Razão e Emoção
24 Capítulo 24 – Indiretas
Notas iniciais
Jane e Maura chegaram ao precinto no horário de sempre, foram caladas a maior parte do caminho, Maura ainda estava reflexiva sobre a descoberta do possível sequestrador de Emily e Jane honestamente estava com sono mesmo, devido a noite mal dormida porque se preocupou com a loira. Mal haviam entrado avistaram Frost, Korsak e Frankie reunidos na cafeteria conversando com Angela e tomando cada um uma coisa. Jane franziu a testa se aproximando do grupo:
– Ué, estamos de folga hoje e ninguém me avisou??
– Bom dia pra você também, mana... – resmungou Frankie revirando os olhos
Maura observou o semblante calmo e despreocupado de todos os colegas de trabalho e deu razão a Jane, apesar de tentar parecer menos grossa:
– Bom dia a todos! Temos alguma programação especial agendada para hoje? Caso contrário acho que deveríamos todos estar em nossas salas... Não?
– Bom dia, Dra! – respondeu Korsak com um sorriso no rosto – E não, não temos nada programado, a questão é que também não temos casos novos ainda, já que encerramos o último.
– Encerramos? Como assim, encerramos? – perguntou Jane confusa
– É, tecnicamente não tem mais o que investigar, né Rizzoli? – comentou Frost mexendo seu café sem encarar diretamente a morena – Quer dizer, sabemos que foi um assalto, achamos as sacolas de dinheiro, descobrimos as identidades dos assaltantes, todos estão mortos mesmo, não dá pra prender, o que mais faremos nesse caso?
– Eu não sei, que tal descobrir porque havia um quarto corpo que por sinal era o dono do carro onde encontraram o dinheiro, junto a eles? – respondeu a detetive em tom de ironia
– Bem, ai que está o ponto, nós também sabemos disso! – completou Frankie pegando um papel de cima de uma mesa e mostrando a todos – A identidade de “empresário bem sucedido” era falsa, falei com o Martinez e cruzamos com o banco de dados da narcóticos, ele era bem sucedido sim, mas é porque era um traficante de primeira! E estava devendo um grana preta, com certeza para as pessoas erradas.
– “Queima de arquivo” – sussurro Jane por fim depois de ler o documento.
– Exatamente. O assalto foi só pra criar uma distração. Na verdade o plano sempre foi matar todo mundo. – disse Korsak tranquilamente – O cara que devia a grana e os próprios homens do mandante, porque agora está mais do que óbvio que era uma missão suicida, eles também estavam ferrados e seria melhor morrer do que voltar pro país de origem.
Todos se olharam por mais algum tempo e as duas mulheres se dando por vencidas acabaram pedindo algo para beber também e ficaram na companhia dos demais até que todos seus celulares começassem a tocar.
– É óbvio que não ia durar muito, nunca dura! – resmungou Korsak já se dirigindo para a saída seguido pelos outros. Um novo caso estava aberto e eles já precisavam trabalhar duro novamente.
O dia correu depressa, o novo caso envolvia uma simulação de suicídio e um caso de amor mal resolvido no fim das contas. Todos foram embora no seu horário normal, mas sabendo que no dia seguinte ainda haveria muita coisa para fazer, gente para interrogar, análises clínicas para concluir... E assim foi! Claro que pelo meio surgiram outros pequenos casos e a sexta-feira que todos aguardavam ansiosamente parecia nunca chegar ao fim. Quando finalmente terminaram de arquivar e fechar tudo, Frost que desligava seu computador disse com um bocejo:
– Ei, acho que merecemos umas bebidas, hein?
– Dirty Rober? – logo disse Korsak e os dois homens olharam para Jane aguardando uma resposta positiva
– Com certeza! Vou chamar a Maura.
