Raphaella Harmon: A Volta De Um Velho Inimigo

6 Meu Melhor Amigo se Afoga e Percy Luta Com Luke


Notas iniciais
Recomendo que você deixe essa música carregando: http://letras.mus.br/damien-rice/160783/. Mas só dê play quando eu disser
(Mil desculpas por demorar para postar!!! É que eu tô meio atrasada com a 3ª temporada :S)

Bangor; Túnel Abaixo do St. Joseph Hospital; Domingo; 06:24 da manhã;

Percy: Por favooooor!!!

Eu: Não.

Ele fez de novo aquela cara de bebê foca precisando de carinho. Eu me esforcei para manter a minha expressão de durona no rosto e os braços cruzados. Ele juntou as duas mãos e colocou na minha frente.

Percy: Por favooooooooor!!!

Eu: Não.

Ah, não. Biquinho não.

Percy: Por favor.

Eu: Não. Não, não e não. Quantas vezes vou ter de falar essa palavra?

Percy: Meu amor...

Eu: Não. E se você se perder?

Percy: Eu me acho.

Eu: E se um monstro te atacar?

Percy: Eu mato ele, por você.

Eu: E se uma legião de monstros te atacar?

Percy: Eu mato a legião. Por você.

Eu: E se todos os monstros do mundo te atacarem?

Percy: Eu mato todos. Por você.

Eu: Ainda não me convenci.

Percy: Desculpe, você e Annabeth não tiveram essa mesma discussão há um ano atrás, e ela ficou sozinha e sobreviveu?

Eu: É diferente.

Percy: Nós fomos pra um país diferente do que deixamos ela.

Eu: Eu disse que era diferente.

Percy: Engraçada você, não é?

Eu: Cale a boca. Nós estamos no subterrâneo. Eu estou conseguindo sentir o cheiro dos monstros.

Percy: Ah, vamos lá.

Eu: Além do fato de que eu gosto mais de você do que de Annabeth.

Annabeth: Ei!

Eu: Eu ainda te amo, amiga. E, eu não posso deixar você fazer isso. Não sozinho.

Ele fez a cara mais fofa de bebê foca que eu já havia visto ele fazendo na minha vida toda. Fez um biquinho. Eu tive mesmo que me segurar para não começar a fazer carinho nele e ceder a todas as suas vontades. Mas eu mantive a minha expressão de durona. Uma sobrancelha erguida, uma abaixada. Braços cruzados. Assim sim.

Percy: Por favor.

Eu: Não.

Charlie: Impossível!

Annabeth: Mulher sem coração.

Luke: Ser de pedra.

Eu: Calem a boca, vocês.

Clarisse, a única pessoa que ainda estava dormindo, gemeu, dando sinal de vida. O sono/coma dela estava tão profundo que eu cheguei a checar sua pulsação, garantindo que ela estava viva. Ela se mexeu e acordou. Se sentou e ficou observando a cena.

Clarisse: Qual é a discussão?

Charlie: Percy disse que está sentindo o mar. Ele quer ir explorar e descobrir onde isso vai chegar. Rapha, porém, não deixa ele ir sozinho.

Percy: Por favoooooor!

Eu: Não, droga! Chega dessa discussão! Você não vai, porque eu quero você do meu lado, onde eu possa te ver e saber que você está bem. Entendeu, Perseu Jackson?

Ele fez bico e abaixou a cabeça. Eu me senti como se eu tivesse o coração mais duro de todos.

Percy: Entendi.

De repente, ele me deu um abraço e afundou a cara no meu ombro. Eu correspondi, abracei os ombros dele. Depois dessa, não consegui manter a minha expressão de durona.

Percy: Têm razão. Obrigado por se preocupar comigo. Eu te amo.

Ele desfez o nosso abraço, me puxou pelas bochechas e me deu um beijo. Aquilo não me fez me sentir melhor. Fez com que eu me sentisse um monstro. Ele foi para longe de mim e pegou um sanduíche que começou a comer. Eu fui para perto de Clarisse.

Clarisse: A julgar que por um segundo eu quase senti uma pontada de pena dele, eu imagino que você não deve estar se sentindo muito bem.

Eu: Clarisse, eu sou a pessoa mais sem coração do mundo. Ele só queria achar a casa dele.

Clarisse: Não, nada disso. Ele quer é fugir de você.

Eu: Coisa da qual ele têm todo o direito, considerando que eu vou mata-lo.

Clarisse: Você não entende nada de relacionamentos.

Arqueei as sobrancelhas.

Eu: Seu pai é o deus da guerra. Guerra é a inimiga dos relacionamentos.

Clarisse: O amor e o ódio andam de mãos dadas.

Eu: Mas em orelhas separadas.

Ela franziu o cenho.

Clarisse: Como é?

Eu: Nada. Jenna me deu uns brincos que diziam “amor” e “ódio” e me disse essa frase. O amor e o ódio andam de mãos dadas, mas em orelhas separadas.

Clarisse: Ah. Voltando ao assunto, ele está tentando sair em uma aventura perigosa no subterrâneo, onde tem muitos monstros, e sozinho. Por que você acha que ele não te chamou pra ir com ele?

Eu: Porque ele sabe que eu tenho que achar os meus irmãos.

Clarisse: Errado. Porque ele quer ir sozinho.

Franzi o cenho.

Eu: Como assim?

Clarisse: Dã! Ele acha que você não está pronta pra esses perigos que ele pode achar no caminho. Que você é muito frágil e doce pros monstros.

Eu: Eu? Estamos falando da mesma garota que usa coturnos e calça camuflada e é chamada de soldado pelos irmãos?

Ela deu de ombros.

Clarisse: Você é adorável. Mas ele tem medo de te perder. Acha que você é ingênua e não pode lidar com os monstros.

Eu: Então, ele quer me proteger.

Clarisse: Pois é.

Annabeth: Rapha, acende uma luzinha aí para nós, por favor?

Acendi os dedos da mão esquerda e reuni as chamas. Fiquei brincando com a luz, passando ela por entre os dedos.

Clarisse: Eu sou obrigada a admitir que isso é muito legal.

Eu: Obrigada. Continue.

Clarisse: Então, ele acha que você é ingênua.

Eu: Sei, mas você não disse que ele estava indo para ficar longe de mim?

Clarisse: Sim. Ele está. Ele está achando que todos esses problemas que você está tendo na sua vida, são por culpa dele. Todas as suas inseguranças geradas por ele. Que você acabou se concentrando nele demais, e se esqueceu dos outros perigos.

Eu apenas assentia, mas não entendia palavra nenhuma. Não vou dizer que era como se ela falasse grego, porque, você sabe, eu falo grego.

Eu: Uau. Você sabe essas coisas.

Clarisse: É. Eu sei.

Nós nos entreolhamos e começamos a rir. Sério que Clarisse La Rue estava me dando conselhos de namoro?

Eu: Você... você está passando muito tempo com Silena – falei, entre risos.

Clarisse: É, eu estou mesmo.

Respiramos fundo e nos acalmamos. Logo paramos de rir.

Eu: Sabe, Clarisse, você é legal.

Clarisse: Está insinuando que as pessoas me acham chata?

Eu: Sem ofensa, mas é mentira?

Ela demorou um tempo para responder.

