Notas iniciais
Por alguma razão, quando eu vejo a Merida eu lembro da Rapha, sabe?

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Biddeford; Carver Street; Sábado; 05:58 da manhã;


Abri os olhos e vi Clarisse cutucando minha bochecha.

Clarisse: Acorde, Harmon. Vamos.

Bocejei e me levantei. Vi que todas as outras garotas ainda estavam dormindo.

Eu: O que foi, Clarisse?

Ela se sentou e abraçou os joelhos.

Clarisse: Harmon... seja sincera – Fiz que sim com a cabeça. – Você acha que eu sou uma guerreira mesmo?

Inclinei um pouco a cabeça para o lado e arqueei uma das sobrancelhas.

Eu: Por quê? Você não acha?

Ela suspirou.

Clarisse: Às vezes, eu acho que não. O meu pai...

Ela comprimiu os lábios.

Eu: O que tem Ares?

Clarisse: O meu pai... ele diz que eu sou patética. Que eu sou uma decepção quando se trata de ser uma guerreira. Que eu sou uma vergonha para o nome dele.

O rosto dela assumiu uma expressão que por um segundo eu quase achei que ela poderia ter sentimentos.

Eu: Sério isso? Seu pai disse isso mesmo?

Ela assentiu.

Eu: Nossa. Eu estou sinceramente bem surpresa.

Clarisse: Por quê? Eu sou realmente tudo o que ele fala.

Eu: Ah, não é mesmo! Clarisse La Rue, você é a maior e melhor guerreira que eu já conheci! Cara, você é, tipo, o máximo, o auge, o topo da pirâmide de guerra. Acho que a única pessoa que ficaria acima de você é o seu pai.

Ela sorriu torto.

Clarisse: Você acha?

Eu: Acho muito! Olhe, você é forte, corajosa, inteligente, boa estrategista, e bonita. Você é a melhor guerreira que já conheci.

Clarisse: É... não que você já tenha conhecido muita gente, mas é verdade.

E essa é Clarisse La Rue.

Eu: Agora você está agindo como a guerreira que eu conheço.

Ela assentiu e o sorriso em seu rosto desapareceu.

Clarisse: Ainda assim, não sou o que o meu pai quer que eu seja.

Respirei fundo. Decidi admitir uma coisa.

Eu: Mas você é a guerreira que eu sonho em ser.

Ela levantou o olhar para mim.

Clarisse: Sério?

Eu: Sério.

Ela sorriu de novo.

Clarisse: Nossa. Que surpresa. Você quer ser como eu.

Eu: É. Pois é. Não precisa ficar repetindo.

Clarisse: Ok.

E então nós ficamos em silêncio por um não tão curto tempo.

Clarisse: Se contar para alguém dessa conversa, eu juro que arranco a sua cabeça e faço um sanduíche com o seu cérebro como recheio.

Sorri. Essa era Clarisse La Rue.

Eu: Não se preocupe. Ninguém vai saber que eu quero ser como você.

Clarisse: Ninguém mesmo.

Assenti. Eu jamais imaginaria que Clarisse era uma garota insegura de suas habilidades como guerreira.

Eu: Mas... Clarisse?

Clarisse: O quê?

Eu: Você me acordou só para me falar essas coisas?

Clarisse: É... mais ou menos. Eu... queria desabafar com alguém.

Eu: Por que eu?

Clarisse: Eu... eu acho... que de todas as pessoas que eu conheço, você é a que mais me entenderia. Acho até que somos um pouco parecidas.

Estranho. Mas verdade.

Bom, o dia já estava amanhecendo, então eu acordei naturalmente. Saí da barraca e me deparei com Charlie, roncando, deitado perto da lenha apagada, onde na noite anterior, eu e Percy havíamos acendido uma fogueira. Ri da situação. Ele usava calça cáqui e a camiseta laranja do Acampamento Meio-Sangue. Clarisse saiu da barraca logo atrás de mim.

Clarisse: Eu acordei há um tempo. Depois, eu decidi sair para ver quem estava fazendo a vigia, e mandar ir dormir, para assumir o turno. Me deparei com ele dormindo. Resolvi deixar, porque eu achei que ele fica engraçado dormindo. E ele baba.

Eu: Será que todo namorado descente baba enquanto dorme? Chris – Rodriguez, namorado de Clarisse, filho de Hermes – Também faz isso?

Ela franziu o lábio e fez que sim com a cabeça.

Eu: Minha teoria está comprovada.

E Luke saiu da barraca dos homens.

Luke: Bom dia, garotas bonitas – disse ele se espreguiçando e bocejando.

Eu: Oi, Luke. Dormiu bem?

Luke: É... não, considerando que eu sou um semideus, mas sim. Dormi bem.

Eu: E Percy? Como ele está?

Luke: Na verdade, ele não está lá dentro.

Franzi a testa, preocupada.

Eu: Como não?

Luke: Não está. Simplesmente não está.

Eu: Deuses, onde será que ele se enfiou?

Ouvimos um barulho vindo do meio dos arbustos e das árvores. Luke sacou sua espada e Clarisse brandiu a lança. Eu decidi deixar Ópera quieto por enquanto. Logo, o melhor namorado do mundo saiu de dentro das árvores e eu revirei meus olhos. Ele estava usando aquela camisa xadrez azul que eu amava. Ficava linda nele.

Eu: Onde você estava, seu idiota? – questionei enquanto ele vinha na minha direção, se livrando dos galhos e das folhas presos na bermuda e me dava um beijo de bom dia.

Percy: Primeiramente, bom dia, Princesa Solar. Eu fui até o centro pra procurar alguma coisa que pudesse nos levar para Bangor e descobri que nessa cidade tem uma estação de ônibus, de trem, e, considerando que Bangor fica só a duas horas daqui, poderíamos também pegar um táxi.

Passei um dos braços pelas costas dele, mantendo-nos próximos e segurei a camiseta dele com a outra mão, evitando que ele fugisse de mim. Eu ainda estava sentindo que seríamos separados.

Eu: Você foi até o centro da cidade a pé?

Percy: Fui. Não é tão longe. Enfim, tem um trem partindo para Old Town, isso fica aqui no Maine, mas tem uma parada em Bangor. Que horas são?

Conferi no meu relógio.

Eu: 06:03.

Percy: Ótimo. Temos uma hora para todos acordarem, comprarmos as passagens e entrarmos no trem. Sai às 07:00.

Eu: Então, vamos acordar as pessoas logo! Precisamos ir! Onde fica essa estação de trem?

Percy: Não muito longe daqui. Mas precisamos ir logo.

Eu: Claro. Annabeth! Katie! Silena! Acordem! Charlie!

Invoquei um raio solar que se virou bem na direção do rosto dele. Ele comprimiu os olhos, por causa da luz, mas acordou e se levantou.

Charlie: Que jeito mais quente de me acordar.

Eu: Bom que você achou isso. Vá acordar a sua namorada de um jeito bem quente, palhaço.

Charlie: Por favor, não me chame disso.

Eu: Ok. Mas vá.

Ele se levantou do chão e entrou na barraca das meninas.

Clarisse: Isso vale para você também, Castellan.

Luke: Ah. Tá.

Ele entrou lá ao lado de Charlie. Suspirei.

Eu: Então? Dormiu bem?

Percy: Muito. Aliás, preciso falar uma coisa.

Eu: Diga.

Percy: Você está muito gata hoje.

Esse é o meu namorado.

Eu: Modestamente, pra você, que dia eu não estou gata?

Percy: Não, você não está entendendo. Você está muito mais gata hoje, cara. Está tão linda... que eu não estou conseguindo desvidrar meus olhos de você.

Dei um sorriso torto.

Eu: Acordei tão bonita assim hoje?

Percy: Ah, acordou.

Beijei a bochecha dele.

Eu: E quando foi a última vez que uma garota era tão linda que você não conseguiu desvidrar seus olhos dela?

Ele comprimiu os lábios. Parecia estar nervoso com a resposta.

Percy: Não tem necessidade de eu falar.

Eu: Fale. Você namorava a minha melhor amiga há um tempo atrás. Não há notícia que possa ser pior do que isso, mesmo que isso não tenha me afetado. Seja sincero com a minha pessoa.

Ele respirou fundo.

Percy: Ártemis.

Eu ri da resposta dele. Estava tão nervoso porque minha tia era linda. Mas minha vó disse que somos parecidas, então, eu fiquei de boa. Sem contar que ela era uma deusa. Deusas são bonitas.

Então, pensei em Clarisse. Coitadas, ela e Katie estavam segurando vela na missão. Os três garotos que foram, vieram junto com suas namoradas. Charlie tinha à Silena; Luke tinha à Annabeth; Percy tinha a mim. Eu deveria ter aceitado que Castor ou Pólux viessem, e quem sabe até chamado Chris. Não que Katie namorasse Castor ou Pólux, mas eles poderiam criar alguma coisa. Sei lá, um sentimento, quem sabe.

Luke, Annabeth, Charlie, Silena e Katie saíram da barraca feminina.

Eu: Precisamos partir. Agora.

Annabeth coçou os olhos.

Annabeth: Onde fica essa tal estação de trem?

Percy: Perto daqui. Eu sei chegar lá.

Katie: Então, vamos logo, droga!

Katie era uma pessoa ótima para dar ordens. Jamais o compreenderei. Deméter deve ser assim, acho.

