Razão e Emoção

20 Capítulo 20 – Missões


Notas iniciais
O NYAH voltouu!!! Hahaha Oi gente, tava com saudades de vcs! Sem mais delongas: atualização da fic saindo abaixo, espero que gostem (e se lembrem ainda) do que tá rolando!

Jane engoliu em seco, por dentro só pensava em se dar um enorme e doloroso tapa na própria cara, teve tanto cuidado de esconder sobre aquela maldita briga com a agente para agora em nome dela querendo ajudar na investigação acabou deixando escapar, merda!

– Briga foi uma palavra exagerada da minha parte... – tentou consertar encarando a loira nos olhos sabendo que estava sendo observada por todos os agentes — Eu e a agente Prentiss tivemos um pequeno desentendimento, só isso.

– Desentendimento? – repetiu a legista num tom sério – Sobre o que exatamente, Jane?

– Sobre o caso do Tylan...

– O caso que já havia sido encerrado? – perguntou Maura num tom levemente irônico

– É. Quer dizer, sobre ela ter dado aquele tiro nele e ter colocado as nossas vidas em risco, você lembra como eu fiquei puta, né?

– Lembro, tanto quanto me lembro que você também tem todo conhecimento policial e já fez algo parecido num caso em que eu também estava presente, logo sabe muito bem que foi um tiro legal, ela tinha treinamento suficiente para executar sem nos ferir, e em nenhum momento do seu relatório entregue algumas horas depois você discordou disso!

A morena ficou em silêncio pensando em algo realmente plausível para dizer quando o agente Morgan resolveu interferir a seu favor:

– Senhoritas, creio que o foco agora não seja realmente este... Pelo menos não para nós, então se não se incomodam, podemos encerrar oficialmente aqui nossa reunião e as levar de volta a Boston?

As duas mulheres acenaram positivamente com a cabeça, olharam pela janela notando que o avião já fazia uma lenta manobra de retorno. Todos ficaram em silêncio um longo instante se dirigindo de volta a suas poltronas.

Alguns minutos depois já estavam sobrevoando o aeroporto de Boston, o agente Hotchner pigarreou se levantando e indo na direção das duas mais uma vez:

– Bom, agradeço novamente pela ajuda, iremos começar a investigação de nossa Sede, em breve é bem provável que retornemos para dar continuidade in loco, mas no que for preciso espero poder contar com a ajuda de vocês nessa parte. Afinal como caso extra oficial não tenho permissão para deslocar a equipe toda sem sermos notados o tempo todo. JJ entrará em contato quando for o momento.

– Claro, agente. Sem problemas. – respondeu Jane de maneira firme.

Todos apertaram as mãos da detetive e da legista assim que a aeronave estava pousando. Assim que a porta se abriu Reid que estava apertando a mão de Maura por último disse:

– E não fique chateada, não foi nada demais a briga entre elas. Dois dias depois o machucado da Emily já tinha cicatrizado...

Jane deu um olhar mais assassino que jamais havia dado em todo sua vida para o rapaz que ficou visivelmente assustado e encolheu os ombros. Maura apenas sorriu da maneira mais educada apesar de fria que conseguiu já descendo as escadas para sair sem esperar pela detetive que correu atrás dela. Assim que a porta fechou JJ e Morgan deram simultaneamente um tapa forte na cabeça do agente mais novo:

– Que bosta foi essa, kid?? – quase gritou o agente musculoso – Você não entende nada de mulher mesmo!

– Mas o que eu fiz de tão grave? Eu só tentei ajudar...

– Aahhh, pelo amor de deus! – resmungou JJ levando as mãos pra cima – Olha esquece tá, da próxima vez apenas fique quieto e agora vamos trabalhar, quando acharmos a Emily ela mesma te dá uma lição!

Rossi e Hotchner apenas olharam um para o outro balançando a cabeça e logo se sentaram de volta abrindo os notebooks para iniciar a busca pela colega.

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– Maur? – dizia Jane indo atrás da legista que caminhava de maneira dura e rápida até o carro da detetive. – Maura, amor... Espera!

A loira parou já em frente ao veículo com a mão na porta do passageiro sem falar nada.

– Escuta, eu sei que você não aprova nenhum tipo de briga e por isso eu não te contei nada, mas não quer dizer que tenha sido algo realmente grave.

– Não foi grave? O supercilio dela estava cortado ao meio, Jane! Deve ter sangrado o suficiente para ter gerado um hematoma de nível... – Maura parou de falar deixando seu olhar perdido um instante e logo depois levando a cabeça pra cima tentando controlar a raiva e soltando um riso inconformado depois – Eu não acredito!

– No que? – perguntou Jane meio ressabiada.