Clarisse: Não.

Eu: Então, mas todo mundo acha errado. Você é bem legal. Só precisa de alguém que se identifique com você.

Clarisse: Como a minha única amiga no acampamento, Silena Beuregard.

Eu: Não foi o que eu quis dizer. Ué, o amor e o ódio andam de mãos dadas.

Clarisse: Mas em orelhas separadas.

Eu: Bem pensado. Mas o que eu queria dizer era que você têm gostos diferentes da maioria da população. É difícil ser considerado legal assim. Só precisa de alguém que goste das mesmas coisas que você, pra te entender.

Clarisse: No caso, você está falando da garota que usa roupas camufladas, coturnos e jaquetas com spikes?

Dei de ombros.

Eu: Não era indireta para ninguém, mas já que você me mencionou...

Clarisse: Entendi. Bem que você têm razão. Nós somos parecidas.

Eu: Somos. Sim, nós somos.

E um silêncio meio estranho ficou por um tempo.

Eu: Mas, gente, o que nós estamos esperando pra ir?

Annabeth: A primeira ordem.

Eu: Nesse caso, vamos!

Fomos marchando na direção da esquerda, onde eu me lembrava de ter visto meus irmãos indo.

O túnel tinha o teto de barro e o chão também. A diferença era que o barro do chão era mais seco, e estava mais formulado, como degraus. Eu lhe disse que era uma descida. Eu fui na frente, acesa, para que as pessoas pudessem ver melhor. Eu era uma lanterna humana. Quer dizer, meio-humana, considerando que sou meio-deusa. Vez ou outra nós encontrávamos botões na parede, o que era meio estranho, e achamos melhor não apertar. Com o tempo, o túnel foi ficando mais apresentável e passou a ser de tijolos. O chão também. Nós fomos andando em frente, considerando que o túnel não fazia curvas, nem mostrava outras portas, certo? Errado. Chegamos a um ponto em que tivemos de parar para escolher. Estávamos em uma câmara do tamanho de uma sala de aula. O teto ficava há três metros de altura. Haviam duas passagens, ambas bloqueadas por portas de madeira e um cadeado de prata ASSUSTADOR. E um cara. Aliás, dois caras em um.

A primeira coisa que reparei nele foram os rostos. Ele tinha dois, cara. Muito estranho. Eles se projetavam das laterais da cabeça, sobre os ombros. Sem dúvida, a cabeça por si própria era enorme. Ele usava sobretudo, sapatos engraxados e uma cartola. Por mais estranho que pareça, a cartola estava sobre a cabeça dupla. Ele tinha a chave dos cadeados que passava da mão esquerda para a direita.

Da direita: Vai ficar olhando para mim, Raphaella? Vamos! Entre logo!

Eu franzi o cenho.

Eu: Entrar onde?

Da direita: Ora, em meu túnel, é claro.

Da esquerda: Ignore-o, Raphaella. Ele é um grosso.

Eu: Tô boiando.

Da esquerda: Entre no meu túnel.

Eu: Mas para onde esses túneis levam?

Da esquerda: Um leva para o caminho que vocês desejam.

Da direita: E o outro leva para a morte certa.

Eu: Ah. Continuo boiando.

Annabeth me puxou para trás pelo braço.

Annabeth: Ele é Jano. O Senhor das Portas e das Escolhas.

Eu: Ah. Nunca ouvi falar.

Quando eu olhava para esse Jano não conseguia deixar de focalizar em um dos rostos. Era impossível. E era isso que ele queria, como sendo o Senhor das Escolhas – queria que eu escolhesse.

Eu: Hã... Só eu acho que seria melhor se a gente voltasse?

Annabeth: Voltasse pra onde?

Olhei para trás pronta para falar “Pros cafundé” quando vi que o túnel de onde tínhamos vindo havia sumido. Estava fechado. Tampado com um muro de tijolos. Eu fiquei sem fala.

Eu: Bem... eu escolho...

Percy: Não escolha!

Ele olhou para mim, apreensivo. Eu acho que não era a única pessoa naquela sala que achava que a escolha estava um pouco além de duas portas.

Da esquerda: A escolha é apenas sua.

Da direita: Uma decisão errada e vocês todos morrem.

Da esquerda: Você manda, é a líder da missão. Sem pressão.

Da direita: A responsabilidade está totalmente com você.

Eu: Hã...

Não sabia o que falar, mesmo.

Da esquerda: Você terá de fazer essa escolha mais cedo ou mais tarde. Nós a conhecemos, Raphaella. Conhecemos os seus medos. A escolha errada pode te levar a um futuro que você nem conhece, mas a certa pode e levar ao que você deseja.

Eu só desejava manter Percy vivo.

Da direita: Nós sabemos que você está prestes a fazer uma escolha que pode mudar o destino da humanidade, da sua família, dos seus pais. Até do próprio Zeus.

Da esquerda: Mas lembre-se: sem pressão.

Da direita: Vamos logo! Escolha! Não temos o dia todo.

Eu: Hã...

Da direita: Ela sabe falar?

Da esquerda: Você está pressionando ela!

Da direita: Você que está!

Eu: Eu... eu escolho...

Mordi a unha do dedo indicador. É uma coisa que eu fazia quando estava nervosa.

Eu: Eu escolho...

Da esquerda: Aliás, se você não escolher rápido, um não vai junto.

Da direita: Vai ficar aqui, conosco.

Vi que uma corrente havia se prendido ao meu tornozelo. Eu me preocupei e bastante.

Eu: Ai, meus deuses.

Charlie: Ela não. Deixem que eu fico.

Os olhos de Jano se entreolharam.

Jano: Ok.

Eu: Não!

E a corrente se soltou do meu tornozelo e se enrolou no dele.

Ambos: Escolha rápido.

Eu: Eu...

Percy: Eu sinto o mar.

Olhei pra ele com uma cara de “Fala sério!”

Eu: Percy, você já disse isso ontem à noite! Isso lá é hora?

Percy: Não, eu sinto perto. Está se aproximando.

Eu: Como assim?

Percy: É sério!

Ouvi um ruído. Realmente, parecia uma onda, mas não tinha de onde vir.

Eu: Santo Poseidon.

Percy: Está vindo.

Eu: É, eu estou ouvindo.

O ruído aumentou, como se a onda chegasse mais perto.

Jano: Hã... até mais! – disseram ambos os rostos em uníssono antes de colocarem a chave no ar e desaparecer em meio à névoa.

O barulho ficou mais alto.

Eu: E agora? O que vamos fazer?

Percy: Está chegando.

Eu: É, nós estamos percebendo, mas não sabemos o que fazer em relação a isso.

O barulho ficou estrondoso.

Katie: FAÇAM ALGUMA COISA!

Era impressionante o jeito como ela gostava de dar ordens. Será que Deméter era assim?

Por alguma razão, a câmara onde nós estávamos começou a ficar metálica, mas não dos dois lados. Apenas do lado onde estavam as portas de Jano. As portas, anteriormente de madeira, começaram a se metalizar. Foram ficando retas, e quando encostei a mão nelas, eram lisas. E não havia passagem para a água. Tudo completamente fechado. As paredes também ficaram assim.

Eu: Legal. A água vai chegar e não vai ter como sair. Gente, boa notícia: vamos morrer afogados.

