Razão e Emoção

14 Capítulo 14 – Escolhas


Notas iniciais
Aqui, pessoas queridas, o capítulo que eu ia chamar de final, maaass como vcs pediram então "digam ao povo que fico"! hahaha Não será mais, já estou escrevendo a continuação. Veremos no que vai dar! Boa leitura.

Jane e Maura se estenderam pela noite conhecendo o corpo uma da outra, cada novo beijo, cada nova posição que faziam e descobriam o que podiam despertar não só uma na outra como nelas mesmas era uma sensação maravilhosa. Dormiram abraçadas depois de muito tempo, cansadas fisicamente, porém mais do que nunca satisfeitas emocionalmente.

Maura acordou sentindo o corpo de Jane sobre o seu, abriu os olhos devagar e admirou a morena que também abria os seus:

– Bom dia. – disse sussurrando

– Bom dia. – respondeu a outra com um sorriso lhe roubando um beijo doce.

A legista sorriu largamente:

– Dormiu bem?

– Melhor do que nunca! Aliás, poderia continuar assim... – disse a outra se espreguiçando de maneira manhosa, virando de costas e abraçando o travesseiro.

Maura lhe deu um beijo na nuca rindo e falando baixinho “preguiçosa” depois se levantou indo em direção ao banheiro ligando o chuveiro na sequencia. Saiu do banho enrolada numa toalha de volta ao quarto e viu a outra encarando algo no chão com seriedade.

– O que foi? – notou que era para sua mala feita que a outra olhava – Ah... Jane, você não acha mesmo que eu mudei de ideia não é?

– Quer dizer que vai embarcar no avião com os federais mesmo assim? – respondeu a outra com tristeza ainda encarando o objeto.

– Não, boba, quis dizer que minha ideia nunca foi a de realmente ir, e com certeza não ia ser depois de tudo que fizemos ontem que iria mudar!

A morena abriu um sorriso iluminado levantando e abraçando a outra com toda força a cobrindo de beijos. Maura ria sem conseguir evitar ser levada até a cama e cair sentada no colo da morena que lhe apertava com força. Nunca se sentiu tão amada como era com Jane. Subitamente algo lhe passou pela cabeça:

– Jane, posso te fazer uma pergunta?

– Depende, é algo muito pessoal? – disse a outra fingindo ar de seriedade.

– Bem... Sim... – respondeu a loira hesitante.

– Então é melhor não, quer dizer, que tipo de intimidade temos pra você me fazer uma pergunta desse tipo? Só por sermos melhores amigas há anos, apaixonadas uma pela outra, eu estar pelada na sua cama te segurando só de toalha em cima de mim... Vai ser estranho, não concorda?

A outra demorou um tempo até que finalmente entendendo a ironia começou a rir mas não se deu por vencida:

– É sério! Posso?

– Claro que sim, né? Fala!

– Foi a primeira vez que você fez isso?

A morena ergueu uma sobrancelha e se afastou um pouco da outra para a poder encarar nos olhos:

– Tecnicamente não.

– Tecnicamente? Quer dizer... Aahh, claro que você já tinha feito sexo antes, mas com uma mulher...

– O que você acha? – perguntou a detetive em tom divertido

– Bem, eu não faço ideia. Se for analisar do ponto de vista científico seu desempenho foi incrivelmente habilidoso, apesar de que meu julgamento é parcial uma vez que há toda questão sentimental envolvida. No quadro sociológico todo precinto tem grandes suspeitas sobre sua orientação sexual devido a sua postura, modo de se vestir e falar, mas o que pode ser explicado pela influência externa de um ambiente masculinizado e a julgar que mesmo enquanto melhores amigas nunca conversamos sobre esse tipo de assunto porque você teve uma criação tradicional que tende a carregar a culpa católica em assuntos relacionados a prazeres carnais ou qualquer tema que possa ser desvirtuado por um grupo de...