Desarmamos as barracas, guardamos as coisas nas mochilas, pegamos tudo e fomos. Percy, meu namorado super meigo e inteligente, foi nos guiando. Realmente, a estação de trem não era muito longe, e nós chegaríamos em Bangor em pouco tempo. Luke e Annabeth compraram as passagens e logo nós embarcamos no expresso Salvar Meus Irmãos. Sim, eu sei, eles estavam sendo levados para algum lugar, mas nós o acharíamos. Ah, sim. Acharíamos.

O trem foi seguindo para o norte, e com sorte (sou filha do deus da poesia, rsrs) nós chegaríamos em Bangor vivos.

Até que era um trem bem simples. Duplas de bancos de madeira um de frente para o outro, com janelas que davam vista para a viagem toda. Percy e eu nos sentamos de frente para Charlie e Silena. Annabeth e Luke ficaram namorando em algum banco de um canto. Clarisse e Katie estavam até se entendendo. E te digo, a cada segundo que eu passava perto de Charlie e Silena juntos, eu achava que eles eram cada vez mais fofos. Muito fofos. Dê uma olhada nisso e me diga se não ficam perfeitos juntos. Bem, mas eu não podia me distrair apenas na fofura deles. Não com minha criança-tartaruga do meu lado, me dando selinhos o tempo todo. Não que eu não gostasse. Eu adorava. Mas... mas nada. Eu amava e pronto.

Houve um momento, depois de mais ou menos uma hora, em que eu olhei para fora e vi uma imagem estranha. Era uma mulher. Muito bonita, por sinal. Bem bonita mesmo. Ela estava sentada em... uma mesa de chá. No meio da rua. Ela olhou para mim e bateu o dedo indicador direito no pulso esquerdo, como se eu estivesse atrasada para alguma coisa. Uma voz feminina surgiu em minha cabeça.

Me encontre no Jacqueline’s Tea Room, dizia a voz. Você está atrasada.

De algum modo, eu sabia que aquela mulher era Afrodite. Não sabia como eu sabia, mas eu sabia que eu sabia. Que confusão, amigo. Um carro passou na frente dela e ela sumiu. Meu rosto assumiu uma expressão preocupada.

Percy: O que foi, Cabelo de Miojo?

Suspirei.

Eu: Vamos ter de parar.

Todos pareceram confusos.

Charlie: Como assim parar? Já estamos chegando.

Eu: Eu sei, mas vamos ter de parar.

Silena: Como assim parar, Raphaella Harmon? Temos de continuar.

Eu: Não, nós vamos ter de parar. Afrodite está me esperando para descermos uma rodada.


Felizmente, havia uma estação de trem lá também, e nós pudemos parar. Chegamos à conclusão de que apenas eu, Annabeth e Silena deveríamos ir ao Jaqueline’s Tea Room. Eu, porque Afrodite queria ver apenas a mim, Annabeth, porque ela sempre sabia o que falar, ao contrário da minha pessoa, e Silena, porque Afrodite era a mãe dela, e ela saberia lidar com a situação. Todos fomos a pé para Jacqueline’s Tea Room. Eu sabia o caminho.

Obrigada, tia Dite, por me mostrar o caminho, ok? Espero que nosso encontro seja produtivo!

A mais ou menos uma esquina do lugar, decidimos que nossos “intrusos” deveriam parar por lá, e nós três seguirmos dali em diante. E assim foi feito. Até que o lugar era bonitinho. Uma placa rosa com um pires e uma xícara desenhados dizia JACQUELINE’S TEA ROOM em letras brancas. A casa era branca, o telhado cinza, uma chaminé de tijolos saia de lá e a porta era rosa. Estava tudo cercado por árvores mortas. Fiz uma careta quando vi tudo aquilo. Era tão... menininha. Sei lá. Nós entramos lá mesmo assim. Atravessamos um corredor com uma escada e chegamos a uma salinha no fundo, onde mesinhas com cadeiras enfeitadas estavam. Nas prateleiras, os conjuntos completos de chá que deveriam ser mais velhos do que meu pai repousavam. Algumas das mesas, apenas continham os acessórios de chá, como bules cheios, sanduíches pequenos e bolinhos. Em uma das mesas, havia uma mulher sentada. Ela era tão bonita, que fiquei feliz de ter deixado Percy na esquina e seguido só com minhas amigas. O rosto dela parecia mudar a cada segundo para uma estrela de cinema com uma beleza totalmente natural ainda mais bonita. Os cabelos castanho-avermelhados cacheados lembravam ligeiramente os meus. A diferença era que os cachos dela eram super bem-definidos, perfeitamente enrolados, enquanto os meus eram só um monte de cabelo amontoado com mousse.

Annabeth: Sempre quis ter cabelos escuros.

Eu: Troque comigo. Sempre quis ser loira.

Annabeth: Sério?

Eu: Mais ou menos.

Ela se vestia como uma beldade sulista. O vestido tinha um corpete decotado de seda cor-de-rosa e uma saia de diversas camadas costuradas com renda branca nas pontas. Também usava longas luvas brancas de seda e carregava junto a si um leque de penas rosa e brancas.

Eu: A última vez em que me senti inferior, tipo, feia, foi no verão passado, quando encontramos a empousa.

Annabeth: Eu me lembro. Mas essa, provavelmente, deve estar fazendo você se sentir ainda mais inferior.

Eu: Obrigada mesmo pelo seu comentário super animador. Me sinto muito mais bonita agora.

Silena parecia ultra animada com a presença da mãe. Eu sabia que Afrodite estava me fazendo me sentir inferior de propósito, e não queria dar esse gostinho a ela, mas estava dando. Eu estava me sentindo feia. Feia de verdade. Você só compreenderia se a visse você mesmo. Fiquei muito feliz mesmo de ter deixado Percy na esquina. Essa frase é estranha. Mas eu fiquei mesmo.

Nos aproximamos da mesa e nos apoiamos nas cadeiras.

Eu: Milady.

Annabeth: Afrodite.

Silena: Mamãe!

As duas abriram os braços e deram um abraço aéreo, e depois, beijos aéreos.

Afrodite: Meninas! Estava esperando por vocês. Sentem-se! Aproveitem o chá!

Nós nos sentamos nas cadeiras ao lado delas e eu ataquei a comida. Estava completamente faminta. Annabeth comia como eu. Silena comia com a mesma graciosidade da mãe. Muito legal isso. Eram duas me fazendo me sentir inferior e máscula. Isso não é agradável.

Eu: E então, Lady Afrodite, qual é a razão deste encontro?

Afrodite: Simplesmente queria a companhia de três garotas bonitas comigo! Então, me digam, como vão?

Eu estava completamente confusa e sem palavras. Ainda bem que havia trazido Annabeth.

Eu: Hã...

Olhei para ela. Estava com a mesma expressão que eu.

Annabeth: É...

Ela olhou para Silena. Eu também. A filha de Afrodite revirou os olhos.

Silena: A vida amorosa delas está simplesmente um sucesso, mãe! Rapha e Percy estão muito apaixonados e vivendo um amor intenso, não é, Rapha?

Eu: Hã...

Silena: Você fala?

Eu: Hã, him, digo, sim, eu falo. Percy e eu estamos muito felizes juntos.

Afrodite: Ah, você e seu namorado, Percy Jackson, já me renderam muitas lágrimas. Nunca vi um amor tão intenso! Quero dizer, claro que eu já vi muitos amores tão intensos quanto o de vocês, mas vocês realmente estão na lista dos 10 mais! Vocês dois juntos me lembram Helena e Paris.

Eu: Nosso amor é como o de Helena e Paris?

Afrodite: Muito mais do que você imagina! Eles me entretinham muito. Vocês dois também são muito divertidos de assistir. Lindos!

A deusa bateu palminhas. Depois, deu mais uma golada graciosa no chá.

Afrodite: Lembro-me perfeitamente de um amor que foi tão bonito quanto o de vocês: Agostina Romani e Antonio Batucelli. Legítimos italianos. No dia em que se conheceram, foi como se suas vidas virassem outras. Naquele mesmo dia, o pai de Agostina decidiu voltar para a grande Toscana, abandonando o coitado sozinho, em Verona. Mas ele se lembrava completamente da feição dela. Da voz dela. Do sorriso dela. Do amor dela. Então, decidiu procura-la para tê-la de volta em sua vida, nem que fosse por apenas mais uma noite. Ele estava decidido que ela não seria apenas mais uma lembrança na mente dele. Seria a mulher com quem ele ia se casar.

Percy e eu não tínhamos uma história tão diferente assim dessa.

Silena: E eles acabaram se casando?

Afrodite: Ah, claro! A descrição que eles faziam um para o outro era que se a deusa Afrodite tivesse criado o amor em duas cobaias, as cobaias seriam eles, e nem mesmo se algum dia o amor deixasse de existir, eles sentiriam menos um pelo outro. Que quando o amor foi criado, ele foi separado em estrelas e colocado no céu, e que a estrela de cada casal brilhava quando o amor da vida de alguém era encontrado, e que a estrela mais brilhante do céu, era apenas um pedaço do amor deles.

Silena: Os dois faziam essa mesma descrição um para o outro?

Afrodite: Sim, minha filha! Não é uma história maravilhosa?

Silena: Muito, mamãe!

As duas sorriram e bateram palminhas. Eu me sentia deslocada.

Afrodite: Sabem, minhas queridas, o amor é uma força poderosa. É a força mais poderosa que existe! Acho que se alguma força pudesse ser comparada ao amor, essa força seria... – Ela olhou para mim de rabo de olho e depois abriu um sorriso que ia de orelha a orelha e agarrou as minhas bochechas. – Você! Você, minha querida, é a semideusa mais poderosa que existe. O amor é a força mais poderosa que existe. Então, acho que além de mim, a força mais poderosa que poderia ser comparada ao amor, é você!

