Raise your glass

8 Capítulo 8- Relacionamentos


Notas iniciais
Pessoal, eu decedi que à partir de agora eu vou começar a postar os capítulos de sábado (não me matem), é so por que assim os capítulos vão poder ser mais longos e eu posso me dedicar mais a eles. À partir de agora nós entramos numa fase um pouco diferente da história, que vai ser mais bem explicada no cap de sábado que vem. Eu espero que vocês gostem de tudo, eu estou muito apegada nessa história e apreciaria muito que vocês me dissessem se qualquer coisa nã está do jeito que vocês querem. Obs: As mensagens entre ** são do Tommy e entre {} do James. Esse não é o padrão que eu uso e nas notas finais eu explico o por que eu usei assim. Sem mais delongas, divirtam-se!

Do começo de novembro, até a semana anterior ao natal, pouca coisa mudou na nossa vida. Bom, exceto o clima estranho que se abateu no quesito: relacionamentos amorosos.
Quando todos acordaram no sábado seguinte à nossa escapada para o Cavern, eu já estava no quarto a algum tempo. Eu não tinha dormido de forma alguma, passei a noite inteira conversando por mensagem com Tommy, o que se mostrou bem difícil levando em conta que eu nunca tinha usado um celular na vida. Mas Tommy foi paciente (e fez várias piadas sobre como Tony se daria bem melhor que eu), e nós mantivemos uma conversa bem amigável.
Lily foi a primeira a acordar, o que por consequência acordou quase todos os outros.
–O QUE EU ESTOU FAZENDO NO QUARTO DO POTTER?! -Ela gritou, pulando da cama.
–Se te alivia de alguma forma, -Eu comecei tentando controlar o riso. -Foi você que quis dormir aqui.
–NÃO ALIVIA! -Ela falou correndo para a porta, mas parou com a mão na maçaneta.
Chego à conclusão que ela se lembrou da noite passada e teve um pequeno choque de realidade.
–Mas que porra de gritaria é essa? -Sirius falou coçando os olhos. Ele tinha dormido no beliche de Remus, logo acima do de James.
–Tem muita luz aqui. -Moony murmurou irritado.
–Bem vindo ao mundo da ressaca. -Eu falei indo até a janela e fechando uma pequena fresta.
James continuava ferrado no sono, inabalável.
Não demorou para Remus perceber a situação que se encontrava.
–Mas que porra...? -Ele falou se cobrindo com o lençol, o rosto vermelho como um pimentão.
–Abdômen fenomenal. -Eu comentei para ele, e ele ficou ainda mais vermelho, o que eu julgava até aquele instante ser impossível. -Bom vocês querem que eu narre a noite de ontem por ordem cronológica ou de acontecimentos marcantes? -Eu falei sorrindo de lado.
Um silêncio pesado propagou-se no quarto.
–E-eu... É... Eu preciso ir ao banheiro... Isso. -Moony falou se levantando e me mandando, irritado, me virar para ele se vestir.
–Não posso bem ter momento de diversão. -Eu falei me virando para a porta, com Lily ainda parada lá. Encarando sua mão sobre a maçaneta.
Segundos depois, Remus passou por mim e delicadamente empurrando a estátua que era Lily Evans, saiu corredor afora.
Eu olhei para Sirius, que estava sentando na cama, os olhos arregalados. Com um movimento nervoso de cabeça eu apontei na direção em que Moony tinha acabado de ir e ele foi atrás do moreno.
Ficamos eu, Lily e um James em coma no quarto.
–Vou dar um momento para vocês. -Eu falei segurando a mão de Evans, ela ainda exibia um olhar vidrado e eu estava começando a ficar preocupada. -Tudo bem Lils?
Ela concordou mecanicamente com a cabeça e eu saí do quarto, indo para a sala.
Algumas pessoas já estavam acordadas, entre elas o trio Prewett, eu fui até eles, tentando distrair minha mente da curiosidade entre os assuntos de casal que se desenvolviam bem acima de mim.
Quando eu me aproximei, vi que Molly estava brigando com os gêmeos.
–Vender balas que induzem o vômito? Que tipo de idiotice é essa?! VOCÊS QUEREM SER EXPULSOS?!
–Desculpa, Moo. -Os dois falaram ao mesmo tempo, a cabeça baixa, mostrando seus cabelos muito ruivos.
–Se a mamãe não arrancar essas ideias idiotas da cabeça de vocês eu mesma vou! Ah! Bom dia Pietra querida. -Ela falou baixando o tom de um segundo para o outro, o rosto antes contorcido em uma carranca agora era um enorme sorriso.
–'Dia Molly. Meninos. -Eu falei fazendo um maneio de cabeça.
Eu conversei por mais alguns instantes com eles, mas Molly parecia pronta para voltar a discussão, então eu sai com a mesma rapidez com que chegara. E logo que eu dei as costas, Moo (um bom apelido para aderir), voltou a gritar.
Enquanto eu vagava até encontrar uma poltrona livre para me sentar, meu novíssimo celular vibrou no bolso.

*Vovô disse que eu devia tê-lo acordado para ele se despedir.*

Era uma mensagem de Tommy, eu me sentei e digitei minha resposta.

Não é como se eu tivesse sumido para sempre.

*Ele disse que não é desculpa, ninguém pode escapar aos beijos de adeus do vovô Tony*

Hahaha, diga a ele para poupar muitos para quando eu aparecer de novo.

*E quando vai ser isso?*

No começo de dezembro nós temos uma visita a Hogsmeade, vocês querem nos encontrar lá?

*não sei se o vovô vai querer, ele odeia largar o Cavern, mas eu irei com certeza*
*Mini?*

Que foi agora?

*Grossa*

Como se você não soubesse. O que você ia perguntar?

*Seu amigo alto... Remus? Ele vai estar lá?*
*Mini?*

Estou pensando.

