Razão e Emoção

21 Capítulo 21 – Assuntos pendentes


Notas iniciais
Minhas queridas, do fundo do meu coração: me desculpem! Demorei mttoooo mais que o normal pra postar e sem desculpas já que o site tá normal, mas é que minha vida tá uma correria, tô sem tempo pra nada messssmo. Tentarei neste fds antecipar já pelo menos o próximo cap depois desse que assim que rolar um tempinho venho e posto procêis, ok? Boa leitura!

– Tô falando pra você, cara! Parece cena de filme... – comentava Frost com Korsak analisando a avenida interditada em que um gravíssimo acidente ocorreu e os detetives agora buscavam primeiramente entender o que havia acontecido para poder iniciar alguma investigação.

Ouviram um carro cantando pneu e logo um assobio alto atrás deles:

– Uau... que diabos aconteceu aqui?

– Jane?! – disseram os dois homens ao mesmo tempo confusos.

A morena desceu do carro com a testa franzida, não desviou o olhar do aglomerado de pessoas que isolavam a área, afastavam curiosos ao mesmo tempo que repórteres iniciavam suas matérias sobre o acontecimento, simplesmente levou as mãos acima da cabeça prendendo os cabelos num rabo de cavalo e foi mais a frente seguida pelos colegas.

– Hum... Jane, você não deveria estar de folga hoje?

– Você não tá vendo a gravidade dessa porra, Korsak? Claro que o tenente me convocou pra vir também! – respondeu a outra de maneira grossa depois se virando e jogando os ombros para baixo tentou amenizar – Desculpa o stress, é que a minha folga já estava sendo um lixo de qualquer forma... Melhor trabalhar!

O detetive mais velho não falou nada apenas assentiu com a cabeça e discretamente levantou as sobrancelhas para Frost que também achou melhor não fazer perguntas apenas tirou um tablet do bolso e se pôs a dar informações:

– Bom, até agora o que deu pra entender é que foi um assalto mal sucedido...

– Como assim?

O detetive começou a olhar um mapa da cidade enquanto andava e apontava para o entorno:

– Segundo os relatos que ouvimos um grupo invadiu o banco central, tentou escapar naquela van que só vemos um pedaço daqui, uma viatura policial fazia a ronda bem na mesma hora, iniciou uma perseguição, a van perdeu o controle batendo nesse caminhão que estamos vendo de cabeça pra baixo na nossa frente, a viatura também voou contra um poste na outra esquina.

– Alguém viveu pra contar a história? – perguntou Korsak andando em direção aos destroços da van.

– Hum... Todos os que estavam na van morreram na hora. Eram 3 no total não fizemos a identificação deles ainda, o motorista do caminhão e um dos policiais foram arremessados pra fora de seus veículos e levados em estado grave pelos socorristas o outro policial aparentemente é o único que teve ferimentos leves e deve estar ali na ambulância do resgate ainda.

– Ok, vai lá falar com ele então que essa bagunça aqui não faz muito seu estilo! – comandou Jane olhando para a quantidade de sangue no chão e os corpos despedaçados sendo colocados em sacos pretos.

Frost sequer cogitou questionar a parceira e foi logo se afastando. Jane e Korsak chegaram mais perto a fim de analisar tudo. O detetive mais velho olhava as marcas no chão:

– Bom, as marcas de pneus condizem com a versão da história. Mas o que me incomoda é: quem são esses caras? Porque certamente não houve um bom planejamento do assalto. Pegaram o horário mais lotado e arriscado que é perto da hora de almoço, não verificaram se havia força policial no entorno, nada?

– Concordo que parece coisa de inexperiente mesmo... – retrucou Jane pensativa olhando o caos que havia se instaurado no quarteirão.

Alguns policiais afastavam curiosos que tiravam fotos e perguntavam o que estava acontecendo, uma repórter veio quase correndo com seu microfone na direção dos detetives:

– Detetives, é verdade que os assaltantes morreram? Os policiais estavam mesmo envolvidos? O motorista do caminhão transportava uma carga perigosa que pode gerar um desequilíbrio ambiental na cidade de Boston?

