Raios de Luz

16 Capítulo 16


Raios de Luz

Capítulo 16: História de Guradon

Diversas crianças brincavam na floresta de Nirvana, eram cerca de 20, 13 garotos e 7 garotas de etnias variadas. Elas estavam todas em uma grande área aberta da floresta, jogando lama umas nas outras e rindo bastante. O mais velho tinha 11 anos, enquanto a mais nova tinha 3 aninhos.

De repente, a terra começou a tremer com passos pesados. As crianças pararam de brincar e observaram a sombra do gigante que se aproximava, sua figura escondida pelas sombras das árvores no sol.

“Papai! Papai!” As crianças gritaram de alegria e correram na direção do gigante, pulando em cima dele, surpreendentemente, o gigante conseguiu aguentar o peso de todas elas combinadas, e começou a rir alto.

“HO HO HO HO! Papai Noel Chegou!” O gigante risonho era ninguém menos do que Guradon, o demônio representante da Gula. Ele estava com uma roupa enorme de Papai Noel, ele inclusive havia colocado uma barba postiça por cima da sua barba normal. Ele carregava consigo duas enormes sacolas vermelhas, repletas de presentes.

“EEHHH!!!” As crianças começaram a rir e bater palmas, outras pularam de alegria.

“HO HO HO! Mas vocês estão todos sujos! Vamos entrar! Tomar um banho para a grande festa de natal! HO HO HO!” Rindo de alegria, Guradon e as crianças começaram a caminhar floresta a dentro.

“Vocês são minha razão de viver... Seus risos de alegria me deixam alegre também, esse é MEU presente de natal!” Pensava Guradon, repleto de alegria enquanto ouvia as crianças conversando alegremente.

Ele eventualmente parou quando chegou ao que simplesmente podia ser descrito como um belo e enorme castelo medieval. Ele ficava escondido entre as árvores da floresta, que surpreendentemente, conseguiam ser maior que o castelo.

As paredes da muralha do castelo brilhavam, revelando serem feitas de uma espécie metal. Elas eram feitas de Adamantium, o que revelava sua força contra qualquer coisa que homem ou natureza tinha a oferecer.

O castelo em si também possuía um brilho surreal, suas janelas sendo decoradas com diamantes. Quatro grande torres em cada ponta da muralha da fortaleza.

O portão da fortaleza também era feito de Adamantium, porém ele tinha uma cor marrom que lembrava madeira. De cada lado da fortaleza, estavam duas enormes estátuas, também feitas do mesmo material das paredes. Elas estavam de braços cruzados e pareciam estar coladas nas paredes. Essas estátuas possuíam espadas gigantes em suas costas cujo fio podia ser observado refletindo o sol.

Essas estátuas eram golens. Criaturas criadas por Guradon com o expresso objetivo de proteger sua fortaleza. Essas criaturas eram tão poderosas, que somente uma delas era necessária para derrotar cerca de 20 tanques de guerra normais sem sofrer nenhum dano visível graças ao material do qual elas eram feitas.

Porém, mesmo sendo feitos de Adamantium, os golens ainda contavam com uma energia vital limitada, e se sofressem danos suficiente em suas juntas, eles partiriam em pedaços. Por esse motivo, era possível encontrar vários deles encostando-se às paredes da fortaleza.

O portão começou a se abrir a medida que Guradon se aproximava...

“Lar, doce lar! Ho Ho Ho!” Ele riu alegremente, as crianças se juntando a ele.

Ele fechou momentaneamente os olhos quando entrou pela porta principal do castelo...

E os abriu, vendo que alguns dos moradores do Castelo estavam nas escadas.

“Papai! Pai! Tio! Senhor! Mestre! Irmão! Amigo! Bem vindo de volta!” Foram os diversos gritos de boas vindas de diversas pessoas. Crianças, jovens, adultos, velhos...

“Ho ho ho! Estou de volta! Desejo a todos vocês um feliz natal! Trouxe presentes para todos os jovens e crianças... E pros adultos também!” Ele exclamou com um sorrisão em sua cara.

Todos as pessoas a sua frente eram moradores de rua, pessoas de extrema pobreza, excluídas por suas famílias e pela sociedade. Pessoas famintas e sem lar. Pessoas tristes e sem ter aonde ir. Jovens e crianças órfãs...

Essa era a família de Guradon. A razão de ele proteger a floresta e fazer dela o seu reino.

“Eu sou... O pai de todos eles!” Rindo alegremente, Guradon adentrou o castelo juntos com as crianças que o acompanharam. As portas fechando atrás deles.

..

“ah! Ah!” Um Guradon jovem estava correndo junto sua mãe, uma bela mulher de cabelos loiros.

Guradon em si era muito diferente do que ele é hoje, tendo uma aparência mais normal e sem músculos. Ele tinha 17 anos nessa época. Ele e sua mãe estavam fugindo de sua casa, gritos podiam ser ouvidos atrás deles.