Todos olharam aterrorizados para nós.

Katie: O QUÊ? VOCÊ NEM CHEGA A ESCOLHER A MALDITA PORTA, MAS AINDA ASSIM DIZ QUE NÓS VAMOS MORRER? EMPURRE A PORTA, TENTE ACHAR UMA SAÍDA, MAS NÃO ME DIGA QUE NÓS VAMOS MORRER! Percy! Você é filho de Poseidon. Por que não tenta controlar essa água?

Percy: Ela está vindo com ordens de Poseidon. Só ele próprio pode pará-la, e acho que expulsando Jano daqui e fazendo Rapha não ter de escolher a morte direta para nós, ele já fez a sua boa ação diária.

Eu: Mas tente!

Percy: Vou tentar.

A água começou a entrar na câmara por entre os tijolos. Eu me desesperei.

Eu: Ai, droga, droga, droga, droga, droga!

Annabeth: Ok, nada de pânico.

Clarisse: Não venha com essa de nada de pânico, Garota Esperta.

Annabeth: Clarisse, agora não.

Eu: Podem entrar em pânico.

Silena soltou um gritinho semelhante à uma taça de vidro se partindo no chão e desmaiou nos braços de Charlie. Em seguida ela já acordou e se levantou. A água já chegava nos meus tornozelos.

Eu: Calma. Também não precisa disso. Annabeth?

Annabeth: Luke, você pode tentar abrir o cadeado?

Luke: Posso tentar.

Ele andou até uma das portas e encostou a mão no cadeado. Se concentrou a ponto de escorrer suor de seu pescoço. A água já estava quase em meus joelhos.

Luke: Nada. Não rola mesmo.

Eu: Charlie, você já pode entrar em pânico.

Uma voz sibilou e começou a rir. Eu conhecia aquela voz.

Eu: Píton.

A serpente riu mais ainda.

Píton: Olá, heroizinhos. Como vão?

Percy destampou Contracorrente.

Percy: Mostre a cara, sua serpente demoníaca.

Píton: Oh, perdão. Não vai ser hoje. Nem tente fugir, Raphaella Harmon. Agora, você me pertence. Juntas, eu e você mandaremos os deuses para o Tártaro e reinaremos ao lado de Hades.

Eu: Jamais vou fazer isso.

Píton: Você vai. Mais do que você imagina.

Eu: Devolva os meus irmãos, animal!

Píton: Seus irmãos? Eles estão te esperando. Na minha agradável companhia.

Eu: Não tem nada de agradável a sua companhia.

Clarisse: Lute, como um homem ou suma daqui!

Píton: Ah, você, filha de Ares. Você poderia ser uma grande aliada ao nosso exército. Seria uma ótima deusa da guerra.

Ela pareceu interessada na proposta.

Clarisse: O que você quer dizer com isso?

Píton: Eu, Hades, Raphaella Harmon e meu exército, juntos chegaremos ao Olimpo e mandaremos os deuses para o Tártaro e reinaremos. Como vingança por terem me matado.

Clarisse: Mas apenas Apolo te matou.

Píton: Por isso mesmo estou com Raphaella Harmon. Parte da vingança é vê-la derrubando-o e reinando em seu lugar. Adoraríamos mais gente para reinar conosco. Dá muito trabalho ser deus de tantas coisas, e você seria uma ótima deusa da guerra.

Clarisse: Continue.

Eu: Clarisse, não.

Clarisse: Por que não? Só você pode reinar?

Eu: Não é nada disso! É uma escolha ruim!

Píton: Junte-se ao exército vencedor, Clarisse La Rue. Mostre àquele seu maldito pai que você não têm nada de patética. Você é uma guerreira nata.

Clarisse estava se convencendo. Droga!

Clarisse: Não... nunca! Nunca lutaria contra meu pai! Eu vou honrar seu nome até a morte! Vá embora!

Uma onda de alívio me invadiu.

Píton: Eu vou, mas eu volto. Morram, heróis.

A serpente ficou sibilando, mas foi embora, considerando que o sibilo diminuiu.

Charlie: Tente uma flecha explosiva.

Senti que eu era a pessoa mais estúpida do mundo. Programei uma flecha explosiva. Nem enrolei de preparar Ópera e tal, só enfiei a flecha na entrada do cadeado. Todos nós nos pressionamos contra a parede oposta, Percy e eu nos abraçando. Em 6 segundos a flecha explodiu, mas foi como se o cadeado ignorasse totalmente à flecha. Serviu mais como um escudo da explosão para nós. Charlie estava furioso com a sua criação tendo dado errado.

Charlie: Mas seu cadeado filho duma...

Eu: Calma, Charlie. Tá tudo bem.

A água já estava na minha cintura.

Eu: A gente vai sair dessa. A gente vai sair dessa.

Clarisse: Para de repetir isso, Harmon! A gente não vai sair dessa. Percy vai viver um pouco mais do que nós, apenas comendo o seu néctar, a sua ambrosia e os seus sanduíches, e depois eu vai morrer de fome! Encare a realidade. Nós vamos morrer aqui.

Eu queria protestar, dizer que ela estava errada, que nós acharíamos um jeito, que nós sairíamos dali, mas ela tinha razão. Ela não estava errado. Não acharíamos um jeito. Não sairíamos dali.

Percy: Não. Não pode ser. Não pode terminar assim.

Eu: Percy, ela têm razão. Veja, não há como sair.

Percy: Isso não está certo. Não podia ser assim.

Eu: O que não podia ser assim?

Ele me olhou preocupado. A água já passava meu umbigo.

Percy: Eu tive um sonho, ontem à noite. Píton vinha falar comigo.

Eu: E o que ela dizia?

Percy: Dizia a razão pela qual você iria me matar. Ela disse que você só estaria livre dela, se fosse por mim. Só pode ser isso. Eu pedi a Poseidon que enviasse essas correntes. A culpa é toda minha.

Ele se sentou no chão, submergindo.

Eu: Percy, não fale uma coisa dessas. A culpa não é sua.

Percy: Me desculpe, me desculpe, me desculpe, me desculpe, Rapha!

Eu: Pare de falar isso. A culpa não é sua.

Percy: A culpa é minha! Eu queria te livrar de Jano – disse ele, ainda submerso. A voz subaquática dele era meio robótica e engraçada. – Não queria que a sua escolha afetasse o nosso relacionamento, então achei que seria melhor se você não escolhesse. Eu sentia o mar, mas não conseguia trazê-lo para perto. Pedi a Poseidon que me ajudasse, mandando o mar e ele fez isso. Agora, graças ao meu egoísmo, vocês todos vão morrer.

Olhei para os outros.

Eu: Gente, eu amo esse cara. – falei apontando para Percy.

Puxei ele para fora da água. Coloquei uma das mãos na bochecha dele e a outra eu repousei em seu peito. Ele estava completamente seco.

Eu: Você não têm nada de egoísta. A única pessoa aqui que pode ser considerada egoísta sou eu. Mesmo sabendo que eu vou te matar ainda te obrigo a ficar comigo.

Percy: Nós já discutimos isso um bilhão de vezes. Eu nunca deixei você ficar longe de mim. Estão entendendo? – ele questionou se virando para os outros. – Eu não a deixei ficar longe de mim, então não insinuem que ela é egoísta. Ela é uma boa pessoa.