– Mas o que... Ei! Calma ai, moça! – respondeu Jane irritada com o excesso de perguntas e suposições sem sentido da repórter. – Nós estamos investigando o caso e nada foi concluído até agora ok? Inclusive nada do que você disse pode ser considerado real!

Jane frisou a última parte encarando a câmera que uma rapaz segurava atrás da repórter. Logo Korsak com uma cara fechada completou:

– Exatamente, e não daremos declarações até termos informações verídicas e completas, com licença. Temos que fazer nosso trabalho! – acenou para um policial que se aproximou pedindo para que a dupla se afastasse novamente para trás da faixa amarela que isolava a cena do crime.

– Abutres... – resmungou Jane baixou enquanto se virava de costas, Korsak deu uma risadinha de cumplicidade e saíram andando.

– Bom, o policial ainda tá meio em choque pelo acidente do colega, mas não acrescentou muita coisa do que já sabíamos. – disse Frost se aproximando correndo dos outros dois que se dirigiam ao fundo da van prensada – Afirmou que foi por acaso mesmo, estavam fazendo uma ronda normal, de repente viram a van em alta velocidade e ouviram no rádio sobre o assalto, associaram os fatos e resolveram agir.

– É, definitivamente foi um assalto mal sucedido então. – completou Korsak

Jane empurrou um pouco da porta que ainda restava do veículo dando uma olhada para dentro, depois rapidamente se pôs à frente olhando nos bancos do motorista e passageiros. Se agachou analisando a van por todos os ângulos até voltar para perto dos colegas:

– Ou não... Algum de vocês está vendo o dinheiro roubado?

Os dois homens franziram as sobrancelhas e começaram também a analisar com cuidado o veículo, convocaram uma equipe policial e deram início à uma grande busca pela cena do crime. Os instintos de Jane mais uma vez estavam certos, aquele estava longe de ser um caso simples de ser solucionado.

POV Jane

Aquilo só podia ser brincadeira. Meu dia que deveria ser de folga e aparece uma bomba dessas? Bom, a verdade é que eu gosto de casos grandes e complicados, me empolgam e fazem sentir o quanto amo minha profissão. Mas justo hoje que estou sem cabeça pra trabalho? Ou melhor, estou com a cabeça num único andar do meu trabalho sem saber se a pessoa que está lá vai voltar a falar direito comigo? Aahh merda, merda, merda... Fomos para a delegacia depois de muito tempo coletando dados e entrevistando pessoas na cena do crime. Frost disse que ia correr atrás das câmeras de segurança da região, precisávamos ver o ocorrido de todos os ângulos possíveis, Korsak foi se reunir com Cavannaugh para dar um resumo geral e ajuda-lo com a coletiva de imprensa, eu deveria checar como andava a autópsia. Claro, era sempre eu a fazer isso por motivos óbvios mas não sabia ao certo como seria recebida. Resolvi passar na cafeteria primeiro pra me preparar. Desci ao necrotério, dando de cara com vários sacos pretos espalhados e todas as mesas ocupadas por corpos para análise. Maura estava com seu traje esterilizado especial debruçada sobre uma das mesas. Suspirei fundo e entrei de uma só vez pela porta com dois copos térmicos um em cada mão.

– Hei. Trouxe algo pra você beber, deve estar cansada... – disse num tom simpático erguendo um dos copos a frente – E não se preocupe, não é instantâneo, é um daqueles cafés com grão orgânico e chá verde que você gosta.

Ela levantou a cabeça do que fazia encarando o copo. Ergueu melhor as costas fazendo uma careta, certamente percebeu que estava cansada mesmo, aposto que ela nem sabia quanto tempo passou curvada naquela posição trabalhando, tínhamos isso em comum, perder a noção do tempo enquanto trabalhamos com afinco. Esperei um instante, mas ela não se aproximou de mim, apenas apontou para uma mesa lateral onde fica um computador:

– Obrigada, pode deixar ali por favor, Jane? Quero só finalizar este aqui e já tomo.