Senti uma vontade de jogar Ópera para cima e atirar uma flecha no meu próprio coração. Eu já disse o quanto odiava ser poderosa? Porque, poxa, ser comparada à força mais poderosa que existe? Agora era oficial: eu odiava ser uma semideusa.

Annabeth: Espere... Rapha é tão poderosa assim?

Afrodite: Muito mais do que assim. Rapha é a filha de Apolo mais poderosa que já existiu, e que foi prevista para existir. É uma semideusa muito, muito poderosa mesmo, em um nível absurdo! Muitos dos deuses menores invejam o poder dela.

Eu: Sou mais poderosa do que os deuses menores?

Afrodite: Ah, muito mais! Leto está orgulhosa de você, mas também sente uma pontada de inveja. Ela está achando que uma nova Ártemis vai surgir, e que depois que vocês três reinarem, você será um tipo de justiceira que vai combater os monstros e o mal e proteger os semideuses!

Eu: Mas como? Eu vou ser a rainha do Mundo Inferior! Eu serei o próprio mal.

Afrodite: Mas também será o amor.

Eu: Eu... eu sei mas...

Annabeth: Espere. Como assim Depois que vocês reinarem? Como assim você vai ser a rainha do Mundo Inferior? Que história é essa?

Eu: Depois eu te explico.

Por que ela estava me falando essas coisas? Queria me torturar. Só pode. Depois, ela se virou para Annabeth e colocou as mãos nas bochechas dela, como fez comigo.

Afrodite: Você, Annabeth

Chase, viveu uma história de amor maravilhosa. Você mentiu para Luke quando ele morreu. Você o amava sim. E você ainda o ama. Mas naquela época, você estava começando a amar outra pessoa. E você tinha certeza de que esse amor superaria o que você sentiu por Luke. E superou!

Vou ser sincera, aquilo estava me deixando um pouco enciumada. Eu sabia por quem era todo esse amor aí.

Afrodite: E quando vocês foram para o Labirinto, você estava com o maior medo que já sentiu na vida. Medo de perder Percy Jackson. Totalmente compreensível. Raphaella Harmon aqui também estava com medo de perde-lo na missão passada. E está com o dobro de medo de perde-lo nessa missão, considerando que ela vai mata-lo.

Ela franziu o cenho.

Annabeth: Como assim? Você vai matar Percy?

Eu: Depois eu te explico.

Annabeth: Você tem muito o que me explicar mais tarde.

Eu: Como assim eu tenho muito o que te explicar mais tarde? Foi dito agora. Você amava Luke, mas deixou de amar, porque amou o meu namorado!
Annabeth: Nós namoramos um ano antes de eu te conhecer!

Eu: Você me disse com sua própria boca que sentiu ciúmes quando me viu com ele!

Annabeth: E como eu ia saber que você gostava dele?

Eu: Simples! Eu saia da minha mesa, quebrava as regras e ia me sentar com ele!

Annabeth: Você ainda faz isso.

Eu: PORQUE EU AINDA AMO ELE!
Annabeth: Ama tanto que vai mata-lo.

Comecei a me levantar da cadeira, mas Silena me segurou.

Afrodite: Meninas, meninas, sem violência, por favor. Annabeth Chase, sua amiga aqui tem alguns problemas com os próprios sentimentos. Você deveria tomar cuidado com as palavras para não ofendê-la, porque ela se magoa fácil.

Eu: Não me magoo, não!

Afrodite: E você, Raphaella Harmon, por que acha que Quíron diz para você não atacar os mortais? Porque eles não tem força para se defender, ao contrário dos meio-sangues. Eles sabem o que devem falar na presença de quem. Mas você deve perceber que sua amiga, Annabeth Chase, também não evita um bom conflito. E você não deve ataca-la, porque sabe que pode mata-la com um simples estalar de dedos.

Dei um sorriso torto e cocei minha nuca.

Eu: Ainda estou trabalhando no estalar de dedos.

Annabeth: Ela é tão poderosa assim mesmo?

Afrodite: Claro! Você não compreende. A visão da vida dela foi obscurecida de Apolo. Ele não viu o que ela faria com todo esse poder. Achou que ela faria bom uso deles, e ela realmente fez e fará até os dezoito anos. Dali em diante, ela não será mais a mesma.

Eu: Em minha defesa, eu vou estar possuída.

Annabeth: É, você falou isso ontem.

Silena: Gente, eu não estou entendendo nada.

Afrodite: Tem certeza?

Ok, agora era demais pra mim.

Eu: Tenho certeza do quê?

Afrodite: De que você vai estar possuída. A oferta que lhe foi feita foi tentadora. Você foi escolhida porque era a única semideusa poderosa o suficiente para fazer isso. O único semideus mais poderoso que você que já existiu, foi Héracles. E é uma oferta muito tentadora. O domínio de tudo. Ser a deusa do amor, do vinho, da sabedoria, da metalúrgica e dos mortos. Dominar tudo o que fica no subterrâneo. Ter poder sobre todas essas forças poderosas. Você só não vai reinar entre esses três, porque a Segunda Pessoa, como você chama, já tem dívidas antigas com os deuses.

Eu: Afinal de contas, quem é a Segunda Pessoa?

Afrodite: Pense, Filha de Apolo. Quem tem poder o suficiente para atrair o Espírito de Delfos, sibila, ficaria debaixo da terra e quer a morte dos filhos de Apolo que existem?

Foi quando minha cabeça fez o raciocínio. Só um personagem da mitologia grega poderia fazer todas essas coisas.

Eu: Píton. A serpente filha de Gaia.

Afrodite: Exatamente. Píton vem esperando milênios para poder se vingar de Apolo por tê-la matado. Ela está ansiosa para matar a sua alma e ficar com o seu corpo, mas não pode acabar com a sua alma, simplesmente porque você ainda pode se juntar à causa dela.

Eu: Eu jamais faria isso.

Afrodite: Tem certeza? Mesmo com o poder para reinar em tudo? Pra ser a patrona de um monte de coisas?

Eu: Absoluta.

Afrodite: Pois não tenha. Você está muito certa de que nunca faria isso, mas nunca pensou na possibilidade das vantagens que isso te traria. Ser uma deusa imortal, poder mandar em tudo e em todos, sem responsabilidades e sem dor. Você diz que jamais faria isso, mas e se você pensasse nas coisas boas disso? E quando for matar o seu namorado, será que você estará realmente possuída?

Ok. Eu realmente nunca havia pensado nas vantagens de tudo aquilo. E olhando desse ângulo, ser uma deusa parecia realmente legal. E eu adoraria mandar Afrodite para o Tártaro. Ela estava me irritando com toda aquela beleza e toda aquela tortura. Eu finalmente diria Quem é a deusa mais bonita agora? QUEM É?

Afrodite: Eu não te culpo – disse a deusa como se lesse minha mente. – Entendo que eu esteja te irritando. Para fazer você se sentir melhor comigo, vou te fazer um favor: quando seu namorado tiver de ir, deixe-o ir.

Ergui uma das sobrancelhas. Eu não estava entendendo nada.

Eu: É... e quando ele terá de ir?

Afrodite: Ele saberá.

Decidi que já era hora de ir. Já era demais pro meu ser. Afrodite não estava cooperando, e Annabeth e eu quase brigamos. Afrodite deveria é estar se divertindo.

Eu: Podemos ir?

Annabeth: Se depender de mim, sim.

Silena: Ah... mas por que tão cedo?

Afrodite: Acho que suas amigas tem razão, minha filha. Eu adorei a companhia de vocês hoje. Vou ficar aqui mais um tempo e tomar mais chá. Espero que voltemos a nos encontrar! Ah, e espero que gostem das roupas que eu escolhi para vocês.

Estranhei, mas achei melhor não falar nada. Silena deu outro beijo aéreo na mãe e nós saímos de lá. Andamos até a esquina, onde nos encontramos apenas com Charlie, Luke e Percy, que pareceram ficar animados com a nossa presença. Os três sorriram, maliciosos. Charlie assoviou. Luke sorriu e mordeu o lábio.

Percy: Ô, lá em casa...

Decidi que aquele era, sem dúvida nenhuma, o dia mais estranho da minha vida. As pessoas estão loucas. Mas eu rapidamente percebi o que eles estavam admirando. E o que Afrodite quisera dizer com Espero que gostem das roupas que eu escolhi para vocês. No momento em que olhei o que eu estava vestindo. Eu usava um top preto com spikes nas pontas dos seios (o que era um pouco muito constrangedor) e uma camisa estilo militar por cima. Um short verde-terra e um tênis preto repousavam na parte de baixo do meu corpo. Annabeth usava uma camiseta preta com uma camisa xadrez verde amarrada nas pontas por cima, um short jeans e sapatos sociais marrons. Silena usava uma regata com rendas rosa e preta (igual a uma que Jenna havia me emprestado, verão passado), um short vermelho-cereja e um salto bege que deveria ter uns 30 centímetros. Acho que aquelas eram as roupas mais constrangedoras que eu já havia vestido na vida. Annabeth também estava constrangida, como eu. Silena estava maravilhada com as roupas que estava vestindo.

Eu: Afrodite!
Silena: Obrigada, mãe!

Eu: Não olhem! Eu estou ridícula.

Percy: Ridícula nada. Eu te disse que hoje você tinha acordado ainda mais gata, mas com essa roupa, está perfeita.