*é uma pergunta particularmente simples*

Cale-se

*eu não estou falando. Você está tentando evitar que eu fique entre ele e o pequeno punk? Por que eu acho que eles são grandinho para se resolverem sem os conselhos da mamãe.*

Eu vou simplesmente te ignorar agora, até mais Thomas.

*Mini?*
*Miiiini*
*Pietra cazzo*
*Eu não quis parecer desesperado, mas seu amigo é uma gracinha*
*Porra Mini me responde*
*Até mais então...*

Eu arremessei o telefone na outra poltrona, irritada.
Vejam bem, meus amigos, vocês devem ter notado que eu tenho essa tendência super protetora, huh?
Eu não faço por mal, eu juro, mas eu quero meus meninos felizes.
Meus. Por Deus eu soo mesmo como uma mãezona.
Eu continuei com os braços cruzados, encarando o nada até alguém vir não-tão-silenciosamente atrás de mim e cobrir meus olhos com as mãos. Eu não pude evitar a risadinha que escapou de mim, aquelas mãos já estiveram contra meu rosto a pouco tempo.
–Ludovic. -Eu falei me desvencilhando de suas mãos e olhando para ele.
–Ludo para os íntimos. -Ele falou andando até a outra poltrona.
–E para mim é o que?
–Príncipe encantado vai servir. -Ele disse pegando meu celular. -Seis mensagens de um tal de Thomas, devo me preocupar querida? -Ele falou com o rosto sério, mas seus olhos ainda tinham o ar brincalhão.
–Mas é claro que precisa, querido. Esse é meu provável amante.
–Ah é? E ele consegue fazer isso? -Ele falou se aproximando de mim em um salto e mexendo os olhos em direções diferentes.
–Nojento. Adorei. -Eu dei um sorriso infantil e mexi minhas orelhas para cima e para baixo. Ele olhou para minhas orelhas maravilhado.
–Você podia ganhar dinheiro com isso! -Ele falou segurando minha orelha esquerda e mexendo ela.
–E quem disse que eu não ganho? -Eu falei com um sorriso de lado. Eu senti o rosto dele se aproximando do meu, mas passos descendo apressados pela escada me fizeram desviar a atenção, eu ouvi Ludo resmungar ao meu lado, mas eu estava mais interessada em quem apareceria no fim da escada.
Era Sirius.
Ele olhou para mim e para Ludo, a expressão impassível e saiu da Sala Comunal. Simples assim.
Logo depois mais passos se seguiram, era Lily e James, eles andavam lado a lado, o que por um momento aliviou um pouco meu coração que parecia feito de chumbo mas então eu vi as expressões. Os dois nunca me pareceram mais tristes. Nem quando Lily perdeu seu hamster no ano passado, nem quando nós tiramos Prongs do campo. Aquilo era triste para valer. Eles pararam na ponta da escada, James com as mãos nos bolsos, Lily segurando um livro contra o peito. Ele deu de ombros, baixou a cabeça e saiu pelo mesmo lugar que Sirius. Eu vi Lily fazer o movimento para chamá-lo mais uma vez, mas ela desistiu. Ela agarrou o livro mais forte contra o peito e foi para uma das mesas de estudos.
–Merda. -Eu murmurei.
–Vai salvar sua Gotham, -Ludo falou se levantando. -Eu vou estar aqui quando você voltar.
Eu me levantei também e agarrando sua camiseta, o puxei para um beijo.
–Anota aí Big Boy, -Eu falei quando nos separamos. -Eu gosto do Homem de Ferro. -E me dirigi escada acima. Mas antes eu tive a adorável visão de um Ludo um pouco atordoado, colando sua mão sobre os lábios enquanto andava para fora da Sala Comunal.
Eu cheguei ao dormitório dos meninos mais rápido que um raio, o que significa basicamente que eu não tinha ideia do que dizer para Moony, mas eu entrei do mesmo jeito.
Ele estava sentando no beiral, a janela aberta, encarando os jardins e fumando.
–Clichê. -Eu falei olhando para a cena.
–Que posso fazer, -Ele falou com ar cansado, sem olhar para mim. -Se sou um personagem do John Green da vida real?
–Clichê e dramático. -Ele deu uma longa tragada enquanto eu me sentava ao seu lado. Eu estiquei a mão e peguei o cigarro. -Que é? -Eu falei me referindo ao olhar assustado dele. -Só você pode se divertir?
Ele deu um sorriso fraco e voltou a encarar o jardim.
–Em que estação nós estamos? -Eu perguntei olhando para as árvores alaranjadas e as folhas secas no chão, alguma neve já tinha caído, mas não muita. Remy me dirigiu um olhar duro.
–Vá direto ao ponto. -Ele tomou o cigarro de mim.
–O que você disse para o Padfoot?
–O que te leva a supor que não foi algo que ele disse para mim?
Eu revirei os olhos.
–Tá bom, o que ele disse?
–Fui eu.
–É claro que foi, agora desenvolva. -Ele mordeu a parte interna da bochecha, irritado.
–Eu disse que ele tinha que esquecer a noite de ontem.
–Você fez o quê?!
–Wormy você quer ouvir como foi ou quer fazer algumas pausas para seus comentários ácidos? -Ele não me olhava nos olhos.
–Eu guardo eles para depois, continue.
–Eu disse que ele tinha que esquecer a noite passada, nós estávamos bêbados e você mesma disse que era uma noite perdida, nada que acontecesse era real.
–Não foi isso... -Eu comecei, mas ele me cortou.
