Radioactive

20 Chapter XIX: Finally Peace


Chapter XIX — Finally Peace

Rapunzel

Estávamos eufóricos e alegres. Havíamos nos livrado de uma terrível ameaça, e ainda vingado nossos mortos. Ainda podia ver as chamas queimando intensamente no horizonte, deixando o ar mais denso e seco, mas ainda sim era como a pintura da nossa vitória. Mal via a hora de chegar em Atlantis e deitar na cama, com a consciência finalmente livre e leve. Apesar do silêncio, o clima de alívio e felicidade pairava sobre o ambiente, deixando a todos com sorrisos enormes nos rostos, exceto daqueles que dormiam. Nós tínhamos fuligem e pólvora pelo rosto. Alguns tinham cortes e hematomas. Simba ganhara uma lesão no tornozelo. Acabavamos de sair vitoriosos de uma batalha, mas eu sabia que aquilo não chegava nem perto da guerra. Não sabíamos se Hades e seus capangas haviam sobrevivido. Não sabíamos se eles conseguiram restagar suprimentos e fugir enquanto a mina de Kida explodia. Mas por enquanto, aquilo era a garantia de que teríamos um pouco de paz por algum tempo até o próximo sequestro ou ataque.

Observei o pessoal do carro. A maioria assistia o cogumelo de fogo apagar lentamente, queimando o resto da prisão que sobrara. Hiccup era o único diferente. O menininho ruivo estava dormindo encostado em seu ombro, enquanto o moreno observava a paisagem zunir pela janela. Seus cabelos marrons por muito pouco não cobriam seus olhos verdes, e a barba rala lhe dava um ar responsável e astuto. Hick era quem racionava nossos suprimentos enquanto éramos apenas eu e ele. Também era ele quem nos mantinha a salvo. Eu simplesmente devo minha vida a ele.

– Pensando em quê, viking? — dei-lhe uma cotovelada, passando por cima de Nala, que dormia, e sentando ao seu lado.

– Eu só estou pensando em como cuidar desse garoto. Você viu a promessa que fiz a Marlin.

– Hiccup, vai por mim, você será um ótimo pai. Cuidou de nós dois por dois anos e meio!

– Mas é diferente, Punzie. Quero dizer, como é que ele vai aceitar a morte do pai, assim, sem problemas?

– Pelo o que eu entendi, ele já perdeu a mãe. Talvez esteja acostumado.

– Pai...?

O menino coçou os olhos, com o rostinho ainda sonolento. Seus olhos castanhos eram profundos, poderiam ver sua alma. Sorri pra ele, que sorriu amigavelmente dd volta. Hiccup respirou fundo e encarou o ruivo, tentando ser cuidadoso com suas palavras.

– Nemo... O seu pai... Ele...

– Ele morreu não foi? — o menino encarava o moreno sem expressão, apesar do olhar triste preso ao castanho das suas orbes.

– É. Ele não foi forte o suficiente. Tirou a própria vida. Mas eu prometi a ele que cuidaria muito bem de você, não importasse o que custasse. Eu sou Hiccup, mas pode me chamar de Hick.

– E eu sou sua tia, que eu tenho certeza que ele não ia me apresentar, Rapunzel. Mas pode me chamar de Punzie.

– O garoto acordou? — Kida perguntou, olhando pelo retrovisor.

– Acabou de acordar. Já estamos chegando?

Ela assentiu e voltou a dirigir. Nemo apenas encostou a cabeça no meu colo e fechou os olhos, murmurando uma, talvez, oração. Hick havia se saído muito bem, bem melhor do que eu esperava. Afaguei os cabelos ruivos do garoto até os portões de Atlantis surgirem no horizonte e a caravana de resgate desfilar até o pátio principal. Hayley foi a primeira a correr na nossa direção, segurando a espada azul chamativa apoiada no ombro. Nemo apertou minha mão com mais força e se escondeu atrás das minhas pernas, assustado.

– Tia... Quem é ela?

– Nemo, esta é a Hayley. Ela é super legal.

– Ei garoto, quer aprender a usar essa espada? — ela se agachou na minha frente — É bem fácil, e meu irmão pode te ajudar também.

– O Finn...?

– É, Punzie. Ele é praticamente meu irmão. Então Nemo, o que me diz?

