Razão e Emoção

5 Capítulo 5 – Dúvidas e confusões


Notas iniciais
Mais um gente! Boa leitura!!

– Homem, caucasiano, faixa de 20 a 30 anos de idade, marcas de queimaduras nas mãos e nos pés, jugular cortada em corte transversal da esquerda para direita com objeto serrilhado... – dizia Maura abaixada sobre o corpo analisando-o sob o olhar atento dos detetives e agentes do FBI.

– Um corte desses teria deixado uma poça enorme de sangue! – dizia Korsak olhando em volta no beco que estavam – E nada de sangue aqui, mais uma vez apenas desovaram o cadáver.

– Mas não foi jogado na lixeira dessa vez. — comentou Rossi — O que quer dizer que ou alguém atrapalhou o processo do assassino ou ele está mais abusado, quis deixar assim exposto.

– Em todos os casos ele sempre escolhe becos escuros e próximo de prédios abandonados, e se ele utiliza esses prédios como local para execução? – disse o Dr. Reid lendo suas anotações e olhando o entorno.

– Não achamos nada de suspeito no prédio que estivemos mais cedo... – resmungou Jane se abaixando ao lado de Maura para olhar melhor o corpo.

– Na verdade nós só checamos se havia alguém lá, como os poucos moradores eram pessoas que moram nas ruas e ficaram com medo de nós se recusando a nos dar qualquer informação, fomos embora. — completou o agente Morgan cruzando os braços – Acho que Reid tem razão, pode ser uma possibilidade, devemos dar uma olhada melhor no prédio que vemos daqui.

– Vou checar se os estabelecimentos do entorno tem câmeras de segurança para analisarmos, ok? – dizia Frost da calçada, se mantendo bem longe do corpo.

Jane viu Korsak se aproximando com a carteira da vítima que estava no chão. A pegou dando uma lida nos documentos depois virou-se para Maura:

– Temos a identificação do cara, vou a onde ele morava dar uma olhada. Você já vai liberar o corpo e voltar para o necrotério não é?

A outra afirmou positivamente com a cabeça enquanto Emily se prontificou jogando fora as luvas cirúrgicas que usava para olhar a lixeira:

– Vou com vocês, detetives.

Em pouco tempo cada equipe já estava a caminho de um lugar para darem prosseguimento à investigação. Já era noite quando os que estavam fora retornaram à Central.

– Então, como estamos? – cobrou o agente Hotchner ao ver sua equipe reunida com os policiais na sala dos detetives.

– Certamente é o mesmo cara e está evoluindo rápido! – sintetizou Rossi olhando com seriedade para todos.

– Ele tem uma zona de atuação muito confusa, até agora só consegui identificar poucas semelhanças entre os crimes de todas as cidades... – completou Dr. Reid mordendo um lápis – Mas as datas devem ter algum significado importante para ele, são sempre em dias pares do mês e intercalados na semana.

– Se ele estiver criando um padrão em algum momento irá se repetir, não? – perguntou Frost atento.

– É bem provável, mas pelos meus cálculos vai demorar mais 5 mortes para isso acontecer, não podemos esperar todo esse tempo!

– Tem razão, mas esse dado já é um começo, continue pesquisando, Reid. – respondeu Hotch na sequencia se virando para Cavanaugh – Só vamos reunir mais algumas coisas e daremos um pronunciamento para todo esquadrão, ok? Peça para seus homens estarem todos reunidos daqui meia hora!

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– Com licença, atrapalho? – disse Emily timidamente colocando a cabeça para dentro do necrotério e vendo Maura toda aparelhada com óculos de proteção e traje cirúrgico trabalhando no corpo da última vítima.

– De maneira alguma, pode entrar. – respondeu a outra ao ver quem era.

– Traçamos um geral do perfil do assassino, daremos a explicação para todos daqui a pouco lá em cima, vim te avisar para ir se preparando pra subir.

A legista agradeceu, terminando de retirar um conteúdo colorido sob a unha do cadáver e depositando sobre uma lâmina.

– Havia bastante dessa substância em suas unhas e roupas. A julgar pelas diferentes colorações devem ter passado por processo de pigmentação, vou mandar para o laboratório analisar sua origem.

– Tinta. – disse a outra simplesmente sem tirar os olhos do corpo.

– Perdão?

– Essa “substância que passou por um processo de pigmentação” é tinta. Fomos no apartamento do cara, ele era artista plástico, estava trabalhando num quadro, por sinal. E nada de frascos de xarope pra tosse novamente... – resmungou Prentiss coçando o queixo.

– Eu não falei nada sobre ele ter ingerido este produto. – disse Maura levantando os olhos para a outra confusa.

