Radioactive
16 Chapter XVI: Atlantis Can Be Our New Home
Chapter XVI — Atlantis Can Be Our New Home
Peter
Cansado. Era essa a palavra que me definia.
Cansado mentalmente, fisicamente e psicologicamente. Perdemos mais de setenta e cinco por cento do nosso grupo, e isso era inaceitável, bom, pelo menos para mim e Jack era. As meninas preferiam deixar isso pra lá, para que não assustássemos Kida e seu pequeno grupo logo agora, que chegamos a pouquíssimo tempo. Hiccup e Finn tiveram de concordar com elas.
Havia exatos quinze chalés em Atlantis, um para cada um, mas como não queríamos abusar da hospitalidade do parque, apenas utilizamos dois: as mulheres em um e os homens em outro. O lugar era imenso, a horta farta e abundante, os porcos e vacas gordos e fortes, uma enfermaria lotada de remédios e kits de primeiros socorros... Eles tinham tudo sobre controle ali, e isso era muito bom. As fortalezas de Atlantis eram impenetráveis. Minas terrestres rodeavam todo o perímetro do parque, além dos muros altos e das armas bem posicionadas em lugares estratégicos para abaterem possíveis ameaças, como os Guerreiros, por exemplo.
– Ei Peter! Quer me ajudar aqui?
– Claro Kida.
Ela me jogou um ancinho e começamos a trabalhar na horta, em harmonia e num silêncio confortável. Todos nós a agradecemos mil vezes por ter nos aceitado aqui, e não era por menos, afinal, quem aceitaria dez pessoas vindas do nada na sua fortaleza? Ninguém confia em ninguém nos dias de hoje, e estamos dando sorte por estarmos achando pessoas boas como Kida e o Chapeleiro para nos abrigarem. Os ferimentos de todos foram tratados, e como gratidão, todos nós ajudávamos em alguma coisa. Merida, por exemplo, sairia pra caçar. Jack e Rapunzel iriam sair para buscar mais suprimentos. Malévola e Mulan tratariam dos cavalos. Lilo e Finn ficariam de vigia no lado mais fraco das grades de segurança. Todos nós estávamos dando duro para tentar pagar a dívida que formamos com Atlantis.
– Eu estou tão feliz! Finalmente vocês irão conhecer o resto do meu grupo.
– Sério?
– É! — Kida sorria de forma encantadora — Tiana, Simba e Nala chegam hoje à noite.
– Kida, como apenas vocês quatro conseguem dar conta disso tudo?
– Ah, nós temos os robôs de Milo. Eles são muito úteis.
O cientista Milo. Até agora nós não o vimos, graças ao fato de ele estar sempre na Hutaka, como eles chamam a grande cabana que fica no centro do parque. Percebi também que Kida sempre mantinha um pedaço de cristal amarrado a tira do cinto, e me perguntei o que seria aquilo e qual sua importância. Continuamos mais alguns minutos na horta, até que a mulher de cabelos brancos declarou o almoço. E somente nessa hora eu percebi o quão estava faminto. Peguei o prato que um robô azulado me oferecia e corri até as mesas do parque, comendo tudo bem devagar e saboreando cada pedaço. Mal reparei quando Alice sentou ao meu lado, rindo.
– Calma aí, Pan, parece que vai ter um orgasmo com a comida.
– É sério Kingsleigh, isso daqui tá melhor que orgia.
– Uau cara, vocês são tão formais. — Finn comentou na outra mesa, fazendo Lilo que estava ao seu lado rir.
– Cala a boca, Garoto da Espada.
– Isso é inveja. É pecado viu, Peter?
Dei-lhe o dedo do meio e continuei a comer. Soltei um resmungo de desaprovação ao saber que já tinha lambido o prato. Entreguei-o para o mesmo robô e segui até o lago de Atlantis, que refletia o céu cinzento acima de mim. A água era cristalina e gelada, coisa que eu não via a muito tempo. Soltei um suspiro. Aquele azul era tão parecido com os olhos de Wendy... Mas na verdade, eu pensava em Alice, a garota maluca que eu encontrei desmaiada numa estrada nos arredores de Blairsville. Ela é linda, e simplesmente não consigo a tirar da droga da minha cabeça. A pergunta de Mégara me atingiu em cheio: "o que tem entre você e aquela menina loira, Alice?"
A verdade é que nem eu sabia. Cada dia mais eu queria tê-la perto de mim, sempre a minha vista, pra que nunca mais se machucasse. Toda a vez que via aquela cicatriz no seu braço, me xingava mentalmente. Deveria ter me atirado na frente do cachorro antes que ele a atacasse, mas não, apenas fiquei lá, olhando, feito um idiota, enquanto o cão praticamente arrancava seu braço fora. Suspirei alto, tentando não pensar no formigamento dentro das minhas calças, que sempre ganhava vida quando eu pensava em Kingsleigh. Masturbação é pecado, Peter.
E a mentira também.
Eu amo Alice. Mas será que o sentimento é recíproco? Levantei e vaguei pelo parque, na tentativa de pensar em qualquer outra coisa que não fossem loiras de olhos azuis.
***
A noite havia chegado tão veloz quanto uma flecha. Estávamos todos sentados nas mesas, quando Kida e mais três pessoas apareceram na nossa frente. Havia duas mulheres, um homem e uma menina mais ou menos da nossa idade. O cara era alto, cabelos e olhos castanhos, pele bronzeada, usava roupas coloridas e com várias formas geométricas, como estampas africanas. A mulher que estava de mãos dadas a ele usava a mesma roupa, os cabelos eram de um loiro acastanhado, olhos azuis límpidos, pele morena e carregava um taco de baseball agregado a um martelo na mão livre. A segunda mulher era negra, com dreadslocks amarrados pra trás da cabeça, roupas largas e discretas e uma katana, igual a de Mulan, nas costas. Ela também tinha uma cabeça de walker presa ao cinto, só que parecia diluida ou algo assim, pois estava bem menor do que o normal. A garota tinha os cabelos ruivos claros como os meus, porém, suas primeiras mechas eram brancas como a neve. Usava uma calça jeans e top, além de carregar uma espada azul chamativa nas costas. Todos estavam feridos e cansados, mas exibiam sorrisos simpáticos nos rostos.
– Pessoal, estes são Tiana, — a mulher da katana — Nala, — a mulher de olhos azuis — Simba, — o homem — e a nossa mais nova aliada, Hayley! — a garota.
– É um prazer conhecê-los, mas eu realmente preciso de um banho.
Tiana saiu correndo, deixando todos nós rindo para trás. Simba e Nala sentaram com Kida e Malévola e pareceram engatar numa conversa animada. Hayley correu até Finn e Lilo, mostrando sua espada e pegando a do loiro, entusiasmada. Suspirei, alegre, cansado, e extremamente ansioso.
Atlantis pode ser nossa nova casa. Mas o que o destino guarda pra nós?
Fale com o autor