Devagar, o garoto me soltou e caminhou ao lado da ruiva. Sorri ao ver os dois, que já começavam a se entender. Nemo é uma criança doce demais pra esse mundo caótico e perigoso em que vivemos, mas ele será o nosso futuro. Ele viverá para contar aos seus filhos e netos como tudo isso aconteceu e as aventuras que ele viveu ao nosso lado. Estava prestes a voltar a caminhar quando Jack bateu de leve no meu ombro, me fazendo despertar dos meus devaneios. Sacudi a cabeça e voltei minha atenção a ele.

– Oh, oi Jack. Desculpe, estava distraída.

– Tudo bem. Alice pediu sua ajuda com Merida.

– Claro, claro. E você, trate de ir comer e dormir ouviu? Se eu te pegar acordado de novo, juro que te deixo nos estábulos!

Ele riu, aquela risada gostosa que eu já não ouvia a tempos. Dei-lhe um beijo na bochecha e corri em direção a Enfermaria, onde Lice terminava de vestir Meri com roupas limpas e secas. Seus machucados estavam horríveis, e seu rosto abatido e mais fino. Meus olhos arderam ao ver a tão sempre alegre e valente Merida Dumbroch neste estado.

– Ei Meri.

– Oi Punzie. — sua voz era fraca e baixa — Vamos logo com isso, Alice, quero meu arco de volta.

– Por Deus, Merida, você quase foi morta! Vai precisar ficar pelo menos três semanas de cama, sabia?

– E o filho de Marlin? Conseguiram salvá-lo?

– Ah sim, sim, ele agora está na guarda de Hiccup. Vai ficar bem.

– Desculpe? Marlin tinha pedido a mim que cuidasse do garoto.

– Olha, — Lice terminou de enfaixar o joelho da ruiva — ele precisa de uma mãe e de um pai. E já tem.

– Como é?!

Eu e Alice soltamos uma gargalhada. O rosto arranhado de Meri ficou da cor dos seus cabelos, vermelho como fogo. A tensão que pairava sobre nós finalmente havia sido quebrada, então, eu e a loira nos entreolhamos com um claro sinal de "não vamos parar de zoá-la".

– Hmmm... Qual vai ser o nome de casal dos dois?

– Que tal Hiccida?

– Não, isso é horrível, Punzie! Hiccurida?

– Piorou mais ainda, Alice! Vamos cérebro, funciona...

– Deus, o que foi que eu fiz pra merecer is...?

– MERICCUP! — Alice berrou, cortando a ruiva — Mericcup é perfeito!

– Mericcup para todo o sempre!

– Por Cristo, vagabundas, vão embora daqui! Vão procurar seus namorados que eu me viro sozinha! Vão, vão, xô!

Gargalhamos mais uma vez e resolvi deixar a Enfermaria, cumprimentando pessoas aqui e ali. O Sol já começava a descer, então deduzi que eram umas quatro da tarde. Um relógio seria muito útil agora. Vi Milo e Kida conversando debaixo de uma mangueira e lhes dei um aceno, eles, de fato, fazem um belíssimo casal. Continuei minha caminhada e mal percebi que meus pés me levavam até o chalé dos rapazes, e que minhas mãos se retorciam e suavam feito loucas. Bati na porta e a abri, vendo Jack enrolado nos lençóis e o cômodo vazio e escuro.

O albino fica extremamente fofo quando dorme. Suas bochechas coram e ele se enrola da cabeça aos pés, parecendo um gnomo. É simplesmente a coisa mais adorável que eu poderei ver em todo o apocalipse. Suspirei, girando nos calcanhares e saindo do chalé, quando uma mão agarrou delicadamente meu pulso.

– Uh?

– Punzie, pode me fazer um favor?

– Claro Jack. — cocei a nuca, nervosa.

– Dorme comigo. Por favor. Eu não consigo dormir. — suas olheiras estavam maiores e mais profundas — Toda a vez que fecho os olhos, vejo Merida sendo morta tão brutalmente quanto Emma foi. Por favor.

Seus olhos gritavam por socorro. Ele sentia dor, uma dor que somente o tempo poderia curá-la. Mas tentar amenizá-la, isso eu poderia fazê-lo. Sentei na cama e segurei a cabeça do albino, a colocando em cima das pernas. Comecei a fazer cafunés suaves enquanto pensava num jeito de fazê-lo dormir, quando a canção que Gothel cantava pra mim estalou na minha mente.

– Brilha linda flor, teu poder venceu, traz de volta já, o que uma vez foi meu, o que uma vez foi meu. Cura o que se feriu, salva o que se perdeu, traz de volta já, o que uma vez foi meu, o que uma vez foi meu.

