Radioactive
14 Chapter XIV: Run Away Still We Can
Chapter XIV — Run Away Still We Can
Rapunzel
O caos havia baixado. Todos ainda estavam apavorados, mal conseguiam dormir de medo, pensando que a qualquer minuto bombas explodiriam sob nossas cabeças. Os feridos eram muitos, e já não podiam mais lutar, ainda mais sem medicamentos, que foram queimados no ataque. E somente em dois dias após as bombas explodirem, perdemos muito mais gente.
Agora, mais túmulos eram prostados em nosso pequeno vale. Jake, Nani, Stitch, Tarzan, Phil, Mégara, Jasmine... Todos eles se uniram aos outros que perdemos naquela guerra. Agora, restavam apenas a mim, Merida, Jack, Hiccup, Alice, Peter, Mulan, Pocahontas, Lilo, Finn, Malévola, Aladdin e o Chapeleiro. E todos nós não resistíamos mais a perdas, sentíamos fracos, destruídos, arruinados. Nossa família havia sido massacrada.
Perdemos um grande pedaço da nossa alma.
– Punzie... Você precisa sair daí. Já fazem duas semanas.
– Eu não posso Hick. — funguei, agarrada a um casaco que Ariel havia deixado para trás — Simplesmente não posso.
Minha voz saia como um sussurro ao vento. Sentia o mundo girando a minha volta, me arrastando para as lembranças de Gothel novamente. A cena do tiro rodou na minha cabeça como um filme, repetindo a cada segundo. O gatilho foi puxado, a bala tomou seu caminho destrutivo até a nuca dele. O grito morrendo na sua garganta, o sorriso sendo destruído. Gothel era um monstro. Ela sempre foi um monstro. Flynn não merecia ter morrido nas mãos dela. O homem mais bondoso que eu havia conhecido, morrendo pelas mãos de um monstro.
As lágrimas desciam do meu rosto como uma torneira aberta. Encarava o nada, os olhos arregalados, encolhida num canto, abraçada a um casaco de um morto. Eu havia voltado aos meus doze anos.
"Flynn Rider era o meu melhor amigo. Idiota, brincalhão, divertido, ouvinte, sempre apoiando e ajudando, lindo... Essas eram suas melhores qualidades. Vivíamos no subúrbio de Woodstock, próximos a saída da cidade, entre a Interestadual 433 e a capital do condado. Gothel jamais gostara dele, afinal era Flynn quem me arrancava das suas garras e me trazia pro mundo real. Ele me ensinou a roubar, atirar, e fazer atendimentos de primeiros socorros.
"Era uma manhã nublada de sexta feira. O último dia do mês de agosto. O meu dia favorito do ano. Toda última sexta feira do mês, Flynn me levava a Disco Club, onde eu podia me divertir e conhecer outras pessoas. Esperava por ele na janela do meu quarto quando Gothel a abriu, segurando o menino pela gola da camiseta. Pelos seus machucados, ela havia o empurrado da trepadeira que tinha próxima a minha janela. As lágrimas brotaram nos meus olhos e corri na sua direção, mas a mulher me jogou longe com um chute. Ela arrancou o casaco de Rider e o atirou na minha cama, ao meu lado, e o pôs de joelhos.
" Gothel tirou uma pistola das suas costas, e colocou-a na nuca de Flynn, com um sorriso perverso. Ele me deu um sorriso e sussurrou as palavras que eu jamais esqueceria na vida: eu te amo, Punz. A bala atravessou a sua garganta, o impedindo de gritar. Sangue espirrou por todo o chão e os móveis, inclusive na minha cara. Gothel jogou o corpo morto do meu melhor amigo nos ombros e abriu o porão, jogando o defunto lá dentro. Em seguida, deu um sorriso malvado e rodou as chaves do meu quarto no dedo.
– Isso é pra aprender a me obedecer, Rapunzel. Nunca mais me desafie, ou a próxima será você.
"E então, ela me trancou no comôdo, o transformando na minha torre enfeitiçada. Passei semanas encolhida num canto, presa ao casaco de Flynn, sentindo o cheiro da sua colônia barata. Meu vestido rosa estava manchado de sangue, assim como meus braços e o chão, onde uma enorme poça rubra descansava e se enraizava nas tábuas de madeira. Gothel dava-me comida e água pela janela, mas nunca toquei em uma delas. Preferia morrer de fome ao depender dela outra vez.
"E naquele quarto, o lugar que mais me trazia alegria, havia se tornado meu pequeno inferno particular."
Nunca perdoei Gothel pelo o que ela fez a mim. Ela não merecia perdão ou compaixão. Inspirei o perfume adocicado do casaco de Ariel, sentindo mais lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Eu estava me tornando aquela garotinha fraca que precisava de alguém pra defendê-la novamente. Eu estava sentindo ódio de mim novamente. As batidas na porta pararam, talvez Hiccup tenha desistido de me tirar daqui. Menos mal, porque ele não precisa sofrer minha dor. Ele merece tudo o que há de bom nesse mundo, ou o que restou dele.
Podia sentir o sono chegando quando uma explosão invadiu meus ouvidos. Amarrei o casaco na cintura e espantei as lágrimas, alisando meu cabelo curto com as mãos, tentando parecer apresentável. Empunhei a Magnus e corri pra fora do chalé, me arrependendo amargamente logo em seguida.
Três carros blindados atiravam no Castelo com tudo, destroindo os destroços deixados pelo último ataque. Hiccup e Jack faziam uma boa dupla, matando a maioria dos corajosos que ousava deixar os carros-fortes. Lilo e Finn juntavam a maioria dos suprimentos em um lugar seguro, longe do caos. Alice, Peter, Malévola e Mulan manobravam os carros, deixando-os próximos a uma saída secreta, facilitando uma possível fuga. Merida atirava com um rifle a todo fevor, estourando os pneus dos carros, enquanto uma caixa de granada descansava em seus pés. Então me toquei que ela tinha um plano.
Corri até Alice, a ajudando a guardar os suprimentos. Pocahontas, Aladdin e o Chapeleiro não estavam em lugar algum. Tentei perguntar a alguém onde eles estavam, mas todos apenas me dirigiam olhares tristes e continuavam com suas tarefas.
Foi então que as coisas começaram a andar. Os três correram na linha de frente, gritando insultos e distraindo os atiradores inimigos, enquanto Merida puxava os pinos das granadas e as jogava. Ela, Hick, Jack, Lilo e Finn correram até nós e entramos nos carros, saindo do Castelo Branco e pegando a Rota 76. Já estávamos a uma boa distância da base quando a explosão clareou o céu e chacoalhou a terra. Então era isso. Perdemos mais três irmãos e a nossa casa.
– Eles morreram de maneira nobre. Eles... Nos salvaram.
Os carros andavam pela rodovia, enquanto cada um de nós se perdia nos próprios pensamentos. E pedia a Deus que tivesse piedades das suas almas.
Agora, nós estávamos fugindo enquanto ainda podíamos.
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