Raios de Luz
15 Capítulo 15
Raios de Luz
Capítulo 15:Treinamento Infernal parte II:A Magia dos Corvos
“Então, vamos começar o treinamento mágico de vocês.” Falou Yata, sentando numa cadeira para ficar confortável.
“Podem se sentar, pois eu vou começar dando uma explicação de nossa magia para vocês.”
“Você disse que sua magia é a magia dos corvos, certo?” Perguntou Akemi, começando a focar toda sua atenção nele junto com Mamoru.
“Mas o que seria exatamente essa magia?” Dessa vez foi Mamoru que perguntou.
“Sim, eu vou explicar isso agora” Yata disse, e começou então a falar sobre a magia que ele dominava.
“A magia dos corvos, é a magia sombria, magia puramente negra, a profecia da morte, a destruição da guerra, a morte da luz. Porém, ela também significa proteção, criação, sabedoria e além de tudo. Da cura espiritual da sua alma.” Para deixar a explicação dele mais interessante, ele fazia o fogo violeta das velas voar ao redor, formando desenhos de acordo com sua explicação.
“Nossa magia se volta principalmente no uso de magias de ataque e contra-ataque, maldições e é claro, controle da matéria escura, do poder da gravidade e da matéria negra. Somos capazes de induzir nosso controle em demônios irracionais e os usar como soldados, podemos induzir uma maldição de longo ou a curto prazo em um inimigo e acabar com a vida dele, podemos atrair a riqueza a nós mesmos e podemos controlar os poderes da escuridão. Somos considerados um dos três clãs mais poderosos do inferno. Nossos inimigos sofrem continuamente com pesadelos e trauma psicológico. Nossa magia é cruel, mas ao mesmo tempo é gentil. A escuridão amedronta e te deixa com medo, mas essa é a mesma escuridão que te deixa dormir com um sorriso no rosto, a mesma escuridão que causa a sombra de uma árvore no sol quente, a mesma escuridão que te conforta quando estás a chorar sozinho, a mesma escuridão que permite a entrada da luz da vida no seu nascimento. A escuridão é o que esconde os seus medos, mas também é a escuridão que te protege dos seus inimigos.”
“A escuridão é um com as trevas, aceite as trevas em seu coração ao invés de expulsá-la, todos tem algo que tem de ruim e fazem o máximo para expulsá-la, mas isso é errado, você tem que aprender a viver em harmonia com suas trevas, de forma que suas trevas aprendam a viver em harmonia com você e aqueles com quem se importa. Desse jeito, suas trevas fará mal a apenas seus inimigos e protegerá aqueles que você ama.”
“Claro, isso depende inteiramente de quem está usando as trevas, pois até mesmo seres de luz podem ter um coração tão perverso quanto a de um humano.”
“Por exemplo, um dos nossos clãs aliados, os Cavaleiros de Adamantium, que estão subordinados a Demônio do Orgulho, Lucy, possuem um líder extremamente cruel. Eu já vi como ele trata aqueles de sua própria raça, e acreditem, eu já tive vontade de mata-lo pessoalmente inúmeras vezes, mas além de ele ser tão poderoso quanto eu, ele tem o apoio da General Lucy, que é a única dentre vocês que tem o poder mais próximo do de Adamantes... Ela iria atacar meu clã sem dó nem piedade forçando seus subordinados a nos destruírem...” Yata fez uma cara de raiva enquanto explicava essa parte, mas notando o olhar de pena de seus estudantes, ele resolveu voltar ao assunto.
“Voltando ao que eu dizia, o líder deles, Dianos, possui o atributo Luz, enquanto eu e vocês possuímos o atributo Trevas. Como puderam perceber, estar na profundeza das trevas, estar completamente mergulhado nela e usar seus poderes não significa que você será uma pessoa malvada, que visa causar danos aos outros, assim como estar com o coração puro de luz não significa que ela tenha boas intenções em relação aos outros. Isso depende muito do usuário de seu poder, tenham isso em mente.”
“Então, tendo explicado isso... Vamos começar suas aulas... Primeiramente, vou ensinar vocês a acessarem o poder oculto dentro de vocês.” Yata explicou, as chamas que dançavam ao redor tendo voltado ao normal.
“Como assim poder oculto? Já não possuímos nosso controle gravitacional?” Perguntou Akemi, inclinando um pouco a cabeça.
“O poder que vocês possuem é o que foi concedido por vocês graças a sua relíquia. Dentre todos os pecados, vocês tem a vantagem de serem os feiticeiros.” Disse Yata, criando uma esfera de energia violeta em sua garra/mão esquerda.
“Então quer dizer que somos divididos por classes? Tipo como em jogos de RPG?” Perguntou Mamoru, tomando um leve interesse sobre isso.
