Razão e Emoção

6 Capítulo 6 – Regras claras


Notas iniciais
Cap. curtinho só pq achei que seria interessante ter a visão da Jane de tudo que está acontecendo mas não havia muuuuito o q falar! rsrs Boa leitura!

POV Jane

Suspirei fundo segurando com força meu casaco ao ouvir aquela voz às minhas costas:

– É sobre o caso?

– Na verdade não...

– Então não! Tchau, agente. – virei e sai decidida a dar o fora daquele local o mais rápido possível, não estava disposta a ouvir o que ela tinha pra me dizer seja lá o que fosse.

– Você devia dar mais valor a algumas coisas!

Parei de andar: o que ela tinha acabado de me dizer? Virei devagar e a encarei. Ela estava parada com as mãos nos bolsos da calça numa postura aparentemente relaxada.

– O que foi que você disse?

– Não entendi ainda qual é exatamente a sua relação com a Dra. Isles, mas pelo que a conheci ela é uma excelente pessoa e você não devia trata-la como vem fazendo.

Soltei um riso, o mais irônico que consegui, depois cruzando os braços revidei:

– Você não conhece a Maura, e muito menos tem que se meter no jeito que nos tratamos!

– Estou apenas alertando. Ela parece se importar muito com você e tem dúvidas se isso é recíproco...

– Pare de tirar conclusões sobre o que não sabe!

– Primeiramente: meu trabalho é tirar conclusões sobre o que observo nas pessoas, e modéstia a parte sou boa no que faço. Mas se quer mesmo saber, detetive: a gente aprende muito sobre as pessoas numa mesa de bar. Mais ainda se for pra casa dela. – ela fez uma pequena pausa e inclinou mais o tronco pra frente baixando o tom de voz — Poucas coisas são ditas pelas palavras, a maior parte está nas ações.

Ela deu um sorriso de lado e foi em direção ao corredor com os elevadores. A acompanhei entrar em um que desceu para o térreo. Eu fiquei paralisada no mesmo lugar. Estava atônita com a coragem daquela mulher de falar comigo daquela maneira. Encarei o nada um bom tempo e me peguei refletindo:

Eu estava de saco cheio de tudo, aquele dia estava péssimo, do tipo que me perguntava por quê fui sair da cama de manhã... Aliás aquele dia uma ova, aquela semana toda estava assim. Parecia que desde que Casey retornara para a cidade minha vida tinha virado um caos. Ele aparece depois de meses, limpa minha casa, faz minha comida e me pede em casamento enquanto eu tenho que dar plantão num caso complicado? Levei um dia todo pra responder que sim. E até agora não tinha parado pra pensar se fiz a escolha certa ou não, bom, pela lógica me parecia certa, quer dizer, a gente namora faz um tempão mesmo que sendo a distância, eu gosto dele desde a época da escola, ele de mim, eu já tenho mais de 30 anos, uma carreira bem sucedida, sou financeiramente estável o que mais me falta? Casar e ter filhos, lógico, é o que a sociedade tradicional impõe, é o que a minha família espera que eu faça, é o que todo mundo faz. Mas será que eu preciso mesmo disso pra ser feliz? Eu já não era feliz com meu emprego, minha casa, meus amigos e Maura? Coloco Maura a parte mesmo em pensamento porque não sei explicar, ela não é só minha amiga, ela é minha família mesmo sem ser uma Rizzoli (sorte dela!) e jamais passou pela minha cabeça deixa-la pra trás mesmo casando com Casey ou com quem quer que fosse, seríamos sempre Jane e Maura, Rizzoli & Isles! Por que então ela parecia que havia se distanciado de mim desde o dia que apareci com a aliança no dedo?

