Radioactive

13 Chapter XIII: They Destroyed Us


Chapter XIV — They Destroyed Us

Jack

Atirei no último walker quando Hércules apareceu, chamando a mim, Eric e Aladdin para o gabinete do Chapeleiro. Dei de ombros e segui o grandão, que girava sua aliança no dedo anelar direito. Johnny observava a floresta pela minúscula janela do seu chalé. Ele tinha o maior de todos, óbvio, mas este era tão simples quanto o de qualquer outro do Castelo. Uma cama de madeira arranhada encontrava-se no canto, coberta por um lençol amarelado e um travesseiro mofado na cabeceira. Uma mesinha de metal estava no outro extremo do quarto, com alguns papéis e canetas espalhadas pela mesma. O assoalho de concreto era marcado por sangue, bile negra e pólvora, além de riscos do chão ao teto marcando os dias — de mais um possível ano.

– O que houve Chapeleiro?

– Caro Aladdin, se não lhe foi informado, Nani retornou no inicío de noite passada, salva por Hiccup.

– E qual o problema? — Eric tinha o cenho franzido.

– Chamei vocês aqui, meus caros, pois temo que isto tenha a ver com Tinker Bell e os Guerreiros.

Peter remexeu nervosamente ao meu lado. Virei-me na sua direção, cruzando os braços. O suor brotou da sua testa como uma planta germina após um dia de chuva, e sua boca se retraiu, deixando apenas uma linha reta e curvilínea. Ele estava nos escondendo algo.

– Tem alguma coisa pra contar Pan?

– Eu... posso chamar Ariel até aqui? Ela explicaria melhor.

– Certo, chame a garota.

O ruivo saiu e voltou logo em seguida com a moça, que estava claramente confusa. Eu não a julgo, estava tão perdido quanto ela. Ariel olhou timidamente para Eric e sentou-se na cadeira de madeira do Chapeleiro. Peter deu-lhe um tapinha fraco nas costas, a encorajando a falar. Tomou um longo fôlego e desatou a soltar informações em nossos ouvidos.

– Eu, Eric e Linguado já estivemos na prisão dos Guerreiros. O líder deles, o tio de Herc, Hades, me estuprou e logo em seguida mandou Tinker Bell explodir a base do nosso outro grupo. Perdi minhas cinco irmãs, meu pai e meu tio.

– Ariel querida... — Johnny afagou os cabelos vermelhos da garota, que se debrulhava em lágrimas — Por que não nos disse antes?

– Tinker me vigiava, sempre estava de olho em mim. Se eu soltasse qualquer palavra relacionada a isso, ela meteria uma bala na minha cabeça.

– Mas o que Nani tem a ver com tudo isso? — Phil soltou, fingindo desinteresse.

– Acho que essa — uma voz fraca veio da porta — eu posso responder.

Lilo apoiava a irmã mais velha nos ombros, e a arrastou até a cama. Ela ainda estava bem fraca e magra, mas agora vestia-se descentemente e tinha um lençol jogado em cima das omoplatas. Nani contou quantas pessoas haviam na sala e fez uma careta engraçada, uma mistura de confusão e pânico. Stitch latiu alegremente e sentou-se aos pés de Lilo, que estava ao lado da irmã.

– Não havia... — ela deu uma tosse rouca — ... mais pessoas no grupo?

– Oh sim, temos de fato. Hércules, chame-os por favor. Ah, evite o ponto T.

O homem assentiu com a cabeça e desapareceu pela porta principal. Encostei-me na parede e saquei o pequeno canivete suíço que carregava, levantando e abaixando a lâmina. Alice dirigiu-se até mim e cumprimentou os outros com acenos de cabeça. Um cigarro pendia nos seus lábios e a encarei meio em choque, mas nem em um milhão de anos imaginaria que Alice Kingsleigh já teria colocado um cigarro na sua boca. Ela riu com a minha expressão e tirou o maço do bolso junto de um isqueiro, me oferecendo um.

– Eu passo.

– Então, já conseguiu algo com a Punzie? — ela soltou uma baforada.

– Porra, da onde tirou essa ideia?!

– Ah, qual é Jack, sei que você tá caidinho por ela. E, na minha humilde opinião, você parece mais um colegial apaixonado do que um sobrevivente de 20 anos.

– Bom, seja bem vinda ao meu barco, maruja.

– Hein?!

– Ah, qual é Alice, — fiz uma imitação da sua voz — eu sei que você e o Peter morrem de amores um pelo outro.

Ela me deu um soquinho, rindo nervosa e completamente vermelha. Jogou a bituca no chão e a pisoteou quando Hércules, Jasmine, Pocahontas, Merida, Rapunzel, Hiccup, Jane, Tarzan, Mégara, Mulan e Linguado entraram, sentando-se no chão ou escorando-se nas paredes. Alice franziu o cenho ao observar o chalé, que agora se encontrava meio apertado.

