Razão e Emoção

15 Capítulo 15 – Um novo começo


Notas iniciais
Oláa! Desculpem a demora, tava meio sem tempo pra finalizar o capítulo! Boa leitura!

Jane dirigia sem pressa de volta à casa de Maura, não fosse o rádio ligado numa estação qualquer teriam ido em silêncio o trajeto todo, um silêncio confortável como há tempos não travavam entre elas. Estavam felizes em estar na companhia uma da outra e isso bastava para preencher o espaço que havia ali. Chegaram a casa, e assim que a legista abriu a porta teve uma surpresa:

– Jaques? – a morena que entrava atrás dela deu uma espiada a frente vendo sua mãe na cozinha fazendo um chá para ela e um rapaz loiro barbudo sentado no balcão à sua frente.

– Bom dia! Tive alta hoje de manhã e resolvi visitar minhas salvadoras.

Maura correu a frente dando um abraço apertado no amigo. Jane deu a volta no balcão dando um beijo suave na testa da mãe depois se aproximou do outro estendendo a mão:

– Fico feliz que já esteja bem.

O rapaz ficou de pé encarando a mão da morena, ainda abraçado em Maura que lhe olhava com ternura. Depois soltou apenas um braço da loira chamando a detetive para perto:

– Ora, sem formalidades, por favor! Se não fossem vocês eu nem estaria aqui agora, me deixa te abraçar também.

Jane riu, se rendendo ao jeito carinhoso do outro, fugindo assim que pode, claro. Não se sentia muito confortável em abraços na maioria das situações. Voltou para perto da mãe que lhe estendia uma caneca:

– Fiz instantâneo também, querida, pode pegar!

A morena esticou a mão ansiosa, pegou a caneca e deu um longo gole quando ouviu a mãe falar num tom mais agudo:

– Jane Clementine Rizzoli... O que você fez com sua aliança?!

Todos pareceram prender a respiração um instante. Jane continuava parada com a caneca na boca olhando com desespero para Maura que arregalou os olhos sem saber o que fazer. Jaques tentava parecer invisível se encolhendo um pouco atrás da amiga.

– Eu... – começou Jane que logo foi cortada por um grito da mãe

– Você o que, Jane?!

– Nós... – a detetive olhava para todos os lados menos para a italiana mais velha que havia cruzado os braços e batia o pé no chão aguardando uma resposta – Nós terminamos, Ma.

– Terminaram? Como assim terminaram?!

Jane suspirou abaixando finalmente a caneca da altura do rosto e olhando nos olhos da mãe:

– É, terminamos! Não vamos mais casar, aliás Casey voltou pro Afeganistão ontem mesmo. – olhou com o canto do olho para Maura que parecia igualmente surpresa, se lembrou que não haviam falado sobre isso ainda e não era exatamente dessa forma que ela havia planejado contar.

– Mas, Jane... – sua mãe parecia realmente triste – Vocês iam se casar. Você ia começar uma família, finalmente eu não teria mais que me preocupar com você!

– Que história é essa, Ma? – disse a morena meio irritada

– Sim, teria alguém pra te proteger, por Deus, só Ele sabe o quanto eu me preocupo com você, nesse trabalho perigoso e...

– Me proteger?! Eu não preciso de ninguém que me proteja ok? – disse a mais nova realmente ofendida – E mesmo que precisasse, como é que um cara que nunca está nem no mesmo continente que eu faria isso?

– Mas vocês se amam, Jane!

– Não, nós não nos amamos, Ma. Esse foi o principal motivo. – olhou para Maura que lhe dava um sorriso confortante e abrindo um de volta mesmo sem perceber – Eu nunca seria feliz com ele amando outra pessoa...

Angela levantou os olhos encarando a legista um tempo, depois quando entendeu o que se passava ali arregalou bastante os olhos e encarou a filha. Abriu e fechou a boca várias vezes mas sem emitir nenhum som, por fim murmurou:

– Vocês duas? Mas...mas... com licença! – deixou sua xícara de chá e saiu atordoada em direção à casa de hóspedes batendo a porta com força.

Jane revirou os olhos e colocando sua caneca na pia saiu em direção à porta:

– Com licença, preciso resolver isso, já volto...

Maura pensou em impedi-la mas Jaques segurou seu braço:

– Deixa querida. Elas tem que conversas a sós. Acredite em mim...

A loira parecia agoniada:

– Eu não esperava essa reação. Sabe, Angela é como uma mãe pra mim, eu realmente espero que Jane consiga a acalmar. Ela...ela é uma excelente pessoa.

– Quem? Jane ou a mãe?

– As duas!

– Bom, a dona Angela me serviu até seu chá especial de cocô de Panda, então acho que ela é mais... – ergueu uma sobrancelha esperando a outra processar sua piada depois caiu na gargalhada junto com a amiga.