– Não, mas em todo caso já estava verificando. Não achamos nenhum lá na casa da outra vítima e no exame constava que ele tomou uma dose enorme, quem garante que este cara também não?

– Isto seria uma suposição, agente! Assim como a afirmação que esta substância trata-se de tinta!

A morena notou o tom de irritação na voz da legista e se aproximou mais abrindo um sorriso debochado:

– Sim. E isso não faz parte do nosso trabalho?

– Não do meu. Não trabalho com suposições, apenas com dados concretos e levantamentos empíricos.

– Ok... – disse a outra em tom de dúvida e logo após acrescentando um tom de malícia a voz – Acho que eu possuo dados concretos o suficiente para ter feito parte de um “levantamento” empírico seu, então?

– Digamos que havia dados mais que suficientes... – respondeu Maura tentando sorrir, mas sem conseguir tirar os olhos da boca da agente.

Jane desceu ao necrotério justamente para chamar Maura para a mesma reunião. Estava na porta do laboratório ao ver a agente tão próxima de sua amiga bem a tempo de ouvir as últimas frases e de repente ficou sem ação. Então aquela grosseria toda com ela era por causa da agente? Aquele chupão no pescoço foi obra daquela...daquela, não tinha palavras para descrever a mulher que em instantes fez seu sangue ferver de ódio e em menos de alguns segundos virou confusão: Maura gostava de mulheres? Como assim? Ela nunca havia mencionado nada sobre isso, sempre saíra com homens (nenhum deles aprovado pela detetive, por sinal), isso era realmente esquisito. Esquisito ou revoltante? Esquisito e revoltante, afinal ela era sua melhor amiga e como nunca compartilhou uma informação tão crucial dessas com ela, que absurdo!

Ficou parada mais uns instantes digerindo aquilo tudo quando viu as duas se aproximarem um pouco mais, não pensou em nada, apenas por instinto invadiu o ambiente de maneira bruta batendo os pés fortemente no chão e falando com a voz mais grave que o normal:

– Maura, vai ter que dar uma pausa ai. Os engomadinhos querem a gente lá em cima para passar o perfil.

As duas mulheres olharam assustadas para Jane. Emily se virou para a detetive que ergueu o queixo em tom ameaçador enquanto fechava os punhos. A agente ficou um tempo a encarando nos olhos, tinha certeza que ela devia ter escutado o que elas estavam falando, ficado com ciúmes e o motivo da mudança de postura devia-se a isso, mas não queria comprar nenhuma briga ali:

– Com licença, acho que devo me juntar aos “engomadinhos”. Nos vemos lá em cima, senhoritas!

Assim que a agente cruzou a porta tomando o corredor Maura explodiu:

– Jane o que foi isso??

– O que foi o que? – perguntou a outra em tom feroz.

– Isso! Essa atitude rude simplesmente do nada com a Emily. Até algumas horas atrás você estava até contando piadas com ela! – Maura estava realmente inconformada.

– Eu não tenho nada contra nem a favor da “Emily” – pronunciou o nome da outra com desdém imitando a voz mais fina da loira – Diferente de você, que pelo visto já a conhece muito bem!

Maura deixou um dos instrumentos que tinha na mão cair fazendo um estalo metálico. Não havia associado tão rapidamente quanto a agente que Jane provavelmente havia escutado um pedaço da conversa das duas e poderia estar brava pelo que compreendeu.

– Jane, eu não sei da onde você tirou isso, mas...

– Da onde eu tirei isso?? – Jane agora elevava a voz sem se importar que estavam no ambiente de trabalho – Que tal do fato dessa última conversinha mole sobre levantamentos empíricos de vocês? Aliás, — deu um riso debochado – pensando melhor agora, que tal do fato que ela fez questão de acompanhar você assim que te viu na sala de reuniões sendo que a princípio o chefe dela designou outra função? E ainda que tal do fato que você chegou atrasada no trabalho com uma puta cara de ressaca e negou pra mim que ficou com alguém mesmo tendo a porra de um chupão estampado no pescoço?

A loira ficou em silêncio fitando o semblante carrancudo da morena a centímetros de seu rosto.

– Foi com ela que você foi ao bar ontem à noite? Hein?

– E desde quando eu lhe devo satisfações sobre minha vida amorosa ou sexual, Jane? – ela havia conseguido tirar a legista do sério.

A outra soltou um bufo indignado erguendo as mãos pra cima e logo após as colocando na cintura:

– Desde quando? Desde sempre, oras! Não é uma satisfação, é apenas... – Jane abaixou o tom de voz tentando se controlar – Você é minha melhor amiga, certo? Amigas compartilham suas vidas e sei lá, do nada você fica com uma mulher e nem me diz?