–Eu disse para ele não se preocupar, nossa amizade permanecerá perfeitamente intacta. Ele só concordou em silêncio e saiu. -Ele disse essa última parte quase num sussurro, olhando para o cigarro quase terminado. -Agora é sua vez.
–Remus você é um babaca.
–Mas é claro que esse era o rumo que a conversa devia seguir. -Ele fechou os olhos, respirando fundo.
–Seguinte camarada, você já é um homenzinho feito, esse cigarro aí na sua mão comprova isso. Eu podia ir até ali e te pegar um copo d'água, te dizer como tudo vai ficar bem e tentar curar seu coração partido com uma dose cavalar de My Chemical Romance. Mas não. Nós não vamos seguir esse rumo, e você sabe porque? -Ele fez que não com a cabeça. -Por que esse tipo de papinho não leva ninguém a lugar nenhum. Se você estiver disposto a ouvir o que eu tenho pra falar, começamos bem, se não eu vou descer graciosamente lá pra Sala Comunal e grudar a minha cara na do Ludo até um de nós morrer sem ar. O que vai ser?
–Você não podia ser psicóloga.
–Mas eu daria uma ótima carrasca.
–Touché. -Ele me olhou nos olhos pela primeira vez. -O que você tem a dizer?
–Já estabelecemos que você é um babaca, agora vamos acrescentar uma pitada de advérbios, você é um babacão enorme, gigante. -Eu dei um sorriso rápido. -Tendo atestado isso, eu posso seguir para a segunda parte. Por que diabos você falou essas coisas para ele?
–Ele não precisa tomar essa tipo de decisão assim no calor do momento. Aliás ele nem deve tomar esse tipo de decisão por que ele provavelmente só estava bêbado demais para notar que ele estava quase ficando com um garoto.
–Seu discurso é quase um jogo dos sete erros. 1-Quem disse que é você que pode agendar quando é o momento dele decidir qual lado da força ele abraça? 2-Isso seria algum tipo de tentativa de trancar o Sirius no armário? Por que é o que está parecendo. 3-Padfoot não estava bêbado ontem querido. Qualquer coisa que ele fez ou deixou de fazer, foi plenamente sóbrio.
–Eu não quero trancá-lo em lugar nenhum Pietra, não distorça as coisas. O que eu quero dizer é que as pessoas não dançam uma noite com um garoto em uma balada e se tornam instantaneamente gays. Não existe banho de purpurina, não existe esse amor que você criou entre nós dois.
–Isso seria um tipo de homofobia inversa? Ou heterofobia? Eu estou confusa com os termos. -Eu disse debochando. -ACORDA REMUS, A VIDA É DELE.
–E EU NÃO VOU DEIXAR ELE DESTRUIR ELA POR UM ROMANCE DE HORMÔNIOS.
Eu não pude evitar a risada.
–Romance de hormônios? -Eu perguntei ainda rindo.
–Ah você entendeu. -Ele falou ranzinza.
Nós ficamos algum tempo em silêncio.
–Você tomou uma decisão que não era sua. -Eu disse.
–Mas ele foi bem rápido em aceitar. -Eu franzi o cenho, perdida, ele continuou. -Depois que eu disse pra ele esquecer tudo e viver como se nada tivesse acontecido, ele foi embora.
Nós caímos no silêncio mais uma vez.
–Talvez tenha sido você a tomar uma decisão que não te pertencia. -Ele mexeu nos bolsos e encontrou o que procurava. -Chocolate?
Eu peguei um pedaço e nós comemos em silêncio, cada um imaginando o que aconteceu em tão pouco tempo.
–Tommy quer "te conhecer melhor".-Eu falei fazendo aspas com as mãos.
–O barman?
–Hmhum.
–Eu devia conversar com ele.
Eu olhei incrédula para ele.
–Wormy a vida não é uma fanfic meiga. Eu estou seguindo em frente, você não pode controlar meus relacionamentos.
–Quer saber? Você e ele vão acabar me matando de irritação. -Eu me levantei, andei até a escrivaninha e botei o numero de Tommy no celular dele. Eu pensei em ir embora assim, sem dar mais conselhos, mas é maior do que eu. -Eu só não quero que você se machuque, ou machuque ele.
Eu deixei Moony comendo seu chocolate e fui mais uma vez para a Sala Comunal.
Ludo e Creswell jogavam FIFA no canto da sala enquanto Lily ainda lia na mesa mais afastada.
–Ruiva. -Eu falei me sentando.
–Morena. -Ela me cumprimentou com um sorriso fraco.
–Você quer falar sobre isso? -Eu falei apontando para a porta pelo qual James saiu.
–Talvez uma outra hora. -Ela disse dando de ombros.
"Talvez uma outra hora" era a maneira educada que Lils tinha para dizer "nós nunca falaremos sobre isso." Eu entendi o recado e me despedi carinhosamente.
Fui andando entristecida até onde os garotos estavam jogando video game e sentei no sofá atrás de Ludo, que estava sentado no chão, mordendo o lábio inferior e encarando a televisão como um inimigo a ser combatido.
–Você quer jantar comigo hoje? -Ele falou tão sério que por um momento eu achei que ele estava brigando comigo, mas eu notei que era só por causa do jogo.
–Ludo, todas as pessoas jantam no mesmo lugar, juntas, lembra?
–Não nós dois... PORRA! -Ele tinha tomado um gol. -Se você sair comigo hoje.
–Tipo um encontro? -Eu perguntei me sentindo subitamente muito insegura.
–Tipo um encontro.
O ar saiu com força da minha boca, como se eu tivesse levado um soco. Será que aquela brincadeira toda não estava indo longe demais?
Como que lendo pensamentos, em algo que me deixou ainda mais nervosa, Ludo falou.