Foi como mágica. Quando olhei novamente, o albino dormia tranquilo e sereno, com um sorriso doce no rosto. Coloquei sua cabeça no travesseiro e o cobri, saindo devagar e silenciosamente do chalé. Meu estômago dava voltas e meu coração parecia querer saltar para fora do corpo. Eu nunca havia cantado aquela música para outra pessoa, a não ser pra Flynn. Jack estava se tornando tão importante na minha vida, mas de uma maneira diferente de que era Hiccup ou Alice. Era... Qualquer outra coisa que não havía sentido antes. As famosas e malditas "borboletas no estômago". As bochechas coradas e o nervosismo repentino. Eu não poderia estar ficando... Apaixonada por ele, estaria?

– Rapunzel, querida, Nemo está te procurando feito louco! — Malévola me despertou do transe em que entrara — Ei, ahn, está tudo bem?

– Ah sim, sim, tudo bem. Onde ele está?

– Nos estábulos com Hayley e Finn.

– Ok, obrigada Mal.

E caminhei a passos largos e velozes até o local, com a cabeça baixa e as mãos nos bolsos, morrendo de nervoso e vergonha.

***

Cuidar de uma criança e dois adolescentes não é fácil. Graças a Deus, eles não tentaram nada do tipo "ah, eu vou fugir e volto depois!". Sentei-me ao lado de Hick e Nala, que conversavam sobre carros antigos. Comi o purê de batatas (céus, nunca pensei que ficaria feliz por estar comendo batatas amassadas) depressa, evitando olhar para Jack, que estava do outro lado. Simba sentou na minha frente, bloqueando minha visão do albino, mas pelo menos tive como me distrair por alguns minutos.

– Então, você estudava Medicina?

– É, sabe eu iria entrar no Exército como enfermeira, mas essa merda toda aconteceu e deu no que deu.

– No começo desse caralho todo, Simba vivía se metendo em confusão. Se nós não tívessemos achado Timão e Pumba em Marietta, estaríamos comendo carne humana por aí.

– Timão e Pumba?

– Sim, dois amigos do melhor amigo do meu pai. — ele mordeu seu pedaço de carne — Eles eram nômades, viviam nas florestas de Marietta. Passamos quase um ano comendo insetos.

Nala fingiu um arrepio e demos uma risada. Era tão fácil conversar com os dois, era extremamente divertido e espontâneo, nada forçado. Continuamos assim por mais alguns minutos, até que Kida pediu que voltássemos aos nossos postos. No meu caso, voltei para a Enfermaria junto de Alice. Merida tirava uma ciesta na maca, e pelo o que a loira havia me dito, não tocara muito na comida, o que me deixou preocupada imediatamente.

– Será que ela sofreu alguma lesão interna no estômago?

– Bom, ela quebrou duas costelas, mas nada de hemorragias nem nada. — a garota tirou um maço de cigarros e acendeu um — Estou preocupada com a ruiva. Se ela continuar assim, não vai durar.

– Eu estou bem meninas. — a voz de Meri era fraquíssima e seus olhos se mantiam cerrados

– Só estou sem fome.

– Merida, eles lhe deram ponta-pés na barriga?

– Não, o pior que fizeram foi matar a mulher do Marlin na minha frente. Fizeram o pobre acreditar que a mulher dele havia sido morta por walkers, enquanto, na verdade, ela era uma escrava sexual de Hades. E a pior agressão física fora contra minhas costelas.

– Tudo bem, mas prometa-me que vai comer.

– Sim senhora, morena.

Ela se deitou de novo e logo pegou no sono. Eu e Lice ainda jogamos mais papo fora, até o Sol baixar por completo e todos se dispersarem para seus chalés. Hiccup ficou com Merida na Enfermaria. Tudo estava voltando ao seu normal.

Finalmente estávamos tendo um pouco de paz.

Notas finais
GUESS WHO'S BACK! E aí pessoal? Tudo bem? Bom, esse capítulo foi melhor que o anterior porque dessa vez tive tempo de escrevê-lo descentemente. Cenas Jackunzel porque sim e porque elas estavam faltando. Como o nome do capítulo diz, finalmente paz pro grupo, hun? E o Nemo? Muuuuuito amorzinho! E preparem seus coraçõezinhos porque trarei mais personagens pro nosso universo. Pois é, olha só como a Titia Ghost se ferra só pra trazer felicidade pra vocês! Brincadeira meus amores, amo vocês de todo o meu coração. Até o próximo! Küsse da GH 😘