Radioactive

21 Chapter XX - Virus


Chapter XX — Virus

Jack

O Sol estava insuportável. Os raios pareciam queimar minha pele como se eu estivesse deitado num fogão. Mas eu deveria aproveitar, afinal, o inverno está chegando.

Tenho somente este dia de Sol.

Milo nos avisara que uma forte tempestade de neve estava por vir, para dar início ao inverno na Georgia. Trabalhávamos a todo o vapor nas hortas e nas caças, afim de recolher comida suficiente para passarmos a época de neve e frio nos chalés. Mas diferente de todos, eu não estava preocupado. Não sentia frio, eu gostava até, de ficar deitado na neve do jardim usando apenas uma camiseta de veludo. Minha mãe vivia berrando para que eu me agasalhasse, mas simplesmente não ficava doente. Era como mágica. Continuei a arar terra, para tirar as cenouras fartas que davam no chão, quando comecei a me sentir numa torradeira com aquele casaco. Tirei-o e o amarrei na cintura, enxugando o suor com a parte detrás da mão esquerda. Passei a mão rapidamente pelo pescoço, sentindo as finas linhas sob minha pele desenharem um grande floco de neve na minha garganta. Ainda me lembro de como mamãe reagiu quando viu minha tatuagem, gargalhando feito louca e dizendo "meu filho, você vai acabar por virar um guardião da neve". Um sorriso nasceu em meu rosto ao imaginar Emma e minha mãe no Céu.

– Vamos amigo, ainda tem muita cenoura nesse chão!

– Merda Kida, que susto. — peguei o arador que havia caído no chão — Eu já estou acabando aqui.

– Relaxa parceiro, temos até amanhã pra colher essas coisas.

Ela bateu em minhas costas e saiu para verificar os estábulos. Vi Tiana e Simba tirarem a pele de um alce que ele havia caçado, enquanto Hayley e Finn ensinavam à Nemo como atirar e acertar em walkers. Mais ao Sul, Peter e Malévola se livravam de alguns mortos que se aglomeravam nas grades mais baixas daquele lado, empurrando-os em direção a fogueira que Nala montara. Suspirei, sentindo meus ombros pesados e o suor escorrer pela minha espinha, e voltei a tirar as malditas cenouras do chão. Era um ritmo repetidamente lento, como minha rotina antes do Inferno começar.

Enfia a mão, puxa a cenoura.

Enfia a mão, puxa a cenoura.

Enfia a mão, puxa a cenoura.

Argh, não posso mais fazer isso. Levantei e estralei as costas, quando pingos gelados gotearam meu rosto. Oh sim, graças a Deus, chuva! Corri até as bombas d'água e abri suas tampas, deixando as gotas grossas e pesadas encherem o tanque até o topo. Estava encharcado da cabeça aos pés mas me sentia feliz. Peguei a cesta de cenouras e levei em direção a Hutaka, onde Kida prepararia o almoço. Segundo ela, hoje era um dia especial. Já havia se passado cinco meses desdo dia em que Alice apertara os botões do interfone de Atlantis.

– Ei albino. — Merida tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo, e seus cachos estavam molhados. Três coelhos gordos vinham numa flecha em seu ombro e um punhado de peixes estava preso ao seu cinto.

– Você mal saiu da enfermaria e já foi caçar, Meri?

– Não posso ficar muito tempo parada. — colocamos os alimentos numa mesa de ferro — Além do mais, preciso sair numa busca com Simba e Nala por remédios.

– Mulan não melhorou? — a ruiva sacudiu a cabeça — Merda.

A asiática pegara uma doença terrível. Estava fraca, mais pálida que o normal, tossia sangue e tinha os olhos fundos. Por precaução, mantemo-a isolada num chalé separado dos outros. Kida, com suas tranças brancas, entrou apressada na pequena cozinha. Deu um sorriso e espanou a mão, avisando que poderíamos ir descansar. Eu e Meri caminhamos lado a lado, em silêncio, na direção do muro de onde Lilo havia caído e Finn perdera seu braço. Sentamos debaixo de uma espécie de marquise que Milo havia feito, nos protegendo da chuva. Dividimos uma Cherry Coke enquanto observávamos a chuva cair e banhar os demônios que forçavam o muro para baixo.

– Acha que ela vai sobreviver?

– Eu não sei, Meri... Mulan é forte. E super saudável.

– Mas ainda sim é uma doença mais forte! Não temos antibióticos, e os suprimentos estão acabando. — ela olhou para o chalé de Mulan, que estava bem próximo ao nosso, aflita — Eu estou com receio de que isso seja perigoso pra nós.

