Razão e Emoção

27 Capítulo 27 – Mais uma chance


Notas iniciais
Geennte quero agradecer do fundo do meu coração todas essas leitoras (es) fiéis que mesmo com meus longos atrasos não me abandonam e lêem esta humilde fic. Um agradecimento especial pras pessoas que favoritaram e pra Lirio, Larissa, Day estas que sempre comentam os capítulos e me fazem mto feliz!! Bjão pra todas!!!

POV Jane

Eu estava agitada com aquele bando de gente na casa de Maura. Eu sou de família italiana, a vida toda teve um monte de pessoas brotando em minha sala num fim de semana em que eu dormia em paz e quando acordava parecia Natal! Cheio de gente, comida, barulheira, não era algo que me deixasse super a vontade ainda que fosse por motivos profissionais como era agora. Parecia que estávamos andando em círculos a partir de um determinado momento e é claro a essa sensação de impotência me incomodava ainda mais do que a presença deles na casa da minha namorada. Apesar de tudo eu tinha consciência que nada podia ser feito e dormi pouco depois de deitar. Acordei assustada com meu celular tocando e vibrando no criado-mudo. Olhei o identificador de chamadas, não conhecia aquele número e era de madrugada, mil possibilidades passaram pela minha cabeça, pensei logo em minha mãe ou algum de meus irmãos e atendi prontamente despertando na mesma hora. Não havia som do outro lado da linha, ninguém me respondeu ao alô ou se identificou. Aquilo me deixou mais nervosa e eu me sentei na cama apertando o aparelho inconscientemente com força:

– Alô?? Tem alguém ai?

O silêncio foi interrompido por um riso abafado bem distante. Estava prestes a falar de maneira mais agressiva achando que talvez fosse besteira da minha cabeça e era algum engraçadinho passando um trote quando ouvi uma voz calma:

– Não grite, vai acordar a Maura desse jeito...

– Quem está falando??

– Queria agradecer por todo esforço, mas o maior favor que vocês podem me fazer agora é ficar longe.

– Emily?!

– Jane, vou ser bem direta e peço apenas que me escute: vocês não tem noção de quem é o homem com quem estão pensando em se meter. Eu vou matar o Ian antes que ele mate vocês, e não garanto que sobreviva para comemorarmos isso depois. Então, por favor, se afastem e me deixem resolver isso sozinha!

– Hã? Não! Qual é? Nós vamos te ajudar, sua equipe toda está aqui eles são...cara, você é a família deles e eu entendo isso, sou policial, tenho essa relação com meu esquadrão, nunca que eles aceitarão que você se sacrifique dessa forma, não importa o quão perigoso ou doido seja quem está te perseguindo.

– Eu sei, por isso mesmo estou ligando para você e não para um deles, não me deixariam nem terminar de falar. Eu também considero a BAU minha família e não quero que nenhum deles morra por mim, isso não é certo. O problema do Ian é comigo e eu vou resolvê-lo em alguns dias.

– Alguns dias? Você achou o esconderijo dele? Emily? Emily??

Não ouvia mais nenhum som do outro lado da linha mas a ligação ainda estava aberta, olhei para o lado da cama e não vi Maura deitada, sai correndo pela casa, chegando na sala na esperança que alguém além de mim pudesse convencer a agente de nos dar mais informações.

Desci o mais rápido que pude e logo vi Maura na cozinha assustada com a minha entrada nada delicada e a agente JJ correu feito doida até mim, agarrando o celular da minha mão e dizendo trêmula:

– Em?!?

Não podia ouvir se a outra agente havia respondido ou não, mas a julgar pela cara aflita da loira na minha frente achava que a resposta ou não tinha sido boa ou havia apenas ganhado o silêncio como eu alguns segundos atrás. Eu fazia mímicas tentando informar que ela tinha um plano contra o doido. A agente me encarava enquanto dizia quase numa súplica:

– Deixa a gente te ajudar... Por favor!

Vi JJ baixar os olhos para o chão e logo após o celular de maneira lenta. Bati o olho na tela vendo que a chamada havia sido encerrada, não sabia como perguntar qual resposta Emily tinha dado pra ela, uma vez que a agente que era bem branquinha me parecia mais pálida que uma vela naquele momento. Apertei a mão da Maura que tinha vindo para o meu lado e me questionava com o olhar o que devíamos fazer. Nós duas demos um tímido passo a frente e mal tinha estendido minha mão para tocar no ombro da agente, JJ teve a reação mais inesperada que eu poderia imaginar: com os punhos cerrados apertando meu celular e ainda encarando o chão ela soltou um grito longo e muito forte. Eu era bem treinada para algumas coisas, podia afirmar que era um dos gritos mais tristes que já ouvi, mesmo não vindo acompanhado de choro, mesmo não sendo um grito descontrolado ou desesperado, era nítido que era um grito de desabafo, de dor, de impotência...

