Razão e Emoção

10 Capítulo 10 – Razão


Notas iniciais
Olá pessoas! Desculpe o relativo atraso (até que nem foi tanto dessa vez...) Boa leitura!

Jane ligou a sirene do carro e dirigia o mais rápido possível. Frost pelo rádio se comunicava com Frankie e dava ordens aos outros policiais. Chegaram à galeria bem a tempo de ver Maura abrindo a porta para entrar. Jane saltou do carro gritando o nome da amiga que mesmo assim cruzou a entrada sem esperar por ela. A detetive pegou a arma e saiu correndo atrás da outra. Frost vinha logo atrás, ela o impediu:

– Não, fique aqui fora e me dê cobertura! Assim que for o momento eu dou um sinal para você, Frankie e o resto da equipe invadirem!

O parceiro concordou com a cabeça se escondendo atrás da porta de entrada e a abrindo para a morena passar. Jane entrou meio abaixada mirando com a arma por todo saguão. Ouviu uma voz masculina vindo de longe falando alto e muito rápido, logo depois outra voz choramingava, aparentemente com dor. Foi se esgueirando pela parede lateral até a base de uma escada grande e viu Maura na base da mesma escada porém do lado oposto da onde estava. Bateu o pé no chão com força chamando a atenção da loira discretamente. Ela a encarou e apontou para cima sussurrando:

– Eles estão no mezanino!

– Tá, sai daqui! – respondeu a outra também sussurrando.

– Quê?

– Eu subo, você sai! – disse Jane apontando para ela mesma, para a loira e para a saída, nervosa.

A legista balançou a cabeça em negação:

– Eu subo, você não sabe conversar com alguém sob pressão!

– Tá maluca?? Maura, eu sou a policial treinada em negociações aqui! S-A-I!

– E eu sou treinada em análise comportamental, vou saber melhor a que estímulo ele vai reagir! Além do mais, sou médica, Jaques pode estar machucado...

– Mauraaa, sai, agora!! – disse a detetive mais alto realmente irritada com a teimosia da outra.

Ela ia reagir quando um tiro foi disparado para baixo acertando um vaso que ficava numa mesa central. As duas se abaixaram e correram para debaixo da escada, cada uma de um lado.

– SAIAM AS DUAS! – gritou o homem lá de cima

Jane levantou um pouco a cabeça mas não conseguia vê-lo, olhou por baixo do corrimão para Maura que estava na mesma pose que ela a encarando assustada.

– Tylan, vamos conversar! – gritou Jane de volta

– Eu não tenho nada para conversar com vocês!!

– Em pouco tempo a galeria toda vai estar cercada, se você quer ter uma chance sugiro que converse agora!

– Chance? Que tipo de chance você quer me oferecer? Poder escolher entre cadeira elétrica ou injeção letal? – bradou o outro de maneira irônica – Eu não vou cair nessa!

– Tylan, eu entendo porque quer fazer isso, mas não tem que acabar assim... – foi a vez de Maura entrar na conversa

– Maur? – disse Jaques com uma voz muito fraca.

A loira gelou, levantando a cabeça para olhar o outro andar em busca do amigo, viu Tylan o arrastando em frente a seu corpo com um serrote em seu pescoço e na outra mão apontando a arma para baixo.

– Que maravilha, eu já esperava por alguma plateia, mas justamente a melhor amiga desse desgraçado é sorte demais! Vamos, doutora, suba aqui pra ficar mais perto.

Jane levantou a cabeça dando seu olhar mais assassino para a outra enquanto articulava um longo “não” com a boca sem emitir som. A legista a encarou um tempo depois olhou para cima novamente, em dúvida. Tylan se aproximou mais do guarda-corpo forçando o serrote contra a garganta do marido que gemia:

– O que foi, sua nova namorada do FBI não quer te deixar vir?

Jane instintivamente se levantou saindo de trás da escada, franzindo a testa e apontando a arma na direção do outro que a olhava por detrás do refém dando tempo dele analisar que ela estava sem nenhum colete ou outra proteção:

– Ahh não, espera, você não é do FBI! Então você é a antiga namorada, a que deu pra trás e vai casar com um soldado, não é? – o homem riu abertamente se divertindo com a cara de ódio da morena – Muito prazer, detetive Jane Rizzoli!

– O prazer é todo seu, agora vou ser mais direta: solta ele e venha comigo por bem, Tylan! – Jane praticamente cuspia as palavras.

– Puxa, como você é encantadora! Como conseguiu namorar a “lady” Isles sendo assim?

– Nós nunca namoramos! E pela última vez colabore senão vai ser muito pior!

