Razão e Emoção
7 Capítulo 7 – Oportunidades
Notas iniciais
No dia seguinte na delegacia a correria continuava, mas era visível para os que conheciam bem Jane que alguma coisa que nada tinha a ver com o caso estava a incomodando. Frost, Korsak e Angela estavam na cafeteria comentando:
– Alguém sabe o que aconteceu com a minha Jane? Está tão estranha... – sondava dona Angela aos rapazes.
– Geralmente a Jane só fica mal humorada assim quando briga com a doutora, mas ela parece mais do que brava, tá meio triste, não está não? – comentou Korsak olhando a colega sozinha numa mesa de canto mexendo seu copo de café.
– É verdade... – completou Frost – Ela está enchendo os federais de patadas mas com a gente simplesmente não quer falar. Será que é alguma coisa com o Casey?
Os três se olharam em tom de seriedade, Angela ia se aproximar da filha para perguntar diretamente quando o celular dos três detetives tocaram ao mesmo tempo.
– Rizzoli!
– Korsak!
– Frost!
“Estamos a caminho” foi a resposta em uníssono. Jane encarou os rapazes que já vinham em sua direção, Korsak se adiantou:
– Deixa com a gente, Jane! Pode ser um caso pequeno, acho melhor não deslocarmos a equipe toda, um de nós fica caso apareça alguma pista do serial killer.
– Então um de vocês fica, eu estou precisando sair um pouco daqui... – respondeu a outra em tom baixo já se encaminhando para a saída.
O mais velho deu os ombros e apontou para Frost ir atrás dela.
A cena do crime nada tinha a ver com as anteriores, realmente estavam diante de um caso totalmente diferente: era dentro de uma casa luxuosa, uma mulher boiava sobre a piscina.
– A empregada diz que já a encontrou assim e ligou pra polícia na mesma hora, ninguém mexeu em nada. – se prontificou um policial ao ver os detetives chegando.
Deram uma rondada pela área externa, Frost foi falar com a empregada enquanto Jane acompanhava os peritos retirando o corpo de dentro d’água quando ouviu passos atrás de si:
– Com licença, detetive. Preciso examinar o corpo.
Jane se virou surpresa com a voz, só podia ser brincadeira:
– Dr. Pike?? O que está fazendo aqui? Cadê a Maura?
– A Dra. Isles foi recrutada para examinar pessoalmente os dados coletados nas vítimas do caso do serial killer. Os federais, naturalmente acreditam que por ela ser a legista chefe do estado de Massachusetts é mais gabaritada do que eu para tal função. – deu um suspiro revirando os olhos – Então eu estou responsável por qualquer caso adicional. Pode me dar licença ou não, detetive?
Jane saiu da frente do médico bufando, ela odiava trabalhar com ele. Conseguia ser mais lerdo que Maura e com certeza bem menos genial, ainda que aquilo fosse um caso simples ficaria presa por dias para resolvê-lo agora. Depois de mais de meia hora na qual eles já haviam feito tudo que podiam o legista continuava analisando fragmentos na roupa da vítima e colhendo alguns de dentro da piscina e pedindo para separá-los para ver melhor no laboratório.
– Então, doutor, pretende liberar o corpo antes de entrar em decomposição ou vamos mumificar e daqui mil anos voltamos a investigar esse caso? – provocou Jane
– Desculpe se trabalho de forma minuciosa e altamente precisa, detetive! – respondeu o outro de maneira ríspida – Assim que julgar que posso continuar o trabalho no necrotério direi.
Jane e Frost suspiraram juntos se encarando com tédio. A morena pegou o celular e num impulso pensou em ligar para Maura e pedir para resolver logo aquilo. Parou no nome da loira sem apertar o botão de ligação. Encarou o celular pensando melhor, talvez não fosse necessário perturbá-la com isso, quer dizer, a última vez que se falaram foi naquela hora no necrotério que brigaram. Não sabia ao certo como estava o clima entre elas além de obviamente tenso. Talvez fosse melhor mandar uma mensagem pra já quebrar o gelo. Entrou na caixa de mensagens e digitou algo simpático. Leu antes de enviar e achou que estava simpático demais, elas não trocavam mensagens assim quando estavam bem, daria muito na cara que a detetive estava apenas querendo se redimir pela briga, mas não queria que a outra pensasse assim. Digitou algo mais direto falando sobre o caso, leu novamente. Não estava bom. Apagou e ficou olhando para a tela vazia.