Eu: Legal que você gostou, mas do meu ângulo, eu estou ridícula. Não me digam que também estou usando maquiagem.

Percy: Um pouquinho.

Eu: Ótimo.

Bufei.

Annabeth: Onde estão Clarisse e Katie?

Charlie: Foram comprar passagens para o próximo trem.

Luke: Elas já voltam.

Silêncio por um segundo.

Percy: E aí? O que Afrodite queria com você?

Eu: De acordo com ela, queria uma conversa com garotas bonitas. O que ela fez foi me oprimir a acabar com a gotinha de felicidade que eu tinha.

Silena: Não fale assim da minha mãe!

Eu: Falei que ela me magoou. Isso a ofende?

Ela fez que não com a cabeça.

Filhos de Afrodite, pensei, Todos burros.

Eu: Mas, o lado não tão bom assim é que ela disse que eu vou fazer bom uso dos meus poderes até os dezoito anos.

Percy: Ótimo. Até dezembro eu vou viver.

Eu: É. Isso é quase legal.

Charlie: Alguém pode me explicar que história é essa? Ontem você disse que a garota que você ama ia te matar. Como assim? Rapha, por que você vai matar ele?

Eu: Não é bem assim. Aparentemente, sim, eu vou matar Percy mas...

Silena: Então, por que você continua saindo com ela?

Percy: Porque eu amo ela.

As palavras de todos estavam martelando na minha cabeça. Aquilo não estava me fazendo bem.

Eu: Gente, por favor, vamos discutir isso em outra hora, em outro lugar.

Para a minha alegria, Clarisse e Katie chegaram naquela hora com as passagens do trem. (Frase que nunca pensei que ia dizer.)

Clarisse: Bom, o trem parte em meia hora. É melhor irmos.

Voltamos para a estação de trem a pé, do mesmo jeito que havíamos ido para Jacqueline’s Tea Room. O trem ainda iria demorar um pouquinho para chegar. Eu me sentei em um banco que havia lá na estação de trem e fiquei esperando. Percy se sentou ao meu lado.

Eu: Silena têm razão. Você deveria mesmo ficar longe de mim.

Percy: Quando você tiver dezoito anos nós conversamos sobre isso. Hoje não.

Eu: Percy...

Percy: Eu me recuso a ficar longe de você – rosnou ele. – Eu amo você e se algum espírito, por mais que queira me matar, te possuir, eu vou lutar é com esse espírito pra te libertar disso e nós podermos ficar juntos de novo. Seu cabelo está lindo desse jeito.

Eu ri. Percy tinha o dom de me fazer me sentir melhor quando eu estava pra baixo falando o quanto eu sou bonita. Isso era muito legal.

Eu: Descreva para mim.

Percy: Como você descreveria o seu cabelo normalmente?

Eu: Um monte de cabelo amontoado com mousse.

Percy: Então, não está isso. Estão adoravelmente desenhados formando perfeitas pequenas espirais que caem ao redor da sua cabeça e passam um

pouco dos seus ombros.

Ri de novo e mordi o lábio inferior.

Eu: Você é ótimo para me fazer me sentir melhor, fazendo descrições e comparações. Eu adoro isso em você. – depois, meu rosto assumiu uma expressão séria. – Nunca mude.

Percy: Não pretendo.

Ficamos olhando o sol em silêncio por alguns minutos.

Eu: Você mentiu para mim.

Ele franziu o cenho, confuso.

Percy: Como assim?

Eu: Há um ano atrás, você me disse que eu era mais bonita que Afrodite.

Percy: Você é.

Eu: Não, não sou mesmo. Eu me senti tão feia perto dela...

Percy: Nunca mais repita isso. Você é a garota mais linda que eu já vi. Pelo menos, na minha opinião.

Eu: Jura?

Percy: Juro.

Deitei minha cabeça no ombro dele.

Minutos depois, o trem chegou. Nós embarcamos nele e sentamos. Os bancos não ficavam de frente para os outros, diferentemente do outro trem. Pra variar, Percy e eu nos sentamos juntos e ficamos só olhando o trem andando, a velocidade com que Freeport ia ficando para trás, e visão da grama borrada.

Percy: Rapha, você já teve algum namorado antes de mim?

Eu: Está insinuando que acha que eu era uma solteirona antes de ser sua namorada?

Percy: Não. Mas você não era uma pessoa muito social, considerando que só tinha uma amiga.

Eu: Tem razão.

Percy: Vai responder à minha pergunta?

Eu: Não, nunca tive. Você foi o primeiro.

Percy: E você já tinha beijado alguém?

Eu: Agora, você está achando demais.

Percy: Desculpe. Desculpe. Claro que você já beijou alguém antes de mim, uma garota linda dessas poderia ficar com qualquer um, mas o que eu quero saber é, tipo, com quem foi, quantos anos você tinha e tal.

Vasculhei minha mente tentando me lembrar. Achei o que procurava.

Eu: Já te contei essa história. Eu tinha quatorze anos. Um garoto estudava na minha sala, e estudou lá só por oito dias, porque iria se mudar para uma escola especial para pessoas encrenqueiras chamada Escola da Vida Selvagem, afinal, ele era um rebelde. Nós nos conhecemos, fizemos uma amizade, e quando fomos nos despedir, ele me roubou um beijo e me disse que eu era linda, até que Joanne entrou na sala e me perguntou se eu ainda precisava de um absorvente.

Encolhi os ombros, como se dissesse Só isso.

Percy: Que romântico.

Eu: Ciúmes?

Percy: Um pouco. Esqueça.

Eu: E você? Quando foi o seu primeiro beijo e com quem?

Ele fez aquela cara de concentrado de sempre.

Percy: Aos quatorze anos, com Annabeth.

Ergui uma sobrancelha, e falei a coisa mais enciumada que uma mulher pode falar.

Eu: Hum.

Me virei de volta para a janela.

Percy: Ciúmes?

Eu: Talvez. Esqueça.

Percy: Ah, não. Gravei na mente. Jamais vai ser deletado.

Sorri.

Eu: Irritante você, hein?

Percy: Só um pouco muito.

Depois ele cutucou a minha barriga.

Eu: Ai. Por que isso?

Ele encolheu os ombros.

Percy: Sei lá.

Ele deitou a cabeça no meu ombro.

Percy: Você está muito sexy com essa roupa.

E eu ri de novo pra variar. Percy estava falando muitas besteiras. E “sexy” não era uma palavra que eu ouvia com muita frequência, então quando eu ouvia, me fazia rir. Sou doida.

Eu: Acho que você tem uma queda por garotas de cabelo cacheado.

Ele beijou meu pescoço, o que fez os pelos da minha nuca se eriçarem.

Percy: Tenho uma queda por você.

Ele ajeitou a cabeça no meu ombro e logo adormeceu. Foi então que eu percebi que desde que saímos do Acampamento, quando a missão começara, nós só havíamos nos beijado algumas vezes. Mas agora não seria uma boa hora para um beijo. Começando porque ele estava dormindo. Já era motivo o suficiente. Ajeitei-o de modo que ele ficasse com o corpo todo para cima do banco e deitei sua cabeça no assento. Charlie e todos os outros ainda queriam uma explicação da morte de Percy. Eles mereciam saber a verdade. Me levantei e me sentei no banco atrás do que eu estava, onde todos os meus amigos pudessem me ver.

Charlie: Agora você vai nos explicar tudo?

Assenti. Engoli o medo e comecei a falar.

Eu: Foi há mais ou menos um ano. Eu estava no Acampamento, sozinha na praia e tive uma visão. Nessa visão, Percy e eu estávamos em um coliseu. Meus olhos eram vermelhos, e a minha voz não era a mesma, sem dúvida. Ambos usávamos armaduras gregas. A plateia estava cheia de dracaenae e semideuses. Na área da luta, Percy e eu teríamos de lutar um contra o outro. Eu não pude usar meu arco. Tive de lutar com uma espada. E vou falar a verdade para vocês, eu era uma excelente espadachim. Tinha a habilidade, era sagaz e tal. Felizmente, Percy também é um excelente espadachim, e pôde se defender perfeitamente. Os movimentos eram precisos. Todas as defesas, lindas. Ele me cortou, eu cortei ele, ele se ralou, eu me ralei, um monte de loucuras. No final da luta, eu acabei o derrubando no chão e coloquei a ponta de minha espada no pescoço dele. Olhei para o mediador, que eu não consegui ver quem era, e ele fez sinal negativo com o polegar, ordenando que eu o matasse.

Annabeth: E você o matou.

Sacudi a cabeça, negativamente.

Eu: A visão terminou quando eu voltei o olhar do mediador para Percy.

Os rostos de todos assumiram expressões sombrias.

Eu: Calma. Já tive uma visão de Percy adulto.

As expressões se suavizaram. Menos a de Luke.

Luke: Só uma?

Eu: É. Algumas pessoas disseram que era uma ilusão.

Luke: Não é uma ilusão. Só não vai se realizar. Há uns dez anos atrás, Thalia e eu conhecemos um semideus velho chamado Halcyon Green. Ele era filho de Apolo. Ele ficava preso em uma mansão, onde uns monstros chamados leucrotas que normalmente imitam a voz humana, estavam ligados aos pensamentos dele, e falavam com a voz dele. Ele apenas mexia os lábios. Apolo tirou a voz dele.

Eu: Por que ele ficava preso em uma mansão?

Luke: Ele tinha o dom, que ele chamava de maldição, da visão. Apolo o mandou nunca compartilhar as visões dele, porque os deuses não gostavam que interferissem no futuro.

