entravamos no banheiro. – Você acha mesmo que eu perderia essa oportunidade? – Provoquei.

– Tsc. Estou vendo que terei problemas com você – lamentou-se, enquanto era posta de pé no boxe de lajotas frias.

– Digamos que eu só estou deixando seus dias mais interessantes – pisquei um olho, ligando o chuveiro.

***

Sakura estava completamente vermelha e não conseguia falar ou se quer olhar para algo além de sua comida.

Era perceptível pelo olhar de todos, que eles sabiam o que estava acontecendo entre nós dois e, principalmente, o que tínhamos feito.

Eu estava diferente, até eu podia perceber o quanto a minha diferença era inacreditável.

Eu estava feliz.

Pleno e feliz.

O sorriso não saia do meu rosto em nenhum instante e até cheguei a ter uma conversa agradável e animada com Nisuke na mesa. O garotinho parecia ser influenciado pela áurea que eu emanava e, assim como eu, desinibia-se contando sobre seus dias escolares e de suas brincadeiras com Boruto.

Nós dois éramos os mais calados naquela família, mas naquela manhã, fomos os mais falantes.

Nem o comentário intencional de Itachi do tipo "ouvi sons estranhos à noite" tiraram a minha felicidade, por outro lado, afetavam cada vez mais Sakura, que pedia com os olhos, por um buraco para enfiar a cabeça.

Até sua face envergonhada me dava vontade de rir.

Ela mudava completamente quando estávamos no modo "comportado".

Tão diferente de como ela estava há minutos antes, quando a fiz minha de baixo do chuveiro, sendo prensada em uma parede fria e molhada de lajotas alvas...

***

– Você e o papai estão juntos? – Por mais que Nisuke sussurrasse, eu podia ouvir o que ele segredava para a rosada ajoelhada a sua frente, ajudando-o a colocar a mochila nas costas.

– Hã... O que te faz pensar isso? – Vi ela gesticular, enquanto permanecia no topo da escada, querendo ouvir a conversa de ambos.

– Ele está feliz. E-eu... nunca vi ele assim – ficou corado com o olhar esmeraldino. – Quando você não está conosco, o papai fica mais irritado e acaba discutindo com o vovô e a vovó, mas quando você está aqui, o papai não para de sorrir e olhar para você e hoje, era como se os sonhos dele tivessem se realizado...

– Você é bem perceptivo, né Nisuke!? – Brincou, piscando um olho. Nisuke sorriu um pouco com o elogio para a sua esperteza. – Bom, – começou acariciando as madeixas negras – digamos que eu e o seu pai estamos juntos...

– Então você vai ser a minha mãe? – Perguntou apressado e exaltado com a ideia, interrompendo a fala da rosada.

Sakura olhou sem entender a reação dele.

– Hã... hã... você ia gostar disso? – Perguntou constrangida pelo olhar sonhador de Nisuke.

Sorri de canto, encostando-me no batente da passagem para o segundo andar. Cruzei os braços, continuando a observar a cena.

– Uhum! – Balançou a cabeça freneticamente. – É claro que sim e se você está com o papai, quer dizer que você vai ser a minha mãe, não é?

Sakura desviou o olhar incerta para o carpete Persa.

– Bom, você sabe que eu não sou a sua mãe biológica, mas os laços de mãe e filho não se medem apenas por fatores sanguíneos. Eu mesma, conheci uma senhora chamada Tsunade, que me trata como filha – sorriu para o menino. – Independente do que ocorrer comigo ou com seu pai... será um prazer te ter como um filho, Nisuke.

O moreno não se aguentou. Sorriu abertamente, antes de envolver o pescoço da rosada com seus pequenos braços infantis.

– Obrigado, mamãe – disse com a voz abafada pelos fios rosas.

Sakura sorriu gentilmente antes de abraçar o pequeno, afagando seus cabelos.

– Eu que deveria agradecer. Não é toda mulher que tem sorte de ter um filho como você.

Ouvi Nisuke fungar, mas ele reprimiu o choro.

Podia até imaginar a mente infantil reprimindo.

"Homem não chora, se aguenta Nisuke"

Somos tão parecidos Nisuke, pensei sorrindo mais abertamente enquanto descia as escadas.