“Mãe! Mãe! E o papai?!” Perguntou o garoto com uma voz sofrida.

“Ele... Ele nos defendeu meu filho... Continue correndo... Pelo menos... Você deve fugir!” A mãe dele o apressou com lágrimas nos olhos, os dois começaram a correr mais rápido ainda.

“Parados ai seus lixos!” Gritaram dois homens, dois mafiosos, que estavam correndo atrás deles. Eles estavam carregando pistolas consigo e atiravam constantemente nos dois.

“Ah!”

“Mãe!” Guradon viu o ombro de sua mãe começar a sangrar.

“Não se preocupe... Apenas continue correndo!” Ela tentou ignorar a dor e continuou a correr junto com seu filho.

“Ah!” Ela levou outro tiro, dessa vez nas costas.

“Não vou conseguir correr mais...” Ela pensou pra si mesma, chegando a uma triste conclusão.

Por sorte, eles conseguiram dobrar uma esquina.

A mãe jogou Guradon dentro de uma pequena lata de lixo metálica.

“Meu filho... Desculpe por isso...” Ela se desculpou por jogá-lo dentro daquele lugar, mas ela não tinha escolha.

“Mãe!? Mãe!? O que você vai fazer? Eu não quero te perder também!!” Guradon gritou pra ela com lágrimas nos olhos, ignorando o fato de estar em uma lixeira.

“Por favor, me ouça... Eu e teu pai... Nós te amamos Guradon... Por isso... VIVA!” Ela fechou a tampa da lixeira, ignorando as lágrimas e os gritos de Guradon.

“Ahhh!” A mãe de Guradon então correu na direção dos mafiosos.

Diversos tiros puderam ser ouvidos junto com o som de um corpo caindo no chão.

“Mãe!!!” Tapando a boca com suas mãos para abafar o grito. O jovem Guradon começou a chorar como nunca chorará antes.

“Isso deve ter sido todos eles.” Disse um dos mafiosos.

“Eles não tinham um filho?” O outro perguntou.

“Mesmo que tenham, ele irá viver na miséria agora. É isso que eles ganham por se meter com Los Toros!” Os dois mafiosos começaram a rir alto enquanto saíram de lá.

10 anos depois...

“Fome... Fome...” Guradon, agora aos 27 anos, era um morador de rua. Seu corpo estava só carne e osso, sua barba estava crescida junto com seu cabelo e suas roupas estavam caindo aos pedaços.

Ele estava em um prédio abandonado junto com outros moradores de rua.

“Mãe... Eu tô com fome..” Ele ouviu uma garotinha dizer para sua mãe, e pelo soluço que ele ouviu, a mãe segurou o choro e tentou explicar para a criança que eles não haviam mais comida.

“Fome... Fome... Tristeza... Fomos abandonados...” Guradon já estava acostumado com essas palavras sem esperança. Eles haviam sido abandonados pela sociedade, todos aqui haviam uma história trágica, e Guradon não era o único aqui que havia ficado na miséria por causa dos mafiosos.

Ele se levantou.

“Guradon? Onde você vai?” Um senhor, devendo ter uns 40 anos, perguntou para Guradon.

“Caçar... Eu vou à floresta... Procurar algo para alimentar a todos nós...” Ele anunciou, pegando uma faca enferrujada como arma.

“Tio Guradon! Você vai pegar comida pra gente!?” A garotinha perguntou com uma voz cheia de esperança.

“Sim... Eu vou!” Ele sorriu pra ela e colocou uma mão na cabeça dela.

“Você tem certeza disso?Essa floresta é um dos territórios dos Toros!” A mulher perguntou em preocupação.

“Não se preocupem... Eu definitivamente vou trazer comida!” Ele soltou um sorriso mais alto ainda e então caminhou para fora do prédio abandonado.

Na floresta...

Guradon caminhava pela floresta silenciosamente como um predador. Era de tarde, mas ele ainda podia achar algum cervo ou alguns esquilos se procurasse bem. Alías, ele já tinha matado duas galinhas que provavelmente haviam fugido de seus donos.

Ele sem querer acabou pisando em um galho no chão, quebrando ele e fazendo um alto *track!*

“Uh? Que barulho foi esse?” Uma voz não muito longe de onde Guradon estava perguntou.

“Vai saber, deve ser algum animal.” A outra voz respondeu. Elas soaram familiar para Guradon.

Ele decidiu se aproximar mais deles...

“Ah!” Ele suspirou.

“Uh? Quem está ai!?” Um dos mafiosos se virou na direção de Guradon, apontando uma arma pra ele.

“V-vocês...” Ele reconhecia aqueles dois. Eram os homens que haviam matado sua família.

“Huh? Você nos conhece seu mendigo?” O outro mafioso perguntou.

“Vocês... Mataram minha família!” Guradon gritou de raiva, segurando sua faca forte.

“Nós? Hmm... Não consigo lembrar de QUAL família está falando! HAHAHAHA!” Os dois então começaram a rir freneticamente.