– Ok, ok, fecha essa boca Google pelo amor de Deus! – disse a morena balançando a cabeça atordoada – Sim! Foi minha primeira vez com uma mulher.

A legista parou de falar encarando a outra com curiosidade.

– O que faz sentido já que eu nunca me apaixonei por nenhuma mulher antes sem ser você, certo?

– Bem, eu também nunca me apaixonei por uma mulher sem ser você, Jane, mas isso não me impediu de ter tido experiências... – a detetive a olhava com ar meio impressionado – Quer dizer, você nunca teve essa curiosidade? De saber como era?

– Sim... Até tive, mas acho que me faltaram oportunidades para concretizar e eu acabei enterrando o assunto, sei lá. Por que você tem que ser assim?

– Assim como?

– Tão complexa logo de manhã!

Maura riu e puxou a outra para um beijo demorado.

– Desculpe. Não me contive. – se levantou indo em direção ao closet com um ar convencido e atirando algumas peças de roupa que a detetive sempre deixava em sua casa na cama – Mas foi interessante saber disso!

– Só porque você foi minha primeira mulher e vai ser a única? – disse a detetive dando uma piscada safada enquanto vestia as roupas que a outra havia lhe dado.

A legista mordeu os lábios depois voltou sua atenção ao armário e começou a se vestir. Jane desceu indo preparar o café. Maura apareceu alguns minutos depois. Tomaram o café calmamente conversando sobre amenidades, trocando beijinhos e sorrindo uma para outra, de repente na televisão apareceu uma reportagem sobre o caso que haviam solucionado. Jane ficou séria assistindo a cobertura dos jornalistas que entrevistaram o pessoal do FBI somente e mostravam fotos de Jaques e Tylan a todo instante. Maura falou num tom preocupado:

– Eu preciso vê-lo mais tarde... Mas antes, que horas são?

A morena franziu a testa procurando pelo relógio de parede:

– Cedo. Por quê?

– Acha que ainda dá tempo de irmos até a pista de voo?

– Really? O que você pretende fazer lá se já disse que não vai embarcar com eles pra Washington?!

A loira riu com o tom meio desesperado da detetive:

– Calma, Jane! Eu só acho que seria educado ir lá agradecer pela proposta e dar uma resposta oficial mesmo que seja negativa. – a outra suspirou mais aliviada – Eventualmente no futuro pode ser que a gente acabe trabalhando juntos novamente num caso, não acho prudente criarmos um clima negativo agora. Isso inclui você! Afinal é uma das melhores detetives do estado, nada impede que te ofereçam um cargo no FBI uma hora dessas também...

– Ok, você tá certa. – resmungou a morena a contragosto – Vou só pegar uma roupa reserva no carro, tomar uma ducha e já vamos, beleza?

A legista lhe deu um aceno com a cabeça sorrindo. Trocaram mais alguns beijos até que a outra foi fazer o que havia dito. Alguns minutos depois estavam prontas e no carro de Jane a caminho do aeroporto.

Chegaram à pista particular de voo não avistando ninguém. Deram algumas voltas com o carro:

– Lamento Maur, mas parece que eles já foram... – comentou Jane sem esconder que na verdade não ligava a mínima para este fato.

– Não, não, estão ali! – disse a loira apontando para um jato parado num canto da pista e um homem alto de terno escuro falando no celular ao seu lado.

A morena dirigiu até mais perto do local, estacionando em seguida. Saiu do carro juntamente com Maura encarando o agente Hotchner que veio ao encontro delas:

– Bom dia, Doutora Isles, Detetive Rizzoli! – o homem aguardou que elas respondessem o cumprimento e logo o agente Rossi que trajava um roupa menos social que o colega saiu da aeronave vindo para perto dos três.

– Hotch, eles estão na entrada do aeroporto já!