***

Aquelas foram as melhores semanas da minha vida.

Algumas vezes eu me pegava pensando, em como minha vida havia mudado tanto e como eu estava a cada dia mais apaixonado por uma mulher.

Relacionar-me com Haruno Sakura é simplesmente sinônimo de situações inusitadas...

Eu comecei a dormir todas as noites com a minha rosada, em grande parte no hotel da Segunda Zona, mas também na casa dos meus pais.

No entanto, descobrimos que somos um casal bem ativo e como ainda estávamos no estágio de aprendizagem com o nosso parceiro, acabamos chamando a atenção da pacata vizinhança do Hotel.

Foi com surpresa e vergonha que Sakura foi chamada a atenção pelas donas do Hotel.

Pelas paredes não serem tão espessas e de qualidade menor que as construções de Pasárgada, era possível que outros hóspedes escutassem nossos gemidos.

Eu apenas sorria de canto, satisfeito, com as mãos no bolso, enquanto Sakura ficava sem reação para a repreensão constrangedora, até para as donas.

No fim, decidimos que era hora de sair do Hotel.

Chamei Sakura para morar comigo em Pasárgada, já que todo Uchiha tinha direito a um apartamento no Edifício da minha família.

Seria perfeito, mudaríamos para o apartamento e levaríamos conosco Nisuke, mas a mulher recusou com o argumento de que seria muito ruim de ir trabalhar todos os dias no Bar e Pizzaria da Tsunade.

Tentei convencê-la de parar de ser uma garçonete em um bar, afinal ela estava com um Uchiha e não necessitava disso. Eu poderia dar uma vida de luxo para ela sem dificuldades, mas como eu bem conhecia, a rosada achou uma ofensa, dizendo que sabia muito bem se virar, sem depender de um homem.

Talvez fosse isso que me encantava ainda mais nela...

A alma libertina que aquele pequeno corpo carregava.

Sakura era uma mulher livre. Tinha um bom humor e gentileza invejáveis. Sempre xingávamos um ao outro em nossas brincadeiras, mas no fundo nos amávamos.

Sakura era diferente de qualquer mulher que eu havia conhecido e isso me fazia respeitá-la ainda mais.

Como a vida nos surpreende...

Um homem possessivo apaixonou-se por uma mulher libertina.

A mulher era o meu paradoxo preferido, ao mesmo tempo que a tinha, eu não a tinha.

Por isso, ela escolheu um apartamento pequeno, porém aconchegante, naquela mesma rua.

Tinha apenas um quarto, um banheiro, uma cozinha e uma sala, mas para alguém como ela, que nunca teve nada, era um sonho realizado que se resplandecia em seu olhar brilhante.

– Não existe mais pudores nessa juventude – resmungou, um dia antes de nos mudarmos, Tsunade, enquanto o bar ainda estava com as portas fechadas.

A loira estava em um dos bancos do balcão tomando um Sakê direto da garrafa.

– Como assim, Tsunade-sama? – Perguntou franzido o cenho a rosada, enquanto varria o chão do estabelecimento.

– Eu sair certo dia do bar tarde da noite e o que eu escuto? Pássaros cantando? Claro que não. Minha noite começou ouvindo uma mulher gemendo e vinha de um beco aqui próximo. Tsc, será que não se fazem mais moças boas como você querida?

Sakura paralisou com os olhos petrificados em um ponto qualquer.

Aguentei-me com força para não cair na gargalhada.

Eu sabia que aquilo era obra nossa.

Às vezes, quando Sakura saia muito tarde do trabalho, eu acabava tentando ela antes que estivéssemos entre quatro paredes.

Nunca vi ninguém além de nós dois, fazendo perversidades naqueles becos.

– A mulher gemia como um gato.

É, agora eu tenho certeza que ela está falando da Sakura, pensei mordendo o meu lábio inferior para não rir, ao mesmo tempo que erguia uma mesa de concreto, para Shizune limpar em baixo.

Meu olhar cruzou com o da rosada e não pude deixar de sorri de canto pensando: Tsunade, se tem uma coisa que sua adorável filha de consideração não é, é uma moça boa quando está comigo.