Jane mandou mensagem para a legista que logo respondeu que estava enrolada com uma papelada e lembrando a morena que ela tinha ficado de imprimir uns arquivos para sua mãe para um curso de nenhuma das duas havia entendido realmente do quê a italiana havia se matriculado para fazer aos finais de semana. Jane balançou a cabeça frustrada e falou aos rapazes se divertirem sem elas. Caso ainda estivesse animada apareceriam lá mais tarde. Os dois caminharam pela sala praticamente vazia já e foram embora. Jane levou bem uma meia hora procurando a tal apostila que sua mãe havia pedido e a imprimindo. Finalmente desceu ao necrotério para encontrar Maura. Viu que o corredor já estava escuro e se deparou com Susie trancando o laboratório.
– Boa noite, Detetive! – cumprimentou a oriental com um sorriso
– Boa noite Susie. Viu a Maura?
– Hum... deve estar no escritório dela, hoje não teremos ninguém de plantão aqui no andar então já tranquei todas as outras salas.
– Ok, obrigada.
– De nada. Já estou de saída, então, bom final de semana!
– Para você também!
Jane viu a outra se encaminhar para o elevador enquanto ela seguia em frente até a porta do escritório de Maura. A abriu colocando somente a cabeça pra dentro:
– Maur? Vamos??
– Só mais um minuto...
A detetive então olhou melhor a sala e viu que não avistava Maura, ela provavelmente estava atrás de seu biombo onde deixava os aparelhos de ginástica e de yoga. Ela entrou batendo a porta e falando irritada:
– Qual é, você não está meditando agora, está??
– Na verdade não.
– Então vamos logo, eu mereço beber uma cerveja estupidamente gelada hoje. De preferência, agora!
– Paciência é uma virtude, sabia, Jane?
A morena revirou os olhos e estava prestes a dar uma resposta grossa o suficiente para combinar com seu mau humor quando ouviu uma música começar a tocar, olhou confusa para a mesa a lateral da legista, vendo o título “Sweet Dreams (Are Made Of This)” no Ipod da loira.
– Maura, o que... – não conseguiu terminar de formular sua frase ao ver a outra sair de trás do biombo vestindo um provocante corpete preto com detalhes vermelhos e saltos altos da mesma cor combinando.
– Eu disse que ia pensar no assunto que você propôs, e eu pensei. – a loira se aproximou dela devagar – Acrescentei uns detalhes, como você pode ver...
Jane agora já havia esquecido até do que tinha ido fazer ali quanto mais do mau humor e deu um passo a frente pronta para puxar a legista para si que imediatamente ergueu um dedo indicador e sussurrando de maneira maliciosa:
– Não, não, não. Você disse que queria fazer sexo comigo aqui, ótimo, mas vai ter que ser do meu jeito! – adicionou um tom autoritário para completar – Tranque a porta e fique no meio da sala.
A detetive estava sem palavras, o choque misturado com a excitação de ver Maura fazendo aquilo era demais para ser expresso por ela naquele momento. Obedeceu ficando parada no centro da sala encarando a loira com um sorriso de canto.
– Tire o casaco e a camiseta também.
Jane mais uma vez obedeceu ficando apenas de sutiã e a parte de baixo de suas roupas. Maura a olhou de cima abaixo:
– Gosto de olhar para o seu corpo, ele é ótimo!
– O seu é mais... – respondeu a morena num tom mais rouco que o normal.
A legista abriu um sorriso safado e foi se aproximando dela. Passou as unhas no abdômen bem definido de Jane com força e beijou seu colo acima dos seios, quando sentiu a detetive pousar suas mãos em suas costas se afastou novamente:
– U-uhu. Sem tocar! – a morena franziu a testa abismada – Não ainda...
Maura então começou um dança absurdamente sensual rebolando seus quadris no ritmo da música enquanto soltava os fechos do corpete um a um da maneira mais lenta possível. Dava voltas pela detetive lhe abraçando pelas costas e apertando com firmeza seus seios vez ou outra. Jane começava a ficar ofegante, totalmente tomada pela vontade de agarrar aquela mulher, mas fazendo de tudo para obedecê-la e não quebrar a regra, queria ver até onde as duas poderiam chegar com aquela brincadeira. Maura tinha ido para a frente de Jane e dançava requebrando devagar até o chão, segurando com força nas coxas da morena que estavam rígidas de tanta tensão. Faltava só um fecho agora e Jane observava de cima a loira o soltar com delicadeza e subir o corpo deixando a peça cair ao chão simultaneamente. Ela não usava nada por baixo.