“Mais ou menos. Se fôssemos levar em termos de RPG, então vocês seriam os Feiticeiros Negros/Guerreiros Negros, representados pela Avareza. Lucy seria a Guerreira de Luz/Feiticeira Branca/Defensora, representado pelo Orgulho, Guradon seria o Tanque/Demolidor/Monge representado pela Gula, Fenrir seria o Guerreiro Furioso/Domador, representado pela Ira. O pecado da Preguiça seria o Velocista/Ninja, o pecado da Inveja seria o Intocável/Cantor, o pecado da Luxúria seria o Lanceiro/Drenador/Hipnotizador. Assim, cada um teria uma especialidade diferente, sendo isso dito, os 7 pecados lutando juntos de uma só vez são praticamente imbatíveis.”
“Mas isso não quer dizer que vocês deverão focar simplesmente na sua especialidade, pois isso iria ser um erro potencialmente fatal no futuro que seu inimigo poderia aproveitar. É por essa razão que estou treinando vocês em combate, pois como são Feiticeiros por natureza, sua capacidade de combate corpo a corpo é a menor de todos os pecados. Eu me atrevo em dizer que a única razão que conseguiram derrotar Fenrir foi por ele ter conseguido o poder dele a pouco tempo e por vocês terem se fortalecido com o poder de Adamantes. Caso ele tivesse mais experiência, vocês seriam aniquilados, pois naquele dia, vocês eram completamente incapazes de lutar corpo a corpo. Se o relatório que recebi é verdade, suponho que vocês tenham tentado manter ele a distância a luta inteira, pois caso ele chegasse perto, seria fim de jogo.”
Mamoru abaixou a cabeça.
“Sim... Tem razão... Não sabemos nenhuma arte-marcial, tudo o que fazíamos era usar a gravidade para pegar impulso nos nossos ataques. Eu, por exemplo, o pouco que sei de combate corpo a corpo foi quando eu lutava contra aqueles que nos atormentavam... Eu sempre ganhava... Mas isso era porque meus oponentes geralmente também não sabiam nenhuma arte marcial.” Além do fato dos meus olhos serem intimidantes de noite, Mamoru adicionou mentalmente.
“Sim, isso é fato. Contra qualquer ser humano vocês podiam na luta corpo a corpo. Pois, seus corpos são naturalmente mais resistentes e poderosos do o que de humanos comuns.” Disse Yata.
“Como assim?” Akemi e Mamoru perguntaram, curiosos.
“É simples, vocês estavam destinados, desde o dia que nasceram, a se tornarem os representantes da Avareza.” Com isso, os dois adolescentes ficaram mudos.
“Mas... Achamos aquele livro ao acaso...” O jovem demônio disse com uma voz baixa.
“Mas vocês podiam sentir que ele chamava a vocês, não?” Yata perguntou.
“Sim...” Foi a resposta igualmente baixa de Akemi.
“Mas como podíamos ser escolhidos desde nascença?! Nossos pais não são demônios como nós!” Dessa vez, a garota de cabelos roxos gritou sua pergunta.
“Agora essa parte eu não sei, talvez seja por reencarnação ao invés de hereditariedade, mas quem sabe? Talvez seus pais tenham sangue demoníaco e não saibam. Vocês TEM características incomuns para humanos, como cor de cabelo e cor dos olhos...” Yata disse, o que deixou os dois pensativos por um tempo.
“De qualquer maneira, vamos começar o treinamento, peço que fiquem em posição de meditação. Foquem seus poderes de forma que possam imaginar um domo ao seu redor. NÃO usem gravidade, usem apenas sua própria energia, sem repelir ou atrair nada.” Yata se levantou, Akemi e Mamoru deixaram seus pensamentos e começaram a se focar como Yata havia mandado.
O treinamento continuaria assim por pelo menos duas horas por dia, onde Yata os ensinava a acessar seus próprios poderes interiores com eficiência e rapidez.
A meditação os ajudava a conhecer a eles próprios de maneira melhor...
Depois da meditação, ele começava a ensiná-los a arte das maldições pelas próximas duas horas. Para isso, Yata tinha capturado alguns ratos e os usava como cobaia para ensinar os dois, os pobres adolescentes ficavam horrorizados do que algumas maldições eram capazes de fazer.
“Lembrem, existem maldições que funcionam melhor com humanos, outras melhor com demônios ou anjos, toda maldição tem seu alvo específico, mas isso não significa que vocês não podem adaptar uma maldição para um determinado alvo.”
Depois de uma hora explicando sobre os diversos tipos de maldições existentes, Yata ganhou um brilho maligno no seu rosto.
“Agora, se vocês acharam que o treinamento físico foi um inferno, eu vou lhes apresentar ao treinamento de resistência a maldições! Huhuhu...”.
Essa próxima hora se resumia nos dois adolescentes serem alvos dos mais diversos tipos de maldições que eles podiam imaginar. Claro, as maldições eram muito mais fracas do que o normal. Mesmo assim era horrível ter que ver e sentir cada segundo de seu corpo lentamente apodrecendo, ou derretendo, ou queimando de dentro pra fora, ou perder parte de todos os sentidos, ou ter seus movimentos invertidos, ou ficar com um gosto horrível na boca junto com o cheiro de ovo podre...
Felizmente, todas essas maldições tinham curas e eram totalmente reversíveis. Então, por mais que os dois virassem zumbis, churrasco, sopa, etc. As maldições, quando usado o método correto fazia seus corpos voltarem ao que eram antes.
