Radioativo
7 Capítulo 7
Segurei um grito quando uma das enfermeiras jogou um pouco de álcool em uma das minhas muitas feridas. Depois de sair do meu ''cativeiro'', Miguel me trouxe diretamente para a enfermaria.
Todos que passavam por mim me olhavam como quem perguntava ''caramba, oque aconteceu com seu rosto?'', não acho que qualquer um deles saiba oque aconteceu comigo pois muitos deles passavam por mim e me olhavam com uma certa pena.–Ei-Miguel estava sentado em uma cadeira do lado da minha cama –oi — falei me virando para ele–Olha eu tentei..- ele falou olhando para as mãos –eu sei que você tentou — toquei seu ombro e ele relaxou –ele também tentou- ele levantou os olhos e por um momento pensei ser ele, pensei que era Carlos, e era dele a quem Miguel se referia. Respirei o mais fundo possível para afastar as lagrimas–Não importa, eu preferia que ele tivesse me deixado morrer afogada naquele rio do que ter me mandado para aquele lugar — virei o rosto e algumas lagrimas rolaram e eu as sequei com as costas da mão – não sei oque disser para amenizar isso ou defender meu irmão, eu só sinto muito e sei que ele também — ele se levantou da cadeira — Prometo não deixar que nada mais de ruim aconteça –Juro que se mais uma coisa ruim me acontecer eu me mato — ele sorriu tristemente e saiu da enfermaria Fiquei mais algumas horas na enfermaria vendo as pessoas passarem e me olharem como se eu estivesse em uma vitrine ou algo do tipo. –você já esta liberada para ir — uma enfermeira falou depois de me da a ultima dosagem de analgésicos, sorri para ela e tratei logo de dar o fora dali. Logo que levantei, planejei ir o mais rápido possível para o meu quarto, quando eu já estava na metade do caminho, meu corpo parou instantaneamente quando vi que Carlos caminhava em minha direção, eu queria chorar, gritar e sumir mas meu corpo não se movia para eu realizar nenhuma das minhas vontades –Aniya- ele olhou para o chão, calculando oque iria me falar. andei em passos largos tentando fugir das suas desculpas, mas não fui muito longe porque ele segurou meu braço, A raiva percorreu todo o meu corpo, meus punhos estavam fechados, quando pisquei novamente Carlos estava com a mão na boca e minha mão doia mais do que tudo, olhei ao redor, vários guardas miravam armas para mim, Carlos levantou a mão e os guardas abaixaram as armas –eu mereci essa- ele falou limpando o sangue da boca — eu sei que você não entende e nem vai querer entender, mas, eu sigo ordens, eu queria muito que meu querer estivesse a cima de muitas coisas mas infelizmente não esta ,e a ordem é, matar um ,mesmo que seja inocente para proteger os demais — senti vontade de chorar, mas não seria na frente dele, não mesmo. Me virei e caminhei para a ala feminina. Fiquei horas no meu quarto tentando dormir, e quando ficou claro que eu não conseguiria, comecei a arquitetar um plano de como eu sairia daqui e para onde eu iria. Alguém bateu a porta e depois a porta foi aberta –tem alguém querendo te ver — Miguel falou, seu cabelo estava molhado e logo seu cheiro de limpeza e frescor chegaram ate a mim, me levantei e o segui. Esperei que não fosse Carlos com mais uma daquelas conversas de que ele seguia ordens quando me mandou para aquele lugar. Logo no gramado, havia muitos guardas, mas o que me intrigou foi a figura que estava ao lado de Carlos. Meu pai..aquele desgraçado
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