Eu: De qualquer jeito. Sim, eu vou morrer agora, mas a culpa não é sua. Você queria apenas que nós ficássemos bem.

Katie: Mas nós não podemos desistir! Temos de achar alguma saída.

Clarisse: Aceite a realidade, Gardner! Nós vamos morrer agora!

Eu: Sile, pode tentar acalmá-las?

Silena: Garotas, fiquem calmas! Vai terminar tudo bem.

O poder de Silena, o chamado charme, funcionava tão bem que eu senti uma grande calma, naquela hora, e quase cheguei a acreditar que realmente terminaríamos bem.

As expressões de Clarisse e Katie se suavizaram.

Silena se virou de volta para Charlie e voltou a se despedir dele, afinal, ele morreria primeiro. A água começou a entrar mais rápido na câmara, e em maior quantidade. Àquela altura, ela já estava nos meus ombros.

Percy: Se importa se eu te segurar? É que, sabe, eu sou mais alto que você, e tal...

Eu: Esfrega. Esfrega na cara que eu sou baixinha.

Percy: É nada. Você têm uma altura normal para uma garota de dezessete anos.

Eu: Eu tenho 1,68. Você têm 1,78.

Ele deu de ombros.

Eu: Ok. Me segure.

Ele passou os braços dele por entre os meus e me levantou, deixando nossos rostos colados. Aproveitei para dar um beijo nele.

Eu: Você vai ficar bem.

E foi quando nós submergimos. A água passara nossas cabeças. Soltei Percy e comecei a nadar para cima, colocando minha cabeça para fora. Eu achava engraçado o jeito como meus cabelos ficavam lisos quando estavam molhados. Coloquei-os para trás.

Eu: Charlie!

Submergimos novamente e eu nadei até onde Charlie estava. Silena chorava, deitada em seu peito. Eu acariciei seu rosto.

Eu: Desculpe – falei só mexendo os lábios. – Eu te amo, amigo.

Ele deu um sorriso torto e acariciou meu rosto. A água entrou no meu nariz e na minha boca, o que era horrível, então eu emergi novamente, engasgando. O teto estava um pouco mais de dois metros mais próximo de mim.

Katie: Jackson, tente achar alguma passagem secreta debaixo d’água, nos cantos das paredes.

Percy assentiu e submergiu.

Eu: Katie, você já tentou alguma planta que pudesse estourar o cadeado?

Ela mexeu os dedos e uns galhos cresceram ao redor de ambos os cadeados e puxaram. Nenhum resultado.

Eu: Continue tentando. Clarisse, venha comigo. Vamos tentar estourar a corrente de Charlie.

Nós duas submergimos e nadamos até a corrente nos pés dele. Tentamos estourar a corrente. Puxamos, mordemos, tentamos nadar segurando ela, mas nada. Claro, como já era de se esperar, Charlie desmaiou depois de um tempo, e eu e Silena entramos em pânico. Sabe, anemia é falta de oxigênio no sangue, então eu precisava ficar o tempo todo, emergida, respirando, mas eu estava pouco me lixando pra isso. Queria salvar Charlie. Mas eu desisti. Aquela corrente não iria soltá-lo, de jeito nenhum. Silena começou a chorar. Nós emergimos. O teto estava há alguns centímetros. Percy emergiu ao mesmo tempo que nós. Silena abraçou Clarisse, que a consolou.

Percy: Nada?

Eu: Nada. E com você?

Percy: Nenhuma passagem secreta, nenhum botão, nada. Não pode terminar assim! NÃO PODE!

(N/A: Pode colocar a música agora ;D)

Agarrei as bochechas dele.

Eu: CONTROLE-SE, HOMEM!

Percy: Desculpe. Mas você não pode morrer, Rapha! Não agora! Nem nunca! Nós precisamos achar uma saída.

Eu: Percy, nós já tentamos, mas não dá! Não há saída! Olhe, eu vou morrer aqui, e agora, e você vai achar um jeito de escapar e sobreviver! Ache meus irmãos, liberte-os, e não deixe que Píton possa te atrair para o mal. Você vai ser um grande herói. Agora, por favor, pare de reclamar e deixe que eu possa aproveitar nossos últimos momentos juntos!

Relutante, ele assentiu. Puxei a sua cabeça, e nós começamos o nosso possível último beijo, de bocas abertas e tudo. Emergimos. Nossas línguas começaram a Terceira Guerra Não Tão Mundial Assim.

Eu me senti tonta. As coisas não faziam mais sentido para mim. Abri os olhos e vi duas coisas meio arredondadas com aspecto cor-de-pele na minha frente. (No caso, porém não identificado na hora, as pálpebras de Percy, ok?) Depois olhei um pouco mais ao redor e vi um homem de meia-idade, barba bem aparada, que usava uma camisa havaiana colorida e uma bermuda. A pele era queimada de sol e ele não me era estranho. Ele piscou para mim e sumiu. Eu não entendia nada. Eu sentia minha boca se mexendo, mas não sentia a boca. Havia água para todos os lados. Do nada, duas coisas prateadas estouraram e eu me senti sendo levada por uma correnteza. E eu estava sendo levada com força e para longe. Via alguns borrões, e também uns pontos pretos, mas não identificava nada. Logo fui parada por alguma coisa dura que bateu nas minhas costas e eu fui lançada no chão. Bati de cara. Foi então que eu percebi: eu estava respirando de novo.

E me toquei do que estava acontecendo. Poseidon nos ajudara novamente, e fez as águas arrebentarem as portas de Jano. A correnteza havia nos lançado diretamente para algum lugar. Porém, eu não via nada. Estava tudo preto. Eu não conseguia me mexer. Mas eu ouvia. Eu ouvia tudo ao meu redor. Ouvia alguns engasgos, ao meu redor, algumas vozes conhecidas, porém que eu ainda não conseguia identificar, e ouvia um choro desesperado. Aliás, dois. Um deles veio pra perto de mim. E o ser dizia “Ah, meus deuses, será que ela vai sobreviver?” Só então eu percebi que a minha boca estava aberta, porque, o ser chorão fez respiração boca à boca em mim. Engasguei e cuspi 432752 litros de água. Assim, eu me levantei e comecei a ver mais claramente. Percy estava na minha frente, seus olhos estavam vermelhos e inchados, e ele parecia preocupado.

Percy: Qual é o meu nome?

Eu: Perseu Jackson.

Percy: Quantos anos eu tenho?

Eu: A mesma idade que eu: dezessete.

Percy: Como se chama a sua mãe?

Eu: Elizabeth-Patricia Harmon.

Percy: E o seu pai?

Eu: É o deus grego, Apolo. Eu estou bem.

Percy: Estou vendo.