O homem alto e carrancudo deu um aceno com a cabeça para seu colega depois se virou novamente para as duas:

– Creio que tenha vindo me dar uma resposta sobre a proposta de emprego, doutora.

– Sim. Na verdade eu só queria agradecer a oportunidade, agente. É uma honra ter sido notada por você e querer que integre sua equipe, mas no momento minha vida está em Boston e é aqui que quero permanecer.

O agente a fitou um longo momento sem esboçar nenhuma emoção depois encarou a detetive e deu um aceno com a cabeça:

– Compreendo. Volto a dizer que se uma hora tiver interesse a BAU estará pronta para lhe receber. Quanto a você, Rizzoli. – a morena ergueu um pouco o queixo desconfiada – Também gostaria de parabenizar pelo bom trabalho, talvez a BAU especificamente não seja o melhor setor, mas se tiver interesse um dia, o FBI com certeza se interessaria por formar uma agente do seu nível.

As duas mulheres deram um sorriso simpático e apertaram a mão do agente que logo olhou adiante e resmungou um “até que enfim” para seu colega Rossi enquanto pediu licença e se dirigia para dentro da aeronave. O outro homem também cumprimentou as mulheres:

– Agradeço pelo bom trabalho que fizemos juntos! Acho que formaríamos uma bela equipe, afinal. Mandem lembranças ao detetive Korsak por mim.

As duas sorriram novamente lhe apertando a mão, depois ele olhou para trás delas e disse num tom excessivamente alto, visivelmente de propósito:

– Bom diaaa!! Como vão vocês?? Sabia que estamos mais de meia hora atrasados, crianças?!

Jane e Maura se viraram rapidamente notando os agentes Morgan, Reid, JJ e Prentiss caminhando se maneira lenta, praticamente arrastando as malas, todos usavam óculos escuros e colocaram uma mão no ouvido quando o agente mais velho gritou com eles.

Jane olhou para Rossi e ambos se seguraram para não rir. O agente Morgan tentou os defender:

– Qual é, Rossi... O avião é do FBI, não tem horário de frete e estamos de folga hoje!

– O que não impede que o “pai” de vocês queira sair cedo para chegarmos logo a nossa cidade! Vamos, andem logo que já tive bastante trabalho para convencê-lo de não dar nenhum sermão em vocês!

Reid sorriu aliviado com a frase e apertou o ombro do mais velho em agradecimento. Os três homens se dirigiram à escada do avião enquanto JJ e Prentiss pararam ao ver Maura e Jane ali. Houve um momento de tensão e nenhuma falava nada apenas se observavam. Emily resolveu quebrar o silêncio:

– Não vejo nenhuma mala, então creio que vocês só vieram se despedir!

– Sim. – respondeu Maura de maneira simpática depois olhando melhor para o rosto da agente franziu a testa – Puxa, você está com um corte feio ai, está tudo bem?

A morena ficou em silêncio fitando Jane que também tinha um ar de dúvida, as duas tinham a boca meio aberta quando na verdade foi a voz de JJ que saiu amenizando o clima:

– Isso que dá beber demais! Já vou entrando, quer que leve sua mala Em?

A agente riu de forma descontraída olhando com ar agradecido para a outra:

– Pois é...bom, melhor deixar pra lá, não é mesmo? Não precisa, JJ, eu já vou entrar também, obrigada!

A loira apertou a mão das duas oficiais de Boston depois se dirigiu ao jato. Prentiss também estendeu a mão a frente:

– Foi um prazer, Doutora Isles! Espero que a gente se encontre novamente algum dia! – a legista apertou sua mão dando um sorriso meio sem graça apesar de tentar parecer simpática. Logo a morena esticou a mão para Jane – Igualmente com você, detetive Rizzoli! Parabéns pelo excelente trabalho que tem feito! Espero que continue assim sempre.