Nada ia mudar entre nós, não se dependesse de mim, tá certo, o Casey começou a insistir em ir todo dia no precinto me encontrar, está obviamente hospedado lá em casa, confesso que fiquei com menos tempo pra fazer os programas que fazíamos com frequência só as duas e eu sentia falta disso. Muita falta. Por mais que Casey fosse uma ótima companhia, um bom amigo pra conversar, é como se não fôssemos tão amigos assim... Quer dizer, não sei até que ponto ele me entende, como Maura ninguém me entende, isso é um fato, mais do que isso eu sentia falta de estar perto dela sem ser trabalhando, começava a ter medo de que minha ideia de casar, mas continuar como antes fosse só ilusão da minha cabeça. E o estopim que me fez pensar nisso foi descobrir que ela me traiu. Sair sem mim já havia considerado uma ofensa, não era para ela estar se afastando assim de mim, eu teria tempo pra ela, em breve, eventualmente, sei lá quando, mas teria, eu sempre tive, oras! Só um dia que não e pior no dia seguinte descubro que ela ficou com alguém e não me contou. Ela nunca fez isso, não que fôssemos amigas do tipo patricinhas de escola que ficam fofocando sobre homens o tempo todo, mas eu gostava de saber com quem ela estava, se era uma noite apenas ou se veria de novo, se era um cara confiável, eu sou “a irmã” mais velha, minha obrigação sempre foi defender os outros e me sinto bem cuidado de Maura assim como cuido dos meus irmãos. Dai descubro que querendo ou não ela está vendo de novo porque é uma pessoa que estava debaixo do meu nariz desde que entrei pra trabalhar hoje! Já não sei o que é pior, ser uma mulher ou ser agente do FBI! Com certeza ser do FBI eu odeio aqueles paspalhos metidos a heróis do dia, agora ser uma mulher, por que Maura nunca me contou sobre isso? Eu não ia condena-la nunca, eu só fiquei... em choque! Sei lá, jamais a imaginei se interessando por mulheres, pelo estereótipo eu é que sempre era taxada assim na Delegacia, não a Dra. Fashionista! E por que raios aquela agente filha da puta veio me dizer que era eu que estava agindo errado? Eu devia ir atrás dela e quebrar aquela cara! Não, não devia porque ainda temos um serial killer pra prender... Mas eu não posso deixar isso barato!

Sai correndo e segurei a porta de um dos elevadores que estava fechando, entrei apertando com toda a força o botão do térreo. Assim que cheguei no andar sai andando rápido vasculhando todo o lugar até ver a agente no balcão pagando um café para a assistente da cafeteria, minha mãe já havia terminado seu expediente, melhor assim, porque não me perguntaria depois o que eu estava fazendo. Me aproximei dela com ódio, a mulher me olhou sem nenhuma expressão apenas esperando eu chegar mais perto. Quando já estava a poucos centímetros dela levantei um dedo e falei num tom mais ameaçador e baixo que possuo, que na verdade só costumo usar para assustar bandidos:

– Escuta aqui, agente, vamos deixar apenas uma coisa bem clara: Maura é minha melhor amiga, eu a amo e faço qualquer coisa por ela, se você insistir em se meter com ela, coisa que eu não recomendo que você faça, saiba que eu estarei vigiando cada passo seu e aliás, se eu fosse você nunca mais me referiria a ela como “coisa”. Se você acha que eu tenho que dar mais valor a ela que se refira como a mulher incrível que ela é!

A agente permaneceu em silêncio me encarando. Não demonstrava nada, apenas virou um gole do seu café depois pousou uma mão no meu ombro:

– Começo a entender a relação de vocês... Espero que você também não demore pra isso! Boa noite, detetive.

Passou por mim fazendo o caminho de volta ao elevador, eu a acompanhei com os olhos, nem tinha formulado algo para pensar sobre sua última frase quando ouvi uma voz me chamando. Olhei para o lado vendo Casey no saguão com uma flor nas mãos, não soube identificar que tipo que era, eu nem gosto de flores... Suspirei, queria alguns minutos sozinha, a noite inteira na verdade. Me esforcei pra dar um sorriso agradecendo pela gentileza.

– Tudo bem com você, meu amor?

– Dia estressante... – respondi pegando de qualquer jeito a flor e virando o rosto quando ele se aproximou para me beijar. – Eu só preciso ir pra casa.

Ele balançou a cabeça e abriu caminho para que eu passasse em sua frente. Fomos até meu carro em silêncio, ele perguntou se eu queria que ele dirigisse e respondi que sim, na verdade era indiferente naquele momento, eu só queria ficar em paz com meus pensamentos. Ele abriu a porta do passageiro para mim, eu entrei e fiquei olhando pela janela. Vi um Prius azul saindo da rampa do estacionamento anexo da Central. Encarei a figura loira ao volante: Maura estava com a maquiagem borrada, me encarou de volta com os olhos levemente vermelhos. Não sei quanto tempo durou aquilo, poucos segundos provavelmente, mas pareceu uma eternidade, acho que foi um dos olhares mais intensos que já trocamos. Parecia que queria dizer tudo e não dizia nada ao mesmo tempo. Só sei que me deu um aperto no coração. Eu a estava perdendo e não sabia ao certo o que fazer.

Notas finais
Até a próxima minha gente! P.S.: Day Fujino, sua linda, obrigada pelo carinho de comentar sempre!! Bessos