– Jane? Vamos? O Dr. Pike finalmente liberou o corpo! – disse Frost se aproximando já com a chave do carro em mãos para retornarem à Central.
A morena saiu da caixa de mensagens sem mandar nada e colocou o celular no bolso. Estavam entrando no prédio ainda reclamando sobre o legista quando deram de cara com Maura vindo no sentido oposto.
– Dra. Isles! – sorriu o rapaz de maneira educada.
– Olá, detetive Frost! – fez uma pausa longa encarando a morena – Jane!
A detetive apenas assentiu com a cabeça e viu a outra se afastar em direção à rua:
– Maur? A gente pode...hum...conversar?
– Tem que ser agora, Jane? Estou saindo para o almoço.
Frost estranhou o tom relativamente seco que as duas mulheres usavam e achou melhor sair de fininho deixando-as a sós. Jane forçou um riso:
– Bom, você poderia me chamar pra almoçar junto dai já conversávamos!
A loira ficou em silêncio pensativa até que respondeu:
– Desculpe, mas é que Jaques me ligou, ele vai ter que viajar no fim de semana, então para compensar o jantar que estava desmarcando pediu para substituir por um almoço hoje.
– Ahh, ok! Sem problemas... Bom almoço então! A gente se vê mais tarde. – a morena coçou a cabeça sem jeito e virou de costas indo em direção às catracas.
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– Não vamos esperar o Tylan?
– Ele não vem, anteciparam a nossa viagem mas ele ainda não terminou a planilha de orçamentos que os investidores pediram. – Jaques fez uma pausa para tossir depois se desculpando completou — Está trabalhando feito louco, tadinho!
– Você também pelo visto, vejo que seu sistema imunológico já foi afetado.
– É só um resfriado, já, já passa... Bem, este não é o melhor restaurante do mundo, mas era a opção mais próxima e “limpinha” do seu trabalho, já que sei que terá que retornar logo! – disse Jaques logo após terem feito os pedidos num restaurante indiano próximo à Delegacia.
– Tecnicamente se fôssemos conhecer a cozinha da maior parte dos restaurantes temáticos de Boston jamais voltaríamos a frequentá-los. Ainda mais estes que ficam na região central. – respondeu Maura em tom calmo se calando em seguida.
– Só isso? — Maura franziu a testa para o amigo que continuou – Sem nenhum dado estatístico ultra relevante sobre a contaminação do último ano nos restaurantes americanos? Ou algum nome científico de bactéria altamente danosa que pode ser encontrada em nossas comidas? Maur, querida, é você mesma?
A loira riu depois balançou a cabeça:
– Você parece a Jane quando fala essas coisas... Nem sempre eu preciso usar todo meu conhecimento para explanar um simples comentário.
– Ah, e a Jane, como vai ela?
– Bem. – Maura respondeu de maneira triste acompanhando com o olhar o garçom que lhes trazia as bebidas, sentiu o amigo segurar sua mão sobre a mesa.
– É com ela o problema, não é? – antes que a outra pudesse falar qualquer coisa ele se antecipou – Qual é, Bouvet, há quantos anos eu te conheço? Sei que tem algo errado, vamos, converse comigo!
Maura soltou um suspiro profundo antes de começar uma longa explicação sobre tudo que se passava em sua cabeça nos últimos tempos e no quanto se sentia injustiçada por ser deixada de lado pela detetive.
– Eu não sei como serei capaz de viver sem minha melhor amiga...
Jaques segurava a mão de Maura com força lhe encarando com pesar, após um tempo num silêncio tenso ele se pronunciou:
– Tem certeza que ela é apenas sua melhor amiga? – a loira levantou os olhos para ele indecisa – Ou ela é a mulher da sua vida e você só se deu conta disso agora e está morrendo de medo por achar que é tarde demais?
– É tarde demais, Jaques! Ela já aceitou se casar com uma pessoa... Que não sou eu.
– Sério? Que Maura Isles é essa que desiste tão fácil assim? Ora vamos lá, estamos falando da sua felicidade! Você pelo menos tentou falar sobre isso com ela?
– Não, quer dizer, tentei. Eu falei exatamente essa frase sobre como eu ia viver sem ela e ela simplesmente não reagiu! – algumas lágrimas escoriam do rosto da legista neste momento — Ela não me ama da mesma maneira, eu tenho que parar de me iludir.