Obedeci e fui chegando mais perto de uma das mesas sem ser a que ela trabalhava tomando um gole do meu café (instantâneo):

– Foi um acidente bem feio né?

– Aparentemente...

Ela não foi fria, eu conhecia aquele tom, estava apenas concentrada demais no que fazia para puxar qualquer assunto e isso me aliviou um pouco. Me afastei da mesa indo em direção onde estavam as roupas dos mortos, encontrei uma corrente com plaquetas de identificação geralmente usadas por soldados. Havia uma inscrição nela, mas não sabia ler o que estava escrito:

– Já chegou a olhar isso aqui?

– Não, na verdade pedi para Susie ir adiantando se tinha algo que pudesse servir para identifica-los. Por que?

– Isso aqui mata a charada de ao menos um deles, se eu conseguisse ler o que tá escrito, é claro!

Ela veio para perto de mim encarando o objeto:

– Sim, ela separou alguns destes, deve ter esquecido de levar o último. Parece russo, mas está apagado demais, também não consigo ler o que está escrito...

– Quer dizer que todos usavam um desses?

– Creio que sim, quer dizer, os três assaltantes usavam porque vi ela levar dos pertences de dois deles e este que você pegou é do terceiro.

Fiquei parada pensando sobre o assunto enquanto ela voltava para o corpo levando um aparelho que ampliava as áreas do corpo para me mostrar:

– O caminhoneiro será fácil de identificar, está vendo esses implantes dentários aqui? São feitos sob medida, e em um deles tem um pino de titanium, o pino tem um número de série, assim que eu retirar buscaremos no banco de dados.

– Um implante dentário com pino de titanium deve custar mais de um ano de salário meu, como esse cara conseguiu grana pra isso??

– Realmente, esses implantes são muito caros me surpreendi quando encontrei tal peça nele também.

Eu estava confusa aquele caso tinha informações demais surgindo ao mesmo tempo e nenhuma parecia se cruzar. Notei que Maura parecia pensar o mesmo enquanto olhava para todas as mesas a nossa frente. Não queria atrapalhar mais ela já que tudo que ela podia me atualizar já tinha feito, o restante dependia de mais análises e eu não queria a forçar a falar comigo se não se sentisse a vontade para isso. Tomei mais um gole do meu café e fui em direção a porta novamente:

– Bom, tá ok. Valeu, Maur, por enquanto acho que é só isso que temos, vou lá pra cima ajudar o Frost com os vídeos e relendo os depoimentos que colhemos.

Ela acenou com a cabeça sem sorrir o que era raro, bem raro! Apertei mais meu copo, tensa com a situação, já tinha passado da porta quando ela me chamou:

– Jane? – voltei para dentro a encarando, ela fez uma pausa longa enquanto tirava as luvas e se aproximava do café que havia levado para ela – Não precisava ter sido tão rude com a repórter mais cedo...

Franzi a testa intrigada com a frase, mas de que repórter ela estava falando? Aahhh claro, lembrei:

– Fala sério, ela nem me deixou respirar e já tinha soltado um monte de asneiras. Não gosto quando chegam no meio do meu trabalho fazendo aquele tipo de suposições.

– Você poderia repetir a última frase, por favor? Não sei se não ouvi direito ou se você anda passando tempo demais comigo... – ela respondeu num tom divertido

– Calma, ai, eu disse que não gosto daquele tipo de suposição, assim do nada, alguém de fora que nem sabe o que tá acontecendo vem e palpita, e aahh, você entendeu!

Quando percebi nós estávamos nos encarando de um jeito sério mas que não durou nem um minuto e começamos a rir:

– Ok, talvez eu esteja passando muito tempo com você, Doutora Isles, mas não diria que é tempo demais, nunca é demais estar com você...