–Eu não acho que se tratou de uma brincadeira boba. Mas ao mesmo tempo, nós nunca saímos nem nada disso.
Eu olhei para Dick, mas o garoto estava tão enfiado dentro dos seus próprios pensamentos que eu não acredito que ele ao menos tinha percebido que eu estava ali.
Eu pensei em toda a situação envolvendo os meninos e Lily, e Thomas e Remus e toda aquela confusão que eu tinha causado. Senti meu corpo arrepiar.
–Claro que se você tiver algo mais importante eu posso esperar. Ele falou levantando o rosto, suas bochechas cor-de-rosa um pouco mais coradas.
Talvez todo mundo pudesse aproveitar uma folga da minha pessoa tentando se fazer presente em todos os lugares.
Eu baguncei os cabelos loiros dele e lhe dei um beijo rápido.
–É claro que eu não tenho nada mais importante.
Ele tomou mais um gol, mas eu não acho que ele tenha se importado muito.
–x-
Eu fui para a biblioteca na intenção de pelo menos uma vez na vida, colocar minhas lições e trabalhos em ordem. Eu estava carregando instrumentos para a aula de astronomia, livros de álgebra, um álbum no qual eu tinha de colocar pétalas e folhas de plantas espalhadas pelo colégio (e que ainda estava vazio), réguas e esquadros para o trabalho de artes, mapas e um Atlas para geografia e uma enciclopédia histórica. E eu deixei todas essas coisas, sem exceção, caírem no chão quando eu passei pela passarela que levava ao outro lado do castelo.
Alguns metros longe de mim, um casal se beijava vorazmente encostados num grande salgueiro que permeava o jardim.
A garota era alta, esguia, cabelos pretos e sedosos até o metade de suas costas. Já o menino tinha o cabelo um pouco acima dos ombros, também pretos, uma jaqueta de couro cobrindo a figura forte.
Alguns metros longe de mim, Sirius Black e Indina Chersnott se beijavam vorazmente encostados num grande salgueiro que permeava o jardim.
Eu mal notei duas garotas da Lufa-Lufa que se apressaram a me ajudar a pegar todas as coisas no chão, meu olhar continuava fixo. Eu agradeci as meninas mecanicamente e forcei meus pés a voltarem a se mexer, mesmo que todo meu corpo quisesse ir até lá gritar com Padfoot.
Eu retomei meu caminho tentando ao máximo não pensar no que tinha acabado de acontecer. Eu peguei meu walkman, minha gasta fita dos anos 70 e dei play. Billy Joel começou a ressoar enquanto meus passos eram as únicas coisas que podiam ser ouvidas nos corredores de mármore, até que enfim eu cheguei a biblioteca.
Por mais que eu tentasse me concentrar (e eu juro que tentei), eu acabava voltando aos acontecimentos recentes. Era muita coisa em pouco tempo. Se você pensasse nos acontecimentos desde o fatídico roubo da cueca, tudo aquilo pareciam anos, mas foi menos de uma semana.
Irreal era a única palavra que eu conseguia pensar para descrever tudo aquilo. Era irreal o quanto eu me apeguei aos garotos, o quanto eu me aproximei das meninas, os inimigos que eu fiz, os amigos que eu reencontrei e até mesmo o namorado que surgiu em minha vida.
Irreal.
Eventualmente eu consegui encontrar uma fórmula para deixar as preocupações de lado e focar nos trabalhos que eu tinha para fazer.
Eu não notei que a hora do almoço já tinha passado a muito tempo e que a tarde já estava dando espaço para a noite. Eu mapeei as últimas constelações necessárias na folha demarcada, me espreguicei e recolhendo minhas coisas, saí da biblioteca. Quando eu já estava quase chegando na ala oeste, onde ficava minha Sala Comunal, eu ouvi alguém me chamando. Era Prongs.
–Padfoot desapareceu. -Ele disse um pouco sem fôlego, o rosto vermelho e suado.
–Que você quer dizer com isso?! -Eu disse olhando para trás. -Ele estava ali agora mesmo com a garota Chersnott. -Foi aí que eu finalmente olhei meu relógio. Já fazia mais de seis horas que eu tinha visto os dois embaixo do salgueiro. -Cacete. -Eu sussurrei.
–Eu e Moony estamos procurando ele desde que ele faltou ao treino vespertino hoje. Moony está na ala norte agora mas nós já olhamos quase tudo.
–Ele não está na biblioteca. -Eu falei puxando meu cabelo para trás, estava ficando nervosa. -O celular?
–Ele deixou na Sala Comunal.
–Filho da puta dramático. Você acha que ele pode ter fugido de novo?
–Pouco provável mas possível.
–Onde você quer que eu procure?
–Eu vou voltar a olhar o jardim, você e Indina foram as últimas a verem ele ao que parece. Se quiser você pode procurar lá perto da biblioteca.
–Feito, mando mensagem se tiver novidades. -Eu disse me afastando. -E Prongs, -Eu chamei pouco antes de virar um corredor. -Caso você o encontre, dê um tapa nele por mim.
Eu vi ele sorrindo e concordando.
–X-
Procurar Sirius se mostrou uma tarefa entediante ao extremo. A maior parte dos alunos já se dirigiam ao Grande Salão para o jantar, sendo que eu sequer tinha almoçado.
Eu tentava não me preocupar com meu estômago barulhento e focar apenas em achar a rainha perdida e dar-lhe os tapas que ele merecia.