Lógico que em menos de um minuto todos os outros agentes surgiram na sala, a metade deles empunhando suas armas, como num bom esquema tático, cada um apontava para uma entrada da casa enquanto um foi diretamente em direção à colega e amiga:

– JJ?? Está tudo bem? – era a voz suave do assustado Dr. Reid que olhava cada pedaço da loira procurando de cara por algum sinal de problema físico.

Ela parecia ter entrado num transe e não se mexia nem falava nada apenas encarava o ponto perdido no chão, o agente Hotchner baixou sua arma e se dirigiu à mim, me empurrando para trás junto com Maura de maneira nada delicada falando naquele tom sempre frio e sério que ele tem:

– O que aconteceu aqui?

– Recebi uma ligação da Emily! – respondi de maneira prática e firme, vendo Rossi e Morgan também abaixarem as armas e olharem curiosos em nossa direção.

Expliquei todo o ocorrido deixando todos ainda mais tensos. Reid agora tinha levado JJ para se sentar no sofá e lhe servido um copo d’água. Ela logo revelou que Emily apenas havia dito “Desculpa” como resposta. Era claro que ela não desistiria de seu plano seja lá qual fosse e não queria a interferência de ninguém naquele momento. Todos ficamos em silêncio acho que esperando a tensão se dissipar ou magicamente descobrirmos o que fazer com a nova informação.

Estava todo mundo muito confuso, é claro, mas eu não pude deixar que prestar atenção na vestimenta de cada um de nós por um momento. Chegava a ser hilário, quer dizer: o chefe do departamento especial do FBI estava na minha frente com a cara amassada de sono, vestindo uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta segurando um arma, o “menino prodígio” com o cabelo todo desarrumado e um pijaminha de conjunto listrado consolando a outra agente que usava um shorts de corrida rosa e uma camiseta simples branca e Rossi que mais parecia uma versão menos gorda e com cabelo pintado do Korsak com um pijama velho e uma arma enfiada no elástico gasto da calça. Virei para Maura para ver se ela também tinha notado isso, ou se como alienada do jeito que é não estaria nem olhando para eles e sim para sua tartaruga ou sei lá. Pensei em fazer alguma piada para amenizar o clima quando a vi observando outro ponto da sala, segui seu olhar e não pude deixar de me incomodar: o agente Morgan estava parado ali vestido só com uma cueca boxer preta, foi a frente colocando sua arma sobre a mesinha de centro e depois se espreguiçou de maneira visivelmente forçada e de propósito apenas para mostrar todos seus músculos.

Franzi a testa realmente inconformada, querendo ou não o cara estava num ambiente de trabalho, ele não podia ficar se exibindo assim, podia? Bom, mesmo que não seja o ambiente e horário mais de trabalho do mundo ele está na casa da minha namorada, é claro que ele não podia fazer isso na frente... Na frente de quem? Dela? Minha? De todo mundo, é claro! Ia dar um toque em Maura sobre isso mas ela estava “secando” ele. Inclinou a cabeça e analisava sem nenhum pudor cada centímetro do corpo do agente.

– Que raios você está fazendo?! – não me contive e sussurrei em seu ouvido fazendo ela erguer uma sobrancelha mas sem parar o que fazia

– Nada, apenas observando o ambiente...

– O seu “ambiente” é bem exibidinho. Não acha que devia mandar ele ao menos botar uma roupa?

– Se ele fica a vontade dormindo assim, quem sou eu para impedir? Ninguém achava que teria que levantar da cama correndo até poucos minutos atrás não é?

– Não, mas nós levantamos e quer queira, quer não, entramos em horário de trabalho, daqui a pouco vamos nos sentar e discutir sobre o caso e ele vai fazer o que? Ficar de cueca o tempo todo?! Se quiser trabalhar assim então que vire modelo.

– Ele tem um corpo realmente apropriado para isso, bem proporcional e definido. Cada parte do corpo é bem desenhada, devem ser muitos anos de academia...

Belisquei o braço de Maura com uma certa força a fazendo olhar para mim enquanto gemia e passava a mão no local que apertei:

– Pare de olhar para as partes dele, Dra. Isles! E quando eu digo partes, incluo as “partes” também que não duvido que daqui a pouco você fosse analisar!!

Ela se inclinou para frente beliscando a minha barriga e dizendo num tom debochado:

– E você pare de ser tão ciumenta, Detetive Rizzoli! Eu sou médica, aprecio a análise do corpo humano, só isso.

“Eu mereço”, resmunguei para mim mesma enquanto notava que todos já haviam se acomodado na sala e claro, tinham pego as anotações, mapas, tablets, etc. Reid pegava uma canetinha e rabiscava o mapa, traçando uma rota confusa por cima dos círculos que já tinha feito antes, algo que aparentemente só ele estava entendendo. Hotchner falava qualquer coisa sobre ligar para a Garcia e pedir para ela rastrear o meu celular e a partir dele buscar a localização do celular que Prentiss havia usado para falar conosco, já que o dela mesmo já tinha sido deixado para trás em seu apartamento desde o dia que ela sumiu. Graças a Deus, o agente Morgan se encarregou desta tarefa indo lá para casa de hóspedes pegar seu celular, voltou usando uma bermuda de taktel e uma camiseta qualquer pelo menos:

– Babygirl? Sim, desculpe te acordar meu amor, mas é importante! – ele logo falou tudo e desligou o aparelho – Ela disse para esperarmos alguns minutos, ela vai conectar toda a parafernalha eletrônica dela e já retorna em videoconferência para ajudar.

