Razão e Emoção

22 Capítulo 22 – Nada é por acaso


Notas iniciais
Volteeeii! Olha só, consegui postar logo! Este capítulo ficou meio grandinho em comparação aos que geralmente faço, mas é que tinha muita coisa que queria falar neste momento e não quis cortar nenhuma cena! Espero que gostem!

Jane guardou o celular no bolso e matou seu café jogando o copo fora a medida que se aproximava do parceiro.

– E ai, Jane, alguma novida... – o detetive mais velho parou de falar ao se deparar com a morena animada e sorridente a sua frente, não lembrava em nada a Jane que tinha visto alguns minutos atrás.

– Algum problema, Korsak?

– É que... – ele olhou com o canto de olho para Frost que estava em sua mesa e também havia notado a súbita mudança no humor da colega e apenas balançou a cabeça em negativo como se o alertasse para não comentar nada – Nada não! O que a Dra. Isles descobriu pra nós?

– Bom, ela ainda tá analisando os corpos, mas os 3 assaltantes tinham algo estranho em comum: uma plaqueta de identificação de soldados, não dá pra ler o que estava escrito, segundo ela parece russo, mas a Susie ainda ia levar pro laboratório e ver direitinho.

– Soldados russos assaltando o banco de Boston? Uau, daria uma bela manchete pros jornais, espero que não seja exatamente isso... – comentou Korsak suspirando

– Verdade! Bom, agora o caminhoneiro vai ser fácil identificar: o cara tinha uns implantes dentários mega caros, um deles tem um pino de titanium que tem número de série. – continuou Jane se dirigindo a sua mesa e olhando a papelada que havia em cima – O que eu não entendo é como um profissional desses teve dinheiro pra pagar uma coisa tão cara...

– Caminhoneiro? – interrompeu Frost encarando a colega – Jane, o caminhoneiro está vivo, quer dizer, pela gravidade do estado de saúde segundo os médicos pode ser que não aguente muito, mas está no hospital, esqueceu?

A morena arregalou os olhos batendo na testa em seguida. Estava tão distraída pela briga que tivera com Maura que nem se tocou desse fato e certamente haviam informado errado a legista sobre quem eram os cadáveres.

– Espera um instante, então quem é o quarto corpo lá embaixo??

Korsak já estava com o telefone fora do gancho:

– Dra. Isles? Por favor apresse ao máximo tudo que disser respeito ao corpo que não é dos assaltantes, ele não é o caminhoneiro, precisamos saber quem era este homem! Ok, estaremos aguardando. Obrigado! – desligou encarando Jane e Frost – Acho que já podem ir pensando no menu do nosso jantar e separando os copos de café, não acho que voltaremos pra casa hoje, rapazes...

Dito e feito, os detetives, a legista e seus analistas viraram a noite na Delegacia colhendo informações, aguardando resultados e analisando vídeos. Descobriram que o homem era um empresário bem de vida, mas nada sobre os assaltantes. No dia seguinte Jane e Korsak foram a empresa do homem e em sua residência super luxuosa, ele não tinha família, e era um cara muito reservado segundo todos os funcionários da empresa. A última vez que foi visto foi na manhã antes de acabar morto, que passou lá cedo e depois se retirou a caminho de uma reunião próximo ao banco central onde ocorreu o assalto.

Bem cedo na manhã do terceiro dia desde que havia ocorrido o acidente Frankie que liderava uma equipe de policiais ainda em busca de objetos na região do crime encontraram os sacos do banco contendo o dinheiro roubado dentro de um carro abandonado num beco, o dono do carro? O empresário dono do quarto corpo.

– Cara, cada vez aparecem mais peças, mas finalmente elas começam a se encaixar... – comentava Korsak devorando uma rosquinha enquanto observava Jane que ao mesmo tempo bocejava e colava fotos com as novas evidências no quadro sobre o caso.

– Finalmente, mas ainda é um puta quebra cabeças, quer dizer, porque o empresário acabou morto e o dinheiro no carro dele, sem contar que falta o principal que é quem são esses assaltantes? – respondeu Jane se virando e olhando para a cadeira vazia em frente a sua – Ué, o Frost não chegou ainda?

– Chegou sim, só não veio pra cá. Achamos dois prédios que as câmeras de segurança tinham o ângulo perfeito da hora do assalto só que os putos não queriam liberar pra gente, Cavannaugh pediu uma liminar e Frost foi lá esfregar na cara deles e pegar os vídeos pra analisar.

Continuaram debatendo por mais algum tempo o caso até que Frost ligou dizendo que já estava chegando, Jane aproveitou para fazer uma pequena pausa indo até a cafeteria pegar algo pra beber. Chegando lá encontrou Maura e Frankie sentados numa mesa e sua mãe servindo uma pilha enorme de panquecas para o filho e um chá quente para a nora.