Maura levou Jaques até a sala e começou a examina-lo e ler o rótulo dos remédios que carregava mesmo ele tendo afirmado que estava bem e sabia como ingeri-los. Logo encarou o rapaz lhe segurando com força a mão:

– Eu queria te pedir desculpas, Psita!

– Você? Oras, por que, Bouvet?

– Nós ficamos muito tempo afastados, e eu nunca me envolvi o bastante na sua rotina para ter observado direito o Tylan, se eu estivesse mais presente... – a legista se segurava para não chorar de raiva naquele momento

– Ei, ei, ei! Não se culpe, ok? Você não poderia ter previsto nada, eu que era casado com ele não notei! – abraçou a amiga fazendo carinho em sua cabeça – Eu ainda estou em choque é verdade, mas tudo na vida serve pra nos ensinar algo, então... Bom, ainda estou tentando absorver a grande lição do universo além de: desconfie até mesmo que seu marido pode ser um psicopata!

Maura riu de leve levantando a cabeça e fazendo carinho no rosto do outro que estava visivelmente abalado. Ficaram um tempo em silêncio apenas sentindo o calor do corpo um do outro e se sentindo protegidos ali. De repente Jaques disparou:

– Mas espera, se eu entendi direito o que aconteceu agora pouco, você e a Jane...

– Sim, nós nos entendemos.

O outro deu um sorriso orgulhoso:

– Muito bem, esta é a Maura Isles que conheço, lutando pelo que quer... E só por curiosidade, a outra morena?

– Acabou de embarcar num jato de volta para Washington. Mas ficamos de nos ver eventualmente.

– Hum, tipo sexo casual? – disse o outro com naturalidade

Maura agarrou uma almofada batendo no amigo com força:

– Jaques! Claro que não! – disse a legista indignada depois com um ar intrigado completou — Sabia que ela fez a mesma piada?

O loiro a olhou com ar malicioso ainda se protegendo das batidas de almofada e rindo. Ouviram um barulho da porta e logo Jane apareceu na sala:

– Bom, acho que ela precisa de um tempo pra processar tudo. – fez uma pausa colocando as mãos na cintura e olhando um ponto perdido no chão – Ok, acho que faz sentido, afinal né?

Maura se levantou indo em direção a morena e segurando sua mão a fazendo olhar para ela:

– Vai ficar tudo bem, Jane. A Angela é uma pessoa muito esclarecida e como toda mãe só quer o melhor pra os filhos. Claro que ela imaginava um casamento tradicional para você e tudo mais e... Sim, vamos dar o tempo que ela precisa agora, está bem?

Jane sorriu e Maura se inclinou a frente dando um selinho na detetive. Depois olhou de volta para o sofá onde Jaques estava largado sorrindo para as duas com ternura:

– Jane, você e Jaques nunca chegaram a se conhecer realmente né?

– Só uma vez no aeroporto quando fui te buscar daquela conferência que teve em NY, nos cruzamos e conversamos por sei lá, 5 minutos? – respondeu a outra forçando a memória. – Algum assunto muito relevante, como provavelmente o tempo que fazia no dia ou o trânsito...

O loiro riu achando graça no jeitão da morena:

– Exato, me lembro disso também, foi o que? Uns 3 anos atrás?

Maura sorriu animada olhando para eles:

– Bem, então agora poderão se conhecer melhor, Jaques, você vai passar o dia conosco, certo?

O rapaz olhou no relógio depois com seriedade para a amiga:

– Bom, meu médico me mandou ficar de repouso, eu obviamente não estou com cabeça pra produzir nenhum quadro, cancelei minha viagem de negócios e me dei férias, então sim, porque não ficar mais alguns dias em Boston na companhia da minha melhor amiga e a namorada dela?

Jane paralisou um instante com a nomeação que o outro acabara de lhe dar. Então era isso? Elas estavam namorando? Não sabia se devia ter feito algum pedido formal para a legista, ou coisa do tipo, foi tudo tão rápido. Será que já havia ficado subentendido? Será que fazia diferença para a outra tudo isso? Era esquisito pensar no assunto. Acabou balançando a cabeça e forçando um sorriso de volta para os dois.

Passaram um dia agradável passeando pela cidade. A detetive e a legista haviam ganhado folga do precinto depois dos últimos acontecimentos do caso e nada melhor do que ficarem juntas aproveitando pequenos momentos. No fim do dia, Maura insistiu para irem ao cinema, fazia muito tempo que ela não fazia esse tipo de programa, porém claro que ela queria assistir um filme europeu complexo que Jane não havia se animado nem um pouco, porém Jaques compartilhava do gosto da amiga, deixando a morena em minoria. Quando saíram da sessão já era noite e resolveram voltar para casa de Maura:

– Puxa, valeu a pena este filme não? – comentava Maura animada – A fotografia era impecável, e o clima que o diretor conseguiu só utilizando aquela música na cena da montanha...

– Nossa até me arrepiei! – disse Jaques igualmente animado – A delicadeza daquela cena da mãe quando encontra o filho, que atuação impecável.