A mulher entendia cada olhar meu e logo ficou corada ao desviar o olhar para a sua patroa.

– Que estranho, Tsunade-sama – comentou baixo. – Essas pessoas deveriam ter mais pudor.

Isso foi uma indireta para mim?

Depois daquele dia, Sakura pôs mais limites em mim.

Tentávamos não nos pegar quando estávamos fora do apartamento, onde, agora, ela morava, mas às vezes era inevitável não fazer alguma carícia. Até mesmo quando ela estava trabalhando na cozinha do bar, mas Tsunade sempre chegava para me expulsar com uma vassoura em mãos. Antes que o "lobo mal" aqui, fizesse alguma coisa de ruim com a sua "pura cordeirinha".

Tsc, mal sabe que o gatinho fofo, virava uma leoa quando estava sobre mim.

Eu passei a trabalhar na Uchiha’s Company ao lado de meu pai e irmão depois de uma conversa séria com Sakura.

Meus pais quase não acreditaram quando disse a minha decisão em um café da manhã e quando me indagaram o porquê, eu simplesmente disse "Sakura disse que eu tenho que tomar vergonha na cara e trabalhar, além de passar mais tempo com a minha família".

Tenho quase certeza que Sakura subiu muitos pontos na avaliação deles, naquele dia.

Passamos a passar os dias assim. Trabalhávamos o dia todo e no fim nos encontrávamos a noite.

Às vezes, a mulher estava muito cansada e por isso apenas a acolhia em meus braços, outras... nem tanto assim...

– Ganhei de novo – sorri de canto terminando de tomar mais uma taça de vinho.

Sakura inflou as bochechas indignada por ter perdido mais uma rodada, já que estávamos jogando Strip Poker.

Eu estava roubando várias rodadas para ver ela tirando a roupa para mim enquanto tomávamos vinho tinto. Às vezes, eu perdia de propósito, para retirar alguma peça de roupa.

Sakura estava apenas com uma lingerie negra de renda e uma blusa social azul marinha minha, enquanto eu estava apenas de calça social e boxer negra.

– Aposto que você roubou de novo – resmungou. – Aposto que baixou ensinamentos da internet ou usou sua visão aguçada para ver as minhas cartas.

– Isso não importa – sussurrei sorrindo de canto. – O que importa é que eu ganhei e você vai ter que tirar a camisa.

Ela bufou indignada, antes de virar de costa para mim, fazendo-me franzi o cenho, enquanto ela passava a camisa pela cabeça.

Inclinei-me atrás dela, depois de depositar a taça no chão.

– Eu não disse que você poderia ficar de costa para mim – sussurrei ao pé de seu ouvido, enquanto desabotoava o seu sutiã.

– Ei – reclamou.

– Essa é a próxima peça que eu vou mandar você tirar, quando eu ganhar a próxima rodada, só estou antecipando – sorri de canto, empurrando o ombro dela.

Por eu ser mais forte que o normal, a mulher caiu para frente, apoiando-se nas mãos, ficando de quatro na minha frente.

O sutiã deslizou pelos braços finos, até pararem nos pulsos alvos, como algemas.

– Sasuke! – Ralhou, enquanto eu ria desabotoando minha calça e subia lentamente nela. – Eu sabia que você estava roubando.

– Por um bom motivo, amor – depositei um tracejado de beijos molhados e estalados na coluna da mulher, que suspirava a cada um, até chegar em sua nuca arrepiada.

Minha calça e boxer caíram até meus joelhos dobrados, deixando à mostra o meu membro já excitado.

Minha mão esquerda rodeou a cintura dela, enquanto a mão direita rasgou a calcinha dela, para logo segurar a lateral de seu quadril, firmando-o no lugar.

– Ah... – gemeu baixo quando beijei com delicadeza seu pescoço, ao mesmo tempo que a penetrava. – Aahh... – gemeu mais alto, apertando os lençóis quando a estoquei. – Sasssukee.

Sorri de canto observando as mechas rosadas que balançavam no mesmo ritmo que os seios medianos a cada estocada minha.

– Sakura – gemi.

***

Nisuke, também, sempre visitava a rosada.

