Razão e Emoção
11 Capítulo 11 – Agora ou Nunca
Notas iniciais
Jane virou o rosto para a legista e falou com suavidade apesar do tom de preocupação nítido na voz:
– Maur, você está bem?
Maura soltou a respiração que nem percebeu que havia prendido encarando Jane nos olhos e apertando com força seu braço como se aquilo a fizesse voltar à realidade:
– Estou. Jane... – a morena segurou a mão da legista por cima de seu braço percebendo que a outra estava gelada – Sabia que você ia entender minha estratégia.
– Claro que ia! – respondeu a outra com um sorriso confortante se levantando devagar e trazendo Maura consigo colocando as duas de pé.
A loira sorriu e virando a cabeça se deparou com o agente Hotchner ao lado das duas seguido de Prentiss que se mantinha alguns passos atrás observando todos com cuidado. Seu chefe se pronunciou:
– Vocês estão bem? – ambas acenaram que sim com a cabeça. – Ótimo. Tylan não teve a mesma sorte e os paramédicos estão chegando para levar Jaques.
Maura olhou para o amigo que já havia sido desamarrado e o colocaram deitado no chão, ela se soltou de Jane correndo em direção a ele, Jane encarou o agente com a testa franzida enquanto apontava um dedo para a morena atrás dele:
– Ela podia ter nos matado!
– Foi um tiro legal, detetive, eu mesmo autorizei. – respondeu o agente com calma.
– Ele estava a poucos metros tanto de nós quanto do refém! – Jane começava a aumentar o tom de voz.
– Exatamente, estava na posição perfeita, mais um passo para frente ou para trás e poderia não ter sido tão certeiro.
– Really? Então é assim que o FBI trabalha? Na pior das hipóteses acertam um inocente, senão, tudo bem: são os heróis do dia!
– Meu treinamento é mais do que suficiente para saber se estava ou não colocando um inocente em risco, detetive. – se pronunciou Prentiss num tom frio.
Jane já havia dado um passo a frente e estava pronta para revidar quando ouviu a voz de Korsak a chamando. Se virou e viu sua equipe da delegacia completa vindo afobada em sua direção. Todos perguntaram ao mesmo tempo como ela e Maura estavam, ela disse que estava bem e se virou para a legista que fiscalizava cada movimento dos paramédicos:
– Também estou, rapazes. Agora vou acompanhar Jaques até o hospital!
Cavanaugh acenou com a cabeça abrindo caminho para que o grupo de médicos passasse com a maca em direção à ambulância. Os agentes do FBI falavam sobre voltar para a delegacia para fechar o caso protocolando relatórios e o tenente concordou que ele e seus detetives deviam fazer o mesmo.
Em poucos tempo as viaturas foram saindo das proximidades da galeria e todos estavam de volta à Central. Jane logo colocou seu celular no carregador e mandou uma mensagem para Maura:
“Hei, como está tudo ai?”
Em poucos minutos veio a resposta:
“Jaques está estável. O sedativo era muito forte, e ele tinha alguns ferimentos, os médicos lhe aplicaram remédios para dor. Ele está dormindo agora.”
“Que bom! Você vai ficar muito tempo ai?”
“Vou esperar ele acordar. Você está na delegacia?”
“Sim. Os engomadinhos querem logo os relatórios para poder fechar o caso!”
“Entendo. Volto para aí depois que conversar com ele.”
“Certo, me dá um toque quando chegar então.”
“Ok.”
A detetive desceu até a cafeteria para falar com a mãe que certamente estava muito preocupada. Juntamente com seu irmão Frankie conseguiu acalmar a italiana contando por alto o que havia acontecido omitindo, claro, a maior parte dos detalhes que certamente a impressionariam, pegou um café e voltou para sua sala a fim de começar o tal relatório. Viu que tinha uma nova mensagem de Maura no visor do celular:
“Jane... Obrigada por ter ido atrás de mim.”
Ela sorriu respondendo em seguida:
“Nunca mais me dê um susto como esse, Doutora!”
“(risos) Farei o meu melhor, detetive! ;) “
– Eu iria até o inferno por você, Maur... – disse a detetive baixinho encarando a tela do celular com um ar perdido.
Frost logo a tirou do transe perguntando sobre detalhes da investigação que precisava inserir no que estava escrevendo. Logo Jane voltou seu foco e junto com os outros perdeu a noção do tempo trabalhando com afinco. Já era noite quando Maura avisou Jane que estava na delegacia, porém em sua sala também fazendo sua parte dos relatórios. Se encontraram às 20h na sala de reuniões onde os agentes solicitaram a presença de todos:
– Senhores, gostaria de agradecer pela colaboração. Foi um caso difícil, mas juntos conseguimos finaliza-lo com sucesso. – disse o agente Hotchner já novamente trajando seu terno escuro e de pé olhava com seriedade para a equipe policial de Boston.
