Radioactive

24 Chapter XXIII: Battle Cry


Chapter XXIII — Battle Cry

Peter

Segurei a arma com mais força. Minhas mãos estavam suadas. Ao longe, na linha do horizonte, o Sol começava a baixar. A adrenalina corria solta em meu sangue. Meu coração batia como louco. Eu sentia-me como uma centrífuga, girando sem parar, sugando tudo o que podia para dentro. O ar ardia em minhas narinas.

A guerra estava pra começar.

Segui minha visão na direção onde o Pandora estava. Aquela seria nossa válvula de escape. O terror de perder mais pessoas subia desenfreado em minha mente, e a cada minuto eu pensava e fugir com Alice e deixá-los para trás. Acerto um tapa estalado em meu rosto, furioso comigo mesmo. Aquelas pessoas são minha família, e família não se deixa para trás. Pulei do muro e caminhei até a Hutaka, onde Milo monitorava cada passo dos Guerreiros. Vi o pequenino acampamento no meio da estrada. Eles tinham armas pesadas, um tanque, mais gente que nós. Em outras palavras mais mundanas, eu diria...

Diria que a gente está ferrado.

Eram apenas questões de horas até os malditos nos alcançarem. Apesar de tudo, estávamos armados para protegermos a nós mesmos, até que conseguíssemos entrar no Pandora e cair fora daqui. Corri até o portão Norte, onde Merida e Jack faziam a guarda. Já deveriam ser umas cinco da tarde quando o motor poderoso do tanque roncou e ecoou pela cidade. Milo, que estava mais sério que o normal, deixou a segurança de Atlantis e caminhou até Hades, que parecia desfilar em seu tanque de guerra. Eles trocaram algumas palavras, até o cientista dar um grito furioso e arrancar o diamante azul do pescoço, o jogando dentro da máquina. Logo, o fogo cruzado começou.

Merida, veloz como um puma, atirava flechas com uma precisão cirúrgica. Jack, ao seu lado, derrubava fileiras e mais fileiras de homens tolos o suficiente para abandonar a segurança de seus carros. Rapunzel e Alice juntavam todos os suprimentos que podiam e escondiam nos carros preparados para a fuga. Junto de Kida, eu jogava coquetéis Molotovs que a mulher criara, fazendo homens e mortos explodirem. Aquilo estava o verdadeiro caos. Malévola e Finn impediam os mortos de entrarem em Atlantis, e estavam se saindo muito bem.

Um homem pulou na minha frente. Tinha um bigode alá italiano, usava um terno vinho e tinha um gancho na mão esquerda. Arregalei os olhos, vendo seu sorriso de escárnio crescer. Aquele era o Capitão Gancho. Ele era meu antigo diretor do reformatório cujo qual eu havia fugido alguns dias antes da praga estourar. Aquele homem me odiava com todas as suas forças. Nunca soube o porquê. Eu ainda estava em choque, quando ele avançou sobre mim, por muito pouco não arrancando meu olho com seu gancho.

– Eu disse que iria te achar, Menino Perdido. — ele murmurou, apertando meu pescoço — Adeusinho, Peter Pan.

Eu estava prestes a desmaiar quando o aperto subitamente se desfazera. Respirei fundo algumas vezes antes de agradecer a Kida, que acertara sua picareta de gelo na cabeça daquele bastardo. Pude ver a chama da preocupação brilhar em seus olhos azuis, e eu sabia muito bem o que ela procurava. Pulei o muro, ignorando os gritos de Merida para que eu voltasse. Virei esquinas, desviei de carros em chamas e corpos mortos no chão. Vi então Hades e Milo em um combate corpo a corpo, e o cientista estava perdendo. Ergui a pistola, encarando os cabelos azuis do inimigo. Seria um tiro difícil, mas eu tinha de tentar. O mundo ao meu redor pareceu parar, e eu ouvia apenas minha respiração. Num único fôlego, eu apertei o gatilho.

A bala voou até atravessar o crânio de Hades, o jogando para a frente. Ele caiu por cima de Milo, que gritou alto. Corri até ele, e joguei o inimigo morimbundo para o lado. Uma viga de ferro saltada de um carro atravessou o peito do moreno. Ele tossiu sangue e puxou-me para baixo, colando meu ouvido a sua boca.

– D-diga a K-Kida... Que e-eu a amo. M-me mate, Peter. Me m-mate.

Fecho os olhos, respirando fundo e mordendo o lábio inferior. Coloco o cano da pistola na sua cabeça e puxei o gatilho. Fechei seus olhos e voltei a Atlantis, onde metade dos homens estava morto. Vi Finn abraçado a Merida, chorando desoladamente. Kida correu até mim, desesperada.

– Onde está Milo?! Onde ele está?!

– Ele... Kida, ele te amava. Eu assassinei Hades. E ele assassinou Milo.

– Mostre-me, Peter. Por favor.

Assinto, levando-a até o corpo do homem. Ela começa a chorar. Mas então faz algo que eu jamais pude imaginar que ela fizesse. Tirando a arma do coldre, ela aponta pra sua cabeça, sussurra um "adeus" e tira sua própria vida.

A dor de ver meu lar novamente destruído era pior que tudo. Voltei aos meus amigos, e caí de joelhos. Minha alma havia perdido mais um pedaço. Soltei um grito descomunal, e comecei a chorar.

Havíamos tido um grito de guerra. Mas aquele seria o último.

XXXXX

O Sol nascia enquanto sobrevoávamos Savannah. O hotel em que eu e Meri havíamos ficado ainda parecia intacto. A ruiva o pousou no telhado, pulando logo em seguida para descarregar os suprimentos do Pantera. A cidade parecia tranquila. Ao longe pude ver uma mulhara separando as ruas. Agora, eu não sabia se queria ficar ali. Correr o risco de sofrer outro ataque? Talvez fosse melhor continuarmos na estrada.

– Pete? — a voz de Alice tirou-me do estupor — Não foi sua culpa.

– Eu sei que não, Lice. — eu a abracei, beijando o topo da sua cabeça — Eu só... Só cansei.

– Ei, pombinhos! — Meri chamou, fazendo-nos rir — Vamos entrar. A neve está começando a cair.

Observei o horizonte mais uma vez, pensando no que viria a seguir. O que o destino nos aguardava agora? O quão cruel o mundo pretendia ser conosco? Havíamos perdido tudo, e o pouco que conseguíamos recuperar, vinha alguém e tirava isso de nós. O que falta agora? Canibais? Sacudo a cabeça e sigo para dentro do hotel, suspirando. Minha mente se perderia naquele abismo de dor que havia dentro de mim. Era como matemática. Afinal de contas, me responda, quanto é mil menos sete? Conte como eu contei, vamos ver se consegue.

Notas finais
Heeey! Eu sei, eu sei, eu desapareci! Mas eu voltei! É que eu estava totalmente sem ideias pra essa fic, e também tô em semana de provas, mas não abandonei a fic, viu? Tamo junto, galera! • Küsse da Heather •