–Egocêntrico idiota. -Eu murmurava a cada sala cuja porta eu abria para ver se ele estava lá dentro. Muitas portas depois, eu finalmente encontrei uma sala com a luza acesa. Pensando ter enfim encontrado Padfoot, eu procurei pela sala com um sorriso aliviado.
Mas a pessoa que me olhou de volta não era Sirius, mesmo tendo o cabelo preto e longo.
Eu dei meia volta e tentei me afastar antes que Severus Snape me alcançasse. Foi em vão.
–Eu achei que você nunca ia se livrar deles. -Ele disse se postando do meu lado e andando lado a lado comigo.
–Não é deles que eu preciso me livrar.
–Escuta, Pietra... -Eu o interrompi.
–Pra você é Bouler. -Eu não diminui o passo, continuei andando na esperança que ele desistisse.
Ele continuou ao meu lado, em silêncio.
Por mais que eu quisesse muito correr e deixar Snivellus para trás, eu tinha um objetivo a cumprir, sendo assim eu continuei procurando por Pads.
–Que está procurando?
–Meu amigo, Snape. -Eu disse escaneando uma sala particularmente abandonada.
–Você que dizer o Black? Eu o vi algum tempo atrás.
Eu me virei bruscamente, encarando seu olhar monótono.
–Você vai me falar ou nós vamos ficar por isso? Eu não tenho tempo pras suas merdas Snape.
A boca dele se contorceu e eu vi ele fechando os punhos com força.
–Eu quero uma chance de falar com você Pietra, só isso. -Ele disse entredentes, os olhos pretos brilhando como duas bolas de bilhar.
–Ah, então sua forma genial de me fazer te ouvir é me chantagear para ter informações de onde Sirius está? -Eu olhei enojada para ele. -Vê se cresce Snivellus. -Eu voltei a andar, agora mais rápido e mais decidida a ir para longe dele.
–VOCÊ NÃO ERA ASSIM, ELES ESTÃO DESTRUINDO VOCÊ! -Ele gritou enquanto eu me afastava, foi a gota d'água.
Antes que eu me desse conta, eu estava pressionando Snape contra a parede, meu braço esquerdo fazendo pressão em sua garganta. Talvez todos estivessem certos, eu tendo a ser um pouco violenta, mas as pessoas tem essa necessidade de me irritar. Severus não era pesado, ou forte, além do mais ele não contava que algum dia eu me viraria de verdade contra ele.
–E o que você sabe sobre como eu era, huh? -Eu cuspi as palavras contra seu rosto assustado. -Nunca foi sobre mim Severus, era sempre EU te ouvindo falar sobre você, sua vida, seu amor não correspondido por Evans, o quanto você sofria. EU ODIEI JAMES POR ANOS GRAÇAS AS SUAS HISTÓRIAS! Nunca foi sobre mim, sobre quem eu era. E quando foi, o único momento em que você esteve disposto em me ouvir VOCÊ ME TRAIU SEVERUS! -Ele estava pálido, sua boca se abria e fechava constantemente, como se ele quisesse falar mas as palavras não estivessem formadas ainda. -Eu nunca, NUNCA vou deixar você esquecer que bem eu, eu de todas as pessoas, estive ao seu lado quando nenhum dos seus "amigos limpos" estava. Eu te apoiei e nunca te julguei, mas você me traiu Severus. Traiu minha confiança. Se eu fui destruída em algum momento, foi quando eu estive do teu lado. E agora, aqueles garotos que não tinham a mínima relação comigo estão reconstruindo cada pedacinho estragado em mim, cada parte que apodreceu. Fazendo em dias o que você não fez em anos. Você não sabe quem eu era antes e quem eu sou agora. Mas eu sei que você é só mais uma criança assustada, eu convivi com centenas iguais. Mas diferentemente delas você é covarde, todos nós temos medo mas você se esconde atrás dos seus. Eu já cansei das suas histórias, dos seus demônios, eu cansei de você Severus. -Eu o soltei de forma tão brusca quanto o tinha agarrado. -O que eu preciso fazer para me livrar de você de uma vez por todas Severus? É te perdoar? Então sinta-se perdoado, do fundo do meu ser.
O rosto dele voltou a ser a mortalha habitual, monótono e sem reação.
Eu respirei fundo.
–Eu não consigo pensar em um bom momento que eu passei com você Severus. Você ao menos se lembra de algum?
Ele não respondeu, sem mais uma palavra ele foi embora, de volta para a sala onde eu o encontrei.
Naquele momento eu tinha colocado fim em duas pessoas na minha vida. Severus Snape, que eu chamei de amigo por tanto tempo sem ao menos saber o peso dessa palavra e uma outra Pietra, que se sentia insegura demais para ter amigos novos, para ser alguém nova. Eu não precisava de nenhum dos dois. Me sentindo uma tonelada e meia mais leve, eu voltei a procurar pelo meu amigo perdido, agora completamente consciente da importância de chamá-lo assim.
–x-
Eu entrei na sala de astronomia já um pouco tonta, meu estômago parecia querer grudar nas minhas costas e a "conversa" com Snape não ajudou em nada.
Eu procurei pela sala, atrás das cadeiras, das lunetas, tudo. Aquela era a última sala daquela ala e o meu celular não tinha tocado uma única vez. Moony e Prongs estavam na mesma situação que eu.