Era quase impossível mantê-lo na casa dos avós, pois sempre dizia manhoso o "Eu quero ver a mamãe".

De início foi um choque para os meus pais, o fato dele a considerar a sua mãe.

Quando indagaram se ele sabia que ela não era a sua mãe, ele simplesmente respondeu como se já fosse um adulto, que ele não precisava ter o mesmo sangue que a Sakura para ser filho dela.

Meus pais me olharam sem entender, mas eu apenas sorri dando de ombros.

Enquanto ele estava comigo, eu dispensei – a contragosto dos meus pais – os dois robôs segurança dele.

Já não bastava eu de metal, queriam que eu levasse mais dois?

Sakura sempre inventava alguma atividade para passar o tempo com ele, às vezes íamos ao parque da Segunda Zona para que eles brincassem, ou simplesmente ficavam no apartamento brincando, lendo livros ou escutando eu tocar um piano de parede simples que eu havia comprado para aquele apartamento.

Certo dia, enquanto via Sakura vestindo uma camisa minha e um short jeans, cantando juntamente com Nisuke, preparando, ambos, o nosso jantar. Eu sorri sentindo-me feliz.

Sentindo pela primeira vez o que era ter uma família e amá-la de tal maneira que eu não conseguia me imaginar sem ela.

Sakura e Nisuke eram a minha família e por eles eu daria a minha própria vida.

Foi nesse momento que me lembrei de algo que Karin me perguntou durante uma aula de tiro de Sakura.

"O que a Sakura é para você?"

Peguei indagando-me aquele mesmo questionamento.

O que eu quero que ela seja?

Minha, a resposta veio fácil, mas se ela já era minha, então por que eu achava que precisava de mais?

Foi naquela noite que eu descobri que eu a queria de todas as maneiras. Queria que Sakura fosse a minha mulher, mãe de Nisuke e todos os outros que eu viesse a ter...

Queria que ela fosse a minha esposa.

Apenas três semanas foram o que nos separaram do "Eu te amo, Sasuke-kun" para o jantar que eu marquei no melhor restaurante de Pasárgada.

Ainda era cedo e talvez ela se assustasse quando soubesse sobre a real intenção daquele jantar, mas eu queria tentar. Eu queria perguntar.

– Tsc, vai começar a ficar nervoso, Sasuke? – Repreendi-me encarando a mesa perfeitamente decorada para o jantar. – Ela já disse que te ama, por que não aceitaria? – Resmunguei olhando ao redor.

Sakura já estava atrasada e cada minuto que eu permanecia sozinho naquela sala privada do restaurante com uma parede de vidro – dando-me visão para a entrada no andar inferior e ao fundo um imenso parque municipal salpicado de branco, por causa da neve – eu ficava mais ansioso.

Decidi me levantar e caminhar em círculos para passar o tempo.

Inclinei a minha cabeça para trás, encarando o imenso lustre de cristais com a luminosidade baixa.

Respirei fundo antes de discar o número dela no celular.

– Sakura, você não vem? – Perguntei assim que o celular foi atendido no terceiro toque.

– Sasuke-sama, a Sakura-sama não está se sentindo muito bem no momento...

– Ino?

– Diz pro bastardo que ela vai no jantar! – Ouvi Karin gritar ao fundo deixando-me confuso.

– O que a Karin está fazendo no apartamento dos meus pais? O que aconteceu com a Sakura? Ela está bem?

– Filho – chamou a minha mãe, assim que ela tomou o celular da rosada das mãos da loira. Ela parecia preocupada e... animada? – Não se preocupe querido, a Sakura só teve um mal-estar. Já está quase pronta.

– Ai que nojo Sakura! Você quase vomitou em cima de mim! – Berrou a ruiva ao fundo.

Antes que eu pudesse perguntar o que me preocupava, a ligação ficou muda.

Minha mãe havia desligado o celular sem me explicar o que estava acontecendo? Fiquei chocado.

A ligação não me acalmou e comecei a andar apreensivo pelo ambiente com velas em pontos estratégicos.

– Talvez, não seja um bom dia para pedi-la em casamento – pensei retirando a pequena caixinha de veludo azul escuro, do meu paletó.