Maura intercalava o olhar de um para o outro focando em Jane após essa última frase. Não tinha tempo de refletir sobre seus sentimentos com relação a morena que mais uma vez só deixava bem clara sua posição delas não terem nada além de amizade, mas estava ai algo que ela poderia usar para ganhar tempo naquele instante:

– Tylan, eu vou subir! Como disse eu entendo o fato de você querer fazer isso. Só nós sabemos como dói não ser a estrela principal, não é verdade?

O negro a encarou nos olhos se afastando novamente do guarda-corpo visivelmente abrindo passagem para que a outra viesse a seu encontro.

Maura não olhou para Jane que tinha um ar de absoluto choque e indignação, apenas começou a subir a escada, a morena logo se pronunciou de novo:

– Se ela subir eu subo também!

Tylan revirou os olhos entediado:

– Não precisamos de você, detetive! Obrigado por querer participar, mas basta uma pessoa armada para este evento, que no caso sou eu! Pode voltar para sua vidinha na delegacia, ok?

Maura já estava no topo da escada controlando a respiração, nervosa ao ver que o pescoço de Jaques já possuía alguns cortes superficiais de tanto que o outro lhe forçara o serrote nele. O loiro estava completamente grogue e mal se sustentava de pé. De repente um barulho metálico no andar de baixo fez com que Maura e Tylan se virassem para olhar, Jane havia colocado sua arma no chão, chutado para longe e estava com os braços erguidos:

– E agora, será que eu posso participar?

– Ela é sempre teimosa assim? – sussurrou Tylan com curiosidade olhando para a legista.

– Só não é quando deveria ser... – respondeu Maura fingindo um ar de desdém

Tylan sorriu agora de maneira simpática para a outra depois se virando para baixo:

– Claro, sempre tem espaço para mais um espectador!

Jane subiu rapidamente a escada olhando todos nos olhos e rapidamente em volta. Não se aproximou muito, tentando ver se achava algo que pudesse usar como arma por ali, enquanto isso Maura viu um quadro enorme de Jaques, o mesmo que ela havia se perdido por horas contemplando quando esteve ali da última vez e algumas cadeiras posicionadas em frente a ele. Duas cordas pendiam de uma viga com num nó nas pontas em cada lateral do quadro. Havia bastante luz naquele ponto da galeria, a loira logo olhou para cima visualizando uma bela claraboia. Nitidamente Tylan havia planejado tudo, era como um grande cenário focalizado por um holofote. Ele reparou que ela havia matado a charada:

– Gostou? É a minha interpretação da “vida”.

– Não deveria chamar de morte? – provocou Jane de maneira sarcástica.

– O nome desse quadro é “vida”! – revidou Maura encarando a morena com seriedade que ergueu as sobrancelhas irritada.

Tylan deu uma risada fraca sozinho depois apontou a arma para as duas e para as cadeiras logo a frente:

– Bem, já que vieram ver o espetáculo, sentem-se!

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– Não entendo, já se passaram horas e ele não está em nenhum dos três locais... – dizia JJ frustrada após circular por todo prédio do centro de convenções e agora dar voltas com o carro pelas quadras próximas com seu chefe que já havia falado com as outras duas equipes.

Estavam voltando para a delegacia quando receberam uma ligação justamente de lá, o tenente Cavanaugh retornara do tribunal e já estava a par de toda confusão. O agente Hotchner pôs todos os carros com as equipes na linha:

– Pessoal, atenção! O serial killer está na galeria mantendo o marido como refém, a polícia de Boston já está a par, viaturas já devem estar cercando o prédio neste momento. Precisamos chegar lá e invadir logo antes que eles façam alguma coisa.

– Mas se ele tem o alvo a polícia não vai invadir! – disse Reid na linha – Eles sabem que tem que esperar o pessoal treinado e a equipe de reforços para iniciar as negociações.

– Não estão só os dois lá dentro. – respondeu JJ apressada — A Dra. Isles e a detetive Rizzoli também estão lá, e pode apostar que se algo acontecer com qualquer uma daquelas duas o precinto vai botar a galeria abaixo.

Num dos carros Morgan encarou Prentiss que estava relativamente pálida:

– Ei, tá tudo bem?

– Aham, só pisa o mais fundo que você puder nessa merda de acelerador, ok? Estou cansada de ficarmos atrás desse cara e não prendermos ele logo!

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Jane ouviu o barulho das sirenes na rua:

– Estou bem de pé, obrigada, e eu acho que vai precisar de mais cadeiras...