Ela abriu aquele sorriso lindo que desde a primeira vez que vi, mesmo sem saber me apaixonei, tomou um gole do café depois se aproximou de mim em silêncio e ficou praticamente colada em meu corpo apenas me olhando. Eu a olhava de volta um pouco abaixo nos olhos com carinho, ela se inclinou para frente me roubando um beijo delicado e se afastando em seguida para segurar meu rosto e me olhar de volta. Eu abri um sorriso certamente enorme e sussurrei:

– Não está mais brava comigo?

– Sabe, sempre que eu tento ficar brava com você acaba não durando muito. Eu também acho que todo o tempo que passamos juntas nunca é demais, e a verdade é que o tempo é muito curto para desperdiçarmos com esse tipo de coisa, Jane.

– Me desculpa... – pensei bastante desde a hora que ela me deixou sozinha no aeroporto e tudo que tinha certeza de que queria dizer para ela era isso – Pela segunda vez em um mês: me desculpa por ser uma idiota, ok? Por motivos diferentes, mas ainda assim, você tinha todo o direito de ficar brava e me achar uma babaca, acho que eu fui mesmo.

– Está tudo bem. Eu andei refletindo e eu te entendo, você é assim, explosiva, ciumenta, não quero que mude quem você é, acho só que você tem que diminuir um pouco isso, mas é algo que podemos trabalhar juntas.

Trouxe ela para mais perto de mim a abraçando e dando um beijo longo em sua cabeça, senti ela sorrir encostada em mim, eu também sorria:

– Eu te amo, Maur!

– Também te amo, Jane. – ela se afastou me empurrando para a porta – Agora volta logo lá para cima que temos muito trabalho pra fazer!

– Sim, senhora! – respondi batendo continência a fazendo rir alto e eu também, sai do necrotério infinitamente mais leve do que antes, afinal de contas nós duas éramos assim: brigamos mas nos resolvemos logo e eu dou graças a deus por isso.

Saber que ia chegar a noite e eu poderia ir embora com Maura comigo, me abraçando e beijando era a maior sensação de alívio do mundo, ela tinha razão, eu tinha mesmo que trabalhar algumas coisas em mim, mas sempre temos não é? Pra isso que servem os relacionamentos, vão nos ensinando como melhorar em vários aspectos. Nem tinha chegado ainda no meu andar ela me manda uma mensagem:

“Esqueci de comentar: você fica muito sexy na televisão, detetive.”

Aahhh Doutora Isles, sempre querendo me enlouquecer né? Como essa mulher consegue me deixar assim? Minha vontade era de voltar correndo lá pra baixo e agarrá-la imediatamente.

“Gostou, foi? Vou pedir para o Cavannaugh me deixar participar mais das coletivas a partir de agora, que tal?”

“Aprovo a ideia! Aliás, a repórter era bem bonita também, você não achou?”

Cuspi meu café ao ler a última frase, mas que porra ela estava querendo dizer com aquilo? Eu nem lembrava direito da cara da moça, só que era morena. Será que a Maura tinha algum tipo de fetiche por morenas? Que coisa esquisita... Ela deve ter percebido que fiquei sem ação porque demorei muito sem responder e ela logo mandou outra:

“Jaaaane estou brincando! Eu nem prestei atenção na repórter, era só um teste para ver se você teria uma reação agressiva de ciúme ou se já está praticando “a lição de casa.” (risos)”.

Estava boquiaberta com a atitude dela, mas não deixei de sorrir ao digitar a resposta:

“Espertinha você... Ficar sem palavras é melhor que ficar com raiva, certo?”

“Absolutamente.”

Estava parada na entrada da sala dos detetives e logo ouvi Korsak me chamando, digitei rápido uma última mensagem:

“Ótimo, então estou aprendendo direitinho. Bom trabalho amor, já tô com saudades!”

“Eu também! A noite nos vemos, beijos!”

Notas finais
Tá, foi um capítulo meio longo pro pouco assunto que tratou, mas achei importante dar o quadro geral desse novo caso que elas vão trabalhar que guiará mtas coisas daqui pra frente e o desfecho da briguinha anterior! Próximo cap com mais emoções, não percam! Hahaha Bessoosss