– Então o problema é esse? – disse a loira cruzando os braços — Ser uma mulher?

– Não! Bem... Sim, talvez!

– Não, sim ou talvez, Jane?

– Talvez, quer dizer... Sim! Sim, o problema é exatamente esse, ok?

– E por que isso é exatamente um problema? – a morena fez cara de confusão – Muda alguma coisa pra você? Muda alguma coisa entre a gente eu ficar com mulheres?

– Não. Na verdade não. – respondeu a outra pensativa – É só que, como falei, eu sempre achei que sabia tudo sobre você e de repente parece que você não divide realmente tudo comigo.

A legista revirou os olhos soltando um suspiro profundo antes de falar num tom baixo transparecendo toda sua decepção e tristeza:

– Eu também achava que sabia tudo sobre você, e de repente você resolve contradizer tudo aquilo que eu aprendi ser Jane Rizzoli aceitando se tornar a esposa de um militar arrogante que nunca moveu um dedo quando você precisou de qualquer tipo de ajuda!

Jane ficou estática, não esperava por esse tapa na cara. Nunca havia parado para perguntar claramente para a loira o que achava de sua decisão sobre aceitar o noivado com Casey, em sua cabeça a outra simplesmente lhe apoiaria e ponto final, mas pelo visto não era nada daquilo. Maura sentiu os olhos marejarem e passou como um furacão por Jane arrancando as luvas e óculos cirúrgicos no caminho, já se encaminhando ao elevador.

Chegaram em elevadores separados e levemente atrasadas para a reunião. Todos os policiais da ronda estavam na sala dos detetives, além dos próprios e a equipe de laboratório. O pessoal do FBI estava todo alinhado à frente com um quadro cheio de fotos, nomes e números e explicavam o caso detalhadamente. Maura se dirigiu para perto da sua equipe de analistas enquanto Jane se sentava sobre sua mesa ao lado de Frost. Emily observava o olhar perdido da morena e não deixou de notar os olhos marejados da legista. De repente JJ lhe deu um cutucão nas costelas, ela voltou sua atenção ao chefe que dava a parte mais importante do resumo:

– Então com isso concluímos que se trata de um homem, entre 30 e 40 anos, em bom estado físico, já que apesar de aplicar um sedativo para dopar as vítimas, ele não necessariamente usa força para dominá-las, no entanto transporta os corpos para desová-los e todos são homens na casa dos 20 a 30 anos, altos e de porte físico mediano.

– Um dado interessante a ser observado é que ele só atua nos dias pares do mês e intercalados da semana, sendo que a cada mês diminuiu o intervalo de dias, o que quer dizer que se mantiver o cronograma que vem seguindo o próximo assassinato ocorrerá daqui 42h. – complementou o Dr. Reid

– Já tivemos casos no Texas, Flórida, Washington e agora em Boston, o que indica que o assassino tem dinheiro para ficar se deslocando de maneira livre pelo país, ou trabalha numa função que exija isso. – disse Morgan se pondo mais a frente dos colegas.

– E qual a recomendação para nossa forma de agir? – perguntou um policial grande encostado no fundo da sala.

– Além de duplicarmos as rotas nas principais vias de acesso e bairros que julgamos até agora como zona de possível atuação do homicida, devemos avisar as equipes de ronda de trânsito, e sobretudo as unidades de pedágios nas estradas sobre qualquer movimentação suspeita. – respondeu o agente Hotchner com seriedade.

– Lembrando que existe uma vitimologia específica. – se pronunciou Prentiss se pondo ao lado do chefe e encarando a todos – Ele até agora só matou homens, de 20 a 30 anos, altos, de porte físico mediado, loiros e de classe média/alta. Tudo indica que está se preparando para uma vingança contra alguém específico que se enquadre nessas condições. Por hora não temos como prever quem se trata especificamente para evitar isso, mas a ideia é continuarmos controlando suas ações antes mesmo dele chegar em seu objetivo final!

O agente Hotchner deu mais algumas palavras e logo depois dispensou a equipe. Todos se dispersaram e os detetives já juntavam suas coisas e desligavam os computadores para ir embora. Não havia mais o que ser feito naquele dia, ao menos não para eles, os agentes permaneceriam “acampados” na sala de reuniões detalhando mais o perfil por quanto tempo aguentasse. Ao notar a sala praticamente vazia Emily se aproximou de Jane que já pegava seu casaco:

– Detetive Rizzoli, será que podemos conversar um momento?

Notas finais
Espero que estejam gostando, até a próxima! Beijooss