“M-mostros...”

“HAHAHA! Agora que nós viu e sabe o que fizemos, não pode sair daqui vivo!” Os mafiosos apontaram suas armas na direção de Guradon.

“Ah... AHHHHHHH!!!!!!!” Ele gritou e saiu correndo dali.

“Volte aqui seu mendigo!” Gritaram os mafiosos, correndo atrás dele e atirando constantemente.

“Ah... Ah...”

“AH!” Ele levou um tiro na perna direita, o que o fez perder sua força e cair de cara no chão, os mafiosos pararam de andar e começaram a lentamente caminhar na direção dele com sorrisos doentes em seus rostos.

“Mãe... No fim... Eu não pude realmente viver... Eles vão me pegar... E eu vou finalmente poder me reunir a vocês...” Ele abaixou sua cabeça, lágrimas saindo de seus olhos quando se lembrava daquela noite.

“Mas...” Ele se lembrou de algo.

“Não... Espere...” Ele se lembrou do rosto esperançoso da garotinha quando ele disse que ia trazer comida pra todos.

“Eu...” Ele esticou sua mão, ele pode sentir algo e decidiu pegar aquilo.

“Não posso morrer aqui!” Lentamente levantando a cabeça, ele viu que havia agarrado uma espécie de elmo.

“Eu posso pelo menos proteger minha cabeça com isso...!” Ele pode sentir algo... O elmo... estava falando com ele...

Não... Ele pode sentir... A floresta inteira! A terra... As árvores...

“Mas o que é isso?” Guradon não teve tempo de continuar refletindo, pois os mafiosos chegaram perto dele.

“HAHAHA! Ora ora, que elmo bonito que você achou! Vai tentar se proteger com ele? Não sabe que um tiro na cabeça não é o único jeito de te matar? Hahaha!” Um dos mafiosos começou a rir feito louco.

“Eu não... Vou morrer aqui! Eu vou... Levar comida pra MINHA FAMÍLIA!” Ele gritou e colocou o elmo em sua cabeça.

“AAAAHHHHHH!!!” Guradon começou a sentir então uma quantidade enorme de poder entrando em seu corpo.

Ele pode sentir como se toda a TERRA fizesse parte dele, ele recebeu conhecimentos ancestrais de seus poderes e sentiu sua fome crescer mais ainda.

“Oh? Mas o que é isso? Está tendo um ataque de raiva? Tanto faz! Morra!” Os mafiosos descarregaram suas armas em Guradon...

Porém, muito mais rápido do que as balas das armas, a terra se levantou na frente de Guradon, se transformando em metal puro. Absorvendo os tiros.

“...Eh?” Chiou um dos mafiosos.

“Vocês...” Guradon levantou. Duas asas negras começaram a se formar em suas costas. A terra ao seu redor começou a se agitar.

“Vão pagar com suas vidas!” Galhos de arvore então se enrolaram nos dois mafiosos.

“Ah! AAAHHHHH!” Os dois começaram a gritar em terror.

“MORRAM!!!!” Guradon fez um jato de terra entrar pela boca dos mafiosos.

Sementes então começaram a nascer de dentro de seus corpos, perfurando seus ossos, músculos, órgãos e pele.

“AAAAAHHHHHH!!” Eles gritaram mais alto ainda, pelo menos até serem empalados na garganta por um galho de arvore.

Guradon então deu as costas para as duas figuras agonizantes.

Dessa vez, ele conseguiu achar comida mais facilmente... Além de descobrir outro ponto positivo em seus poderes...

No prédio abandonado...

Os moradores de rua viram uma sombra aparecendo no local em que estavam todos reunidos, esperando ansiosamente por Guradon.

A sombra tinha duas grandes asas saindo de suas costas e carregava consigo duas sacolas enormes.

A figura se aproximou e eles puderam ver o rosto sorridente de Guradon debaixo de um elmo, as duas asas laterais brilhando na luz da lua.

“A partir de hoje meus amigos e família...” Ele deixou as duas sacolas caírem no chão, uma delas estava cheia de arroz, sacolas de carne, farinha, doces, biscoitos, café, etc.

“Nossa vida irá melhorar bastante!” A outra caiu e de lá dentro derramou... Centenas e centenas de pedras preciosas.

Fim de Flashback...

O castelo brilhante no meio da floresta podia ser visto com todas suas luzes acesas, gritos de diversão e alegria. Também era possível ver vários enfeites de natal ao redor do castelo.

No salão principal, que era enorme e ficava uns 3 andares debaixo da terra, estava toda a família de Guradon reunida em uma mesa enorme.

A ceia de natal era farta e diversidade era o que não faltava.

As crianças brincavam com seus brinquedos e videogames, os adultos conversavam entre si e Guradon assistia a tudo com um sorriso no rosto.

“Mãe... Pai... Espero que fiquem orgulhosos pelo o que eu consegui fazer... Pela família que eu consegui...”

Capítulo 16... FIM!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.