Rainha da Neve
7 Por Arendelle
Notas iniciais
Reunir um exército. Essa fora a parte fácil. Reunir os homens que faziam parte de sua guarda, enviar um mensageiro à cidade indo de casa em casa e perguntando quem gostaria de se unir a eles, e construir pelo menos dez homens de neve gigantes, não consumira muito de suas energias. Na verdade, o que não fazia bem para a Elsa era a demora pela qual passou depois disso. Kristoff lhe pedira para esperar e não fazer nada imprudente enquanto estivesse fora e que só atacasse caso demorasse muito.
Muito. Ela se perguntou qual seria a definição do outro de muito. Agora andava de um lado para o outro de seu quarto, preocupada. Preocupada com Anna, preocupada com Kristoff, preocupada com a possibilidade de uma guerra contra Rosalya, preocupada com o exército já reunido do lado de fora do castelo apenas aguardando por uma ordem sua.
A porta se abriu de repente, e Elsa olhou em sua direção, ansiosa. Talvez tivesse esperado que fosse Kristoff com Anna, dizendo-lhe que tudo não passara de um mal entendido, Olaf se enganara, Rosalya não era perigo e estava voltando para casa. Mas nada disso aconteceu. O perigo da guerra era real, Anna ainda estava presa no castelo de gelo na Montanha do Norte, Kristoff não voltara ainda.
Não, não era Kristoff ou Anna com boas notícias. Era Olaf.
Ele correu em direção a ela, e, mesmo assim, Elsa ainda teve esperanças de que as coisas pudessem ter se resolvido.
– O que aconteceu? – perguntou, ansiando por respostas.
– Eu vim ficar com você – o boneco informou. – Parece nervosa.
– Anna? Kristoff? – Elsa insistiu com suas últimas esperanças.
Olaf abaixou a cabeça e balançou a cabeça.
Finalmente, Elsa acreditou. E, foi como se um pedaço de si tivesse se partido por dentro. O teto começou a congelar, mas ela conseguiu dominar o poder antes que Olaf percebesse seu descontrole.
Quanto tempo fazia desde que Kristoff e os outros homens foram em busca de sua irmã? O tempo o suficiente para que eles fossem e voltassem até o castelo real, sabia. Não tinha mais o que esperar. Se Olaf não tinha notícias boas desta vez – e já era a quarta vez que entrava e saía do quarto congelante da Rainha – então não havia mais esperanças.
Precisava agir.
E agir significava dar a ordem para que seu exército avançasse sobre a Montanha do Norte. Mas e se fosse uma ação imprudente como Kristoff lhe aconselhou a não fazer? E se estivesse se adiantando?
Imaginou as consequências de suas ações. Todas as tragédias que se seguiriam, a quantidade de pessoas que poderia acabar morta, a neve tingida de sangue.
De repente se sentiu sufocada. Seu quarto não contava com uma lareira como o resto do castelo, mas não que Elsa precisasse de uma, já que tinha seus poderes. Mesmo assim, quando correu até a janela e a abrir, constatou que o frio do lado de fora era ainda maior do que do lado de dentro.
Uma rajada cortante a atingiu, mexendo em seus cabelos trançado. O mundo parecia preso em um globo de neve. Tudo se resumia a neve e o inverno parecia castigar a todos como não fazia por muito tempo. Seu exército – seus homens – estava reunido no pátio do castelo. Os portões estavam fechados. Jurara para Anna que nunca mais os fecharia, mas não queria causar um alvoroço ainda maior nos cidadãos comuns mostrando o exército já formado. Elas já cochichavam umas para outras e não podia impedir isso, mas não queria confirmar todos seus medos se não houvesse necessidade para tanto.
A despeito de suas precauções, parecia que teria que fazê-lo e logo.
E isso a assustava.
Queria Elsa ter apenas visto o frio, a cidade e seus homens reunidos no pátio. Mas, infelizmente, ela também viu outra coisa. Longe do castelo, no mais longe que o terreno montanhoso lhe permitia encher, ela viu o que não esperava ver tão cedo. Lá estavam, indo em direção a eles mais rápido que ela gostaria: os homens de neve gigantes da prima, marchando para Arendelle.
– Olaf? – Elsa chamou, olhando para o exército inimigo com aparente indiferença. E eu não podia dizer o que se passava em seu interior nesse momento, posso apenas imaginar quanto assustada ela estava. O boneco de neve olhou para ela: – Diga aos homens se preparem. Estamos em guerra. Diga também para eles avançarem. Não deixe que se aproximem da cidade.
Olaf assentiu e saiu correndo, indo informar a decisão da Rainha.
