Mais um dia chegou ao fim e depois de poucas horas de sono eu acordei e um sentimento de medo e angustia me tomou, me revirei na cama e por fim me peguei olhando para a janela, e a todo momento eu esperava que um daqueles homens que me perseguia iriam do nada pular a janela e me levar para um lugar ainda pior do que o que eu sai, fiquei alguns minutos ali parada só esperando eles chegaram, mas ninguém chegou, me levantei e fui ate a janela, puxei um banco para frente da janela e me sentei na esperança de que logo o sono iria chegar, avistei uma figura andando na direção da minha janela, fiquei paralisada, conforme a figura se aproximava meu coração batia mais forte, quando a figura se aproximou de um dos postes e a luz pegou em seu rosto, era Carlos, ele me olhou e sorriu
–sem sono? — ele se apoiou na janela
–é, algumas noites são complicadas- ele deu um sorriso triste
–que tal uma volta? pode melhorar — ele olhou em volta como se o seu pedido fosse uma coisa proibida, ele estendeu a mão e eu pulei a janela
–você não me contou oque aconteceu nesses últimos anos — falei enquanto sentia meus pés descalços em contato com o gramado molhado
–bom, o mundo se dividiu os países em conflito se uniram a outros países que se encaixavam com oque eles planejavam para ser um novo regime de governo e os países que não se encaixavam foram bombardeado e viraram pó, algumas pessoas conseguiram fugir para lugarem como esse, eu sou um soldado de um dos países bombardeados e me mandaram para cá, afim de proteger esse campo, proteger as pessoas — ele continuou andando e tinha um ar de confiança em seu rosto
–mas, não um lugar para aonde as pessoas que se refugiam podem ir? — comecei a ouviu o barulho do rio ao longe, sentamos no mesmo banco da nossa ultima conversa
–boatos que sim, mas não temos certeza, os lideres estão estudando esse suposto lugar para ter a total certeza, a alguns anos atras levaram um grupo para um lugar que disseram ser seguro , mas não contavam que tinha um espião entre eles — ele fez uma cara feia
–como assim espião? — aquilo me parecia um pouco fora do comum
–de vez em quando mandam espiões para campo de refugiados como esse para passar informações, como localização, planos e tudo mais que possa valer para eles- o olhar dele se perdeu no nada — mas, você ta segura aqui
–isso é bom, me sinto muito mais segura — eu sorri e encarei ele, ele sorriu de volta
–acho melhor eu voltar a minha ronda, e você precisa dormir — ele falou desviando o olhar depois de alguns segundos, ele estendeu a mão para mim, segurei, ele continuou segurando minha mão e depois de alguns passos a soltou
–Boa noite — falei quando chegamos na frente da minha janela, ele sorriu e colocou as mãos em minha cintura, me levantou e me colocou sentada na janela do quarto, entrei no quarto
–até mais — ele piscou, sorriu e andou no sentido contrario.
Depois de deitar em poucos segundos eu cai no sono, e não teve sonho. Acordei com o alarme tocando, mas em vez de 3 toques eram 4 e eu não sabia oque significava, me troquei e sai do dormitório, quando sai vi pessoas enfileiradas, Crianças,Adultos e idosos e os guardas tinham máquinas em suas mãos e as passava perto do corpo das pessoas, verificavam e escreviam em uma prancheta
– Ei você, tem que ir para o seu lugar — o homem quase idoso com cabelos grisalho apontou para uma filheira com mulheres, caminhei ate o final da fila ainda sem intender, quando minha vez chegou, um guarda passou a maquina perto do meu corpo e minha cabeça, luzes verdes se acenderam e ele passou novamente com uma expressão preocupada
–Comandante- ele chamou e Carlos apareceu e se pós ao lado dele, ele sorriu para mim — os nível de radiação dela é nulo — o sorriso saiu do seu rosto, vi Miguel se aproximar e olhar a prancheta, o rosto dele tinha uma expressão estranha
–Leva ela para a base — Carlos falou com uma voz rude e firme, um guarda segurou meu braço e me fez andar
–Carlos, espera — Ouvi a voz de Miguel, me virei e vi um guarda falar algo para Miguel, o olhar dele era perdido e assustado, olhei para Carlos e esperei ele me olhar com aquele olhar acolhedor mas não aconteceu e toda aquela mistura de coisas me fez sentir como quando me pegavam em fuga e era como se eu estivesse indo para a morte.
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