O tenente Cavanaugh se colocou ao lado dele encarando agora o grupo de agentes:
– Sem dúvidas foi. Também temos a agradecer a equipe de vocês durante a execução de tudo. Parabéns a todos pessoal, foi um bom trabalho!
O tenente puxou um aplauso, seguido por todos da sala. Sua equipe entregou os relatórios ao agente Hotchner e um a um aos poucos começaram a se retirar, Maura ficou por último, quando entregou o seu dando um sorriso simpático ao agente ele lhe encarou de maneira firme:
– Doutora Isles, me permite uma palavra antes de sair?
A loira acenou com a cabeça olhando de canto para Jane que segurava a porta aberta para ela e olhava para o agente com curiosidade. Ele continuou:
– Fiquei realmente impressionado com seu desempenho neste caso. Fez um excelente trabalho com a detetive Rizzoli lá na galeria. Seu treinamento em análise comportamental aliado a sua experiência como médica legista acrescentaria muito a nossa equipe.
Maura arregalou os olhos mesmo imaginando o que viria a seguir não estava acreditando:
– Se tiver interesse em ingressar no FBI, a BAU está de portas abertas, Doutora.
– Eu... – Maura fez uma pausa sorrindo e deixando de sorrir confusa – Estou lisonjeada pelo convite agente, mas eu não tenho uma resposta imediata para lhe dar sobre isso.
– Compreendo. – disse o agente no seu tom de seriedade ajeitando os papéis na mão – Decolaremos de volta a Washington amanhã pela manhã. Se tiver uma resposta até lá, bem, temos lugares a bordo.
Maura acenou com a cabeça saindo rapidamente da sala passando por Jane que se mantinha à porta com a boca meio aberta. Seguiu a legista até o corredor longe da sala de reuniões:
– Você não está cogitando aceitar essa proposta, certo?
– Não sei. – respondeu a outra com sinceridade.
– Maur, como assim? – disse Jane apertando o passo e se pondo a frente da outra a fazendo parar de andar – Você não vai se mudar pra outro estado e deixar sua carreira pra trás, não é?
– O que quer dizer, Jane? Ele acabou de me oferecer uma grande oportunidade para minha carreira.
– Sim, quer dizer, não... Tá, pode ser que seja, mas você vai sair de Boston assim do dia pra noite? Deixar o precinto? Seu pessoal de confiança do laboratório? – abaixou a cabeça diminuindo o tom de voz – Me deixar?
Maura foi se aproximando devagar, colocou uma mão no queixo da morena levantando com cuidado seu rosto e fitou os olhos escuros de Jane visivelmente tristes. Sentiu sua garganta secar e com os olhos analisava cada detalhe do rosto da outra que não ousava se mexer. O momento foi quebrado por uma voz masculina do outro lado do corredor:
– Jane? Será que agora podemos conversar?
Maura fechou os olhos e os apertou com força ao reconhecer que era Casey quem havia disparado a frase. Sentiu Jane pegar em sua mão que ainda estava sobre seu queixo, a aliança gelada lhe tocava os dedos e ela logo abriu os olhos se afastando:
– Foi você quem me deixou primeiro...
Saiu em disparada com os olhos enchendo de lágrimas. Os saltos tilintavam no caminho para o elevador, entrou apertando o botão com força, só queria sumir dali.
POV Jane
Eu fiquei estática olhando o caminho que ela fez. Senti do nada um vazio me invadir de maneira inexplicável, era como se meu estômago revisasse e eu tivesse ficado oca por dentro. Nunca uma frase havia me feito tão mal na vida. Senti Casey tocar em meu ombro, aquilo foi a gota d’água:
– O que você quer, afinal?! – falei praticamente gritando com ele
– Jane, vem comigo, o que tenho pra falar antes era importante agora além disso é urgente, está bem? Vamos para sua casa conversar melhor?
Pensei em dizer não, mas minha cabeça estava tão confusa, apenas acenei e sai andando rápido até o lado de fora da delegacia. Peguei meu carro, fomos até meu apartamento tudo de maneira automática e sem trocar uma palavra, chegando lá, abri a porta de qualquer jeito, assim que ele passou por ela já a bati falando:
– Pronto, estamos aqui, agora fala logo!