Você, leitor, provavelmente se lembra de que eu comentei que talvez, se pudessem, muitos dos governantes teriam voltado atrás em suas decisão. Essa foi uma dessas vezes para Elsa, imagino. Afinal, assim começou a sucessão de erros que levaram até o que virou.
Elsa, contudo, não era a única Glaciem envolvida nessa história. Entretanto Rosalya, ao contrário da prima, não parecia assim tão preocupada.
Na última vez em que ela foi apresentava, prendeu os invasores de sua montanha em globos de neves ou blocos de gelos e declarou guerra oficialmente a Arendelle.
Depois disso, ela deixou que seus guerreiros de neve marchassem sem ela, para dar um primeiro susto no povo de Arendelle antes de atacar de verdade. Enquanto esperava, ela e Hans levaram seus prisioneiros para o castelo, colocando os homens presos em blocos de gelo em uma espécie de porão que Rosalya introduzira ao castelo juntamente com esse propósito, e colocou o globo de neve com o loiro ao lado da estante em seu próprio quarto, onde Anna já estava.
Quando um percebeu a presença do outro, olharam-se assustados e correram na mesma direção, mas sendo impedidos de se aproximar pelo vidro dos blocos. Rosalya se abaixou para observar os dois melhor.
Sorriu.
– Já se conheciam? Oh, são noivos! – suspirou ao ver a pequena mão de Anna, que mostrava seu anel brilhante. Rosalya riu alto. – Que romântico! Melhor assim, casal de pombinhos… Pelos menos terão a companhia um do outros. É uma pena que não poderão se tocar…
E Rosalya se afastou, voltando para o andar de baixo para encontrar Hans olhando para a porta, de costas para ela.
Sem se importar muito com a presença dele, ela caminhou para o fundo do salão, levantando a mão e fazendo um trono de gelo surgir do chão gelado. Ela sentou-se nele sem cuidado, a despeito de estar usando um vestido.
Foi só quando ouviu o barulho do novo móvel sendo criado, que Hans deu pela presença da garota.
– Devo admitir, – ele disse, sorrido um sorriso cruel que ela temera no começo não conseguir tirar dele – Seu plano é genial. Estou feliz por isso.
– Por o quê? – ela perguntou, refletindo seu sorriso.
– Ora, tudo isso – Hans indicou o castelo como um todo, aproximando-se em passos lentos – Você é talentosa, minha querida. – ele disse, pegando a mão que ela estendera e aplicando um pequeno beijo ali, olhando-a com olhos baixos e frios. Colocou-se, então, ereto – Eu lhe devo desculpas. Você estava certa. Nesse ritmo seremos Rei e rainha mais rápido do que posso dizer “neve”.
– Não com a sua ajuda – ela disse, fechando a cara de repente, puxando a mão de volta e levando-se de seu trono recém-construído.
Parecia subitamente irritada enquanto caminhava para longe, fazendo os saltos ressoarem a cada passo, e então, parava de costas para o homem, os braços cruzados. Nos seus planos originais, Hans era parte fundamente para o sucesso, mas agora ele parecia um tanto quanto inútil, graças à invasão não prevista de Anna. Teria que arrumar alguma coisa logo para ele ou descartá-lo, o que fosse mais conveniente.
Acontece é que se identificara um pouco com ele. Ele também sofrera com as ações da família, como ela, e estivera em problemas por causa de Elsa e Anna, também como ela.
– Eu fiz tudo completamente sozinha até agora, – ela lamentou mais para si mesma do que para Hans.
Contudo, o homem estava logo atrás dela e não pode deixar de ouvir o que ela dissera. Colocou um sorriso triste no rosto, sentindo-se com pena da solidão da garota e ao mesmo tempo querendo garantir o pescoço e um futuro trono. Hans andou em direção a ela.
– Eu estou aqui. Sou seu amigo, se precisar, – disse, colocando a mão no ombro dela.
Porém, Rosalya se desvencilhou dele. Virou-se de frente para Hans, ela parecia brava, diferente do que a voz triste indicara momentos antes.
– Eu não preciso de amigos. – Começou, em um súbito ataque de fúria. A voz quase como um trovão vindo da garganta, ameaçadora e profunda, – Enquanto inimigos enfiam uma espada na sua barriga, amigos enfiam nas suas costas. Entre os dois, eu prefiro o primeiro. Pelo menos é honesto em suas intenções.
Hans não conseguiu sustentar o olhar daqueles olhos claros gélidos semicerrados como uma cobra e teve que afastar o rosto.
– Desculpe-me.
A verdade era que ele não sabia o que falar. Rosalya tinha suas mudanças de humor, e algumas eram mais assustadoras do que outras.