Olhei para as outras pessoas que estavam lá. Nós estávamos na sala em que Píton mantivera meus irmãos em cativeiro. Silena estava chorando, jogada no peito de Charlie, cuja corrente do pé havia sido arrancada com a força da água. Me levantei e fui correndo até eles. Me ajoelhei ao lado dela. Peguei o pulso de Charlie e conferi a pulsação. Nada. Coloquei meu dedo debaixo do nariz dele. Inutilmente. Aproximei meu ouvido da boca dele, de modo que eu pudesse ouvir sua respiração. O problema foi que eu não ouvi. Chequei a pulsação dele de todos os modos que havia aprendido em meus cursos de primeiros socorros. Nada. O coração dele não estava batendo. Ele não estava respirando. Peguei a mão dele e apertei. Mesmo com meus poderes medicinais eu não sentia o sangue dele correndo nas veias. Eu não sentia vida nele.

Eu: Não. Não pode ser. Charlie!

Levantei-o pelos ombros. Meus olhos estavam cheios de lágrimas.

Eu: Charlie! Charlie, acorde!

Minha voz estava embargada. Eu o balançava, pelos ombros, tentando acordá-lo. O que é uma ironia, considerando que como eu era o mais próximo de médico que tínhamos lá, eu deveria ser a primeira a me conformar que ele estava morto.

Eu: Charlie!

Charlie! Está me ouvindo, Charles? Charles Beckendorf, acorde agora!

Percy: Rapha...

Me virei para ele.

Eu: Ele não pode estar morto, Percy! Ele não pode! – me voltei para Charlie. – Charles! Charles Beckendorf! Charles, filho de Hefesto! Me ouça! Acorde!

Silena: Rapha, ele foi. Ficou muito tempo debaixo d’água.

Eu: Silena, ele não pode estar morto! Ele é um semideus! É muito mais forte do que os meros mortais!

Silena: Ele ficou muito tempo sem respirar. Temos de encarar a realidade.

Eu: Não. Eu me recuso a aceitar que ele está morto. Eu nunca vou encarar essa realidade!

Annabeth: Rapha...

Eu: Você não entende, Annabeth! Esse cara é o meu melhor amigo! Ele me deu uma aljava superlouca de aniversário, muito melhor do que o que eu mereço! Ele foi uma das pessoas que me apoiaram com Percy no começo, um dos primeiros que achou que nós fossemos namorados antes de nós sermos! Ele é o irmão mais velho que eu não tive à minha vida toda, e de todos os irmãos que eu tenho, acho que o meu preferido!

Annabeth foi chegando mais perto de mim. Ela se ajoelhou à minha frente.

Annabeth: Rapha...

Eu: Annabeth, ele não pode ter ido! Não pode morrer! Não hoje! Não agora! De preferência, nunca! Charlie...

Eu me afundei em lágrimas no peito de Annabeth, que me abraçou e ficou afagando meus cabelos. O que eu queria mesmo era ir com Charlie. Meus olhos estavam fechados, e eu não queria os abrir. Não queria ver um mundo sem Charles Beckendorf. Porque esse mundo não fazia sentido. Eu pressionava minhas pálpebras forte, esperando o momento certo para abrir e ver que aquilo era apenas um sonho, uma ilusão, sei lá, eu estava aceitando até uma visão, e ver que ele ainda estava vivo. Vê-lo ajoelhado ao lado de Silena e dizendo Ah, oi, Rapha. Você já viu essas cadeiras? Devem ter sido feitas por Dédalo, porque, cara, o projeto delas é demais. Mas isso não aconteceu. Quando eu abri os olhos, ainda estava naquele mesmo lugar, chorando em Annabeth, ao lado de Silena Beauregard, a viúva, e o falecido Charles Beckendorf. Eu queria morrer. A dor estava me consumindo por dentro. Fiz uma promessa a mim mesma que se as coisas dessem errado e eu realmente acabasse sendo rainha do Mundo Inferior, traria ele de volta. Por quê? Por que aquilo acontecera? Charlie não merecia morrer. Ele merecia viver eternamente. Ou será que aquilo era um castigo dos deuses para mim? Ah, eu não queria nem saber. Só queria Charlie de volta. Eu sentia como se meu peito estivesse me sugando para dentro de mim. E eu estava torcendo para isso acontecer, mesmo. Mas aí lembrei de meus irmãos, que precisavam de mim. E decidi que era hora de acha-los. Engoli o choro. Me esforcei para parar de soluçar, mas eu não ia limpar as lágrimas. Levantei. Bem, nossas mochilas, minha aljava (presente do próprio morto), tudo estava lá. Coloquei a mochila nas costas, pendurei a aljava no braço, e por uma pequena necessidade momentânea de carinho, beijei Percy. Mas foi rapidinho. Alguma coisa sibilou na escuridão. Píton, claro. Eu armei meu arco, e todos brandiram suas armas. Eu não vou listar quem pegou o quê, porque iria demorar.

Eu: O que você quer dessa vez? Vai, pelo menos, aparecer?

Píton: Parabéns, heróis! Vocês sobreviveram!

Clarisse: A vá?

Píton: Já que vocês estão tão ansiosos para admirar a minha beleza, eu vou aparecer.

Alguma coisa semelhante a um chicote escamoso apareceu e pegou o meu arco. Foi tão rápido que eu nem consegui ver o que era. Em milésimos de segundo também pegou Contracorrente, e todas as armas das outras pessoas.

A serpente passou para a luz, onde podíamos vê-la, e eu senti uma ligeira vontade de vomitar. Ela tinha uns seis metros de comprimento, uma pele escamosa, verde e marrom (e meio nojenta), olhos totalmente pretos. Tinha a mesma grossura de um poste de rua.

Píton: Olá, querida amiga.

Eu: Onde estão meus irmãos?

Píton: Guardados. Com todo o carinho.

Eu: Sei.

Píton: Mas eu não estou aqui para falar com você. Vim falar com seu querido amado, Percy Jackson.

Percy: O que você quer?

Píton: Filho de Poseidon, você já sabe que é inútil lutar. Ela já está totalmente em minhas mãos.

Percy: Não está! Não está mesmo! Ela não quer, de jeito nenhum, fazer isso! Diga à Píton que você odeia essa ideia, Rapha!

Eu: Eu odeio totalmente! Eu jamais faria uma coisa como essa.

Píton: Não se intrometa, Raphaella Harmon!

Eu: Me intrometo onde eu quiser.

Píton: Sabe, Percy Jackson, eu também já presenciei brigas e ciúmes. Por que acha que Hera me mandou perseguir Leto quando estava grávida de Ártemis e Apolo? Ciúmes. Por que acha que Hera me mandou perseguir Ártemis e Apolo? Ciúmes. Mas eu só vou te dar um aviso: não vou perseguir Luke Castellan.

Uma onda de raiva me invadiu. Percy não parecia tão confuso quanto eu achei que pareceria.

Percy: Eu... eu não sei do que você está falando.

Píton: Ah, claro que sabe. Não se faça de bobo só porque está na frente da sua namoradinha. Fale a verdade.

Eu: É, Percy. Fale a verdade.

Percy: Sério que você vai defender Píton?

Píton: Você pode ainda não ter percebido, mas ainda guarda rancor de Luke Castellan. Ainda tem raiva dele.

Percy: Claro que não. Essa história já é passado.

Píton: Você não é muito diferente dele, Filho de Hermes – acusou, dirigindo-se a Luke. – Continua bravo com Percy Jackson por ter roubado sua garota de você.

Luke também não parecia estar muito surpreso.

Luke: Errado. Eu já entendi toda a história.