Ele ficou de pé em frente ao sofá me encarando com seriedade. Cruzei os braços e fiz um sinal com a cabeça para que ele desembuchasse. Soltou um suspiro longo até que finalmente disse:
– Recebi uma proposta para voltar para o campo no Afeganistão. — fiquei quieta tentando processar a frase, ele continuou – Como General.
Ergui as sobrancelhas sem saber ainda o que falar até que a ficha caiu:
– Espera, você não quer que eu vá junto não é?
– Bem, se nós vamos nos casar e concordamos que a condição pra isso era não deixar nossas carreiras, não. Porém eu não esperava por essa oferta. Jane, eu lutei anos, fiz minha carreira para chegar nesse posto, não vou simplesmente jogar fora, mas tenho que embarcar no próximo vôo. Eu quero ir até lá, ser condecorado, fazer algumas missões e assim que possível peço transferência de volta para os EUA e dai sim podemos ficar juntos. Tá certo que é um processo que pode durar alguns meses, talvez anos, mas... – fez uma pausa certamente procurando as palavras certas a usar — Entende o que estou te pedindo? Mais tempo, Jane, só isso...
– Mais tempo? – repeti balançando a cabeça e soltando uma risada irônica – Casey você quer que eu espere o que? A minha vida inteira por você?
– E não é o que você tem feito até agora? – ele respondeu com simplicidade
Franzi a testa e o encarei um instante. Depois ME encarei no espelho que havia na parede atrás dele. Senti ódio de mim, ele tinha razão. Desperdicei vários anos da minha vida esperando por um cara que nunca esteve lá quando precisei, um cara que nunca apareceria quando eu chamasse, um cara que não sabia o que era dividir comigo bons e maus momentos, um cara que eu simplesmente não amava. Revirei os olhos inconformada, puxei o anel do dedo com raiva e o atirei em cima dele gritando:
– Quer saber, Casey??! Pega essa aliança e enfia no cu! A gente não vai casar porra nenhuma! Eu não te amo, você não me ama, não sei por que insistimos nessa bobagem! – abri novamente a porta – Pode pegar o seu vôo pro Afeganistão, faça bom proveito da nova vida, General!
Ele encarou a aliança colocando-a no bolso da jaqueta, depois cruzou a porta sem dizer nada, quando já estava no fim do hall olhou para trás:
– E você? O que vai fazer agora?
A resposta saiu sem eu precisar pensar, foi automático:
– Vou atrás da minha felicidade, porque certamente ela não estava com você.
Ele deu um aceno com a cabeça entrando no elevador e sumindo em seguida. Entrei novamente no meu apartamento, abri uma cerveja e me joguei no sofá. Bebi a garrafa sem conseguir pensar exatamente em nada. Minha cabeça girava, não pelo álcool, mas por tudo que tinha acontecido nas últimas horas. Pus comida para Jo Friday, peguei minhas chaves e sai. Precisava de ar, aquela confusão mental estava me sufocando. Peguei o carro e dei voltas e voltas pela cidade, sem um destino preciso, apenas na tentativa de aliviar a sensação ruim que me acompanhava. Quando vi estava no bairro de Maura. Droga, como fui idiota! Eu afastei a única pessoa que realmente me importava, me fazia bem e a troco de nada. Estava parada no farol, olhei para o lado vendo aquela bar novo que acabamos não indo juntas. Sim, juntas, porque ela foi sozinha, não só foi como saiu de lá com a... Olhei melhor pela janela do local, a agente Prentiss estava sentada no balcão tomando alguma coisa. Não tive dúvidas, estacionei meu carro e fui em direção ao bar, entrando, vi que ela havia se levantando e ia em direção ao banheiro. Estava sozinha, não visualizei nenhum outro agente, muito menos Maura no bar. Caminhei com passos duros atrás dela.
Entrei no banheiro e vi que apenas uma cabine estava ocupada que certamente era ela. Tranquei a porta e me apoiei contra a pia. Ouvi a descarga e logo ela saiu, olhou primeiramente para o espelho depois com o canto do olho me viu mas não esboçou nenhuma reação. Caminhou até a pia, lavou as mãos e só depois que já as tinha secado e jogado o papel fora se direcionou a mim:
– Boa noite, detetive. Mudou de ideia e veio agradecer por eu ter salvo sua vida mais cedo?
– Não, na verdade eu vim fazer isso...
Num impulso rápido fui a frente e lhe dei um soco de esquerda no rosto fazendo ela perder o equilíbrio.
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