– Aliados, – Rosalya disse, pegando o queixo dele e fazendo-o olhar para ela. – Acho que é a palavra que procura.
Os dois se encararam por um tempo, ele sentindo a mão fria dela segurando seu rosto. Finalmente, Hans concordou verbalmente com ela.
Foi só então que o soltou e passou por ele, indo em direção à parede direita do salão. Hans virou-se para acompanhar seus motivos.
Sem parar de andar, Rosalya esticou a mão para a parede, fazendo uma porta secundária se abrir ali. Na verdade, só parou quando a porta já estava construída, uma versão menor da principal, e então se virou para Hans, agora sorrindo:
– Você não vem, Príncipe Hans das Ilhas do Sul?
Ele a acompanhou no sorriso e a seguiu, saindo do castelo e vendo quando a porta que Rosalya acabara de abrir desaparecia logo depois de ter passado por ela.
A garota se concentrava no frio. Podia não parecer, mas algumas vezes seus poderes lhe roubaram muitas das forças, como era o caso das magias maiores que estava prestes a realizar. Apesar de que, flutuar pelos ares como tinha feito para ir até as Ilhas do Sul, mesmo sendo mais rápido, consumia o dobro de suas energias.
Mas valeu a pena esperar um pouco, Hans concluiu depois. Ela abriu os braços e, bem diante dos olhos impressionados dele, fez surgiu dois dragão compridos e enormes, que flutuavam no ar.
– Suba a bordo, – ela concluiu, dando uma olhada para seu aliado. – Não quer perder a primeira batalha, quer? E, nesse ponto, Marshmallow, Kai e os outros já devem estar esperando por nós em Arendelle. Não podemos nós atrasar.
Cada um subiu na cabeça de um dos dragões, e, juntos, flutuaram pelos céus que apresentava o por do sol – sua mais bela obra –, naquele dia gelado no qual os homens de neve e homens de verdade estavam prestes a se enfrentar perto de Arendelle, a capital de um Reino homônimo que nunca tinha visto a guerra tão de perto antes.
Rosalya e Hans observaram de cima de seus dragões de neve flutuantes, em um luxo que a garota só se permitia quando estava feliz, mas Elsa assistiu aos homens marchando para fora do castelo da sua janela, preocupada com Kristoff, preocupada com a cidade, preocupada com a irmã. Apenas Olaf, pendurado no peitoral ao seu lado, servia para consolá-la. Não sabia nem mesmo onde estava Sven e os homens que haviam seguido Kristoff na procura pela princesa.
Nada. Nem mesmo um aviso, um homem sozinho prevenindo sobre problemas, qualquer coisa… Eles pareciam ter sumido no meio da neve.
– Elsa? – Olaf chamou ao lado dela. A Rainha olhou para ele. – Vai ficar tudo bem, não vai?
Ela suspirou e afastou o rosto. Não respondeu. O que poderia dizer para o boneco? Esperava, sinceramente, que ficasse tudo bem, mas não era o que parecia. Afinal, haviam duas possibilidades: ou perdiam e tudo acabava mal, ou ganhavam, mas com suas perdas, afinal, nunca ouvira falar de nenhuma guerra sem mortes.
E Elsa já ordenara que suas tropas marchassem.
Certo que não tinha muitos homens ainda, mas parecia o bastante para defender Arendelle de um primeiro ataque. Além disso, enviara um mensageiro para as cidades mais próximas, informando o que acontecera e exigindo as espadas que eram juradas a ela.
Infelizmente, tal ajuda só devia chegar no dia seguinte.
Elsa observou da janela de seu quarto enquanto, fora da cidade, suas tropas se encontravam com o exército congelado da prima. Não pôde ver muito. A maior parte das coisas aconteceu sem que ela pudesse acompanhar direito, mas era capaz de ver a névoa que se formara no momento em que os dois lados opostos se encontraram e começaram a lutar. Viu quando alguns homens gigantes caíram, levados por seus homens ou por outros gigantes de neve, os seus armados com espadas também de gelo e os inimigos, com os próprios braços. Viu quando eles lutaram, viu enquanto eles morriam sem poder fazer muita coisa.
Olaf olhava para ela, encontrando seu rosto bonito, mas ao mesmo tempo inexpressivo. Sem saber os medos e as inseguranças que se escondiam dentro daquela mascara sem sentimentos.
Elsa não soube dizer mais tarde quanto tempo ficou naquela janela, tentando entender o que se passava na batalha a pouca distancia dela. Não tinha como saber quem estava ganhando, não de tão longe. Mas, ela esperava que os quase quinhentos homens e os onze gigantes de neve que construíra estivessem bem e o maior número de caídos não fosse seu no final do dia.