Píton: Não, você não entendeu. Você se convenceu de que ele está mesmo apaixonado por Raphaella Harmon, e que assim deixa de ameaçar o seu relacionamento. Mas ainda tem medo.

Annabeth: Luke, isso é verdade?

Eu: Percy?

Ambos se entreolharam. Não entendi bem a razão, mas fizeram cara de mau. Não pareciam nada felizes.

Percy: Luke nos traiu. Quase morri por causa dele diversas vezes. Annabeth quase escapou de mim pra ele. E ele e Rapha estão muito próximos pro meu gosto.

Luke: Percy roubou Annabeth de mim. Ela gostava de mim primeiro. E eu tenho certeza de que ele planeja fazer isso de novo.

Píton parecia estar assistindo a um show da Broadway.

Eu: Percy!

Annabeth: Luke!

Píton: Por que não resolvem isso em uma batalha? Um contra o outro?

Os dois estavam quase espumando.

Ambos: Aceito.

Píton riu e sibilou. O chão tremeu e o teto também e nós começamos a subir. Subimos até sairmos do subterrâneo. Eu fechei os olhos, pois não queria ver aquilo. Quando abri, nós estávamos em um coliseu. Eu entrei em pânico, pois sabia que seria em um coliseu que mataria Percy. Mas eu olhei para os lados e analisei a situação. Considerando que eu não estava usando armadura, achei que não seria agora. Eu usava uma toga branca no estilo grego, que terminava dois dedos acima dos joelhos. Era sem mangas e tinha um decote circular um pouco generoso. Ópera não estava no meu pescoço. Levei a mão ao cabelo. Eu usava uma flor que prendia uma parte do cabelo atrás da orelha. Eu estava na plateia. O público era formado por dracaenae, semideuses e alguns tipos inidentificáveis de monstros. Annabeth estava vestida igual a mim, no ponto oposto da plateia.

Eu: O que fazemos? – perguntei, apenas mexendo a boca.

Annabeth: Não sei – ela respondeu ao mesmo estilo que eu.

Levei a mão à testa, em preocupação. Olhei para a cabine do mediador. Píton estava lá, apoiada na grade, olhando para a arena. Aquela dracaena, Sess, estava lá, também. O que mais me assustou foi as outras pessoas que estavam lá. Lee, Will e Jenna estavam amarrados em cadeiras, lá dentro, com os rostos todos roxos e cortados, e os três apagados. Senti meu coração apertando. Voltei meus olhos para o campo da arena. Aquilo não ia parar de piorar?

Percy e Luke estavam lá, ambos usando armaduras gregas. Como sou uma pessoa muito infantil, tive de resistir ao impulso de rir, já que eles estavam usando saia. Percy estava com Contracorrente na mão e Luke estava com sua espada, que era metade bronze celestial e metade aço, Mordecostas. Matava monstros e mortais. Os dois pareciam confusos. Eu acho que entrei em pânico.

Píton: Entretenham-nos!

Eles olharam um para o outro e estreitaram os olhos. Estavam furiosos.

Ah, Píton, pensei, vá se ferrar!

Eles brandiram as espadas e correram um na direção do outro. Percy desceu a lâmina na direção da cabeça de Luke e eu roí as unhas, mas Luke se defendeu. Ele tentou de novo por baixo, e Luke se defendeu novamente. Ele levou Mordecostas com tudo diretamente para o pescoço de Percy, e o desespero tomou conta de mim, mas Percy é muito ninja e se abaixou em um movimento mega sensual, desviando. Luke varreu as pernas de Percy em uma rasteira, que o derrubou no chão e fez um corte em sua bochecha. Levei as mãos à boca. Felizmente, Percy se apoiou em seus braços – o que acabou me mostrando um pouquinho mais do que o que eu queria ver – e se levantou, e imediatamente virou a espada na direção de Luke, que bateu a dele contra, defendendo-se. Luke deu um mortal invertido (garotos a-do-ram fazer charme pras namoradas que estão na plateia) e chutou a garganta de Percy. Annabeth pareceu encantada e preocupada ao mesmo tempo, o que foi estranho de ver. Revirei os olhos. Percy virou o rosto de volta para ele. Estava com um corte debaixo do olho esquerdo e um roxo debaixo da boca. Também estava espumando de raiva.

Percy: POR POSEIDON!

E desceu Contracorrente com tudo no rosto de Luke, que bobeou e acabou com um corte novo no rosto. Percy varreu os pés dele com a espada e o derrubou no chão, fazendo um corte em seus pés. Ele aproveitou a situação de vantagem e fez um corte no rosto de Luke e um no braço, mas Luke se levantou rapidamente. Percy bateu com o punho da espada nele e ele acabou se virando, à força, o que apenas o deixou ainda mais raivoso. Aproveitou a vantagem e cortou o braço dele. Luke foi levou a espada com tudo na direção do coração dele, mas ele se defendeu. E ficou nessa esgrima por uns dois minutos. Eu me sentia cada vez pior.

Percy era o melhor espadachim que eu conhecia, mas eu nunca havia visto Luke lutando. Cara, ele tinha habilidade, coordenação motora, era sagaz. A mão dele parecia ter um cérebro próprio para saber exatamente o que estava fazendo. Agradeci aos deuses por Percy ser um bom esgrimista, porque se fosse eu lá, lutando com o Castellan, já estaria morta. Aquele loirinho manjava.

Um atacava bem no rosto, o outro se defendia. Um cortava o rosto do outro, mas o outro devolvia em dobro pro um. E a cada vez que eu via uma espada sendo levantada, eu tremia. Não sei se eu estava com mais medo de Percy ou de Luke morrer. Mas eu estava com medo. E não importava o quanto meu namorado ficava gato quando estava em combate, e como ele tem músculos apaixonantes que ficam exibidos quando ele usa armadura, eu queria que aquilo acabasse.

Luke levou a espada na direção do rosto de Percy, mas ele bateu a espada e se defendeu. Ele tentou de novo por baixo, mas Percy se defendeu novamente. Percy repetiu os dois movimentos, e Luke se defendeu em ambos.

Em um descuido no qual Percy olhou para mim e acho que viu o medo em meus olhos e por um segundo deve ter pensado em desistir, por mim, Luke aproveitou a chance, e com um golpe, enfiou a lâmina de Mordecostas na mão de Percy em que ele segurava Contracorrente, cortou a mão dele, e arrancou a espada de sua mão. Contracorrente foi arremessada para longe. Foi quando minha respiração acelerou ao máximo, de um jeito que eu nunca havia sentido na vida, e meu coração tentou pular para fora do peito. Luke derrubou Percy no chão e colocou a ponta da espada no pescoço dele, que ergueu as mãos, em desistência. Luke olhou para a cabine onde Píton estava.

Píton: Sess, façççça um sssssinal de negativo para mim.

Sess fez um sinal com a mão, com o polegar apontado para baixo, o que significava que Luke deveria matar Percy, no caso de você não ter entendido. Luke voltou seu olhar para Percy. Estava determinado a mata-lo. Sem razão nenhuma. Só por raiva de Percy ter namorado Annabeth. Annabeth. Tudo era por causa de Annabeth. Eu gostava muito de Annabeth, era minha melhor amiga, mas às vezes ela me dava raiva. Não, assim, ela, a pessoa. Mas o que ela já causou. Chegava a ser irritante.