– Onde está Ti...?

– Ela se trancou no Bunker, — Aladdin soltou, encarando a loira descaradamente. O cara é um perfeito mentiroso — e mandou que começassemos sem ela.

Alice assentiu e sentou no chão ao lado de Meg. Nani respirou fundo e encarou-nos com um leve brilho de ódio nos olhos.

– Como vocês sabem, eu fui sequestrada a um ano atrás. Os malditos que me pegaram eram da prisão ao leste.

– Os Guerreiros... — Pocahontas murmurou.

"Exato. Quando fui capturada, estava a uma distância segura do Castelo, o que salvou a vida de vocês. Mas Hades sabia que eu vim daqui, e queria a cabeça de cada um de nós em uma bandeja. Nas primeiras semanas, fui tratada cordialmente, recebia comida, água, tinha minha própria cela... era uma maravilha. Mas então quando os interrogatórios começaram, o homem cortou tudo isso. Só poderia comer após a meia noite, se conseguisse chegar até a Cozinha.

Convencido de que eu não iria abrir a boca, Hades resolveu tomar atitudes ousadas. Todas essas feridas e hematomas são resultados das torturas que me ocasionavam. Chutes, ponta-pés, socos, cabeçadas, barras de ferro acertadas contra minha cabeça. Tive sorte — ou o maldito azar — de ter sobrevivido a tudo isso. Até que ele começou a pensar no meu corpo, resumidamente. Estuprava-me todas as noites, sem descanso, e só iria parar quando dissesse onde nos localizávamos.

Eu vi uma garota loira dizimar grupos inteiros com coquetéis Molotov's e bombas caseiras. Fugi à uma semana atrás, pelos tubos de esgoto. Mas tenham uma certeza, Hades virá atrás de mim."

Um silêncio mórbido caíra sobre nós, cada um mergulhado nas suas próprias conclusões. Um soluço preencheu o ar e vi uma cabeleira loira correndo pra fora da sala. Peter correu atrás de Alice, e aos poucos as pessoas foram se dispersando, ainda em choque. Tinker Bell era uma informante. Essa ideia parecia sem noção demais na minha cabeça, sem nexo algum. Por que ela nos trairia?

Vaguei pelas ruas do Castelo até o pequeno vale que havia nos fundos. O Sol começava a nascer, pintando o céu de uma coloração rosada incrível. Joguei a cabeça pra trás e fechei os olhos, sentindo uma leve e gelada brisa atravessar meu rosto. Um sorriso cresceu involuntariamente nos meus lábios, esses momentos de paz me traziam boas memórias, daquelas que eu não desejava esquecer. Ouvi um farfalhar de folhas ao meu lado e virei a cabeça, estralando meu pescoço sem querer. Rapunzel segurava uma gargalhada por trás de uma careta de descontentamento. Sentou-se ao meus lado e apoiou os cotovelos nos joelhos, encarando as árvores dançantes graças aos ventos.

– O que acha que farão com Tinker?

– Eu não sei. — cocei o queixo, deitando-me na grama verdinha — Eles podem fazer qualquer coisa.

– Acho que... o Chapeleiro não deixaria que fizessem algo a ela. Mas eu ainda acho perigoso mantê-la por perto.

– Como assim?

– Você ouviu os relatos de Ariel e Nani. Não seria surpresa nenhuma se uma bomba caseira aparecesse nos nossos chalés. Devemos dar cabo dela de uma vez.

– Posso ser sincero? — ela assentiu, se deitando ao meu lado — Nunca pensei que ouviria você falando algo assim.

– Eu me toquei de que se você, Hick, Meri, Lice e Pete morrerem, vou ficar sozinha de novo. E se eu ficar, não terei chance alguma.

Balancei a cabeça, encarando as nuvens brancas formarem desenhos nos céus. Virei meu rosto na direção da loira e não segurei uma exclamação de surpresa. Rapunzel havia cortado o cabelo na altura do pescoço, repicado nas pontas e havia o pintado de castanho escuro. Ela soltou uma risadinha e fechou os olhos, com um sorriso no rosto.

– Por que fez isso?!

– Aquele cabelo me trazia lembranças ruins. Preferi cortá-lo e pintá-lo com a ajuda de Meg.

– Quer falar sobre isso?

– Amanhã certo? Eu só quero aproveitar esse momento de paz.

Ela voltou a fechar os olhos, escorregando pra mais perto de mim. Encostei minha cabeça na sua, observando o Sol pular pra fora do horizonte, clareando por completo a manhã. Podia sentir o sono chegando, minhas pálpebras pesadas e pronto pra dormir quando gritos de horror invadiram meus ouvidos como uma furadeira. Rapunzel pulou do chão, no mesmo tempo que eu, fazendo com que batessemos a cabeça.