– Aquela hora no mesmo dia depois das mensagens que a gente estava na cozinha e você se afastou de mim quando eu tentei tocar no seu peito, você levou um golpe ali, não foi? Por isso que se afastou inventando aquela história de treino pesado na academia... — Jane não respondeu nada apenas abaixou um pouco a cabeça sem jeito, a loira continuou – Como eu sou idiota! É óbvio que eu notei que aquilo não podia ser verdade, mas achei simplesmente que você estava nervosa e eu estava indo rápido demais, por isso até resolvi servir um vinho ao invés de insistir... Jane que tipo de briga foi essa?? Ninguém viu ou tentou separar vocês?

A morena encarou de volta a namorada com um olhar firme apesar do tom de voz sair bem baixo na resposta:

– Eu nos tranquei no banheiro do bar, só havíamos nós duas lá...

– Você? Você... – Maura estava com tanta raiva que definitivamente não sabia o que dizer, se afastou do carro e começou a andar em círculos passando as mãos nos cabelos.

– Maur, olha, acabou tudo bem, no final a gente se resolveu e eu acho ela uma grande pessoa, tanto que quero mesmo ajudar a encontra-la.

– Grande pessoa? Por que antes de você encher ela de porrada ela não era?

– Bom, eu não achava...

– Por que? – disse a outra parando de andar e cruzando os braços.

– Como por que, Maura? Porque ela era...ela estava...com relação a você, a Emily...bom... – a morena não conseguia formular o que queria dizer sem parecer uma idiota — Você sabe, ela estava visivelmente interessada em você e ia continuar investindo, considerando que ela já tinha conseguido uma vez e... Caralho ela ia te levar embora pra Washington, porra!

– Eu não iria por causa dela, Jane! – gritou a legista agora se descontrolando de vez – Eu iria com eles porque você tinha me trocado pelo Casey! E o que me deixa mais puta é saber que você foi lá bater nela como se eu fosse sua propriedade que ela “invadiu” sendo que até então tudo que você tinha deixado claro pra mim era que nunca passaríamos de apenas amigas e ia se casar com um cara qualquer do seu passado!

Jane suspirou olhando fundo nos olhos da outra sem saber o que dizer. Maura balançou mais uma vez a cabeça e começou a andar em linha reta.

– Ei, espera, aonde você vai?

– Pegar um táxi e ir para a Central. – respondeu a loira de maneira fria sem olhar para trás – Vou ensinar as técnicas que tinha prometido para Susie, faça bom proveito da sua folga, Jane.

A detetive esperou a outra chegar até o ponto de táxi e entrar em um para enfim chutar o chão com raiva resmungando alto alguns palavrões e depois entrou no seu carro batendo a porta para dirigir até seu apartamento. Definitivamente não era nada disso que ela tinha planejado para aquele dia...

– Dra. Isles? – chamou Susie após alguns minutos em que havia terminado o procedimento que a chefe lhe mandara fazer e não recebeu mais nenhuma ordem, a outra apenas fitava o chão do laboratório completamente perdida em pensamentos. – Hum... Dra. Isles?

– O que? – respondeu a outra levemente assustada.

– Depois de filtrar, o que fazemos com a amostra?

– Já foi filtrada? Isso leva algum tempo.

– Sim, doutora. Terminou já faz alguns minutos. A senhora está bem?

– Já disse para não me chamar de senhora, Susie. – respondeu a outra se forçando a dar um sorriso — E sim, está tudo bem, por que a pergunta?

– Bem, você me parece um tanto avoada hoje... Desculpe a intromissão, mas o tenente disse que você estaria de folga com a detetive Rizzoli, e do nada você resolveu vir, aconteceu alguma coisa com ela?

Maura soltou um suspiro profundo, nunca foi dada a amizades e tendia a se sentir irritada quando alguém lhe perguntava sobre sua vida pessoal em todos trabalhos que teve, mas não podia negar que gostava do jeito de Susie. Não era intromissivo demais, quando falava coisas assim realmente parecia ser por interesse genuíno no bem estar dela a fazendo se sentir mais a vontade para perguntar algo.

– Você ainda namora aquele rapaz que também trabalha aqui no necrotério?

– O Alex? Sim... – respondeu a outra sem entender ao certo o que a chefe queria com aquele início de conversa.

– E, se me permite a pergunta, ele é muito ciumento?

A oriental ergueu as sobrancelhas levemente surpresa, estava acostumada a fazer esse tipo de pergunta mais pessoal e ver a outra se afastar ou fingir que estava tudo bem por mais óbvio que estivesse que não. No entanto era a primeira vez que a via retrucar questionando sobre sua própria vida.

– Eu diria que sim.

– Mas do tipo que antes de vocês namorarem oficialmente ele bateria em alguém por você?

– Como assim?

– Bem, hipoteticamente falando, se numa fase anterior ao namoro, onde mesmo havendo uma atração mútua vocês nunca tiveram nada e ele encontrasse um homem num bar, sabendo que você já dormiu com este outro homem, ele se trancaria num banheiro com ele e os dois protagonizariam alguma espécie de luta livre?

– Jura que a detetive Rizzoli fez isso com a agente Prentiss?