Eu senti minha cabeça começar a girar e logo depois toda a sala também girava. Eu fui cambaleante até a grande janela de vidro que nós usávamos para observar os astros e a abri com força.
O ar noturno abraçou meu corpo como uma manta. Eu respirei fundo, minha cabeça girando menos agora, a tontura se desfazendo como uma teia de aranha que você destrói com o toque.
–Eu vou te matar quando eu te achar Padfoot. -Eu sussurrei para a noite.
–Eu mesmo nunca fui um fã de violência gratuita. -Uma voz disse acima de mim. Eu pulei com o susto. -Ainda mais quando ela é contra mim.
Eu coloquei a cabeça para fora mais uma vez e vi um par de coturnos balançando para lá e para cá. Padfoot estava sentado no telhado.
–Sirius, -Eu disse tentando controlar minha raiva. -O que você está fazendo aí?
–Não parece óbvio? Eu estou dando um pouco de drama à nossa comédia.
–Eu tenho certeza que nós já tivemos drama o suficiente para alguns anos. Agora desça daí.
–Eu não sinto mais nada. -Eu só conseguia ver suas pernas e isso estava me irritando, eu sentei no parapeito.
–Podemos conversar aqui embaixo? -Entre os meus muitos medos, altura era um dos piores.
–Quando eu beijo Indina ou Caroline, eu não sinto nada.
–Talvez você esteja apenas... Pera aí, que porras é uma Caroline?
–Uma Lufana que eu encontrei no corredor hoje.
–Você beijou uma garota aleatoriamente?!
–Eu tinha uma teoria a testar. E ela que veio pra cima de mim.
–Ah claro, é seu charme. -Eu disparei.
–O ponto é, eu não senti nada. Nem uma excitaçãozinha sequer.
–Talvez seja por que não eram aquelas garotas que você queria beijar? -Aquela conversa sem olhar nos olhos estava me irritando, eu não sabia fazer aquilo. Ele se manteve em silêncio. -Se eu morrer a culpa é sua. -Eu disse me pondo de pé no parapeito.
Eu ouvi ele se virando lá em cima para ver o que eu estava fazendo.
–Está vendo aquela falha a direita? -Ele me disse. -Era um buraco nos tijolos. -Use ela para se impulsionar para aquele cano. -Eu vi um longo cano de alumínio não muito seguro. -Quando você se segurar no cano, eu te puxo.
–Tantos momentos que eu já escapei da morte certa, -Eu disse fazendo um grande esforço e colocando minha mão na falha. -Para morrer por você. -Eu me empurrei até alcançar o cano, eu já estava a pelo menos um metro do parapeito agora. -Seu babaca.
Ele me estendeu a mão, eu tremia muito mas consegui pegá-la. Ele me puxou.
Quando eu finalmente cai contra as telhas vermelhas, um gemido de cansaço e alívio escapou dos meus lábios.
–Foi bom pra você querida? -Ele disse com um sorriso malicioso, eu lhe dei um tapa no braço.
–Preciso avisar os garotos que eu te encontrei. -Eu disse tirando o celular do bolso. Ele colocou a mão dele sobre a minha.
–Me dá mais cinco minutos. -Eu olhei para ele e seus olhos estavam vermelhos, eu duvido que ele tenha arrumado alguma maconha dentro de Hogwarts então a opção mais viável é que ele estivera chorando.
Ele voltou o olhar para a lua.
–Você sabe por que o apelido dele é Moony? -Ele disse sem desviar o olhar.
–Não.
–Eu dizia que era por que ele era pálido como a lua. -Ele deu uma risada. -Mas hoje em dia eu percebo que eu escolhi o apelido pelo simples fato de que são as coisas que eu mais gosto de admirar.
A respiração fugiu do meu pulmão.
–Isso... Isso é lindo Sirius.
–Pode até ser, mas não nos leva a nada.
–Ele está assustado.
–E eu não?
–Talvez ele sinta que não é o suficiente para você.
–Wormy por favor, olhe para o garoto. Ele é suficiente até para um Deus.
–Você estaria disposto a ter uma relação com ele?
Sirius suspirou.
–Eu não sei se eu sou...
–Diga a palavra, ela não é venenosa. -Eu disse me aproximando dele, cada movimento que eu fazia naquele maldito telhado me desesperava.
–Eu não sei se eu sou gay.
–O mundo não é definido em héteros e gays, Padfoot. Além do mais, nenhum de nós cobraria essa decisão de você agora, ou nunca. Eu não me importo com quem você ama, eu só quero que você ame.
–Eu nunca amei ninguém. -Ele disse num sopro. -Claro que tem o James que é meu irmão e você...
–Eu sei onde você quer chegar.
–E se tudo der errado?
–E se der certo?
Sirius passou as mãos pelo rosto.
–Ele me disse para esquecer.
–Quando foi que alguém te deu uma ordem e você obedeceu?
Ele sorriu.
–Não apresse as coisas Pads. Elas vão tomar o rumo certo, eventualmente.
Ele deitou sobre as telhas, fechando os olhos.
–Seu walkman está aí?
–Sim.
–Se importa se ficarmos aqui mais um pouco?
–Não Pads, eu não me importo.
Eu me deitei ao seu lado, lhe entregando um fone. A voz suave de George Harrison ressoou por nós.
"Closer,
Let me whisper in your ear,
Say the words you long to hear,
I'm in love with you."
–x-
Eu voltei com Sirius para a Sala Comunal. Pelo caminho passamos por um grupo de professores que conversavam animados, a professora Sprout por outro lado nos olhou confusa, o cenho franzido, antes de seguir os outros na direção contrária.
Eu e Sirius não demos muita atenção a isso e continuamos nosso caminho.