Timming perfeito.

Sacamos nossas armas começamos a correr na direção do pátio principal quando o barulho de algo sendo explodido chegou até nós. Minha única reação fora segurar a cintura de Punzie e jogar-nos contra o chão. A morena respirava rápido e descompassadamente, os olhos verdes cerrados com força. Ergui um pouco a cabeça do chão e observei a base por de trás do mato alto. Um homem de pele cinzenta e cabelos azuis vivos ria de puro escárnio, enquanto atirava em tudo o que via. Tinker estava ao seu lado, também rindo, jogando bombas no Castelo como se jogasse Angry Birds. Outros três capangas metralhavam-nos dos seus Jeeps, com meros sorrisos de diversão.

Consegui ver Aladdin e Jasmine escondidos num dos chalés mais distantes, junto com Finn, Jake, Malévola e Mulan. Vi também os fios vermelhos de Merida e Ariel se agitarem entre dois caminhões do Exército. Hiccup, Jane, Alice e Peter revezavam entre si pra atacar os caminhões que nos atiravam bombas. Vi um dos tiros da loira acertarem Tinker na orelha esquerda e no braço direito, e só então o homem cinzento gritou "Recuar!"

Ficamos mais uns vinte minutos escondidos, para certificármos de que estávamos seguros. Punzie murmurou algo contra o meu peito, que foi abafado pelo choro e o casaco grosso que eu usava.

– O que disse?

– P-precisamos ir lá.

Assenti com a cabeça e a ajudei a levantar. Suas mãos tremiam como loucas, em pânico. Arrastamo-nos até o pátio principal, e também não pude conter as lágrimas. Nossa casa fora destruída. Nossa família fora destruída. Quase não sobrara gente. Sangue fresco manchava o chão. Corpos estavam espalhados pelo pátio. A dor se alastrava pelo peito de cada um daqueles que sobreviveram. Perdemos tudo. Perdemos amigos, irmãos.

Nós perdemos tudo.

~XxX~

Depois do choque inicial, dei-me conta de que precisava ajudar a enterrar os nossos queridos. Precisei encarar aqueles rostos, antes sorridentes e bem animados, agora frios e sem vida, enquanto carregava-os para o pequeno vale que eu e Punzie estávamos. Tive de reconhecer todos os rostos que me acolheram aqui mortos. Hércules, Tarzan, Eric, Linguado, Ariel... todos mortos, alvejados ou queimados. Não perdemos apenas amigos ou irmãos.

Perdemos uma boa parte da nossa alma.

– Pode chorar garoto. — Malévola terminou de cavar a sepultura que era destinada a alegre e divertida Ariel — Todos nós perdemos alguém que amamos. Não é fraqueza alguma chorar pelos entes queridos.

– Obrigada Mal.

Ela deu um sorriso fraco, enquanto depositava delicadamente o corpo envolto da ruiva na tumba. Um aperto cresceu em meu peito. Poderia ter sido Merida. Poderia ter sido Merida. Se algo acontecesse a minha irmãzinha, jamais me perdoria por isso. Era minha responsabilidade deixá-la a salvo, assim como Hiccup deveria deixar Punzie do mesmo jeito. Phil me dispensou das escavações com um semblante triste no rosto, enquanto encarava a tumba de Hércules. Pelo pouco que eu havia escutado, aquele jovem fora seu aprendiz e filho adotado desde que se entendia por gente.

Agradeci ao velho e saí em disparada até a Ala Médica, que graças a Deus não fora atingida, onde todos estavam instalados. Peter e Pocahontas abraçavam e consolavam Mégara, que perdera o marido. Alice, Rapunzel, Lilo e Finn tratavam de Merida, Mulan, Nani, Jake e Aladdin enquanto Jane e Jasmine cuidavam dos ferimentos do Chapeleiro, que por muito pouco não foi morto alvejado, pois havia usado o corpo grande e musculoso de Herc como escudo. Ninguém dava uma única palavra, soltava um único pio. Nem mesmo Stitch, que estava aos pés da sua dona, latia. Todos estavam calados, perdidos em seus próprios pensamentos e consolos. Mas todos tinham um único objetivo.

Vingar os seus mortos e destruir os Guerreiros. Justamente como eles nos destruíram.

Notas finais
Yo pessoal! Desculpem a demora, é que estive ocupada esse fim de semana inteiro! Vocês já viram o filme "God Is Not Dead"? Ele é perfeito! O único filme de filosofia/religião que me agradou! Se quiserem meu conselho, assitam-o! Quem quer me matar por ter assassinado Eric, Linguado, Hércules e Ariel? Desculpem guys, mas isso foi necessário! Ahhh, esse é o primeiro cap. de 2.000 palavras que eu escrevo gente! Comemorem comigo ^-^ Küsse da GH ♡