“Ahh! Eu pensei que ficaria tendo que olhar para minha pele pendurada nos meus ossos para sempre! Isso foi horrível!” Akemi abraçou Mamoru com lágrimas nos olhos, murmurando coisas sobre estar traumatizada.
“Pra falar a verdade... Isso me traumatizou também...” Mamoru dirigia seu olhar para Yata, que estava assobiando inocentemente.
Mais duas horas tendo acabado, eles iriam começar a parte de magias. Magias brancas, apesar de raras pra eles, como magos, eles tinham que saber usa-las. Ainda mais pelo fato delas se especializarem em defesa e cura divina.
“Essa vai ser a primeira magia branca que vamos aprender, Heal. Apesar das magias não terem necessariamente um nome, chama-las por um, ajuda vocês a impor suas vontades sobre o mundo. Essa é uma simples magia de cura que ajuda a curar tanto feridas como alivia a mente. Aqui, Heal!” Uma luz branca e serena começou a ser emitida na mão de Yata, ela se dividiu em dois e se dirigiu na direção de Akemi e de Mamoru, os envolvendo por um segundo como se fosse uma aura, sendo absorvida pelos corpos deles.
“Uh?” Akemi perguntou para si mesma, olhando para suas mãos. Por alguma razão, a fadiga do treinamento anterior e do treinamento físico havia quase que desaparecido.
“Eu me sinto... Melhor? Como se os pesadelos que iríamos ter devido as maldições agora irão ser bons sonhos... É como se eu tivesse tido uma boa noite de sono...” Mamoru comentou, se sentindo melhor do que nunca.
“Esse é o efeito da magia heal, ou se quiserem, podem chama-la de cura, remedy, poção, etc. Essa magia funciona de uma maneira diferente do que muitos jogos humanos retratam. Heal é sim uma magia branca, mas também é considerada uma magia universal, por isso seres como nós, que temos atributos das trevas podemos usá-la de maneira fácil. Essa magia não tem níveis, o quanto você será recuperado depende mesmo do quanto de energia espiritual e desejo de cura vocês inserirem na magia. Alternativamente, vocês poderão fazer uma invocação rápida da energia da natureza ao seu redor, isso irá aumentar drasticamente o poder de cura, especialmente para vocês, que são metade demônios.” Explicou Yata logo antes de levantar sua mão e a fazer brilhar com uma espécie de aura branca.
“Heal não é uma magia difícil de ser aprendida. Porém, é requerido bastante treino para conseguirem usar ela a longa distância assim como fiz em vocês, no começo, vocês só serão capazes de curar aquela pare que vocês conseguem tocar.”
“Aqui, vou lhes ensinar o básico da magia de cura...” Disse Yata, começando a explicar sobre os métodos de cura...
Duas horas depois... 20:00...
Os adolescentes tiveram um tempo estranho, tentando aprender a usar a magia de cura em um búfalo a beira da morte que Yata tinha invocado do nada.
Obviamente, os dois só fizeram piorar a situação, e de algum jeito que fez o mestre dos corvos ficar de boca aberta, conseguiram matar um ser vivo com uma magia de cura. E pior, era possível ouvir o animal gritando de dor e o que parecia ser um cheiro de queimado misturado com podridão saindo do animal.
Yata ficou tão chocado, que ele liberou eles, disse para acordarem cedo no dia seguinte e foi embora. Tudo sem sequer piscar o olho ou tirar sua visão da múmia que restou do búfalo.
Nesse momento, os dois se encontravam andando rumo ao apartamento em que estavam, pretendendo descansar para se prepararem para o dia seguinte.
“Traumatizamos um lorde demônio Akemi.”
“Hahaha, a cara dele estava hilária!” Akemi ficou rindo de Yata por um bom tempo depois que ele foi embora, até agora ela ria só de lembrar-se da cena.
“Heh, foi engraçado mesmo, apesar de eu achar que ele esperaria outra coisa da gente.” Mamoru riu um pouco pra si mesmo.
“Mas falando sério Mamoru... Eu estou exausta... meus músculos doem e minha cabeça está doendo...” Ela parou de andar e segurou a cabeça dela, se sentindo meio tonta.
“Haha, eu te entendo perfeitamente, eu estou do mesmo jeito afinal... Venha aqui Akemi.” Confusa, a garota foi até ele, que colocou um dos braços dela por cima de seus ombros e o o outro ao redor de sua cintura.
“Uhh... Moru?” Se sentindo tímida e com o rosto vermelho, Akemi olhou pra ele.
“Vamos pra casa Akemi, eu te levo lá...” Sussurando no ouvido dela com um sorriso, suas asas cinzentas se abriram, cobrindo os dois por um momento até explodir em direção aos céus.
“...” Eles não enxergaram, porém. Um pequeno garoto de olhos dourados e cabelo marrom que estava escondido atrás de uma árvore e tinha assistido a tudo.
“Pai...” Ele sussurrou, antes de sair correndo de lá, como se com medo do que tinha visto.
Capítulo 15: FIM
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