–Eu podia tê-lo machucado! -Eu disse sobre ter prendido Snape contra a parede.
–Uma pena que não machucou. -Eu o encarei com frieza. -Apenas comentando... -Ele abriu a porta da Sala e nós entramos.
Algumas poucas pessoas estavam espalhadas por ali. Molly e Arthur estavam sentados perto da lareira, linhas coloridas ao redor dos dois enquanto ela tentava, sem muito sucesso, ensinar Arthur a tricotar suéters.
Dick e os gêmeos Prewett estavam numa mesa no canto, inventando sabe-se lá que nova bomba. Alguns primeiro-anistas analisavam um bonito livro sobre animais mitológicos, fascinados. E numa mesinha do canto, eu vi um garoto sentado, um buquê de flores da nossa estufa de botânica já um pouco murcho na mão, olhando tristemente para mim e Padfoot.
Eu tinha me esquecido do meu encontro com Ludo.
Eu corri para onde ele estava.
–Ludo eu... -Mas ele me cortou.
–Eu já entendi. Eu cheguei tarde demais. -Ele disse olhando para Sirius, parado como uma estátua na porta. -Talvez seja a hora de nós acabarmos com essa brincadeira de namoro. -Ele disse colocando o buquê sobre a mesa e indo em direção às escadas.
Eu tentei chamá-lo, mas algo dentro de mim me parou. Se eu o fizesse ficar, quantas vezes mais eu o machucaria?
Ele sumiu no alto da escada e eu pude sentir um peso caindo sobre mim. Eu gostava dele, cada segundo mais e agora eu o tinha perdido.
–Wormy, me desculpa. -Sirius disse se aproximando de mim.
–Não é sua culpa. Ia acontecer mais cedo ou mais tarde.
–X-
Os assuntos ficaram mais ou menos nesses moldes: Remus e Thomas se tornaram muito próximos graças a uma irritante e incessante troca de mensagens. Sirius decidiu dar tempo ao tempo e por mais que ele claramente não gostasse de Tommy, ele não tentou impedir Moony ou algo assim. Mas para mim era claro que ele tinha perdido um pouco do seu brilho.
James pareceu o mais apático de todos por mais tempo, ele só passou a ficar um pouco mais animado quando o jogo contra a Sonserina estava se aproximando.
Dessa vez, a estratégia que eles montaram não teve de ser alterada graças a qualquer tipo de trapaça.
No dia do jogo, Prongs finalmente voltou a ser quem era.
Eu, Moony (e seu agora inseparável telefone), Arthur e Molly fomos mais uma vez torcer pelo time.
Tudo parecia que aconteceria numa relativa paz até que Lucius, o capitão do time, se recusou a apertar a mão de Prongs e mandou que Marcus Sinnit, seu goleiro, fizesse isso por ele.
O clima começou a ficar pesado com esse ato desnecessário do garoto.
Quando o jogo enfim começou, faltas pesadas contra os garotos da Grifinória se tornaram comuns. Eles esperavam Hooch se virar e batiam para valer nos meninos.
As torcidas começaram a ebulir.
–LUDO! -Eu gritei sem pensar quando eu vi John Goyle lhe dando uma cotovelada nas costelas. Essa falta pelo menos Madame Hooch viu e Goyle foi advertido.
–Não faz sentido. -Arthur falou roendo suas unhas.
–Eles estão sendo desleais! -Molly disse desesperada. -Ele vão machucar os meninos!
–Arthur, -Eu disse chamando sua atenção. -O que não faz sentido?
Ele pensou por um instante.
–Vê como eles não se importam com as advertências? Quando um jogador leva cartão, todo o time discute com o juiz, é quase automático... PÊNALTI! -Ele gritou comemorando. Eu me virei bem a tempo de ver Hooch estendendo um cartão amarelo para um volante da Sonserina cujo nome eu não sabia. Sirius estava estirando no chão, dentro da pequena área, as mãos apertando a canela. E o que Arthur disse se concretizou. Ninguém da Sonserina reclamou do cartão ou algo assim, eles apenas aceitaram de cabeça baixa e esperaram que James cobrasse o pênalti.
Prongs fez questão de antes comprovar que Sirius estava bem, ele estava. Então Prongs fez o que sempre fazia antes de cobrar um pênalti, agarrando uma pequena quantidade de grama do campo, ele esfregou-a contra suas chuteiras e se preparou para cobrar.
Quando Madame Hooch apitou, todas as arquibancadas ficaram em um silêncio apreensivo que em segundos foi substituído pelos gritos dos grifinos.
Com direito a paradinha, James tinha feito um gol espetacular em Marcus Sinnit, a bola passando a centímetros do braço esticado do garoto.
Minutos mais tarde, o time da Grifinória teve sua primeira baixa, o mesmo volante que tinha derrubado Sirius, solou Bartô na panturrilha. Crouch teve de sair de maca, direto para a enfermaria, enquanto o soserino foi expulso, e mais uma vez sem reclamações.
Eu refleti por alguns instantes antes de chamar Arthur mais uma vez.
–Será possível que os sonserinos estejam em campo única e exclusivamente para machucar nosso time, Arthur?
–Era exatamente nisso que eu estava pensando. Mas por qual motivo? É só um amistoso. -Ele falou pensativo.
–Eles sabem de algo que nós não sabemos. -Eu ponderei, prendendo meu cabelo em um coque.
O primeiro tempo acabou 1x0 e os garotos foram para os vestiários, eu peguei meu celular e mandei uma mensagem para Prongs.