Jaques ficou em silêncio pensando no que dizer, a loira se levantou para ir ao toalete limpar o rosto, voltou à mesa e o artista resolveu que talvez fosse melhor mudarem de assunto, contou uma piada dos velhos tempos e logo Maura estava sorrindo novamente, quando estavam terminando de almoçar ela avistou uma morena que entrou no restaurante e se dirigiu ao balcão de comida para viagem. Parou de falar e ficou encarando a outra que aparentemente procurava por um cardápio e nesta busca a viu a olhando e sorriu se aproximando da mesa:
– Dra. Isles? Que coincidência.
– Olá, Emi... Agente Prentiss!
A morena continuou com um sorriso largo no rosto encarando a legista que agora sorria meio sem graça. Jaques ficou acompanhando a troca de olhares das duas um longo instante até que começou a tossir.
– Desculpe, olá! – disse Emily estendendo a mão para o homem – Sou Emily Prentiss estou trabalhando num caso com a Dra. Isles.
– Ela é do FBI. – completou Maura baixando o tom de voz.
– Puxa, deve ser um caso realmente sério. Prazer, sou Jaques, um antigo amigo de Maura.
Houve um instante de silêncio entre os três, Emily que estava ao lado da legista pousou uma mão sobre seu ombro e com a outra apontava para os pratos vazios em cima da mesa:
– Então, a comida aqui deve ser boa, hã? — os dois acenaram com a cabeça — Ok, me deram a missão de comprar algo que não viesse numa caixinha de papelão prensada acompanhado de batatas murchas, passei na frente e achei que aqui fosse uma boa opção, vou dar uma olhada se tem algum prato grande o suficiente pra levar para equipe toda, com licença!
A morena passou a mão de leve sobre o ombro da legista antes de se afastar, quando ela já estava de volta ao balcão Jaques disse com um sorriso malicioso.
– Hum, isto foi interessante...
– O que? – perguntou Maura sem olhar para o amigo ainda fitando a agente que estava de costas.
– Sabe qual o melhor remédio pra curar uma paixão? Uma nova paixão!
– Paixão? – disse Maura assustada encarando o loiro – Não, não, eu só... Nós apenas nos conhecemos, ela é muito agradável e atraente, mas não creio que seja uma questão de sentimentos foi só...
– Sexo? – provocou o outro
Maura corou e ficou pensando no que responder, o outro se antecipou rindo:
– Oookk, foi bom?
A legista balançou a cabeça em positivo.
– Então, meu amor, por que você não para de pensar numa morena que não te quer e vai aproveitar uma com quem já dividiu a cama? Vai durar? Provavelmente não, mas pelo menos enquanto esse caso não acaba eu vou ver mais sorrisos do que lágrimas nesse lindo rosto que você tem!
Prentiss retornou a mesa com uma senha em mãos:
– Achei um combo família que vem um pouco de tudo, só espero que não seja algo explosivo ou minha “família” vai me mandar diretamente pra mesa de autópsias da doutora aqui!
Os dois riram e logo Jaques a convidou para sentar com eles enquanto pagavam a conta e esperavam seu pedido chegar, voltaram a pé para a Central, o loiro se despediu da amiga com um abraço caloroso sussurrando em seu ouvido:
– Pensa no que te falei! Te amo e se cuida!
– Obrigada por tudo, também, meu querido! Boa viagem!
A agente apertou a mão do homem depois abriu a porta dando passagem à legista, cruzaram o saguão em silêncio se dirigindo a elevadores diferentes:
– Eu vou pra baixo, então...
– Sim, eu sei, sem problemas! – respondeu a agente de forma simpática
O elevador já havia chegado ela entrou dando um aceno, Maura ficou parada vendo a porta se fechar quando já estava praticamente toda fechada ela subitamente colocou a mão para dentro forçando a porta a se abrir de novo e encarou a agente que tinha um ar levemente surpreso:
– Emily, sobre aquela partida de xadrez... Que tal amanhã?
A outra sorriu de canto erguendo uma sobrancelha:
– Será um prazer!
Maura se afastou da porta deixando ela fechar de vez e se encaminhou ao outro elevador, apertou o andar no necrotério e apoiou a cabeça na parede olhando para o teto. Estava surpresa consigo mesma, será que aquela era mesmo a coisa certa a fazer?
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