Tylan ignorou a frase da morena levando o marido para próximo das cordas com o intuito de pendurar seus braços nelas. Percebeu que teria que largar alguma das armas para fazer isso o que obviamente não seria o mais prudente:

– Maura, venha aqui!

A loira ficou estática percebendo que a intenção do outro era força-la a ajudar, olhou para Jane que havia se aproximado mais dela e segurava um encosto de uma cadeira com força.

– Ué, achei que fosse um espetáculo solo... – provocou Jane levantando um pouco a cadeira discretamente como se para testar seu peso.

– Cala a boca, mulher! Maura vem aqui, agora!

Ela se aproximou devagar aproveitando para checar a respiração do amigo, depois levou a corda a um de seus pulsos e o amarrou bem fraco. Tylan ainda tinha o serrote contra a garganta do homem e a arma apontada para a detetive, intercalava o olhar entre fiscalizar o que Maura fazia e se Jane ainda estava no mesmo lugar:

– Amarre direito! – ela apertou um pouco mais os nós – Não está perfeito mas que seja, volta pro lado da sua ex, vai!

Maura deu alguns passos para trás, tremendo enquanto pensava no que fazer para evitar ou pelo menos adiar ao máximo o que o outro estava prestes a fazer:

– Ele te contou sobre meus problemas amorosos?

Tylan levantou os olhos dos nós para Maura devagar:

– É o que os casais fazem não é? Conversam sobre a vida dos amigos.

– E você sabe o que nós falamos de você?

– Pra começar duvido que ele fale de mim, esse porco egoísta só pensa nele. – respondeu Tylan fitando o marido enquanto lhe beliscava a barriga fazendo-o soltar um gemido – E mesmo que falasse, agora ele não está em condições de fazer isso e não seria você a me contar a verdade, não é doutora?

– Eu posso te contar se quiser... – disse Jane compreendendo a tática da legista e entrando no jogo – Eu nem conhecia vocês, mas ouvi durante horas sobre os dois, afinal é o que casais fazem, não é?

O negro encarou a outra com curiosidade e sem abaixar a arma em nenhum momento se afastou um pouco do marido:

– Você me parece ser uma pessoa sincera pelas histórias que ouvi falar, pelo menos. Acreditaria no que você me dissesse, mas não tem mais importância, seja lá o que for, em alguns instantes ele nunca mais vai poder repetir.

– Mas pelo menos ele vai saber que você sabia da verdade... – arriscou Maura – Ele ainda está consciente e pode nos ouvir.

Tylan encarou a legista desconfiado:

– E qual seu interesse nem fazer isso?

– Bem, eu gostaria de morrer com este peso a menos.

– Que peso? – agora o homem estava realmente curioso e sem notar abaixara totalmente o serrote mantendo somente a pistola na mira das duas.

– Ele sabia que você traia ele. – disse Maura de forma direta.

– Eu não traia ele! – disse o homem franzindo a testa inconformado. – Ele era um artista tão ruim que se não fosse por mim jamais venderia um quadro. Agora se para os compradores terem interesse eu tinha que utilizar meus dotes sexuais, bem eu não chamaria de traição e sim de favor!!

– Então o cara encontrado essa madrugada com a sua porra era um comprador de “quadros”? – continuou Jane encarando o homem nos olhos.

– Exatamente! – bradou o homem se afastando totalmente do marido e vindo na direção de Jane — E ele estaria vivo se não tivesse dito o que disse!

– Que seria? – continuou Jane olhando com atenção para os movimentos do outro.

– Que eu não passava de um michê regular que se não fosse pelo talento do Jaques eu morreria de fome porque se não tivesse o adicional dele obter as obras de arte jamais me pagaria só pelo programa! Isso é mentira!! Filho da puta, tão filho da puta quanto este aqui!!

Tylan abaixou a pistola levantando novamente o serrote e indo em direção ao marido quando um tiro foi disparado lhe acertando o peito. O negro caiu derrubando as duas armas no chão enquanto Jane instintivamente havia coberto a cabeça de Maura com as mãos abaixando com a loira atrás das cadeiras.

As duas ouviram um baque e a porta do saguão ser escancarada, um grupo enorme de policiais invadia o lugar, só então notaram que os agentes do FBI já estavam lá dentro provavelmente há tempos e subiam as escadas correndo. Elas ficaram de pé a tempo de ver Prentiss abaixando a arma que havia usado pra fazer o disparo. A agente ficou encarando as duas mulheres enquanto Reid checava a pulsação do homem fazendo um sinal negativo com a cabeça para todos.

Notas finais
Até a próxima!! bessoosss