Voltando à luta, a ponta de Mordecostas estava no pescoço de Percy. Eu o medo nele, mesmo que ele escondesse muito bem. Não sei por que razão, mas Luke olhou para mim. Diretamente em meus olhos. Juro ter visto fogo lá dentro. Fiz que não com a cabeça, na esperança de que ele desistisse. Ele tirou a espada do pescoço de Percy e eu suspirei de alívio. Luke deu a mão para Percy e o ajudou a levantar.

A plateia vibrou. Não havia razão para aquilo, considerando que ninguém havia morrido. Todos os semideuses que estavam lá desceram e ergueram Luke no alto. Annabeth foi junto, mas não ajudou a erguê-lo. Eu também desci, mas fui atrás de Percy. Quando cheguei nele, puxei-o para um beijo. Beijei-o por dois segundos e depois nos separei. Dei um tapa no rosto dele.

Percy: Ai!

Eu: O que diabos você estava pensando?

Percy: Simples. Que eu ia lutar com Luke, enfiar a espada na cabeça dele e assistir sua morte.

Eu: E ia mata-lo a troco de quê? Porque “nós dois estamos muito próximo”? Porque ele atrapalhou o seu relacionamento com Annabeth no começo? Você ainda não superou isso, droga?

Percy: Não! Ele nos traiu! É isso que eu ainda não superei.

Então ele sorriu. Um sorriso bem malicioso.

Percy: Ciúmes da Annabeth?

Eu: Não! Agora não é hora pra piada, seu idiota! Argh! Se você pensasse um pouco no que faz...

Ele interrompeu minhas palavras com um beijo. Idiota! Se ele estava achando que ia me seduzir e me fazer mudar de assunto... ele estava muito certo. Porque foi exatamente o que ele fez. Que raiva! Mas eu consegui aguentar e empurrei ele.

Eu: Olhe, você têm muita sorte de ser um gato! Se não eu acertaria uma flecha em você agora mesmo! – falei dando vários cutucões no peito dele, que recuava a cada dedada.

Percy: Uou! Calma!

Eu: Calma? CALMA? VOCÊ SE ENFIA NUMA LUTA COM UM CARA QUE JÁ CONHECIA TAMANHAS HABILIDADES COM A ESPADA E AINDA ME MANDA TER CALMA?

Percy: Na verdade, eu não mandei, eu pedi mas...

Eu: EU VOU TE FALAR UMA COISA, PERSEU JACKSON, EU NÃO VOU FICAR CALMA! PORQUE EU SOU UMA PESSOA RAIVOSA E VOCÊ SABE MUITO BEM DISSO! Não é possível. O cara me conhece melhor que a minha mãe, sabe que eu sou cheia das raiva, e ainda me pede pra ficar calma. Era só o que me faltava...

Ele interrompeu as minhas palavras, novamente, com um beijo. Mas esse foi selvagem. Se você visse, poderia até ter ficado com nojo. Eu não estava com nojo. Quando estava prestes a começar a busca com a língua, me lembrei de que estava fazendo um sermão e empurrei ele de novo.

Eu: Que droga, Percy! Pare de ser tão sexy!

Ele jogou o cabelo para o lado. Cara, como ele era gato.

Percy: Desculpe. Nem me comparo a você.

Ele veio para perto, mas dessa vez eu não deixei. Coloquei a mão no peito dele, e balancei a cabeça, negativamente.

Eu: Não, não. Eu estou brava.

Ele fez um biquinho.

Percy: Fica brava não.

Eu: Você acha que eu estou brincando? – rosnei. – Que palhaçada toda é essa? VOCÊ QUASE MORREU HÁ DOIS MINUTOS!

Percy: Desculpe. Não quero que você fique com essa lembrança ruim.

Eu: Quer que eu esqueça antes de completar três minutos de vida? Sério?

Ele deu de ombros.

Me lembrei que três vítimas dos ciúmes de Hera ainda estavam nas mãos de minha atual pior inimiga, Píton. Me voltei para a cabine dela.

Eu: Píton! Sua desgraçada! Vaca!

Píton: O mais próximo de vaca que nós, seres greco-mitologicos, temos é Hera. Eu, obviamente, sou uma cobra.

Eu: Quero esses três! E inteiros!

Píton: Esses três estão sob minha responsabilidade agora! Estão nas minhas mãos. E você também. Precisamos fazer negócios.

Não era assim que as coisas funcionavam.

Eu: Negócios? Como assim negócios? Não é assim que a banca toca!

Píton: Mas é assim que vai ser.

A serpente sibilou e tudo ao nosso redor virou de cabeça para baixo. Eu senti que ia desmaiar.

Quando voltei a raciocinar, estava sentada em uma mesa de madeira, em um quarto escuro. Havia uma lâmpada em cima de mim. Ainda usava aquela mesma toga grega. Uns 10 metros acima da lâmpada, amarrados em cadeiras e muito conscientes, sob uma prancha de acrílico presa ao teto por duas correntes em cada lado, estavam meus irmãos. Will Solace, Lee Fletcher e Jenna Alexander. Na mesa, estavam sentadas algumas pessoas. Digo, algumas meia-pessoas e uma cobra. Raphaella Harmon, Percy Jackson, Annabeth Chase, Luke Castellan, Clarisse La Rue, Katie Gardner, Silena Beauregard e Píton. A serpente que perseguira meu pai, Apolo, e sua irmã gêmea, minha tia, Ártemis na infância. Que perseguira minha avó, Leto, na gravidez. A origem e proprietária original do Espírito de Delfos. O monstro que roubara o Oráculo de Delfos para si. Bem, meu pai foi perseguido por ela, ela roubou o Oráculo dele, ele a matou e tal... dá para ver bem que eles não são muito amigos, e consequentemente, ela me odiava. Mas me queria. E eu ia aproveitar a situação para descobrir isso.

Eu: Ok. Vamos por as cartas na mesa.

Píton: Era exatamente o que eu pretendia.

A serpente mexeu a cauda e algumas cartas apareceram na mesa e começaram a se espalhar.

Píton: Cada uma dessas cartas representa uma de suas perguntas. Eu vou responder três...

Eu: Verdadeiramente.

Píton: ... e então começaremos nossos negócios.

Eu: Jure pelo Rio Estige que vai responder verdadeiramente.

Píton: Juro pelo Rio Estige. Escolha uma das cartas.

Estava indecisa. Eu tinha dúvidas, mas também tinha dúvidas muito bestas e humilhantes, como, por exemplo, por que a Hermione brigava com o Rony. Ele era um fofo. Mas eu tinha de me arriscar. Escolhi uma das cartas, que se ergueu da mesa e ficou com a parte escrita de frente para Píton.

Píton: “Píton, por que você me escolheu? Por que bem eu?”

Encolhi os ombros e arregalei os olhos, mostrando que ainda tinha a dúvida.

Píton: Ah, Raphaella Harmon, você é tão ingênua que eu poderia simplesmente pegar uma arma que você nunca viu e te matar com ela, você nem saberia o que teria se passado. Não conhece a própria força. É a única semideusa forte e poderosa o suficiente para meus planos. Tenho grandes planos para você. Quando se juntar a mim, lembre-se, eu adoraria te matar, então trate-me com respeito.