Eu: Apolo nunca me disse isso.

Luke: Enfim, ele obedeceu Apolo a vida toda, mas ele conheceu uma garota que estava destinada a morrer em um acidente, então ele contou da visão pra ela, e ela sobreviveu. O seu pai se enfureceu com isso e prendeu ele lá e o obrigou a usar um terno com a pele de Píton, a serpente que roubou o Oráculo de Delfos como um lembrete de que ele não era um Oráculo.

Ele fez uma cara como se entendesse tudo.

Luke: Ah... então foi...

Eu: Discutimos sobre isso depois.

Luke: Ok. Então, Hal era usado como uma isca para os leucrotas atraírem outros semideuses para aquela mansão. Eles deixavam que Hal desfrutasse da companhia dos semideuses até o pôr do sol do dia, e então devoravam os semideuses e Hal se alimentava das coisas que tinham na mochila deles. Tudo porque fez uma boa ação e salvou a vida da garota.

Que história. Hal ficou sofrendo por tempos apenas porque fez o bem para uma alma destinada à morte. Que coisa cruel. Olhe, a minha vida toda eu achei que o meu pai era um idiota. Depois que descobri que ele era um deus, achei que ele era um idiota divino. Com o tempo, eu conheci ele e passei a achar que ele era só um idiota, mas um idiota normal. Mesmo que bem idiota. Mas agora? Agora eu achava que ele era um idiota do mal.

Eu: Vocês sobreviveram. Como conseguiram?

Ele sorriu, malicioso.

Luke: Nada pode segurar Luke Castellan, minha cara. Sou forte como um deus.

Annabeth: É mesmo.

Ela abraçou o pescoço dele e beijou a orelha dele. Eu era feliz por eles. Ficavam fofos juntos.

Eu: Agora, sério. Como vocês fugiram?

Luke: Tinha um computador no quarto dele. Nós achamos a receita de fogo grego e fizemos. Quando deu o pôr do sol, a jaula dos leucrotas que dava para a saída se abriu, e nós passamos por ela, enquanto Hal matava os leucrotas com o fogo grego. Ele se sacrificou para que nós pudéssemos sobreviver. Seu irmão mais velho foi um verdadeiro herói.

Fiz que sim com a cabeça.

Me encostei no banco da frente, coloquei o braço para o outro lado do banco e fiquei afagando os cabelos de Percy. Meu outro herói. Eu estava totalmente com a sensação de que seríamos separados. Nós seríamos sim. Eu ainda não sabia como. Mas isso poderia trazer o bem dele. Quem sabe ele não morria? Não, ele ia morrer. Eu me odeio por isso. Agora, uma duvida veio à minha cabeça. Por que será que eu ia mata-lo? Vou fazer uma pesquisa sobre isso.

Mas, pensando bem, se eu virasse deusa, Apolo iria para o Tártaro, e eu não ia acabar passando o resto da minha vida em uma mansão assistindo a morte de semideuses e comendo o que eles tinham na mochila. Achei um ponto não tão ruim na coisa. Mas eu realmente achava que se nós ficássemos afastados ele poderia conseguir um futuro melhor. Quem sabe... com Annabeth? Mesmo que ela estivesse com Luke, que já é uma paixão de muito tempo, eu acho sim que ela ainda gostava de Percy e que ele poderia sim ainda gostar dela. E ela proporcionaria um futuro melhor para ele. Mas eu não aguentava ficar longe dele. E quem sabe eles não teriam dois filhos chamados Timothy e Annabeth II? Melhor afastar esse pensamento. Eu o amava muito. E ele parecia que também me amava muito. Pelo menos pelo jeito como me tratava, como falava comigo, como me beijava... Ah. Meu querido, eu estava muito apaixonada por Percy Jackson. E a última noite havia me machucado muito. Gente, que melancolia. Credo. Eu não sou nada melancólica. Acho que eu estava muito sentimental. O irônico é que a maioria das pessoas, assim, camufladas, cheias de spikes, que ouviam Pearl Jam e Sepultura era sentimental. Mesmo que deem uma impressão de durões. Eu dava uma impressão de durona, mesmo que não fosse. Eu tinha sentimentos. Eu amava. E eu sentia medo. Sentia medo de matar meu namorado a qualquer momento. Sentia medo de perder meus amigos. Sentia um pouquinho só de medo do Mundo Inferior. E agora, falando o que eu sentia, eu estava sentindo uma ardência nas costas, que, meus deuses. E também sentia algo escorrendo por elas. Claro. Os cortes das Fúrias.

Katie: Hã, Rapha?

Eu: O que foi?

Katie: Sua blusa. Está manchada de sangue.

Eu não queria nem olhar. Sabe o que é a pior coisa do mundo, pelo menos na minha opinião? Quando você está com machucados sérios, e você é a única curandeira da história. Especialmente quando os machucados sérios são nas costas. Virei um pouco meu rosto para trás, como os olhos meio abertos e olhei para as minhas costas. Por entre os cílios, eu não via nada de diferente, considerando que estava tudo escuro. Depois que eu abri meus olhos e vi direito, a visão não foi muito agradável. Algumas manchas que pareciam cobras muito gordas e vermelhas estampavam a camisa. Vocês que têm pânico de sangue, fiquem felizes por não estarem lá na hora, porque vocês desmaiariam. Eu estava vendo alguns pontos amarelos, mas eu não me lembrava de pontos amarelos na jaqueta.

Eu: Gente, tinha pontos... aliás, grandes bolas amarelas nessa camisa?

Annabeth: Você está se sentindo bem?

Considerando que a minha cabeça pesava vinte e seis quilos e que o meu traseiro estava formigando, eu julguei que não.

Eu: Hã... não.

Charlie levantou do banco onde estava e se agachou na minha frente. Ele posicionou a mão na minha frente, exibindo seis de seus dedos.

Charlie: Quantos dedos tem aqui?

Eu estava vendo seis dedos. Juro.

Eu: Seis, não é?

Ele colocou as mãos na minha testa.

Charlie: Você está muito pálida. Annabeth, você sabe tudo. Me ajude aqui.

Annabeth (eu acho) veio e se ajoelhou ao lado de Charlie.

Annabeth: Consegue se levantar?

Tentei me levantar, mas estava me sentindo mega cansada. Totalmente sem energia.

Annabeth: Você está sentindo mal estar, tontura, náusea, alguma coisa do tipo?

Eu: Eu... tontura. Náusea. Tudo do tipo.

Ela colocou o dedo indicador debaixo do meu nariz. Como eu era curandeira, sabia o que ela estava fazendo. Estava medindo a velocidade da minha respiração. Depois, ela pegou o meu pulso esquerdo e colocou os dedos na posição certa para medir os batimentos cardíacos.

Annabeth: Ela está com anemia.

Charlie: Você sabe o que fazer?

Eu: Tem néctar na minha mala.

Annabeth: Néctar sozinho não vai funcionar.

Eu: Eu sei. Preciso fazer o tratamento mortal.

Annabeth: Também precisa de vitaminas e sais minerais.

Me senti mais fraca e caí para a frente. Charlie me segurou.

Charlie: Acho melhor nós começarmos com o néctar.

Annabeth pegou a minha mala e pegou o meu cantil de néctar.

Annabeth: Tire a camisa.

Eu tirei a camisa de cima, com a ajuda de Charlie. Todos fizeram cara de assustados.

Annabeth derrubou o néctar por todas minhas costas. Estava melado e tinha cheiro de panquecas com mel, do jeitinho que a minha mãe fazia. Estava meio gelado também.

Annabeth: Rapha! Os cortes estavam muito abertos! Por que você não disse nada?

Eu: Não queria atrasar a missão nem preocupar vocês. Preciso achar meus irmãos e o Espírito de Delfos.

Annabeth: Poderia ter atrasado menos se tivesse falado antes. POR QUE NINGUÉM ACORDOU PERCY? VOCÊS QUEREM QUE A NAMORADA DELE MORRA COM ELE DORMINDO? PERCY!

Ele se levantou.

Percy: Mais cinco minutos – disse, sonolento.

Ele se deitou de novo. Annabeth revirou os olhos.

Annabeth: Você tem ambrosia?

Eu: Tenho.

Ela achou o pacote na mochila, pegou um pedaço e me deu. Eu comi.

Eu: Isso é tão mole, mas é tão bom.

Ela deu um sorriso amarelo.

Annabeth: Acho que você já está melhorando.

Encolhi os ombros.

Eu: A hemorragia já passou?

Virei minhas costas de frente para ela.

Annabeth: Está coagulando.

Silena: Eu vou vomitar.

Eu: Não pode estar tão nojento.

Silena: Você não está vendo.

Eu: Clarisse, ela está exagerando ou está tão ruim assim mesmo?

Clarisse: Não, ela está certa. Está realmente muito horrível e nojento, mas eu já estou acostumada, por isso estou na boa.

Fiz uma garra com três dedos em cima do coração. Annabeth me ensinara que aquele gesto espantava o mal.

Annabeth: Clarisse, você pode fazer a gentileza de acordar Percy?

A filha de Ares foi até o banco onde Percy estava deitado e o derrubou no chão.

Pelo que eu vi, ele caiu de cara.

Percy: Precisava mesmo de toda essa violência?

Annabeth voltou seu olhar para mim. Vou falar sério, os olhos cinzentos dela me assustavam um pouco.

Annabeth: Do que mais você vai precisar?

Eu: Ferro. Se nem isso curar, uma transfusão de sangue. Se a transfusão também não der certo, uma oxigenoterapia hiperbárica.