Enquanto observava o que acontecia em terra, ela nem mesmo observou o que acontecia no céu e não percebeu a chegada dos dragões voadores, congelados e compridos, que serviam de montaria para Rosalya e Hans, os dois com uma visão da batalha bem melhor do que Elsa.
Elsa, longe demais, não havia nem percebido a presença da prima, mas Hans, de perto, estava ciente não apenas de sua presença, mas também de sua insatisfação.
Ela tinha consciência, claro, de que Rainha Elsa estava reunindo um exército e sabia que eles acabariam se encontrando, mas esperava que seus homens de neve já estivessem na cidade quando o conflito acontecesse. Não pretendia uma batalha de verdade ainda, estava apenas tentando assustar Arendelle e mostrar parte de seu poder, tanto que nem mesmo se importara em dar armas para seus guerreiros gelados.
E os de Elsa, apesar de em menor número, tinham espadas consigo. Era óbvio que Rosalya não estava feliz e nem mesmo se importava em esconder isso.
Ela, porém, preferiu não se meter na batalha, observando quando alguns de seus gigantes caiam perante as espadas dos inimigos e os homens de Elsa jaziam sangrando no chão. Apesar de tudo, Rosalya ainda tinha o maior número e estavam vencendo.
Hans se deliciava com a visão. Olhou para Rosalya algumas vezes e imaginava o quanto era sortudo por tê-la conhecia e o quão rápido seria para que ele conseguisse o poder definitivo.
Eles, corrigiu-se. Tinha que se acostumar com a ideia.
Mas teve que sair de seus pensamentos quando ouviu o grito de Rosalya. O grito que fez todos os homens e gigantes abaixo deles pararem de lutar e olharem para ela. A garota inclinou o corpo para frente, fazendo com que seu dragão fosse para baixo rapidamente.
Sem entender o que estava acontecendo, e assombrado ao perceber que Rosalya ia em direção à batalha que parara ao ouvir seu grito e que parecia não entender de onde surgira aquela garota, ou quem era ela.
– Não, não, não! – Rosalya gritava sem parar.
Hans não entendia.
Mas entendeu quando viu em que direção ela fora.
Havia um gigante caído, com uma espada atravessada pelo peito, e uma tiara na cabeça.
– Marshmallow! – Rosalya gritou, descendo do dragão e quase tropeçando no vestido, em sua pressa de se aproximar do gigante moribundo.
Ela parecia desesperada, fazendo a espada de gelo derreter com um aceno e tentando concertar o buraco que ela fizera, mas ali sua magia parecia falhar. Debruçou-se no peito do gigante, ainda tentando curar sua ferida.
Ninguém ao seu redor se mexia, todos olhavam para a cena, esquecendo que eram inimigos.
O único jeito de matar algo feito de gelo e frio é quando ferido com algo fabricado do mesmo jeito. O que era o caso de Marshmallow, o que era o caso da espada que o atingiu.
– Ro-sa, – ele disse em sua voz grave e parecendo se esforçar para fazê-lo, segurando a mão pequena da menina e então tombando a cabeça para o lado.
Rosalya ainda ficou mais um tempo perto do gigante, as mãos tentando fechar o buraco em seu peito. Quando finalmente percebeu que era inútil, levantou-se e em seu rosto continha toda a fúria do mundo.
Não disse nada, apenas esticou as mãos e fez varrer os guerreiros inimigos que ainda restavam, atirando-os ao chão e os fazendo voar pelos ares um pouco para longe. Alguns tentaram resistir, mas nenhum foi forte o bastante. Tanto os gigantes com suas espadas de gelo, tanto os homens de carne e osso, todos foram enviados para longe e, quando finalmente pousaram no chão, voltaram correndo para Arendelle, sabendo que não podiam lutar contra aquela estranha e viver.
– Rosalya… – Hans, que acabara de descer de seu dragão, tentou ser gentil com ela, procurando acalmá-la. Mas o choque da perda ainda era muito recente.
Livrando-se dele também, ela voltou para junto do gigante caído, passou a mão em sua cabeça, pegando a coroa e dando-lhe um beijo na testa, prometendo que nunca se esqueceria dele.
Logo depois disso, o corpo já sem vida de Marshmallow se desfez e ele voltou a ser a neve que era originalmente. Rosalya abaixou a cabeça, tentando enxugar uma única lágrima sem que Hans visse.