Eu: Jamais vou me juntar a você.

Píton: Não seja boba. Escolha outra carta.

A raiva estava fervilhando dentro de mim. Escolhi outra carta, que repetiu o mesmo movimento da primeira.

Píton: “Se você quer que eu vá para o seu exército, por que não me pega agora?” Ora, não há necessidade. Posso fazer tudo por mim mesma. Quando chegar a sua hora, sei que você virá.

Eu: Então, permitirá que eu planeje um ataque contra você que pode ser vitorioso.

Píton: Pode ser, mas não será. Você vai ceder, e sem você, eles jamais ganharão. Você é a última esperança deles, pois é o mais próximo que eles têm de Apolo.

Clarisse: Não subestime o Acampamento Meio-Sangue.

Píton: Vocêssss ssssabem que eu estou falando apenas a verdade.

Eu: Você está muito confiante de que eu vou aceitar.

Píton: Você vai. Última pergunta.

Apontei para a terceira carta. Ela fez a mesma coisa, indo para a frente de Píton.

Píton: “Por que bem Percy será morto?”

Eu: Essa é a pergunta que mais me atormenta.

Píton: Essa é uma pergunta que eu preferiria não responder.

Eu: Mas você vai responder, e verdadeiramente. Jurou pelo Estige.

Píton: Sim, eu vou responder, verdadeiramente. Você vai matar Percy Jackson porque ele é o único que pode te libertar do que te aguarda.

Eu: Não foi o que eu quis dizer.

Píton: Já respondi as três perguntas.

A serpente mexeu o rabo e as cartas desapareceram da mesa.

Píton: Agora, vamos negociar.

Eu: Ainda não entendi o que vamos negociar.

Píton: Os três lá em cima.

Olhei para meus irmãos naquela plataforma de acrílico assustadora. Sabia que teria de tomar uma decisão importante. Não poderia, de jeito nenhum me entregar a Píton, muito menos causar vantagem à ela. Mas...

Eu: Diga, o que você quer? Qualquer coisa.

Annabeth: Raphaella!

Eu: Desculpe, mas eu preciso saber que eles estão bem. O que você quer?

A serpente sorriu, maleficamente.

Píton: Hoje, eu acordei muito generosa, portanto, vou te dar uma escolha. Vou levar alguém: ou você, ou Percy Jackson.

Meus olhos se arregalaram. Sim, eu daria qualquer coisa a essa cobra maldita para ver meus irmãos bem, menos o que ela pediu. Eu jamais iria. Muito menos entregaria Percy. Meu coração acelerou muito e a minha respiração saiu de controle.

Eu: Não. De jeito nenhum! Nem ele nem eu!

Píton: Então, acho que seus irmãozinhos vão sofrer as consequênciasss.

Senti que meu coração estava tentando pular para fora do meu peito e ganhar uma corrida ao mesmo tempo.

Eu: Annabeth?

Annabeth: Diga.

Eu: Me ajude!

Ela se levantou e me puxou para um canto.

Eu: O que eu faço?

Annabeth: Eu estou trabalhando nisso.

Eu: Não posso entregar Percy. Se eu entrega-lo, ela vai matar ele. Mas se eu me entregar, eu vou matar ele. De qualquer jeito ele acaba morto! Deuses, ME AJUDE, ANNABETH!

Ela me deu um tapa no rosto.

Annabeth: Controle-se, mulher!

Eu: Desculpe. Mas o que eu faço?

Ela coçou o queixo.

Annabeth: Eu, realmente, não sei. Você está coberta de razão. Não pode se entregar, nem mesmo entregar Percy, pois de um jeito ou de outro ele acaba morto.

Olhei para Percy, ali, sentado na cadeira. Ele olhou de volta para mim. Fiz um gesto com o dedo indicador, chamando-o. Ele veio.

Eu: O que você acha que eu tenho de fazer?

Percy: Deixe que eu vou com ela.

Eu: Não viaja. Você não vai jamais.

Percy: Você também não. Eu te proíbo.

Eu: Você não pode me proibir de nada.

Percy: Sou eu ou você, Rapha, e eu não posso deixar isso acontecer com você.

Eu: Você não pode decidir por mim.

Percy: Que diferença faz? Se você for, eu vou morrer, e se eu for, eu vou morrer também.

Eu: É, mas se eu for, você vai ter mais tempo de vida. Mais tempo para planejar um bom ataque.

Percy: Mas eu não quero você nas mãos desse monstro.

Eu: Percy, pense comigo. Píton quer que você morra para que não me liberte do que vem por aí pra mim. E se eu for, o que vem, vem, mas você vai poder me libertar, porque ainda estará vivo.

Ele parecia magoado. Mas não magoado pela minha escolha de ir com a serpente, magoado porque sabia que eu estava certa.

Percy: Por que você têm de ter razão?

Acariciei atrás da orelha dele.

Eu: Por que o mundo quer tanto nos separar?

Percy: Eu não sei. Mas o mundo é cruel.

Assenti.

Eu: Por favor, tente me libertar. Você pode fazer isso. Se precisar, eu te dou autorização para me atirar contra um pilar.

Ele sorriu, provavelmente com a lembrança de nossa missão passada.

Percy: “Ninguém joga Raphaella Harmon na direção de um pilar, a não ser eu.” Eu disse. “Você também não pode!”

Sorri.

Eu: Agora pode.

Abracei ele. Afrodite me dissera que quando fosse para ele ir, eu deveria deixa-lo ir. Mas eu não deixaria. Não. De jeito nenhum.

Eu: Mais dois pedidos.

Percy: O que você quiser.

Eu: Por favor – Nos afastei. Ele colocou a mão no meu ombro, e eu acariciei o rosto dele. –, mantenha meus irmãos em segurança.

Ele comprimiu os lábios e fez que sim com a cabeça.

Percy: E o outro?

Puxei o rosto dele para um último beijo. Nos separei.

Eu: Nunca se esqueça de que eu te amo. De verdade.

Percy: Nunca vou me esquecer.

Lágrimas embaçaram minha visão.

Eu: Você – falei me virando para Annabeth. Apontei para Clarisse. –, toma conta dela, tá?

Annabeth: Sim.

Eu: Valeu.

Dei um abraço nela.

Eu: Píton, eu vou. Mas você vai liberar o Espírito de Delfos de volta para o Oráculo.

A serpente abriu a boca. Uma névoa verde saiu de lá e bateu com toda a força em algumas coisas. Depois, foi subindo em espiral na direção do céu e desapareceu. Estava, finalmente, voltando para o Oráculo.

Andei até onde aquele monstro estava.

Eu: E agora?

Píton: Vamos dar mais um passeio.

Eu: Ah, não, do mesmo jeito que viemos parar aqui?

Píton: Oh, claro. Claro que ssssssssim. Bem, agora que eu sssei que vocccê não gosssta dessssse tipo de viagem, vamosss fazer isssso maisss vezessss.

Eu: Eu. Odeio. Você.

Ela riu e balançou a cauda. O mundo virou de cabeça para baixo, de novo, e eu senti que ia vomitar e desmaiar ao mesmo tempo.

Notas finais
Lembrem-se de deixar reviews, ok?