Percy: Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

Ele já estava sentado no banco, virado para trás.

Charlie: Sua namorada está sofrendo uma hemorragia, está com anemia e não pretendia contar nada disso a ninguém.

Ele franziu o cenho.

Percy: Raphaella!

Eu: Não queria atrasar a missão, nem preocupar vocês.

Percy: Desde quando isso?

Eu: Bem, como foi em razão da hemorragia, eu diria que foi quando as Benevolventes chicotearam as minhas costas. Perceber eu percebi ontem à noite.

Percy: E por que não disse nada?

Eu: Nós estávamos fazendo as pazes. Eu não podia atrapalhar o processo.

Percy: Ai, Raphaella, você é louca! Deu errado, eu já estou muito preocupado. Droga... Como nós podemos curar isso?

Eu: Eu preciso ingerir ferro. Muito ferro. Depois de ferro, bastante vitamina C que ajuda na absorção.

Annabeth: Também deve evitar o cálcio.

Eu: Claro, evitar o cálcio.

Charlie: Mas cálcio não ajuda no desenvolvimento dos ossos?

Eu: Sim, ajuda, mas meus ossos já estão ótimos.

Charlie: Claro, e o cálcio é um inibidor natural da absorção do ferro.

Silena estava com uma cara de total desentendida.

Silena: Alguém pode traduzir pra mim?

Suspirei e pedi um pouco de paciência aos deuses.

Eu: Arroz com feijão preto no almoço, laranja de sobremesa. Nada de iogurte.

Silena: Ah. Mas o que é anemia?

Bati em minha testa.

Annabeth: Deixe que eu explico: anemia é uma doença em que a capacidade do sangue em transportar oxigênio para os tecidos está reduzida, seja pela redução de eritrócitos, seja pela redução de hemoglobina. Essa falta de oxigênio nos órgãos é conhecida como hipoxia.

Eu ri da explicação de Annabeth. Como eu manjava desses papos de medicina, eu havia entendido. Já Silena realmente não entenderia nada.

Silena: Hã?

Eu: Eu perdi sangue. Como eu perdi sangue, eu perdi oxigênio no sangue. Isso não me faz bem – expliquei no tom mais ignorante que eu consegui no momento.

Silena: Aaaaaahhh.

Percy: O caso é, você vai sobreviver?

Eu: Acho que sim.

Percy: Como?

Eu: Curando.

Dei de ombros.

Percy: O que eu quis dizer foi: como você vai se curar?

Eu: Ferro. Preciso ingerir ferro. Se ingerir alimentos ricos em ferro, preciso de vitamina C. E claro, o clássico e necessário repouso.

Annabeth: Você está muito cansada, não está?

Assenti com a cabeça.

Percy: Deite aqui. Que nem ontem à noite.

Me levantei e, aos tombos, fui até o banco da frente, onde me sentei entre as pernas de Percy. Ele se virou de lado e deixou uma perna para cima do banco e outra para baixo. Assim eu fiquei entre as pernas dele, entendeu? Com as duas pernas para cima do banco. Deitei minha cabeça no peito dele e fechei os olhos. Ele me abraçou e assim ficamos. Superconfortável. Eu pretendia fingir que estava dormindo e ouvir a conversa das pessoas, mas acabei adormecendo de verdade. Foi inevitável. Mas sentindo o calor humano do melhor namorado do mundo, não havia jeito melhor de dormir. Especialmente se eu não sonhasse nada, como aconteceu. Queria que todas as vezes em que eu dormisse fossem assim.


Quando abri os olhos, eu estava com as pernas esticadas no chão, entre as de Percy e com a cabeça deitada no peito dele, do mesmo jeito que eu havia adormecido. A diferença era que estávamos debaixo de uma árvore, onde a sombra era fria, e não no banco de um trem. Mesmo com a sombra, o sol batia diretamente em meu rosto e no dele. Como o sol não me afetava, aquilo não fazia diferença nenhuma pra mim. Mas os olhos verde-mar de Percy ficavam muito lindos à luz do sol. Brilhantes, sabe? Lindos. Eu também estava usando a camisa azul xadrez dele.

Percy: Bem vinda à Bangor, meu amor. Estamos no mesmo território municipal que seus irmãos. Feliz?

Eu: Mais ou menos. Onde estão os outros?

Percy: Clarisse e Katie foram conseguir alguma coisa com ferro e vitamina C para você comer.

Eu: Ah, não. Gente, não precisava.

Percy: Cale a boca. Você está morrendo.

Ergui as mãos, como se dissesse Está Bem. Desisto.

Eu: Continue.

Percy: Beckendorf e Silena foram pedir informação para as pessoas de onde é o St. Joseph Hospital. Luke e Annabeth foram se certificar de que eles não estão, sei lá, em algum lugar fora do túnel. Quer dizer, isso é o que eles disseram que iam fazer. O que eu acho mesmo é que eles estão se pegando em algum canto, por aí.

Arqueei as sobrancelhas.

Eu: Você está confundindo eles com a gente.

Ele deu de ombros.

Percy: Quem sabe. Combinamos de nos encontrar aqui, às 3:00. E você, está se sentindo melhor?

Demorei um pouco para responder.

Eu: Um pouco. As costas ainda estão ardendo e eu ainda estou sentindo náusea e tontura, mas fora isso, eu ache estou quase bem.

Percy: Você acha que está quase bem.

Eu: Exatamente.

Percy: Legal.

Beijei o maxilar dele.

Eu: Eu vou ficar bem. Quando a gente terminar a missão, eu prometo tratar da minha anemia. Vou ingerir bastante ferro, fazer o tratamento dos mortais, uma transfusão de sangue, e se eu piorar até lá, uma oxigenoterapia hiperbárica.

Percy: Você poderia fazer a gentileza de me explicar o que é isso?

Às vezes eu esqueço que ele é lerdo e falo palavras complicadas como” oxigenoterapia hiperbárica”.

Eu: É quando um paciente têm de inalar oxigênio puro em uma pressão maior que a pressão atmosférica. Eu teria de ficar em uma câmara fechada resistente à pressão, dotada de janelas.

Percy: E eu não poderia te ver?

Eu: Depende. Algumas câmaras são feitas com acrílico transparente, para claustrofóbicos, sabe? Para eles diminuírem a ansiedade.

Percy: Faça nessa? Por favor?

Eu: Se eu precisar fazer, vou tentar nessa. Mas vamos rezar a Apolo para mim não precisar.

Percy: Claro.

Um silêncio um pouco constrangedor se fez.

Eu: Percy.

Percy: Oi?

Eu: Quando foi a última vez que a gente se beijou direito?

Percy: Bem, a gente se beijou no trem. E hoje de manhã.

Eu: Sim, mas... direito, tipo, mesmo?

Ele ficou pensando por algum tempo.

Percy: Nem sei mais. Acho que... aquele dia que eu passei mal no lago da canoagem.

Eu: Já faz tempo, né? – falei baixo enquanto segurava o seu queixo e virava o rosto dele para mim. Não tenho nada de sutil. Nem Percy. Ele nem disfarçava que estava olhando para a minha boca.

Percy: Faz, faz tempo sim. Percy quer beijinho.

Eu: Percy quer? Percy quer de verdade?

Que coisa estranha e nojenta.

Percy: Quer, Percy quer, sim.

Nós somos estranhos. Tanto que eu comecei a rir, feito uma louca.

Percy: O que foi, meus deuses? Qual é a graça?

Eu: Nada, nada – falei ainda rindo. – É só que nós somos estranhos.

Percy: Achei que à essa altura você já estaria acostumada com a nossa estranheza.

Eu: Eu estou. É só que ainda é engraçado.

Percy: Ainda é engraçado, e Percy ainda quer beijinho.

Eu ri mais com o jeito dele de falar.

Eu: Por favor, pare de falar assim, senão eu vou passar mal de tanto rir.

Ainda rindo, puxei ele pelo pescoço diretamente para meus lábios. Eu amava aqueles lábios salgados. Era tão bom, que normalmente o néctar que eu tomava tinha o gosto deles. (Néctar tem gosto de boas lembranças. Eu já havia explicado isso? Ah, que seja. Você já sabe de tudo sobre essas coisas, provavelmente já sabia disso.) E eu sentia falta daquele beijo. Sei que parece drama. Ai, Rapha, que dramática você, eu estou há seis meses longe do/da meu/minha namorado/a e estou super bem, e você só não beijava Percy há duas semanas. Pode falar isso, você têm toda a razão, mas você também não entende. Você jamais entenderá o que eu sinto com Percy. É sério. Não é drama, não. Eu o amo demais. E o beijo dele é o maior prazer que eu já senti na vida. É bom demais. Quando começa, não dá mais para parar. Ficamos, eu acho, uns vinte minutos fazendo a mesma coisa. Beijo. Afrodite, por um lado, fora muito generosa comigo permitindo que Percy se apaixonasse por mim, e não por ela. Isso permitia o beijo. Depois desses vinte minutos mencionados, Clarisse e Katie chegaram com um saco cheio de azeitonas pretas e outro com laranjas e eu tive de comer tudo aquilo, porque me faria bem. Depois, Charlie e Silena chegaram, já com a informação do paradeiro do St. Joseph Hospital, e após uns dez minutos, Luke e Annabeth voltaram. Assim que chegaram, se sentaram conosco.

Annabeth: Rapha, vi que você já acordou há um tempo, antes do primeiro par chegar.

Eu: Como assim?

Silena: Ela quis dizer que já percebeu que você estava acordada antes das meninas chegarem.