A detetive fechou os punhos na tentativa de manter seu auto controle, mas sentia seu centro pulsar cada vez mais forte e já não sabia mais como se respirar. Maura mordeu os lábios ao mesmo tempo sensual e segurando um riso. Estava se divertindo com a expressão de “sofrimento” da morena. Levou as mãos ao cós da calça da outra a abrindo devagar. Retirou a peça do corpo da morena que ergueu uma perna de cada vez para ajudar, mas ainda se mantendo de pé ao final. Passou os dedos pelo elástico da calcinha da morena e se virou de costas para ela esfregando sua bunda na intimidade da morena que gemeu longamente em resposta. A loira subiu e desceu algumas vezes, deixando todo o seu corpo quente entrar em contato com o da namorada que estava visivelmente pegando fogo. Parou levando uma mão atrás da nuca de Jane e apoiando a cabeça em seu ombro. As duas trocaram um olhar intenso e logo a legista pegou uma de suas mãos, a trazendo para sua barriga. Jane compreendeu que finalmente poderia tocar sua amada e logo virou mais o pescoço lhe dando um beijo voraz ao mesmo tempo que acariciava sua barriga indo rápido até o ventre. Maura gemeu quando sentiu Jane penetrá-la ainda naquela posição, levando uma mão a sua bunda e colando ainda mais seus corpos. Não quebravam o beijo e nem de movimentar os quadris, mas Jane agora sentia seu centro doer de tanto que pulsava. Se desvencilhou da outra arrancando a calcinha de qualquer jeito enquanto Maura lhe puxava também o sutiã para fora do corpo. A morena deu alguns passos para trás sentando na poltrona que havia na sala e abrindo as pernas, trazendo Maura para se encaixar perfeitamente nela. Voltaram a se beijar com força, ambas com a respiração descompassada e gemendo começaram um vai e vem ritmado alterando a velocidade com o intuito de prolongar o quanto desse aquele momento.
Jane arranhava as costas de Maura enquanto abocanhava seus seios fartos, dando mordidas nos mamilos com vontade. A loira por suas vez chupava o pescoço da namorada com tanta força que nem sabia que possuía. Utilizando essa mesma força se jogou para trás puxando a morena consigo. Olhou para sua mesa e depois para Jane que entendeu o recado ficando de pé e jogando tudo que havia na mesa da legista no chão a colocando deitada em cima da mesma. Ia subir nela quando ouviu a outra ofegante:
– Ao contrário...
Jane ficou parada sem entender o que a outra quis dizer irritando a loira que não tinha tempo para formular uma frase que não fosse totalmente objetiva:
– Você nunca fez 69?
– Na boa, vamos quebrar sua mesa, deita no chão! – respondeu a detetive depressa também ofegante num lapso de consciência que lhe veio
Maura em poucos segundos já havia feito isso e Jane então se colocou em cima dela na posição que a loira queria. Se puseram a chupar o clitóris uma da outra com vontade e logo penetraram dois dedos no interior de cada uma. As duas gemiam alto e estavam perto de atingir seus ápices agora as fazendo acelerar a pressão das bocas e a velocidade dos dedos que trabalhavam. Nem elas sabias da onde havia surgido tanto tesão, mas o importante agora era continuar. Gozaram praticamente juntas se esticando no chão exaustas na sequencia. A respiração ofegante das duas era abafada pelo som da música que ainda tocava no “repeat”. Estavam suadas e descabeladas, Maura se arrastou para cima da outra subindo em suas costas e lhe dando um beijo leve na nuca:
– Então, foi como você esperava, detetive?