Porém, quando voltou para a olhou para cima, sua expressão já havia mudado. Ela olhou diretamente para um dos homens de neve mais próximos e disse, decidida:
– Kai, você está no comando. Ataquem Arendelle, destruíam tudo o que puderem. E, ao meu sinal, regressem para a Montanha do Norte.
O gigante balançou a cabeça positivamente.
– Mas, antes, tenho um presente.
E ela colocou um das mãos brancas no meio da neve caída no chão, puxando de lá uma espada de gelo apropriada para o tamanho de Kai e entregando a ele.
– Desta vez, quero que façam direito.
Ela armou cada um de sua centena de guerreiros de neve, entregando-lhes espadas, machados e estudos tão frios quanto deles. E, só quando todos já tinham suas armas, ela montou de volta em seu dragão flutuante, indo para cima. E Hans a seguiu.
Ele percebeu quando atravessaram as muralhas de Arendelle pelo ar e então deslizaram pelos ventos gelados até o castelo. Rosalya desceu de seu dragão, que voou para o alto, e Hans fez o mesmo. Como quando ela fora até as Ilhas do Sul o resgatar de sua prisão, também usou seus poderes para se livrar de qualquer guarda que tentou impedi-la de andar para dentro do castelo da prima, exigindo saber onde ela se encontrava.
É verdade que um homem conseguiu chegar ao quarto de Elsa antes de Rosalya, alertando-a sobre a invasão. Mas, isso foi de pouca utilidade. Logo depois, antes mesmo que o homem tivesse a oportunidade de sair do quarto, Rosalya irrompeu pela porta, ventos gelados a envolvendo e Hans aos seus calcanhares.
– Rosalya! – Elsa disse espantada enquanto mensageiro corria para fora do quarto. – O que está fazendo aqui?
– O que estou fazendo aqui? – a outra gritou. – Diga-me você!
Mostrou-lhe então a coroa que tirara da cabeça de Marshmallow morto, a coroa que antes pertencera a Elsa.
A loira a reconheceu.
– Não pode ser – ela deu um passo para trás.
– Sim, a sua coroa. A coroa que você deixou no castelo da Montanha do Norte. O que mais você deixou lá, Elsa, quando voltou para seu povo? Não consegue se lembrar? Pois eu te ajudo.
Rosalya fez vários gestos com as mãos, fazendo a neve e o vento ao redor dela formarem uma imagem na sua frente. A imagem de Marshmallow.
Elsa pareceu confusa e surpresa.
– Você o abandonou, mas não tem problema. Eu o encontrei e cuidei dele. E agora ele está morto! E sabe de uma coisa? Ele foi tudo o que eu tive por um tempo. Podia ser só neve e gelo, mas era importante para mim! E agora está morto. A culpa é sua, Elsa.
– Você enviou suas tropas. Eu não teria atacado se…
– Eu não ia atacar. Não ainda. Eventualmente, mas não ainda. Você pediu por isso. Você quer guerra? Então guerra terá. – Rosalya encarava a prima com seus olhos gélidos, – Não esqueça que eu ainda tenho sua irmã, o noivinho dela e os outros homens que você enviou. Então, priminha, aconselho que tome cuidado com o que vai fazer de agora em diante. Isso é guerra. Não é uma das nossas brincadeiras infantis mais.
– Você não pode machucar ninguém, você não pode fazer isso! – gritou Olaf, fazendo-se presente só então.
– Fique longe, boneco de neve, – a jovem rosnou, jogando a mão em direção a ele e o fazendo recuar com uma rajada de vento.
E Rosalya se virou para ir embora, mas Elsa a fez parar.
– Não sabia que você tinha esse poder também, – disse.
– Talvez seja um mal de família, não saberia dizer – Rosalya debochou.
– E mais uma coisa.
– O quê?
– O que ele faz aqui? – Elsa perguntou, apontando para Hans com todo o desprezo do mundo presente na voz.
Rosalya sorriu, mas não respondeu imediatamente, parecendo finalmente se divertir.
– Olá, Rainha Elsa. Sentiu minha falta? – Hans a cumprimentou, também sorrindo.
– Ele é meu aliado. – Rosalya se pronunciou. – E é melhor que se acostume com isso, priminha.
Os dragões que ela projetara entraram por uma janela aberta no corredor, levando o frio para dentro do castelo e a menina e o aliado para fora.
E, finalmente, Rosalya foi embora com Hans logo atrás. Em solo, sua hoste de gigantes de neve destruía todo em seu caminho com tinha feito com parte da cidade enquanto Rosalya e Elsa conversavam, seguindo a Rainha deles de volta à Montanha do Norte.
A guerra começara. Não era mais uma questão se ia acontecer ou não. E, sim, de quem daria o próximo passo.
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