Caramba, aquele negócio de ler pessoas era legal mesmo, hein?

Eu: Nossa. Você precisa me ensinar esse negócio de ler pessoas. Parece superlegal.

Annabeth: Não é preciso saber ler pessoas para ver essas marcas roxas no seu pescoço.

Franzi o cenho e passei a mão pelo pescoço procurando por alguma coisa, e encontrei algumas áreas um pouco molhadas [com saliva de sereia]. Olhei para Percy repreensivamente com uma cara de envergonhada e assustada.

Eu: Percy! Podia ser mais discreto, não podia?!

Ele arregalou os olhos, defensivamente.

Percy: Desculpe! Não estava nos meus planos deixar marcas roxas no seu pescoço!

Eu: É, mas... de qualquer jeito! Dava para ter pegado mais leve!

Percy: É... que dava, dava, mas... – Ele sorriu, malicioso, e pegou a minha mão. – Foi bom o processo não foi?

Eu queria sorrir, pegar a mão dele e falar que foi a melhor coisa pela qual eu já passei, mas eu não podia perder a pose de namorada repreendedora. Não podia.

Eu: Foi, mas... Ah, não importa, Percy! Meus deuses, e se o meu pai aparecer e ver isso? E se o meu pai ver isso sem aparecer? Meu pai sabe das coisas, sabia? Ele vê as coisas.

Percy: Calma. Ele gosta de mim, eu acho. Vai ficar tudo bem.

Eu: Eu sei mas... é humilhante! Ai, meus deuses, tem marcas roxas no meu pescoço!

Percy: Tecnicamente, o nome certo é “chupões”.

Olhei repreensivamente para ele, de novo.

Eu: Obrigada.

As pessoas ao nosso redor quase se matavam de tanto rir.

Annabeth: Ok, ok. Melhor a gente ir.

Nos levantamos. Eu estava super embaraçada.

Eu: Vocês sabem chegar lá?

Charlie: Sabemos. Nós fomos até lá e achamos a passagem que leva para o túnel.

Silena: Só tem um problema.

Luke: E qual é?

Silena: Os mortais. Tem um monte deles lá. Vamos ter de esperar até de noite, quando eles forem embora.

Eu: Mas é um hospital. Hospitais não fecham.

Charlie: Esse fecha. Não se preocupe.

Eu: Ok. Não me preocupar. Isso é importante.

Fomos andando para o St. Joseph Hospital, onde entraríamos no túnel e encontraríamos meus irmãos. Até que o lugar não era longe. Quanto mais perto do hospital nós chegávamos, mais meus instintos de semideusa me diziam É por aí. Você está indo bem. Eu sentia eles. Não sentia perto, mas sentia. Nós chegamos ao estacionamento do lugar. Era exatamente como eu lembrava de meus sonhos com meus irmãos.

Charlie: O túnel fica ali.

Ele apontou para um montinho de terra que formava um círculo no meio do asfalto.

Eu: Por mim, eu entrava agora.

Percy: E o que os mortais iam pensar?

Eu: Não ligo. Ferre-se.

Charlie: Agora não, Rapha. Mais tarde.

Luke: Nós sabemos que você é uma irmã mais velha superpreocupada, mas nós temos mesmo de esperar.

Suspirei e olhei de novo para o buraco.

Eu: Jenna é mais velha que eu. E o discurso de vocês não me convenceu. Arrumem uma desculpa.

Me curvei para frente com as mãos primeiro abrindo o buraco e caindo de cabeça dentro dele. Durante a queda eu fui me ajeitando de modo que eu acabasse caindo de forma confortável. Caí uns dezoito metros quando comecei a empurrar as paredes para não acabar morta depois dessa, e consegui parar. O chão estava há dois metros de mim. Me soltei e caí de pé. Eu já havia sido chicoteada nas costas e acidentalmente esfaqueada em um jogo de captura à bandeira, mas aquelas dores não se comparavam com cair com tudo em cima do tornozelo. Parecia que pegava fogo. Foi doloroso, mas toda aquela dor era frescura. Engoli a dor e decidi prosseguir com a minha caça.

O túnel estava escuro. Eu me acendi e comecei a suar. Pra esquerda meus instintos diziam. Mas eu não poderia fazer nada enquanto ninguém chegasse, portando, eu decidi ir ajeitando as coisas para passarmos a noite ali. Como haviam alguns galhos (coisa para qual eu não tenho explicação nenhuma para dar), eu decidi fazer uma fogueira. Juntei os galhos e enviei uma onda de energia e calor para eles. A fogueira se acendeu. Como já não tinha mais necessidade, eu me apaguei. Me sentei e fiquei esperando para que os próximos semideuses viessem. E, claro, esperando monstros. Há mais deles no subterrâneo. Bem, nenhum monstro apareceu. Mas eu fiquei horas sentada esperando.

Fiz montinhos de terra, algumas esculturas com barro, tudo o que surgisse, rolava. Depois de umas seis horas, surgiu alguma coisa para fazer. A minha visão começou a ficar turva, e logo tudo escureceu.


Em minha visão, eu estava agachada passando a mão em rastros. Havia neve por todos os cantos. Eu usava um arco dourado na testa e uma jaqueta prateada com pelos na touca, juntamente com um jeans camuflado. O meu rosto estava meio sujo e eu tinha um pouco de sangue debaixo da boca, mas eu parecia mais bonita do que já havia visto em minha vida toda. Sério. Eu estava muito gata. Falando em modesta parte, cara. Meu cabelo já havia crescido bastante. Estava na metade das costas, mas trançado, o que deixava meu rosto inteiro a mostra, dando a impressão de que eu sou uma pessoa muito “caruda”. É por isso que eu sempre fico de cabelo solto: meu rosto é enorme. Como eu sou cabeluda, um pouco da minha cara some. Isso faz parecer que eu sou normal.

Ópera estava em minhas costas e a minha aljava estava presa à minha coxa, carregada. A aljava de Charlie não estava lá. Havia uma garota comigo. Ela parecia ter uns doze anos, e tinha cabelos castanho-avermelhados, como eu. Só que os dela estavam presos em um rabo de cavalo. Eu diria que ela se parecia um pouco comigo. Ela também segurava um arco e tinha uma aljava presa às costas.

Xx: Está conseguindo?

Eu: Sim.

Xx: Isso é mentira.

Eu: Pode ser. Tente você.

Xx: Engraçado, essa seria a minha sugestão.

Eu me levantei e ela se agachou.

Eu: E aí? O que você acha?

Xx: Eu acho que você é muito impaciente.

Eu: Mas você consegue tudo! Você é Ártemis!

Lembrei de meu sonho com minha avó, no qual ela dizia que Ártemis ficava em uma forma parecida comigo.

Ártemis: Eu nem coloquei a mão no rastro ainda.

Eu: Ah. Desculpe.

Ela balançou a cabeça em reprovação e depois apalpou um pouco o chão.

Eu: E aí?

Ártemis: Você está certa. Píton passou por aqui.

Eu: Eu disse. Vocês, deuses, não acreditam em mim só porque eu sou mortal.

Ártemis: Olhe bem, eu deveria te matar agora mesmo. Foi para isso que eu fui enviada. Mas eu acredito que você pode mudar esse seu destino.

Eu: Pensei que os deuses não gostassem que nós, videntes, tentássemos mudar o futuro. Lembra-se de Halcyon Green?

Ártemis: Lembro. Lembro. – ela disse com uma expressão como se quisesse que eu calasse a boca.

Eu: Ele viveu naquela droga de mansão por anos e anos, só porque salvou a vida de uma garota. Por que eu não sou presa em uma mansão? Por que você veio me ajudar?

Ela respirou fundo.

Ártemis: Você é diferente de Halcyon. É mais especial para seu pai do que ele era.

Eu: Por quê?

Ártemis: Você pode ver. É muito mais forte que ele era.

Eu: Ah, então é por isso que os deuses são tão bonzinhos comigo. Porque eu sou uma ameaça pra vocês.

A essa altura, eu havia acendido a parte interna da minha boca e os meus olhos, o que me deixava meio assustadora. Acho que essa era a intenção.

Ártemis: Claro... digo, não! Você me entendeu errado!

Eu: Eu entendi? Eu entendi errado?

E uma coisa estranha aconteceu. Eu acendi, mas não o meu corpo. Eu acendi as minhas veias. Isso deixou várias linhas amarelas na minha pele.

Ártemis: Você está bem, Raphaella Harmon?

Eu: Ah, estou. Nunca estive melhor! Me sinto... – a partir daí, a minha voz ficou diferente. Ficou como aquelas vozes que a gente tem quando suga o gás do balão. Não a voz aguda, a grave. – Me sinto mais forte do que jamais me senti.

Ártemis pegou o arco dela e preparou uma flecha. Ela mirou em mim e eu parecia completamente calma.

Ártemis: Saia dela! Agora!

Eu: Ah, não sei não. Este corpo está superconfortável. Você deveria testar.

Ártemis: Deixe minha sobrinha em paz! Ela não merece algo como você! É uma heroína!

Eu: Você está muito certa de suas palavras. Está esquecendo de que é ela quem vai mandar você para o Tártaro?

Ártemis: Você vai fazer isso. Ela jamais faria uma coisa dessas.

Eu: Faria... faria mais do que você imagina. Ela adoraria ver os Olimpianos no Tártaro.

Ártemis: Não todos. Ela guarda alguns ressentimentos de Afrodite, mas ela a provocou muito! Eu também não sou muito fã dela.