Rosnados e passos arrastados cortaram o ar. Apontei a arma pra floresta, mas esta estava tão silenciosa quanto a cidade. Esquadrinhei o lugar com os olhos, a procura do barulho. Não havia nada. Apoiei o cano da AK-15 no joelho, mais calmo, quando o grito de Merida perfurou meus ouvidos e ela tombou para o lado. Por impulso, mirei no walker que tentava atacá-la. E logo em seguida, meu rosto tomou uma expressão de susto, medo e surpresa.

Mulan tinha os olhos brancos e leitosos, que sangravam muito. Sua testa agora tinha um furo, e a parte detrás da cabeça havia sido arrancada graças ao tiro. Ajudei a ruiva a se levantar, e ela estava tão em choque quanto eu. Por Deus, o que acontecera ali? Logo todo o resto do grupo juntou-se a nós, assustados pelo barulho que o tiro fizera.

– Meu Deus... O que... O que diabos aconteceu aqui?!

– Não sabemos! Mulan simplesmente saiu do chalé e já estava transformada!

– A doença... — Malévola murmurou — Ela deve ter morrido com aquilo.

– É como uma gripe.

– Esperem... Onde está o Simba?

Uma tosse seca cruzou o ar até nossos ouvidos. O grandalhão estava caído no chão, tossindo com força, as costas arqueadas. O sangue borrifou pela grama verde, enquanto Simba caia, desmaiado por cima da própria poça de sangue. Como um interruptor, Nala e Tiana cairam no mesmo transe. Precisávamos deixá-los isolados. Kida segurou os ombros de Simba e o puxou para o chalé onde Mulan estava. Ela escolheu a mim, Malévola e Alice para levarmos Tiana e Nala, enquanto mandava os outros se afastarem. O chalé era grande e espaçoso, além de ter pequenas celas de madeira. Só então reparei que era um estábulo abandonado. Coloquei a negra numa baia enquanto Mal e Lice pousavam a loira numa outra.

– Pessoal, vamos ter de ficar aqui. — a mulher de cabelos brancos estava ofegante — Estamos de quarentena.

***

Usando um pano para cobrir o rosto, nós quatro cuidávamos dos infectados, tentando retardar o efeito da doença o máximo que podíamos com um chá de ervas extremamente forte que Malévola preparara. Mas infelizmente, aquilo só prolongava a dor e a agonia pré-morte que eles estavam vivendo. Milo instalou um vidro nos fundos do estábulo para podermos falar com os outros do lado de fora. Rapunzel nos trazia comida e água, além dos poucos remédios que Merida e Peter encontravam nas suas buscas.

– Eles viajaram até as Pedras Guias da Georgia. – as vozes ficavam abafadas por causa do vidro — Não sei se vão encontrar algo mais que isso.

– Malévola nos disse que existe uma faculdade de Medicina nos arredores de Woodstock. Poderíamos mandar uma busca pra lá.

– Também já fizemos isso. A faculdade é uma armadilha para os desesperados. Está cheio de walkers infectados por todos os lados. Foi um milagre Hayley e Finn terem saído vivos.

Foi como um balde de água fria nos meus sonhos.

Ouvi grunhidos vindos de lá de dentro e despedi-me de Punzie, recolocando o pano e empunhando minha faca. A baia de Simba fedia, e moscas zumbiam em cima de seu corpo. O pobre homem havia morrido, talvez a duas, três horas atrás. Suas pernas estavam presas debaixo de grandes caixotes de madeira, o que o impediam de andar. Sua boca podre mordia o ar. Seus olhos, antes esperançosos, agora brilham com o ar de morte e vazio. Estes sangram e estão leitosos. Verifico a baia ao lado. Nala dorme profundamente, ressonando baixinho, como se estivesse em paz. Com pesar e um suspiro cansado, desço a faca no meio de sua cabeça, vendo-o tombar para o lado com um baque mudo.

O vírus iria matar todos nós. Um a um, até não sobrar mais ninguém.

Notas finais
Descuuuuuuuulpem! Eu sei, eu sei, demorei pra c#@&$% mas aqui estou! É que eu tive um bloqueio criativo muito forte pra essa fanfic, simplesmente não conseguia escrever mais nada! Esse capítulo ficou meio (vulgo totalmente) bosta, então, se não tiverem gostado, podem me avisar. Ah sim, quem quiser, pesquise no Google sobre as Pedras Guias da Georgia. Elas têm uma história de conspiração bem intrigante. Até o próximo! × Küsse da Foxy ×