O objetivo deles é machucar vocês.

{Eu e Padfoot notamos isso, mas pq?}

Isso nós descobrimos mais tarde, não se machuquem.

Nós quatro ficamos tensos quando o jogo recomeçou, Madame Hooch foi ter com James e avisou no seu microfone que o time da Grifinória tinha feito suas três alterações. Os irmãos Prewett e Ludo tinham sido substituídos por três reservas. Molly suspirou alto, aliviada.
–Por que ele fez isso? -Moony perguntou, ele segurava uma mão contra a outra, apreensivo.
–Ele tirou três jogadores de contato e colocou jogadores rápidos no lugar. -Arthur ponderou.
–Ele vai tentar desviar de todos os ataques sem revidar. -Eu completei com um sorriso. -Ele quer jogar limpo.
O jogo se tornou tiro ao alvo, e os grifinos eram o alvo. Ao comando de Lucius, seu time mal se preocupava com a posse de bola, queria apenas atingir o máximo possível o outro time.
–Olhem para Regulus e Lucius. -Eu disse ficando subitamente nervosa. Nenhum dos dois tinha cometido nenhuma falta ainda e só naquele momento eu notara o motivo.
Tanto Malfoy quando o Black mais novo estavam na cola de Prongs e Pads respectivamente. A cada segundo em cada jogada, eles murmuravam algo na orelha dos meus amigos. Eu vi James tentando se desvencilhar da perseguição de Lucius, mas ele era insistente. Eu não conseguia ouvir o que Malfoy falava, mas eu podia ver o rosto de Prongs se contorcendo em desgosto, mandando ele calar a boca.
Regulus parecia menos incisivo no que dizia, mas Sirius estava incomodado mesmo assim.
–Não façam nenhuma idiotice. -Moony murmurou, olhando seu relógio. -Só mais 5 minutos.
Não adiantou, momentos depois disso, eu vi Lucius falando alguma coisa especialmente tóxica. Prongs se virou para ele, o rosto transtornado e com um grito de raiva deu um soco no rosto de Lucius.
Todos demoraram um tempo para assimilar o que diabos estava acontecendo. Madame Hooch logo foi para entre os dois, empurrando James para longe e levantando o cartão vermelho. James estava expulso de campo. Eu vi Malfoy cuspindo uma grande quantidade de sangue no campo e abrindo um sorriso escarlate. Ele conseguiu o que queria. Dessa vez foi Sirius que decidiu partir para a briga, mas George Thomas foi mais rápido o segurando antes que ele também fosse expulso.
–EU TENHO NOJO DE VOCÊ MALFOY! -James gritou, saindo de campo.
–Então e sentimento é recíproco! -Lucius falou, seu sorrindo se alargando.
Antes de entrar no vestiário Prongs mandou Lucius se foder e lhe mostrou o dedo do meio, depois disso eu o perdi de vista.
–Tendo em vista do clima que se abateu sobre o jogo eu vou encerrá-lo agora, -Hooch falou no microfone. -Eu estou muito desapontada com a atitude de ambos os times.
Todas as pessoas nas arquibancadas, inclusive os sonserinos, estava tomada por uma sensação estranha, desconfortável.
Todos nós discutimos por muito tempo do que se tratou tudo aquilo e por mais que tenhamos vencido aquele jogo, o preço era amargo demais.
–X-
Enfim, dezembro chegou e nós tínhamos nossa segunda visita à Hogsmeade. Eu estava me trocando logo de manhã para encontrar os meninosno Salão Comunal já pronta para sair, quando meu telefone vibrou.
*Mini?*
Ah, você se lembrou que eu existo?
*Hãn?*
Você só fala com o Remus agora.
*Estaria eu sentido cheiro de ciúmes?*
Vá se foder.
*Sutil.*
*Eu já cheguei num tal de Três Vassouras, vocês conhecem?*
Tommy, Hogsmeade é do tamanho de um ovo, é claro que nós conhecemos.
Não dê em cima da Madame Rosmerta.
*Eu nunca daria em cima de alguém chamada Rosmerta.*
*Retiro o que disse, ela é gostosa*
Ugh
*Vejo vocês já já então*
"Vocês". Você só quer ver ele.
*você está sendo infantil*
FO DA -SE
*Ótimo jeito de manter um diálogo Mini*
Chama ele pra conversar se eu não sirvo.
*Agora sou eu que vou te ignorar. Até mais tarde.*
Eu não estava com tanto ciúmes assim quanto eu queria que ele acreditasse. Mas deixar Thomas desconfortável era um dos meus jogos favoritos e se ele achava que ia pegar meu amigo como se ele fosse mais um da lista, ele estava enganado.
Eu conheço Thomas e ele pode parecer muito romântico e adorável, mas ele se cansava rápido das paixões, rápido demais.
Eu terminei de me arrumar e desci com as meninas para o Grande Salão. Como sempre eu me sentei ao lado de Remy.
–'Dia.
Mas ele não me respondeu, estava mais interessado em dar risadinhas para seu telefone. Eu olhei para Sirius e eu e ele reviramos nossos olhos ao mesmo tempo, dando uma gargalhada em seguida.
–Preciso comprar uma quantidade monstruosa de doces hoje. -Prongs disse decidido.
–E por que isso? -Eu disse desconfiada.
–Se eu estou expulso do time pelos próximos jogos, eu quero gastar esse tempo comendo o que eu quiser.
–Muito justo. -Eu disse sorrindo.
–Será que eu poderia... -Ludo começou a falar, mas foi interrompido.
–Não Ludo, você não pode comprar bolinhos, você ainda está no time.
Ludo voltou a comer seu mingau de aveia com um olhar triste. Eu tive que usar todo o autocontrole que eu possuía para não ir até lá e entregar a ele todos os bolinhos do mundo.
–Você devia conversar com ele. -Padfoot falou sério, nos servindo de suco de abóbora.
–Eu concordo. -Remus completou.
–Ah, pra isso você está super atento né? -Eu estava começando a ficar irritada.
–Ele gosta de você. -Prongs falou baixo.
–Que é isso? Terapia em grupo?
Os três deram de ombros.
–Você sabe que nós estamos certos.-Prongs salientou. Eles me irritavam quando faziam o meu papel.
–Eu sou insistente assim dando conselhos?
Os três concordaram veementemente.
–Cacete. -Eu murmurei.
–Nós devíamos nos apressar.-Moony falou de repente.
–Ansioso para chegar lá, lover boy? -Prongs perguntou com um sorriso de lado.
Remus concordou, corando um pouco.
Quando a troca de mensagens entre Tommy e Remy começou a ficar séria, Prongs precisou de poucos minutos para perceber que Moony estava apaixonadinho por seja lá quem ele estava conversando.
E quando Remus tentou disfarçar dizendo que era uma garota da sua cidade, James disse simplesmente.
–Moony, eu sabia que você era gay antes de você mesmo saber. Sabe como é, eu sei das coisas. -Ele disse com um maneio de cabeça. Naquele segundo eu achei que Moony ia explodir, de tão vermelho que ele ficou. Mas logo depois James, eu e Sirius começamos a rir tão desesperadamente, que Remy também foi arrastado para a risada. No fim, o assunto não se tornou um estigma, muito menos um tabu, foi lidado como devia ser, uma situação normal na vida de um adolescente.
O grupo deles era simples assim, não havia segredos, mesmo que eles tentassem. E eles aceitavam, independentemente do que fosse, por que é assim que se mede o amor. O amor entre eles era tangível.
O grupo deles não, o nosso grupo.
Eu estava ali por eles e eles estavam ali por mim.
Afinal, nós éramos os Marotos, não é mesmo?

Notas finais
Meu computador tá quebrado (vida sofrida) e a versão mobile do Nyah não ajuda em nada na formação então eu não consegui passar o sublinhado, itálico, etc, e como eu não quis atrasar mais eu decidi postar assim mesmo, então quando meu bebê voltar eu arrumo esse cap pra ele ficar bem lindinho. Desculpem qualquer coisa e vejo vocês sábado que vem!