Radioactive
15 Chapter XV: Hope There's Someone
Chapter XV — Hope There's Someone
Alice
Dentro daquele carro, eu pude ver o perigo que corríamos com Tinker Bell perto de nós. Eu fui burra, inocente demais. Merecia ter sido deixada pra trás, afinal, eu trouxe o mal para dentro das nossas casas. Ariel havia nos avisado. Nani havia nos avisado. Peter havia me avisado, e eu simplesmente dei as costas para o seu alerta. Eu mereço ser abandonada, deixada pra trás, não mereço viver com essas pessoas tão boas. Olhei pela janela do carro, vendo a paisagem selvagem passar veloz como um risco de lápis numa tela azul. Uma música tocava no rádio que Malévola dirigia, e ao que parecia, era eletrônica. Mas a letra que realmente me chamou atenção.
Hope there's someone who'll take care of me
When I die, will I go?
And hope there's someone who'll set my heart free
Rest alone when I'm tired
Quem, de fato, iria estar ali comigo quando eu dormisse? Quem estará comigo no dia em que eu morrer, quando eu for-me deste mundo? Continuei a me concentrar na letra, enquanto a paisagem se acelerava do lado de fora.
There's a ghost on the horizon
When I go to bed
How will I fall asleep tonight?
How will I rest my head?
Sempre que eu fechava os olhos, as silhuetas dos mortos dançavam contra as minhas pálpebras, gemendo, como se pedissem por ajuda. E eu simplesmente os encarava, impotente. Nunca poderia ajudar um deles, porque eles já estavam mortos. Mas, e se na verdade, eu estivesse morta?
And that sin, I don't want to go
To the seals of war through shame
And there's a ghost on the horizon
When I go to bed
Oohh... Oohh...
Oh, I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there
Antes de encontrar Peter em Blairsville, fui abandonada em um vale vazio, entre a luz e lugar nenhum. Era seguro, não havia tantos errantes, mas eu sentia que iria morrer. Se a fome ou a sede não me matassem, a solidão iria fazer seu serviço; acabando com meu sofrimento. Vaguei dias a fio pela estrada, até que desmaiei de cansaço e insolação e acordei no pequeno apartamento em que Pan morava.
There's a man on the horizon
Wish that I'd go to bed
And if I fall to his feet tonight
Will allow rest my head
And godsend I don't want to go
To the seal's watershed
And there's a ghost on the horizon
When I go to bed
Ohh... Ohh...
A voz de Malévola era suave e doce como uma brisa de verão, e se misturava fácil a mulher que realmente cantava a música. A batida eletrônica continuou até diminuir e acabar de vez, exatamente no momento em que o outro carro buzinou, e então paramos no encostamento. Na picape preta estavam Merida, Jack, Hiccup, Rapunzel e Mulan, enquanto no outro estavam eu, Peter, Lilo, Finn e Malévola. O carro preto soltava fumaça pelo capô, e o albino distribuía chutes de raiva nas portas e nos pneus. A ruiva o segurou pelos braços e sussurrou alguma coisa em seu ouvido, que o fez relaxar rapidamente, passando a mão pelos cabelos brancos, respirando fundo.
– O que vamos fazer? Não podemos simplesmente ficar aqui enquanto esperamos o carro esfriar.
– É verdade, vi uma horda grande enquanto passávamos por aquela cachoeira.
– Então nós vamos precisar ir andando. Temos que sair daqui antes que anoiteça.
Em harmonia, começamos a tirar as coisas dos carros, aproveitando o máximo que ele podia nos dar. Em poucos minutos, estávamos carregados de bolsas, deixando os veículos para trás conforme o crepúsculo se aproximava. As horas não pareciam passar, e a cada passo as sacolas pareciam pesar mais e mais, como se carregássemos concreto. Meus olhos pesavam e minhas pernas pegavam fogo.
– Meu Deus... olhem aquilo!
Todos nós direcionamos o olhar para onde Lilo apontava. E por um segundo eu me senti no céu. Havia uma placa pintada de vermelho com letras pretas, garrafais, que dizia.
AOS SOBREVIVENTES QUE AI FORA ESTIVEREM
HÁ UM SANTUÁRIO
SIGAM EM FRENTE
ESTAMOS NO PARQUE
– K&M
***
As portas do parque eram de ferro, com grades altas e pontiagudas. Estas rodeavam todo o lugar, impedindo de qualquer walker se aproximar. Peter deu um passo à frente, mas larguei as bolsas no chão e puxei sua perna de volta, mandando todos se afastarem.
– O que foi Lice?
– Minas terrestres. Um passo e você vira pó. Fiquem aqui, acho que vi um interfone do outro lado.
Contornei-as, passando pelo lado de fora da estradinha de terra. Esquadrinhei o portão principal com o olhar e achei o telefone preto, preso à uma parede. Respirei fundo e espalmei o chão, pensando plenamente no que estava prestes a fazer. Com um suspiro, eu saltei, colocando o peso do meu corpo contra os braços, ficando de cabeça para baixo enquanto andava com as mãos. Pude ouvir o arquejo surpreso coletivo do pessoal e dei um sorriso, as aulas de ginástica rítmica serviram pra alguma coisa. Com um mortal, cai do lado do interfone, fazendo uma pose estranha. O meu grupo bateu palmas e alguém assobiou, e pela primeira vez em uns três anos eu havia corado. Tirei o telefone do gancho e o coloquei na orelha, apertando o único botão na base preta.
– Alô?
– Oi, vimos seu aviso e queríamos entrar. Por favor, nós realmente precisamos entrar, temos comida, armas, suprimentos, podemos nos virar, mas por favor, por favor, deixe-nos ficar!
– Me responda à três perguntas, por todo o grupo: quantos infectados já mataram?
– Muito mais do que podemos contar.
– Quantas pessoas já mataram?
– Nós, ahn, já matamos algumas...
– Por que?
– Eles nos atacaram. – fechei os olhos, lembrando-me do enterro de Ariel, com lágrimas começando a brotar dos meus olhos. A culpa por ela estar morta havia sido minha. – Perdemos muita gente.
A mulher murmurou algo com outra pessoa do outro lado da linha. O telefone ficou mudo, e eu ia começar a xingar quando a terra tremeu e as bombas sumiram, desaparecendo na grama. Os portões se abriram, e uma mulher morena, de olhos azuis e cabelos brancos como os de Jack caminhou até nós, com um sorriso nos lábios rosados e carnudos. Manchas de tinta azul estavam espalhadas por seu corpo, e ela carregava uma picareta vermelha no cinto. Com um aceno, ela nos colocou dentro do parque, que tinha vários chalés em ordem, uma horta vasta, uma enfermaria, um cercado com animais e um galpão grande e aparentemente cheio de armas.
– Sejam bem vindos a Atlântis! Eu sou Kida, e este será o seu mais novo lar!
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