Maura corou sem saber o que dizer exatamente para a assistente que tinha um ar impressionado e mesmo por detrás das grossas lentes do óculos era possível ver seus olhos bem abertos:

– Eu disse hipoteticamente, Susie!

– Aahh...claro! – disfarçou a outra notando o desconforto no tom da chefe. – Hipoteticamente, no começo do nosso namoro talvez ele fosse capaz de algo assim, hoje não. Ele melhorou bastante.

– Sério? E o que mudou? – perguntou a loira curiosa.

– Ah, eu não sei, acho que esse sentimento de posse é muito instável no começo de qualquer relacionamento quando você ainda tem dúvidas sobre a reciprocidade do sentimento do outro, a medida que ganha confiança vai deixando de ser tão importante essa questão de “marcar território”. – respondeu a outra com naturalidade — Também o retiro ajudou muito, é verdade.

– Retiro? Que retiro?

– O de nudismo que frequentamos. Sabe, essa quebra de paradigmas em estar nu na frente de outros que não sejam apenas seus parceiros sexuais pode ser muito libertador no sentido desse sentimento de posse revelado pelo ciúme como estamos comentando.

Maura ficou quieta um instante. De tudo que podia imaginar para compreender melhor esse sentimento de Jane por ela e mesmo fazer a morena trabalhar mais essa parte, leva-la a um retiro de nudismo estava totalmente fora de cogitação. Por mais que ela fosse médica e acreditasse nos benefícios que esse tipo de comportamento pudesse trazer e estar acostumada a ver vários tipos de corpos todo dia (ainda que sem vida) se imaginar com a namorada num local desses talvez fizesse despertar nela mesma o sentimento de posse e ciúme de que tanto falavam, o que só pioraria tudo.

– Mas creio que hipoteticamente falando seria levemente desconfortável dois casais que trabalham no mesmo local sendo que um deles tem um cargo de superioridade com relação ao outro se encontrarem em tais circunstâncias sem um aviso prévio pelo menos... – completou a analista timidamente fitando a chefe.

Maura encarou Susie com seriedade:

– Sim, concordo que seria. – fez uma pausa longa sem perceber analisando de cima a baixo a assistente que agora estava levemente corada — Hipoteticamente falando.

As duas mulheres ficaram se olhando alguns segundos até que começaram a rir. Maura só parou quando estava praticamente sem ar, balançou a cabeça um instante e depois deram andamento ao que faziam agora mais concentradas na terefa.

Jane abriu a porta de casa de uma só vez assustando seu irmão mais novo que deu um pulo do sofá onde assistia TV:

– Puta merda, Jane, precisa entrar desse jeito??

– A casa é minha e eu entro do jeito que quiser, aliás o que você tá fazendo aqui, Tommy? – respondeu a detetive sem nenhuma paciência.

– Caraca que mau humor é esse? Cadê a Janie apaixonada que me pediu pra cuidar da cachorrinha dela porque ia aproveitar o dia inteiro com a namorada e não queria pensar em interrupções?

– Voltou pra realidade... A vida é cheia de interrupções! – resmungou Jane caminhando até a cozinha e abrindo a geladeira buscando algo para beliscar.

– Qual é, Jane, você tinha até descolado uma folga pra vocês, que workhollics, credo!

– Nosso trabalho exige dedicação, ok? – respondeu Jane de boca cheia comendo uma fatia de queijo e se dirigindo ao varal onde começou a pendurar roupas de uma cesta freneticamente – E eu não disse que foi exatamente trabalho a interrupção, afinal eu estou em casa não na Central, certo?

– Certo, mas me dê um bom motivo que não seja um de força maior como alguém que paga seu salário te obrigando a trabalhar que fizesse qualquer um em sã consciência se separar daquele corpo perfeito da Maura durante um dia em que você pudesse aproveitá-lo inteirinho sem nada nem ninguém pra atrapalhar?

Tommy recebeu uma meia na cabeça atirada com força pela irmã que logo reagiu ainda mais irritada:

– Primeiro: pare se sonhar com o corpo da minha namorada, não importa o quão perfeito ele seja! Segundo: às vezes a “força maior” pode ser ela mesma, já pensou nisso??

O Rizzoli mais novo ergueu uma sobrancelha se virando para Jo Friday que estava aninhada em seu colo acompanhando os movimentos da dona:

– Eu nunca vou entender vocês mulheres!

Jane ia falar mais alguma coisa quando seu celular tocou:

– Rizzoli! Não senhor, sem problemas... Já estou indo. Qual o endereço? Ok! — desligou o aparelho largando as roupas penduradas pela metade – Obrigada por atrair a questão do meu trabalho como interrupção! Agora sim meu dia está ainda mais perfeito!! Tchau, Tommy!

O outro nem havia respondido o cumprimento ainda e a detetive já havia tomando novamente o caminho da rua batendo mais uma vez a porta com força. Havia um novo assassinato em Boston e estranhamente Jane pressentia que aquele não seria um caso muito bom...

Notas finais
Se nada bugar, nos falamos em breve! Beessooss