A detetive apertou a mão da outra com força a princípio sem sorrir. Ouviram o Dr. Reid saindo do jato e chamando Maura da porta do avião com um papel em mãos:

– Dra. Isles? Perdão, é que esqueci de falar que li uma matéria realmente intrigante sobre uma técnica sua de reconhecimento facial em corpos pós decomposição nesta revista científica, se incomodaria de me deixar algum contato para falarmos desse assunto depois?

Maura sorriu animada indo em direção ao rapaz. Quando ela já estava meio longe Jane segurou o braço da agente de forma discreta:

– Olha...desculpa por...isso ai! – fez um sinal com a cabeça indicando o corte no rosto da outra.

– Sem ressentimentos! Que importa é que você agora tem a mulher que ama, certo?

A detetive finalmente sorriu para a outra e depois olhando discretamente para uma das janelas do avião e observando uma certa agente se sentar inquieta continuou:

– Sobre aquele lance de sermos muito parecidas... Era da agente Jerau que você estava falando, não era? — Emily deu um suspiro profundo abaixando a cabeça – Bom, eu não sou nenhuma analista comportamental mas talvez não estivesse na hora de você aplicar o que me falou com ela?

– Quando? Antes ou depois do jantar de aniversário de casamento que ela acabou de me chamar não só pra ir como para ajuda-la a organizar?

Jane fez uma cara de espanto:

– Ela é casada?

A outra acenou com a cabeça:

– Eu falei que você não devia perder a oportunidade porque pra você ainda havia tempo. Eu deixei a minha passar e obviamente me arrependo disso...

A detetive não sabia o que falar, ficou encarando a outra que deu os ombros e começou a se dirigir à aeronave:

– Até qualquer hora, Jane! Faça bom proveito da nova vida!

– Você também, Emily! Até mais!

As duas morenas se despediram com um aceno e um leve sorriso. Maura já havia voltado para perto de Jane e também acenava, deu alguns passos a frente olhando insegura para a detetive mas ainda assim chamando pela agente:

– Emily? – a outra parou de andar e encarou a doutora – Obrigada. Por tudo, sabe? Acho que nos conhecemos numa fase meio complicada emocionalmente para mim, mas gostaria de dizer que sua companhia é realmente agradável, e eu não sou nem um pouco boa nisso, mas se estiver disposta gostaria de manter algum contato... Como amizade, o que me diz?

A morena tirou os óculos que trajava para poder olhar melhor a outra nos olhos, respondeu com um sorriso debochado no rosto:

– Claro, e se você quiser adicionar um sexo casual nessa amizade não vejo problema algum também. – viu Jane vindo na direção dela com os punhos fechados e começou a gargalhar — Eeeii, é brincadeira! Não sou nem louca de fazer uma oferta dessas de verdade, né? Claro que eu estou disposta a manter contato, com vocês duas, aliás! Também não sou muito boa nisso, mas espero que a gente possa sim tornar de toda essa experiência uma boa amizade.

Maura sorriu aliviada dando um passo a frente e abraçando a morena que logo retribuiu. Depois foi a vez de Jane dar alguns passos a frente e repetir o gesto com um sorriso no rosto. Ouviram a voz de JJ que colocava a cabeça pra fora do avião:

– Meninas, fico muito feliz de presenciar isso, mas tenho que roubar ela de volta pra mim! Ou melhor, pro FBI. Emily, vamos logo antes que o Hotch mude de ideia sobre aquele sermão, por favor...

Prentiss fez uma careta engraçada como se dissesse que tinha que obedecer a outra imediatamente e colocando de volta os óculos começou a subir as escadas do jato. Jane e Maura esperaram ela entrar e a porta ser fechada, viram todos os agentes acenando para elas de suas janelas. Acenaram de volta, depois se olharam. Jane estendeu uma mão e logo Maura a pegou enlaçando seus dedos, caminharam devagar até o carro, prontas pra voltar para suas (novas) vidas.

Notas finais
Até breve (pq eu tô bonitinha postando regularmente)! Bessooss