Parei de frente para a imensa parede de vidro, enquanto encarava o anel de brilhantes, que havia sido o anel de noivado dos meus avós.

Mordi a parte interna da minha bochecha em repreensão ao meu nervosismo.

Fechei os meus olhos e fiquei longos minutos tentando acalmar minha respiração, até que por fim, quando abri meus olhos, pude ver a limusine negra dos Uchiha, estacionando em frente à entrada do restaurante.

O chofer saiu do carro e abriu a porta para que... Karin saísse?

Olhei confuso para a ruiva com roupas pesadas para o frio, sair do carro, mas logo em seguida, ela ajudou Sakura a sair também.

Sorri aliviado, vendo a mulher de vestido longo roxo sob um casaco de pele grosso, que a protegia do frio.

Por mais que sua face estivesse pálida, ela sorria, esbanjando a elegância que ela aprendera a usar, após aulas de etiqueta que a Dona Mikoto decidiu dar.

Caso eu fosse uma pessoa normal, meus pais repreenderiam meu relacionamento com alguém de fora do nosso círculo social, no entanto, como eu não conseguia achar muitas pessoas que aceitariam um relacionamento com um homem com 70% do corpo feito de ferro, eles decidiram aceitar nosso relacionamento, desde que ela tivesse aulas para se incorporar ao mundo de luxo de Pasárgada.

Sakura não ia às aulas por querer aprender etiqueta, mas sim para tentar ser aceita pelos meus pais que ainda tinham certo receio de que ela me magoasse.

Guardei a caixinha de veludo no meu bolso interno, sem desmanchar o sorriso por vê-la ali.

A tensão fazia as palpitações do meu coração aumentarem freneticamente em ansiedade pela hora que a pediria em casamento, mas meu sorriso morreu assim que eu vi um carro negro estacionar atrás da limusine e de lá sair três homens armados e encapuzados.

Ativei meu poder ocular para analisar os homens que atacavam as mulheres, enquanto socava a parede de vidro com a lateral do meu punho.

– Juugo identificado, senhor – informou-me Kurenai enquanto os dados e foto do homem apareciam à direita da minha visão azulada.

Sakura se debatia para se soltar de Juugo que a jogou no banco de trás do carro.

– SAKURA! – Berrei desesperado.

O vidro blindado começou a rachar com os meus socos, ao mesmo tempo que os homens entravam no carro.

Karin, que havia sido derrubada, se levantou e começou a atirar contra o carro negro que cantava pneu pelas pacatas ruas de Pasárgada.

Fungando de forma raivosa, dei três passos largos para trás, antes de sair correndo com toda a minha velocidade em direção ao vidro rachado.

Encolhi meu corpo enquanto sentia os cactos de vidro rasgando a minha pele quando estava no ar.

Pousei com precisão no hall de entrada, a tempo de proteger Karin com o meu corpo, dos tiros que um dos sequestradores atirou de uma metralhadora em nossa direção, acertando grande parte, na limusine e na minha costa.

O carro dobrou a esquina.

A raiva fazia o sangue fervilhar nas minhas veias.

A minha respiração estava descontrolada e eu não me importava com as pessoas me olhando e murmurando horrorizadas para as marcas do meu rosto e mãos que cicatrizavam.

A única coisa que eu pensava era em ir atrás de Sakura.

Assim que desfiz o abraço, Karin olhou surpresa, desde as fissuras, que meu pouso fez no concreto, até o meu rosto com rasgos, mostrando meu corpo mecânico.

– Eu sabia que você não era normal! – Sorriu de canto assim que a surpresa momentânea passou. – Hora de salvar a sua amada, homem de lata!

Continua...

Notas finais
Não pensem que eu sou pervertida com essas cenas hahaha Sou até pura ( ͡͡ ° ͜ ʖ ͡ °) hehehe Mas eu quis mostrar um pouco do cotidiano deles e bem... não tenho culpa deles serem ativos e jogarem até Strip Poker hehehe Estamos na reta final de Re/Desconfigurado! Apertem os cintos... a fic vai acelerar hahaha Próximo capítulo teremos ação, emoção e bom... algumas vidas para ceifar hahaha Nossa, me senti má agora! Beijinhos galera! Até a próxima pessoal!