– Jane, querida, você está acabada, não quer que eu faça panquecas pra você também?

– Não, Ma, relaxa, eu só quero um café forte mesmo...

– Você tem se alimentado direito? Aposto que não! – resmungou a italiana logo se virando para os dois sentados na mesa – Maura, meu anjo, ela não anda comendo, não é? Pode falar a verdade.

– Bom, você conhece a Jane, Angela. Quando ela se entrega demais a um caso não lembra nem que tem uma namorada quanto mais de comer...

Frankie riu levando um tapa na cabeça da irmã mais velha que logo deu a volta na mesa e abraçou a namorada por trás:

– Mas o que é isso? Tá aprendendo a ser dramática com a minha mãe agora também? Eu não esqueço que tenho uma namorada incrível nunca, está bem? – falou enquanto a loira entrelaçava seus dedos no dela e fazia carinho — E nem que tenho uma família, e nem de comer! – completou encarando a mãe que sorria para as duas

Mal teve tempo de refazer seu pedido para a mãe que certamente a convenceria de comer algo quando ouviu uma voz masculina bem conhecida mas que não ouvia há algum tempo ecoando no ambiente:

– Então é verdade? Vocês estão namorando, Jane?

– Pai?!? – disseram Jane e Frankie juntos surpresos de ver o patriarca da família Rizzoli parado com cara de choque olhando para todos eles.

– Quando é que você pretendia me contar, hein?

Jane percebia que o pai estava realmente bravo e não sabia o que dizer, sua mãe logo tomou a frente para defende-la:

– E o que você tem a ver com a vida dela, hein, Frank? Aliás como foi que soube disso se nem presente mais na vida dos seus próprios filhos você se importa em estar?

– Meus filhos é que parecem que não se importam mais em me procurar, exceto um, é claro!

– Eu vou matar o Tommy... – resmungo Frankie olhando de canto para Jane e Maura.

Jane se aproximou um pouco do pai na tentativa de amenizar as coisas:

– Ei, Pop, vamos conversar com calma, ok? Eu ia lhe contar, mas é que aconteceu muita coisa e...

– Jane, você não deve explicação nenhuma para este insensível! – bradava sua mãe já elevando o tom de voz, antes que o pai fizesse o mesmo Frankie se levantou segurando os braços da mãe:

– Ma, calma, isso é entre eles ok? Deixa a Jane conversar com ele!

Jane já havia indicado a saída para o pai:

– Vem, vamos lá pra fora conversar melhor! — seu irmão esperou o outro se afastar um pouco para segurar Jane pelo braço sussurrando:

– Se precisar de ajuda, estou aqui, ok? Vou levar a Ma lá pra dentro pra esfriar a cabeça.

A detetive acenou com a cabeça depois encarou Maura que lhe lançava um sorriso preocupado, ela sorriu de volta da mesma forma e se retirou.

Maura redigia alguns relatórios em seu escritório, absorta no caso maçante que estavam trabalhando apesar de no fundo se sentir agoniada com a demora da namorada em dar notícias sobre a conversa com o pai quando ouviu algumas batidas na porta:

– Pode entrar!

Jane entrou no escritório de Maura com a cabeça baixa, fechou a porta se encostando nela um momento, a legista parou o que fazia para a encarar nos olhos. A detetive nada disse, apenas se virou trancando a porta e caminhando para todas as janelas fechando as persianas, por fim se deitou no sofá e olhou para o teto.

– Creio que não tenha sido uma conversa muito boa... – comentou a loira com cuidado

Jane deu um riso fraco:

– Foi uma merda.

– Devo concluir que você veio aqui para me contar ou está apenas se escondendo mesmo?

– Um pouco dos dois. Estou tentando fugir da curiosidade e intromissão da minha mãe e Frankie pelo menos enquanto der. Desculpa se na minha própria sala isso não seria possível, baby...

– Está tudo bem. – respondeu a outra com um sorriso doce

Jane se levantou ficando sentada no sofá enquanto coçava a cabeça e falava com raiva:

– Ele foi um cretino! Falou que achava um absurdo, que não aceitava e mais absurdo ainda era eu achar que ele faria diferente. Que minha mãe tem cabeça fraca, já ele não, não ia convence-lo nunca de que foi certo trocar um casamento com um homem para ficar com a mulher que fosse, não importa se era você, a vendedora de cachorro quente do estádio do Red Sox ou a Lady Di...

A outra a fitava sem dizer nada, esperando Jane dar um soco de frustração na própria perna depois continuar:

– E pensar que eu fiquei do lado dele quando mesmo depois de ter nos abandonado, trocado a família toda por uma casa na praia e uma namorada mais nova que meu irmão caçula voltou pedindo ajuda porque estava doente! Filho da puta!