Eu: Ártemis, eu estou na cabeça dela. Eu sei o que ela pensa. Estou vendo tudo.

Ártemis: Vou te dar cinco segundos para sair de dentro dela. Cinco... quatro... três... dois... um.

E tudo o que estava aceso em mim se apagou. Eu perdi as forças e caí no chão. Ártemis se ajoelhou ao meu lado.

Ártemis: Raphaella? Você está bem?

Eu: Eu... estou com uma dor de cabeça insuportável!

Ela colocou a mão na minha testa.

Ártemis: Está com febre.

E tudo ficou branco.


Quando eu consegui ver direito, estava de novo sentada ao redor da fogueira, deitada no ombro de Percy. O resto do povo que foi com a gente na missão já estava lá. Todos. Também tinha um mendigo lá. Eu imediatamente o reconheci. Sabia quem ele era. Acho que os outros não sabiam.

Charlie: Ela voltou.

Todos os olhares se voltaram para mim, menos o mendigo, que estava comendo um sanduíche de peito de peru. Percy deve ter pego na minha mochila e dado para ele.

Percy: E aí? O que viu?

Eu: Nada de importante.

Peguei um dos sanduíches que tinham na bandeja. Enviei um fio de calor da minha mão para o sanduíche, o que fez ele entrar em combustão. Assoprei e ele apagou. Annabeth olhou repreensiva para mim. Ela ainda não sabia quem era o mendigo.

Percy: Eu sinto o mar.

Ninguém respondeu. Ninguém disse nada. Acho que ninguém tinha nenhuma resposta ou comentário a acrescentar.

Mendigo: Sabem, o calor da companhia de vocês aquece mais o meu coração do que essa fogueira.

Mencionei que ele estava sentado ao lado da Silena?

Mendigo: E você, sem dúvida, é a parte mais quente da fogueira, doçura.

Eu: Pai! – repreendi. Isso é humilhante. – Não flerte com as minhas amigas! Pelo menos, não na minha frente!

Ele ergueu as mãos na defensiva.

Apolo: Me desculpe. É a força do hábito.

Eu: De qualquer jeito! É nojento! Imagine se algum dia você visse seu pai dando em cima de alguma garota. Não ia ser nojento?

Ele fez uma careta.

Apolo: Foi bem nojento da última vez que eu vi.

Eu: Pois é. Não é muito diferente pra mim.

Bufei.

Meus amigos pareciam surpresos.

Clarisse: Você é Apolo?

Apolo: Shhhh! Aqui meu nome é Fred.

Eu: Pai, fora nós, não tem nenhum mortal aqui.

Ele olhou para frente com os olhos arregalados. Meus amigos olharam para ver o que estava acontecendo.

Eu: Ah, não....

Apolo: Tem um haicai saindo do forno.

Eu: Não, pai!

Ele limpou a garganta. Bati em minha testa.

Apolo: O calor do fogo...

Eu: Chega, pai! Por favor! Chega! Olhe, me desculpe se eu estou sendo abusada, afinal você é um deus e tal... mas, por favor, não faça isso. Mamãe está muito solitária lá em casa. E eu não estou lá. Por que vocês dois não me arrumam um irmãozinho?

Ele sorriu, malicioso. Em cerca de um segundo, seu sorriso desapareceu, mas ele olhou para mim e sorriu daquele mesmo jeito de novo.

Apolo: Até que não é uma ideia tão ruim. Até mais, filha.

Ele acenou e se dissipou em névoa. Eu revirei os olhos.

Eu: Ok... eu não entendi isso, mas tudo bem.

Silena: Aquele era seu pai mesmo?

Eu: Era. Eu gosto muito dele, mas às vezes ele é meio irritante.

Silena: Compreensível.

Depois dessa, ninguém falou mais nada. Nós ficamos todos em silêncio.

Alguns acabaram dormindo. Acho que a cena mais fofa que eu já havia visto era Luke dormindo com Annabeth ao seu lado. Ela ficou deitada no peito dele e ele abraçou as costas dela. Pode não parecer tão fofo na minha descrição, mas se você visse, entenderia. Após um tempo, apenas Percy e eu estávamos acordados.

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Percy: As crianças já dormiram. Agora eu e você já podemos dar uns pegas.

Ri e dei um soco nele.

Eu: Besta.

Ele estava com um sorriso igual ao meu no rosto. Ele é muito lindo.

Percy: Eu estou falando sério. Nós realmente devíamos nos beijar.

Eu: Para! Muito abusado você, hein?

Percy: Por favor! Eu estou carente.

Ele fez um biquinho. Eu imitei.

Eu: Hum, só porque você é muito fofo.

Puxei o rosto dele para o meu, selando os nossos lábios. Começou apenas como uma pressão de lábios, meus contra os dele, mas foi se intensificando. Logo, virou um beijo de verdade. Daqueles de boca aberta, sabe? E nós fizemos a coisa que éramos acusados de fazer pela minha mãe. Fizemos aquele lance da língua. As mãos de Percy deslizavam por minhas costas e apertavam as minhas curvas, enquanto eu acariciava seu couro cabeludo e segurava a gola da camiseta dele. Acho que essa foi a frase mais fanfic que eu já falei na minha vida inteira. Uma das mãos dele chegou ao final da minha camiseta e passou para dentro. A mão dele estava quente, ao contrário da minha pele gelada (efeito colateral pós-visão) e isso me fez formigar. Até aí tudo bem. Mas a mão dele começou a subir. Foi então que eu interrompi o beijo.

Eu: Ei. Você está muito animadinho pro meu gosto.

Percy: Ah, você acha?

Ele me puxou para perto, de novo, e começou a beijar o meu pescoço. Mas não parou por aí. Ele começou a mordiscar as áreas que ele beijava, e depois, chupou. Aquilo iria deixar mais marcas roxas.

A mão dele voltou para dentro da minha blusa. Eu queria parar, mas estava paralisada. Estava gostando daquilo. Mas deveria parar.

Minha respiração estava acelerada, e meus batimentos cardíacos também. Eu não sabia se era por causa da anemia, ou do que estava acontecendo.

Eu: Percy, olhe onde estamos. Isso é lugar?

Percy: O lugar não importa. – retrucou ele, com os lábios colados já em minha nuca.

Eu: Percy...

Ele desgrudou os lábios do meu pescoço e voltou para onde eu pudesse vê-lo.

Percy: O quê?

Acariciei o rosto dele.

Eu: Não. Não antes de casarmos.

Percy: Por que não?

Eu: Porque nós somos muito jovens, porque foi comprovado que casais que esperam o casamento desenvolvem uma vida sexual melhor, porque estamos debaixo da terra e nossos amigos estão aqui, e porque isso é estranho. Então, por favor, acalme o andar de baixo e vamos parar de falar disso porque é muito esquisito.

Ele bufou.

Percy: Tá.

Pisquei para ele. Dei um beijo final nele e decidi parar por ali.

Percy: Isso quer dizer que nós vamos casar?

Abaixei as sobrancelhas e olhei seriamente para ele.

Eu: Sério que de todo o meu sermão foi tudo isso que você digeriu?

Ele começou a rir. Eu tive de rir também.

Percy: Sei lá. Mas nós vamos?

Dei de ombros.

Eu: Estamos apaixonados, não estamos?

Percy: Sim.

Eu: Então, tá aí. Não precisamos de mais nada. A não ser que você não me ame o suficiente, ou não me julgue boa pra casar...

Percy: Não! Não é nada disso. Eu quero casar com você. É só que... você sabe...

Eu: Sim, eu sei. Mas nós vamos passar por cima disso, eu tenho certeza. Eu vou me esforçar ao máximo que eu conseguir pra não fazer isso com você. Veja, eu te amo. Eu... eu acho mesmo que você deveria se afastar de mim para o seu próprio bem.

Percy: Não. A gente já discutiu isso e a resposta é não. Pare de repetir isso.

Eu: Então, considerando que você é um baita teimoso, eu vou me esforçar pra expulsar aquele espírito maligno sei lá das quantas que vai me possuir, e nós vamos derrotar a Terceira Pessoa. E depois disso, nós vamos nos casar e viver uma vida feliz. Entendeu?

Ele fez que sim com a cabeça.

Eu: Ótimo.

Abracei o tronco dele e deitei a minha cabeça em seu ombro. Ele abraçou as minhas costas.

Percy: Você já descobriu quem é a Segunda Pessoa?

Eu: Píton. A serpente.

Percy: Ah. Isso faz todo o sentido.

Eu: Faz mesmo, não faz?

Ele assentiu.

Eu: Deixe que eu faço a primeira vigia. Eu já dormi bastante.

Ele não protestou. Deitou a cabeça no meu colo e começou a roncar. E babar. Muito legal isso. Eu afaguei os cabelos dele e deixei-o dormir. Hoje não havíamos enfrentado monstros, graças aos deuses. Mas, ainda assim, o dia fora cansativo. Sem contar que ele andara até o centro da cidade. A pé. Sozinho. Merecia dormir, mesmo que já tivesse tirado um cochilo no ônibus. E, sabe? Eu o amo. Muito mesmo. Essa sensação a gente só têm uma vez na vida, quem sabe duas, se tiver sorte. E é uma coisa muito boa, quando eu me sentir triste, poder me aconchegar nos braços dele e sentir o seu calor humano e o seu cheiro de maresia. Também sou feliz por ter você pra desabafar. Muito obrigado por ter paciência com o meu ser imbecil e aturar a minha ladainha. Você é muito legal por isso.

Notas finais
COMENTEM!!! por favor, vai?