Jane revirava os olhos entediada:

– Eu não entendi foi nada. História sem nexo...

– Claro, você dormiu! – disseram os outros dois ao mesmo tempo levemente inconformados.

– Aahh lógico que dormi! Puta filme parado, coisa mais chata!

Os dois amigos se olharam e também reviraram os olhos, logo que Maura virou a chave e entraram na casa viram Angela com um pote de morangos nas mãos.

– Boa noite, Angela! – disse Maura num tom simpático

A italiana não deu nenhum sorriso apenas se abaixou colocando a vasilha no chão perto de Bass e depois disse:

– Não sabia se vocês voltariam ainda hoje, achei que ele estava com fome.

– Obrigada. – respondeu Maura sem graça olhando com o canto do olho para Jane que franzia a testa.

Angela levantou encarou o trio e depois se dirigiu à porta da cozinha indo em direção à casa de hóspedes falando secamente sem se virar para trás:

– Boa noite.

Jane deu um passo a frente:

– Ma? Ma, espera... – a mais velha bateu a porta na cara da filha com força sem responder nada, Jane jogou os ombros para baixo sem saber o que falar.

Jaques apertou o ombro de Maura lhe sussurrando no ouvido:

– Eu...vou ali no banheiro, ok? Conversem um pouco!

A legista acenou com a cabeça e esperou o amigo se retirar depois foi na direção da morena:

– Jane? Eu não sei o que dizer exatamente. Só que me sinto um pouco culpada.

– Você? – disse a morena num leve tom de ironia – Eu me sinto bem mais assim, acredite.

Jane deu um suspiro pesado se apoiando sobre o balcão da cozinha e olhando para frente:

– Por que as mães tem esse poder? – a outra a olhou com curiosidade – Sabe, de fazer a gente se sentir culpada por algo que a gente nem fez. Quer dizer, eu não acordei um dia e pensei: vou me apaixonar pela Maura e isso vai desagradar a minha mãe, da mesma maneira que fiz: vou me casar com o Casey porque isso fará minha mãe feliz!

– Era por isso que você ia se casar?

A morena largou o balcão ficando de frente para a loira e pegando em suas mãos:

– No fundo, sim. Não vou mentir, em algum momento gostei muito daquele cara. Você sabe, ficou do meu lado todas as vezes que chorei pelo idiota, mas no fundo eu sempre soube que não era amor. Eu só estava fazendo o que minha razão me mandava fazer. Aquilo que a Ma falou: constituir uma família, isso... Isso é essencial para os Rizzoli’s e sei que daria muito orgulho e paz pra ela e meu pai escolhendo me casar com o “Sargento-Mor Charles Jones”. – Jane balançou a cabeça dando um riso fraco – Mas minha emoção resolveu me mostrar que eu estava sendo uma covarde por escolher esse caminho ao invés de correr atrás de quem realmente me faz feliz.

Maura fez carinho nas mãos de Jane depois as apertou com força sem nunca deixar de sorrir para ela:

– Fico feliz de ter escutado este seu outro lado. Eu amo e admiro sua mãe como se fosse minha, Jane. Vocês são a minha família de verdade e eu não sei como, mas vamos fazer ela entender isso e nos aceitar.

– Ela também te considera uma filha, talvez seja justamente esse um agravante. Quer dizer, não basta a filha dela gostar de mulheres ela ainda escolhe namorar com a “irmã”?? É pecado demais junto...

As duas riram da piada apesar de não ser num tom de alegria. Jane olhou para a sala depois novamente para a loira:

– Por que você não convida o Jaques pra dormir aqui? Assim você não vai ter que lidar com ela sozinha amanhã caso se encontrem de manhã.

– Você não vai dormir aqui? – Maura fazia cara de dó derretendo a morena

– Não. Tenho que cuidar da Jo, e...não me leve a mal, Maur, mas acho que foi coisa demais acontecendo ao mesmo tempo, eu preciso de algumas horas sozinha pra absorver tudo, eu acho.

A outra sorrio e abraçou a detetive com força:

– Claro que eu entendo, Jane! Vai pra sua casa, amanhã nos vemos no trabalho então.

Jane deu um selinho em Maura e se afastou um pouco mas logo se aproximou novamente dando um longo beijo na loira. Repetiu o processo mais algumas vezes até que se afastou de uma só vez já indo em direção à porta:

– Chega! Senão eu com certeza nunca mais vou embora!

Maura riu e foi até a porta, viu a outra caminhar até o carro, acenou com a mão depois mandou um beijo que Jane retribuiu com uma piscada e um sorriso. Depois que a detetive foi embora fechou a porta e encarou a porta dos fundos que dava acesso à casa de hóspedes. Prendeu a respiração um instante depois fechou os olhos soltando o ar de maneira triste.

Notas finais
Xiii, será que Mama Rizzoli não vai aprovar esse casal? Pode isso? Hahaha Beijoos té a próxima!