Dito e feito, logo vi JJ mexendo em meu aparelho, procurando por um monte de códigos que a tal Garcia pedia e repassando. O FBI não se importa em invadir sua privacidade, mais do que nunca tive essa certeza... Enfim, Garcia disse que não era possível rastrear a localização do aparelho naquele instante, mas ao menos podia nos dar a origem dele. Anotamos o endereço da loja e como já estava amanhecendo e ninguém seria capaz de voltar a dormir de qualquer forma, já começamos a dividir a equipe entre quem iria até lá, quem ficava caso ela fizesse novo contato, Hotchner decidiu que a melhor coisa a fazer seria ele ir pessoalmente à sede da CIA nesse meio tempo e nem que fosse a força conseguir os dados completos sobre o caso Ian Doyle.

– Senhorita, eu não posso fornecer os dados sobre o cliente assim sem uma justificativa e... – dizia uma atendente da loja de celulares onde eu, JJ e Morgan estávamos.

– Que tal essa aqui? – respondeu a loira ao meu lado mostrando a credencial do FBI.

A menina logo encolheu os ombros e começou a pesquisar todas as informações sobre a compra que passamos o número de celular, incluindo as gravações da câmera de segurança.

– “Lauren?” – comentou Morgan analisando os dados que nos deram.

– Bom, ela não ia usar o nome de verdade, né? Se ela está evitando ser encontrada... – conclui de maneira óbvia.

– Estranho... – disse JJ com os olhos vidrados na tela do seu tablet assistindo à fita de segurança. – Ela olha pra porta o tempo inteiro, o que faz sentido já que poderia estar sendo seguida, mas por que a partir de um momento ela para de fazer isso e encara a câmera tanto tempo? Qual o objetivo de mostrar o rosto assim tão abertamente?

– Parece que ela queria deixar claro que ela estava aqui, e era ela mesma... – arrisquei

– Tá, mas, pra quem ela queria mostrar isso? Pra nós?

– Manda pra Garcia esse vídeo, JJ. Vai que ela acha mais alguma coisa.

A agente fez o que se colega havia falado e voltamos para casa de Maura. Ela e Reid tomavam um chá ao mesmo tempo que configuravam vários receptores de sinal, e rastreadores de chamada nos telefones e celulares de todos, conforme Garcia havia pedido, assim ela poderia rastrear a Prentiss caso a morena ligasse de novo. Comecei a olhar o mapa que o Doutor havia rabiscado e não aguentei:

– Afinal, o que quer dizer tudo isso?

– Bem, os círculos vermelhos são os locais onde Prentiss esteve aqui em Boston que temos conhecimento, em verde os locais que nós estivemos, em amarelo os pontos onde os russos e o empresário estiveram, as setas são locais de possível esconderijo tanto dela quanto do Doyle como prédios abandonados, hotéis não registrados, etc e as linhas retas que fiz hoje de manhã era para traçar uma rota viável cruzando todos os pontos.

– Puxa! Você tem uma linha de raciocínio bastante organizada apesar de olhando assim de cara parecer exatamente o oposto, sabia?

– Pois é. É complicado ter um QI tão superior, inegavelmente meu cérebro funciona com um número de sinapses maior do que o habitual, o que resulta numa falta de sincronismo da velocidade do meu raciocínio com a transmissão para o exterior, que...

– Muito interessante Doutor! – cortei ele colocando a mão com força em seu ombro e o fazendo sentar do lado da Maura no sofá – Continuem o que estavam fazendo, não quis atrapalhar.

Sai de fininho me colocando ao lado do agente Morgan que colava os novos dados que conseguimos no mural improvisado sobre o caso. O celular de JJ tocou e ela atendeu no viva-voz chamando a atenção de todos:

– Oi Hotch! Você e o Rossi tiveram algum sucesso?

– Tenho certeza de que isso não é tudo, mas ao menos nos dá mais direcionamento, ouçam só: Prentiss ficou infiltrada num caso sobre terrorismo em que este Ian era o mandante. Ela assumiu a personalidade de uma vendedora de armas que acabava se apaixonando por ele. Viveram juntos anos até que a operação conseguisse efetivar seu captura. A “personagem” dela se chamava Lauren e mesmo depois da prisão, Ian nunca soube o nome verdadeiro dela.

Trocamos olhares como se todos tivessem compreendido e JJ logo expressou o que pensamos:

– Por isso ela usou esse nome e ficou tanto tempo olhando para a câmera, ela estava atraindo ele. — fez uma pausa refletindo confusa — A questão é: para aonde?

Notas finais
Sim, o suspense continua!!! rsrsrs Espero que estejam gostando! Até a próxima!