Rainha da Neve

1 Explicações Necessárias


Notas iniciais
A história é escrita no ponto de vista de uma historiadora que estudou as histórias do reino de Arendelle. Ela não faz parte da história propriamente dita, mas suas opiniões não são necessariamente condizentes com as minhas, Lola Vésper. Manuscritos encontrados na Grande Biblioteca da Noruega, outrora reino de Arendelle.

Muitas pessoas tem a mania de começar a contar uma história pela metade. Como se nada tivesse acontecido antes ou pelo menos nada que merecesse muita atenção. Na maioria das vezes isso não é verdade. E, nesse caso, como na maioria das vezes, também não é verdade. Quando Elsa se tornou Rainha e fugiu para o alto de uma montanha, apenas para retornar depois de quase ter congelado sua irmã, Anna, que no final foi salva por um gesto de amor, toda uma história já estava em andamento.

Sim, esse foi um episódio muito interessante, mas foi como uma salada logo depois de ter comido o aperitivo: não era o começo, não era a parte principal. Contar apenas isso foi como mostrar somente uma parte de um mapa, uma cidade perdida entre o ponto de saída e o destino final: nem tão importante quanto o começo nem tão excitante quanto o ponto de chegada.

Dadas as devidas explicações, é necessário esclarecer outra coisa. Não estou aqui para escrever uma história para entretê-los. Não tenho a mínima intenção em agradá-los. Sou uma escriba e uma historiadora, e, como tal, tenho um compromisso com a verdade. Assim, apenas relatarei os fatos que aconteceram ou pelo menos o mais próximo da verdade que eu consegui chegar ao longo dos meus anos de pesquisa. Alguns fatos podem soar estranhos para quem ler isso, mas são todas as verdades que pude coletar, ouvindo todas as pessoas que eu consegui e juntando todos os fatos conflitantes que me foram relatados.

Outra coisa que vale ressaltar é que todas as pessoas sobre as quais escrevo estão mortas hoje. Falar sobre elas talvez seja bobagem, mas todos fizeram parte da história de um reinado e modificaram quantas vidas puderam afetar, então não são quaisquer pessoas que vivem e morrem sem que nem mesmo chegamos a ter conhecimento de sua existência.

Como disse desde o começo que não pretendo causar suspense, não comecei a quebrar minha própria regra tão cedo na história. Houve uma guerra. Uma guerra que envolveu várias pessoas e que teria afetado outras tantas se não tivesse sido morta na raiz. Mas, como houve uma guerra, independente de sua magnitude, vale ressaltar que algumas partes são conflitantes. Dependendo de que lado você lutava teria dito que uma das Rainhas sobre as quais trataremos estava certa ou errada em fazer o que fez.

Tentarei relatar a história sem tomar partido. Como historiadora, esse é meu dever. Mas sinto muito se falhar em alguns pontos, afinal, antes de tudo, sou uma pessoa e creio que mesmo os personagens históricos sobre quem irei tratar concordariam comigo em alguns aspectos, e talvez tivessem voltado atrás em suas decisões se pudesse. Mas grande lideres quase nunca tem esse oportunidade, o que é uma pena. Talvez muitas tragédias teriam sido evitadas se pudessem.

Devo também, creio, ter a obrigações de me apresentar. Se chegar a ler todas essas páginas sobre as verdades que estou prestes a contar, talvez alguma vez lhe passe pela cabeça a pergunta: “A quem pertencem as palavras que leio?”. Bom, caro leitor, meu nome não é importante por enquanto. Assim, faço dessa obrigação um detalhe. Você, leitor, deve apenas saber que sou uma historiadora e escriba de respeito e que não sou nova nesse ramo, imagino que sei o que estou fazendo e agradeceria se não questionasse meu trabalho. Apenas não informo meu nome, pois creio que as palavras aqui escritas são mais importantes do que quem as escreveu.

Além disso, em todos os anos em que me comprometi com a verdade, nunca ouvi uma história como essa. Viu algumas coisas nos lugares que visitei, as ruínas que ficaram quando mesmo os personagem que vivenciaram esse fatos já não estão entre nós, que não me deixam acreditar que é uma mentira, como a razão me pede para fazer. Então, apesar de muito apegada a lógica, tive que abandoná-la enquanto estudava esse caso e peço que você, leitor, faça o mesmo.

Tudo esclarecido, sinto que posso começar. E, bom, como eu disse, a história começa antes do que a já contada para o resto do mundo.