– Melhor. – fez uma pausa para respirar – Muito melhor! Você é incrível, Doutora...
– Obrigada!
Jane riu fechando por um momento os olhos ainda esperando sua respiração normalizar quando sentiu Maura tirando seu cabelo de cima dos ombros e lhe tocando o pescoço:
– Uau, fiz uma marca feia, aqui... desculpe!
– Eu imagino, você estava bem selvagem. E não, isto está longe de ser uma reclamação!
Ambas riram se levantando em seguida. Se beijaram de um jeito carinhoso e enquanto Jane desligava o som e arrumava a mesa da loira ela guardava a peça sensual que havia utilizado em sua bolsa e colocava de volta sua roupa de trabalho que estava pendurada atrás do biombo.
– Bom, ao menos não tivemos interrupções dessa vez! – comentou Jane de volta ao centro da sala vestindo suas roupas.
– Claro, porque fizemos do meu jeito! – disse Maura de um jeito convencido – Num horário que não há ninguém no andar, as câmeras de fora nem vão ver a gente sair porque está muito escuro, a própria ronda só vai passar mais tarde, enfim...
– Uaauu então quando você disse que “pensou no assunto” quis dizer o que? Que invadiu a sala de segurança da delegacia? – falou Jane rindo e vendo a outra reaparecer detrás do biombo arrumando os cabelos
– Claro que não, apenas prestei atenção nesses detalhes pelos últimos dias. Caso contrário teríamos que usar capuz para passar pelas câmeras de vigilância sem passar vergonha, por mais que elas não tenham registrados o que nós fizemos, eu sei muito bem e não me sentiria confortável de encarar uma agora!
Jane riu terminando de abotoar a calça, faltava apenas colocar a camiseta quando fitou o nada como se tivesse tido um estalo.
– Um capuz...
– Oi? – disse a loira confusa
– Se você não quer ser identificado por uma câmera você esconde o rosto, certo? Os assaltantes russos esconderam o rosto. Eu vi milhares de vezes as filmagens.
– E dai?
– E dai que porque eles esconderiam os rostos se era uma missão suicida? Eles não pretendiam morrer, Maura, alguém sabotou a van!
A legista arregalou os olhos acompanhando a linha de raciocínio da morena que logo estava destrancando a porta:
– Tem uma filmagem, aquela que o Frost conseguiu e achamos que não serviu pra nada, nela mostra a van estacionada e eles entrando no banco, temos que rever com cuidado, vamos lá pra cima!
– Jane!! – gritou Maura em tom inconformado – Termine de se vestir, pelo amor de Deus, você está sem camisa! O que vão pensar de você?
– Que eu estava trepando com a minha namorada na sala dela, claro! E o que não deixa de ser verdade... — a morena resmungou alto enfiando a camiseta pelo pescoço de forma bruta e já saindo para o corredor. – Tão verdade quanto que está para nascer alguém mais sexy que a minha namorada!
Maura revirou os olhos mas não falou nada, apenas pegou sua bolsa e trancou o escritório correndo atrás da outra em direção ao elevador. Levaram um tempo até localizarem a fita certa. Assim que Jane a colocou, passaram algumas vezes olhando cada pequeno detalhe, até que num determinado ponto viram o que esperavam.
– Ali! Ali, você viu?? – disse Jane animada voltando a cena na qual um vulto com um moletom largo e capuz se aproxima da van e mexe na sua parte de baixo.
– Pela posição, acredito que tenha cortado os freios, o que explica a batida na velocidade que foi contra o caminhão. – Disse Maura atenta às imagens.
Jane adiantou a fita até o momento que o vulto se afasta novamente. Ele chega a olhar para trás e revelar parte de seu rosto para a câmera. Maura tomou um dos computadores utilizando o software para ampliação de imagens em alta resolução e as duas aguardaram para ver mais de perto. De repente surgiu um rosto nítido no monitor, Maura levou a mão a boca surpresa, ao passo que Jane se pôs de pé dizendo baixo:
– Prentiss...
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