– Não fala assim Jane... – disse Maura de maneira calma se aproximando da namorada que estalava os dedos – Ele é seu pai e por mais erros que tenha cometido você o ama e ele também a você. Assim como foi com a sua mãe, respeite o tempo dele para absorver tudo.

A morena levantou o olhar se recostando no sofá e esticando uma mão para a outra a puxando para sentar em seu colo:

– É, eu sei disso. É que às vezes ele consegue ser tão babaca. E estando sóbrio o que é mais lamentável ainda!

Maura deu um sorriso confortante tirando uma mecha de cabelo do rosto de Jane que abraçou sua cintura, apoiando o rosto em seu peito um instante:

– Eu não devia me importar tanto com a opinião dele afinal.

– Isso é inevitável, Jane. Nós nos importamos com a opinião das pessoas que sabemos que nos amam. Por mais que não concordemos com elas muitas vezes.

– Sim... – respondeu a detetive num tom baixo apertando mais a loira contra seu corpo que retribuiu o abraço.

Passaram algum tempo quietas nessa posição quando Jane de olhos fechados e ainda com o rosto enterrado na outra falou:

– Você é tão cheirosa.

– Estou usando aquele perfume que você me deu no Natal do ano passado. – respondeu a legista com um sorriso

– Eu reconheci, mas não quis dizer que você está cheirosa por causa dele. – completou Jane afastando a cabeça para poder olhar nos olhos da outra – Disse que você é cheirosa. Sua pele é cheirosa, seu cabelo, tudo, e eu adoro seu cheiro.

– Tecnicamente o odor produzido pelos seres humanos é proveniente...

Jane capturou com força os lábios da outra antes que pudesse continuar sua explicação científica:

– Por favor, doutora, eu estava me esforçando para ser romântica aqui, não estrague tudo sendo assim tão literal!

Maura riu encolhendo os ombros como se pedisse desculpas depois se ajeitando melhor no colo de Jane a puxou para outro beijo demorado. A detetive subiu uma mão pelas costas da outra fazendo carinho enquanto com a outra mão apertava sua cintura. A loira segurava com uma mão a nuca de Jane emaranhando seus dedos naquele cabelo bagunçado que tanto adorava enquanto com a outra deslizava pelo queixo e pescoço da namorada. Sentiu Jane deslocar a mão que estava em sua cintura mais para baixo dando um aperto gostoso em sua coxa, desviou um instante da boca dela para falar, mas a detetive aproveitou para começar a traçar uma trilha de beijos até sua orelha:

– Jane, isso não é uma boa ideia... – comentou entre suspiros quando a outra deu uma mordiscada suave no lóbulo de sua orelha.

– Que ideia, doutora? – provocou Jane num tom inocente deslizando devagar dois dedos para debaixo do vestido de Maura.

– Isso...

– Isso o que? – continuou a morena passando as unhas na parte interna da coxa da outra enquanto beijava seu pescoço.

Maura soltou um suspiro longo sem conseguir evitar suas próprias mãos de deslizarem para cima e para baixo nos braços da outra enquanto sentia o perfume do shampoo de Jane quando os cachos revoltos batiam em seu queixo.

– A ideia de transarmos no meu escritório, por mais, excitante que pareça, não acho que seja realmente apropriada. – finalizou a legista que ao invés de se afastar abria mais o pescoço para a outra poder continuar beijando.

A detetive fez mais pressão com os dedos que estavam na coxa e com a outra mão trazia a loira para mais perto de seu corpo descendo agora os beijos do pescoço pelo decote abrindo um pouco mais a parte de cima do vestido solto de Maura com o nariz tentando alcançar os seios.

– Então isso já passou pela sua cabeça, é? – Jane levantou os olhos sorrindo de maneira maliciosa encarando a expressão da namorada que de olhos fechados tentava fingir que não estava tão empolgada com seus toques.

– O que você acha? – perguntou ela gemendo ao sentir a morena separar um pouco mais suas pernas, subindo devagar seu vestido pronta para encontrar sua umidade logo abaixo.

– Tenho certeza de que tranquei a porta e as cortinas estão fechadas, então acho que seu desejo é uma ordem...

A morena afastou um pouco a cabeça contemplando o rosto da legista e tirou a mão que estava em suas costas para os seios, apertando o direito com vontade. Maura cobriu esta mão dela com a sua incentivando-a a continuar, ainda de olhos fechados jogou a cabeça um pouco para trás e ouviu a detetive gemer baixinho.

– Eu nunca disse que desejei fazer isso, apenas pensei no assunto. – disse Maura abrindo os olhos e levando a boca para bem próximo dos lábios de Jane ameaçando lambe-los mas parando e sussurrando de maneira provocante em seguida – Muitas... e muitas vezes...

A detetive encarava aqueles olhos verdes com as pupilas dilatadas em sua frente e não conseguia raciocinar em mais nada, se tinha uma coisa que a legista sabia fazer era enlouquecer Jane da melhor maneira possível, então apenas avançou para a boca de Maura mais uma vez com força jogando o peso do seu corpo sobre o dela, fazendo-as deitar no sofá. A legista desabotoava a camisa de Jane com pressa sem nunca deixar de beija-la enquanto a morena procurava o zíper do vestido dela o puxando sem dificuldade. Maura ergueu os quadris para que a outra pudesse puxar a peça para fora de seu corpo aproveitando para retirar sua própria camisa também e atirá-las no chão. Maura apertou com força os seios de Jane chupando a clavícula da morena que levou o dedo indicador ao centro da loira, sentindo o quanto a outra estava molhada mesmo por cima da calcinha. Ambas gemeram com o toque procurando se aproximarem ainda mais. Foram interrompidas por batidas fortes na porta:

– Dra. Isles? Posso entrar?

A silhueta da analista de laboratório principal da legista podia ser vista por detrás das persianas de vidro, Maura e Jane ficaram paralisadas um instante até que a doutora respondesse meio ofegante empurrando a detetive de cima dela e se levantando depressa enquanto buscava sua roupa para vestir:

– Só um instante, Susie!

Jane se pôs rapidamente de pé também pegando a camisa agora meio amassada do chão e a abotoando depressa enquanto Maura alisava seu vestido e os cabelos, vendo que as duas estavam mais apresentáveis abriu a porta dando de cara com sua assistente que fitou por um momento o casal levemente corado e com um sorriso totalmente forçado no rosto:

– Desculpe incomodar, mas é que tem um homem no saguão querendo falar com você ou a detetive Rizzoli. Como ninguém sabia se ela estava no prédio me pediram para vir chamar a senhora, mas já que as duas estão aqui, então... Bem, o recado está dado!

– Ok, obrigada Susie, já vamos até lá! – respondeu Maura num tom cordial.

A oriental deu um meio sorriso e se afastou o mais rápido que pode, entrando no laboratório e começando a rir em seguida. Certamente não queria pensar que se tivesse sido alguém menos atento e questionasse o que havia interrompido ali, a chefe não poderia mentir e aquilo seria no mínimo engraçado além de incrivelmente embaraçoso.

Maura se virou sem fechar novamente a porta, apenas andando até sua mesa para pegar o crachá e o celular, vendo Jane lhe dar um sorriso maroto:

– Não se preocupe, mais tarde a gente termina o que começou...

– Onde eu estava com a cabeça? – resmungou a loira saindo da sala seguida pela namorada que botava a mão nos bolsos e caminhava devagar ainda sorrindo – Eu disse que não era uma ideia apropriada! É claro que nós não vamos tentar de novo!

Chegaram aos elevadores e Maura apertou o botão com força cruzando os braços enquanto acompanhava os números que indicavam os andares. Jane ficou bem próximo dela mas sem encostar falando num tom despreocupado:

– Não vejo problema algum em tentarmos... Você é tão gostosa que me faz querer te agarrar em qualquer lugar, mas não imaginava que você iria deixar fora de casa. E ainda mais: no trabalho? Uau, eu gosto desse lado audacioso da certinha Dra. Maura Isles. É incrivelmente excitante!

A porta do elevador se abriu e um grupo de pessoas saiu de dentro dele, algumas pareceram ouvir a última frase da detetive lançando olhares curiosos para as duas fazendo Maura ficar roxa de vergonha e encarar de maneira assassina a morena que se controlava para não gargalhar.

Cruzaram em silêncio o saguão da Central avistando um homem de barba rala e olhos claros apoiado no balcão da recepção.

– Será que é ele que quer nos ver? – perguntou Maura baixinho

– Provavelmente, mas nunca vi esse sujeito, você já? – retrucou Jane no mesmo volume vendo a loira balançar a cabeça em sinal de negativo. Se pôs mais a frente encarando o homem nos olhos – Olá, posso ajudar?

– Vocês são a detetive Rizzoli e a Dra. Isles? – perguntou logo o homem se endireitando e analisando as duas mulheres rapidamente

– Sim, e você é o...

– Detetive William LaMontagne. – respondeu ele mostrando seu distintivo – Mas todos me chamam de Will.

Maura observou atentamente o distintivo dele e logo comentou:

– Credenciado em New Orleans? Não sabia que estávamos cuidando de algum caso em parceria com outra cidade.

– Bem, eu não vim em nome da polícia de lá, na verdade nem moro mais em New Orleans. – o homem fez uma pausa analisando as expressões de curiosidade das duas mulheres a sua frente – Estou fazendo um favor para minha esposa. Sou o marido da agente Jerau da BAU.

Notas finais
Ahh o mistério novamente! Hehehe Nos falamos em breve, pessoal! Me digam o que tão achando! Bessooss